Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Diário da Manhã, porta voz da liberdade.

segunda-feira, 30 de março de 2015


O valor de um povo está nas causas que abraçam, nos projetos que constroem em prol de sua comunidade. Na história de sua luta que sabemos insana em prol da democracia plena, carregam o suor, lágrimas e alegrias proporcionadas quando consegue ter um espaço num jornal para poder se manifestar, alcançar objetivos, defender e conseguir benefícios em prol de um povo sofrido. Quanto mais restrições impõem à liberdade de expressão, no mesmo montante desejamos vê-la restabelecida, assim como, da mesma forma ansiamos por vivê-la. É bem verdade que cada um sente e entende a liberdade à sua maneira, mas o importante é que todos concordam num ponto: a liberdade é uma das mais preciosas e belas dádivas em nossa vida. Em última análise, para não sermos desumanizados, precisamos de liberdade, de justiça, de paz. Tudo isso está relacionado, na vida de cada homem e na existência de toda a humanidade. 

O jornal Diário da Manhã criou um caderno especial, intitulado 56 nos de liberdade, estampando obras riquíssimas, quadros e esculturas de renomados artistas goianos que teve o condão de abrir novo horizonte de liberdade de imprensa. A cada edição ficava surpreso quando via estampada fotos de muitas pessoas amigas, artistas consagrados, já com os rostos carcomidos pelas intempéries do tempo, olhos perdidos na escuridão de seu próprio ser, mãos calejadas e cabeças tomadas pela calvície, mas estavam ali firmes, manuseando os pincéis da liberdade. É o passar  dos anos que os tornaram assim, mas, o importante é que eles continuam com suas mãos mágicas, ora massageando o barro, ora os pincéis, enfrentando  as adversidades e as intempéries do  tempo em busca daquilo que lhes dão prazer: a pintura, a escultura.

Conheço a maioria deles, pois faço parte deste glorioso movimento da arte e, mesmo não usando os pincéis, procuro ser parceiro através da escrita, elogiando ou não, mas levando o meu apreço a estes baluartes que com suas obras contagiam a todos. Nutro por  toda a classe uma profunda admiração, porque durante este lapso de tempo os vejo carregando suas telas, ora pra ali, ora prá acolá, expondo, às vezes com dificuldades, em vários locais de Goiânia e até fora do Estado de Goiás. Não quero aqui destacar obras ou nomes daqueles cujas fotos foram estampadas no jornal porque pode me falhar a memória, mas como disse numa crônica anterior: “... devo pedir desculpas por não citar os nomes dos artistas goianos que passaram pela coluna do Diário da Manhã que são muitos, pois a página que ele me cede é pequena e não caberiam todos os nomes. Se entenderem que a arte é uma coisa imprevisível, uma descoberta, uma invenção da vida, abstrata ou não, que nos move, nos eleva, nos transporta a um mundo surreal, é lógico, nos deixam encantados e fascinados pela vida, então, apenas peço que usem o mundo da imaginação e façam de conta que os seus nomes aqui citados estão”

Hoje, a corrida do Diário da Manhã não é contra o tempo. É com o tempo. Sabe que o futuro é agora, o presente já é quase ontem e o passado é a história construída por cada uma deles ou de nós articulistas. O jornal abriu espaço com título “Opinião Pública”, e para os artistas goianos, um caderno especial, então, é momento de todos usarem de sua sabedoria, pois quando se lutam com sabedoria, tem sempre o tempo a favor. Mesmo nas horas mais difíceis, em momentos de turbulências e vendavais; diante das mais terríveis tormentas e tiranias sociais, e agindo com coerência,   respeito mútuo e sensatez, todos sairão fortalecidos, porque o saber está para o ser humano como está para o vinho. E que a luta do Diário da Manhã, seus ideais e projetos sejam vitoriosos, rumo a um tempo de união e paz que hoje se frutifica e que cada semente possa fortalecê-lo, como seus abnegados editores, que sem picuinhas e notícias truncadas, e com seu grito de liberdade, continue proporcionando a sociedade o direito de defesa, o legítimo trabalho, dignidade e solidariedade entre os homens, como já se vislumbra há tempos em todas as suas edições. 

O Diário da Manhã, como seu projeto inovador, tornou-se o porta-voz daqueles que se sentem injustiçados, abrindo as comportas para que todos se manifestem, sempre lembrando o momento do reencontro do passado, presente e futuro com uma história de luta e sofrimento, defendendo a liberdade de imprensa, deixando de ser massa de manobra, de rastejar como cobra e impedida de usar  o saber em prol de seu ideal democrático.



Pelos bares dos Elpídios.

terça-feira, 24 de março de 2015


Primeiro quero dizer que o título não é plágio. Os bares de que falo são bares que não são comuns, são bares diferentes, místicos, poéticos, quase utópicos, onde as pessoas se reúnem e criam coisas que jamais imaginamos existir no mundo real. Fazem parte desses bares além de outros personagens humanos, os artistas do barro, dos pincéis, das letras e até os poetas malandros que não aprenderam a rimar, mas se reúnem para prosear, reviver a mesma dor, os mesmos objetivos e anseios. Confesso que durante minha existência participei pouco desse ambiente e nem bebia grandes tragos. Hoje posso dizer que nem bebo. Apenas aprecio com moderação. Agora, para quem bebe, se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa. Celebrando ou esquecendo-se de celebrar, foi nas mesas dos bares que travei grandes debates políticos, aprendi a fazer discursos, viver momentos poéticos, passionais e amorosos. 

Muitos namoros nasceram em mesas de bar. Tempos idos, lá pelas décadas dos anos 70, ainda jovem, conheci a cidade de Aruanã e pasmo diante da beleza do Rio Araguaia, incuti na minha cabeça a ideia de escrever poesias e escrevi muitas e as guardava num pequeno baú. Lembro-me bem de um final de tarde quando o sol se escondia detrás das matas e seus raios cintilavam sobre as águas trazendo momentos de nostalgia, eu, juntamente com outros amigos, numa mesa de bar, jogávamos conversa fora e quantos artistas, jornalistas, empresários, profissionais liberais víamos se aglomerarem naquele ambiente místico - o Bar do Elpídio, bastante frequentado por aqueles que iam passar férias em Aruanã. As rústicas paredes eram autografadas por todos que por ali passavam. Quem esteve lá à época vivenciou esse fato histórico e outras situações pitorescas criadas pelo Elpídio, como a central de recados para as pessoas que acampavam na praia, e assim, Elpídio Amorim Leão deixava sua marca e relevantes serviços prestados ao turismo de Goiás.

Tempos passaram. Certo dia, outro Elpídio, o Fiorda, querendo homenagear o seu xará resolveu abrir um bar em Goiânia, no ano de 2007, no Mercado Popular da Rua 74, batizando-o de “Bar do Elpídio. Era um lugar descontraído simples e aconchegante, como também era o Bar do Elpídio em Aruanã. Na culinária, o Fiorda, tentou manter os mesmo ingredientes, como peixes, costeletas, costela e filé de Caranha, com ou sem pequi, sem falar do saboroso Sanduíche de Caranha. 

