Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O Ambientalista e o Idioma Verde (II)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ao escrever este artigo, procurei dar continuidade ao texto publicado neste jornal na semana passada, com o fito de destacar algumas palavras do glossário verde criadas pelos ambientalistas, e como ressaltei anteriormente, foram bastante usadas na Rio+20. Escrevi destacando seis palavras verdes em cor verde, e hoje finalizo com mais seis, por tratar-se realmente de um tema de grande relevância ao meio ambiente.


A palavra organicus veio do latim, que tinha significado bem diferente: “relativo a instrumento musical”. Foi provavelmente por influência do francês que ela ganhou o sentido de “relativo aos órgãos dos seres vivos”. A expressão “agricultura orgânica” surgiu na Inglaterra em 1940, por oposição a “agricultura química”, para designar aquela que dispensava agrotóxicos e adubos químicos (e mais tarde sementes geneticamente alteradas). Hoje, como “eco” e “verde”, o adjetivo se reveste de conotações fetichistas e marqueteiras: ser orgânico significa ser mais caro, além de supostamente mais saudável, embora “o atual estágio das evidências científicas não aprove esse ponto de vista”, segundo informam as indústrias mundiais de alimentos. Esse detalhe levou à proliferação em todo o mundo, nos últimos anos, selos com variados graus de confiabilidade para atestar o que realmente merece ser chamado de orgânico.


O passivo ambiental é o custo associado à degradação ambiental em que incorre uma empresa. Cobrança de taxas e multas à recuperação de áreas poluídas, passando pela compra de equipamentos antipoluição exigidos por lei. A referência nesse campo é a legislação aprovada em 2004 pelo Parlamento Europeu, com base no princípio de que “o poluidor paga”. A menos, é claro, que tenha excelentes advogados. Mas a tendência internacional é fechar o cerco contra esses depredadores da natureza. A criação de gado é tão central na história da humanidade que a palavra latina pecuária tão usada pelos ambientalistas, tem relação de parentesco com os vocábulos “pecuniário” e “pecúlio”, distantes do vocabulário do campo e ligados à ideia de dinheiro e atualmente dizem causadora do agravamento do efeito estufa devido aos gases produzidos pelo esterco. Ah, acho que esses burocratas esqueceram-se das fumaças expelidas pelas chaminés das fábricas e escapamentos de veículos.


A palavra pegada ecológica foi criada nos anos 1990 por William Rees e Mathis Wackernagel, pesquisadores da universidade canadense de British Columbia, como medida do consumo de recursos naturais pelo homem em relação à capacidade da Terra para repô-los. Calcula-se que hoje a pegada total da humanidade seja de um planeta e meio, o que significa dizer que o consumo de recursos naturais excede em


50% a capacidade de reposição da Terra — um ritmo insustentável, portanto. Em geral, é uma medição que favorece países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento: o Brasil é um dos maiores credores do mundo nessa contabilidade.


Do ferro-velho e entulhos criou-se a palavra reciclagem. Reciclar — verbo que concentra a ideia de “submeter algo a um novo ciclo” — é uma ideia antiga. No entanto, na forma de programas organizados que envolvem governos, iniciativa privada e cidadãos comuns, a reciclagem viveu seus primeiros dias de glória durante a II Guerra Mundial. Tratava-se de reciclar, sobretudo metal para municiar a indústria de armamentos. A partir dos anos 1970, a própria reciclagem se reciclou e, sob a lógica da ecologia, incorporou outros materiais, principalmente vidro, plástico e papel. O Brasil apresenta índices conflitantes nesse quesito: líder mundial em reciclagem de latinhas de alumínio, com bom desempenho também no reaproveitamento de papelão e garrafas PET, não obstante existam poucos municípios com algum tipo de coleta seletiva.


Quanto à palavra verde propriamente dita, esta está entre as mais antigas de nossa língua: vinda do latim virides, surgiu já no século X, época que é considerada uma espécie de pré-história do português. Além da cor, nomeava as matas e, por extensão, a “natureza” em geral.  Nos anos de 1960 a palavra começou a ganhar projeção internacional com a acepção de “ecológico,  que tem preocupações ambientais”. Hoje o sentido ambientalista de “verde” está tão consagrado que a palavra virou bordão publicitário. Todo mundo quer ser verde, o que leva governos e organizações não governamentais a criar uma profusão de “selos  verdes” para certificar produtos e empresas que, segundo critérios variados, têm o direito de se proclamar assim.


A responsabilidade social palavra que consta do glossário verde, corre o risco de ser engolida pelo excesso de esperteza. Mais que uma expressão da moda, a responsabilidade social — de preferência com o auxílio de outro adjetivo, ambiental — tornou-se o xodó da comunicação corporativa no terceiro milênio. Acredita-se que tenha poderes  mágicos: se de fato há empresas socialmente responsáveis, também existem as que, com a ajuda de protocolos ensinados por profissionais especializados, dão publicidade máxima a bondades mínimas em busca de uma reciclagem de imagem pública que garanta diplomas de cientistas do verde e ficha imaculada a poluidores históricos que desconhecem o verdadeiro sentido da palavra e usam o glossário verde de forma inepta.

O Ambientalista e o Idioma Verde (I)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Acompanhando de perto a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, denominada de Rio+20, realizada entre os dias 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro, assim conhecida porque marcam os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), entendo, por mais que tenha existido confronto de ideias esta conferência deverá contribuir e muito para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. O objetivo da Conferência era a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes e foi daí que me veio à mente de elaborar este artigo, que será publicado em tópicos separados e que usarei de forma cronológica o idioma verde (ciclo de vida, desenvolvimento sustentável, ecologia, efeito estufa, externalidade, orgânico, passivo ambiental, pecuária, pegada ecológica, reciclagem, verde e responsabilidade social) por tratar-se de um tema bastante importante e salutar para o meio ambiente.
 
 
O ambientalista há décadas vem procurando não só mudar a consciência do ser humano, mas, também os modos de fazer negócios. Nesse ínterim reciclou a linguagem, alterando o sentido de velhas palavras e criando novas expressões. Construiu-se um glossário básico para melhor entendimento das conversas atuais muitas delas usadas na Rio+20. A primeira palavra chamada “ciclo de vida” foi criada de um produto oriundo de uma metodologia complexa que procura determinar seu impacto ambiental total “do berço à cova”, isto é, da matéria-prima ao descarte (ou reciclagem, quando houver), passando por manufatura, distribuição, uso e manutenção. Ela está para os métodos tradicionais dos relatórios de impacto ambiental como a física quântica está para a física de Newton. Já o adjetivo “sustentável” existe há séculos, mas, como termo corrente do vocabulário econômico e ecológico, a data que aparece em sua certidão de nascimento é 1987. O desenvolvimento sustentável foi o signo sob o qual transcorreu a Rio 92. Seu principal problema é, ainda hoje, ser uma daquelas belas ideias com as quais todos concordam, mas que se tornam um vespeiro na hora do desdobramento em medidas práticas. A atual pegada ecológica da humanidade aponta para um longo caminho à frente.
 
