Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

PEDALADAS TREPIDANTES

sexta-feira, 17 de maio de 2013



VANDERLAN DOMINGOS
De repente, peguei uma bicicleta e sai pedalando. Tinha que fazer parte daquela comitiva para sensibilizar as pessoas a se exercitarem e cuidarem da saúde. O sol queimava meu rosto, o suor brotava entre as células molhando minha camiseta azul, deixando-me exausto naquele dia em que se comemorava não sei o quê. O corpo em chamas sentia mergulhar em águas profundas. A estrada de chão, poenta, parecia derreter e as rodas da bicicleta sofriam, exalando cheiro de borracha queimada, enquanto os reflexos incendiários do sol me cegavam. Comi frutas e bebi água gelada no caminho com receio de estilhaçar o gelo com os dentes e naquele momento, sequer senti a surpresa dos competidores e dos fazendeiros que colhiam suas safras.
     Alguém durante a caminhada, não observei bem,  me perguntou sobre o calor e vi que se tratava de uma pessoa que não parava de esbravejar contra o tempo abafado e quente. Outra, com a língua em forma de gravata, parecia querer abrir a torneira do tempo para se esconder debaixo daquela água imaginária. Sem medo de procrastinar em lume porque o calor era insuportável e que fazia latejar meu cérebro prosseguia silencioso. E foi com esse propósito que me atirei naquele passeio ciclístico que aquele grupo denominou de “Pedaladas Olino/Terezinha”, para no final, encostar-me á sombra de uma árvore de jatobá que ficava à beira do caminho. Não me assustei porque nestes dias de calor cardíaco, há dias não conseguia me aquietar nem por segundos, pois o calor escaldante provocado pela poluição desvairada me deixava desnorteado e exausto.
       À sombra daquela árvore olhei para o céu e vi a camada de ozônio proteger a terra dos raios ultravioleta do sol, que são extremamente prejudiciais à nossa vida. Esses gases são uma mistura de átomos de cloro e carbono, estão presentes no ar poluído e são transportados até elevadas altitudes quando é bombardeado pelos raios solares ocasionando a separação do cloro e do carbono. O cloro, por sua vez, tem a capacidade de destruir as moléculas de ozônio. Basta um átomo de cloro para destruir milhares de moléculas de ozônio (O3) formando um buraco, pelo qual, os raios UV passam chegando a atingir a superfície terrestre. A redução da camada de ozônio contribui para o efeito estufa e este é a elevação da temperatura da terra, provocado pela introdução na atmosfera de excessivas quantidades de gases estranhos. O principal agente causador do efeito estufa e o gás carbônico, resultante da combustão do carvão, lenha e petróleo. 
     A cada pedalada recebia um vapor tórrido. Parecia que estava diante de um forno. O vento acariciava meu rosto com suas mãos quentes jogando ao ar as gotículas de suor que desciam de minha face e se evaporavam rapidamente. Não foi difícil durante o trajeto observar impactos ambientais previsíveis e imprevisíveis ocasionados por confrontos diretos ou indiretos entre o homem e a natureza, pois, não muito distante podíamos ver uma imensa fumaça negra que encobria o céu e me asfixiava. Tratava-se de uma queimada provocada pelo próprio homem. E os desmatamentos e a falta de água nas cercanias de Mineiros? E o buraco na camada de ozônio? Será que tudo fazia parte daquele estratégico passeio com o fito de levar uma mensagem ao ser humano de como preservar a natureza? Fazia sim, pois a cada descanso dado ao pedal passava pela nossa mente os fenômenos naturais como tempestades, enchentes, incêndios florestais por causa natural, terremotos e outros, que apesar de provocarem as alterações no Planeta, não caracterizam impacto ambiental. 
      Um exemplo de impactos ambientais são aqueles gerados pelas atividades industriais e veículos, que através das emissões gasosas de suas chaminés e canos de escapamento provocam a chuva ácida, que nada mais é que a queima do carvão e de combustíveis fósseis e os poluentes industriais lançam dióxido de enxofre (SO2) e de nitrogênio (NO2) na atmosfera. Esses gases parecem ter combinado à surdina com o hidrogênio presente na atmosfera sob a forma de vapor de água. O resultado são as chuvas ácidas: as águas de chuva, assim como a geada, neve e neblina ficam carregadas de ácido sulfúrico e/ou ácido nítrico. Ao caírem nas superfícies, alteram a composição química do solo e das águas, atingem as cadeias alimentares, destroem florestas, lavouras, atacam estruturas metálicas, monumentos e edificações.
     Ao sentir todo aquele desconforto cai na real. Senti que ir ao trabalho de bicicleta não dava e muito menos deixar o carro na garagem. Precisava ser franco e à sombra daquela árvore frutífera milenar vi passar vários caminhões, indo e outros voltando, levando e trazendo grande quantidade de perus, deixando para trás uma extensa poeira que tirava o meu sossego. Mas, pensei: Ali está a salvação da maioria dos produtores e fazendeiros daquela região. Bastava aumentar os galpões e a frota de veículos, e quanto à avaliação da poluição e dos impactos causados, tendo como alvo os usuários de bicicletas, entendi que naquele instante o que mais importante era aquietar-me debaixo daquela sombra.
      Os meus pensamentos iam e voltavam na velocidade da luz e diante de tantas informações captadas na região recôndita do meu cérebro não vi alternativa senão em moldá-los assertivamente de forma que as ações governamentais sejam formadas por um conjunto de procedimentos capazes de assegurar, desde o início, que se faça um exame sistemático do trânsito, não importa o local, com propostas e alternativas capazes de provocar resultados satisfatórios e seja apresentada adequadamente ao usuário de bicicleta, assim como aos não usuários de forma plausível, vez que eles são e continuarão sendo o público alvo que motivou e continuarão motivando outras pedaladas trepidantes ou impactantes.
     Descansado, prossegui com as pedaladas. De repente me vi diante de um mata-burro. E inteligentemente, desvie-me dele e abri um colchete ao lado e continuei. Uma porteira se abriu e encostei a bicicleta no moirão. Uma vontade danada de fazer xixi me fez ir até uma moita perto de um monjolo. Mas, por incrível que pareça, os outros ciclistas ficavam me olhando e eu não conseguia desviar e nem escapar dos olhares deles e delas, por mais que tentava. Mas, a vontade de urinar era muita e foi tanta, que me fez acordar. Olhei entre as pernas e notei que a minha cama estava enxuta. Era apenas um sonho. Graças a Deus!   VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA
 
