Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Morro da Serrinha: da cegueira à sinfonia dos surdos

terça-feira, 24 de abril de 2012

Semana passada de certo modo fiquei um pouco envaidecido ao receber da Câmara Municipal de Goiânia o Diploma de Honra ao Mérito, concedido às  personalidades da arte e da cultura, propositura do Vereador Djalma Araujo. Naquele dia, com o pensamento alhures, senti-me uma célula ciliar que emergia humilde diante daqueles renomados artistas goianos. Fiquei observando a galeria e as mãos em riste dos parentes e amigos que iam chegando e sinalizando positivamente, prontos a prestigiar-me naquele evento, pois sabiam da   minha difícil jornada literária, do esmero, da dedicação e do meu desiderato de levar ao leitor o bálsamo para aliviar a opressão, a tristeza e a escuridão que oprimem nossos corações, cujo trabalho foi reconhecido,  e quiçá,  talvez até serviu de parâmetro para que eu fosse homenageado junto a outros renomados escritores e expoentes das artes e cultura em Goiás. Fica aqui o meu sincero agradecimento ao Vereador Djalma Araujo.

O introdutório acima pode ser considerado apenas como uma premissa, pois indiretamente não tem nenhuma relação com o título. O assunto que hoje proponho a comentar é de suma  importância ao meio ambiente de nossa Capital e de certo modo, visa atender aos apelos feitos de forma insistente pelo meu amigo ambientalista Marcos Gomes que me pediu para voltar a falar sobre a degradação do Morro da Serrinha. No que tange ao título em epígrafe é importante salientar em primeiro plano que o planeta terra há muito tempo vem dando claros sinais de insatisfação com os seres humanos. O administrador público parece cegar-se diante de suas próprias mazelas e mal ouve o clamor do povo ou vê a revolta da natureza. Não maneia instrumentos eficazes e nem se importam com timbres de vozes que ecoam no universo mórbido do Morro da Serrinha que viu Goiânia nascer e crescer. Em franca degradação e    abandonado pelo poder público, tenta safar-se de usuários de drogas, das intempéries do tempo, das chuvas torrenciais que assola suas encostas e das avalanches de entulhos e lixos depositados em seu topo pelo próprio ser  humano. A cegueira do ser humano e a surdez amoitada nos tímpanos preguiçosos, não o deixa enxergar a um palmo do seu nariz ou ouvir uma sensata proposta de criação de um Parque para visitação pública naquele local aprazível. Chuvas o destroem e ninguém se lembra mais de que foi dali que Pedro Ludovico projetou a futura Capital. A impermeabilização do solo que o circunda, o asfalto, a construção de calçadas e casas, a falta de canalização de águas pluviais, são fatos que vêm corroborando para o nascimento de eventos catastróficos no morro, mas, infelizmente, parece que o ser humano     continua insensível, não quer enxergar a degradação e nem ouvir a sinfonia de vozes lamuriantes e dos instrumentos sonoros esvaecidos sobre o terreno infértil.

Ao ouvir e depois receber via email o apelo do meu amigo Marcos Gomes, ambientalista e apaixonado por Goiânia é que, depois algum tempo e após termos abraçado simbolicamente o Morro da Serrinha, resolvi usar esta coluna e voltar a falar novamente em sua defesa. É lastimável uma região que contém mais de setenta espécies nativas de cerrado, como pequi, jacarandá e cagaita se encontrar abandonada, degradada e qualquer cidadão que fizer uma visita àquela área irá observar nitidamente que lá, em plena área urbana, ainda existe um   resquício original do Cerrado, encravado no ponto mais alto da cidade, onde cavalgou o saudoso Pedro Ludovico Teixeira e que, ao olhar a beleza paradisíaca lá de cima, decidiu pela construção da nova Capital.

Neste morro-símbolo da fundação da jovem Goiânia, que ocupa uma área de 100 mil metros quadrados e se constitui em área de recarga de água e que alimenta o lençol freático com a água da  chuva e drena a água para o setor Parque Amazônia e o Córrego Botafogo vemos sinais flagrantes da retirada ilegal de terra e árvores raras do bioma cerrado – levantamento realizado anos atrás por técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos que catalogou setenta e duas espécies de flora nativa naquela reserva -, queimadas, arrancadas e destruídas. Muitas faixas de solo no Serrinha encontram-se totalmente expostas, compactadas e com erosões em sulcos, devido à retirada da vegetação.

É caótico o último resquício de cerrado nativo de Goiânia. Um lugar sagrado que é uma referência à memória da cidade que hoje se transformou, literalmente, em depósito de lixo, entulhos e marginalidade (ponto de uso de drogas). Goiânia hoje tem trezentos parques urbanizados e é a segunda mais arborizada do mundo, então por que o Morro Serrinha permanece abandonado e jogado às traças? Onde está o respeito ao verde? Onde está o respeito à memória de Pedro Ludovico. Por que não se cria ali mais um parque? Uma área verde numa região toda habitada onde as pessoas poderiam e ali desfrutar do lazer, do esporte e contemplando a natureza, mas, infelizmente, hoje é sinônimo de abandono e perigo para aqueles que por ali trafegam  Hoje, esperançoso, em razão das proximidades das eleições, acredito que alguma coisa poderá ser feita. Algum candidato a prefeito poderá encampar idéia de implantação do Parque Histórico e Ambiental do Morro Serrinha, resgatando o sonho de Pedro Ludovico e dos pioneiros da cidade.

Entretanto, sabemos de antemão que retórica política, interesses econômicos, protocolos de intenção, reuniões públicas para discutir o meio ambiente, tudo isso muitas vezes não saem do papel. Em certos momentos a verdade tem que ser dita sem meias palavras, não obstante parecer que estamos vivendo num mundo de seres humanos ensurdecidos. Salvo, uma meia dúzia de pessoas que tentam   pregar no deserto para quem não tem interesse de enxergar ou escutar, e como diz aquele velho ditado popular: o pior cego é aquele que não quer ver, então, resta-nos esperar a data fatídica chegar ou Deus nos enviar uma nova arca de Noé para que possamos nos salvar da catástrofe que se anuncia e nessa catástrofe, logicamente, será incluída o Morro da Serrinha porque lá foi retirada a retina da sensatez e criada a sinfonia dos surdos, e certamente, não restará ninguém para ver sua destruição ou ouvir seus apelos.

