Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Será que Deus tem FACEBOOK?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Certo dia li um pequeno texto onde uma pessoa postou uma frase dizendo que ao invés de agradecimentos a Deus através internet ela preferia orar ou ir à igreja, afirmando, ao final, que Deus não tem Facebook. Concordei em parte quando ela disse que ELE não tem Facebook e sabe por que concordei? Concordei porque Deus está em todos os lugares, até na internet. Concordei porque Deus é a força que nos une e orienta nossas palavras. Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Os seres humanos, de certa forma, também. Para muitos cientistas Deus é a lei que governa o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão, mas quando sofre um acidente as primeiras palavras que surgem são: “Meu Deus do Céu!” “Minha Nossa Senhora!” Para nós, crédulos, Ele é simplesmente o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, mas Deus habita também em quem o ama". Por outro lado, se cada um de nós é livre de dizer o que entende sobre uma notícia, o comportamento de uma figura pública ou a atuação de um amigo próximo, é fundamental que tenhamos o bom senso de parar para pensar no possível impacto que pode causar nossas palavras ou postagens. Ao escrever, eu penso assim, eu faço sempre assim. Especialmente quando as “notícias” estão longe de me dar certezas sobre o que realmente aconteceu. Portanto, não deixe de postar suas orações ou enviar mensagens pelo Facebook ou outro meio de comunicação sobre coisas Divinas; mensagens de amor, paz, fé e esperança aos seus semelhantes. Você não sabe o quanto que faz bem às pessoas que estão do outro lado da telinha, às vezes acamadas, enfermas, sem nenhuma condição de irem à igreja. Apascente o seu coração, não carregue pesos além do que seus ombros possam suportar, e não os sobrecarregue e nem se torture também se alguém te criticar por publicar mensagens de amor e fé, pois quem poderá machucar no meio do cominho não é você e sim, quem não consegue levar mensagens bíblicas ao seu semelhante.

Quando estiver diante de um texto, seja ele acompanhado de imagens ou sem imagens, a melhor maneira de tentar se antecipar a um possível adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "Será que o Deus dele é o mesmo meu!” Será que ele pensa da mesma forma como eu penso? "Difícil não é caro leitor? O cérebro humano é uma máquina, particularmente complexo e extenso, principalmente quando se trata deste assunto.

A prudência está em priorizar o que realmente valerá a pena carregar, pesos desnecessários só ocupam espaço e gera cansaço aos ombros. Divulgue somente o que te faz bem, lute somente pelo que te faz feliz, corra somente atrás de seus sonhos e busque se puder somente de Deus. Sabe caro leitor, sempre procuro não desfiar minha vida ou esmiuçar minhas palavras, não sou de falar muito, tenho aprendido a preservar o que cabe somente a mim, e com isso, talvez, tenho me protegido da maldade, julgamento e inveja alheia, e sou feliz assim... Sou tão sincero que não sei fingir o que não sou.

A interpretação do que escrevo cada um poderá fazer, mas me preocupo é com que Deus poderá pensar ao meu respeito ou daquilo que escrevo. Quando escrevo, priorizo me agradar primeiro, pois assim me farei feliz todos os dias, mas nunca me esqueço de levar uma mensagem de fé e esperança ao outro lado da telinha. Não sou perfeito e nem sempre acerto, mas sou uma pessoa imperfeita que apesar dos erros, tenta acertar... Faço de minha história um livro aberto, onde só sabe e vive comigo quem me ama e me quer bem... Procuro ser o protagonista de minha história, mas o autor certamente é Deus. E pode acreditar que no meio dos emaranhados de letras posso estar indicando um caminho a seguir, caminhos que podem existir flores, e às vezes, serem mais bonitos do que aqueles que você procura seguir. Não se iluda com caminhos largos e cheios de cores, pois tudo que vem fácil escapole da gente fácil. O caminho que tem pedras, também tem belezas, afinal, as rosas também têm espinhos, e não deixam de ser lindas e de suave aroma. Vá, compartilhe suas vitórias e derrotas com seus amigos, trilhe o caminho cheio de pedras, pois elas lhes servirão como alicerce, e quando chegar lá no fim entenderá que as pedras eram o impulso que você precisava para chegar mais longe.

A vida é uma caminhada longa, onde poderá ser o mestre e aluno... Tem dias que escrevemos, ensinamos e voltamos a escrever, postamos textos, mas nem todos têm a capacidade de entender ou aprender. Sábio é aquele que sabe que sempre tem algo para ensinar, mas terá muito mais a aprender.

Sabe de uma coisa? Não espere das pessoas e não pense que elas serão iguais a você em relação ao modo de agir e sentir, porque criar expectativas só nos leva a decepção e nos machucam. Algumas pessoas gostam de praticar o "egoísmo" e acham que não precisam usar reciprocidade com o próximo... É ruim, sabemos, mas vale muito à pena desapegar, não se importar, precisar ao nosso lado somente de quem nos ama e acima de tudo, nosso Pai Celestial... São essas pessoas que jamais irão nos decepcionar porque tem bom senso. Enquanto praticamos o desapegar, priorizamos a nossa felicidade, evoluímos e crescemos quando percebemos que não precisamos de quantidade para ser feliz, mas de qualidade. Talvez tudo isso faz parte da palavra chave.

No mar da vida ou no mundo virtual a gente não precisa navegar só, aliás, sozinho não chegaremos a lugar nenhum... Clame a Jesus e se tens vontade da fazer através da internet faça e peça para Ele subir em seu barco, lhe ajudar a escrever uma mensagem de fé, te ensinar a manusear os remos quando você estiver cansado, te acalmar diante da tempestade que tenta te afundar, parar o vento que tenta te atingir e não te deixar desanimar diante das adversidades da vida. Confie a Ele o controle do seu barco digital ou não, e pode ter a certeza de que será guiado em águas tranqüilas e em paz chegará ao seu porto seguro, pois é lá que estão suas vitórias, então, irá olhar para o mar que atravessou e dirá: "Foi difícil, mas Jesus esteve sempre comigo controlando minha vida, as palavras digitadas nesta parafernália eletrônica, assim como, no meu barco imaginário”. “Eu Venci.”


O poder maledicente da lingua

quinta-feira, 23 de julho de 2015

                                                                       Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo.
                                                                                                                                                                                                                      (Mateus 12:36)
Geralmente uma pessoa dinâmica, vencedora, bem quista na sociedade e que possui muitos amigos, reconhecidamente produtivos, inteligentes, bem sucedidos, tanto na vida pessoal como profissional, causa inveja a outros. Então, você que está nesse estágio da vida, é bom ficar alerta, esperto e observar mais os atos das pessoas que o cerca e que se dizem amigas. Certo dia, alguém que sofrera calúnia me pediu que elaborasse um artigo e comentasse sobre essas pessoas que costumam falar mal dos outros pelas costas. Sensibilizado com aquela pessoa que se sentia hostilizada e até porque em nossa sociedade é comum ouvir isso, escrevi este pequeno texto e o enviei no afã de fazê-la entender que realmente deve ficar mais atenta, observar mais, olhar fixamente nos olhos das pessoas, principalmente nos daquelas que porventura a fofoca ou impropérios chegaram ao seu conhecimento, no entanto, por mais que procurei fazer isso, de saber que a pessoa que me pediu era e é justa, amiga, pratica o bem sem olhar a quem, infelizmente cheguei à conclusão que talvez de nada adiantasse, pois do outro lado ainda existem pessoas que carregam esse hábito, ou para ser mais direto, o péssimo habito de falar mal dos outros pelas costas. E não é só falar mal. É falar mal sem motivo.