Artigo publicado no Diário da Manhã, edição do dia 15 de maio de 2013
 

COLO DE MÃE.

terça-feira, 7 de maio de 2013

 

Foram dias difíceis naquele hospital. Mas a vida é assim. Tem situações que parecem complicadas e custamos a entender. Pode ser incompreensível para muitos em se tratando de morte, não obstante sabermos que um dia ela virá com todo o seu mistério que jamais será desvendado porque só Deus sabe o momento de subirmos ou descer os degraus da vida, para no final, ELE abrir a porta e nos mostrar o caminho da luz. Cercada de virtuosidades minha mãe Carolina deixou esta terra depois de tanta luta pela sobrevivência e no próximo domingo, “Dias das Mães”, quando se completa um ano, seis meses e um dia de seu falecimento senti-me tocado pela dor e saudade, restando-me a  reflexão e a vontade de reprisar este artigo que fora publicado em novembro de 2011, onde relatei sobre o seu passado de muita luta e sabedoria.
Ainda menino, amparado pelos seus braços fortes, lembrei-me daquele pequeno ônibus onde a senhora, juntamente com meus oito irmãos, deixou a pequena cidade de Morrinhos, em busca de um novo lar, de uma vida melhor na Capital. Pela estrada de chão, esburacada, o ônibus seguia célere deixando para trás uma poeira fina que se esparramava com o auxílio do vento, apagando imagens de um passado como se nela tivesse impregnada a borracha do tempo e, lá dentro, sacudidos pela trepidação, outros passageiros também sonhavam com um mundo melhor, mas, receosos de não conseguirem alcançar o seu intento seguiam silenciosos. Pela fresta da janela passava o vento e em seu colo sentia a sua pureza de mãe, enquanto sua mente contabilizava os quilômetros emplacados estrada afora, e de forma sutil, seus olhos ainda tinham a sensibilidade de contemplar a natureza, cujos vales, serras e montes iam passando velozmente à medida que o veículo seguia rumo ao seu destino. O seu semblante jovem transpirava dor e saudade de nosso pai, ainda jovem, morto de forma trágica, no entanto, mesmo assim, soube manusear as rédeas do destino, frear e puxar  o cabresto que construiu usando cordas de ternura que acostava aos filhos, para, no momento certo, poder puxar, exigir ou se recusar, até de forma obstinada, qualquer coisa que lhe contrariasse ou entristecia seu coração.
Naquele ônibus, antes de afundar no seu mar de sonhos sabia que mais adiante, mesmo sem teto, não poderia se curvar diante das adversidades que surgiriam, pois teria que sustentar e agasalhar nove filhos,   talvez, fazendo faxinas em residências ou usando os carrinhos da vida para buscar peças de roupas em bairros distantes, lavá-las no tanque da integridade e pendurá-las no varal da vida sob um sol escaldante. Tempo em que talvez não tenha contabilizado; tempo que lhe consumiu o corpo e fez aparecer os     primeiros cabelos brancos protagonizados por este mesmo tempo.
Mãe, você viu os seus filhos crescerem imbuídos de responsabilidade, honestidade, dignidade e respeito ao ser humano. Mesmo doente se preocupava com tudo, cuidava de todos com esmero e carinho, servindo-se de modelo para seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos, fazendo-os entender que o amor faz gerar sorrisos e que amar significa querer mais e mais de uma pessoa. A senhora foi assim: sempre procurou ensinar corretamente, de forma que todos pudessem compreender os seus próprios sentimentos, quando na verdade, poucos compreendiam e, muitas vezes, lhe pedia aquilo que não podia dar.
Com quase noventa e dois anos de vida você nos deixou e partiu para outra dimensão, deixando para nós, pulverizados, muitos exemplos de amor e virtudes; foi com a senhora o seu sorriso angelical, o seu jeito simples de fazer crochê e tapetes montados com retalhos de tecidos multicoloridos; foi com a senhora a vontade férrea de viver; foi com a senhora a batuta que regeu, como a um maestro, a vida de cada um de seus filhos, tudo embalado pela sinfonia de sua própria vida. Mãe, todos nós reconhecemos que você deixou um legado de carinho, amor ao próximo e virtuosidade, por isso é que todos a chamavam simplesmente Carolina.  Mãe, você fez de mim um homem justo e me ensinou a defender os injustiçados. E como o Padre Luiz  disse: frase estampada num calendário, “Há muita dor que precisa ser curada, há muito choro  sufocado, há muita injustiça para ser vencida. Em tudo isso, a certeza de que só Deus é a resposta. Deus não explica a dor, mas, na cruz, ressuscita a esperança e o amor

Publicado no Diário da Manhã, edição do dia 8 de maio de 2013.

