Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Prevaleceu a justiça, caiu a mordaça e a censura imposta no Diário da Manhã

sábado, 3 de setembro de 2011

A mordaça é um objeto que se tapa a boca de alguém para que não fale e não grite enquanto que a censura é formada por uma corporação incumbida do exame de   obras submetidas à censura, e sinteticamente, podemos dizer que é uma repreensão. Pois bem, na edição do dia 11 de agosto findo, fiquei estupefato com o título estampada na capa: LIMINAR TENTA IMPOR CENSURA AO DM. O pedido de liminar feito pelo Partido Comunista Brasileiro, que considerei estapafúrdio, ineficaz e sem consistência jurídica se esbarrou no  princípio constitucional do direito onde se deve reinar a democracia e a liberdade de expressão, liberdade essa há muito tempo implantada no Diário da anhã, o qual , jamais deixou de  publicar matérias ou dar  tratamento igualitário a candidatos ou partidos políticos, tendo inclusive aberto espaço para a população se manifestar através do quadro “Opiniões”, cujos textos são publicados na íntegra.

A infeliz iniciativa desse Partido político não ia prosperar senão vejamos: para o jornal publicar atéria da candidata era necessário que ela fizesse chegar à redação do Diário da Manhã a sua agenda ou quaisquer notícias sobre o seu trabalho de campanha na Capital ou interior. O jornal, por se tratar de uma empresa formadora de opinião pública não podia e não pode fabricar notícias só para agradar a candidata do PCB, Marta Jane, que por sinal, só sai na mídia quando os jornais publicam pesquisas eleitorais. A falta de divulgação alegada pela candidata apenas caracterizou falta de agendamento de visitas nos bairros da Capital e cidades do  interior, e data vênia, como advogado, escritor e líder comunitário não vejo nenhuma propaganda eleitoral dessa candidata nas ruas de Goiânia, e por sinal, só vim conhecê-la e saber de sua    candidatura a Governadora quando li alguns dias atrás, notícias sobre sua pessoa no próprio Diário da Manhã.  Por outro lado, não se podia alegar que o DM estava divulgando de forma escancarada os outros candidatos, uma vez que o volume de notícias se equivale ao próprio trabalho desenvolvido pelos candidatos, situação ao que parece não ser o caso da candidata Marta Jane, cujo questionamento nos fez entender que a sua candidatura era apenas para forçar a divulgação do seu nome na mídia, para se tornar conhecida e nas próximas eleições municipais sair candidata a vereadora. Isto é comum nos partidos nanicos.

A mordaça ou a censura podem atacar diretamente a essência da democracia e revesti-la da forma do vale tudo, em molde de ralho constante, não fundamentado, intrusivo, maledicente e por vezes constrange-dor. É essa forma de censura que alguns apelidam de liberdade de expressão que queriam  impor ao Diário da Manhã. Defendendo o meu direito à indignação em relação ao pedido feito pelo PCB, que tanto questionou sobre censura no Brasil, finalizo dizendo que ela e a mordaça, quando praticada pelo denunciante somente no  sentido de  “aparecer” perante a opinião publica, pode este ato impensado virar contra aos que se dizem  prejudicados, ou simplesmente, o feitiço virar contra o feiticeiro, e foi o que realmente aconteceu, pois prevaleceu a justiça com a derrubada da liminar e a mordaça imposta ao Diário da Manhã agora jaz  inócua e definitivamente arquivada no sistema virtual da justiça.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA. Advogado, escritor e Diretor do Dpto. Jurídico da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

Poetas em cárcere de privado.

Semana passada, fui surpreendido pelo internauta Ivo Soares, poeta, morador há vários anos no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro, mais conhecido como Goiano, que me enviou um Email dizendo ter lido alguns artigos meus publicados no jornal Diário da Manhã e no blog vanderlandomi gos.blogspot.com  Disse também que passa a maior parte do tempo bisbilhotando a internet,  principalmente quando se trata de crônicas, romances e poesias goianas. Encabulado, não me restou alternativa senão em homenageá-lo, mesmo me considerando um aprendiz de poeta. Lembrei-me de fatos pitorescos ocorridos naquele morro quando da invasão de policiais militares e aí fiz esta simples poesia, que intitulei “Poetas em Cárcere Privado”:

Na janela do lado de lá, tem um poeta
De lá ele vê a lua se esconder no horizonte.
Tem um poeta na janela do lado de cá.
Dali ele vê o sol nascer detrás dos montes.
Do lado de lá vê somente a penumbra da noite, silêncio fúnebre e estrelas cadentes.
Contrastando com a luminosidade do lado de cá imposta pelo sol bastante quente.
Do lado de cá ele não se vê o breu da noite, a lua, estrelas e constelações.
Do lado de lá,  somente a luminosidade lunar, criminalidades, desejos e emoções.
Do lado de cá o poeta vê barricadas, policiais protegidos por coletes e carros blindados
Do lado de lá o outro vê traficantes sobre as lajes com armas às mãos e descamisados
Do lado de lá atiram contra os policiais para intimidar
Do lado de cá vê a milícia subir o morro e o povo comemorar
Do lado de cá o poeta ainda pode ver a sua musa de sagitário.
Do lado de lá o outro também vê sua musa de aquário.
O poeta do lado de lá, em cárcere privado, pede para passar para a janela do lado de cá
Da janela de cá o poeta aceita, mas sai pesaroso para o cárcere do lado de lá
O poeta do lado de cá, assustado, vê pela janela, tiros se ecoarem e a lua se esconder no horizonte.
O poeta do lado de lá, agora vê a milícia subir o morro, gritos, e o sol nascer detrás dos montes.
Os raios solares queimam o rosto do poeta que era do lado de lá.
A penumbra e o silêncio da noite assustam o poeta que era do lado de cá.
O poeta que era do lado de cá sente saudade de sua musa de sagitário.
O poeta que era do lado de lá também sente saudade de sua musa de aquário.
O poeta antes de retornar para o lado de cá vê soldados pendurar a bandeira no pico do morro.
O poeta que era do lado de lá, deixa o cárcere e juntos, assistem feliz a comemoração do povo.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA é advogado, escritor, ambientalista. Presidente da ONG Visão Ambiental (www.ongvisaoambiental.org.br ). É diretor da UBE - União Brasileira dos Escritores.Escreve às quartas. Email: vdelon@hotmail.com BLOG: vanderlandomingos.blogspot.com.

O triste fim de Ítalo Pezão.

Olhei rumo à janela e vi penetrar por entre o vão resquícios de luz do sol que    penetravam  entre  as frestas das cortinas  despedindo-se do quarto frio. Algo   inesperado aconteceu e deixou-me estupefato. Uma coisa surreal. Foi como se eu estivesse vivenciando o aparecimento de uma força invisível, talvez almas penadas vindas de outra dimensão, incompreensíveis à sensibilidade humana, que se aproximaram como que querendo demarcar num espaço mórbido de um beco uma peça teatral, onde entre utópicos e poesias cheias de falta de amor alguém  tentava encenar naquele palco imundo  o  seu último ato e o jovem Ítalo, um menino de rua que todos chamavam de Pezão,  era o personagem principal.

Olho fixo, semblante preocupado comecei a analisar a situações que ele deve ter passado durante os seus minguados anos de vida, dos maus tratos recebidos durante sua existência e pelas implacáveis intempéries do tempo que lhe deixou marcas profundas no rosto. Jovem, inteligente, que em razão de decepções amorosas sofridas deixou a Universidade e se enveredou pelo mundo profano.  Tornou-se dependente químico e andava pelas ruas, maltrapilho, calça caída sobre a bunda. Corpo franzino corroído pelo uso de drogas e da cola que cheirava para enganar a fome e que, em certos momentos, na falta dela, alimentava-se apenas da ilusão dos desejos mal contidos, que lhe trazia a dor e decepções sofridas no dia-a-dia. Os conselhos e esforços empreendidos pelos familiares e amigos não o sensibilizava mais. As drogas e as más companhias eram mais fortes e o fazia seguir o caminho do mal. O seu semblante, quando recebia migalhas de pão e pequenos afagos de transeuntes tornava-se angelical e até abria o seu coração para falar dos pequenos sonhos e daquilo que almejava conquistar, mas a droga sempre o tirava do caminho da retidão e o desviava para um caminho sem volta.