 
Outras palavras que passaram a estrear no dicionário do ambientalista foram ecologia e efeito estufa, a primeira criada para designar o nascente estudo das relações entre seres vivos e meio ambientes. Esse primeiro registro do elemento “eco” como formador de novos vocábulos dotados de uma aura ambientalmente correta, como em ecoturismo, ecodesign, ecoeficiência etc. Abusaram tanto do truque que um dos tiros acabou saindo pela culatra: nasceu o ecochato. A segunda, denominada de efeito estufa, há quem imagine que ele é um problema. Na verdade, trata-se de um fenômeno — proposto como teoria pelo físico francês Joseph Fourier em 1824 e mais tarde confirmado experimentalmente — que viabiliza a vida na Terra. Os gases do efeito estufa  devolvem à superfície do planeta parte do calor que, na ausência deles, se perderia no espaço. Ocorre que esse efeito vem se intensificando com a concentração crescente de dióxido de carbono, metano e outros gases na atmosfera, resultado da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. Como consequência, a temperatura média do planeta está em elevação. É um fato. Mas existem  entre os cientistas vozes relevantes que pedem cautela em torno dos reais efeitos do aquecimento global e de como o ser humano o provoca. Assinado em 1997, o Protocolo de Kyoto representou um primeiro passo diplomático no sentido de controlar a emissão global de gases do efeito estufa. O maior problema é que os Estados Unidos, um dos países campeões da poluição, não o ratificaram.
 
 
Quanto à palavra externalidade, trata-se de uma espécie de efeito colateral da geração de riquezas: um custo  ou benefício que a produção de determinado artigo acarreta para terceiros e que, pelas leis do mercado, jamais se refletirá no cálculo de  seu valor. Externalidade podem ser positivas ou negativas. No primeiro caso, um bom exemplo é um investimento eficiente em educação pública, que tem diversos tipos de impacto salutar na comunidade em torno da escola. A externalidade negativa mais típica é a poluição. Fórmulas legais como as do passivo ambiental têm se esforçado por “internalizar” tal custo, isto é, incorporá-lo à economia da produção.

Assim, ao finalizar este primeiro tópico, onde foram relacionados cinco idiomas verdes, chega-se à conclusão de que apenas o "possível" venceu a falta de consenso e de disposição para desembolsar recursos em nome do desenvolvimento sustentável, e a Rio+20 terminou sob críticas, de falta de ambição e à sombra da crise econômica internacional.

A hora e a vez de Augusto Matraca

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ao ler esta crônica peço aos queridos leitores para não confundir o título acima com um filme nacional rodado nos cinemas há mais de trinta anos, ou mesmo com um instrumento de percussão formado por tabuinhas movediças, ou argolas de ferro que, ao serem agitadas, percutem a prancheta em que se acham presas e produzem uma série rápida de estalos secos. E se você já passeou numa mata fechada pode ter a certeza de que também não é aquela ave passeriforme da família dos famicarídios que habita no sudeste do Brasil.

Esta crônica também não é destinada a falar sobre a matraca, um instrumento muito usado na roça para o plantio de sementes. Hoje, este nome que passou por várias gerações, o povo sarcasticamente o usa de forma pejorativa e até cômica como meio de separar as pessoas educadas, responsáveis e éticas, das tagarelas, das faladoras e daquelas já apelidadas de “matracas”.

A história que vou contar de forma ficcional, foi extraída de fatos que a gente lê e vê em jornais, rádio e televisão, onde pessoas se aproveitam e espalham notícias truncadas, espalhafatosas, sobre crimes de colarinho branco, improbidade administrativa, sequestros, corrupção, e outras nuances, e que se eu tivesse que descrevê-las, uma a uma, gastaria mais de uma página para concluir este artigo.

O Augusto, personagem desta história, era um político que se achava um cara respeitado, de ilibada conduta, ético, venerado, o magnífico, o máximo... Ninguém ousava contrariá-lo ou subjugá-lo porque se isso viesse a acontecer, esse alguém estava perdido... Lembro-me bem. Era uma tarde de sábado e o sol quente descia manso no horizonte iluminando aquele pedaço de chão poento de uma rua periférica. Naquele dia estava encostado num balcão de um bar quando ouvi um grupo de pequenos agricultores dialogando sobre política e das mazelas praticadas por autoridades públicas e empresariais. Fiquei ali, quieto, prestando atenção naquele debate popular, até certo ponto caloroso, naquela pequena mesa de bar.

No canto esquerdo, com um pito de cigarro de palha no canto da boca e com o rosto já carcomido pelas intempéries do tempo, um senhor de cabelos grisalhos, aparentando ter cinquenta e poucos anos de idade fez um breve comentário e depois perguntou a outro que se encontrava ao seu lado direito:

- Sabe Zé, já num guento mais ouvir falá de política. Logo de manhã, quando ligo o meu radinho de pilha, só escuto falação contra governo. É cobrança prá cá, é cobraça pra lá e eles nem dão chance pru home se defendê. Num dão tempo nem pró governante cumpri suas promessas. Mas também num pudemos deixá de dizê que tem político meteno a mão nos cofres públicos, e alguns, até em dinheiro dos próprios companhêros. E quando a gente pensa que tudo vai acabá, vem outro assunto: a tal de CPI. Que coisa sô! Aonde vamos pará?

- É Mundin, a coisa tá ficando feia mesmo! Veja quantos home foram derrotados por causa disso. Num respeitaro o povo e levaro “tinta”. Eles acham que somos bobos. Bem que existem alguns que votam mal e acabam mantendo os políticos corruptos no poder.

- E o caso do “Mensalão” que foi uma troca de propina danada no governo Lula, será que o povo vai isquecê? – perguntou o Zé.

-É. Penso que não! Se eles estiverem achano, vão levar “tinta” também. – Respondeu Quincas.

- Cumpadi Mundim, tem muito político também falano demais por aí. São aqueles que chamamos de “matracas”, pois falam até escumar o conto da boca e nada produzem para o nosso Brasil. Num apresenta proposta concreta de mudança. Só falam, falam... e muitas vezes, até oram agradeceno a Deus pelas propinas recebidas em razão das “negociatas” de seus superiores.

- Concordo cocê Quincas.  Só falam e realmente num apresenta nada de novo. Muitos usam a pobreza para angariar votos, dando-lhes míseras ajudas, mas esquecem de que todos querem é trabalhar, um emprego digno para sustentar suas famílias com seus próprios esforços. Serem úteis à sociedade em que vivem.

- Ocêis têm razão, a hora e a vez dos “matracas” e corruptos estão chegano. Espero que desapareçam com essa tal CPMI da “Cachoeira”. Espero que todos se atolem até o pescoço nesse poço de lama!

- Uái! O que é isso sô? – Perguntou Chico que ainda estava quietinho noutro canto.

- Ocê num tá ouvino falá no home que dominava o jogo dos bingos e tava comprando todo o mundo prá se aproximá do podê? – Interceptou Quincas.

- É cumpadi Quincas, ouvi sim, mais me confundi. Pensei que estavam falano da pequena queda d’água lá da minha fazenda. Estou falano “queda d’água” porque se falá a palavra “Cachoeira” dizem que se alguém escutá ou gravá pode nos dedurá na CPMI.