O público alvo era dos mesmos moldes do Bar do Elpídio de Aruanã e daqueles que conheciam a historia do estabelecimento. O bar foi inaugurado no dia 13 de setembro de 2007, essa data teve como intuito homenagear os 60 anos do Elpídio de Aruanã pelo relevante trabalho feito em prol do turismo de Goiás, e à época, recebeu o Titulo de Sócio Honorário da ABRAJET (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo), regional de Goiás sendo assim a inauguração transformou em um evento para fortalecer e consolidar o novo espaço e ponto de lazer em Goiânia.

Para manter-se vivo o nome, em 27 de setembro de 2014, o Elpídio Fiorda e Gabriel Bretas, fundou Bar do Elpídio Empório & Restaurante e hoje é o mais novo empreendimento do setor de alimentação fora do lar em Goiânia, ora instalado de forma rústica, aconchegante e aprazível no Passeio das Águas Shopping, local de encontro de artistas plásticos, escultores, escritores, jornalistas, empresários e de pessoas que gostam de degustar da cozinha regional e do melhor em pratos à lá carte, peixes, feijoadas, pirão, caldos, a famosa panelinha, galinhada goiana e variados petiscos.

As instalações do empreendimento estão ilustradas com a iconografia goiana. Imagens dos casarões da Cidade de Goiás e Pirenópolis ornamentam as paredes. Uma escultura de Cora Coralina, em tamanho natural faz homenagem à poetisa maior. Os clientes vão poder sentar ao lado dela e se deixar fotografar. A obra é assinada pelo artesão Gabriel Machado. O mascarado personagem irreverente da festa das Cavalhadas, difundida em Pirenópolis, está montado ao cavalo, logo na chegada. É a economia criativa em movimento. Inovação, beleza e aconchego são características do espaço que chega para agregar serviços essenciais ao novo Shopping. Só posso dizer que é um lugar bem propicio para os encontros de fim de tarde. Lá o garçom não enrola mesmo sabendo que o cliente às vezes não come certas guloseimas e nem toma bebidas alcoólicas. Hoje, escrevo daqui e uso uma mesa, mas não é a do Bar do Elpídio, mas sim, a da sacada do meu AP, onde vislumbro do alto uma selva de pedras que nos rodeia. Estou com um Laptop, digito o texto e as letras vão se amontoando no monitor para no final sair esta besteira! Não estou bebendo nada, mas mesmo assim saúdo vocês que fizeram e continuam fazendo parte da arte e cultura em Goiás. Quero, nesta mesa onde vejo o sol de pôr soberbo no horizonte, levar comigo a lembrança de todos..., mas quero também, ao finalizar, dizer que tenho saudades do tempo da famosa Grapete e do slogan: “Quem bebe Grapete, repete”. Até mais! Vou tomar um suco de laranja. Um brinde à vida.


Sonhos além do espelho...

terça-feira, 17 de março de 2015


Cheguei bastante cansado depois de uma passeata em prol de um Brasil melhor. Sentei-me num sofá e liguei a TV. Depois de uma canseira danada ainda tinha que assistir Ministros da Dilma falar sobre a mobilização ocorrida naquele dia 15 de março. Estiquei as pernas sobre o sofá e fiquei observado... Foi tanta balela, mentiras e cinismo que não conseguia dormir, deu-me insônia. Na maciez de um travesseiro fechei os olhos e comecei a contar carneirinhos, mas, desta vez, de tão cansado e chateado cheguei a contar mais de mil, pois só assim, conseguiria dormir. De repente me vi diante de um enorme espelho. Atônito, vi um corpo bizarro sendo todo espelhado. Era o meu corpo e de início uma imagem escura, mas eu não era um fantasma e desesperado, tentei empurrar o repugnante espelho, mas nada e o pior é que foram aparecendo imagens desagradáveis. Num repente uma cueca cheia dinheiro aparece, mas eram pequenas notas de dois reais. Ela estava pendurada numa parede atrás de mim e se refletia no espelho. Olhei o meu corpo e notei que não estava sem essa peça íntima a ainda usava calça jeans, camisa branca e gravata, desbotadas. Vi-me um ser totalmente sem elegância e mais, descobri que não era rico e morava numa casa cheia de rachaduras adquirida do programa “Minha Casa Minha Vida”. O espelho mostrava que eu tinha um nariz desproporcional, como o do Pinóquio. Então era mentiroso e observando mais, descobri que usava tapa-olho. Era pirata também. Pensei: Meu Deus! O que aconteceu comigo! Procurei freneticamente na escrivaninha a minha carteira de identidade para verificar se era daquele jeito, no entanto, achei somente o velho passaporte e naquele documento descobri que não era eu e nem goiano era. Lá constava que era nascido na cidade de Garanhuns em Pernambuco. Continuando com o rosto voltado para o espelho, também observei que ele já estava carcomido pelo tempo e aí me senti inconsolável, pois estava numa cadeira de rodas. Exclamei: Meu Deus, isso não é possível! Se eu estava com tanto pés de galinhas no rosto e numa cadeira de rodas, significava que  além de pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata e nordestino, era também deficiente físico. Claro que era impossível, dizia para mim mesmo: Poxa!  Além de pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata, nordestino, deficiente físico, nem goiano era, além de corrupto, improbo, ligado a uma facção criminosa chamada de “mensaleiros”, tudo graças a um recorte de jornal que encontrei jogado sobre o piso. Na foto, lá estavam eu junto com José Genoíno, Paulo e José Dirceu e outros. Noutra foto, uma edição mais recente de outro jornal, exposto sobre a escrivaninha, foi mais incomodativo ainda, pois vi a figura do ilustre Ministro do Supremo Joaquim Barbosa com o dedo em riste para mim, dizendo: Você está preso! Fiquei assustado, é claro, pois no texto escrito em letras garrafais, dizia que eu fazia parte do Conselho da Petrobras e era amigo do Paulo Roberto Costa e do Nestor Cerveró. Na foto estampada no jornal a Dilma dava gargalhada e detrás de sua mesa, uma foto do Lula pendurada na parede entre Hugo Chaves e Fidel Castro. Aquela cena foi demais para mim!

Passados alguns segundos, apareceu um homem bem vestido e me perguntou com uma voz meio rouca: Já contou o dinheiro senhor? Fiquei pasmo! Que dinheiro? Era a voz do Presidente da Casa da Moeda derrubado por suspeita de recebimento de propina. Vixe! Só me faltava essa! Logo onde se fabrica o papel moeda que chamamos de real. Com a voz embargada disse:

- Ó Deus!  Pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata, nordestino, deficiente físico, não era goiano, corrupto, improbo, ligado a facção criminosa denominada de mensaleiros, sussurrei: Agora estou frito de vez!