A dor, a onda, e o repentista

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A dor, em certos momentos, não se torna fácil constatar que se trata apenas de um fato fisiológico ou de nossa própria existência. Em relação a este assunto, falo de seres humanos que pensam, falam e sentem. Optei por falar do corpo que sofre quando se vê diante da dor que não pode ser considerada apenas a medida de uma lesão (infarto) ou de uma afecção (angina), mas o encontro íntimo entre uma situação potencialmente penosa, e uma pessoa humana imersa com sua própria situação dolorosa. Com efeito, injetamos na dor, crônica ou não, toda a nossa personalidade, todo o nosso sentimento e junto com ela, um antídoto que nos dá força e vontade de viver. A dor crônica é uma experiência aflitiva, intensa, persistente, invade nosso corpo sem pedir licença e se aninha nos órgãos vitais, nos ossos, nos músculos, tonando-os dolorosos e o medo da dor amplia os efeitos colaterais: fraqueza, imobilidade articular e encurtamento de músculos e tendões. Esse conjunto de dificuldades afeta a estabilidade emocional dos indivíduos, interfere em sua vida familiar e social e compromete suas atividades profissionais. Entre as crônicas existe a dor do parto onde um ser inocente se despede do útero que o protegia para receber o sopro da vida, mas também, existem as prazerosas: a dor da saudade, do amor e da paixão. Entretanto, não importa em que local de nosso corpo incomoda e permanece um mistério, se ela, prazerosa ou não, nos despedaça e abala todas as nossas referências afetivas, não obstante tentarmos viver em paz, harmonia e fugir dos estresses e depressões diárias e no momento certo, responder de onde ela vem, se ela é verdadeira, psíquica, espiritual, que muitas vezes nos leva a perda de nossa auto-estima, da autocrítica e no traz a tristeza, a melancolia, distúrbio do sono e a sensação de que a vida perdeu a graça.
 
 
Naquela barraca à beira da praia a própria natureza fez-me esquecer a dor sofrida. As ondas que vinham do oceano se esparramavam sobre a areia branca despoluída e não mais retornavam ao seu habitat e quando algumas insistiam, outras as empurravam de volta, num vai e vem de confrontos de forças que só a natureza é capaz de decifrar. Vinham com as ondas nossos sonhos que se esvaiam ao colidir com nossos corpos já salgados por tantas marés impostas pela vida, talvez com a com intenção de nos benzer e proteger-nos do mundo profano. Encarei várias ondas no afã de restabelecer os sonhos que se perdiam na areia, e no calor de cada desabafo, restou-me retornar à barraca, para continuar ouvindo o som   melancólico do mar e a voz incômoda de um repentista.
A manhã quente avançava sobre os coqueiros que circundavam a barraca enquanto a viola do cantador soava desafios e improvisos. Voltei os meus olhos para o lado cujos caminhos estavam embaçados pelo mormaço embevecido com a destreza daquele repentista que, na ligeireza de seus dedos calejados,    articulava rimas e construía cadencias, enquanto os visitantes ouviam forró vindo de uma caixa de som. Era uma disputa infernal, mas o poeta de cordel precisava ganhar o seu quinhão. Ao ver a sua  insistência, lembrei-me de minha adolescência e das modas de viola e da grande admiração pela espontânea inteligência dos cantores sertanejos que montados em cavalos baios ou viajando em velhos ônibus, percorriam cidades do interior de Goiás para fazer suas apresentações, promovendo nos palcos da vida uma verdadeira batalha pela sobrevivência e, dessa forma, receberem como retorno, afama e tornar-se e um lídimo representante da música sertaneja de sua região. O toque da viola do repentista e a lembrança de minhas raízes me fizeram voltar ao passado.
Quanto a aquele repentista procurei distinguir se naquele no momento não era um problema, pois, sem mais delongas, ponteava a viola e ia soltando versos no afã de persuadir-me, assim como aos burocratas freqüentadores daquela barraca, todavia, sabíamos qual era a sua intenção. No final e muitas vezes no meio da entoação recitava versos rimando com o pedido: colabore com este cantador com R$ 20. Caí como a um bobo da corte naquele rincão alagoano. Esqueci de levantar o dedo indicativo e em riste balançá-lo negativamente. Perguntei a mim mesmo: Como não cair numa armadilha quando se recebe uma cantoria que está sendo destinada à amada sentada ao lado. Ele quer ver a reação, o olho no olho e colocar-nos diante de um espelho imaginário para mostrar o radiar de uma felicidade duradoura. Esta tática que o cantador repentista usou para receber um sorriso dela, a minha compreensão e paciência, para, no final, me pedir para contribuir com alguma coisa e que, para evitar alguma dúvida, já antecipara no teor de seus versos.  Meus dedos não sinalizaram o “não” para negar o início daquela apresentação e olha que o repentista rimou elogiando a beleza de minha mulher, o meu peito peludo, os meus olhos castanhos, comparando-me com o ator global Gianecchini e o meu jeito galã. Abestalhado e não querendo ser grosseiro com aquele repentista que entoava versos versejados, acabei por desembolsar R$20. Naquele dia, acompanhados de minha filha e genro, agora residentes naquela bela cidade de Aracaju, deixamos a praia apinhada de gente e de pequenos pássaros que bicavam minúsculos alimentos trazidos pelas ondas, todavia, a emoção de vê-la feliz e o seu progresso profissional, me fez esquecer tudo, dos momentos difíceis que passei e reviver somente sentimentos que alimentam a vida e motivam sensações prazerosas.

Projeto "Escola Amiga do Autor Goiano": Espero Que Não Fique Só No Papel.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

No dia 21 de março de 2012, em sessão solene das Comissões de Constituição, Justiça e Redação, presidida pelo vereador Paulinho Graus foi discutido e aprovado a instituição do Diploma Honorífico “Escola Amiga do Autor Goiano”, projeto apresentado pelo vereador Rusembergue Barbosa, destinado a homenagear, anualmente, os estabelecimentos das redes públicas e privadas do ensino fundamental, médio e superior, sediados no município de Goiânia, que mais se destacarem nos projetos pedagógicos, como a valorização, a inserção, a aquisição de obras para bibliotecas, mostras, incentivo aos estudantes e a  promoção das obras literárias de autores goianos.

Projeto com o mesmo sentido já tinha sido elaborado pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, que em 17 de dezembro de 2009, numa solenidade promovida pela Editora Kelps e LEART, onde homenagearam as escolas estaduais, municipais e particulares que também adotaram e trabalharam com obras literárias de escritores goianos.