- Onti, assisti a uma caminhada de uns home e muiés jovens, com as caras pintadas e usando uns narizinhos de palhaço. Faziam um barúi danado e até pararam o trânsito que já é caótico, deixando muitos motoristas nervosos que os chamavam de “baderneiros.”

- Chico. – Disse emocionado o boiadeiro Amaro, filho de Quinas, formado em veterinária. – Muitas vezes eles pintam o rosto e usam nariz de palhaço para esconder suas verdadeiras identidades. Alguns deles são assessores de políticos adversários do Governo. Há interesses escusos detrás destas manifestações. Pode observar que ao invés de falarem em combater a corrupção de um modo geral, atacam somente uma pessoa e esquece que outros, filiados de seus próprios partidos, fizeram e fazem parte de um esquema de corrupção que vem ocorrendo no Brasil. Além de um apagão moral e ético sem precedentes, está ocorrente também um apagão de ideias. Não é indo às ruas pedindo a saída somente de “fulano” ou “sicrano” que vamos moralizar este País. A coisa é mais séria do que aquilo que pensamos. Temos que fazer uma “varredura” e eliminar este vírus corruptivo que está contaminando o Brasil.

O tempo passou, a noite tomou o dia e o céu ficou pintado de estrelas. No bar, agora iluminado por lâmpadas de mercúrio, eles nem contabilizavam as garrafas vazias de cerveja e continuavam discutindo. Enquanto trocavam “ideias”, imagens iam e voltavam na velocidade da luz, trazendo à minha mente algumas situações políticas vivenciadas no passado e que, de algum modo, me fez enxergar na maneira simples daqueles trabalhadores rurais, que o povo tinha razão. Numa mesa ao lado, também nem tinha percebido. Estava Augusto, mais conhecido como “Matraca”, político astuto, um “manda chuva”, que se considerava o maior, arrotava ética e dizia possuir uma conduta moral impecável, mas naquele momento estava cabisbaixo, com o olhar absorto e semblante pensativo. Observei que ele ouvia atentamente o bate-papo daqueles humildes trabalhadores, que demonstravam muito conhecimento e bastante discernimento político, por mais que a língua portuguesa fosse maltratada durante aquela discussão acalorada.


Augusto, com certo receio de ser reconhecido, pediu a conta, pagou com cheque como de costume, talvez sem o formato de um bumerangue e saiu de mansinho. Pelo semblante preocupado, observei que as palavras daqueles senhores tinham tocado profundamente sua consciência e sensibilidade, afinal, até pouco tempo, ele detinha pleno poder, mas, agora, estava ali, sozinho numa mesa de bar, sem a atenção e olhares daqueles que outrora o acompanhava e bajulava e que, muitas vezes, suas ações, boas ou ruins, dependiam de sua astúcia.

Blackout ético e moral

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que vem acontecendo no Brasil nas últimas décadas é uma guerra em busca do poder. Não falo só de guerras com armas que já extrapolam os limites da tolerância, mas sim, guerras de palavras onde existem pessoas capazes de falar mal de outras e sequer sentem suas almas possuídas; usam de artimanhas e subterfúgios para safar-se de coisas que cometeram no passado, coisas nocivas à sociedade, das quais o PT e Lula se valeram para vingar-se da denúncia feita por Marconi, quando naquele ano, informou pessoalmente ao Presidente Lula sobre o assédio financeiro do Palácio do Planalto, em que os deputados federais, entre eles alguns goianos, votassem contra o Impeachment do Mensalão. Lula não perdoou Marconi que apenas quis alertar sobre as propinas oferecidas, talvez “desconhecidas” pelo Presidente. Depois, durante as eleições para o Governo de Goiás, Marconi Perilo venceu Lula e todo o aparato do Governo Federal que foi colocado à disposição dos aliados em Goiás, o Prefeito de Goiânia; o candidato da oposição, por sinal meu xará e o próprio Governador de Goiás, Dr. Alcides Rodrigues, que se tornou um adversário ferrenho. Uma derrota vexatória que deixou Lula irado, e hoje, com o “poder” na mão usa a imprensa para vingar-se, denegrir a imagem do Governador, distorcer fatos em desfavor de adversários e desafetos políticos, cujos atos muitas vezes passam o limite do imaginável.

 Nestes últimos dias assistimos a imprensa dizer que o ex-presidente Lula está “orquestrando” por detrás das cortinas já manchadas de corrupção, espalhando notícias maldosas que são veiculadas pela rede televisiva, e espertamente, abre as comportas da Cachoeira com o objetivo de submergir o julgamento do Mensalão e com isso, como disse o nobre jornalista Batista Custódio no seu artigo “Chicote de Deus”: “Manter a barragem represando até que se evaporasse na CPMI do Cachoeira toda a água suja que a Presidenta Dilma trouxe à tona com as faxinas nos Ministérios no leito do Governo Petista que transformaram o PAC em Plano de Aceleração da Corrupção”. Por outro lado, é publico e notório que Lula usa de artifícios ardilosos com o fito de destruir politicamente o Governador Marconi Perilo, esquecendo-se de observar que o seu telhado também é de vidro. Ao encenar no seu teatro que se encontra em lugar incerto e não sabido, não olha para o seu próprio umbigo, onde o povo brasileiro sabe que estão depositados os resíduos do “mensalão”, em cujo processo de julgamento, ele e os seus companheiros petistas, fizeram de tudo para inviabilizar. Destarte, também é de conhecimento público que Lula tentou até chantagear o Ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal para que não fosse realizado esse julgamento, denúncia esta, bastante divulgada pela imprensa nacional. Depois, incitou a criação da CPMI, e ao que parece, mas uma vez o seu tiro vai sair pela culatra, pois aquela Comissão decidiu além da abertura de escutas telefônicas de todos os políticos e empresários envolvidos, também de todos os Diretores da DELTA e auditagem de todos os processos de licitação que envolveu essa Empresa e o Governo Federal, que todos sabem é detentora de todas as obras do PAC. Desta vez parece que vai se enterrar de vez a sua arrogância e perseguições. As suas lamúrias roucas e suas orelhas moucas certamente depois do julgamento do “mensalão” deixarão de ser insensíveis.

Ele não é intocável e nem bobo, mas, o povo que está acompanhando de perto também não é bobo. Está cansado de tantos desmandos e vai acabar com esta "manobra" pouco democrática e também com a palhaçada que vem ocorrendo no Brasil. Descrente, decepcionado e desmotivado com a política brasileira, não me restou alternativa senão em escrever este artigo em que tive que usar um tom mais drástico e até sugerir ao eleitor que comece a desvendar o mistério que vem causando este blackout ético e moral para que possamos pelos menos, injetar pequenos retalhos de luz na escuridão. Aliás, existe a lei da “ficha limpa” onde o eleitor deve se valer mesmo sabendo que um dia o seu candidato, se eleito, poderá se desvirtuar e vir fazer parte do rol de políticos corruptos ou corruptor. Por outro lado, faço um apelo aos eleitores que analisem com cautela a ficha ou vida pregressa de cada candidato. Procurem interpretar com mais clareza e sensibilidade os noticiários e artigos veiculados em jornais. Procurem um melhor discernimento daquilo que certas pessoas e algumas empresas jornalísticas pretendem chegar. Ultimamente o que se vê é blindagem do Governo Federal em favor de gente do PT e PMDB, desde o caso do “mensalão” e outras mazelas que vêm sendo praticadas até hoje.