Desesperado, gritei diante do espelho, passei a mão sobre a cabeça e tive outra surpresa: Era careca e meio banguela! Alguém tocou a campainha, abri a portas e apareceu uma mulher com uma pasta preta debaixo do braço, que antes de entrar na sala foi logo dizendo:

- Vim te avisar que você deve devolver os cartões corporativos porque o seu perfil não se enquadra dentro do nosso padrão, aprovado pela FIFA, e ainda por cima, você está desempregado. Estupefato, fiquei olhando aquela figura e comecei a gaguejar, mas pasmem: era a Ideli Salvati, mulher forte do Palácio do Planalto. 

Que merda! Nem cartão tinha! Além de não ter cartão e nem uns míseros trocados, também estava desempregado. Tentei explicar a aquela senhora o quanto era difícil encontrar trabalho no Brasil, principalmente quando se é pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata, nordestino, deficiente físico, não goiano e corrupto, improbo, ligado a facção criminosa denominada de mensaleiros, careca, banguela, gago e desempregado. Chateado com aquela figura metida, tentei fechar a porta com a única mão, pois na outra, tinha um dedo decepado quando tentei ser aprendiz de torneiro mecânico e bastante contrariado, fui até a janela olhar a paisagem e vi centenas de barracos ao meu redor. Senti uma pequena parada no marca-passo e uma leve tontura, pensei: Poxa! Além de pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata, nordestino, deficiente físico, não ser goiano, corrupto, improbo, ligado a facção criminosa denominada de mensaleiros, careca, banguela, gago e desempregado, descobri, que além de maneta e favelado, usava marca-passo e sentia tonturas.

Comecei a passar mal e sentir calafrios, situação que me obrigou a ir até ao guarda-roupa para pegar uma camisa para trocar e novamente outra surpresa: quando abri a gaveta encontrei duas camisas vermelhas bastante encardidas com o símbolo do PT e MST. Só podia ser sacanagem! Resmunguei... Entrei em surto, pois além de pobre, deselegante, velho, nariz grande, mentiroso, pirata, nordestino, deficiente físico, não ser goiano, corrupto, improbo, ligado a facção criminosa denominada de mensaleiros, careca, banguela, gago e desempregado, maneta, favelado, usando marca-passo, sentir tonturas e calafrios, e ainda, ser cabo eleitoral do PT e diziam que eu tinha invadido a fazenda de Eunício. Aí foi demais! Então questionei: Não sou cabo eleitoral, não sou eleitor do PT, nem invasor de terras, nem possuo lotes no Jardim da Paz ou no cemitério Jardim da Palmeiras, e esse tal de Eunício não é Garanhuns?

Naquele momento alguém passou detrás do espelho e que já tinha feito um saboroso café da manhã apareceu brava e disse repetidas vezes, e em voz alta: 

- Francenildo!!!  Vamos!!! Acorde! Mas eu não era o Francenildo, aquele trabalhador que denunciou e foi injustiçado em Brasília. Mas se eu não era o Francenildo, nem conhecia a bela Rosemary Noronha, nem fazia parte do dossiê dos aloprados, da CPI dos Correios, dos escândalos do Ministério dos Esportes, do Mensalão, ou da corrupção Petrobras e nem era funcionário fantasma porque tinha em mãos documentos que provavam a minha disposição e frequência junto ao gabinete de um Deputado. Quem era eu então? Mais um grito ensurdecedor que levanta até defunto ressoou nos meus ouvidos: Cara! Levanta-te, pois já terminou a entrevista dos Ministros há várias horas. Já passa da meia noite. Amigo leitor foi um tremendo susto! Num sobressalto, abri os olhos e meio desorientado disse a mim mesmo: Cruz credo! Onde estou? Com o suor descendo pelo rosto olhei pra minha mulher e disse: Que bom você me acordar, estava tendo um sonho e me via diante de um espelho. Ufa! Que alívio! Levantei-me rapidamente do sofá, olhei através da sacada do meu AP e realmente a cidade adormecia e não se ouvia mais os panelaços e buzinaços, então, naquele instante, percebi que tudo não passara de um sonho ou pesadelo sei lá, e aí murmurei baixinho dizendo: Graças a Deus! Moral da história: Às vezes não é a gente que olha para o espelho, é ele que olha pra gente e na escada da vida somos todos meros reflexos daquilo que realizamos cotidianamente, mas quando se trata de sonhos, a imagem do espelho às vezes pode vir invertida.



Mãos mágicas no Reino do Pincéis.

terça-feira, 10 de março de 2015


Dia 10 de março, um dia que não parecia comum. Ventava e chovia uma barbaridade. A chuva se debatia fortemente no vidro da janela auxiliada pela força do vento. Levantei-me devagarzinho, mas no pensamento havia a intenção de escrever e falar sobre os artistas plásticos que homenageavam os 35 anos de fundação do Diário da Manhã, assim como, falar das pinceladas mágicas e contar-lhes o que eu sonhei naquela noite. Com o pensamento indo e vindo na velocidade da luz, este me trazia flashes de um andarilho que seguia sem rumo, a esmo, numa estrada deserta. Tinha pressa, mas não sabia por quê. Mal tinha adentrado à estrada, o vento, que já era rijo, algum minuto depois soprou com mais violência; logo depois principiou a chover grosso, a tarde ficou ríspida. Tentei me esconder, mas não vi nenhum abrigo e nem era possível recuar.

Verdadeiramente aquele caminho parecia ser uma charada, via tantas imagens desconcertantes, coisas inusitadas, inexplicáveis, mas a placa logo adiante amenizou meu coração, deixou-me mais calmo. Ela dizia: Bem-vindo ao Reino dos Pincéis e logo adiante, um exuberante castelo medieval. Não sei como explicar mais me abateu alegria imensa que me excitou. Talvez seja porque sou como aqueles atores que encenam no teatro da vida, que fazem do seu trabalho uma arte, às vezes real, às vezes surreal, às vezes dotado de comédia, às vezes em drama, e os colegas em grande gala oferecendo em cena o retrato falado de alguém pincelando com pincéis mágicos, capazes de nos deixar boquiabertos, atônitos e encantados diante das expressões surrealistas que funcionam como uma distração e nos fazem esquecer nossos problemas cotidianos. É um jeito especial que o artista usa para expressar com as mãos o que a sua mente imagina do mundo real ou surreal.