Esperançoso de que não fique somente no papel mais este projeto, quero neste pequeno artigo registrar o meu entusiasmo e até falar um pouco do significado das palavras “amiga e amigo” que intitularam o Diploma, e destarte, vamos receber esta manifestação através da participação de diretoras e diretores de escolas, e assim, estas palavras chegarão e chegam até a mim de uma forma que tentarei desvendá-las usando o meu coração rejubilado de euforia, esperança e inflamado pela sublime e pura inspiração em escrever para uma pessoa compenetrada, um aprendiz de poeta, sentado numa carteira escolar e que, com certeza, poderá ajudar a decifrar os mistérios que pairam na mente do escritor goiano. A literatura para mim é como o ar que respiro e é através de meus livros de romance, das minhas crônicas, prosas e versos publicados em jornais, que me sinto mais perto do leitor amigo. E doravante, com a instituição desse diploma honorífico, onde as obras literárias serão valorizadas através de projetos pedagógicos, entendo que se formará um grande laço e através desse laço formaremos um imenso jardim repleto de prosas e versos que fortalecerão as amizades que surgirão e com isso o crescimento literário


A grande arte de fazer amigos é uma maravilhosa aventura onde aprendemos a descobrir corações. Toda amizade dá sentindo novo à vida. Quem não conhece uma das palavras do Pequeno Príncipe quando ele diz: “Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol”. Muitas vezes julgamos mal um amigo ou colega. Sabemos que não devemos agir assim, pois na amizade não deve haver dúvidas, se houver dúvidas então não é amizade...  Ser amigo da escola e também fazer com ela se torna nossa amiga e é isso o que importa mesmo que haja divergências de idéias. Quando escrevemos, aprendemos a ler nos gestos, no rosto, nas palavras, nas ações de cada um ou uma, aquilo que o coração não consegue       expressar. Amizade é isso. É isso que o escritor quer. É ouvir e sentir com o coração cada aluno, cada aluna ou professor, para entendê-los melhor; não exigir de uma obra escrita uma confiança e aprovação imediata de seu conteúdo quando quem a escreveu não tem. Quando cometer um deslize literário - não caia no pecado da alta piedade, o oitavo dos sete pecados capitais. Lembre-se que você pode tornar-se uma pessoa especial para um aluno, mesmo com um texto simples e é isso o objetivo do projeto e o que ele espera de você. Seus escritos serão uma fonte pura, cristalina e inesgotável, que darão vida nova aos pequenos leitores e ao estabelecimento de ensino homenageado.

O sol que nos dá vida continuará a brilhar para todos...  A lua jamais será deixada para trás pelo romântico escritor e ele a fará brilhar dia e noite... Doravante o escritor goiano não precisará mais ter medo, pois o oceano escolar o receberá com o respeito que merece e regará suas obras usando suas imensas ondas mesmo em águas distantes e profundas. Bom, o que importa é que o destino precisou visitar a Casa Legislativa para unir a escola e a literatura goiana no intuito de valorizar suas obras, não obstante entender que tudo dependerá de uma participação mais ativa do vereador Rusembergue Barbosa subscritor do Projeto, da Academia Goiana de Letras e das entidades representativas das escolas que não se fizeram representar ou não foram convidadas para aquela sessão solene. Se não acontecer a participação efetiva de todos os interessados e não haver seriedade, acredito que tudo irá para o esquecimento, como já ocorreu com outros projetos similares. Todavia, em relação a essa honraria e seu processo de escolha, rogo para que jamais caia no descrédito, como não cairão os meteoritos em nossas páginas, nem o céu deixará de ter o brilho do sol ou a lua de luzir-se na escuridão As coisas erradas hão de não acontecer, porque o amor e a amizade que nascerão em virtude deste projeto serão maiores e dominarão o coração e o espaço literário que ora se propõe. A intenção do projeto e do Diploma Honorífico “Escola Amiga do Autor Goiano” veio no momento certo e é de salutar importância ao crescimento e divulgação da literatura goiana.

INSS Sob a Ótica Paciencia e do Bem Servir

terça-feira, 3 de abril de 2012

Depois de ter passado por um procedimento cirúrgico (angioplastia), como contribuinte do INSS e movido pela paciência que sempre me acompanhou   durante toda minha existência, fui atrás dos meus direitos ao quais denominamos de acesso à proteção social. Ao procurar o setor competente da previdência   através agendamento pelo número135,  de forma alguma, mesmo antes de ser atendido, não era minha intenção, como fazem  muitos, antecipar um  negativo atendimento, pois sabia da gravidade causada pela não proteção social. O indivíduo em razão de uma doença muitas vezes inesperada, que lhe debilita, retira a capacidade de trabalho e de subsistência, temporária ou definitivamente, não tem alternativa senão em buscar encontrar no Estado a solução para seus problemas imediatos.
À bem verdade se analisarmos sob a ótica do bem servir, há locais onde impera o tratamento humano e justo, aquele que toda pessoa gostaria de receber ao adentrar num órgão público e ser atendido por um educado servidor. É raro, mas ainda encontramos servidores dedicados, criativos, atentos e sensíveis aos reclamos daqueles que os procuram e isso se torna um bálsamo para a vida. Alguns parecem ter sido talhados para o serviço de atendimento ao público, principalmente daqueles que os procuram sedentos de uma informação que lhes venham proporcionar a tranquilidade e a garantia de que receberão do setor público, além do respeito aos seus direitos de cidadão, respostas prontas e apropriadas de forma que se evite a impaciência, o estresse e emoção.
Todavia, nem sempre o brasileiro que procura aos postos de atendimento não só da Previdência Social como de outros órgãos públicos é tratado como merece. Os maus tratos, o desrespeito à condição de angústia e ansiedade por uma resposta clara, a demora no atendimento, a morosidade para dar um parecer e até mesmo a recusa a requerimento que é um direito constitucional, são práticas que infelizmente ainda são comuns. E talvez por conta disso, não nos cause mais tanto espanto quando olhamos para o lado e notamos que, em meio a uma fila de pessoas aguardando atendimento, em pleno horário de expediente, um "servidor", de forma displicente, desatenciosamente, manuseia o computador com desleixo e preguiça. 
Chega a ser irônico, se não fosse trágico, mas, felizmente, há muitas exceções. Em muitos casos, principalmente quanto aos segurados da Previdência, estes precisam ter realmente muita paciência para receber o benefício a que fazem jus. Esses segurados precisam ter paciência quando um médico perito conclui pela sua "alta" ou não sob a alegação de que ainda está apto ou inapto para o   trabalho. Paciência deve ter também os trabalhadores autônomos e os informais quando ao buscar informações a respeito de seus direitos, receberem a informação, talvez equivocadamente ou por falha do sistema, de que não são segurados. Daí, entendermos que cumpre aos setores competentes do INSS  assegurar o direito à informação e o direito de requerer o que lhes seja de interesse, em obediência estrita ao art. 5º da nossa Carta Magna; que lhes sejam informado e assegurado o acesso aos benefícios do sistema, com a premência que a subsistência das pessoas exige. Ninguém vai ao INSS pedir empréstimo para ir aos EUA ou qualquer outra parte do mundo: o benefício que se postula se transforma em pão, leite, aluguel, remédio: bens de primeiríssima necessidade e de sua própria subsistência