Pesquisando no dicionário Aurélio encontrei a palavra moral que quer dizer um conjunto das regras de conduta consideradas como válida, e a ética, um estudo dos juízos de apreciação da conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal. Então, o que mais me preocupa não é a iminência de um apagão de energia, ou da agricultura e pecuária, da indústria nacional, da infraestrutura sucateada, da educação precária, da saúde que está um caos, da segurança que não protege ninguém, nem o definitivo apagão das instituições moribundas, nem o vexame internacional e assassino do apagão da aviação comercial, nem o apagão de ideias, como se viu na campanha para a Presidência da República e tantos outros “apagões” que recheiam o cotidiano das páginas dos jornais, mas sim, o “blackout” moral e ético que está escurecendo a nação.

Prova disso é a Presidenta e o Vice do Supremo que foram assaltados à mão armada na Linha Vermelha carioca, como se isso fosse rotina. E a absolvição deslavada de deputado suspeito só porque estava acamado e outro futuro representante do povo sendo preso antes de tomar posse. E as prisões de vereadores e Prefeitos corruptos em uma pequena cidade do interior. E o dinheiro colocado na cueca, vocês esqueceram! E os cem mil reais repassados por Cachoeira ao Deputado Federal Rubens Otoni do PT, que foi filmado e gravado. E as peripécias do Governador de Brasília, Agnelo Queiroz e sua assessoria, todos do PT, mas, parecem blindados pela própria Comissão, pois a maioria dos membros apoia governo federal. E o próprio presidente da CPMI e alguns de seus membros acusados de contratarem funcionários fantasmas. Como acreditar numa Comissão onde participam políticos que no passado foram execrados pelo próprio PT e acusados de corrupção. E o PT loteando cargos para seduzir o PMDB, e todos achando que isso é normal, que faz parte do “jogo político”. E o STF derrogando a cláusula de barreira e sepultando de vez a reforma política que nem começou. Dá para ficar calado!

E os juros indecentes, a falta de poupança para investimentos; o real valorizado e o crescimento pífio, que nos ancora na pobreza e no subdesenvolvimento da grande Goiânia e que poderá empobrecer o Estado de Goiás, tão bem administrado por Marconi Perilo e não sou eu que afirmo isso, é o pagamento em dia dos servidores e de empreiteiras, assim como, o próprio PIB goiano que fala por nós, destacado em revistas de economia, nos jornais, rádio e televisão. O que está acontecendo é um distanciamento cada vez maior da sociedade civil e militar e a sua despreocupação com o futuro, não se implantando com urgência um projeto que salve o Brasil do fosso nojento e talvez insuperável que cavamos e continua sendo cavada por esta política rasteira que faz do nosso País um dos poucos do mundo onde a perspectiva é pior do que a realidade.

E a falta de briga, da complacência, do aceitar passivamente a guerra civil que está nas ruas e no campo, que o império vai ficar nas mãos dos bandidos, que o mal venceu o bem – sem que se esboce qualquer contra-ataque pra valer. É a ausência de uma oposição verdadeira, articulada, competente, mas, sem as manchas daqueles que usufruem o poder.


Mas o que me preocupa mesmo é o apagão moral e ético sem precedentes que vem assolando o Brasil. Os políticos de bem têm que intervir, a justiça tem que sair de sua morosidade, deve julgar e prender os culpados. A polícia prende e a justiça solta sob a alegação de falhas no Código Penal que está defasado. Precisamos de uma legislação Penal mais rígida, pois a criminalidade no Brasil é aterrorizante. Pessoas matam sem pena ou dó, esquartejam apenas para sentir o gemido do desafeto. O País não pode ficar nas mãos desses criminosos, bandidos, corruptos e corruptores. A imprensa tem que se tornar responsável ao veicular uma notícia, pois qualquer ato seu, ou divulgação infundada, com objetivos escusos ou premeditados, poderá prejudicar um Estado promissor, o seu crescimento econômico e sua própria gente. Será que teremos de acender a luz no dia das eleições para sairmos dessa escuridão, ou continuar assistindo o apagão ético e moral que domina o nosso País?

O catador de lixo

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Numa manhã de segunda-feira ao caminhar no bosque do Lago das Rosas observei por alguns minutos um catador de lixo que manuseava com maestria um espeto de ferro pontiagudo e com o semblante irado ia perfurando os lixos, um a um, deixados sobre a grama. Dentre eles, copos, garrafas, sacos plásticos, fraldas, preservativos, tocos de cigarro e outros materiais descartáveis que os visitantes do ZOO e usuários do parque jogavam naquele local aprazível. As caixas coletoras de lixo fixadas em toda a área eram desprezadas pelos “sujismundos” que naquela manhã provocaram a minha indignação e a ira daquele catador de lixo. Não obstante se encontrar carrancudo em face das mazelas humanas me aproximei daquele humilde servidor municipal, falei do meu respeito aos catadores, do importante trabalho que desenvolvem prol do meio ambiente e depois, perguntei-lhe:

- Quantas horas você leva para retirar todo este entulho esparramado no parque?

Olhando-me de soslaio, disse: - Doutor, todas as segundas-feiras são assim: É lixo para todos os lados! Os visitantes do parque deviam ter educação e não jogar lixo nas gramas e calçadas, até porque existem muitos coletores de lixos junto às trilhas construídas no parque.

Fiquei pensativo por instantes e depois complementei:

-Você está com toda razão. A pessoa humana precisa se educar em relação à preservação da natureza e do meio ambiente em que vive. Não só jogar o lixo no lixo, mas também saber cuidar e preservar que é salutar a sobrevivência do nosso planeta. Prometo que vou escrever para o jornal, falar sobre o assunto e fazer um trabalho educativo no parque.

Hoje volto ao assunto lixo, mas desta vez não vou reclamar dos catadores que passavam pela minha rua e rompiam os sacos que a gente coloca nos containers para serem recolhidos. Ao contrário, vou falar da pessoa humana que não dá a mínima para a conservação e preservação do meio ambiente; vou falar aqueles que frequentam o parque; vou falar dos moradores e comerciantes que jogam entulhos na rua sem a devida proteção, assim como, dos trabalhadores que prestam serviços para o poder público que recolhem o lixo, uns devidamente protegidos em sacos outros não, pois não sei se em todo lugar é assim, mas aqui em Goiânia a coisa anda meio braba.

O caminhão do lixo passa aqui na minha rua à noite. Aliás, de madrugada, pois é lá pelas duas horas ou mais, sei lá! Não tenho relógio na cabeceira de minha cama. Acontece que o caminhão para quase em frente ao prédio onde moro e os trabalhadores, motoristas e os homens que recolhem os sacos de lixo, fazem um barulho danado, um pouco demais para o horário: o caminhão fica, às vezes, mais de dez minutos na quadra girando. e por um bom tempo o motor fica ligado, acelerado. Penso que estão compactando o lixo, mas acho isso muito demorado. Também falam muito alto, enquanto vão jogando o lixo no caminhão. Eles estão trabalhando e respeito isso, mas as pessoas em volta deles trabalharam o dia inteiro e estão dormindo para logo em seguida acordarem e irem para o trabalho de novo.

