Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Delação premiada e a indignação do povo brasileiro.

terça-feira, 14 de outubro de 2014


Estamos vivendo numa total secura, não só em relação ao tempo seco ou da falta de chuvas e de águas em reservatórios, estamos vivendo uma secura de ética, de ideias; secura de desculpas não convincentes; securas relativas a falhas que cometemos; securas do não comprometimento com a situação política momentânea, corrompida em que passa nosso País. Confesso que, ultimamente, em face da campanha eleitoral, não ando tão ocupado assim que não possa manifestar meu descontentamento com tudo isso e assim, vou liberando os feixes de pensamentos que se acumulam na região recôndita de meu cérebro, cronometrada pelo parco tempo que juro ainda ter. Todas as parafernálias eletrônicas diante de mim estão empenhadas a me ajudarem a matar esse tempo, mais precisamente no Facebook, que é para nós internautas, uma espécie de redutor de espaço que nos aproximam diariamente principalmente com aqueles que compartilhamos nossos ideais, pensamentos e ideias.

As ideias, às vezes, se não forem bem expressadas podem nos levar ao silêncio e às desconfianças, e talvez por faltarem conteúdos, evitamos ser ditas, não merecem a menor a atenção, nem uma nota ou uma pontuação qualquer. Pode ser tarde demais quando pensamos em dizer algo e sem sentir, já dissemos. Em conjunto, essa produção industrial de bobagens e reduções explícitas da realidade replicadas na rede nos dá a sensação de preenchimento de um tempo. De tempo encurtado. De tempo útil. De vida bem vivida.

Se quiser saber a dimensão do tempo e só ficar um minuto em silêncio, diziam os sábios, que talvez, não suportavam passar alguns minutos sem a tal comunicação. Isto acontece com a gente também, principalmente quando conferimos as últimas mensagens no celular que vibram nos bolsos ou na carteirinha que carregamos fixa no cinto. O meu só vibra quando está vazio ou quando um chato de nome Max Gehringer me tira do sério de hora em hora para fazer suas propagandas. Não consegui excluí-lo até hoje e o homem só pode ser sócio da Vivo. Fica tudo travado. Só tenho sossego quando o celular descarrega. São horas de abstinência que se manifesta toda vez que o coloco para carregar e aí me lembro de que nossas vidas pedem barulho e transbordamento o tempo todo. Elas estão secas demais para suportar algumas horas de silêncio, mesmo que este seja premiado.

E por falar silêncio, um que nos deixa estarrecido é a tal de delação premiada. Recentemente, em um noticiário televisivo, assisti um ex-diretor de abastecimento e refino da Petrobras Paulo Roberto Costa durante a sessão da CPI mista do Congresso Nacional ficar calado, situação que aumentava a pressão dos parlamentares pelo teor dos depoimentos de sua delação junto a Policia Federal do Estado do Paraná. Observei que aquele depoimento estava a dezessete dias das eleições e a oposição, insistentemente, tentava tomar conhecimento das informações repassadas pelo ex-diretor à Justiça Federal. Paulo Roberto Costa prestou e vem prestando depoimentos para esclarecer o esquema de lavagem de dinheiro que desviou cerca de R$ 10 bilhões dos cofres públicos, principalmente da Petrobras. Parte do dinheiro teria confessado o delator, iria para políticos e partidos aliados do governo. (PMDB, PP e PT). A CPI, que formalizou pedido, dificilmente terá acesso à delação premiada e ao inquérito da Operação Lava Jato. Esse indivíduo, além de tudo isso, se comprometeu a pagar uma indenização de R$ 5 milhões, garantia de outros bens e ainda, devolver a União cerca de US$ 23 milhões de dólares mantidos na Suíça e US$ 2,8 milhões mantidos em nome de “parentes” no Royal Bank OF Canadá das Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe.