Não importa o lugar em que elas se reúnem, pode ser numa entidade cultural, em mesas de bar, durante uma confraternização qualquer e ou mesmo em organizações nas quais participam e lutam para o seu desenvolvimento. É público e notório que o hábito de falar mal dos outros está presente em todas às áreas da sociedade cotidianamente. É de abismar! Somente quem já foi vitima de fofocas sabe o mal que esta prática causa e os traumas que deixam na vida das pessoas. A fofoca abre verdadeiras feridas na alma dos que são vitimas. É infinitamente enorme o numero de fofoqueiros que habitualmente temperam suas “historias” com pitadas de veneno. Sem pensar duas vezes, a moral, a ética e o bom costumes dos outros são postas em cheque; pessoas maldosas que se julgam juízes chegam ao ponto de até querer decidir ou tentar influenciar o destino de alguém.

Caro leitor: Quanto é difícil a gente ver numa rodada de conversa predominar o elogio, alguém falar bem de outro, enaltecer suas virtudes. Quem conversa muitas vezes esquece-se de falar dos seus próprios defeitos. Para ele não tem graça elogiar o outro, não fica interessante. Pode até causar certo mal-estar. Geralmente quando alguém faz um comentário elogioso, ele próprio ou alguém fala logo em seguida: "Ah, Fulano é ótimo mesmo, mas também tem esse outro lado assim, assim, assaz…" Outras ainda dizem assim: tudo que existe neste local aqui fui eu que realizei, é obra minha, mas na realidade, apenas quer se vangloriar de uma coisa que nem foi ele que fez e jamais conseguirá fazer. É, e quanto a isso, a pessoa que me solicitou que elaborasse este texto, ao ouvir falar mal de uma pessoa amiga, disse que até se sentiu mal porque ela o conhece, sabe o que ele realizou e continua realizando, além é claro, de conhecer bem o caráter dele.

Pessoas que falam mal das outras, não posso precisar o percentual, são absolutamente infelizes, afinal, alguém que tem como sua maior preocupação a vida alheia, além de não ter o que fazer deve realmente ser muito infeliz. É comum pessoas assim, serem potencialmente um vulcão de mentiras além de não pouparem ninguém. Falam mal do chefe, do companheiro de trabalho, da faxineira, do mecânico, do médico, do operário, do irmão, do amigo e algumas chegam ao cúmulo de falar mal até dos próprios pais. Confunde sem a menor cerimônia os indivíduos e suas funções, não diferenciam o homem do profissional. Na Bíblia, Salmo 34:13, encontramos este provérbio: Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem dolosamente”.

Particularmente conheço algumas pessoas que tem esse péssimo hábito, e que faz do falar mal dos outros, o seu verdadeiro emprego, ou mantença dele. Esta pessoa vive tão envolvida com a fofoca que chega mesmo a acreditar no próprio engodo. Aliás, ultimamente, pessoas já dissertam impropérios até sobre minha pessoa, algumas que já me conhecem há anos, outras, sem ao menos ter o prazer de conviver comigo ou me conhecer melhor. A pessoa que tem como hábito, esse tipo de conversa que exala veneno, atribui cinicamente todos os seus fracassos ao sucesso alheio e a sua maior realização é obter êxito ao tentar ofuscar o brilho de outras pessoas.

Como o que colhemos é exatamente o que plantamos, costumeiramente, gente assim vive muito mais que as outras, desta forma seu sofrimento também é maior e de uma intensidade sem limites. Isso a gente presencia todos os dias, como alguém que poderia dizer-se que era seu “amigo”… mas, no entanto… Todavia, infelizmente, existem pessoas que nunca mudarão, pois não conseguem calar-se, colocar um zíper na boca, e fazem do ódio, do rancor e da inveja o eterno combustível de suas vidas. É bom lembrar que todo e qualquer acontecimento, tem no mínimo duas versões e não devemos jamais, deixar passar a oportunidade de ficarmos calados quando não sabemos realmente dos fatos ocorridos. Assim, além de sermos sensatos, evitamos a injustiça e a maledicência. Em geral as pessoas falam dos inimigos publicamente, já dos amigos, só pelas costas.

Fofocar nada mais é que uma necessidade de se elevar e isso são feito à custa do rebaixamento alheio. Esse comportamento é fruto da competição e da inveja. O prazer de falar mal de alguém existe porque equilibra o mal-estar do invejoso diante da alegria, do sucesso ou da competência do outro. “Queria estar no lugar do seu colega”… O maledicente sofre de profunda inferioridade, não suporta o brilho das outras pessoas. Por não ter luz própria, só consegue brilhar roubando a luz do outro, se tornando um intrigante personificado. Esses infelizes devem ter tomado aulas com Maquiavel, tamanha a mordacidade que emprega.

Existe um ditado popular que diz assim: “falem mal, mas falem de mim”. Com relação a esta frase eu prefiro que me esqueçam, até porque quem se importaria comigo de verdade, falar para mim, não de mim. E pra ser mais sincero digo que as pessoas que vêm perambulando pelos silenciosos corredores da maledicência, que têm esse hábito, que jamais vêm de cabeça erguida e nem olha nos seus olhos, lanço o desafio de apresentar um motivo, um apenas, de proferir as inverdades ditas contra ti. Contudo, geralmente as pessoas que falam mal, ao serem indagadas do real motivo nos quais ela destila o veneno para com a pessoa, gagueja e não sabe dar a devida resposta. Então, resta-me finalizar dizendo outro texto bíblico: Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua enganadora”. (Salmo 120: 2)


Uma espera tensa, mas prazerosa.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Quando ficamos à espera de algo extremamente importante costuma trazer certa tensão. Esse algo traz à tona sentimentos que exigem da gente muita paciência e dependendo da situação até orações e pedidos ao Pai Celestial.  Quando falo em longa espera ou orações, estou falando do nascimento de meus netos gêmeos Davi e Letícia que estão a caminho, e, enquanto a família os espera ansiosos, para aquietar o meu coração o jeito foi pôr-me a escrever. Logicamente o título ou tema acima foi inevitável e não era pra menos. Essa espera é, sem dúvida, angustiante, mas de certo forma prazerosa; uma espera que requereu de mim muita apreensão, e nessa contagem regressiva o jeito foi  contabilizar o tempo, dias, horas e minutos que restam para o nascimento deles e me preparar pra o que der e vier pela frente, mas certo de que tudo correrá bem e que cada um possa se esforçar o suficiente para dar o seu melhor e no momento certo, tudo venha a ocorrer da forma que todos esperam. Sabemos serem raros esses sonhos – o nascimento de gêmeos, cujas expectativas às vezes não serão condizentes com a realidade em que vivemos.

Ao fim da angustiante ou prazerosa espera, precisamos separar o que é mesmo uma satisfação daquilo que, na verdade, já vinha fazendo parte do nosso mundo fantástico: a vinda de gêmeos, que há meses, de uma forma ou outra, estamos nos preparando para recepcioná-los e que cheguem sadios e ponto final. Nesse ponto final ou fim de uma espera onde algo pode se tornar surpreende de forma positiva, caberá somente aos pais decidirem como criá-los, continuarem acreditando no poder da oração e voltarem a sonhar, sem precisar esperar.

Está próximo o fim da ansiedade da espera, está próxima a sensação da ausência, da expectativa de ver in loco, de tocar naqueles corpinhos recém-nascidos, enfim, aqueles meses de gestação pareciam transformar numa eternidade. Corações vão se amiudar, mas quem pode segurá-los no ninho como se fossem passarinhos empenados que também vêm para contemplar o azul do céu e o longínquo infinito como um mundo novo a ser desbravado?