Além disso, já vi mais de uma vez o lixeiro pegar o saco do container e derramar o conteúdo, detritos que já cheiram mal e ficam lá para a zeladora do prédio recolher no dia seguinte. E olhe que o síndico estabeleceu horários para colocar os sacos de lixo, o mais tarde possível, para que ninguém, nem pessoas nem animais possam romper os sacos.

É possível romper o saco, mas todas as vezes que recolhem às pressas, vai soltando detritos pelas ruas e isso, ao invés de esvaziar a nossa indignação nos deixa é de “saco” cheio! Numa segunda-feira ao chegar de madrugada por surpresa minha, lá estavam os recolhedores de lixo. Fiquei observando até que o motorista fizesse a manobra. O lixeiro pegou o saco com certa violência e ele rompeu, derramando lixo pela calçada, depois, ele apanhou um saco pequeno fechado e o resto ficou.


É importante salientar que eles não estão fazendo esse serviço de graça para a população, nós pagamos bem caro pelo recolhimento do lixo. Então o serviço deveria ser prestado com mais profissionalismo, com mais cuidado, com mais boa vontade como faz aquele catador de lixo do bosque. Ah, diria alguém, mas eles estão trabalhando de madrugada, quando poderiam estar dormindo. Mas como recolher lixo durante o dia com esse trânsito infernal. Seria uma catástrofe! Ademais, eu também trabalhei muito tempo de madrugada, mas fazia o meu serviço bem feito. Porque todo trabalho precisa ser feito, bem feito e todo ser humano tem que colaborar com a limpeza da cidade não jogando lixo nas ruas e calçadas, e em fazendo assim, está respeitando e ajudando na preservação da natureza.

Santa Missa num Rincão Inacabado

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quando cheguei à Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, fiquei surpreso, boquiaberto, e em certo momento, senti que estava assistindo a um filme velho, cujos atos já tinham sido encenados noutros recantos, tendo como protagonista o mesmo ator, cujo palco improvisado em galpões poderia atropelar o mais sensível ser humano e fazê-lo lembrar da luta insana que empreendera para o retorno do padre Luiz Augusto, o “Paladino da Fé”, de onde jamais deveria ter saído. As cenas disfarçadas de orgulho se confundiam com a preocupação dos fiéis cujos semblantes pareciam transmitir medo de perder novamente o grande evangelizador e o novo recanto mesmo inacabado. À medida que o tempo passava aquelas cenas iam se dissipando de minha massa cefálica, embaladas pelos sons inebriantes e dos cânticos entoados pelos músicos naquele altar improvisado, o qual me fez recordar de um artigo escrito anteriormente neste jornal intitulado “Santa missa no altar da humildade”, que me proporcionou mergulhar nas águas profundas e ao emergir, sentir a necessidade de rabiscar no papel, com cores rubras de um coração ferido pelo tempo, somente as decisões sensatas, excluindo definitivamente as insensatas, mas imbuído do desiderato de tentar esquecer as desavenças e o próprio tempo que sempre me cobrou precisão.

Há dias não comparecia à missa por razão de viajem e doenças em família. Entretanto, no último domingo, cansado das andanças sem fim, assim como, do atendimento precário que meus entes queridos e amigos receberam da rede hospitalar e em face da própria agitação da cidade grande, senti a necessidade de estar perto do povo de Deus que sempre se aglomerou naquela paróquia, e ao dobrar a quarta esquina de entrada da Vila Expansul, logo vislumbrei do lado esquerdo um galpão inacabado, lotado de crianças, jovens e adultos, situação que me deixou surpreso. Mas, ao reprisar as cenas passadas não foi difícil entender o porquê de tamanha força evangelizadora, pois, quando uma sociedade se une em busca de um ideal: a proteção e união da família, a oitiva do evangelho, a destreza do evangelizador e quiçá, presença de Deus na vida de cada um, tudo nos mostra que nada é impossível ou invencível, mesmo quando se luta contra o silêncio dos invejosos e/ou o uivo enganador das vozes que se escondem nos tímpanos teimosos. As pessoas que lá clamavam o nome de Deus para safarem-se das incertezas do cotidiano, dos males que afligem as famílias, das perseguições e invejas que rondam o benfeitor espiritual, são capazes de prosternarem-se até o cimento frio ou o chão poento, em humilde respeito, e ao levantar os olhos, sentirem o prazer de vê-lo no altar da humildade com a mesma tenacidade, sorridente, reconciliador e com seu coração jubiloso, continuar amparando aos menos favorecidos ou até pessoas abastada, minimizando-lhes a dor, a fome, a doença, a solidão, a ganância, a tristeza, e essas ações sociais e humanitárias estão se tornando um fato inovador capaz de conquistar os mais incautos dos homens e aumentar o número de fiéis católicos, como aconteceram noutros locais e ora vem acontecendo naquele rincão inacabado. Comenta-se que moradores do Setor Expansul que não iam às missas, hoje estão participando das celebrações, inclusive, alguns deles, até pertenciam às igrejas evangélicas da região. Quando recordo da luta que empreendemos em favor do retorno do Paladino da Fé, o nobre leitor poderia até achar que se tratava de um sonho ingênuo deste escriba, entretanto, diante daquele monumento inacabado, apinhado de gente, não pairou dúvida quanto à certeza de nossa luta e no final, saber que o sabor de nossa vitória era acalentado por valores espirituais que sempre nortearam esse extremoso sacerdote.


Muitos são os heróis do novo recanto e ele servirá como repouso espiritual eterno, alicerçados por um bairro que se ascendeu ao ouvir os clamores dos fiéis, as músicas e as orações que são levadas pelo vento e pousam suavemente nos ouvidos sensíveis e ansiosos dos moradores do Setor Expansul. As sementes da fé plantadas pelo Padre Luiz com o irrestrito apoio de outro paladino, o Padre Cássio, não serão efêmeras, porque já nasceram guarnecidas por um profundo sentimento de gratidão, esperança e amor em Cristo. Sentimentos que guardei na região recôndita de meu cérebro, que hoje se espalham e me ensinam a segurar as rédeas do tempo e seguir pela estrada da vida com retidão de caráter para, no final, saber puxá-las no momento certo. Regadas com águas puras, cresceram e sobreviveram aos abruptos e inférteis terrenos que captadas e geridas pelos sonhos, mais pareciam pequenos quadros pintados pelo Grande Arquiteto do Universo. Sei que a realidade dói quando no próprio sonho já se inicia a dor, não obstante sabermos que no mundo dos sonhos não temos condições de afirmar se somos felizes por completo ou, quando um sonho é reprisado possamos encontrar o caminho certo, que outrora ousamos percorrer usando a sombra de nossos próprios sonhos. Demoramos encontrar a pessoa que nos acalentou e nos fez encontrar o caminho de Cristo; demoramos retribuir a amizade a esse alguém que nunca pediu nada em troca.  Esse alguém que queria ser apenas amigo e nada mais. Quantas vezes tentamos alçar voos mesmo sem ter asas e encontramos um lugar rodeado por muros intransponíveis, onde não se consegue ver o que acontece do outro lado.  Sonhos que nos confundem e muitas vezes nem sabemos se ele foi real ou imaginário. Tentamos destruir o muro, mas, vem o medo de encontrar do lado de lá forças estranhas e poderosas. Tentamos achar o caminho que percorremos noutros sonhos e, aí, Deus vem e nos guia por um caminho totalmente diferente, mostrando-nos a realidade, o mundo medíocre em que vivemos, mas, mesmo assim, ELE nos dá tranquilidade, espanta o nosso medo e nos protege do mal que muitas vezes nós mesmos criamos