Ao usar o direito constitucional de permanecer calado, o ex-diretor agradou ao Palácio do Planalto, que teme que novas informações sangrem ainda mais o escândalo da Petrobras e venha prejudicar a reeleição de Dilma, o que de fato, já prejudicou. Mas não é só por causa disso, a corrupção é tanta que não dá para nominar todas em apenas numa folha de papel. E o resultado disso são as últimas pesquisas de segundo turno. Há uma demonstração cabal de que o povo quer mudança. Infelizmente, no que se refere às informações de delação premiada sabemos serem sigilosas e a legislação pertinente é bastante clara quando dispõe: “A lei que disciplina a questão da delação premiada impõe sigilo a todos os envolvidos. A lei impede que qualquer pessoa se refira à eventual delação e ao seu conteúdo. É imposição de sigilo legal”. Objeto de enormes discussões, a Delação Premiada é daqueles institutos permeados de controvérsias, que instituída pelo ordenamento jurídico pátrio através da lei 8.072 de 1990, prevê em seu artigo 8º, parágrafo único, que: "o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando o seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços". A delação premiada tem sido alvo de inúmeras críticas, principalmente devido a sua inegável carga moral, ética e religiosa.

Pode ser uma delação premiada e silenciosa, mas o que já vazou através da mídia é o suficiente para mostrar o rombo astronômico na Estatal e que a Petrobras pode ir à falência nos próximos dois anos e esta chance, diz a consultora Norte Americana Macroaxis, é de 32,4%. Segundo os critérios adotados, só uma empresa com mais de 90% de riscos de falência têm grande chance de quebrar nos próximos dois anos. Por outro lado, empresas com menos de 15% de probabilidade de falência têm tendência a apresentar crescimento nos próximos dois anos. Hão de se convir que os pilares da justiça social, os princípios éticos e morais norteiam a construção de uma sociedade mais humana e fundada no valor máximo por excelência, o ser humano, não se enquadram dentro do teor eticamente reprovável da delação premiada, assim como, a necessidade de se legitimar a consecução dos fins individuais e preservar o restante de dignidade do potencial delator – o que consistiria na proibição de um ser humano agir contrariamente ao fim de sua natureza, assegurando consequentemente a sua auto- preservação moral e daí insistirmos que a aplicação deste instituto deve ser relativizada e restringida sempre que possível, e se não isso não ocorrer, restará realmente ao povo brasileiro soltar o seu grito de indignação através das urnas.

Família Bandico, resgatando a arte e a cultura em Mineiros.

domingo, 5 de outubro de 2014


Colocar no papel coisas que observo principalmente no que tange ao convívio entre pessoas, sempre fez parte da minha vida. Curioso, anotava tudo sobre uma pequena agenda, impressões, raivas, dores, angústias e até alegrias; não sabia desabafar, o papel e a caneta eram meus cúmplices, nunca parei e foi daí que resolvi me tornar escritor. Tenho a certeza que ainda tenho muito a aprender e digo sempre que sou um eterno aprendiz. Quantos contratempos e tormentas vividas, mas tudo fez nascer em mim uma enxurrada de momentos poéticos, crônicas iluminadas e aí passei a sentir mais a dor e alegria dos outros, registrava tudo, escrevia como se esse “tudo” que colocava no papel fosse extirpado da minha alma. Não entendia e não entendo porque sempre as coisas emotivas faziam e me faz escrever mais, talvez o choro, o grito e a dor fossem embora na poesia, numa obra ou crônica escrita, e quando as publicava, sentia que não me pertenciam mais, alguém já se identificara com elas, ou apenas passava como uma escrita qualquer entre tantas. Escrever é complicado eu sei. É delicado também e de uma responsabilidade imensa, as palavras são armas, tanto na defesa quanto no ataque, podem amenizar dores, acalentar pessoas, apaixonar-se e quiçá, capazes de se transformarem numa guerra e é em razão disso que o escritor deve tomar certo cuidado. Não saberia viver sem a escrita, sem as minhas poesias e crônicas do cotidiano. Posso afirmar que em relação ao que escrevo hoje faço com um coração bem mais leve, solto e amadurecido.