ENGENHARIA DO ALÉM: MINHA CASA, MINHA TUMBA

terça-feira, 30 de abril de 2013

 

Li no jornal Diário do Além uma notícia estarrecedora sobre a construção de casas de alvenaria sobre terrenos alagadiços e duvidosos. Era um projeto elaborado pelo doutor Satanás que não gostava de coisa que se preste. Vendo o desepero daqueles moradores diante de uma casa com paredes rachadas, instalações hidráulicas com defeitos, que causou aumento gradativo da taxa de água e esgoto; lonas sobre telhados, infiltrações nas telhas, mal colocadas, me convenci de que o pobre sofre, mas não desiste, corre riscos, mas não desiste mesmo! e ainda ri de sua desgraça; fica na zona de desconforto, sem dramas, pois não tem a quem recorrer. Falar com quem: o  Satanás, “o coisa ruim”. Com o Lúcifer!? Reclamar para este também não adianta, não está nem aí para o sofrimento humano. Querem que todos padeçam no inferno. Parece que não é a hora, mas os meus motivos para escrever este artigo é porque “a coisa” está ruim, estão tentando esconder a verdade do povo e essa verdade é que ele está com medo, um amigo que adquiriu também, está todo mundo como medo de morar debaixo daquela “obra de engenharia” que veio do Além, e é obvio, construídas com segunda intenções e dinheiro indo para o ralo, não deixando ninguém feliz pois estão vendo tetos e paredes inteiras racharem e aí, leitores, eu não sei se vão conseguir superar a dor. Mais uma humilhação a que é submetido o povo humilde e sofrido.

O Dário mostrava como anda o programa ‘Minha Casa, Minha Tumba’ - lançado pelo Lúcifer a pouco mais de quatro anos. O editor do jornal disse que o programa entregou 1,1 milhão de habitações, mas, o seu idealizador reconhece que há falhas nas construções e denúncias de irregularidades que estão sendo apuradas pelo coordenador de obras do Além.

Um fato pitoresco aconteceu na semana passado quando um capeta-menor resolveu casar-se. Ludo, como era conhecido, vestido de roupas escuras, vampirescas, passou entre as labaredas flamejantes do inferno e foi até Lúcifer depositar a quantia para adquirir a sua casa própria. Com os chifres aguçados e rabo abanando de um lado para outro, perguntou se o imóvel seria financiado pelo programa “Minha Casa, Minha Tumba”, projeto habitacional ambicioso de Satanás. Mais afoito, disse ainda que estava sabendo que no projeto havia frades e pediu a Lúcifer que combatesse esse mal.

E foi um pergunta inoportuna e imbecil de Ludo. Lúcifer chamou o Satanás, responsável pelo projeto e pediu para abrir uma auditoria por conta das suspeitas de desvio de recursos do Inferno. Segundo a denúncia do jornal Diário do Além, ex-servidores do Ministério das Entranhas fraudaram o programa com um esquema de empresas de fachada para obter contratos. Dizem que eles são sócios de tal RCA - Grupo que Controla Obras em todo Além, que estaria à frente da construção de milhares de unidades.

Satanás, mesmo a contragosto mandou abrir uma sindicância. Notificou os responsáveis pelas obras e pediu uma auditoria no programa, sobretudo nessa modalidade do programa que trata da construção de inferninhos menores, abaixo de 50 mil habitantes. Além disso, determinou quando da abertura de sindicância, tivesse a participação do Conselho de Capetas, para apurarem todos os fatos, com o maior rigor possível, dentro do menor prazo possível.
Moral da história: Satanás, contrariado com a denúncia, entregou a casa para Ludo e sua mulher Zafira, que dias depois desabou, matando-os. Gritei: Misericórdia! Diante daquelas labaredas, bastante suado, acordei. Graças a Deus! Era apenas um sonho, ou mais preciso: um pesadelo

Artigo publicado no Diário da Manhã, edição do dia 1.º de maio de 2013

Cárceres da insegurança

quarta-feira, 24 de abril de 2013


Homens de um lado e mulheres de outro, perambulam por um pátio de cimento batido, separados por altíssimas grades de proteção. O meu olhar atento de missionário e pensamentos se misturavam naquele espaço sinistro e mal dava para escutar as conversas daqueles que escondiam o rosto com o capuz negro do silêncio. Num canto do pátio, encostado no gradil, um homem franzino com o rosto sofrido, carcomido pelo tempo, manuseava silenciosamente a Bíblia e de vez em quando, observava o sol escaldante que teimava em queimar-lhe o rosto e o peito nu. Minutos depois, outros presos foram se aproximando daquele andarilho errante, e vendo-os se aproximarem, deu uma entonação mais alta na voz lendo em seguida um capítulo. Pararam perto e permaneceram mudos, mas, de certa forma, pareciam interessados naquelas palavras bíblicas. E naquele canto, todos os dias, aquietava-se o velho, manuseando aquelas páginas que lhe trazia conforto e percebia que aqueles textos que lia estava alcançando também o coração de outros detentos. Dias depois, foi libertado, mas, naquele canto do pátio, ficaram seus ensinamentos e alguns seguidores, e mais Bíblias foram vistas espalhadas pelo presídio. 

De repente o meu pensamento cataloga alguns versículos que tinha lido dias anteriores e manda-me de volta ao passado. Fez lembrar-me que a prisão é tão antiga como a memória do homem e continua sendo o principal remédio que a justiça tem para combater todos os males, males que poderiam ser deteriorados com um simples remédio: a introdução da evangelização no meio prisional que aquele detento servia como exemplo. Tempo idos, os remédios (prisões) eram mais fortes e em sua bula predominava a pena de morte que era descrita das mais variadas formas, fato que se pode constatar quando desobedeciam ao Código Hamurábi, Deuteronômio, Lei de Manu, das XII Tábuas e Alcorão. Na verdade, naquele tempo desconhecia-se a pena privativa de liberdade. As masmorras serviam para abrigarem presos provisoriamente que, muitas vezes, eram esquecidos pelos seus algozes.
Naqueles tempos prendiam-se homens pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço usando correntes e tantas outras formas maldosas conforme a classificação do crime cometido ou seu ato perante aquela sociedade. Passado todo esse tempo, vemos que hoje o número de presos cresceu tanto que a sociedade não encontrou alternativa se não em fechá-los detrás de muros altíssimos, com uma escolta armada e soldados fortemente armados como se estivessem preparando para uma guerra. As celas, superlotadas de gente perversa e irrecuperável, são pequenos quadriculados e uma janela com gradil onde eles amarram suas vestes e lençóis para mostrar a insegurança, o desconforto e a revolta, sempre aguardando um desfecho final: morte entre os presos, pois a lei da física é muito clara: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.”.