Sei que há muito a se fazer, ainda, para se chegar a um patamar digno de proteção social, entretanto, em relação ao meu caso específico – licença médica, e de tantos outros pedidos presenciados no posto de atendimento do Setor Universitário, restou-me, como não poderia deixar de ser e até por questão de reconhecimento, testemunhar neste pequeno artigo de que fui bem atendido, destacando, a priori, a  atenção dada pelo experiente servidor, o aquariano Moisés Pereira Sousa, que sempre carrega um sorriso nos lábios e distribui à aqueles  que se enfileiram diante de seu balcão. Não poderia, destarte, de enaltecer também as prestimosas atendentes Elsa e Lúcia que me encaminharam ao educado e competente médico e perito Dr. Carlos da Cunha, a quem louvo nestas páginas o meu respeito, agradecimento e admiração. Pude constatar, ainda, sob a ótica do bem servir, que todos os servidores distribuídos naquelas escrivaninhas, eram compenetrados e dotados de muita paciência, os quais muitas vezes não recebiam a mesma reciprocidade do segurado, não obstante entender que deveria existir essa reciprocidade, pois sabemos que não é fácil trabalhar atrás de um balcão, manuseando nomes, datas, valores e vidas através de um sistema arcaico e computadores defasados para atender um público sedento de informação eficaz e muitas vezes com saúde precária e nervos à flor da pele.

Retrato de Mulher

quarta-feira, 28 de março de 2012

Diante de um retrato pendurado na parede de moldura antiga, corroída pelo tempo, fiquei observando os cabelos grisalhos, presos no coque alto onde se  destacava um rosto maltratado, mas, via-se logo que, mesmo antigo, se tratava de uma linda  mulher, cujos olhos azuis  pareciam perdidos na escuridão de seu próprio ser, envoltos pela pele vincada por pequenas rugas e a boca amarga travada para baixo, num desdém pelos sorrisos que já dera na vida. O seu semblante parecia querer retratar que sua vida fora   apenas uma ilusão ou se era a corrosão de sua própria alma, do abandono de seus sonhos, do esquecimento de seus ideais ou de sua desistência da paixão. Para aqueles que conviveram com ela tempos idos sabiam que ela sempre trazia as maçãs do rosto coradas, os passos ágeis e os olhos arregalados que absorviam o mundo em sua totalidade. Ela era cheia de luz, uma alma inquieta, transbordante, vivaz.
Diziam que quando menina deslumbrava-se com a vida, e mesmo usando um vestido de cetim alcançando as canelas grossas corria pela terra seca, poeirenta, como se estivesse carregando uma alma de criança a tiracolo. Sonhava morar em uma cidade grande ou se ficasse em seu rincão, pelos menos casar-se com um príncipe de cabelos compridos que a levasse num cavalo branco, alado, e sob a luz do luar, amarem com loucura, sobre a verde relva que circundava o lago cheio de flores e árvores milenares que compunham aquele local aprazível.
Anos se passaram e lá estava eu de novo naquela fazenda e, sem tratar-se um sonho ou ilusão de ótica, fixei novamente meus olhos naquela moldura, agora nova, restaurada, e ao lado, outro quadro pendurado, onde se via uma paisagem, de outono, de um lugar qualquer, talvez imaginário e sobre o verde, uma cena inusitada: dois corpos estendidos sobre o capim verde, ela e o seu amado, que trajava uma calça grossa de algodão e camisa xadrez. Seus olhos castanhos pareciam voltados para o infinito e nos seus cabelos despontavam pequenas mechas brancas, enquanto ao longe, o sol descia soberbo no horizonte.  A moldura indicava que ela tinha ido para outra dimensão juntamente com seu peão. 

Naquele instante veio às minhas narinas o cheiro gostoso do feijão tropeiro que só ela sabia fazer, que travou a minha boca na emoção e no amargor que ela proporcionava quando também servia o café sem açúcar que costumava adoçar todas as  manhãs. A saudade abateu-me sobre o peito e ritmou meu coração.
Cabisbaixo e com o pensamento alhures, sentei-me no banco de madeira do velho casarão e comecei a pensar. A cada instante jogava os pensamentos impuros para fora e armazenava os puros, tempo em que ia contemplando com os olhos cheios de amargura o cair da tarde e o filete de água límpida e cristalina que descia recém-nascida do alto de uma grota, entre a única mata nativa, cercada de pedregulhos, brejal e lírios, formando ao redor um campo florido e fresco, onde os ventos brincavam de montanha-russa com a plantação de girassol, com pendo dando, que se alastrava pela ribanceira até alcançar a parte mais alta do córrego. Incessante como os meus pensamentos, que iam e voltava na velocidade do vento, o pequeno rego passava ao lado da casa também descia serpenteando incansavelmente os terrenos cheios de declives, dando vida ao  lugar e rumando para uma tênue caída numa pequena cachoeira. Indiferente a tudo, as águas, assim como eu, não víamos as horas passarem e tampouco tínhamos tempo para ouvir os pássaros cantarem no fundo do quintal.
O cheiro vindo da cozinha já não era tão convidativo, mas mesmo assim, em respeito a aquela guerreira todos saíram e, enfileirados, postaram-se ao redor do fogão à lenha, abastecendo os pratos com um   delicioso angu de milho, arroz, feijão, frango ao molho pardo com pequi, receita deixada por aquela saudosa  descendente de italiano de sangue quente Francesca  Milena Montalvan, os quais eram servidos acompanhados de verduras frescas colhidas diariamente na horta plantada à beira do rego d’água.
A mistura, outra herança deixada, ficava por conta da carne de porco adormecida em grandes latas e submersa em gordura que garantia o sustento daquela numerosa prole durante meses. Um paladar inigualável. Como dizia um dos peões: “É comer com as mãos, chupar os ossos e lamber os “beiços”.
Enquanto saboreava o jantar, ouvia a sinfonia de pássaros, rãs, grilos, cigarras, corujas, vaga-lumes, formando uma orquestra rural de brilho, cores e sons que nos remetiam à tranqüilidade e à paz. Os últimos resquícios de sol, alaranjado, ainda penetravam pelo vão da janela iluminando o quadro fixado na parede, deixando- o colorido e mais belo, cujos raios se refletiam no rosto daquela mulher que deixou saudade emoldurada naquele quadro que parecia ter sido pintado por um ser  imaginário vindo de outra dimensão.  
Essa rotina rural fazia parte da vida daquela mulher que com o olhar meigo, mesmo na parede, parecia dominar aquele rincão, onde mesmo as horas demoravam a passar e os dias eram enormes, não se esmorecia diante das tarefas diárias que enfrentou durante sua existência, principalmente quando se via diante de um sol escaldante ou sob chuva fria.
Nos tempos idos, apesar das dificuldades, sentia-se feliz ao manejar a terra e ajudar na lida com o gado e talvez seja isto, além do amor a terra que compartilhava com seus entes querido, é que senti pairar naquele retrato o semblante de uma mulher guerreira que sempre procurou  esconder sua dor e as incertezas que tinha em relação ao futuro e das adversidades que poderiam advir com o propósito de tirar a harmonia conjugal, o respeito mútuo, o amor e a paz que sempre reinou em seu lar. (minha     humilde homenagem ao dia internacional da mulher).