Confesso que torço para que tudo continue assim. Seja numa festa de família, seja num boteco qualquer ou num clube favorito. Sem nenhuma pretensão de criticar ou me envolver publicamente para não atrapalhar um bate papo agradável, despretensioso, especial para o momento dou uma pausa. Não é a toa que a idealização de certo tipo de festa gera tanto fascínio. E foi o que aconteceu comigo no último dia 27 de setembro, em Mineiros, quando me vi diante de cenas incríveis, apaixonantes, criadas pela comissão organizadora do 3.ª Encontro da Família Bandico, onde ela teve a preocupação de resgatar do passado à cultura, a arte, a música e principalmente, a religiosidade e a família em si. Reviveram a história de Hildebrando Alves de Souza, mais conhecido como Bandico, que em 1902, já com 17 anos de idade saiu da cidade de Sacramento em Minas Gerais na companhia de seus pais Manoel Alves de Souza e Maria Salomé e se estabeleceram em Mineiros e aos 22 anos de idade, casou-se com Dona Maria Francisca Guimarães, com tinha apenas 17 anos de idade. Tiveram os filhos: Ibrantina, Maria Salomé, Francisca, José, Valtercides, Miguel, Antônio, Manoel, Terezinha e Joaquim. A bondosa e habilidosa matriarca Vovó Maria, mulher versátil, se destacava no manuseio do tear, na tecelagem, corte, costura, plantio de horta e exímia no forno e fogão a lenha e dali, saía o gostoso polvilho, a farinha de mandioca e milho. Vovô Bandico, homem sensato, honesto, trabalhador faleceu em virtude de um câncer aos 64 anos de idade, mas deixou um grande legado: a união da família. Enquanto as filhas ajudavam a mãe, os filhos cuidavam da olaria que produzia entre 800 a 1200 telhas por dia. Era, além do plantio de arroz, feijão, milho e pequeno gado leiteiro, o único meio de sobrevivência dessa grande prole, hoje integrada por 410 pessoas vivas.

Mas, voltando ao que me interessou e muito, notei que aquele encontro tudo fora feito de forma tão espontânea e especial que me deixou boquiaberto. Acredito que espontaneidade e premeditação não andam juntas. É espontâneo exatamente porque não se deve programar, e torna-se especial exatamente porque é espontâneo. Programado e espontâneo ao mesmo tempo, foi aquele bonito gesto de carinho de um grupo de crianças que saiu desfilando, umas carregando peças antigas, algumas feitas por artesão, outras, além da imagem de Nossa Senhora, os trabalhos manuais feitos pelas fiandeiras nos monumentais teares que ainda sobrevivem às intempéries do tempo e vão passando de geração a geração. A cada passo, as crianças iam colocando a postos, a enxada, o machado, o ferro a carvão, a matraca, o berrante, o bule, o balaio, a peneira, o pilão, a panela de barro, de ferro, as cabaças, o facão, a miniatura de um carro de boi, de um monjolo, máquina de costura, peças de olaria, tecelagem e fiação. A cada apresentação do grupo e a cada nova experiência trazida à nossa visão, especialmente as não programadas, restou-me finalizar esta crônica, dizendo: Abençoados foram os momentos em que resgataram a arte, a cultura, a música e a coragem da família que, mesmo diante de tantos percalços sofridos, não se deixou endurecer na estrada que Jesus os levou a trilhar.


Senhores Candidatos: Não sou bobo e nem meu ouvido é penico

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Faltam poucos dias para a eleição, e finalmente, vemos o fim do famigerado programa eleitoral gratuito. Hoje, dia 1.º de outubro, você e eu, que de certa forma parecíamos desinteressados pela campanha eleitoral, agora, na verdade, sentimo-nos aliviados, mas preocupados. Por que isso acontece? Ainda é cedo para pensarmos em desinteresse, pois domingo iremos à urna depositar o nosso voto. Temos que votar usando a razão e não a emoção. É isso mesmo! O Brasil é grande demais e cheio de problemas para entregar na mão de qualquer pessoa. Mas quando se fala em votar quão é difícil esquecer alguns dos candidatos que passaram pelo programa televisivo – ou, melhor, nem queria pensar a respeito, mas sou obrigado pensar e escrever. E logicamente para escrever esta porcaria de crônica tive que tirar um tempinho para assistir um programa eleitoral. E que sofrimento! Afinal a gente tem ou não a ver com isso, não é mesmo?... Não sou candidato e nem você, mas de certo modo fazemos o papel cabos eleitorais virtuais e temos opiniões diferentes, mas “aquilo” que a gente assiste deixa-nos estarrecidos. São tantas baboseiras ditas, maltratam o português, fazem propostas mirabolantes sem nenhuma consistência. Na minha modesta opinião os programas eleitorais não deviam ser gratuitos, porque se fossem pagos, ficaríamos livres de alguns candidatos, que além de não terem a mínima condição financeira, são totalmente despreparados e alguns, por incrível que pareça, mal dão conta de ler o que passa diante do vídeo.