Mulher Amazona e a Máquina do Tempo

terça-feira, 22 de maio de 2012

Através da janela da alma ela costumava ver chuvas intermitentes deixarem as pastagens e os capins verdes, que se alastravam com uma rapidez impressionante alimentando o gado e trazendo esperança e aspirações aos fazendeiros daquela região. Muitas vezes, ainda com oito anos de idade, montava no cavalo Alecrim e saia a galope para campear gado ao lado de seu pai, e demonstrando destreza com a lida animal, segurava as rédeas e o animal lhe obedecia cegamente; galopava veloz, como a uma amazona; fazia curvas mirabolantes arranhando seu corpo e pés nos galhos das árvores, enquanto as patas do cavalo roçavam a relva úmida que já tomava conta da trilha feita sobre o chão batido. Seus cabelos castanhos e cacheados subiam e desciam com o toque do vento, enquanto o seu olfato recebia e armazenavam perfumes que vinham das flores tão abundantes naquele sertão goiano.


Hoje, ao reprisar aquelas cenas, deparo com um rosto maduro que há décadas entrou na moldura de meus olhos e se estabeleceu, mas que vez ou outra, a antevejo no espelho da vida. Quando adolescente, em razão do trabalho árduo no campo, achava que poderia lhe florescer sobre o corpo formas estabanadas, rudes, masculinizadas, no entanto, a natureza deixou-lhe em torno de si a sensualidade e fez de seus gestos algo sublime; é como o repouso de uma garça sobre o rio; é como o voo alinhado dos pássaros que cortam o céu azul ou de uma pétala de rosa que cai e é levada com suavidade pelo vento.


Mas aquela menina tornou-se adolescente. Largou a pradaria e deixou por lá as rédeas e cordas que ficaram somente na memória, cujos laços, hoje, são apenas imaginários e que só ela é capaz de lançar ao ar em momentos propícios para segurar, frear homens, mulheres e jovens errantes. Menina que também em lágrimas teve que desatar de seu corpo os laços familiares para encarar os estudos numa pequena cidade do interior. Esta pequena amazona que enfrentou um mundo novo, desconhecido, construído por carteiras escolares e uma disciplina medieval imposta por um colégio de freiras de uma cidade interiorana. Menina que continuou desatando os laços que a prendiam por detrás de um muro e, com as bênçãos dos pais, seguiu seu caminho para completar seus estudos e pela estrada de chão, esburacada, pegou o ônibus rumo a Capital em busca de um futuro melhor ou de seu próprio destino. A sorte estava lançada. Menina-adolescente que venceu obstáculos e a solidão imposta pela distância, às vezes amenizada pela presença constante de amigas vindas também do interior. Adolescente que se tornou mulher, namorou, casou e tornou-se boa esposa, mãe e avó. Avó que voltou a ser criança quando pega nos braços os netos, e feliz, rola-se no chão, brinca com coisas infantis, tudo no afã agradá-los e fazê-los rirem de suas palhaçadas. Ao passar pelos canteiros da vida soube regar com águas límpidas as sementes plantadas e a satisfação de vê-las produzir frutos recheados de amor, de moral, de carinho e ainda, de poder deixar nesse canteiro, um pedaço de seu quinhão de vida para ser doado aos menos favorecidos, igualitariamente, de forma que todos, indistintamente, pudessem continuar compartilhando de um mundo melhor e mais humano.


Mulher que mudou para sempre o sentido de minha existência, pois o amor quando é dedicado esmorece qualquer coração teimoso, em especial aquele que durante longos anos desacostumou-se dos aconchegos e, muitas vezes, nem chegou a ter colo. E foi naquele cursinho que iniciamos a jornada que a vida nos imporia. Lá ou fora, durante anos, debruçados sobre livros, cadernos, olhares de soslaios e carícias mais audazes, soubemos administrar diferenças, gosto e estilos. Mas, hoje, quando terminei de escrever o livro de crônicas e poesias que intitulei “Reprisando as páginas da vida”, claro que não poderia deixar incluir nele esta crônica e homenagear a menina amazona que há décadas deixou os laços paternos e não titubeou em aceitar o meu mundo e minha maneira de ser, mas sempre mantendo o equilíbrio, e no rosto angelical e atos, a mantença de uma meiguice racionalmente impossível. Tão doce que constrange minhas amarguras. O seu olhar castanho-claro sempre foi uma flecha extensiva, aquela de longo alcance que outrora vagou pela terra como se fosse um pássaro em busca de sua cara metade, para, num final de ano, em pleno solstício de verão, flechar-me para a eternidade.



Como bom observador, aprendi que a maior parte das lições dadas por ela e que o próprio tempo foi me mostrando paulatinamente, foi à bondade. Vi que cada ato dela planava sereno em suas ações e eu sentia que precisava continuar sendo uma pessoa boa, bom pai, bom marido e avô, leal, responsável, amado, seguro, respeitado e ter sempre Deus no coração, porque sem ELE, tudo se torna mais difícil. Mulher que para mim continua sendo aquela menina amazona, não obstante hoje saiba manusear um computador e a destreza de cavalgar na máquina do tempo, logicamente mais veloz, sem os percalços impostos pelas relvas e curvas. Sem rédeas e apenas com o apertar de um botão, sabe que poderá lançar ao mundo os seus laços repletos de meiguice cujas cordas são adornadas e levadas pelas asas da imaginação. Essas cordas tecidas pelas suas próprias mãos me enlaçam de forma sublime e com o passar do tempo vão se reforçando com as molduras do amor, ternura e sua dedicação peculiar. Mulher guerreira que todos chamam carinhosamente de Maria. 