Quantas ruas e becos ele percorreu para se saciar-se da cocaína e do crack.  Saber que pessoas não paravam para escutar  os seus apelos e que, levadas pelos ventos da insolência sequer se solidarizavam, e outras, viravam as costas e sequer lhe estendiam as mãos.  Mesmo assim, dotado de uma força incomum e equilíbrio no trato com as pessoas não esmorecia, e deitado debaixo das marquises, tentava, ante ao seu infortúnio, procurar entender o porquê quando as pessoas passavam pela calçada parecerem perdidas, e ao querer se aproximar dele, ficavam sempre com medo de encará-lo. Se aproximasse e ouvissem saberiam o que ele fazia para sobreviver às noites sombrias e à solidão. Com o pensamento absorto e olhos tristes voltados para um ponto qualquer do quarto, lembrei-me do último suspiro do jovem Pezão, como era chamado pelos outros meninos de rua. De repente uma espécie de gelo revirou o meu ser e os meus pensamentos tentaram se aflorar na região recôndita de meu cérebro no afã de me tornar um testemunho do amor que ele, antes de se drogar, dedicou à família, e por outro lado, tentar entender o motivo de sua peregrinação pelo mundo das drogas, pois possuía boas condições financeiras e tinha um mundo brilhante à sua volta. Hoje, ao dedilhar o teclado do computador e embasado numa análise fria constatei que enquanto alguns meninos enrijeceram a musculatura do coração com o temor travado de emoções impacientes, outros, como o Ítalo, sequer aceitaram enxergar a nobreza dos laços verdadeiros que jamais iria desfazer-se diante dele que, antes de se drogar, procurou  caminhar com dignidade pela estrada da vida e que de modo algum merecia estar ali,  inerte, abandonado pela família e pela sociedade. Naquele beco poeirento e frio, com o corpo estirado sobre o chão, talvez com o pensamento voltado para sua amada Natália, emitiu o último suspiro e expirou.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA é advogado, escritor, ambientalista.   Presidente da ONG Visão Ambiental e diretor da UBE - União Brasileira dos Escritores. Escreve todas as quartas-feiras. Email: vdelon@hotmail.com e vanderlan.48@gmail.com

O oportunista

Tinha um sujeito na pacata cidade de Cabribó que se acomodava a quaisquer circunstâncias para se chegar mais facilmente a um resultado que lhe favorecesse. Sentado num  pequeno banco de madeira ao lado da Câmara de Vereadores, usando gravata sobre a camisa social  branca  e calças  jeans desbotada,  assistia a tudo,  sempre atento a pequenos detalhes. Ouvia todos os dias a gritaria dentro da Câmara, pois naquela semana estavam discutindo sobre impedimento do Prefeito em face de  irregularidades praticadas na Prefeitura, ainda assim, ele ficava ali impassível. Algumas pessoas que passavam pareciam lhe nutrir uma justificável raiva e a outras ele despertava certa simpatia desinteressada, entretanto, continuava ali, como quem não queria nada, geralmente disfarçado de executivo. Escutava o debate, anotava alguma coisa e levava para o Prefeito que em contrapartida lhe oferecia algumas “benesses”.

Quando jogava futebol no campo de terra da fazenda Bambuzal se achava um atacante nato e a palavra oportunista era para ele o maior elogio. Só o atacante podia ser oportunista e esse mérito ninguém lhe tirava. Tinha tanta certeza que nem corria, ficava o tempo todo parado na área até que uma bola o procurasse, com um lançamento em profundidade feito por um meia-esquerda ou cruzamento perfeito de um ponta-direita. Fazia alguns gols para que o resto time não viesse a odiá-lo. Um dia resolveu se candidatar a vereador por pelo seu Partido que era adversário do outro candidato a Prefeito, o qual, antes mesmo de iniciar a disputa, começou a liderar as pesquisas eleitorais e aí Carlão não titubeou, passou a apoiar o candidato adversário no afã de conseguir mais tarde, caso não fosse eleito, um cargo melhor ou ser mantido no atual.  Na realidade aquele oportunista não se importava com os mexericos que corriam de boca a boca e nem para as notícias divulgadas incansavelmente pelo pequeno jornal da cidade. Ele simplesmente esperava a oportunidade lhe procurar, como a bola o procurava naquele campo de terreno batido.
Moral da história: A nossa política atual está parecida com aquela do sujeito oportunista, pois pessoas que antes eram adversárias, hoje ao verem o candidato vitorioso, descem do muro, procuram os jornais para  manifestar apoio e até falam mal de seus companheiros de Partido para sustentar sua tese de apoio; outras saltam de seus pára-quedas e descem sobre a arena palaciana como se fossem anjos. Como instrumento de defesa, entendo que o candidato eleito deve pegar uma peneira recheada de razão e balançá-la rumo ao vento da verdade para que possam cair sobre a terra somente aqueles que abraçaram a campanha desde o início, sem medo, podendo-se, claro, incluir aqueles líderes competentes que, sem mechas de traidores, sem práticas de politicagem e de forma desinteressada, tiverem condições de colaborar de modo efetivo, eficaz e zelosamente com o novo Governo, principalmente quando este assume um dívida  astronômica deixado de forma irresponsável pelo governo anterior. É hora de todos se unirem.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA. Advogado, escritor e diretor jurídico da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

O mosquito terrorista pegou dengue.