Hoje eles nem se dão ao respeito de pedir licença para entrar em nossos lares. Pensam que somos bobos e nosso ouvido é penico. Gente, quanta falta de criatividade! E a impostação de voz, ou de vozes? Cruz credo! Mais parecem piadas, que nem vale a pena ver ou ouvir de novo, e nem tem como, porque, alguns só conseguem gravar poucas vezes. Ainda bem. Diante de tantos candidatos, fica mesmo difícil escolher o pior. Se fizermos anotações das esdrúxulas frases e separar as vozes “taquaras rachadas” que aparecem, a maioria está eliminada. Por curiosidade procuro observar se o candidato inova. E vejo que não inova nada! São os mesmo chavões e depois vem e diz na maior “cara de pau” que vai trabalhar em prol da saúde, educação, segurança, transporte e habitação (claro que nem sempre nesta mesma ordem). Tem candidato que fala que vai trabalhar pela saúde e na sua boca falta dentes; tem candidato que fala sobre educação e sequer tem o primário; tem candidato que fala sobre habitação, mas está desempregado e nem moradia tem; tem candidato que diz: se eleito vou melhorar minha vida, de minha família e de meus amigos; tem candidato que está há mais de quatro mandatos no poder e diz que vai fazer isso ou aquilo e até salvar a CELG. Uai! Porque não fez durante o tempo em que está no poder; tem um que quando o seu partido foi governo mandou vender a hidrelétrica cachoeira dourada e agora vem e diz se for eleito, vai salvar a CELG; tem candidato do Partido dos Trabalhadores que se diz na telinha ser honesto, ético, incorruptível, mas esquece que foi visto recebendo propina do tal Cachoeira, tudo gravado; tem candidata que diz na maior cara de pau que o seu governo combate duramente a corrupção, sendo que é o inverso de tudo isso; tem candidato que começa o seu texto assim: Eu como candidato... (?) Será que come tanto candidato assim? Por que não diz se eleito for...

Com relação ao programa eleitoral sou crítico mesmo! Abstenho-me de dizer nomes nesta crônica porque não quero fazer propaganda gratuita. Aqueles que acompanham a política há bastante tempo sabem que tem candidato que, antes de o ser, já criticava duramente todo mundo, dizendo que a maioria dos políticos comprava votos, mas ele, no seu primeiro programa, prometeu doar 100% do seu salário para custear tratamento de saúde de pessoas que têm o mesmo problema seu. No Programa seguinte, foi suspenso pela Justiça Eleitoral. Bem feito! Ele não tem proposta e parece que se candidatou apenas para denegrir a imagem de um candidato a governador. Uma rixa antiga, que ao eleitor não interessa. O eleitor quer ouvir é proposta e não agressões verbais. Este fato é pequeno em relação a outros candidatos. Durante horário eleitoral gratuito em que me propus ouvir, sei que foi um castigo que impus aos meus ouvidos e minha sensibilidade e com a caneta em punho, fui anotando e selecionado alguns “chavões” até chegar à escolha do “faz-me rir”. Então vai: Vocês se lembram dos candidatos que diziam assim: Eu sou aquele cantor que assovia e depois, assoviava mesmo! Os outros, um berranteiro e um cantor sertanejo que mais parecia o Sinhozinho Malta. Eram tantas jóias nos dedos, punho e pescoço que fiquei com inveja. E quantas promessas vazias foram feitas por todos eles.