Passei por aquele portal que mais parecia um quadro. Na realidade passei dentro de um quadro mesmo, moldurado por duas estacas de madeira nobre, e do lado de lá, fui recepcionado por um jovem que todos chamavam PX. Não era nenhum código, era PX mesmo! Logo atrás, quantos amigos, quantos mestres das artes plásticas. Quantas obras de arte expostas se contrastavam com o mundo inóspito. Quantas obras sem imposição de regras ou estilo contornavam corredores imaginários, sem as desrespeitar, mas nunca se deixando de ir mais longe quem as criou, usando suas asas imaginárias para alcançar o inusitado, o improvável. Naquele Reino aqueles mestres da arte revelavam-se uma força potentíssima, uma majestade inesgotável de energia, uma variedade de cores e ordem na criação das coisas. Esculturas belíssimas, quadros, telas ora feitas em papel pinho, ora com cores fortes e traços marcantes, ora traços leves e sutis, ora exóticas, ora surreais, ora utópicas, ora em aquarelas, ora com temas populares e religiosos, retratavam a perfeição e imperfeição do homem, da natureza e do próprio mundo, da indefinição dos rostos e corpos humanos, dos casebres, palácios e rios, mas todos de bom gosto, cujos detalhes surrealistas só as mãos mágicas daqueles artistas podiam criar.

Uma lágrima desceu! Que nada! Uma lágrima foi pouco quis dizer várias! Nunca teria lágrima única diante de tanta beleza exposta do outro lado! Gente, se tudo em sonho é possível, então eu sonhei atravessando uma tela! Foi incrível! Infelizmente, como tudo é possível e a gente não domina o sonho, do lado de lá não consegui que as minhas lágrimas não se transformassem em dilúvio a tal ponto de não evitar o alagamento daquele Reino. Todavia, tudo pode acontecer e secar, quando os anjos veem alguma coisa nos olhos da gente e sabem que são apenas gotas solitárias, que jamais pode destruir um mundo tão belo e povoado por artistas, seres que nos alegram com suas pinturas, obras que o homem inventa para o mundo em que vive. Lágrimas caíram, mas logo o pranto logo foi desfeito, sem lamentos e quando desfeitos, foram levados pelos ventos impetuosos, contra os quais nada podia fazer nem as árvores e flores que se contorciam naquela estrada de chão. 

Creiam-me artistas de mãos mágicas, não há telas insolúveis ou indecifráveis. Tudo neste mundo nasce com a sua explicação em si mesmo; a questão é saber como nasce. Nem tudo que a gente faz se explica desde logo, é verdade; o tempo do artista varia, mas haja paciência, firmeza e sagacidade para chegar-se-á à decifração de sua própria arte. Eu se algum dia for promovido de cronista a artista da pintura ou do barro, afirmo que, além de trazer um estilo próprio, bárbaro ou rústico, não deixarei nada por explicar, qualquer que seja a dificuldade aparente, ainda que seja exigido por meu mestre Elifas ou por tantos outros que homenagearam e que no dia 10 de março, dois dias antes do aniversário do Diário da Manhã, ilustraram o meu sonho. Como cronista, posso achar explicações fáceis e naturais sobre o que fiz e faço; mas, infelizmente, são os ócios do ofício do artista e ele tem a obrigação perante a história de demonstrar o seu discernimento, a profundeza de sua arte e não se contentar com coisas próximas, simples e indecifráveis. Fundo eu iria e penetraria nas profundezas dessa arte...

Procuro ser justo, e não gosto de ver o fraco esmagado pelo forte. Além disso, nasci com certo orgulho e sei que um dia ele morrerá comigo. Não gosto que os fatos nem os homens se imponham por si mesmos. Tenho horror a toda superioridade que às vezes também ocorrem no mundo das artes. Aos justos, eu é que os hei de enfeitar vários adjetivos, uma reminiscência clássica e com ou mais padrões de estilo. Os fatos que narro deles, eu é que os hei de declarar transcendentes; os homens e mulheres artistas que encontrei no Reino dos Pincéis, se me permitirem, eu é que os hei de aclamar extraordinários.

Para um escriba que ora escreve coisas miúdas, nada há pior que topar com o cadáver de uma pessoa importante. Nada há pior que julgá-lo por nunca ter tido sucesso; para louvá-lo temos de trocar de estilo, sair da vala comum da vida e sermos nós mesmos. Para nós bastam às qualidades pessoais de quem se foi para outra dimensão, a sua bravura, o patriotismo e virtudes. Tudo isso pede estilo solene, fato que não falta a um escriba que escreve coisas miúdas. Como qualquer artista, eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado por pessoas amigas. Mas confesso que desta vez, preocupado com o sonho que tive, sequer saboreei o nascer do sol; fiquei encantado e ao mesmo tempo espantado com o que vi naquele Reino e senti que devia contar detalhes desse sonho. Na realidade, não faço mais que apontar as qualidades do artista goiano o que significa também que eu os defendi mesmo no meu sonho.

Sempre que entrevia uma ideia, uma significação oculta em qualquer objeto fica a tal ponto absorto o meu pensamento que sou capaz de passar horas sem comer e nem fome sinto. Agora, sentado diante de minha escrivaninha, a meditar, vejo que é momento de finalizar a crônica, no entanto, ocorre-me que devo pedir desculpas por não citar os nomes dos artistas goianos que passaram pela coluna do Diário da Manhã que são muitos, pois a página que me cede jornal é pequena e não caberiam todos os nomes. Se entenderem que a arte é uma coisa imprevisível, uma descoberta, uma invenção da vida, abstrata ou não, que nos move, nos eleva, nos transporta a um mundo surreal, é lógico, nos deixam encantados e fascinados pela vida, então, apenas peço que usem o mundo da imaginação e façam de conta que os seus nomes estão aqui citados, e depois de lerem, saboreiem cada palavra se acharem que esta crônica é uma arte.



Minha vida no túnel do tempo.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Agradeço a Deus por ter me dado condições de lutar e alcançar os objetivos pretendidos durante minha existência. Não nasci rico, mas isso não me impediu de ter pessoas amigas de verdade, de ver riquezas na capacidade de transformar vida em presente e conquistas. Hoje, 6 de março de 2015, sensibilizado, recebi da cidade de Guarujá, Estado de São Paulo como presente, um vídeo montado pelo meu amigo Julio Bergamini, grande locutor e produtor musical e vídeo. Sei que tirou um pouco de seu tempo, sei que pesquisou meu blog e minhas imagens na linha de tempo para montar tudo isso, sei que foi trabalhoso mesmo, e por isso, resta-me agradecer por sua amizade a qual prezo muito. 
O vídeo ficou lindo! Obrigado por tudo e que Deus te abençoe sempre! 
 

Uma "viagem" para além das Cantareira e Tietês...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Vejo a imprensa escrita e televisiva noticiar sobre o problema de escassez de água por falta de chuvas sabe lá. Como sei que muitos discutem sobre qual a real situação em que está levando a mudança dos padrões climáticos e regimes de chuvas, então questiono: Porque não se fiscaliza o desmatamento da Amazônia e de outras regiões do País? Porque não se plantam mais árvores nas cidades? Porque não se fiscaliza a agricultura responsável por imenso consumo de água? E o desperdício de águas nas ruas? Porque permitem a especulação imobiliária sem precedentes e a invasão de áreas de preservação ambiental e de nascentes? O problema do Brasil é na origem e não no uso, agora estamos mudando o padrão climático do sudeste para semi-árido, pode isso?