Terminada a crônica intitulada “ESTRELAS QUE NÃO SE APAGAM” que seria enviada ao Diário da Manhã, fui surpreendido por um curto circuito no CPU seguido por um cheiro de borracha queimada e depois, um apagão completo no monitor. Chamei um    técnico em computação e qual foi minha surpresa: a placa HD fora totalmente destruída, perdi todos os programas e trabalhos criados há anos no Microsoft Word que foram “foi para o espaço”.  Instalada outra fonte, colocado outro HD e reinstalado os programas, perguntei ao técnico sobre a causa e ele disse que a culpa pode ter sido de um mosquito magricela que adentrou no CPU, provocando um curto na fonte, o qual causou estragos irreparáveis no HD, fato que me impediu de enviar a citada crônica. Pensando na aflição daquele mosquito que penetrara num ambiente vazio demais, que sequer fazia parte de seu front de guerra, lembrei-me de algumas fofocas ouvidas nos pontos de ônibus, onde usuários do transporte coletivo comentavam que as empresas desviam linhas de alguns bairros sob a alegação da existência de focos de dengue, cuja situação está deixando os motoristas estressados, receosos de serem picados pelo mosquito terrorista. Parece que os proprietários das empresas de transportes ao desviar a atenção dos usuários, descobriram uma fórmula perfeita e até certo ponto inteligente, mas, que pode levar qualquer alma ao cúmulo do ridículo. No mundo da fantasia ou ficção tudo é possível, mas, se é verdade ou não, achei por bem ouvir a outra parte: os mosquitos.

Em seu palácio construído dentro de um pneu de trator de esteira, doente, acometido de dengue, o mosquitoterrorista Osama Aedes Aegypt Bin Laden, contrariado com as fofocas, se reuniu com os mosquitos e disse-lhes:

- Companheiros estão dizendo por aí que somos responsáveis pelo péssimo transporte coletivo, pelo desvio e retirada de linhas de ônibus de alguns bairros, pela fraude na licitação das linhas que até “beneficiou” um “figurão” em um milhão de reais sem contar outras mazelas. Alegam os responsáveis pelo transporte coletivo que os motoristas se sentem ameaçados por nós, alguns alegam que estão ficam febris mesmo sem serem picados. Basta uma picadinha, uma manchinha na pele, uma dor de cabeça, uma indisposição... O medo humano parece algo estranho e chegamos a pensar que as coisas estão realmente acontecendo.
- Pai, eu não acredito nessas fofocas, pois, as nossas fêmeas só picam os moradores porcalhões – Disse Osaminha Junior.

- É verdade! Ademais em razão da nossa ação (picada) todo o mundo nesta cidade começou a trabalhar e o governo criou até uma campanha de combate contra nós. E por falar nisso, doravante temos que tomar mais cuidado, pois, o tal de Geraldo da Vigilância Sanitária e seus comparsas vão passar por aqui com o carro “fumacê“ aquele que solta uma fumaça fedida, com cheiro de gambá. – Completou Osama
- Aquele cheiro pode nos viciar, fortalecendo-nos ou fazendo com que percamos a força de nossa picada. Temos que proteger melhor os nossos criadouros – Disse a chefe Dina Russefe.
- Pai, você está meio abatido por causa da doença, porque não se interna no Hospital Geral de Aparecida. Lá você pode dar uma bebidinha de soro e picadinha nos pacientes.
- Você ficou maluco filho! Posso pegar infecção hospitalar.
A reunião foi bastante proveitosa e no finalzinho da tarde caiu uma chuva fina que foi enchendo outros pneus, copos, latas e outros materiais descartáveis esparramados no quintal do velho Chico Sujismundo. Osama Aedes, com um sorriso sarcástico, finalizando, disse-lhes:
- Pessoal, enquanto o governo não criar um projeto de prevenção para eliminar os nossos criadouros; enquanto o morador não colaborar com a limpeza dos vasos, pneus, garrafas, copos, calhas, caixas de água, de nada valerá o trabalho do Geraldo, pois, todos sabem que nós alojamos e procriamos até em tampinhas. Por fim, é bom informar a todos porque peguei dengue: briguei com a fêmea do falecido mosquito Bicudo. Ela me picou.   
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado e escritor. É membro da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

O mosquito no banco dos réus.