O interessante é que ao ver os lençóis e vestimentas penduradas nos gradis não enxergamos nenhuma peça que pertençam aos criminosos de “colarinho branco”; nenhuma peça daqueles que praticam o peculato de toda a espécie; que praticam a corrupção ativa e passiva, o desvio de verbas ou a errada aplicação de recursos, fraudes em concorrências, as prevaricações, os desmandos administrativos, as nomeações ilegais, a concussão, o cerceamento à liberdade, os homicídios e tantas outras mazelas. Na realidade, a maior parte destes crimes não vem à tona e os que surgem são abafados pelos próprios mecanismos estatais ou por influência política.  Destarte, o banditismo, armado de armas de grosso calibre, metralhadoras e granadas, explodem caixas de bancos e muitas vezes matam somente para ouvir o gemido do desafeto; saem às ruas e deixa a população em polvorosa, intimidada e ela se tranca dentro de sua própria casa, não podendo sequer sair às ruas, enquanto a polícia persegue pessoas incautas que são jogadas nas prisões ao lado dos piores marginais. Tudo o que se vê é fruto de uma política criminal errada, injusta, implantada através de uma legislação esdrúxula, irresponsável e que precisa ser modificada urgentemente pelo Congresso Nacional. O juízo jurídico colocado em prática pelo legislador funciona como um juízo de valor, não se limita a comprovar a existência das causas, mas, valora-as, para fins de repressão, o que pode ocorrer, em muitos casos, em vez de extinguir ou reduzir o crime, venha estimular ou eliminar um e criar outro. Daí urge, para amenizar um pouco esta situação, além da prática da religiosidade entre os presos, o trabalho prisional intramuros, com incentivo especial à formação de mão de obra especializada, por maiores de cursos profissionalizantes, em parcerias com escolas técnicas públicas e privadas e ainda, a construção de presídios mais humanizados com o objetivo de desafogar a lotação excedente, cujo ambiente atual deteriora mais ainda a mente humana. Fazendo isso, acredito que trará mais socialização aos presos e segurança aos cárceres.  

Publicado no Diário da Manhã, edição do dia 24 de abril de 2013

Retrato da Violência


Os atos de violência que vem acontecendo são mais perniciosos que as catástrofes naturais, como os furacões e terremotos, porque ao contrário das vítimas de um desastre natural as de uma violência se sentem intencionalmente escolhidas como alvos de uma maldade. Este fato despedaça as crenças sobre a confiabilidade das pessoas e a segurança do mundo entre elas, crenças que as catástrofes naturais deixam intactas. O mundo social torna-se um lugar perigoso, onde os seres humanos são ameaças potenciais à sua própria segurança. Todos os dias se veem estampados nos jornais crueldades indescritíveis praticadas pelo homem e na memória do tempo ficarão gravadas as sua vítimas, e quando fatais, as próprias famílias, como se fossem cenas de um filme de terror que nos faz encarar o medo como qualquer coisa semelhante ao próprio ataque traiçoeiro do mal que vem afligindo o mundo.

A sociedade organizada e a polícia instalam câmeras de segurança com capacidade de desenvolver capturas faciais adequadas para o reconhecimento automatizado do indivíduo e esclarecimentos do delito num curto espaço de tempo, que são raras e onerosas. Não obstante essa assertiva de policiamento, entendemos que outros instrumentos de apoio à investigação precisam ser empregados para permitir a captura ou descrição dos dados biométricos dos envolvidos em delitos criminais, auxiliando de forma efetiva e rápida a identificação positiva dos indivíduos em arquivos criminais de porte. O retrato falado situa-se como um destes instrumentos, importante na elucidação de crimes. Entretanto, além da confecção, que depende de razoável precisão biométrica, depende também de divulgação para interação com fontes de informações públicas e pesquisas que transforme o produto gráfico em identificação positiva do suspeito em arquivos fotos-criminais.

Infelizmente, dados estatísticos não mentem e mostram que o estado de Goiás tem o 15º maior índice de homicídios no país, são 30 assassinatos a cada 100 mil habitantes, número maior que a média nacional, que é de 26. No Brasil, o índice diminui, enquanto o ritmo dos homicídios em Goiás cresce ano após ano. Esses são alguns dados divulgados pelo Ministério da Justiça e da Saúde, com base no estudo descrito no Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, realizado pelo Instituto Sangari e divulgado há alguns meses. Na lista de municípios goianos mais violentos estão, entre outros, Aparecida de Goiânia, Luziânia, Anápolis, Águas Lindas, Valparaíso e Rio Verde. O documento faz uma análise da violência entre os anos 1980 e 2010. Em razão disso, a população goiana vive insegura e sofrem com o aumento das ocorrências de roubos, assassinatos de moradores de rua, de jornalista, corrupção, estupros, pedofilia, violência policial, violência contra a mulher, tráfico de drogas, de pessoas e de tantas outras mazelas. Apesar dos dados alarmantes, a segurança pública se mantém ineficaz, todavia, em razão dos últimos acontecimentos, o Governador de Goiás e o novo Secretário de Segurança Pública sentiram a necessidade de substituir o Comandante Geral da PM, e desde que este novo Comandante assumiu já podemos vislumbrar a sua preocupação com a criminalidade, onde propôs de imediato a substituição de todos os comandantes regionais e a criação de uma Tropa de Elite, consoante notícia veiculada no Diário da Manhã, edição do dia 03 de abril findo, com o objetivo de essa ação se transforme numa atuação efetiva e seja feita de forma preventiva e ostensiva em busca de soluções para diminuir os casos de violência no Estado.