Crônicas Vesejadas De Um Escriba Maluco

terça-feira, 15 de maio de 2012

Diz o ditado popular que todo ser humano tem um pouco de médico, poeta e louco. Neste caso posso dizer que não sou médico, mas como todo mundo faz, indico remédios para certos males, tento escrever algumas poesias e endoideço em face das mazelas que acontecem no cotidiano, então, talvez seja esta a razão, de não ter sido médico, nem poeta ou louco, apenas de tudo um pouco. Semana passada, escrevi sobre a corrupção e depois sobre a situação do homem atual, mas hoje, resolvi patentear o que tem no íntimo da alma do poeta Pedro Motta, que são seus versos. Então, atabalhoado, na eminência de desistir, mas, visando não contrariá-lo, mantive as rimas para não destruir sua essência, chegando à conclusão de que o nobre plebeu tinha razão quando escreveu: “Neste planeta terra somos o pior animal, loucos predadores da natureza e da vida; causadores de suas próprias feridas; homens sem Deus são o próprio mal, tem a carne perdida por falta de sal. O homem obriga a natureza que luta indefesa diante do tempo que a consome, das mudanças climáticas no ocidente, no oriente ou asiáticas; da terra que treme ante o malfeitor que não a defende, e diante de sua insignificância não a compreende, mesmo quando se vê diante das tempestades e das águas revoltas que descem com potência arrastando junto com lamaçal muitas vidas como advertência”

Li e reli. Como ambientalista, aprendiz de poeta, cronista tive a sensibilidade de observar o sol despontar sóbrio, reagir, castigar, interferir na vida de nosso planeta, mudar rotina, derreter gelo, alterar o clima e por fim, entender que era um aviso que vinha lá de cima. Guerras, criminalidades, destruições, tremores de terra, tempestades e vulcões; crises que ameaçam grandes potências tiram suas máscaras e pedem clemência. Os últimos dias estão chegando ao pódio, pois o amor esfria e dá lugar ao ódio, destruindo famílias, apregoando a traição e nas telinhas de TVs pornografia e corrupção. Versejo nesta crônica que o homem é pobre e besta, fera que vive a matéria, um depósito de lixo, vírus e bactéria; digo-lhe, toma tua cruz e siga o caminho de Jesus, pois é ELE que te salvará e o encherá de luz. Só ELE o libertará, cuidará de sua ferida; o amará e lhe dará vida; enxugará o teu pranto e no seu coração deixará o encanto e nele, fará a morada do Espírito Santo.

Não se espante com este escriba, aprendiz de poeta, meio atabalhoado, maluco, mas que recebe nos seus versos o sopro do vento que muitas vezes passa meio cafuzo, como a uma nuvem passageira que cai sobre um oceano; e nesse passo do descompasso raramente enxergamos o destino, pois tudo move passo a passo, são uns chegando e outros partindo; a cadência é assim, mesmo numa passarela sem fim, sem lado, alambrado e jardim.

O cronista, aprendiz de poeta e romancista é assim: sempre quer que o mundo seja seu mesmo quando insiste em manipular o inexistente; mesmo aos que se encontram tristes, sabe que logo estarão sorrindo, pois no placo da vida uns estão voltando e outros saindo; uns dizendo a verdade, outros mentindo, mas todos se gabando que só eles são capazes, sem nenhum mito, de enxergar o fim do infinito. São criaturas que vivem a perambular pela estrada da vida e se vangloriam em dizer que a felicidade se encontra em qualquer lugar.

Conversas telefônicas e o seu valor probante.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi criada a Lei nº. 9.296, de 24 de julho de 1996, que regulamentou o inciso XII, parte final, do Art. 5.º da Constituição Federal, que preceitua sobre a interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, desde que seja observado o disposto da citada Lei, dependendo para sua consecução, de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.


Os princípios básicos de não admissão da interceptação acontecem quando ocorrer às hipóteses da não existência de indícios razoáveis da autoria, participação em infração penal, à prova puder ser feita por outros meios disponíveis ou o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção, todavia, em qualquer destas hipóteses, tudo deve ser esclarecido com clareza, com indicação dos meios a serem empregados, além da preservação do sigilo da diligência, gravações e transcrições respectivas.


Pois bem, partindo desta premissa e no afã de enaltecer e reportar o excelente artigo do renomado jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum, resolvi escrever e fazer uma análise das conversações telefônicas no que tange a atuação da Polícia Federal em relação à Operação Monte Carlo. Se tivermos como base a Lei acima mencionada há de se chegar à conclusão que essas conversações não têm nenhum valor como prova, mas somente um meio de obtenção de provas. Ademais elas têm que ser materializadas e até o presente momento não foram como reportou o meu amigo Dr. Adel Feres através de seu E-mail. Diz ainda o nobre colega advogado, a seu ver, que o vazamento de escutas telefônicas segundo a mídia tinha a intenção de atingir a imprensa, especialmente a revista Veja e o Governador de Goiás. Concordei também quando ele disse que Lula apadrinhou a criação da CPI sem atentar para o fato de que o Ministério Público já investigava os personagens, mas ainda não dispunha de provas para indiciar qualquer ação criminal que seja, obrigando-o, destarte, a abrir o inquérito sem as provas necessárias e convincentes, baseando apenas em indícios.


O Lula, afoito como sempre foi, mais uma vez deu um tiro no pé e o sangue que esguichou respingará em seu próprio Partido, porque nas conversações até agora produzidas e divulgadas pela imprensa provam que a quadrilha não tinha acesso à revista Veja e que a influência sobre o Governador Marconi era exercida através do Senador Demóstenes, o que não deixa de ser natural por serem aliados, mas, como é de conhecimento público, anos atrás ele era até adversário político.

Disse o nobre jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum em seu artigo intitulado “O valor de uma conversa telefônica”: “Para o direito, a espetacularização de uma operação policial não muda conceitos. Nesse sentido, a classificação do crime material, formal e de mera conduta se revela importante mecanismo de valoração da prova. Assim, por exemplo, uma conversa telefônica envolvendo cocaína não comprova o tráfico de drogas. Falta a materialidade do delito. A partir das conversas cabe à polícia diligenciar com o fito de apreender a droga. “O diálogo não é a prova, apenas um meio para a sua obtenção”. “A interceptação como meio de prova, serve apenas para nortear o trabalho policial, na mais que isso”, reafirma o jurista. Então conclui-se que em relação a Operação Monte Carlo, as conversas captadas, quando fazem referência a uma terceira pessoa, nem de longe indicam o envolvimento desse terceiro, que fica injustamente ilhado, sem amparo em lastros investigativos, continuando no âmbito da lei exposta, sendo apenas uma conversa, nem mais nem menos. Destarte, nos crimes materiais, a consumação só ocorre com a verificação do evento natural, conforme acima explicitado. Os direitos fundamentais, como a presunção de inocência, a ampla defesa, o devido processo legal, são utilizados como estandarte, atrás do qual, se a lei não for respeitada, vigerá verdadeiros métodos de incrível injustiça, com tratamentos degradantes, desiguais e julgamentos sumários.


Por fim disse o ilustre Juiz que as escutas telefônicas, utilizadas parcimoniosamente, constituem instrumentos de extrema valia no processo de produção da prova, mas não podem ser transformadas em rótulos de culpa colados na testa dos interlocutores. Neste momento em que todos querem ser juízes e carrascos ao mesmo tempo, é importante, como alertou ao bom e mau ouvinte: “que é preciso não só reservar um dos ouvidos para ouvir o outro lado, como também é indispensável conhecer corretamente as provas dos autos, se é que elas existem”.