Hoje, estupefato com tantas notícias ruins sobre falta de água que diz originar da escassez de chuva, resolvi fazer uma viagem para além de mais além das Cantareira e dos poluídos “Tietês”. Nem pensei muito e como a um pássaro, aventurei-me por brenhas selvagens, já banhei nas águas calmas do Araguaia, do Babilônia, do Turvo, do Verdão, do Rio dos Bois, do Corrente e até do rio Meia Ponte, hoje poluído; pesquei lambaris em suas águas piscosas, entreguei-me a amassos imaginários do tempo, ora entrelaçados pela luz tênue do sol, ora pelo pela lua, que retalhavam os galhos de árvores milenares; mergulhava, emergia e imergia naquelas águas profundas, num vai e vem inesquecível. O rio, eu e minha canoa imaginária, assim como as cintilantes luzes dos astros estelares, seguíamos céleres, enfrentando curvas, recepcionando brisas vindas de outros rincões e sob o cantar dos pássaros, mostrávamos a aqueles que passaram e viveram o amor, que naquele local jamais existiria seca, poluição ou a brusquidão do quente asfalto. Aos incautos, o rio sempre dizia que as aves que lá gorjeiam jamais irão para mais além, onde o ser humano poderia aprisioná-las e fazê-las ouvir o ruído infernal de suas máquinas insones.

Os rios e eu íamos para além de mais além, onde a natureza jamais mostraria sua verdadeira face, onde não se ouvirá suspiros nem gemidos, onde não se veriam cidades incharem e o povo passar sede; onde não se respirariam o mesmo ar do ser humano; onde seguiria navegando sobre o seu próprio leito, suscitando sons inebriantes, poéticos, sob o silêncio sombreado das árvores que debruçam sobre suas águas límpidas e deleitam em suas rústicas margens. Momentos de uma viagem nostalgia me fez recordar de coisas obscuras impregnadas no meu cérebro há tempos, e com emoção à flor da pele, restou-me quedar diante daquele ambiente místico e esquecer-se dos sustos da cidade, da escassez de água, das enfermidades, da violência, da criminalidade e dos cotejos de morte.

Naquele recanto aprazível tentava fugir do real, da verdade noticiada sobre escassez de água que nada mais é que um evento climático de grande magnitude que está afetando vários Estados com o deslocamento das massas de ar do Pacífico, as quais se encontravam com as massas de ar do pólo sul e norte. Uma viagem para fugir da realidade, encaixotar de vez minhas ansiedades, aflições e sensações oriundas de um mundo profano e de certa forma, procurar entender a própria existência do homem no universo que diante das adversidades climáticas continuará sendo apenas uma gota de orvalho e não terá mãos firmes e limpas para levantar aos céus e pedir ajuda a Deus, pois rapidamente ela se evaporará sob os raios de sol. Não importa se vamos mais além para ouvir e assistir o nascer de um novo amanhã, e ou se por extrema necessidade, termos que usar asas para voar no afã de visualizar nesse amanhã um novo amanhecer, vermos o meio ambiente preservado, assim como a fauna a flora, e principalmente, o reflorestamento de áreas próximas às mananciais pelo fato de que a erosão é um problema muito grave, que vemos acontecer em várias regiões de nosso País e estes rios são normalmente os culpados pelas enchentes e causadores enormes de buracos e crateras, tanto no sertão como nas cidades.

Mas, enfim, vejo o sol se pôr no horizonte entregando-me a lua que já nascia soberba detrás da densa mata. Não obstante o palco mostrado pela natureza se diversificasse a cada momento, observava que o rio seguia seu rumo e eu o acompanhava com olhar complacente de um admirador. Era óbvio que ele precisava também de chuvas, pois no seu caminho encontraria em suas margens banco de areias que antes não existiam, erosões, desbarrancados, serrados ingentes, mortos, e mais além, queimadas praticadas pelo próprio homem. O fogo atiçado sobre o capim e galhos secos torna suas chamas ardentes, implacáveis, os quais, silenciosos, quedariam esbatidos sobre a terra que chora de dor. Por mais que procurasse me aquietar naquele voo insano, sem asas, não conseguia ficar indiferente e como ambientalista, precisava agir não obstante saber que a vida humana é cheia de contrastes em relação ao ambiente em que vive. A sua ação devastadora acordou-me, devolveu-me ao mundo real, mas deixaram impregnados em minha memória imagens surreais, mistérios e mitos contados por moradores ribeirinhos para que eu pudesse soltar pequenos flashes arquivados, onde poderão ser revelados os níveis insuportáveis de desmatamentos, revelarem a falta de cuidado com as nascentes dos rios, a falta de fiscalização com relação agricultura e agroindústria, não deixando de citar logicamente violência, a corrupção generalizada, o descrédito absoluto da classe política, o apagão ético e moral, acrescentando-se nessas revelações, as agruras que o cidadão vem enfrentando, impotente, sem ter a quem recorrer. A sociedade está órfã e foi este fato me fez “cair na real” e “viajar” em busca de um mundo incógnito, para além daquilo que o rio e suas águas podem oferecer.

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O último aceno.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Nenhuma crônica, poema ou canção por mais romântica que seja define ou abarca a vida. O homem precisa de algo mais e o poeta, cronista e romancista sabem disso. Para não corroer tanto a alma humana esses ases da escrita, príncipes das nuvens, que possuem asas de gigantes que não os deixam caminharem, usam como meio de persuasão a crônica por possuir uma narração curta, em que o autor produz essencialmente para ser veiculada na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas páginas de um jornal. Ela possui uma finalidade utilitária e pré-determinada, ou seja: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização e precisão, criando-se assim, no transcurso dos dias, noites ou semanas, uma familiaridade entre o autor e aqueles que a lêem. À vezes a crônica alcança o coração e alma das pessoas que a lê como se fosse dedicado a elas ou porque encontrou nas entrelinhas uma frase que lhes agradasse. Mas hão de se convir que nenhuma dessas palavras: crônicas, poesias e poemas, jamais deixaram de definir ou extinguir plenamente o fascínio e suas multifacetárias alegorias. Na verdade, nenhuma língua detém ou as possui por inteiro.

Fortemente relacionado com a música, beleza e arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até a idade média, os poemas eram cantados. Só depois o texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância.

Considerando um olhar de lágrimas secas, observamos que pessoa alguma se apresenta ou se revela. No olhar de oceanos invertidos, tudo seca e tudo é deserto. Onde a sorte tem vários nomes, onde o azar não existe e isto é surreal. Tem certos momentos que navegamos sobre nós mesmos e nada nos contém. Nessa navegação escrota às vezes matamos a rima no afã de mostrar o inexplicável, e o que se mata, não se vela e nem se revela, é o lema do poeta. Ele não abre a janela do poema e deixa a crônica de portas trancadas, sem explicação alguma e isto é ruim, pois fica sem métrica, sem regra, sem conceito hermético; apenas inteira em si mesmo.