Ao lembrar-me dos episódios ocorridos no ano de 2012, que será para sempre lembrado como um ano de crimes horripilantes. Não me lembro de nos últimos tempos ter tido um ano com tantos crimes violentos e macabros. Pais e mães que matam filhos, filhos que matam pais, amigos que matam amigos, maridos violentam suas mulheres, mulheres que esquartejam maridos, pais que fazem estupram as próprias filhas e até pessoas que vendiam de carne humana nas ruas. Contabilizo estas perdas aos amigos que foram assinados covardemente e que durante décadas eu cultivei suas amizades em meu coração. Restou-me orar por essas vítimas e momentaneamente, até sonhar que um dia uma borboleta ia pousar na minha mão, e o que poderia ter se tornado apenas um desejo, se materializou, se tornou real, pois quando li o jornal na coluna policial, tive que quedar-me inerte sobre a poltrona e dias depois, felizmente, sentir um alívio quando noticiava que a polícia tinha localizado o criminoso. 

Ao ler a matéria do Diário da Manhã, senti bastante esperança, mas, certo de que o tempo tinha passado sem ser notado, talvez usando as asas poderosas de uma águia quando esta está em busca de sua presa, mas a desesperança não levou a vontade que venho cultivando durante décadas para desenvolvê-la em prol de minha cidade e quiçá, para todo o estado de Goiás. Nestas minhas andanças pelas periferias sempre me preocupei com o ser humano, apesar de que, ás vezes, sentia-me incapaz para solucionar as situações encontradas e, quando isso acontecia, recorria e recorro a outros amigos, porque é meu jeito de ser, de uma pessoa temente a Deus e que sempre carrego e carregarei comigo o princípio básico de fazer o bem sem olhar a quem que sempre norteou a minha caminhada.

Artigo publicado no Diário da Manhã, edição do dia 17 de baril de 2013

Brasil está na UTI


Nos últimos anos se tornou perceptível para mim por mais que a terra mudasse de posição ao girar em torno de seu eixo ou fazer seu círculo ao redor do sol nada me convenceu. Manuseando o globo terrestre exposto sobre a mesa, a cada continente via aparecer aglomerações de países de pequenas e grandes proporções, e nas descrições na Enciclopédia ao lado, observava diversidades de credos, raças, comportamentos e línguas diferentes, entretanto, todos sem distinção, possuíam uma beleza descomunal que me deixou com uma força espiritual surpreendente, sem medo de cair em desânimo ou depressão. Deus, onipotente, que tudo sabe e vê, parecia querer que eu digitasse no computador o que vem acontecendo com o mundo e principalmente com o nosso País e também falar das diferenças socioculturais, econômicas e políticas que, por mais que o sol ofuscasse meus olhos ao passar pelo quadriculado da janela, lá estava o Brasil, esplêndido, com o pendão da esperança e ocupando a maior área da América do Sul. A emoção de ver suas florestas deslumbrantes, a maior do mundo, com uma abundante fauna e flora, e os planaltos, as planícies, rios caudalosos, algum alimentando outros, me deixavam extasiado, mas preocupado com o dia de amanhã.

Meus olhos que pareciam auxiliados por uma poderosa lupa, foram vasculhando todos os espaços oferecidos pela natureza numa ânsia de alcançar um ponto qualquer, que parecia impossível, vi um homem moribundo que perambulava pela calçada, cuja escuridão era ofuscada por um aglomerado de lâmpadas vindas de uma churrascaria e aí, pude observar que lá de dentro saíam imagens de uma tela de TV e notícias assustadoras, que automaticamente iam passando, imperceptíveis, diante dos olhares absortos e atônitos dos clientes, que mais pareciam estátuas, desinteressados ou acostumados com aquelas informações jornalísticos reprisadas diariamente.  Para mim, que não era marinheiro de primeira viagem, era como estivesse apertando uma tecla do invisível que me mostrava à corrupção que vem assolando o nosso País.

Um abalizado comentarista político dizia que o principal responsável pela corrupção no Brasil não são as empreiteiras, mas, sim, a burocracia que impera nos órgãos públicos e se eficientes não existiriam empresas corruptoras. É lamentável o que se via no noticiário e colocadas nos camburões da polícia gente graúda, algemadas, que fraudaram licitações de obras públicas. A prática de desvio de dinheiro público, uma relação promíscua entre empresários e políticos, entre o Executivo, Legislativo e até o Judiciário, desencanta a gente e ajuda a reforçar o meu desinteresse, o meu desprezo e a vergonha que sinto em relação à classe política brasileira. É duro assistir a tudo isso e saber que a lei penal brasileira é incapaz e insuficiente para combater a corrupção.
São público e notório que é por intermédio das obras públicas que se desenrolam a maior fonte de corrupção no Brasil, embora se deva entender que a culpa não esteja somente em empreiteiras, mas no aparelho do Estado que está cheio de gente corrupta. Ademais, como se confirma nos noticiários, boa parte da classe política vive de contribuições, denominada de caixa dois das empreiteiras, criadas para suas campanhas políticas ou enriquecimento ilícito pessoal. Se o nosso País fosse perdulário, corrupto e ineficiente ou desburocratizado, com orçamento elaborado e executado de forma diferente, não apareceriam essas famigeradas empreiteiras corruptoras.

O dinheiro desviado pelo superfaturamento de obras e pela sonegação de impostos faz falta para investir em infraestrutura e saúde pública que está um verdadeiro caos no Brasil. Maracutaias como essas não apenas diminuem a arrecadação, mas também tem efeito devastador na criação de postos de trabalho. E no que tange a concorrência pública vemos um clima de insegurança, pois na prática, o que se nota, as que têm a maior chance de levar o contrato com o governo não é a empresa mais competitiva e competente, mas, sim, aquelas que têm lobistas inteligentes, perspicazes e que sabem “molhar” a mão da pessoa “certa”. A doença se espalha pelo afora e não encontramos na medicina o remédio capaz de estancar do nosso peito a dor corrupta e corruptora. Somente o povo brasileiro através do voto, unidos, segurando o pendão auriverde da esperança poderão tirar o Brasil da UTI. 