Em seu palácio construído dentro de um enorme pneu de trator de esteira, encoberto por um imenso matagal, o mosquito terrorista Osama Aedes Aegypt Bin Laden, contrariado em razão do seu julgamento pelas facções terroristas Al-Qaeda, Al-Fatah, Brigadas Vermelhas, ETA e IRA, se reuniu com os mosquitos-líderes de todo o Estado de Goiás e disse-lhes:

- Um jornaleco está anunciando que membros de facções de várias partes do Brasil estão chegando a Goiás com o objetivo julgar a nossa comunidade e colocar-me no banco dos réus, sob a alegação de que não instalamos criadouros suficientes e não estamos produzimos vírus  capazes de contaminar e exterminar de vez a pessoa humana. Diz o jornal “Diário do Bicudo:” “Os mosquitos terroristas internacionais alegam que os mosquitos goianos estão perdendo terreno para a vigilância sanitária e que as picadas de nossas fêmeas estão ficando cada vez mais inofensivas. O vírus injetado no corpo humano não está mais se incubando a contento e alguns deles sequer ficam febris, com dor de cabeça, indisposição... O medo humano parece estar desaparecendo e chegaram a pensar que coisas estranhas estão realmente acontecendo em Goiás. Temos que levar novos  métodos de contaminação criados pelos mosquitos-cientistas nordestinos ligados a AL-Qaeda”

- Pai, eu não acredito nessas falácias – Disse Osaminha Junior.
- É verdade!  Por outro lado, temos estatísticas que comprovam a contaminação de uma boa parte da população. Será a minha tese de defesa quando elas chegarem a Goiás. Ademais em razão da nossa ação (picada) todo o mundo nesta cidade começou a trabalhar e o governo criou até uma campanha de combate contra nós.  Colocaram  na TV  um  mosquito dançando e raivosamente furando um pandeiro. Aquilo foi ruim para nossa imagem!

O julgamento contou com as presenças dos representantes de todas essas facções terroristas capitaneadas por Yasser Aedes  Aegypt Arafat e Khalil  Aedes Al-Wazir . O advogado de defesa de Osama Aedes Bin Laden foi o mosquito terrorista Bico Doce que logo foi mostrando aos líderes presentes, através da telinha do    monitor instalado no pneu, os grandes criadouros de larvas que se  esparramavam pela Grande Goiânia e por várias cidades do Estado de Goiás. Com uma explanação perfeita e convincente mostrou que estavam       vencendo a luta contra o Governo, pois ele não conseguiu criar um projeto de prevenção para eliminar todos os criadouros. Destarte, continuou dizendo Bico Doce: Ele não consegue sequer orientar os moradores com relação à limpeza dos vasos, pneus, garrafas, copos, calhas, caixas de água, e doravante, se não conseguirem essa façanha, de nada valerá o trabalho da Vigilância Sanitária, pois todos sabem que os mosquitos se alojam e procriam até em tampinhas. 
Convencidos, os terroristas que tem o principal objetivo assustar, contaminar e matar , tiveram que dar mão a palmatória, pois sentiram que não poderiam sobreviver só da ameaça de transmissão da dengue, necessitava dar basta à divulgação que a mídia dá em favor do Governo, notícias que orientam e o faz aumentar o  combate a dengue.  Ao final, satisfeitos, absolveram Osama Aedes Aegypt Bin Laden e decidiram selecionar doze fêmeas poderosas para picar os agentes e sanitaristas mais afoitos. Bem longe dali terminava a reunião da tropa de elite Vigilância Sanitária que condenaram Osama à morte. A guerra estava declarada e ele era o alvo principal.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado, escritor e Diretor da UBE – União Brasileira de Escritores E-mail: vdelon@hotmail.com

Lixos do lixo

A chuva caía torrencialmente. A água alagava ruas, avenidas e subia assustadoramente levando consigo tudo que encontrava pela frente.  A TV mostrava, boiando sobre as águas, entulhos, sacos de lixo, latas, garrafas, tocos de cigarro, coco, plásticos e papéis que protagonizavam cenas grotescas de  descasos da população e do serviço público. Outras cenas, mais horripilantes, o lixo misturado com lama deslizava dos morros em face da chuva intermitente, ia soterrando e matando gente indefesa; destruindo morros, barracos, ruas, avenidas, praças e carros sem piedade ou dó. O lixão amontoado nos morros e os lixos do lixo deixados nas ruas e calçadas pelo homem  partiam sobre as águas sem deixar rastros entupindo as bocas de lobo. 