Mas como considerar e ou mesmo interpretar o gesto de alguém numa esquina que estendia a mão, acenando um adeus, com lenços brancos amparados pelo vento; tipo solitário que caminhava pela calçada, com um olhar perdido, silencioso, parecia observar alguém numa sacada do terceiro andar, as belezas que o circundava e suas inconstâncias que naquele instante só ele via. Um aceno que mostrava suas teimosias, suas perplexidades diante da rotina diária de quem passa sempre por ela. Ele parecia manusear uma enxada poética e a cada passo cavava sua cova, procurava estreitar as relações com aquela mulher e com seu mundo imaginário, enquanto sua alma se alargava num simples aceno para mim incógnito. A lâmina impregnada de letras entendia seu ofício de escriba, mas ele, a cada enxadada, não conseguia dizer seu próprio nome. Calava-se diante da cova, faltava-lhe a voz de outrora e via ali se esvaírem nas profundezas dela os versos. Bastou-lhe apenas aquele dia para tudo transmudar e ele não mais o reconheceria no espelho do cotidiano.

Era visível para mim que aquele desconhecido era um poeta. Sua encenação não era para qualquer um, nem era para obter fama, nem o dinheiro, nem a monotonia de dias iguais. Entendia que poderia ser assim: ele escrevia e vivia um amor que ele mesmo não conseguia viver. Acho que vivia saboreando os poemas e versos que colocava no papel que lhe alimentavam a alma. Acho que, pelo seu perfil, ele acenava para um amor verdadeiro, sonhava um amor real, um amor cheio de amor... O poeta é assim mesmo... Um sonhador! Pelo jeito, ele sabia que podia atracar em outros portos, fazer uma viajem interplanetária, buscar o impossível, mas sabia também que podia afundar na sua própria nave, mas teimoso, mesmo assim a fez, indo até o fim do universo, se é que ele tem fim. Mas o seu semblante demonstrava tristeza. Nem a lua ou as estrelas não o recepcionara como merecia, e lá das alturas, ainda conseguia ver uma casa, a sua moradia, mas que, talvez, nunca tivesse sido um verdadeiro lar. Restou-lhe então deixar as estrelas e se aconchegou no travesseiro celeste para recolher seus sonhos e agulhas invisíveis que acordaram seu cérebro para a realidade de um simples aceno.

Para quem queria tanto sem saber exatamente o que lhe fazia falta. Para quem andava tanto sem chegar a lugar algum. Para quem o poeta procuraria para curar suas feridas poéticas, bastava apenas um remédio qualquer, desde que amparado por aquele lenço branco que simbolizava amor e paz. Para quem ainda vive com seus cortes abertos que ainda sangra por dentro, aquela cena inusitada está apenas dizendo que nada o separará de seus laços afetivos.

Chove neste momento. Que bom! O dia está lindo lá fora! Mas algo me faz falta no aqui no meu recanto. Talvez o brilho do sol no vão quadriculado da janela, pois a noite se foi sem se despedir de mim. Talvez o ruído das turbinas do avião que atrasou o vôo, pois há horas não cumpre sua rota. Talvez não haja no topo do Morro da Serrinha vencedores nem perdedores, pois mudaram o trajeto de várias ruas e ninguém reclamou. Talvez exista um rei momo, cansado, desnudo, desconhecido, depois de uma folia de carnaval e que ainda possa estar celebrando sua solidão e abandono.

Como devia realmente interpretar aquele aceno que vi na esquina? Será que existe uma resposta convincente? Será um cronista que não convenceu ou um poeta que não versejou corretamente seu poema? Ou será uma canção sem ritmo cantada por um cantor sem voz? Curioso, olhei novamente pela fresta da janela e não o vi acenando mais. Será que era final de festa ou começara uma nova etapa de sua vida? Será que antes acenava apenas para quebrar o silêncio dentro de si mesmo, para alargarem nossas mentes e nos libertar para outras viagens? Agucei os olhos, vi pessoas se aglomerarem a poucos metros da esquina, no meio deles um corpo que jazia estirado no chão e ao lado, uma linda mulher. Escutei barulhos de sirenes e logo uma ambulância contornou a esquina. Ela o levou, mas deixou sobre a calçada o lenço e nele, o seu silêncio.



Diário da Manhã e Cinco de Março, 56 anos de liberdade.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Em todos esses anos que colaboro com o Diário da Manhã, como mero articulista, mas divulgando-o ao mundo, jamais constatei publicações, notícias ou reportagens que contrariassem a linha editorial do jornal. Argumentar, por exemplo, que o DM mantém articulistas de "esquerda” “de direita” ou “progressista” poder-se-ia dizer que é verdade este pensamento e por isso deve ser considerado um veículo de opiniões plurais sem nenhum cinismo, tanto que criaram a página Opinião Pública para as pessoas poderem se manifestar seus anseios e pensamentos, criticarem, denunciarem, sejam através de artigos ou crônicas tudo aquilo que lhes deixam indignados ou chocados. Ao voltar ao passado e falar da ditadura ou do pensamento único nas redações, me refiro ao fato de que nenhum jornalista, por mais gabaritado que fosse seria capaz de publicar uma matéria que, de alguma forma, atingisse, mesmo que minimamente, amigos do patrão, grandes anunciantes, ou mesmo que divergisse da ideologia política do dono do jornal. No entanto, ainda acho que não existe na terra lugar mais democrático que uma redação de jornal e isto eu observo quando visito o DM. O máximo que um jornalista pode fazer é sugerir uma pauta, e se for agressiva, só vai adiante se tiver a concordância do Editor Chefe. A reportagem investigativa hoje virou coisa comum, pois são tantos escândalos, corrupção e denúncias que alimentam o noticiário que estas caem no colo dos editores aos montes, cabendo a eles o trabalho de direcioná-los sucintamente para que não encham páginas e mais páginas de forma prolixa. Às vezes o repórter nem precisa checar as informações, pois acredita piamente na "fonte". O fato é que, felizmente, ainda existe no Brasil, mesmo capenga, a tão propalada "liberdade de imprensa". 

Hoje, qualquer um que seja vítima de uma matéria publicada por um órgão de imprensa tem de se ver às voltas com um sistema judiciário lento, custoso e quase sempre bondoso com os poderosos, o que desestimula a maioria dos demandantes que gostariam de ver a sua honra restituída. Não existe uma pessoa sequer no Brasil que seja favorável à volta da censura na imprensa. Isso não significa, porém, que as empresas de comunicação tenham carta branca para publicar mentiras, calúnias ou boatos - obras de ficção, não notícias. Elas têm um papel social que não permite esse comportamento. Da mesma forma, é inadmissível que em alguns estados brasileiros existam emissoras de rádio e televisão de propriedade de parlamentares, que as usam livremente para se eleger ou manter seus currais eleitorais e formação cartéis. Regular a mídia é um imperativo de qualquer democracia moderna e a sua regulamentação é necessária para coibir abusos econômicos e para garantir que a informação seja um instrumento para o desenvolvimento do país e não para mantê-lo mergulhado no atraso e na ignorância.