Distantes da mamadeira e da submissão paterna uma dia ganharão o mundo. Não importa para onde eles irão, afinal, este mundo a eles pertencerão. A força física e a irreverência da juventude lhes serão peculiares. Da beleza sou suspeito de falar, pois ela é herança de família. Quantas foram às noites que, no silêncio de um fingido sono, lado a lado, os pais passaram boa parte rolando de um lado para o outro, pensando como estão as pessoinhas acomodadas no útero com zelo e carinho? E onde a mãe foi buscar tanta força para seguir em frente com a gravidez conseguida por inseminação artificial como se, o seu caso fosse normal como as outras, mas não foi?

Até o nascimento tudo bem. Depois podem acontecer vôos curtos, pois vão e voltam do colo ao berço e vice-versa. Logo crescerão e são dois seres humanos. Vão estudar fora, longe dos olhos e aí o bicho pega. No início, a mãe poderá até tentar controlar a vida deles como se possível fosse. Mas logo ela percebe que seus rebentos querem liberdade, quer ser dono de seu próprio nariz. Quer correr o próprio risco e provar, para ela e para o mundo, que sabe se cuidar e não precisa mais da tutela de ninguém. É nessa hora que eu procuro pensar em algumas palavras apropriadas e ensinamentos aprendidos ao longo da vida. Tais como: “criamos nossos filhos para o mundo, os entregue para Deus cuidar, porque nossa parte nós já fizemos. “Filhos são como flechas: uma vez lançadas, nunca mais voltam ao ponto de partida. “Filhos, nem tê-los, nem perdê-los”. Eis a questão.

O tempo desprendido aos pais é curto. Eles, assim como eu, foram como os meus filhos, têm pressa. Sabem que quando se tornarem adolescentes a prioridade é dos amigos. É pura realidade. Os pais, principalmente a mãe, se contentam apenas com um beijo na chegada e outro na partida, quase sempre no último minuto do segundo tempo, quando já anunciada a segunda e última chamada para o embarque para seguir a estrada de sua vida. Com o coração em pedaços ela diz: Vão com Deus, meus filhos, vivam com intensidade seus momentos porque o mais importante da vida é a largura e não o comprimento, mas fiquem sempre sabendo que estarei sempre à espera.  





Os migrantes

terça-feira, 7 de julho de 2015

Quantas vezes sentimos no coração a vontade férrea de voltar no tempo, reavaliar decisões, ou mudar de atitudes? Esta vontade pode aflorar-se quando estamos diante da felicidade, tristes ou decepcionados com alguma coisa. No que diz respeito aos amores deixados por nós migrantes, isso ganha um peso bem significativo, pois quem migra mesmo saindo de uma região inóspita nunca a esquece… Este modo de pensar pode ser estranho, mas não é, pois quando num final de tarde sentei-me naquele tronco, ainda bem conservado naquela praça, veio à minha memória momentos saudosos, gratificantes e até certo ponto inesquecíveis, e aos poucos, senti-os se desgrudando da minha massa cefálica, trazendo-me lembranças que a borracha do tempo não conseguiu apagar. Ao andar pelas ruas construídas de paralelepípedos, o que parecia esquecido, ia e voltava à minha mente na velocidade da luz, e sem pedir licença, soltava flashes impregnados delas, ora de momentos de alegria, ora de momentos de tristeza, ora de amores, ora de desamores, cujas imagens iam se tornando reais a cada passo, enquanto as que não eu conseguia recordar se debatia na região recôndita do meu cérebro de forma evasiva, surreal, abstrata, contraditória, confusa, que eu não conseguia compreender. Coisas que eu não conseguia lembrar, talvez porque não me interessasse tanto ou sentia que não passavam de idéias vagas que às vezes vinham de uma coisa que achava bonita, não sabia sua forma, não passava de um mero sonho e não condizia com a realidade em que vivia. Difícil é não cair em contradição ao tentar explicá-la agora, pois antevejo que é bobeira minha fazê-lo entender este detalhe nesta pequena folha de papel.

Já vivi cenas pitorescas que pareciam transitar do passado para o presente, mas todas em direção do futuro… Nasci numa fazendinha de meu avô à beira do Rio São Domingos dos Olhos D’água, e quando um dia resolvi retornar, alguém que eu conhecia perguntou: Mas quem é você? Eu te conheço? Será que minha fisionomia tinha mudado tanto e a dele também? Eu já estava com cabelos esbranquiçados, ele não, mas era bastante calvo e o rosto carcomido pelas intempéries do tempo. Era o presente se confrontando com passado. Éramos duas pessoas tentando esmiuçá-lo, desvendar o que passou e que agora estava presente ali a olho nu; que o encontro foi possível de se realizar, pois o passado passou, e naquele instante nada importava, estávamos perto demais para que não nos lembrássemos de nossos rostos, de nomes e apelidos e dos jeitos de moleques que fomos. Os nomes não se mudam somente os rostos e jeitos mudam, porque trazem rugas de tempo e lugares distantes.

Naquele rincão tudo parecia como antes, nada mudara. Terrenos ainda férteis se espalhavam e à beira da estrada ainda se podiam fazer cumprimentos, ouvirem conversas e recebermos abraços fraternos… O tempo que se foi me levou como levaram outras crianças que migraram com as quais eu brincava nas ribanceiras do Rio São Domingos e que hoje a gente não se conhece mais. Com elas ou com todas elas, era quase impossível não compartilhar das alegrias, das brincadeiras, dos jogos e das brigas ocorridas junto àquela areia esbranquiçada que escorou ali na beira do barranco, não seguiu seu caminho e ainda estava lá escurecida por tantos anos sem as brincadeiras de crianças.

Não só eu, mas quantas pessoas migraram ou migram de uma região para outra, mas nada importa agora mesmo sabendo que muitos migraram e somente alguns por questões financeiras não conseguiram retornar ao lugar de onde saíram. Eu fui e continuo um migrante. Ao voltar a minha bela Cidade dos Pomares, como em outros lugares em que vivi, foi possível encontrar gente que ainda dizia: Pensei que nunca mais voltaria a este lugar. Outras, porém, mesmo vendo a distância física se coadunar com outras distâncias, insistem, sonham em rever, cedo ou tarde, o lugar que deixou como eu fiz e faço sempre, mesmo sabendo que coisas nefastas possam estar inundando a minha cabeça para não festejar a minha volta. Mas a volta para alguns pode até se tornar uma utopia, literalmente. Eles podem até voltar para sempre, mas, definitivamente, ninguém retorna para o lugar que deixou, porque só pedaço de antes podem ser encontrados, os quais, se juntados, formam um novo lugar, que é o mesmo, mas que já é outro, mas que ainda é o mesmo… Outras pessoas, mesmo sem saber que reproduzem o mito do eterno retorno, voltam mortas, para morrer, quase sempre, para sempre. Uma morte lenta, bem antes de o coração bater pela última vez.

A dor da morte gela o peito do migrante quando diante dos olhos do passado se olha se pensa e se diz: Nunca o vi, ou não me lembro. Sim, ali, depois de morto, é possível morrer de novo, depois de uma morte há tempo anunciada: o dia da partida.