Pedofilia, Estupro e Incesto: Crimes que Afligem a Família e a Sociedade

quarta-feira, 21 de março de 2012

Todos os dias, indignado, assisto a noticiários televisivos onde repórteres mostram casos de pedofilia, estupros, incestos e atentados violentos ao pudor praticados por pais que violentam suas próprias filhas e os padrastos, as enteadas, engravidando-as, sem a mínima compaixão e respeito aos inocentes seres humanos. Hoje, sem duvida alguma, esses são os crimes do momento e um desses, que ocorre entre parentes consangüíneos e que se inclina para a prática de ato ilícito mais covarde, está o incesto. As veiculações dessas notícias envolvendo esse tipo de conduta contra menores trazem a certeza da atenção do publico e consequentemente, intensa discussão sobre o tema. Descartando o debate sobre a influência da mídia na sociedade, considerada detentora do “quarto poder”, pode-se dizer que o certo é que as chamadas referentes ao assunto em  tópico se tornam uma sensação da atualidade.   Basta ver o desespero do apresentador Luiz Datena quando se vê diante destes fatos estarrecedores que, em certos momentos, angustiado diante de tanta tara humana, diz aos telespectadores: “Me ajudem aí ô!...”

A maldade e desrespeito humano extrapolam os limites da insensatez. Outros noticiários destacam pessoas nefastas em busca do dinheiro fácil explodindo caixas eletrônicos; motoristas embriagados atropelando e destruindo vidas e ficam impunes; marido espancando esposa; filhos matando pais e vice-versa; pessoas assaltando e atirando à queima-roupa, sem piedade ou dó; outras matando e degolando suas vítimas apenas para  sentir o prazer de ouvir o gemido do desafeto. Onde vamos parar? Quando falo de tudo isso, chego à conclusão que até o crime de colarinho branco está ficando em desuso, apesar de que, se analisarmos sob a ótica política, poder-se afirmar que, se compararmos a uma calça jeans,  este assunto jamais sairá da moda.

O título do preâmbulo, quer queira, quer não, é o grande assunto do momento e a imprensa escrita e   televisiva sabe disso. As manchetes apontam nesse sentido e até certo ponto, com muito sensacionalismo, sem resultado prático, principalmente quando se trata de crimes praticados por políticos, padres, pastores, professores, advogados, empresários, militares, agentes públicos, e assim por diante.

Quando o estupro é noticiado pela mídia, a população exige formas de punição ou pelos menos prisão perpétua dos envolvidos. Então, a atenção dada a esses casos repercutem de forma intensa, principal-mente quando de fala de jogos do azar. Mas, quando se trata de pedofilia, estupro de menores e casos de     violência sexual com filhas e enteadas, não se sabe como agir, apesar do sentimento de revolta que toma conta da população. O pedófilo raramente mantém relações sexuais com penetração. Os ataques sexuais contra crianças se iniciam geralmente de uma forma verbal ou exibição do genital, ou podem consistir em acarinhar ou “bolinar” as crianças com toques nos órgãos genitais. De outras formas, vendo e      exibindo fotos pela internet sempre sendo acariciadas, seminuas ou despidas, muitas vezes, fotografadas    e cenas horripilantes gravadas em vídeo por eles mesmos. Dizem os especialistas que essas pessoas são incapazes de encontrar satisfação sexual em uma relação adulta.

O estupro e o incesto diferem da pedofilia porque eles são praticados de forma violenta sem a aceitação da vítima. Percebe-se, claramente, que temos um grave e sério problema a enfrentar. Essas doenças  psíquicas são de difícil tratamento e tais abusos sexuais estão se alastrando cada vez mais, cujos efeitos, após os atos libidinosos, abusos sexuais, estupros, trazem doenças físicas e psicológicas extremamente  danosas para as crianças e adolescentes. O pior é que essas pessoas passam sempre despercebidas pela família em relação à tara. Muitas vezes se encontram próximos à criança e aproveitam da ausência da mãe e da sua própria inocência e fragilidade para satisfazer seus instintos sexuais.

Diante dessa situação periclitante, conclui-se que estamos diante de um grave e sério problema que deve ser debatido urgentemente pela sociedade, pelas organizações não governamentais, pelas igrejas, não importando qual o rito religioso e com a participação ativa dos três podres da República Brasileira, para que as condutas e punições dessas pessoas sejam realmente mais severas. De outra parte, pode-se evitar  com essas ações conjuntas a degeneração da família que a cada dia está ficando mais longe de Deus, assim como,  evitar também que as crianças abusadas por esses  desequilibrados  mentais se calem e venham, futuramente, sofrer conseqüências   psicológicas irreversíveis e marcas emocionais e profundas para sempre.

Santa Missa no Altar da Humildade

terça-feira, 13 de março de 2012

“E revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”  (1.ª Pedro: 5.6)

Hoje ao escrever esta crônica lembrei-me da primeira missa realizada na Paróquia Santa Terezinha que infelizmente naquele dia não pude estar presente. Passaram semanas e restabelecido de um procedimento cirúrgico compareci no último domingo e com o coração em júbilo, vi o Padre Luiz Augusto mesmo num altar improvisado, montado em um ginásio de esportes ao lado da Paróquia, celebrar com alegria a missa diante de uma grande a multidão de fiéis. Antes de chegar ao local, passei por algumas ruas do Setor Expansul e a cada instante sentia um clima de alegria abater  sobre aquela comunidade e no rosto de cada um, estampavam sorrisos de satisfação em face da presença do Padre Luiz, que de alguma   forma deu vida nova àquele longínquo bairro. Ao adentrar no ginásio senti nos olhares dos irmãos o prazer imensurável de compartilhar daqueles momentos ímpares: clamar  e buscar incessantemente a presença de Jesus Cristo. Hoje, sentado diante do monitor e manuseando o teclado do computador para escrever esta crônica, senti-me imbuído de um sentimento incomum e assim, resolvi transformá-la em uma obra poética, ao invés de falar em sofrimentos e invejas que pairaram em nossos pensamentos e  corações durante a grande jornada que empreendemos para o retorno do Padre Luiz. Veio à minha mente a questão do trabalho de evangelização realizado por ele que estava impedido por aqueles que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um cargo socialmente mais valorizado dentro da igreja e o poder da caneta nas mãos. Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe de quem estou falando?”