Hoje, passado o período chuvoso o governo que foi negligente contabiliza os mortos retirados dos labirintos enlameados, insistindo em dizer que a culpa foi do temporal e que tudo não passou de um  devaneio, de um  momento de fragilidade, cujas ações e gestos o administrador público foi surpreendido pelo seu próprio umbigo quando lá apareceu para assistir in loco o sofrimento de um pai que tentava salvar o seu filho que se encontrava encoberto por um lamaçal e pedia socorro, mas, tudo fora em vão, pois, em segundos,  novo deslizamento de terra veio abaixo  cobrindo de vez aquele corpo juvenil. A poucos metros  dali  um outdoor dava destaque a uma publicidade colossal do governo falando de urbanização, moradia e melhoria do sistema de escoamento de águas pluviais e esgotos.

Naquele dia fatídico antes de escurecer vi a lua se despontar no horizonte e clarear o breu que tomava conta do Morro do Bumba e aí, abriu-se novamente as cortinas do espetáculo. A TV continuava noticiando e mostrando os horrores de uma catástrofe já esperada por muitos especialistas e que emocionou uma nação inteira. Enfrentando as adversidades do tempo pessoas que perderam seus barracos e entes queridos, mas ainda cheias de esperança, hoje procuram como reconstruir suas vidas    partindo de fragmentos toscos, mas, rígido e sublimado de um mosaico multicolor. Usando de frases incompletas, intenções escondidas, cuja sorte é jogada aos astros distraídos que se evaporam e tentam fazer acreditar que tudo não passou de um sonho, de um delírio, de um momento de loucura incompreensível, cujas lágrimas  também  eram  levadas pelos ventos e despejadas como lixos nas bocas de lobo da vida.
                                                                         
Sentado diante da televisão pensei e repensei sobre inúmeras fórmulas de esquecer tudo o que tinha visto naquele dia, mas, preso nas armadilhas do tempo e nos percalços da vida, nunca imaginava que depois das catástrofes ocorridas no Haiti e Chile, iria ver a repetição daquelas cenas. Mas, infelizmente, continuou chovendo torrencialmente durante vários dias e os barracos localizados nos Morros do Bumba e Prazeres construídos sobre um lixão, sem flores no seu trajeto, de um entardecer melancólico, cercado de cores escuras, fantasmas e ruínas não resistiram e despencaram morro abaixo.

Hoje, sem moradia, sem documentos, conta em banco ou carta de alforria, partem agora rumo a um mundo incógnito em busca de sobrevivência e esperançosos de que se o dia seguinte não fosse nascer, ou se não existisse nada para acreditar,  ainda assim, têm a certeza de que continuarão levando em seus pensamentos as rajadas de vida, como fazem as bocas de lobo para sobreviver aos lixos do lixo ou o como vento faz para beijar a noite escura esperando um novo amanhecer.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA. Advogado e Escritor. É membro da UBE- União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

Jabulani e o drible da vaca

O sol penetrava por entre as folhagens dos pés de manga, abacateiros e bambuzais que circundavam aquele campinho de futebol. Os meninos dos bairros vizinhos iam chegando e se acomodavam como podiam esperando com entusiasmo o início do jogo que, de certa forma, já se espalhara por toda a cidade. Afinal, uma rádio da Capital vinha anunciando diariamente sobre a importante partida futebolística entre as equipes Oeste F.C e Ferroviário, cuja final seria decidida no campinho poeirento daquele bairro. O povo foi-se aglomerando debaixo das sombras daquelas árvores frutíferas, a maioria, para ver os seus filhos se deslancharem com a bola nos pés e desenharem seus sonhos naquele terreno batido, onde, dificilmente, a bola rolava sem trepidar, e quiçá    alguns daqueles jovens, num futuro próximo, serem convidados para treinar numa equipe de renome nacional, afinal, naquele dia tinha até “olheiros” de alguns clubes da Capital

Abriram-se as cortinas do espetáculo e o juiz vestido de calção preto e uma camisa surrada pelo tempo, sem grife, deu  inicio à partida. O centroavante Tição, do Oeste Futebol Clube de calção listrado e camisa azul celeste, chuteira velha rasgada na ponta mostrando o dedão, recebe a bola já decomposta pelo tempo e sem  perder a gravidade, rebate-a com o pé, com certa maestria, para mostrar aos companheiros o bom toque de bola, os dribles elástico e o da vaca que costumava dar durante os jogos, para, no final de  cada lance, mostrar aos   praticantes de futebol a arte de jogar e o impulsivo prazer de dar um chute certeiro rumo ao gol e vibrar ao ver a redondinha estufar a rede adversária.