Se retornarem para sua cidade natal é claro que as ruas serão as mesmas, as casas, talvez, podem não ser, assim como a igreja, que podem estar cercadas por um muro eletrificado, até mesmo porque a cidade cresceu, aumentou a população, os amores, ódios, criminalidades, traições e separações. Nos bancos da praça ainda podem ser ouvidas as fofocas, como também saudações calorosas desejando bom dia, boa tarde e boa noite, que às vezes contrastam com o voo do beija-flor, com os cânticos dos pássaros que fazem das flores, jardins e das árvores o seu habitat.

Quando voltei a minha bela Cidade dos Pomares e sentei naquele tronco que há tempos fora jogado naquela praça, tentei recuperar imagens de um passado distante e ali na quietude da tarde, resolvi deixar de ser um migrante e acolhê-lo, abraçá-lo, e junto com o presente, apresentá-los ao meu futuro, mesmo que a ordem nem sempre fosse tão linear na migração, pois nela se mudam as pessoas, como também mudam os tempos e os lugares: tudo migra ou tudo muda junto, provocando bifurcações em tempos e espaços, em galhos que depois não se juntam mais a não ser quando toda a árvore tomba jogando sobre a terra frutos apodrecidos, folhas secas, galhos e troncos se espalham misturando-se ao chão… Vem o homem pega o tronco, corta-o junto com os galhos, entrelaça-os nos braços e os jogam no fogão à lenha para esquentar-se do frio, e mais tarde, poder cozinhar e servir aos amigos migrantes com esmero um saboroso arroz tropeiro.



Diz o ditado popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Para escrever esta crônica tive que fazer uso de dois personagens: O cego e o vagalume. De fato, ninguém melhor que um cego que sabe como fluir bem e usar movimentos coordenados, sensitivos, pontear sua bengala de alumínio sobre o chão, tudo com um propósito de achar o equilíbrio entre a luz e a escuridão. De outro lado, também, ninguém melhor que o vagalume para entender o quão importante é pra ele a noite e que todo seu ciclo começa justamente com a escuridão, assim como, a noite é o começo do dia e dá lugar à sua luz, o outro ciclo que vale somente para despertar o mundo ao amanhecer. Aqueles que enxergam e até pressentem um perigo, mas se mantém escuridão de seu próprio ser, não estão cônscios de onde estão, ou que existe uma presença de luz com que eles podem se conectar, mas, insensíveis, não conectam. É como se estivessem com os olhos vendados sem o real desejo e a coragem de tentar retirar a venda. O cego, diferentemente do vagalume, vive a escuridão e está cônscio do lugar em que se encontra, não importando o lugar, seja dia ou noite; ele tateia paredes, ouve sons e vozes e sabe onde está; sobe escadas e ainda tem a sensibilidade de enxergar aquilo que a gente não vê. Como diz o ditado popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”, porque ver o que é o óbvio todo mundo consegue, e assim podemos afirmar que vivemos num mundo onde a aparência, fama ou status social contam muito. Mas é pura ilusão! Uma satisfação temporária. Muitos não vêem que os sentimentos são coisas mais preciosas e duradouras do que o egoísmo e a mesquinharia que estão embutidos na ambição de se dar bem a qualquer custo, mas que, como num flash sabem que podem desaparecer num piscar de olhos.

O vagalume desfaz toda essa teoria de cegueira humana, pois quer enxergar, não obstante tenha apenas a noite para testemunhar a sua luminosidade. A luz que sai do seu corpo na verdade, são “lanternas” que usa para iluminar o habitat onde circula. A luz que emite é contínua e com cores que se variam pelo corpo. Então sob este prisma, a experiência vivida pelo cego e o vaga lume precisa ser concluída com eficácia antes que possa haver um ensaio de luz e enseje uma progressão gradual da escuridão para que ela aconteça dentro de cada um de nós, de acordo com o nosso desejo e do nosso poder-viver na escuridão. Existem pessoas que vêem a vida com os olhos da natureza humana, vivem desorientadas e até culpam Deus pelo que acontecem com seus entes queridos, principalmente aos que se vão para outra dimensão ainda jovem, acreditam em tudo que os outros falam, se aborrecem com qualquer coisa, têm medo de tudo, não sabe como resolver os problemas que aparecem, é enganada com facilidade pelo inimigo e vive estressada, pois não acredita que existe um Deus que nos deu o livre arbítrio, mas não nos esquece diante das dificuldades que sofremos diariamente. Só ELE pode nos mostrar a verdade e o caminho que devemos seguir.

Certa noite, ao descer do ônibus, o cego perdeu o seu trajeto costumeiro e andou a esmo. Passou pelo mesmo caminho várias vezes. O vagalume observava aquele transeunte que manuseava uma vara com uma ponta de alumínio para se locomover e condoeu-se. Convocou outros vagalumes formando um verdadeiro exército e centenas de lanterninhas iluminaram a estrada. Sensitivo, que é peculiar aos cegos, contornou a estrada, voltou ao seu trajeto normal e em poucos minutos já estava abrindo um pequeno portão. Foi uma demonstração clara de que não queria ser “o pior cego” tão decantado pelos preconceituosos, que muitas vezes cegam-se diante do seu próprio mundo, tornam incapacitados, limitados ao ponto de não conseguirem repensar suas vidas ou falar sobre si mesmos. A ação dos vaga-lumes e o cego mostram quão poderosos podem ser a escuridão, uns temem a luz porque acreditam que se trocarem a escuridão pela luz, precisam também trocar o poder pela fraqueza. Outros nunca fazem essa escolha não obstante saber que esse é o seu papel na Terra, porque há os que precisam manter a escuridão, visto ser uma escolha que cada um pode fazer, e a escuridão precisa estar presente para equilibrar a luz. Cada um tem o seu contrato firmado com o destino e o compromisso para o bem servir e isto são pura verdade. 

Há pessoas que só escolhem a luz porque temem a escuridão. Há pessoas que adotam a paz e a quietude da luz, mas ignoram o seu poder, porque acreditam que o poder faz parte da escuridão. Entretanto, ambas as energias têm poder, mas, ditam normas e modos diferentes. O poder da escuridão é controlador e maléfico ao ser humano; o da luz é solidário e bondoso. A escuridão governa por meio do medo, endivida-nos com o mal e nos leva ao divã; a luz reina através da natureza divina que não exige dispêndio. Então, pode-se afirmar que, se a pessoa humana souber receber a verdadeira luz, se tornará poderosa e lhe permitirá brilhar como o vaga-lume faz no seu habitat.

Sabemos que a escuridão cumpre a sua finalidade, como o de fazer brilhar os vagalumes, as estrelas, a lua, as lâmpadas, os faróis e cada coisa no Universo. O seu propósito é alinhá-los internamente com o seu ego e assim a luz se expande para o seu espírito. A escuridão faz com que se lembrem das limitações e controle pessoal como aconteceu com aquele cego; a luz é ilimitada e os convida a render-se. Eu já me rendi. Então pergunto: Qual é a sua escolha mais poderosa? É essa que é a realização de cura e do desejo de totalidade da sua alma a cada momento, que pode ser escuro ou claro, ou ambos? Não julguem as suas escolhas e não seja como aquele que mesmo sabendo existir alguma coisa não quer ver ou finge, ou então, tente pelos menos permanecer com a consciência naquilo que deseja criar e deixe que as energias fluam, luz e escuridão, à medida de sua própria realidade, do jeito que sempre sonhou em viver na Terra, mas sabendo que o nosso Pai Celestial deixou ao livre arbítrio que você acolhesse essa luz em toda sua plenitude. 