Ao questionarmos algo que a religião católica põe em prática, mas, muitas vezes não pratica e até proíbe, de certa forma jamais vamos entender quem vai ser escolhido para depois expandir de vez o evangelho. Talvez não seja de nosso conhecimento que haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, como a sístole e diástole. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos,  inseriram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso quando se fala em punição a um sacerdote, a ciência tem isso como hipótese e a religião católica como tese e    definitiva. E nesse mundo complexo podemos afirmar que pertencemos a uma galáxia impura, que é uma entre milhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer se não nos tornamos humildes, não respeitarmos a natureza e os desígnios de Deus. Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora os cientistas chamam de estrela-anã, o Sol e Deus o criou para nos dar vida, assim como ao nosso Planeta Terra. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz   própria, nove ao todo, ou talvez, oito sei lá!

Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para existirmos aqui na Terra. E isso é que é um Deus, que entende da relação custo-benefício! Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para ele existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica. Gente que tem inveja de outra só porque ela se destaca melhor na sociedade em que vive, e essa pessoa sequer tenta calçar as sandálias da humildade, muitas vezes sequer enxerga o seu próprio umbigo e nem se desculpa por seus próprios   erros e desatinos.

Permita-me caro irmão e leitor defender mais uma vez o Padre Luiz Augusto. Ele em sua trajetória de sacerdócio sempre pautou em servir a sua comunidade e não ser servido por ela, e em sua sabedoria cristã, continua clamando a Deus para que não o deixe desistir de ser padre; que não o deixe esmorecer diante das adversidades que surgiram e possam continuar surgindo; que  povo cristão não seja novamente prejudicado e que aqueles que acreditam no seu esforço de evangelização  e naquilo que  realiza em prol de sua comunidade, não sejam em vão; que Deus o mantenha distante de todas as maledicências, arrogâncias e invejas, e definitivamente,  receba a injeção da esperança, do amor e da fé, para que possa continuar construindo o altar da humildade, pregar com sabedoria, ensinar ao povo  o caminho da retidão, a amar ao  próximo e a estender a mão a quem precisa.

interlocutor espiritual esse abnegado paladino da fé que há mais de quinze anos vem  evangelizando  usando o altar da  humildade. Por fim, não poderia deixar de agradecer ao padre Castro por ter acolhido com carinho o Padre Luiz e todos os seus irmãos de fé.

Níqueis Caíam em Cachoeira

terça-feira, 6 de março de 2012

Dia perfeito para uma caminhada matinal. O quintal da fazenda Bela Vista estava sombreado por imensas árvores que amenizavam o calor causticante, mas a hora de voltar chegara, pois não podia caminhar por muito tempo por ordem médica como fazia anteriormente, no entanto, para a minha sorte, a pequena estrada  que levava ao pequeno riacho estava  plana e sem poeira; tudo  muito perfeito até alguém  ao passar por mim  injetar-me uma dose de insatisfação:  um boiadeiro montado num cavalo baio, interpelou-me dizendo em voz alta que uma organização que explorava jogos ilegais tinha sido desmantelada pela Polícia Federal e entre os suspeitos estavam um tal de Carlinhos Cachoeira e muitas outras personalidades  ilustres entre civis e militares. Relutei um pouco a acreditar. Ao final da prosa, sentindo o conhecimento político daquele matuto, restou-me ficar estático e pasmo em relação aos nomes dos envolvidos. Despedi-me e voltei o olho para o lado esquerdo da estrada e a poucos metros uma pequena, mas imponente cachoeira me esperava. Era costume quando ia à fazenda visitar aquele local aprazível. Ainda atônito com a notícia, desci sobre o barranco acalentado pelo som da água que caia mansa sobre o poço e naquele instante eu mais parecia um menino que sentia a perda de seu pirulito tomado por um pivete. Olhei para os raios de sol que passavam retalhados entre os galhos daquelas árvores milenares e pensativo, me lembrei dos conselhos e exemplos de honestidade dados pelo meu saudoso pai e saudosa mãe que me mostraram o caminho da retidão, ensinando-me a fazer o bem sem olhar a quem.

Pensativo, fiquei olhando as águas e de repente, por encanto, no meio daquele grande volume de água vislumbrei grande quantidade de níqueis que caíam em cachoeira misturando-se a rostos conhecidos e estranhos naquele espelho d’água, e com eles, insígnias, boinas, coturnos, coletes, distintivos e armas de todos os calibres também iam se desprendendo das emaranhadas máquinas caça-níqueis, enquanto viaturas recolhiam uma a uma. A Polícia Federal no intuito moralizador ia enquadrando os usuários daquelas parafernálias eletrônicas nos crimes de corrupção ativa e passiva, facilitação ao contrabando, contrabando, violação de sigilo, lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha. A cachoeira, naquele momento inusitado e surreal, ficou poluída e no poço, formou-se um lamaçal. Estupefato, olhando para o sol ainda matinal, questionei: O que leva um empresário ou uma pessoa graduada a fazer isso? Que exemplo está dando a seus filhos? Será que esse tipo de pessoa não importa com nada, apenas com o ganho fácil? Será que esse tipo de ação criminosa faz parte de sua índole, ou sua personalidade já faz parte deste mundo profano?

Olhei novamente sobre o espelho d’água enlameado e vi meu rosto refletir sobre ele. Ainda foi possível ver meus cabelos com as pequenas mechas brancas e o rosto carcomido pelo tempo, que trazia sinais de muita luta, alegria, dor e saudade; foi possível meus olhos verem as águas revoltas por receber aqueles incômodos detritos,  e perdido dentro de mim mesmo, tentava enxergar o impossível para salvá-la daquele lodaçal, mas tudo que planejava era em vão; o meu cérebro cansado de tantas labutas também quedou-se  diante de tantas mazelas; o meu coração extenuado de dor, tentava compreender porque  pessoas de fino trato social  passam a pertencer a uma organização criminosa altamente sofisticada no afã de proteger o líder maior  e os exploradores da jogatina no Estado, assim como, nas operações criminosas, onde recebem,  dele ou deles, em troca,  as famigeradas propinas, cujo valor variava de  acordo com a função do agente público ou a patente militar. Esse grupo de pessoas inescrupulosas estava infiltrando em todos os setores da administração pública deixando o Estado vulnerável.