(Publicado no jornal Diário da Manhã - Goiânia - Goiás em 10 de abril de 2013)

Momentos de Reflexão

terça-feira, 2 de abril de 2013


Deitado à sombra de um coqueiro, dormi. De repente me senti mergulhando em águas profundas, inquietas, certo de que queria me mostrar alguma coisa, e sufocadamente, meu corpo imergia, emergia, reagindo às intempéries impostas por um mar revolto que, com o auxílio do vento, empurravam gigantescas ondas que se debatiam sobre as rochas e desintegravam-se sobre a areia branca que se esparramava naquela linda orla marítima. A realidade que via caracterizada no espelho d’água formado no fundo do mar era levada pelas ondas, mostrando vívidos detalhes de pessoas paupérrimas, injustiçadas, oprimidas, mulheres agredidas, negros discriminados, trabalhadores explorados, agricultores, pessoas sem teto e terra para morar e plantar, guerras, catástrofes, criminalidades, ditaduras espalhadas pelo mundo, repressões e tantas outras imbecilidades que me deixou pensativo e sem forças para combater tanto mal. A angústia me oprimiu e aí perguntei a mim mesmo: Quantos anzóis ou redes serão precisos para fisgar toda essa gente sofrida? Naquele instante me senti incapaz de acudir alguns, mesmo sabendo que detinha naquele sonho inesperado a força divina que impulsionava todas as minhas ações. Aqueles minúsculos espelhos d’água pareciam querer me mostrar que eu vivia num mundo irreal. Parecia absurdo, mas era verdade. No mundo tão belo e rico que se estampava diante de meus olhos existiam crianças passando fome, pessoas sem condições mínimas de plantar para a sua própria subsistência; meninos e meninas perambulando pelas ruas, cheirando cola para enganar a fome, queria que apenas fossem cenas represadas no meu subconsciente, mas não eram; crianças e mulheres que se prostituiam para sobreviverem; noutra onda, o espelho realçava a Terra sendo destruída pelo próprio homem; chacinas, roubos sequestros, corrupção, abuso do poder econômico que oprimem os menos favorecidos, isto não é irreal ou utopia, é pura realidade, uma realidade que se alastra como se fosse uma coisa natural característica da própria espécie humana.

Diante daquelas ondas senti que era necessário resgatar da memória do tempo os bons fluídos, as riquezas e criatividades produzidas por muitas pessoas cristãs, criteriosas, que pode fecundar esses momentos de reflexão e ajudar a delinear e modelar novos conceitos de vida em face do processo atual, uma vez que, às vezes, encontramos preceitos e normas de comportamento que estão fora de época. O mundo se globalizou então é importante que se recupere a moral dos homens e lhes deem condições de acompanhar as rupturas que a história maleficamente lhes impôs durante milênios. De outra parte, entendemos que cada pessoa deve se tornar sujeito de sua própria história, de sua própria libertação, transformando a sua realidade com a finalidade de efetivar a justa liberdade coletiva, ainda que de maneira deficitária.

Ao ver a multidão perdida na escuridão da vida e sem a presença de Deus, preocupei-me sobremaneira de ver muitos deles perderem a sua ligação com a igreja na qual foram batizados. Outros, sentindo-se excluídos pela sociedade, violentados moralmente e impossibilitados de terem acesso aos bens necessários para a sua sobrevivência, ficam frustrados e se deixam tomar pelo desânimo, deturpam-se as mentes e deturpadas, partem para as formas mais fáceis de ganhar dinheiro, exemplificado no tráfico de drogas, que tem levado muitos jovens ao crime e à morte prematura. Alguns, sem a orientação eficaz, mudam de religião como se estivessem trocando de roupa ou desesperançosos, tornam-se indiferente a tudo, fato que a igreja deve procurar saber para obter uma resposta mais adequada para combater os desafios aqui constatados.

Neste momento de reflexão, mesmo usufruindo das benesses de uma sombra e o sopro do vento que vinha do mar, comecei a entender realmente que não só a sociedade brasileira está na UTI, mas todo o planeta Terra. A doença do egoísmo e da maldade domina todo o sistema, onde, de forma excludente, não se consegue realçar a solidariedade como valor extremamente capaz de forjar um mundo mais humano e fraterno. È necessário que a perda progressiva do seu senso ético e o próprio individualismo como um mal predominante possa ser retirada com a inserção do bisturi do amor, juntamente com a raiz da justiça, que está sendo corroída dia a dia, possam tirar do sofrimento os mais fracos e indefesos.    

Laços de Família

quarta-feira, 27 de março de 2013


Embora os filhos não tenham motivos para se tornarem delinquentes é necessário entender que a violência pouco a pouco pode entrar em nossos lares. Ouvimos diariamente noticiários mostrando as barbaridades praticadas por jovens contra pessoas humildes que transitam pelas ruas e ou mesmo contra os seus próprios pais e entes queridos. Situação que nos fazem refletir e perguntar: Como pode ele praticar tanta barbaridade? Como podem ser tão frios e capazes de praticar tamanha violência? Não obstante a gente não aceite como um fato real, que pode alcançar o nosso lar e que esta é uma realidade vivenciada em todos os lugares, que afeta a todos, não podemos deixar de considerar que a violência sempre existiu, entretanto, o mais perigoso, agora, é que começa a ser tolerada e ser aceita como inevitável, pois sem ir muito longe, em nossos lares a televisão entra sem pedir licença, mostra em seus filmes e novelas cenas horripilantes, armamento de pequeno e grosso calibre que vomitam suas balas como se estivessem comemorando uma festa junina, e vemos estupefatos, vários corpos estirados no chão. O sexo deliberado e crua violência que se veem nos noticiários já extrapolam os limites da sensibilidade humana, mas, no fundo, torna-se difícil de dar um basta. Há uma perda de controle geral pela sociedade organizada.