A bisneta de minha cegonha.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Não sei como aconteceu, mas desde pequenino minha mãe dizia que foi uma cegonha que me deixou lá pelas bandas da Fazenda São Domingos dos Olhos D’água. E lá antes de me tornar adolescente eu fui paparicado por toda a família e depois, meus pais mudaram para a cidade de Morrinhos. Mais crescidinho, fiquei sabendo que uma senhora tinha ajudado minha mãe durante o parto. Bem, se teve parteira, então elas mentiram para mim dizendo que uma cegonha tinha me trazido num voo alado, esquisito, mas, mesmo assim, insistiam que a aquela ave me deixou lá, bem bonito, sobre um colchão e lençol com cheiros de jasmim. Eu em tudo acreditava. Depois passei a entender que o meu mundo realmente era esse e muito bem cuidado. De lá para cá, entre trancos e barrancos, já se passaram décadas desde que saí do útero da minha mãe, e não do bico da cegonha como me contaram, tempo que me abstenho de contar. Num certo dia, já bem grandinho e como era comum à época, um padre jogou água na minha cabeça molhando os meus cabelos loiros dizendo algumas palavras engraçadas. Pronto! Eu estava consagrado a Deus! E o pior, como eu já estava realmente grandinho e nem me perguntaram se queria aquilo, entendia que tudo não passava de uma conspiração contra o meu "livre arbítrio". 

Assim fui crescendo, sem mimos, sem pai, que falecera ainda jovem, e entre uma birra e outra, coisa teatral de menino esperto, sempre me lembrando da parteira que dizia ter-me recebido embrulhado numa fralda pendurada no bico de uma cegonha, que sabia ser mentira, mas logicamente, as suas palavras trariam no futuro algum sentido a minha vida.  A cegonha que dizia ter-me trazido lá do céu não fez voo cego e também deve ter vindo em forma de Espírito Santo deleitando-me carinhosamente no útero de minha mãe. Os anos se passaram e hoje dúvidas não pairam mais e nem busco respostas para querer endireitar a história. Todavia, entendia que não deveria ser assim, afinal, mesmo sem que eu soubesse, tinha nascido crente na existência Deus e acho que ninguém duvida, porque até aqueles que se dizem serem ateus, quando prestes a sofrerem um acidente ou um susto repentino, dizem: Meu Deus do céu! “Minha Nossa Senhora! De minha parte, a única coisa que não podiam e nem podem discordar é que eu era e continuo católico, afinal eu nasci de mãe e família ligadas à igreja católica, então por que ir contra a natureza de quem acredita em Deus. Fui criado assim forçado a acreditar, sem nenhuma opção, sem o "livre arbítrio". Um dia, para escrever um livro de cunho religioso que intitulei “Espelho das Águas”, tive a bela idéia ou quiçá, a obrigatoriedade de ler a Bíblia, não que eu já não a tivesse lido, mas, em razão dessa obra, achei-me na obrigação de ler tudo. Então crente na existência de Deus que eu já cria, aumentou ainda mais sem maiores contratempos. 

Mas, a lenda da cegonha que a parteira resolvera me injetar na cabeça, tinha que voltar à tona neste texto em razão dos últimos acontecimentos que me deixaram apreensivo.

Dizia ela que tempos idos, num Reino que a parteira não se lembrava mais, havia uma mulher que gostava muito de crianças. Ela era amiga de um famoso médico ortopedista que casara com uma mulher infértil, situação que o deixava desnorteado porque ginecologia não era a sua especialidade. O problema é que a sua mulher não poderia engravidar, embora este fosse seu maior sonho. Ela que gostava muito de crianças certo dia ficou sabendo de uma situação idêntica à sua numa região não muito longe de sua cidade e aí resolveu procurar por um bebê abandonado. Acompanhada por uma escolta de escravos andou e caminhou incansavelmente, mas não encontrou nenhum rebento. Como estava exausta, decidiu pegar um barco, atravessar rio e ir ao Reino das Cegonhas, mas, de repente, ela viu uma cesta flutuando e nela uma recém-nascida, linda, de olhos azuis. A mulher não perdeu tempo e levou a criança até o esposo que, felizes, adotaram o bebê. 

O mandatário maior do Reino das Cegonhas ao saber daquela situação ficou furioso e para castigar aquela senhora chamou um feiticeiro e pediu que a transformasse numa cegonha, e como forma de aumentar a minha tensão, a parteira disse, na maior cara de pau e achando que eu era bobo, que a partir daquela dia, aquela "mulher cegonha" passou a encontrar bebês abandonados e levar para as mulheres que não podiam ter filhos.

O tempo se passou e esta lenda que veio além de mais além chegou até a região de São Domingos dos Olhos D’água onde nasci e com certeza, a história veio com muita
s alterações. Se correto ou não, a parteira continuou com sua narrativa... “Naquele Reino, com vergonha de contar de como nasciam os bebês, as mães quando davam à luz diziam aos filhos que as crianças eram trazidas pela cegonha e era a forma que elas achavam para justificar o aparecimento repentino de um novo membro na família e isso veio passando de geração a geração. E o curioso é que para explicar o descanso da mãe depois do parto e o quarto sujo de sangue, elas falavam aos filhos que a cegonha tinha bicado as suas pernas”. 

Diz à lenda que quando uma cegonha faz ninho na chaminé de uma casa é sinal de que uma das mulheres ficará grávida logo. Ainda bem que é só lenda! A maioria das mulheres hoje mora em apartamentos e os prédios não têm chaminés. E foi em razão deste pequeno detalhe impregnado na região recôndita do meu cérebro é que me fez sonhar com uma cegonha, até conversar com ela e no final da conversa, me deixar surpreso quando disse: “Não sou a cegonha que te levou até sua mãe. Sou a bisneta dela e hoje sou responsável para levar estes bebês, ora enfileirados neste imenso berçário. Veja aqueles berços ali, têm gêmeos e são seus netos Davi e Letícia. Estou aguardando autorização para levantar voo e levá-los para sua filha. Ela é merecedora. Sei que orou e fez promessas para que isso acontecesse, mas, não tenha pressa porque Deus te escutou e atendeu suas preces. Agora me despeço porque tenho que alçar outro voo para levar aquele bebê-príncipe até o Reino das Astúrias”. Fui!...


O caça-fantasma, o dízimo político e o social.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Diz o Aurélio que fantasma, na crença popular, é a alma ou espírito de uma pessoa ou animal falecido que pode aparecer para os vivos de maneira visível ou através de outras formas de manifestação. Fantasmas são geralmente descritos como essências solitárias que assombram um local, objeto ou pessoa em particular a qual estiveram ligados em vida, embora algumas histórias a respeito fossem apenas estórias.

Seja contando histórias ou estórias, a criatividade nas pontas dos dedos de quem as manipula num teclado nem sempre tem a mesma fluidez ou lucidez daquele que tem o poder de evangelizar e levar a palavra de Deus a milhares de pessoas seja através das celebrações em sua igreja, seja através do mundo virtual, seja através da televisão ou rádio, afinal, a mensagem é universal. Mas é claro que devemos estar sempre atentos e vigilantes, principalmente quando assistimos uma empresa televisiva perseguir pessoa de nosso convívio; pessoa que dedica toda sua vida em prol da comunidade carente de nossa cidade, que se intitula: caça-fantasmas. Pois bem, o que vou contar a seguir, mesmo sendo ficcional, não é estória, pois foi extraída de fato real, então se é fato real é história. Quero me abster de dizer o nome, pois entendo que não é necessário nominar o que todo mundo já sabe.