A pequena ilustração elaborada acima reforça a afirmação que vemos hoje um futebol sofrível nos   gramados da África do Sul, onde lá chamam a redondinha de Jabulani. A partir do texto imaginem também cenas que todos têm presenciado naqueles magníficos campos de futebol: chutões por cima da meta e outros sem a menor direção; tropeções na bola; passes mal feitos e parece não ter intimidades com ela; violência desenfreada de muitos jogadores “pernas de pau”; cotoveladas propositais; lançamentos e toques de bola    imperfeitos para no final do espetáculo, todos culparem a bela Jabulani de suas ruindades dizendo que ela é uma bruxa e veio com defeito de fábrica trazendo no seu interior uma maldição fantasmagórica para azucrinar a vida dos  jogadores. O Brasil está fora da Copa, não é culpa da bola é ruindade mesmo!

A Jubilani é uma bola evoluída, de couro, com ar dentro, apenas sem gomos, mas, redondinha como as outras. Apenas parece ser mais patricinha, entretanto, se bem trabalhada como fazem os verdadeiros craques de bola, obedecerá e ajudará nas firulas dentro de campo. Quando é maltratada ela também dá suas fintas e os dribles da vaca (aquela jogada que faz menção de ir para um lado e sai para outro). Coitado dos goleiros!  A copa do mundo parece não estar com essa bola toda ou até perdido o rebolado. O rebolado, por exemplo, que é coisa mundial, não teria esse nome se não fosse a bola. Seria estranho ver uma mulata brasileira ou africana passar rebolando e alguém dizer: olha só que enquadramento, que piramidal, que paralelas, que  perfeição... Pois é, com rebolado ou sem rebolado a Jabulani está tão maluca e judiando tanto dos goleiros nos gramados africanos que pode virar frango.  Hoje, quando vemos a bola rolar, não importa se é sobre chão batido ou gramado, a verdade integral é ela. O futebol é paixão. Esse amor obstinado que me faz     sofrear o sono da fadiga para rememorar em câmara lenta um gol de letra (de calcanhar) que fiz a muitos anos naquele campinho poento.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado, escritor e Diretor do Dpto. Jurídico da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

Infeliz ano novo ás mordaças, censuras e preguiças.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A mordaça é um objeto que se tapa a boca de alguém para que não fale e não grite enquanto que a censura é formada por uma corporação incumbida do exame de   obras submetidas à censura, e sinteticamente, podemos dizer que é uma repreensão. Pois bem, no ano de 2010, a população ficou estupefata com a censura imposta pelo PCB ao Diário da Manhã, que considerei estapafúrdia, ineficaz e sem consistência jurídica, uma vez que aquele pedido de liminar se esbarrava no princípio constitucional do direito onde se deve reinar a democracia e a liberdade de expressão,     liberdade que há muito tempo vem sendo implantada por este jornal, que jamais deixou de  publicar matérias ou de dar  tratamento  igualitário a candidatos, partidos políticos ou pessoas comuns da sociedade através do quadro “OPINIÃO”, que deu tanto certo que o mesmo foi ampliado para “OPINIÃO PÚBLICA”, cujos textos são publicados na íntegra.

A mordaça ou a censura podem atacar diretamente a essência da democracia e revesti-la da forma do vale tudo, em molde de ralho constante, não fundamentado, intrusivo, maledicente e por vezes constrangedor.  A esse tipo de censura e mordaça que alguns apelidam de liberdade de expressão, que queriam o PCB impor ao Diário da Manhã e o Governo do Estado de Goiás ao grande Jornalista Paulo Berings não iam realmente prosperar. Defendendo o meu direito à indignação em relação ao pedido feito pelo PCB, que tanto  questionou sobre a censura no Brasil e o Governo de Goiás em proibir o ilustre jornalista de entrevistar o candidato Marconi Perilo, amordaçando-o, mas, este demonstrando ter caráter  e coragem, se expôs diante das Câmaras de televisão à fúria destruidora de um governo antidemocrático pedindo demissão “ao vivo”.