No que tange ao meio familiar, desde os tempos remotos, Deus tem incluído a família em suas promessas de bênçãos, salvação e livramento, tanto que em Gêneses 7:1 disse para Noé: “Entra na barca, tu e toda sua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração”. Daí manter a paz e ser justo dentro de uma família, partindo deste princípio, podemos afirmar que é uma obrigação primária, mas, em espacial, dos pais, pois é no lar onde se aprende essa justiça, onde se inicia o aprendizado das palavras de Deus, bem como a viver e construir a tão almejada paz. É no lar que os pais têm enorme responsabilidade de ensinar aos seus filhos a maneira de se comportar, de tratar aos demais e de resolver os problemas. Mas é importante salientar que nessa pequena sociedade familiar, que exista amor e carinho entre seus membros para que não se perca a almejada paz, pela qual, todos devem trabalhar pacientemente todos os dias para conquistá-la e ou mesmo mantê-la. 

A paz para reinar num lar deverá ser o resultado de muitas atitudes, mas todas elas deverão estar fundamentadas precisamente no amor, na caridade, sem perder a visão familiar tão sonhada por Josué (24:15): “...eu e minha casa serviremos ao Senhor” . Quando colocamos algumas famílias no palco da vida para encenaram suas vidas, assistimos cenas que nos deixam estarrecidos, entretanto, é importante atentar para o fato de que estão vivendo uma realidade dinâmica, em evolução permanente, com nascimento de novas raízes e aí nunca será a mesma, pois estão formando um mundo à parte, como propostas e jeitos próprios que não se repetem. E é neste contexto que os planos de Deus tomam forma e são dados ao casal em forma de semente para que a cultive e se multiplique na Terra, onde o mal, muitas vezes, parece prevalecer sobre o bem, mas, fortalecidos por ELE e obedecidos os seus mandamentos, essas famílias possam prevalecer sobre o mal, crescer e levar essa semente à plenitude do amor, da paz e da bondade.

É difícil corrigir anos e ou mesmo erros de gerações passadas, todavia está claro que há muita coisa que precisa ser esclarecida escrita no versículo, Atos 16:31: “Crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa”. Interpretando a frese acreditamos que essa provisão Divina para a salvação e benção de toda a família nada mais é que devemos meditar que Deus pensa nela e tudo que faz, tanto que proveu para o seu filho Jesus uma família abençoada nesta terra. Tenho visto atitudes erradas na vida de muitos cristãos, entretanto, o único modo pelo qual podemos ter boas famílias é vê-las construído sobre um alicerce firme para que todos louvem a Deus de forma consciente e tudo comece a frutificar dentro da casa, de modo que possam entender o que Deus tem desejado e os princípios que norteiam o seguimento familiar.

Apenas o Sol e a Lua como Testemunhas

quinta-feira, 21 de março de 2013


Quantos meninos e meninas estão perambulando pelas ruas, pés descalços e maltrapilhos em busca de um lugar melhor na sociedade em que vivem. Quantos permanecem às margens da sociedade em uma luta insana pela sobrevivência. Procuram casas não habitadas, terrenos baldios, uma ponte para fazerem delas suas moradias ou se protegerem do sol escaldante, ou à noite, do frio; não tem proteção da sociedade e não são convenientemente vigiados ou orientados por adultos responsáveis. Nesse percurso, como crianças desprovidas de recursos, passam a maior parte do tempo na rua, sem serem necessariamente infratoras, fazem de tudo para manterem-se vivas e algumas até procuram, de forma lícita, gerar míseros trocados para ajudar no sustento da família. 

Consideradas pela sociedade como perturbadores da ordem e da paz social essas crianças nasceram como quaisquer outras cheias de vitalidade, alegria e expectativas. Querem fazer parte da sociedade que lhes confronta nas ruas e sonham fazer parte de um modelo econômico e social do qual são excluídas. Só encontram barreiras e falta de oportunidade nos lugares onde vivem: os espaços segmentados das cidades, as favelas e os bairros de periferia. Rejeitados por essas comunidades se afastam para permanecerem vivas e aí, deparam com a violência das ruas, são presos, maltratados e ao serem julgados pela justiça dos homens não tem ninguém que os compreende e os amparam de verdade. Ao sentirem os olhos sisudos da lei, voltam seus pensamentos para o passado e conseguem somente vislumbrar o sol e a lua que foram os únicos a testemunharam seus momentos de angústias, solidão e devaneios. 

Diante desta situação seria desumano acusar os pais paupérrimos por falharem ou não terem condições de criar e educar os filhos, haja vista que sequer lhe são assegurados condições mínimas para que possam viver com dignidade e manter os filhos numa base sólida. Apoiar essas famílias carentes seria a maneira mais hábil de fortalecê-las e, em consequência, o caminho seguro para a promoção de políticas de defesa da infância e da juventude, bem como de seu direito de exercer a cidadania. 

Durante a minha caminhada, ao ouvir os desabafos dessas famílias, restou-me sentir na profundeza da alma que o ser humano está acéfalo e em face dessa acefalia moral da sociedade tento compreender a minha própria história: eu era um menino pobre, pés descalços, que percorreu ruas poentas, engraxava sapato para sobreviver e, nas andanças, procurava buscar aquilo que muitos não tiveram e foram negados pela sociedade: uma família, um lar, mesmo humilde, mas de verdade. Naquele casebre, entre os desabafos, senti que a fome batia à porta do estômago de uma criança, a sua boca estaca seca, a pele encardida, os lábios rachadosdesnutrida e o corpo todo reagia conforme as variações da velocidade de um móvel da unidade do tempo; olhava a prateleira e nada via; nada que podia suprir a dor imposta pela fome. Outro meninomenos franzino, de olhos castanhos arregalados, saiu para a rua e se encontrou com outros na mesma situação. Formou-se um bando e a cidade trancou suas portas com medo do absurdo, esta mesma cidade que viu e vê tudo sem levantar o bastão que tem poderes de abrir portas e nelas colocar o amor e a dignidade. Situação que me lembrou de uma notícia de jornal que anunciava um show milionário com o cantor inglês Paul McCartney que dizem estar sendo patrocinado pelo Governo de Goiás. Se for verdade, é um absurdo! Um contraste com tudo que a gente assiste na vida real. 