Para não tomar o tempo do caro eleitor faço aqui em tópicos separados um resumo das palavras “sábias” desses candidatos, alguns sem a mínima estrutura para fazer quaisquer tipos de promessas: 1) Eu sou a cara do povo; 2) Vou lutar contra a fome, a pobreza, a burocracia e corrupção; 3) Vou lutar pela redução da maioridade penal; 4) Sou um político de “cara nova”: 5) Sou vendedor de picolé; sou aquele do lanche, sou o do sacolão, sou o da vassoura... E pasmem! Todos eram candidatos a Deputado Federal. Não tenho nada contra a profissão de cada um, porque eu mesmo já fui engraxate, vendedor de pirulitos, cobrador, etcétera e tal, mas o Congresso Nacional precisa de gente com capacidade mais intelectiva, que tenha certa noção de administração pública e não se envolva com falcatruas e peripécias políticas prati
cadas no Congresso Nacional. Tal situação acontece porque partidos pequenos, mas conhecidos como “partidos de aluguel” captam essas humildes pessoas para completar seus quadros de candidatos, e alguns sequer conseguem ter mais de um. Vi o sofrimento de uma jovem pedindo voto (texto lido) várias vezes e ao que parece, o seu partido só tinha ela.

Infelizmente temos alguns eleitores que se assemelham, à minha visão quando o uso óculos de grau, àqueles caras estressados que trabalham na bolsa de valores correndo de um lado para outro. Muitos deles estão trocando seus votos por uma cesta básica, por uma casa própria, por um vale alimentação. Isso é fato e pesa em favor dos investidores. Resultado disso: no dia da eleição, já não existe mais a lembrança do valor do “negócio”, mas o “santinho” do candidato que segue enroladinho, entre os calos da mão do eleitor, objeto da maior confiança dos candidatos que investiram nele.




A voz adocicada de Goiana Vieira da Anunciação

terça-feira, 23 de setembro de 2014



Sabemos que a música é uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sentimentos e a sua própria história, como a beleza, a harmonia e o equilíbrio. No caso do canto lírico, este pode ser representado através de várias formas, se em canto solo ou capela, o cantor não se importa se for acompanhado de uma orquestra, de um violino ou apenas um simples teclado. O cantor lírico surgiu desde os tempos idos, há milhares de anos, que foi se evoluindo ocupando um importantíssimo espaço na sociedade, haja vista que em algumas apresentações teatrais eram indispensáveis o acompanhamento de uma orquestra capaz de nos deixar boquiabertos diante de belas vozes e sons mágicos que nos traziam pura magia, deixando atônitos e encantados juntamente com a platéia. É um jeito especial ou teatral que o artista usa, tanto as mãos como a voz para expressar o que imagina do mundo real ou surreal.

Dias atrás nem precisou apagar as luzes. O palco montado para um ato solene de posse do Instituto Cultural Movimento Santuário da Arte, que antes aspirava e inspirava vozes que se confundiam no fechado espaço, logo se transformou em palmas e depois em silêncio profundo para ouvir a cantora lírica Goiana Vieira da Anunciação. Subia ao palco uma figura humana fantástica que fora convidada pelo Instituto e sem pestanejar, soltou a voz que ecoou naquele auditório, rompendo o silêncio isolado encravado no obscuro de cada alma e como a um rouxinol, parecia anunciar que aquela noite era ainda primaveril. Quem a ouviu se purgou em lágrimas, e às vezes, cantava para si mesmo, impregnava-se e desprendia-se da personagem à sua frente, esvaziava-se de suas emoções, e atento a cada encenação, cantava, cantava! Dia seguinte, noutro evento ocorrido no Palácio das Esmeraldas não titubeei, fiz-lhe um convite para cantar após minha palestra no Teatro Juquinha Diniz, em Morrinhos e ela, sempre gentil e generosa, aceitou. 