Naquele momento de tortura surreal, outras situações pitorescas continuaram acontecendo, todas caindo sobre aquela cachoeira.  Eram rostos de Ministros, prefeitos, mulheres fiscais da receita federal e primeiras-damas, todos e todas carregando dinheiro na mão desviados do setor público para comprar mansões, carros importados, vinhos, uísque, rações  para  cachorro, compras em supermercado, lingerie e tantas outras mazelas. A água já raivosa parecia querer romper-se junto às pedras pontiagudas ante a corrupção generalizada que ali passava, ainda mais tratando ato de corrupção praticada por mulher.  Segundos depois, caía desembestada uma sucata giratória - a montanha-russa do Mutirama, - infestada de vírus corruptos que contaminou toda a água, transformando aqueles rostos que caíam em cachoeira em espectros humanos travestidos de sorrisos irônicos.

E quando menos esperava apareceram outras situações horripilantes envolvendo políticos renomados, tanto do alto como de baixos escalões do governo. Denúncias estarrecedoras e de repercussão nacional, que me deixou envergonhado e com certeza toda a sociedade estupefata e boquiaberta. Analisando a situação em tela que gerou aquele impacto surreal e assustador, entendi que no homem político a fraqueza de sua natureza humana tende a distorcer a personalidade do seu cargo e do poder e o leva, enquanto autoridade em função pública, a apropriar-se privadamente dos poderes inerentes ao  cargo e não à sua pessoa. A cachoeira parecia querer me envolver e mãos enlameadas saiam do fundo do poço tentando me puxar para dentro, mas, graças a uma força estranha talvez movida por uma noite mal dormida e a freada brusca de carro acordei. Com o corpo suado, levantei-me da cama, fui à janela, olhei o sol que já nascia soberbo no horizonte e respirei fundo. Tudo fora apenas um sonho. Graças a Deus!

Navegando no mar das emoções

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tem momentos em nossas vidas que devemos parar e observar as obras construídas pelo ser humano as quais muitas vezes são construídas em caminhos    tortuosos e nos levam a destinos incertos. Passamos por esses caminhos e      subimos os degraus da vida até alcançar os limites oferecidos por ele no afã de alcançar aquilo que almejamos. No último degrau vislumbramos sonhos possíveis e impossíveis, ilusões e desilusões, saúde e doença, alegrias e tristezas, amor e desamor, mas, embebidos de sentimentos verdadeiros ao alcançarmos esse degrau podemos   encontrar remédios para curar o mal, amenizar as emoções e as dores que nos incomodam, assim como, nos facilitar a embarcá-las numa nau blindada de todos estes sentimentos que corroem a nossa alma, fadigam nosso espírito, ferem e apoquentam nossos corações, e em alto mar, podermos desvencilhar de tudo isso e livres, aproveitarmos a primeira onda sem emoções que certamente nos levará ao encontro do   amor, da paz, da felicidade e consequentemente,  termos de volta o tempo consumido para que possamos  suscitar os momentos vividos e refletir.
Vivemos em meio a um mar de incertezas e, para fazermos essa longa travessia e chegarmos a um    ponto de equilíbrio pleno, precisamos de uma embarcação realmente forte e blindada acoplada de discernimento. Além disso, sem amor e alegria a nossa travessia se tornará bem mais complicada, pois  nossos rumos são determinados por nossas escolhas que são filhas de nossos pensamentos, sentimentos e energias. A embarcação em que propomos navegar e fugir do mar das emoções possui a cor do que somos.
Depois de passar por momentos cruciantes num leito de hospital me deu vontade de escrever e enviar esta mensagem aos amigos, amigas e companheiros de trabalho e a todos aqueles que navegam no  mundo virtual. Enquanto as letras iam se acumulando na tela do computador senti que minha massa cefálica estava acelerada e que minhas energias estavam todas concentradas na cabeça dada a preocupação de levar esta mensagem de forma  explícita, concisa e que pudesse trazer bom discernimento também aos leitores. Isso é comum depois de passar por um momento crítico de saúde, mas, acredito que isso não ocorre somente comigo, outras pessoas que estão na mesma situação ficam assim, até a mente processar que é época de descanso e renovação. E consciente desse mecanismo é que concentrei  toda a atenção para dentro da região recôndita de meu cérebro e do meu subconsciente para extrair deles o  máximo, para posteriormente, descansá-los no berço da consciência de modo que os pensamentos deixassem de pressionar o cérebro com sua agitação.  Senti o prazer de descansar a mente em meio às forças vitais abundantes acumuladas no cérebro e foi aí que percebi dentro de mim mesmo uma energia intensa se expandindo, e gradativamente, fui sendo tomado por uma sensação de suave contentamento. Então, lembrei-me de vários parentes e amigos que rezaram por mim e assim pude emanar do próprio peito, um coração renovado, cuja intenção ao escrever estas pequenas linhas foi de dedicar a todos augurando votos de muita paz e luz em suas vidas.
Ao elaborar este texto resolvi compartilhar a luz d'alma de cada um porque sei que ela enriquece os  relacionamentos e equilibra as energias nos centros vitais. Visitar a alma da família, dos parentes, amigos e amigas com toques silenciosos de paz e luz é o verdadeiro presente que recebemos quando conseguimos alcançar o último degrau da vida. Cada palavra que digitei refletiu no monitor um carinho que permanecia alguns segundos nessa condição de contentamento íntimo, e no final, percebi o quão é difícil de explicar por palavras. Continuei digitando e o amontoado de letras acabou formando este pequeno artigo e ao encerrá-lo, senti uma paz interior, minha expressão e o meu olhar ficaram  cheios de contentamento e brilho.  Então, comecei a perceber que essa vida pulsante, dentro e fora era necessária e que em nenhum instante ela desistiu de mim e entendi que para amar não é preciso ler livros de romance, poesias, doutrinas ou livros pesados, carregados de dogmas absurdos. Para amar basta navegar rumo a Deus e ter amor no coração. 

A volta do Paladino da Fé.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quando menino a presença de heróis era uma constante em minha vida. Naquela  fase, a imaginação era muito fértil que me permitia ser  o que queria. Bastava sonhar. O herói que imaginava era mais que uma representação da grandiosidade do potencial humano. No fundo sabia que podia ser muito mais do que aquilo que estava manifestando no momento. Naquele tempo, mesmo assistindo filmes em que se despontavam grandes heróis, o meu, por incrível que pareça, era o Padre Otávio, uma pessoa de um carisma impressionante, disciplinador e excelente educador, e talvez, tenha sido a sua capacidade de evangelizador que me fez tornar um católico fervoroso e obediente aos princípios cristãos.