É salutar que haja responsabilidade e que se inclua na sabedoria dos homens que cuidam desses meninos e meninas de rua que, além da inclusão familiar, há a necessidade da religiosidade, colocar em suas bocas os provérbios citados por Jesus durante milênios e fazer com que todos possam entender a amplitude de suas palavras. Os gritos silenciosos desses jovens trazem para nós, neste período tenebroso, onde ocorrem crimes a todo instante, sinais de um possível novo tempo, porque está exigindo de nós outra postura, onde deve participar toda a sociedade: os pais, professores, sociólogos, juizados, Ministério Público e o Governo, porque esses meninos e meninas vão crescer e, amanhã, se tornarão adultos e a sociedade dotada de bom alvitre não vão querer vê-los organizados e fazendo parte de um movimento que ampliarão por certo o submundo do crime.

Pássaro de Aço

terça-feira, 5 de março de 2013


Através da pequena janela observo alguém na torre de controle autorizar a decolagem. Autorizado, o piloto liga a turbina e o avião desliza pela pista numa velocidade considerável soltando no asfalto uma fumaça esbranquiçada que devia cheirar borracha queimada, e, no momento certo, sustentado pela força da gravidade, levanta seu bico rumo ao céu nublado. Pequenas gotas de chuva debatiam na janela e num repente ficou para trás trazendo a sequidão do nordeste, enquanto observava atentamente a amplitude do universo que nem sabemos ter fim. As nuvens não se assustam mais com esse objeto composto por turbinas e fuselagem em forma de charuto, sustentado por um par de asas que transportam em seu interior pessoas de todos os tipos, e olhando em seus semblantes, notava que cada uma carregava consigo, esperanças, desilusões, mágoas, ansiedade e medo. Algumas são a primeira vez que voa nesse imenso aeródino.

A aeronave segue calmamente rumo ao nordeste do Brasil, cuja rota já estava traçada na planilha de voo. Ela não balançava quando fazia o trajeto sul, permanecia firme e em linha reta, naquele momento sobre as nuvens, ora negra, ora branca, como a um algodão. Dentro, os passageiros ainda se ajeitam nas poltronas, inquietos, alguns tensos, outros com os olhos parados no tempo e um sono por quebrar. Um homem de cabelos grisalhos, com o rosto já carcomido pelas intempéries do tempo rezava em silêncio, enquanto lá embaixo, podia-se ver a terra mostrando sua face, coberta por serras, milhares de meandros, savanas, lagos e dezenas de rios que, algumas vezes, desapareciam debaixo de imensas nuvens negras, ficando totalmente diminuto lagos e rios que se tornavam apenas pequenos riscos sinuosos em face da altura do avião.

O pássaro de aço segue seu rumo e durante alguns segundos uma turbulência, explicada pelo piloto que se tratava apenas de mudança de altitude. Um simples barulho bastava para deixar alguns tensos, mesmo diante do silêncio que pairava no ar. A cada instabilidade da aeronave olhos se abriam e faces empalideciam. Mas, logo, sorridente, veio uma jovem, comissária de bordo, empurrando um carrinho com habilidade e sem nenhum medo no olhar; depois escutou alguém reclamar de alguma coisa e nem percebeu ou se fez de indiferente quando jovens trocavam carícias nas últimas poltronas. Nem pareciam sentir os problemas que afligiam cada um.

O homem construiu máquinas incríveis, inimagináveis, bem como esses pássaros de aço que encurtam distâncias e suavizam nossos sofrimentos algumas vezes maltratados por uma longa viajem numa estrada de chão. O tempo passou sem que fosse notado e logo ouvimos a voz do piloto anunciando a chegada e poucos minutos depois, a torre de controle autoriza a aterrissagem. A nave desce bruscamente rangendo os freios sobre o asfalto quente e depois segue lento rumo ao portão de chegada. Antes de descer, ainda olhei pela janela embaçada pelas gotas produzidas pela neblina que cortava o céu de Aracaju. Tudo era belo e a obscuridade de antes, era interrompida pelas luzes que delineavam a pista do aeroporto e por pequenas aeronaves que desciam e levantam voo.

No saguão do aeroporto, menos aflitos estavam os rostos daqueles que ainda iam seguir viajem. Sai caminhando lentamente e deixei para trás aquelas pessoas que qualquer dia poderia encontrá-las novamente no mesmo trajeto e escutar as mesmas lamentações, as mesmas aflições e aquele medinho de viajar de avião. E entendível que faz parte do ser humano e muitos deles não conseguirão despistar o seu medo, por mais que acreditam em Deus. A mente e o coração da pessoa humana são frágeis e incapazes de seguir essa barra e carrear com fervor a emoções vividas de forma que não mais venha sentir medo. E não adianta fugir da realidade, pois todas as sensações, ansiedades aflições, fenômenos físicos e mentais que ouvi e assisti durante a viajem foram importantes para que possamos entender a existência do homem no universo e, por outro lado, se realmente ele acreditam na existência de Deus. As atitudes demonstradas por cada uma delas, por mais que acreditassem em Deus, considero que essa demonstração de fé, caso não seja rejuvenescida ante o Criador, continuará sendo apenas uma gota de orvalho que não tem mãos para levantar aos céus e pedir ajuda, pois rapidamente de evaporará sob os raios de sol. 

 
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