Prezados leitores, quão traumático é não saber cantar, quando se precisa cantar, mas em relação a ela bastava ouvir, divertir quando ela se pranteava, versejava ou nos abraçava  pensando em parar cantar. No palco a sua figura nem parecia que estava lá, dada a delicadeza de seus gestos e a doçura de voz. Teu canto era realmente lírico, porque cantava suas emoções e sentimentos íntimos. Não sei se ela era poeta cultora da poesia lírica ou se o próprio lirismo é que a cultuava quando soltava sua adocicada voz. Suas filigranas vocais e suas frágeis e delicadas mãos gesticulavam para o leigo o decifrável, e para os entendidos, uma bela canção, que se transformava e criava asas imaginárias e voava em nossa direção com suavidade e depois, ia para além de mais além. Não a conhecia pessoalmente, mas naquela noite senti que o seu talento, elegância e voz de soprano já derramavam em minha mente em forma de cascata a suavidade de sons e o cantar dos rouxinóis na amplidão do silêncio que pairava em meu coração. 

Sua voz era um néctar que alimentava nossa alma, era a pureza que uniam sentimentos; era o vento suave cortando campinas verdejante; era uma estrela cintilante que, a cada cena, apenas nos restavam pedir bis. Sabemos que a arte de cantar trabalha com outros elementos que não a razão. Ela quer agradar e busca o agrado; ela busca um sentimento que nos tire do chão, que nos leve para um lugar onde não freqüentamos nos nossos dias comuns. A voz de Goiana Vieira da Anunciação desde pequena emocionou muita gente e entortou cabeça de gentes ilustres, musicistas, maestros e autoridades políticas de várias partes do mundo, como entortou as de Juscelino Kubitschek, de Pedro Ludovico Teixeira, do Secretário Norte Americano Henry Kissinger, do primeiro ministro da França Leonel Jospin, fazendo vibrar seus corações, fazendo-os pensar, e às vezes, até duvidar de daquilo que ouviam ou presenciavam a olho nu. A vida, comum, não é o suficiente, deve-se procurar algo além dela, pois se ficarmos parados, mesmo que metaforicamente, é o primeiro passo rumo à morte, mas em relação à Goiana Vieira, tenho absoluta certeza que ela não almeja isso. Se ela optar apenas pela sobrevivência e não pela expressão máxima do que é o prazer pela própria vida de nada adiantaria ter uma bela voz se a vida não for bem vivida, e isto ela faz bem. O seu canto lírico, seja de  que forma vir a fazer ou interpretar, nos moverá, nos elevará e nos transportará a um mundo surreal e nos fará viajar pelo mundo da imaginação, e é graças teus gestos, seu fino trato e voz doce, nos possibilita a viajar em busca do improvável e isto nos deixa encantados e fascinados pela vida. Fantasiar que aquelas apresentações foi um surto, um acaso, uma alucinação e que ninguém sentiu nada ou fingiu que não sentiu... É uma inverdade!

Palestra em Memória de Celestino Filho

sábado, 20 de setembro de 2014

Palestra/Vídeo sobre a vida do saudoso Pedro Celestino da Silva Filho ( Celestino Filho), escritor, poeta, ex-deputado estadual e federal; ex-presidente da Academia Goiana de Letras e Membro da Academia de Letras de Morrinhos.