O meu inconsciente dizia que eu possuía potencialidades latentes, que não trabalhadas, se atrofiavam mantendo vivas as imagens de muitos heróis, cavaleiros andantes que defendiam o povo oprimido e  perseguido por seus governantes.   Quantos paladinos mostrados em filmes americanos e que muitas vezes nos deixavam admirados pelos seus feitos, por mais que as cenas fossem irreais.

Da mesma forma em que admirava alguns personagens de cinema que salvavam vidas de pessoas, admirava também o Padre Otávio que salvava o homem do pecado e como bom pregador, faziam  todos seguir o caminho de Cristo, tornando-se o meu primeiro paladino só que ele era de “fé em Cristo”. São lembranças que guardo com carinho em minha mente. Hoje, adulto, continuo apreciando aqueles que realizam grandes feitos em alguma área que ele julga importante e salutar ao bom convívio da sociedade organizada. Na verdade, o herói vivente hoje é alguém como nós, mas que jamais aceitou a imposição da sociedade que não consegue realizar certas coisas possíveis, mas não fazem nada em prol do bem comum porque se acham donos da verdade e não calçam as sandálias da humildade. Aquele paladino da fé foi para outra dimensão, mas mantém acesa a identificação com aqueles bravos cavaleiros andantes que eu tanto gostava quando era jovem e que gerou em mim a força necessária para defender os injustiçados, os oprimidos e ajudar aqueles que lutam em prol de grandes obras sociais e evangelização, mas mesmo assim não são respeitados. Hão de se convir que pessoas que aceitam imposições nefastas e prejudiciais a uma sociedade organizada acabam por perder força, voltam à faixa da mediocridade e passam a ser anormais como às de pessoas que convivem ao seu lado.

Em Goiânia há vários meses vêm ocorrendo um fato pitoresco. Um padre com liderança, carismático, com retórica capaz de aglutinar pessoas fora afastado de suas funções pela Arquidiocese de Goiânia, sem qualquer justificativa plausível, deixando atônita uma comunidade composta por mais de quinze mil     pessoas, cujo ato, foi feito por mero capricho de um Bispo, que talvez, nunca tenha sentido de perto o calor humano, o cheiro de um povo verdadeiramente cristão e ou mesmo, tentou salvar vidas pregando a palavra de Deus. Talvez, falta-lhe o dom da retórica ou pode ter sofrido no início de sua vida de semina-rista chacotas e humilhações de colegas e que hoje tenta descontar no humilde sacerdote Padre Luiz  Augusto, amordaçando-o e retirando-lhe o que lhe mais é precioso á igreja católica: o dom da   palavra.

A inveja corrói a alma, torna duro o coração e cegam aqueles que têm olhos, mas não querem enxergar a  verdade e a força de um evangelizador nato, e nesta parte, como mandatário-mor da Igreja Católica em Goiás, o Bispo e seus conselheiros de plantão deviam realmente calçar as sandálias da humildade e entender que não é esta a postura de um cristão e não é isto que a Bíblia ensina.

Sabemos que Dom Waldemar também teve seus privilégios e benesses de ser transferido para Brasília, estudar no exterior e ir a Roma para concluir seus cursos e doutorado e por isso tornou-se Bispo aos quarenta e cinco anos o que lhe facultou fazer essa grande travessia dentro da igreja católica. Entretanto, aqueles que atingem um estado superior de consciência e depois se determinam a ensinar outras pessoas uma mensagem deve estar realmente preparada para tal sobre o manto da humildade, sapiência cristã e respeitar aqueles que evangelizam nas mais longínquas regiões, sem apego a luxos e ambições de se tornarem Bispos ou outra graduações maiores dentro da igreja católica.

O nosso herói ou paladino da fé como o chamamos, como se vê estampado na capa do jornal Diário da Manhã e outros,, é o Padre Luiz Augusto que numa demonstração de humildade aceitou mais uma vez ser submisso à Arquidiocese, mesmo sendo nomeado como padre auxiliar na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, localizada no setor Expansul no município de Aparecida de Goiânia.  Realizou a    celebração de forma tradicional e os fiéis acompanhavam usando impressos fornecidos pela Arquidioce-se, que não permitiam o Padre usar toda sua eloqüência de grande pregador.  Antes da celebração, como disse o jornal, ele foi ao lixão de Aparecida onde realiza trabalhos sociais, levando médicos, dentistas, alimentos e brinquedos e no final da tarde, quando se preparava para celebrar um casamento em Goiânia, foi impedido pelo padre local que dizia ter determinações para que ele não fizesse a celebração. Humilde, assistiu o casamento do casal amigo sentado no altar. Um absurdo!  Como forma de humilhá-lo mais uma vez colocou-o como padre auxiliar de outro que tem apenas três anos de sacerdócio e ele tem mais de quinze. Então pergunto: por que não colocaram o Padre Luiz numa paróquia desprovida de padres e que são muitas em Goiânia?
O padre Luiz Augusto na sua perseverança e amor a igreja católica me fez lembrar de Padre Otávio, que nos tempos idos, já era meu paladino da fé.  Naquele dia memorável ao ver o povo saindo de vários  bairros da Região Metropolitana de Goiânia  para assistir  a missa do Padre Luiz numa paróquia que não comporta mais de duzentos e cinqüenta pessoas me senti em júbilo, mesmo não podendo estar presente em face de minha enfermidade. Ao ver aquele povo de Deus extravasando sorrisos de alegria foi possível constatar  que, quanto mais a Arquidiocese ferir dignidade e humilhar o Padre Luiz  os fiéis e admiradores crescerão e ficarão mais próximos dele do que possam imaginar, e isto foi provado na   primeira missa celebrada da Paróquia  Santa Terezinha no último dia 12 de fevereiro, onde compareceram mais de quatro mil pessoas, não contabilizadas pelos fiéis e sim, pela Polícia Militar e imprensa goiana. Então, senhores mandatários da Igreja Católica, rogo-lhes, não tomem mais atitudes preconceituosas, humilhantes e não nos proíbam de admirar pessoas como o Padre Luiz Augusto que sabe evangelizar como nunca. Entenda de uma vez por todas que o povo que o acompanha recebe dele sábias palavras, carinho, afeto e nos leva para o caminho da luz, e percebendo isso reverendíssimos, podem ter a certeza de que todos ganharão. Façam deste paladino da fé e de tantos outros padres que sabem evangelizar e aglutinar pessoas as nossas fontes de inspiração para que um dia possamos despertar deste pesadelo e encontrar dentro de nós mesmos as potencialidades desses paladinos.

 
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