Dias atrás, alguém viu um vulto caminhar lentamente no corredor de um palácio legislativo. Esse alguém que se dizia um experiente caçador de fantasmas ficou à espreita, ansioso, pois era uma noite de sexta-feira 13. Parado na ante-sala aguçou os ouvidos, pois os passos não estavam tão longe dali e seguiam cadenciados sobre o piso, emitindo um som fúnebre. O vetusto vulto carregava uma pasta preta cheia de documentos para entregar ao grande rei ou presidente, sei lá. Mas quem era aquele vulto que o caça-fantasma escutava através de um sensor e auxiliado pelo uivo vento que penetrava por uma janela e causava arrepios?  Será que eram fantasmas que estavam retornando ao Palácio para tomarem posse de seus lugares ou devolverem valores recebidos. Os apagados rostos passavam diante dos espelhos e não se viam. Eram de fato fantasmas. Os calados passos que vinham dos corredores, além dos aparelhos ultra-sensíveis, precisavam do auxílio do vento porque caso contrário, ninguém ouviria de suas inexistentes bocas o longo e melancólico silêncio do desamparo das pessoas ainda vivas ali. 

Essa empresa caça-fantasma que se dizia superior a todo mundo que apareceu nos corredores palacianos tenham um aparato capaz de deixarem todos com a mínima chance de defesa. Bem ao contrário daquele famoso mascarado que vivia nas selvas africanas, cujas façanhas eram e ainda são divulgadas em gibis e até em cinemas, todavia, ele lutava contra as injustiças praticadas pelo homem, tinha motivações para se tornar e vestir-se como a um fantasma, de esconder sua identidade, mas não era alma penada e nem invisível. Quanto ao ser superior que adentrou ao corredor palaciano, desde logo todos observaram que algo de muito podre estava para acontecer por lá. Mas ele enfrentou e ainda enfrentará uma enorme reação por parte da sociedade, pois ao nominar e postar imagem apenas de uma pessoa, alguém especial, digno, grande evangelizador, e que foi considerado naquelas cenas televisivas um fantasma-mor, doeu na sociedade que o conhece. Represália se sabe que foi e que foram essas as intenções de bateram sem dó. Sequer comentou sobre sua vida sacerdotal, do ser humano notável que é e um verdadeiro cidadão, cuja vida sempre foi um livro aberto e voltado para atender ao mais carente. O pior é que esse pessoal que se diz caçador de fantasma fez renascer o mais xenófobo dos sentimentos aos telespectadores, aquele de reação aos verdadeiros fantasmas que nunca prestaram serviços a aquele Reinado. Foi um alvororoço total. O MP Fantasmagórico que cuida de tal conduta solicitou da direção daquele palácio a instauração de uma sindicância para apurar o eventual envolvimento de fantasmas naquele local. Uma lista enorme foi feita e publicada em um jornal do mesmo grupo e nele, somente nomes impressos sobre um símbolo fantasmagórico, sem rosto, talvez porque eram “fantasmas” graúdos e essa “coisa” (alma) não dizem não ter rosto. O controlador palaciano durante a investigação deveria analisar meticulosamente os documentos assinados e autorizados pelo rei que os colocaram à disposição de outros reinos. Os fantasmas relacionados, cujos nomes foram impressos sobre símbolos, por sua vez, vão ter que ser identificados, assim como, devem retirar os capuzes, mostrarem seus rostos, relatar o que faziam em prol da sociedade fora do Reino e não somente aquele sacerdote dedicado que foi barbaramente perseguido pelo dito caça-fantasma televisivo.

São público e notório que ele sofreu e vem sofrendo represálias por parte desse caça-fantasma porque em suas pregações foi e continua crítico implacável de novelas que banalizam condutas como homossexualismo, prostituição, incesto, e apologia às drogas que deixam todos indignados. Volto ao preâmbulo para concordar com o ensinamento do Aurélio sobre a palavra fantasma quando diz que ela é a alma ou espírito de uma pessoa ou animal falecido que pode aparecer para os vivos de maneira visível ou através de outras formas de manifestação. Com relação ao caso palaciano, servidor fantasma para mim é como a citação acima, ou seja, é aquele não está à disposição de coisa nenhuma, não presta nenhum serviço à sociedade, só a ele próprio e ao seu rei que logicamente, sabe onde ele se encontra para poder lhe enviar o seu quinhão no final de cada mês e às vezes, sem precisar dele ir ao banco. Só tem trabalho em época de eleições. O pior é aqueles fantasmas que sacam e depois devolvem maior parte do que recebeu para o seu contratador. È o chamado “dízimo” político. Só que não devolvem somente os dez por cento como se vê em citação bíblica. Quanto ao outro, comprovadamente perseguido, é diferente. Sabem por quê? Ele usa batina. Só que ele se encontrava e ainda se encontra à disposição para onde o rei o mandou, tinha e tem autorização e comprovação de sua freqüência mensal assinada pela Mesa Controladora do Reino, porque, caso não tivesse essas freqüências, o valor não seria depositado em sua conta bancária. Pergunto mais: Será que uma pessoa consegue trabalhar vinte anos num mesmo local sem que ninguém perceba, principalmente um líder religioso super conhecido como ele? Por que só agora levantaram a sua situação de servidor efetivo? Comenta-se na cidade que se trata de uma perseguição do caça-fantasma televisivo em represália ao que ele cobrava das indecentes novelas que agridem a moral e aos bons costumes das famílias brasileiras e sendo assim, resolveu colocá-lo na capa da manchete. Também é que dá IBOPE. No entanto, interpretando sistematicamente o dicionário Aurélio podemos afirmar que os verdadeiros fantasmas não têm documentos, estão em lugares incertos e não sabido. Nem comparecem ao local de trabalho e você não os enxergam porque são fantasmas mesmo! Agora o outro, coitado - o perseguido, todo mundo sabia e sabe onde encontrá-lo. Ele não é fantasma sabe por quê? Além da documentação que prova a sua legalidade de disposição e freqüência, já bastante comentada, ele pode ser encontrado na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus celebrando missas e entregando cestas básicas ou fornecendo café da manhã aos pobres; pode ser encontrado num hospital visitando doentes, num presídio pregando o evangelho, no lixão de Aparecida de Goiânia onde leva ajuda necessária para a sobrevivência daquelas numerosas famílias; pode ser encontrado na Casa Mateus 25 onde mantém e cuida de pessoas enfermas, assim como, na Casa de Nossos Pais, mas se forem procurá-lo lá, por favor, não vão de mãos vazias, levem alguma ajuda. O dízimo dele é social e nem precisava devolver, mas ele devolve, até os centavos, não para os políticos como fazem alguns, mas sim, para a Comunidade Atos que tanto necessita de sua ajuda, assim como, de todos nós. Paz e bem.


A última estação.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Adolescente, saía caminhando sem rumo pela estrada aguçando os ouvidos para ouvir o canto harmonioso dos pássaros e o apito inebriante da locomotiva avisando de sua chegada na última estação. Em alguns momentos parava no acostamento para escutar o barulho cadenciado sobre os trilhos e quando ouvia, meu coração acelerava esperançoso em saber que aquela linda menina já estaria lá à minha espera. Quando a conheci pela primeira vez naquela estação, tivemos apenas uma troca de olhar e foi amor a primeira vista. Começamos a ensaiar um romance que duraram meses. Certo dia depois de sua partida, desenhei num vagão abandonado um coração e nele escrevi nossos nomes com cores rubras, as quais, com o passar dos anos não resistiram às intempéries do tempo, se esvaíram ao espaço como se esvaíram a dor e a saudade de sua eterna ausência. Ela nunca mais retornou àquela estação e eu nunca mais a vi.  Eu era adolescente que enxergava o amor nas mínimas coisas e anotava tudo num caderno repleto de frases poéticas, mas naqueles dias de intenso romantismo pasmem amigos! Esqueci de enxergar o óbvio: anotar o sobrenome e nem o endereço dela. Anos se passaram e à medida que ia andando pela mesma estrada, como por encanto, via surgir por detrás da folhas das árvores o seu rosto angelical e olhar lânguidos que naquele final de tarde eram compartilhados por resquícios raios do sol. A saudade era tanta que abria o meu peito e o enchia de ar só para que eu sentisse os perfumes das flores trazidas pelo vento, e quiçá, de alguns resquícios do perfume de Joyce, talvez ainda impregnados nos campos verdejantes que se esparramavam pelos terrenos férteis. 