Os meninos imortais

quarta-feira, 17 de setembro de 2014



Simplesmente humildes. Durante décadas batalharam arduamente pela sobrevivência. Cada um usando o seu próprio fulgir para alcançar um nível social mais elevado e a profissão almejada, e nessa labuta diária, todos conseguiram seus intentos e nenhum deles fugiu ou negaram suas origens. Nasceram na cidade de Morrinhos conhecida como cidade dos pomares, que não só produziu árvores frutíferas, como também sementes da sapiência, da escrita, da arte ou, tradicionalmente falando, da Literatura. Quantos escritores desta cidade se sobressaíram no cenário goiano e nacional: muitos. Então, contaminados pela sapiência de um passado literário, esses jovens começaram a sonhar e de um dia tornarem-se imortais, como o super-homem. Eram como nós, crianças comuns e nem nasceram em berço de ouro, como era também comum, verem filmes, lerem gibis, ter o gosto por revistas em quadrinhos, gosto que outrora tínhamos e ficávamos deveras deslumbrados com aquele homem voando na velocidade da luz, vestindo um uniforme vermelho com uma insigne no peito e uma imensa capa a salvar o povo americano, só que o dos Estados Unidos. Mas, esses “meninos” como nós também, neste pequeno rincão, queriam ser imortal como aquele personagem americano, mas, dada a situação financeira de cada um não conseguiriam aquela roupa que acreditavam que sem ela não poderiam voar. Pensavam assim. Mas, sonhavam em voar e alto, mesmo sendo sonhos impossíveis. E voaram. Só que no mundo imaginário, mas voaram e foram longe, até o infinito, mesmo sabendo que ele não tinha fim. A escrita os fez voar e criarem poesias incomuns e seus próprios personagens, alguns, imortais, igual ao super-homem. Usando as asas da imaginação como forma de agradar o leitor percorreram também o céu de sua vida e durante o voo puderam contar durante a trajetória os momentos de angústias e dores que passaram e sentiram. E foi  através dessa viajem  interplanetária através da imaginação, observando os erros e acertos em várias partes do mundo e do seu próprio habitat, não se chegou a nenhuma conclusão fática em relação ao ser humano, mas, imbuídos do desiderato de bem informar aos seus leitores e de haver encontrado ao longo dessa “viajem” o amor e verem realizados alguns sonhos, às vezes pagando pesados  pedágios, é que, mesmo se usassem as asas da imaginação, sabiam que iam dificultar ao homem alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao final.

Os corpos desses jovens literatos tornaram-se uma imensa livraria e o cérebro um verdadeiro dicionário que foi colocado em estantes suntuosas formando junto com o tempo, um universo cheio do saber e aqueles que gostam de ler e hoje fazem uso delas, às vezes acreditam serem imortais como eles e quiçá, fazerem parte da história mesmo sabendo ser surreal.

É comum vermos nas livrarias algumas pessoas que para satisfazerem seus egos compram livros apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo dos mesmos; muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna. Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas, histórias de terror ou romances profundos por mera indicação lobista. São assim as pessoas: existem aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance profundo ou rasteiro. Em síntese, posso dizer: Somos homens livros lendo uns aos outros. Podemos ficar só na beleza da capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração. A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto. O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos. Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria. Depende do que estamos buscando na estante. Podemos ver em cada homem-livro um texto espírito impresso nas linhas do corpo. Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê e entende o interior descobre isso. Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual e daí, todos nós possamos ser bons leitores e conscientes de estarmos lendo uma bela obra. É bom que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo; é salutar que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal e que, ao abrir o livro e manusear as páginas possamos ler nas entrelinhas visualizadas no brilho dos olhos e na luz de um sorriso a graça da vida em todas as suas dimensões. E que, sendo bons leitores, possamos nos tornar imortais, possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria de nossas vidas, pois somos homens livros que algumas vezes escondemos na região recôndita de nosso cérebro muitas sabedorias que não gostaríamos de serem expostas ou lidas. A capa amassa e as folhas podem rasgar, mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal. O que não foi bem escrito em uma vida poderá ser bem escrito mais a frente, em uma próxima existência ou mais além... Mas, com toda certeza, a história desses jovens escritores Wander Oliveira, Antônio Ávila, José Henrique Machado e Robison José da Silva, que se tornaram imortais no último dia 19 de setembro e de tantos outros baluartes da literatura Morrinhense que lutam pelo engrandecimento da Academia em respeito a aqueles que já se foram para outra dimensão, de cujas obras, tão grandiosas, vivem e viverão após as suas mortes e que os tornaram imortais, as quais foram e serão publicadas pela editora da vida e colocadas na estante terrestre ou em qualquer outra estante que porventura existir.

Reprisando sonhos represados...