Em nosso país, como em todo o mundo, ocorrem também muitas injustiças ocasionadas pela divulgação maldosa, apressada ou encomendada pelos meios de comunicação de massa. O “furo” de reportagem não tem escrúpulos, poder-se-ia dizer. Muitas vezes vidas são devassadas, a honra é enlameada, a moral é destruída e em nome da liberdade de imprensa, chega-se a exterminar a liberdade individual do ser humano, ou de um grupo que seja objeto da reportagem, ou de toda uma sociedade que esteja assistindo impassível às inverdades ou deturpações. Eu disse inverdades e deturpações!

Era razoável que devia haver algum controle sobre a divulgação de reportagens pela imprensa, esta em sentido amplo. Tinha e havia ética, dignidade, humanidade. Mas como deveriam fazer se a hedionda censura à época era absolutamente incompatível com os ideais democráticos tão sonhados pelo jornal? Como proibir as empresas de jornalismo sem atingir os profissionais que lá exerciam suas funções, que deram grande contribuição ao País ou continuam tentando dar para alavancar democracia e o desenvolvimento social da nação? Caro leitor do Diário da Manhã: Ninguém enxerga a verdade quando se faz ou finge ser cega; ninguém escuta os anseios de um povo se fazendo de surdo; ninguém manipula o teclado da vida cortando os dedos.

Dia 12 de março próximo quando o Diário da Manhã comemora seus 35 anos de fundação que somados ao os 21 anos do Jornal Cinco de Março, que o antecedeu, representam um marco na história do jornalismo goiano, assim como, a marca de um jornal combativo que sempre lutou pela liberdade, é lógico que temos de reverenciá-lo. E para abrilhantar toda essa trajetória o DM está homenageando consagrados artistas goianos com publicação de suas obras diariamente num caderno especial criado para esse fim. Com relação à luta das pessoas que dirigiam o Jornal Cinco de Março, hoje sucedido pelo Diário da Manhã, desde garoto sempre observei que foram densas as reflexões de maturidade histórica daquele operoso jornal que se entrelaçava e continua entrelaçando com a história daqueles que lutaram e lutam por uma sociedade mais justa, democrática, humana e fraterna. Sabia e sou testemunho de que durante décadas foram derramadas lágrimas e sofrimento, mas também, ocorreram momentos de grandeza e de esperança. Eu realmente presenciei tudo isso. A luta desses baluartes do jornalismo valeu à pena e eu como articulista deste valoroso jornal sou devedor.

Nas suas páginas forem reprisadas notícias sobre a vida política do Estado de Goiás e suas lideranças regionais que à época causaram arrepios, mas hão de se observar com alegria, satisfação e respeito que mereceu o Cinco de Março e merece o Diário da Manhã, pois o primeiro permitiu ao seu sucessor a continuar na luta pela revitalização da história política mediante o projeto de comemoração de seus 35 anos de fundação e 56 anos de luta pela liberdade de expressão, que muitas vezes, o jornalista Batista Custódio, teve, principalmente à época da ditadura, de correr atrás pessoalmente usando o seu prestígio ou através de agentes políticos amigos, salvar vidas de jornalistas perseguidos pela ditadura militar. Mas além dele quantos jornalistas viveram com sacrifício e heroísmo aqueles funestos anos, que se empenharam em prol daquele semanário de forma audaciosa, com coragem, perspicácia e inteligência, cujo jornal para este simples escriba virou lenda. Destarte, se a liberdade de imprensa colide com os direitos individuais, é importante que se alcancem o equilíbrio, de modo que nenhuma das garantias seja obrigada a suportar, sozinha, as conseqüências da indevida expansão da outra. Finalizo externando ao Diário da Manhã meus parabéns pelos seus 35 anos de fundação e que somados ao Cinco de Março alcançam 56 anos de luta insana em prol da solidariedade, democracia e liberdade!

Publicado no  Diário da Manhã, edição do dia 18 de fevereiro de 2015

Rastros virtuais...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Parece estranho, mas quando escrevo me derramo em emoção. Importo-me com as frases, rimas e destarte, escrevo o que gosto, mesmo sabendo não ser uma obra prima. Talvez nunca seja, mas também não me importo; quero continuar a ser apenas um simples escriba que ainda consegue ajudar pessoas e alcançar corações e sentimentos que vagam pela internet como se fossem ondas virtuais. Talvez seja esta a minha sina. Quando escrevo emprego meus sentimentos, mas ao empregá-los, não assino carteira, nem recolho impostos e assim vou levando a vida e ela me levando. Gosto dela e ela de mim, assim como, gosto de compartilhar com ela minhas crônicas porque nos dão prazer, pausam o raciocínio e o conteúdo vai se acumulando na região recôndita de meu cérebro, e todo o acervo, contabilizo-o, enumero os discernimentos corretos e capazes de nos levar a uma aceitação plausível. Escrevo devagar, frases por frases, viajo junto com as palavras e só paro onde elas também param porque obedecem a um ponto final. Os meus olhos passam rápidos pela escrita e quando a noticia não me interessa mesmo que sejam versos adocicados e sensíveis sigo em frente. Sou capaz, numa simples crônica, de inventar romances, paixões impossíveis e aventuras que nunca vivi. Falo da vida, das reais delicias do amor, das fantasias e sonhos perdidos que deixamos de recuperar. Deixo rastros de sonhos na areia e riscos invisíveis num mar que não comporta devaneios. Olho para trás e vejo que os rastros que deixei eram apenas virtuais, mas antes de me entregar ao aconchego do meu domicílio, sei que nele ficaram recados e pedaços de mim.

Quando escrevo nem evito falar dos meus sonhos porque sei que serão levados pelo vento. E o vento os leva até você o que penso e junto com ele, os meus rastros para serem decifrados. Sem medo de ferir ou ser ferido, falo do que sinto e do que invento a favor da vida a cada dia. Falo de sorrisos, de dores, de decepções, alegrias, felicidades e do amor; falo das palavras que alavancam o amor e destravam o desamor que podem ter saído de um diálogo intenso que faço com as flores. Gosto de escrever pequenos devaneios e incluir neles a natureza, o mar, o céu, a lua e a saga dos rios. Da janela de minha alma vejo pássaros com seus vôos rasantes, transeuntes cabisbaixos nas calçadas e lá no céu, nuvens em formato de gente, de animais e até de um coração. Escrevo sobre coisas que gosto que raramente, às vezes desgosta; falo da chuva que não vem, da que vem e daquela torrencial que destrói vidas e traz dor; falo também da solidão e dor porque rastros são aqui deixados por pessoas que compartilho e aí se derramam em mim. O que fazer? Afagar, transformar-me em um mago, mágico, príncipe ou rei, e esquecer, que sou apenas simples suburbano. Sou assim e nos meus escritos posso ser o que eu quiser, até usar palavras adocicadas, românticas, coerentes ou incoerentes, fazer críticas ou não, mas, sobretudo, saber recebê-las também. Prefiro ser isso tudo, mas continuar um sonhador, sonhar com coisas reais e surreais e até sonhar sonhos impossíveis. E assim vou escrevendo e fazendo de minhas crônicas e versos o meu refúgio, o meu invisível, o mágico habitat. Os rastros que deixo poucos conseguem reconhecer ou decifrar, mas isto não me incomoda. A estrada virtual é de todos, mas os rastros são meus.