Observava o movimento dos pássaros, sentia o sol queimar o rosto, mas naquele final de tarde, me deliciava quando o via o sol descer soberbo no horizonte emitindo raios alaranjados. Sentia uma sensação inigualável. O rosto dela era parte integrante do cenário, que de tão perfeito, parecia onírico. Mas, voltando ao tempo de adolescência, ao caminhar por aquela “estrada da vida”, não soube escolher o caminho certo e ás vezes, andava a esmo, sem lenço para enxugar as lágrimas ou um documento qualquer que pudesse identificar-me ao recebê-la na última estação. Talvez, quisesse enxergar certas coisas de uma forma, não como hoje, que, calejado, em face da labuta cotidiana, passei a ver de outra, não porque tudo tenha mudado, mas porque a minha forma de interpretá-la mudou. 

A “estrada da vida” se esticou assim como o tempo que passou sobre os nossos rostos deixando-os  carcomidos.  A estrada que percorremos fez-nos deixar para trás muito choro sufocado e muita injustiça a ser vencida. Mas, seja qual for à estrada, se de chão ou de ferro, nem sabemos em que parte dela a dor deve ser curada, sabemos que ela nos conduzirá ao mesmo lugar e trafegar ou equilibrar sobre ela é o que se  questiona. Podemos até passar rapidamente ou devagar sobre ela, não importando a velocidade que imprimimos. Podemos causar impactos, sentimentos vários nas pessoas ou em nós mesmos. Podemos encontrar durante nossa caminhada dias nebulosos, ventanias, sol extremamente quente, noites e dias frios, pedras, espinhos e até pessoas que passam por esta mesma estrada, umas com semblantes rancorosos, outras distraídas, venenosas, falsas, egoístas e outras cheias de amor, mas, todas sabendo, que no final da “estrada” todos terão o mesmo destino: rostos carcomidos pelas intempéries do tempo, para não dizer que chegaram à velhice e como final, a morte, para uns, o descanso eterno, para outros, é vida nova no paraíso, mas, para mim, é somente a certeza de ter conseguido chegar ao fim da estrada ileso e pagando menos pedágios.

Tem dia que sentamos na beira da estrada e sentimos o vento levar nossos pensamentos sem pedir licença. Tem dia que pegamos pétalas de rosas à sua beira e elas nada exalam. Tem dia que vemos passar por ela marés de incertezas e não reagimos. Tem dia que tentamos encontrar outra estrada e sonhar um sonho que almejamos sonhar, mas não conseguimos. Tem dia na estrada que a noite é pesada demais mesmo sem  termos pesadelos. Tem dia que nos lembramos do passado sem assombros, mas, tem dia que a vemos cheios de escombros. Tem dia que perdemos alguém na “estrada” ou na última “estação” que muitas vezes nem dávamos o devido o valor. Tem dia... Ah, se tem!

Caminhando à beira da estrada e com o pensamento absorto, percebi que o meu passado é a estrada que percorri durante toda a minha existência e este aspecto não devo esquecer. Foi através desta caminhada longa, entre erros e acertos, com realização profissional ou não, é que cheguei onde estou ou encontrei a  felicidade de haver ao longo dela encontrado o amor, a paz, fazer grandes amigos e realizar alguns sonhos, talvez pagando pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e nos dificulta  alcançar outros sonhos, objetivos e ou mesmo chegar à última estação.



Evangelizar, defender a família, salvar vidas, isto sim é que é FANTÁSTICO!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma repórter do programa FANTÁSTICO da rede Globo ao abrir uma matéria sobre “funcionários fantasmas” nas Assembléias Legislativas de todo o País, ai iniciar sua fala, mesmo antes de mostrar uma enorme listagem de servidores disse: “Com “pretexto” de fazer caridade Padre Luiz Augusto recebe da Assembléia Legislativa sem trabalhar”. Essa repórter talvez desconheça a frase que ele carrega consigo desde quando foi ordenado padre: “Eu vim para servir e não para ser servido”, da mesma forma deve desconhecer totalmente o trabalho social que ele realiza como a manutenção da Casa Mateus 25, que conta com mais quinze enfermos, que sem apoio familiar recebem todos cuidados há bastante tempo na Comunidade Atos. Também deve desconhecer a Casa de Nossos Pais, que cuidam de muitos idosos; deve desconhecer sobre a distribuição mensal de gêneros alimentícios (cestas básicas), de pães e de café da manhã feitos diariamente na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus em Aparecida de Goiânia; deve desconhecer a existência de assistência médica e odontológica para os menos favorecidos; deve desconhecer suas visitas em hospitais e presídios onde leva evangelho; deve desconhecer que ele é um grande evangelizador para num programa a repórter dizer que o Padre Luiz Augusto recebe o salário da Assembleia “com o pretexto de fazer caridade”. Não foi possível identificar o nome da repórter que talvez tenha recebido o texto pronto para falar tal asneira. A manutenção de tudo isso fica extremamente caro, sem falar no pagamento de empregados e impostos. Ademais, o Padre não é comissionado, é concursado e tem seus direitos garantidos por lei e das disposições autorizadas e freqüências assinadas pela Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, senão, caso contrário, não receberia seus salários. Para receber é necessária a apresentação de freqüência todo mês. Salários estes que ele nunca usufruiu, colocando-os a serviço da comunidade carente de Goiânia que sempre foi o seu propósito desde que assumiu a condição de sacerdote

Para quem assistiu ao programa do último domingo e conhece o trabalho social e evangelizador do Padre Luiz, sua luta insana contra as pornografias expostas em outdoors e nas telenovelas exibidas pela TV, isto sim, para nós, o trabalho do Padre é que é FANTÁSTICO! A vida de um homem, sendo padre ou não, tem que ser respeitada e não exposta da maneira que foi. O Programa da rede Globo deixou-o como se ele fosse centro dos holofotes, o pior dos marginais, quando existia uma lista enorme de “fantasmas” cujos nomes sequer foram citados e estes realmente, além de serem verdadeiros fantasmas, nada faz para a sua comunidade. A TV usou o padre como protagonista principal, talvez por ser humilde, usasse batina surrada e não smoking, mas se usaram isto como represália por ele defender a família em face das novelas globais que ferem a sensibilidade e os bons costumes é de dar dó.

O fato é que a moral do cuidado que devemos ter quando uma criança assiste a uma cena explícita e beijos entre pessoas do mesmo sexo, podemos dizer que é um paradigma repleto de nuances e trilhas que nem sempre ou jamais conseguiremos explicar. Porque se cuidar é inerente ao homem, nem sempre isso indica zelo ou preocupação com o outro. Mães amam e cuidam de seus filhos quando os possibilitam crescer e descobrir seus próprios caminhos, errando inclusive, ou amam e cuidam de seus filhos quando mergulham sobre eles de forma acolhedora, à vezes de forma dominante, fazendo tudo por eles e mantendo-se protagonistas de uma história sem manipulação, verdadeira, real, ensinando o evangelho, onde não deixarão espaços para que outros submundos intrometam com suas coisas banais, porque além do cuidado do evangelizador, do amor da família que acostados ao ensinamento do evangelho, dominarão o mundo profano.