Por fim, finalizo dizendo que elas, quando praticadas pelos denunciantes somente no sentido de “aparecerem” perante a opinião publica, pode este ato impensado virar contra aos que se dizem prejudicados, ou simplesmente, o feitiço virar contra o feiticeiro, e foi o que realmente aconteceu, pois prevaleceu à justiça com a derrubada daquela liminar e agora ela jaz inócua e definitivamente arquivada no sistema virtual do Colendo Tribunal, e quanto ao ato Governador, taxado de traíra e preguiçoso, este recebeu como troco a  fragorosa de derrota no dia 31 de outubro, então,  para que tudo isso não volte mais a acontecer, é bom que a gente antecipe desejando um  infeliz ano novo às  mordaças, censuras e preguiças
 
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado, escritor e Diretor da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

Força Livre: A voz do movimento comunitário

O valor de um povo está nas causas que abraçam, nos projetos que constroem em prol de sua comunidade e nas histórias de sua luta insana, onde carrega o suor, as lágrimas e as alegrias que lhe proporciona quando seus líderes conseguem alcançar os objetivos e benefícios pleiteados em prol de seus bairros junto ao Poder Público. 

Na edição do dia 13 de fevereiro o jornal Diário da Manhã estampou uma foto gigantesca com vários líderes comunitários, e no meio dela, se destacava o grande jornalista Batista Custódio que apresentava o projeto Força Livre que tem o    objetivo de abrir novo horizonte de liberdade de imprensa, e como ele próprio    afirmou: “Os bairros devem ser tratados como cidades e a lideranças serão a redação do jornal”. Passando para as páginas seguintes fiquei mais surpreso ainda quando vi estampadas várias fotos de lideranças comunitárias, muitas delas já com os rostos carcomidos pelas intempéries do tempo e cabeças tomadas pela calvície. É o passar  dos anos que os tornaram assim, mas, o importante é que eles continuam enfrentando  as adversidades e as intempéries do  tempo em busca de benefícios para os seus bairros.

Conheço a maioria, pois fiz e faço parte deste glorioso movimento desde o tempo do saudoso governador Henrique Santillo onde todos eram  prestigiados de uma forma contagiante.Tenho por  todos uma profunda admiração, porque durante este lapso de tempo os vi carregando debaixo do braço pastas elásticas surradas cheias de requerimentos  dirigidos aos Órgãos Públicos pleiteando benefícios para suas regiões. Não quero destacar os nomes daqueles cujas fotos foram estampadas no jornal, apenas citar alguns que se foram para outra dimensão e deixaram saudades: O Baianinho do Areão; Antônio Elias, João Dias, Manoel Guarda, e Cícero do Setor Pedro Ludovico; o Daniel Ângelo da Vila Boa; Joaquim do Parque Santa Cruz; Francisco Pedroso, Sebastião Porfírio,  soldado Neres e tantos outros que deixo de citar por falha de memória.

Hoje, a corrida deles não é contra o tempo. É com o tempo. Sabem que o futuro é agora, o presente já é quase ontem e o passado é a história construída por cada uma deles. O jornal abriu espaço para o movimento comunitário com título “Força Livre”, então, é o momento de todos usarem de sua sabedoria, pois quando se lutam com sabedoria, tem sempre o tempo a favor. Mesmo nas horas mais difíceis, em momentos de turbulências e vendavais, diante das mais terríveis tormentas e tiranias sociais, e agindo com coerência,   respeito mútuo e sensatez, todos sairão fortalecidos, porque o saber está para o ser humano como está para o vinho. E que as suas lutas, seus ideais e projetos de vida sejam vitoriosos, rumo a um tempo de união e paz que hoje de frutifica e que cada semente possa fortalecê-los, e sem picuinhas, venham fazer parte de uma       sociedade mais cooperativa e solidária, como se vislumbra na proposta do jornal Diário da Manhã.

O projeto Força Livre vem para inovar a dar voz àqueles que constroem a cidade e aí quem sabe, não esteja iminente e inevitável, o momento do reencontro do passado, presente e futuro com uma história mais humana e solidária, onde a gente seja povo e não massa de manobra a rastejar como cobra impedidos de usar  o saber e acoplá-lo nas asas da imaginação.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado, escritor e Diretor da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

 
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