sábado, 6 de setembro de 2014



Buscar incessantemente sonhos ainda não realizados sempre foi meu desejo. Aos doze anos de idade anos já deixava de brincar nas ruas poeirentas e com uma caixa de engraxar sapatos me aventurava em meio à agitação da vida urbana. Solitário, perambulava pelas ruas da cidade à busca do famigerado dinheiro para ajudar no sustento da família e como me cansava! O sol queimava meu rosto, mas não queixava, pois era única testemunha da minha labuta diária e vontade de vencer. Caminhava a passos lentos e a cada sombra, deleitava-me e sonhava... Sonhava alto... Primeiro em concluir o ensino médio, feito sem muita cobrança por parte de minha mãe, que por sinal, nem tinha tempo para isso. Cuidava-se de nove filhos, todos menores. Aos treze anos abandonei a caixa de madeira que carregava sobre o ombro, bem como, a tabuinha de pirulito, o carrinho de esterco, e aos quinze, a bicicleta, que usava para fazer cobrança para uma joalheria. Nessa loja, assumi a vaga de atendente na carteira de cobrança e a bicicleta, logicamente, a partir daquele dia, passou para o meu substituto, um garoto franzino. O meu sonho começava a se realizar. Sentia que o meu futuro seria promissor e aí agarrei com “unhas e dentes” aquele trabalho e no mesmo ano tive que me apresentar ao Exército, optando pela FAB – Força Aérea Brasileira, mas, meses depois, pego de surpresa pela saudade da família, retornei! De volta à Goiânia onde tudo começou, voltei a trabalhar na área administrativa, com a mesma visão de crescimento profissional, assumindo a convite do mesmo proprietário, e por méritos, a chefia de carteira de cobrança e crediário de outra grande rede de lojas – a Jóia Lar Ltda. Tudo começava a tomar um novo rumo.

Sempre muito organizado, prestativo e carregando uma conduta ilibada, mais tarde, um dos sócios, eleito Presidente de uma entidade, me convidou a assumir a Secretaria Executiva do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás, onde trabalhei por quase oito anos. Depois fui Gerente de várias lojas comerciais, de Bancos e Secretário Executivo de outras entidades sindicais. Formando em direito exerci a advocacia por quase trinta e dois anos e nesse interregno, assumi também vários cargos importantes tanto como servidor efetivo da Assembleia Legislativa, ou comissionado, na Administração Pública Municipal e Estadual, sempre procurando fazer um bom trabalho. Posso afirmar que durante a minha lida profissional e ou mesmo pessoal, foram momentos fantásticos inesquecíveis e não me arrependo de nada. Fui agraciado com muitos diplomas de honra ao mérito, títulos honoríficos, troféus, medalhas... Tudo que fazia era feito com muito ordenamento, dedicação e probidade administrativa. O destino que tem o costume de mudar vida de pessoas, no que tange a minha, não mudou e quando mudou, foi para melhor...

Mesmo em alguns momentos vivendo a vida a 360º e já com o rosto já carcomido pelas intempéries do tempo nunca deixei de sonhar e continuo sonhando, e hoje, com o poder a escrita, vou rabiscando, redesenhando caminhos, reprisando sonhos represados, procurando novos rumos e Deus onipotente, que sempre esteve comigo em todos os momentos, deu-me e continua dando-me a sabedoria de usar as entrelinhas do meu silêncio e delas, extraírem coisas boas. Com ELE me amparando, tornou-me forte e aí brinco sério com as palavras e não escrevo por escrever. Disse certa vez, numa crônica anterior, que não me arrependo do que escrevo, porque penso antes de escrever e quando a mente cansa, procuro usar as asas da imaginação para alcançar o imprevisível. Quando falo por falar, sinto que pode ocorrer um equívoco, me arrependo e, uma vez que falo, não posso "desdizer", voltar atrás e pedir desculpas, porque me soa mal, muito mal. Por isto é que prefiro escrever, pois escrevendo tenho mais chances de corrigir meu pensamento, colocar no lugar certo os pontos e vírgulas e até reticências para não soarem como as pausas que preciso para que todos me entendam. Reflito e me questiono mais ao escrever. Escrevo, apago alguns textos quando os acho infantis, outros, inéditos e profundos, me comovo, e em certos momentos, excluo novamente frases inteiras para depois, escrever de novo. São os ócios do ofício de um escritor, de cronistas. Não sei se um dia vou aprender a arte de bem falar, mesmo sabendo que não falo tão mal assim e expresso bem o que escrevo, porque sai do fundo da alma, mas quando se trata de falar de sonhos, repriso alguns e represo outros, para depois, devagar, devagarzinho, abrir as comportas para alcançar outros sonhos...

 
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