As Autênticas Caras Pintadas e os Baderneiros de Plantão

quarta-feira, 2 de maio de 2012

No dia 16 de agosto de 1992, ano em que os estudantes brasileiros foram grandes protagonistas nas lutas sociais do País, milhões de jovens brasileiros tomaram as ruas das Capitais com a cara pintada e vestindo roupas negras, como luto contra a corrupção do governo do então presidente Fernando Collor. Aquele domingo, mais tarde, ficaria conhecido como o “domingo negro” e aqueles grupos de jovens que, apesar de distantes clamavam pela justiça e pelo impeachment de Collor saíram vitoriosos. Naquele período ficaram conhecidos como “Caras Pintadas”. O movimento estudantil dos Caras Pintadas teve sua primeira reunião em 29 de maio de 1992 e as manifestações públicas aconteceram entre agosto e setembro daquele ano.
 
 
Um dos eventos considerados como estopim foi o chamado confisco da poupança, que obrigou todos os cidadãos brasileiros a emprestarem todas suas economias aplicadas em poupança que excedesse os Cr$50.000,00. O governo prometia que devolveria o dinheiro emprestado em um prazo mínimo,  entretanto não ocorreu. A situação ficou fora de controle depois que Pedro Collor de Mello, irmão de Fernando Collor, apresentou diversos documentos que indicavam roubo de dinheiro público, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e corrupção. Em entrevista concedida à revista Veja, Pedro Collor citou seu irmão e Paulo César Farias (PC Farias) como cabeças-chave do esquema. O circo    estava armado e as entidades civis do país se reuniram para iniciar o “Movimento pela Ética na Política”.
 
 
No final do mês findo ao participar do protesto contra a corrupção, cujo ato foi realizado no dia 21 de abril de 2012, assisti emocionado, jovens voltarem às ruas com caras pintadas, expressando suas  revoltas contra a impunidade, a sonegação, a lavagem do dinheiro, a contravenção, a violência, os crimes de colarinho branco, os esquemas de poder paralelo e outros males endêmicos que acabam por substituir o Estado e até confrontá-lo, como é o caso do jogo do bicho e caça-níqueis que se tornaram  uma escandalosa  cumplicidade que precisa acabar mesmo sabendo que no Brasil nada se apura de verdade e tudo acaba em pizza. A corrupção maior como se pode ver em jornais e na TV, tem origem nas licitações e isso deixa o povo estupefato, indignado. São obras superfaturadas e bilhões de reais são despejados nas contas de empresas que estão atreladas aos governos. É a famosa troca de favores. Ganham a licitação e depois devolvem em forma de “bônus” alguns milhões àqueles que as beneficiaram quando da “apresentação de propostas” para realização de obras ou serviços. O caso “Cachoeira”, por exemplo, que teve a participação de empreiteiras, arrumou tantos adeptos que agora ficou difícil saber quem não faz parte do esquema. Que se cuidem os responsáveis pelas licitações e as empreiteiras que se beneficiaram com a construção de obras de vulto como os estádios, as reformas de aeroportos e construção de rodovias!
 
 
Mas, voltemos ao manifesto contra a corrupção, ocorrido no dia 21. Quando participei do movimento no ano passado já fiquei bastante decepcionado. Muitas entidades públicas, privadas e organizações não governamentais, participaram da caminhada apenas para fazer propaganda de suas próprias siglas, esquecendo do objetivo principal que era mostrar a corrupção que imperava em todos os Estados brasileiros. Faixas, cartazes e nomes das entidades eram divulgados durante a passeata e seus trabalhos alardeados através de aparelhos de som. O manifesto ora realizado Goiânia, ocorrido no mesmo dia em todas as Capitais brasileiras, foi para mim mais uma decepção. Durante a passeata pude observar pessoas pichando paredes, agredindo policiais que davam cobertura ao próprio evento, quebravam vidros das viaturas em total desrespeito ao patrimônio público; depredava tudo que via pela frente; outras com microfones nas mãos, diziam palavras de baixo calão para caluniar somente ao Governador e aí pensei com meus botões: Este ato público por si só já está corrompido. Uma forma de protesto criado a nível nacional para combater a corrupção não poderia ocorrer dessa forma, mas em Goiânia, para muitas pessoas, não parecia ser o objetivo primordial, pois, no uso do microfone, algumas até tentavam disfarçar dizendo que a passeata era democrática, a nível nacional, todavia, ao retornar o microfone a outro participante, incentivava e demonstrava sua euforia detonando de forma injuriosa e grosseira a pessoa do Governador. Como membro do movimento goiano de combate a corrupção sempre pautei minhas ações pela seriedade e respeito a qualquer ser humano, e advogado que sou, sei que qualquer pessoa, seja José Dirceu, Demóstenes Torres, Agnelo Queiroz, Sérgio Cabral, Rubens Otoni, Leréia, Sandes, Jovair, Iris, Maguito, Marconi e outros peixes graúdos e miúdos citados ou não, têm o direito constitucional da ampla defesa e lhe sejam assegurados pela Justiça os ritos normais, não os da imprensa ou de grupos partidários, assim como aqueles que vêm das ruas e redes sociais.
 
 
Faixas e cartazes carregados pelos manifestantes, como da primeira manifestação no ano passado, apareceram novamente, algumas de partidos que fazem oposição ao governo, o que me pareceu naquele momento tratar-se de um fato isolado, mas, era visível que muitos se infiltraram e aproveitaram do   movimento com o objetivo somente de macular a honra de Marconi Perillo esquecendo do seu próprio umbigo. E ato prejudicou as ações democráticas dos autênticos “caras-pintadas” que ali participavam e reivindicando seus direitos de cidadão, respeitando a lei do bom senso, o cuidado com o patrimônio  público e aos policiais que estavam lá para organizar e manter a segurança dos manifestantes. As pessoas que infiltraram no movimento não verificaram a própria sujeira impregnada na torrinha (poleiro) do PT, deixada por políticos corruptos cujos nomes foram citados no famoso “Mensalão”, e hoje, na Operação Monte Carlo, e nesta, um deles, inclusive, até recebeu R$100 mil de propina, tudo filmado e gravado, sem esquecer é claro, da ligação do governador petista do Distrito Federal. Depois disso e de tantas outras mazelas como acreditar nesses baderneiros de plantão ou em outra coisa qualquer quando vemos indicados para a CPI Mista do Congresso Nacional políticos como José Sarney, Renan Calheiros, Jáder Barbalho e Fernando Collor, que no passado, foram execrados pelo próprio PT e acusados de corrupção.

Por fim, é de bom alvitre salientar ainda que o PT ao tentar se desvencilhar do “Mensalão”, e da “Operação Monte Carlo”, afundará ainda mais em sua própria lama, avermelhada de corrupção, e dificilmente voltará falar em ética como aconteceu com o Senador Demóstenes Torres. Ninguém em sã consciência, do PT ou não, insistirão em dizer que são éticos, estes velhos e resistentes bordões que  vinham sendo alardeados por todos através da imprensa. Como tudo na vida é incerto e tudo aquilo que se faz no Brasil é feito em terreno não sedimentado, podem ter a certeza caro leitor que mais coisas  virão à tona, portanto, além de ficarmos preparados para novas surpresas devemos construir nos quintais de nossa vida um poleiro cheio com varas resistentes para que elas possam sustentar os grossos excrementos que possivelmente virão das CPIs.

 
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