Somos frágeis na preservação de nossos vínculos, somos predadores naturais das relações humanas, nos perdemos nas infinitas bobagens de quem, em tantos delirantes momentos como a que vimos no último domingo no programa Fantástico onde percebemos a vida como a um palco onde o monólogo só não nos basta. É preciso de todos os fantasmas, de citarem todos em cena ou pelo menos os mais famosos, aqueles que imaginamos cuidar na platéia dos papéis, da contratação, da demissão, que tem o poder de colocar alguém a disposição de outrem, para que nós protagonistas televisivos que somos não deixemos de repudiar a imoralidade e aplaudir àquele que nos oferece o cuidado.

O evangelizador é a mais preciosa e revolucionária ferramenta, inclusive para soltar os cordões e permitir que o balão voe um voo mais alto. Pergunto: Há amor mais bonito do que aquele pratica o bem sem olhar a quem, que admira com prazer a conquista de quem se ama e a quem também dedica com seu amor aos mais carentes como o Padre Luiz Augusto faz?



Dê a seta o que é de seta

sábado, 6 de junho de 2015

Para intitular este artigo assim “Dê a seta o que é de seta” busquei no texto bíblico a famosa frase “Dê a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Intitulei dessa maneira mais para chamar à atenção dos leitores motoristas que trafegam por nossa Capital. Essa frase foi de suma importância para definir o raciocínio de Jesus Cristo já que todos os imperadores romanos tinham o titulo de Cesar. Portanto ao proferir essa frase Jesus queria dizer que não era contra e nem queria peitar o império romano. O raciocínio Dele era assim: Dê a Cesar os impostos, as contribuições, que as leis exigiam e dê a Deus as orações, as adorações. Isso ele repassou aos seus discípulos, somente com a intenção de não misturar estado e religião. E é assim que eu entendo, mas no caso em tela, “dê seta o que é de seta”, dê mesmo principalmente quando for virar à esquerda ou à direita, porque Deus não quer misturar as coisas e deixar tudo ao seu livre arbítrio.

E foi nessa intenção de não querer peitar ninguém, apenas orientar e sensibilizar aos motoristas que não dão a mínima para a danada da setinha. Quando viajam por esse Brasil afora muitos deveriam fazer alguma coisa para melhorar a sua saúde, mas não fazem, ou seja, não procuram dormir bem e nem se alimentam melhor, não avisam aos familiares que vão chegar atrasados. Quanto ao sono, este é um assassino que não tem arma, mas se descuidarem, ele mata. No que se refere ao trânsito dentro de uma bela cidade como Goiânia, por exemplo, o sono não tem arma, mas o usuário de bebida alcoólica tem e mata, assim como, a danada da seta se não for usada pode causar acidente sério e matar. Não dar seta se tornou uma rotina e os motoristas sabem que não custa nada subir ou descer a alavanquinha. Para quem não sabe o que é seta, digo sem medo de errar que é aquela alavanquinha logo ao lado do volante, que, quando a gente aciona pra cima ou pra baixo acende uma luzinha do lado de fora do carro, sinalizando para quem vem atrás alertar que você vai virar à direita ou à esquerda. Pois bem, mas aqui em Goiânia a maioria não usa, tem preguiça de usar ou é imperícia mesmo. Além dessa alavanquinha tem um monte de outras coisas que as pessoas por aqui fazem, deixam de fazer e não deviam no trânsito. A seta é item de fábrica, vem em todo carro, sem exceção, está ali ao alcance da mão, é só esticar os dedos para movê-la de um lado pra outro, não desgasta por excesso de uso, não faz barulho e nem requer nenhuma habilidade especial para seu correto manuseio. No entanto, alguns motoristas de Goiânia simplesmente preferem ignorar sua existência. Será que querem transformar a experiência de dirigir no trânsito caótico desta cidade em algo inusitado, lúdico e surpreendente, tipo: ‘Para onde será que a seta vai agora?

Quando você está ao volante à coisa funciona mais ou menos assim: alguém está à sua frente, ameaça mudar de pista, fazer uma conversão qualquer; ameaça encostar, sair da vaga, entrar na vaga, o sujeito fica indeciso, esquece da seta, cabendo a você, e tão somente você, adivinhar qual a intenção dele. Nem adianta meter a mão na buzina, piscar o farol ou lembrar-se carinhosamente da mãe dele, pois não vai se abalar por conta disso. Você que vem atrás é que se vire ou se preocupe a tomar as devidas precauções.

Mas seria extremamente injusto de minha parte insinuar que os motoristas de Goiânia nunca dão seta. Essa seria uma generalização muito perigosa e, além disso, falsa. Claro que os motoristas daqui sinalizam de vez em quando como acontece com outras cidades. Por exemplo, aqui na Capital sempre avisam quando vão fazer alguma coisa que é proibida ou mal feita, ou seja, quando vão parar em fila dupla, frente a uma escola ou na porta da garagem. Ligam o pisca - alerta, como se avisando “vou ali rapidinho e logo estou de volta, agüenta aí colega”! E pra fazer uma conversão proibida. Aí não se esquece da seta e ainda usa as mãos pra fora para reforçar a sinalização que sabe proibida. O pior é quando vão encostar pra pegar um passageiro na calçada que não possui acostamento. É uma pista à direita e logo atrás estão muitos carros que precisam frear bruscamente pra não encher a traseira do sem-noção.

Quando você não é um sem-noção, um daqueles alienígenas esquisitos que sinalizam regularmente e o que vão fazer obedecem ao que é proibido, aí ninguém leva muita fé, acham que você está fazendo hora com a cara dos outros. Colam no seu pára-choque (seu não, digo, o do carro) porque não é possível que aquela seta pra direita signifique que você vai virar à direita de verdade, vêm a mil por hora porque não acreditam que você esteja realmente reduzindo a velocidade. E ainda passam metendo a mão na buzina dizendo: ô roda dura! Então você me pergunta: mas onde estão os valorosos agentes do trânsito, que deveriam ver essas coisas e botar ordem no boteco? Estão multando carros estacionados sem talão de Faixa Azul, porque multar carro em movimento dá uma trabalheira danada. Sim, esta é uma cidade que fechou a praça cívica onde estacionavam mais de dois mil veículos causando um transtorno danado no centro. Caro leitor, eu simplesmente cansei. Cansei de tudo, do mundo real, do palpável, do prático, do imaginário, do surreal. Cansei da visão fantasiosa sempre contrária ao mundo real. Cansei do trabalho maçante e de tudo aquilo que estressa; cansei de reclamar do errado e das coisas erradas, cansei daqueles que fazem denúncias vazias, caluniosas, difamatórias e não enxergam o seu próprio umbigo. Cansei da escada tortuosa construída até aquele andar onde esperava alguém descer, apenas descer. Cansei de passar pelo mesmo trajeto onde passam os imprudentes que irresponsavelmente fazem ziguezague com seus veículos na avenida. Cansei do bonito que a natureza mostra, mas sempre é desrespeitada; cansei da ilusão de beleza que se vê em cada rosto. Cansei, cansei mesmo! Então, o jeito é mudar para o interior, onde deva existir apenas uma rua, sem sinalização, sem cruzamento ou acostamento proibido, e lá, com meu possante, serei rei, mas não como os Césares Romanos



 
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