Certa vez disse e é bom repetir que quando escrevo uso as entrelinhas do silêncio no afã de fazer uma boa crônica, bem pensada, elucidativa, para alcançar um fim comum, um desejo de uma pessoa qualquer, e de certa forma, brincar sério com as palavras. Nestas ou noutras situações, não escrevo por escrever e jamais me arrependo do que escrevo, porque reviso antes, interpreto o que muitas pessoas expressam ao vivo ou pela internet, e mesmo assim, penso antes de escrever e quando a mente cansa uso as asas da imaginação para alcançar o impossível, e nesse vôo, não magoar ninguém e nem deixar rastros imprecisos. Quando falo por falar, sinto que pode ocorrer um equívoco e aí me arrependo e, uma vez que falo, não posso "desdizer", voltar atrás e pedir desculpas, porque me soa mal, muito mal. Por isto é que prefiro escrever, pois evito deixar rastros que possa desvirtuar caminhos, incompreensíveis, e escrevendo, terão mais chances de corrigir meu pensamento, colocar no lugar certo os pontos e vírgulas e até reticências para não soarem como as pausas que preciso para que todos me entendam...


Simplesmente esqueci...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015


Sempre chega a nossa hora. Sempre chega o dia em que a gente sente um frio danado na barriga e ficamos deveras nervosos. Uma pane cerebral. Às vezes pensamos em desistir, temos medo de não conseguir chegar até o fim daquilo que almejamos, pois não queremos fracassar. Naquele dia comecei a suar, suar muito, aquele suor de escorrer pelo rosto que sai brotando das células adormecidas para depois, espatifar-se seguidas vezes no chão. - Meu Deus! Se antes de começar a pensar estava suando, imagine antes! Era um final de tarde diferente, inusitada, parecia que o sol brincava com a gente e não havia nenhuma nuvem a importuná-lo. Fazia muito calor mesmo! Não sei por que aceitei escrever aquele texto, precisava de mais tempo para me preparar. Era muito esquecido e era tanto esquecimento que esquecia até de mim mesmo, e em razão disso, jaziam-se também as lembranças.

A tarde começou a cair e o sol precisava entregar a terra à lua. A obscuridade à minha volta começou a ser interrompida pela luz violácea dos relâmpagos que se enquadravam no vão da janela, mas paciente, ficava ali, inerte, velando no silêncio do meu quarto, dedilhando no teclado do computador, frases de amor que ia retirando do baú corroído pelas intempéries do tempo, para enviar a alguém, mas, por incrível que pareça não me lembrava quem. Passei as mãos no rosto imberbe e fiquei aguardando o momento certo para reiniciar. Reiniciar o quê? Tinha esquecido. Um pássaro passou e cantou freneticamente rente à janela e naquela fase de pensamento absorto, levei um susto, mas o bom é que ele me devolveu à realidade. Recuperado daquele transe os meus pensamentos começaram a voltar, mas bem devagar, em ritmo lento, pensando sempre no momento em que meu corpo voltasse a precisar de maior esforço. O suor continuava descendo, mesmo quando o sol já se tinha despedido da terra. Novamente pensei em desistir, mais tinha que continuar, não podia deixar de lado algo que era importante para mim e se não continuasse naquele momento poderia voltar a esquecer. No meio das folhagens que pendiam perto da janela, vi um rosto angelical de mulher, que logo desapareceu por detrás das aspirais de fumaça que saíam de uma chaminé. Comecei a sentir sede, precisava de água, vi um copo cheio à minha frente, não resisti e bebi. Nem sei quem o colocou ali. Depois olhei para as folhagens com certa ansiedade... A bela imagem não mais a vi. Na Cozinha tocava uma música, romântica, lenta, mas naquele instante, eu precisava de algo mais estimulante. Na próxima vez pensarei nisso e preguiçosamente, debrucei sobre a escrivaninha. Cochilei.

Horas passaram. Fui novamente até a janela, olhei para os lados, procurando me distrair, observando sempre os movimentos, alguns rápidos, outros lentos. Uns transeuntes pareciam desajeitados, com pernas e braços balançando desconexos como se estivessem num circo. Eram tão cômicos que não agüentei e sorri. Ninguém ia me ouvir mesmo, estava no 13.º andar. Aliás, ali daquela janela, não sei onde encontrei forças para rir tanto assim. Ria tanto que meus rins doíam, enquanto o suor tomava todo o meu corpo. Parei de rir, pois precisava chegar ao final tão almejado. Não podia desistir e nem esquecer o que planejava. Os meus leitores esperavam o melhor de mim. Passei às mãos sobre os rins e vi que voltara ao normal e ao levantá-las, vi no dedo indicador um laço que eu tinha amarrado para me lembrar do que fazer. Faltava pouco para terminar e sabia que ia conseguir. Foi então que comecei a dar umas dedilhadas mais rápidas e palavras foram se amontoando no monitor; senti que o final estava próximo, mas precisava de um título para fechar com “chave de ouro” o texto. No botão da camisa estava fixado um clipe com um pequeno papel e nele o nome. Ora, laço no dedo, clipe e outros apetrechos pendurados no corpo só para lembrar-se de alguma coisa, não acham demais? Coisa de maluco ou de quem está com amnésia. Eu simplesmente esqueci o que representava aqueles apetrechos. Mas enfim, com esquecimento ou não, o importante é que cheguei ao fim. Com os olhos e mente cansada, mas ainda com certo fôlego literário, quis explicar, de alguma forma, que às vezes é necessário a gente anotar o assunto e não se importando em que lugar se deve afixar a peça lembrança. Por outro lado, devemos abandonar o velho barco e a mesma rotina; devemos deixar de lado velhas roupas e esquecermo-nos daqueles caminhos que sempre nos levaram ao mesmo lugar ou a lugar algum. Eu só não queria levar a certeza de que nada sabia ou pouco sabia... Penso que cumprir a vida seja simplesmente ir marchando rumo certo, seguindo em frente, sabendo que todo mundo passou por ele, amou, chorou ou ainda chora quando passa por esse caminho. Cada um de nós compõe uma história e vida. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz, de girar em torno de si ou do universo como faz o planeta terra, e se não ousarmos fazer, nós ficaremos para trás, à margem de tudo e em certos momentos, começaremos a esquecer de nós mesmos. Você, caro leitor, sabe do que eu estou falando e sei que não esqueceu, ou sei lá, poderia até ter-se esquecido ou esquecido de esquecer.


 
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