Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Sinais que vêm do céu: será um aviso sobre o começo do apocalipse?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A natureza está em fúria e diversas situações e catástrofes naturais vêm produzindo incontáveis de mortes. Cidades destruídas pelo vento, pelas enchentes, pelos terremotos, pelos deslizamentos de terra, pelos tsunamis, pelas águas das chuvas que transbordam rios, invadem moradias e destroem bens materiais adquiridos com sacrifício durante suas labutas pela vida e muitas, poluídas, levam para a boca de lobo das ruas as últimas esperanças de um povo corroído pela dor, que não conseguem livrar seus rostos magros e suas almas desoladas e afogadas no mar desta tragédia que vem assustando a população mundial.

Se revirarmos as páginas da história verifica-se que estas cenas se repetem há muitos anos, e ninguém toma providências quanto a isso. Os pobres coitados, desprotegidos por políticas governamentais e alçados na penitenciária da revolta da natureza é que tiveram outra vez, como sempre, de pagar o pato, pois perderam suas casas e entes queridos. Não obstante assistirmos estas cenas trágicas diariamente, ainda tem pesquisadores e estudiosos que atribuem a alguns acontecimentos a falhas geológicas e outros a fatores climáticos.

Hoje o planeta gira sem fôlego, meio tonto, enquanto os homens se dividem em opiniões, enquanto isso as profecias bíblicas vão se cumprindo. E quando falamos em fim do mundo em face do efeito estufa onde o planeta perde o fôlego e morre de enfarto com tanta fumaça na cara é bom lembrarmos que as mortes que vem ocorrendo no mundo não são somente em razão da natureza que está em fúria, mas talvez, em face dessa poluição atmosférica, que trás doenças incuráveis que se espalham pelo mundo, como a AIDS, gripe suína, gripe aviária, dengue, câncer, drogas que estão destruindo vidas, famílias e transformando pessoas em lixos humanos. Somando todas estas cenas horripilantes, se os grandes líderes mundiais não tomarem providências urgentes, não entenderem os sinais que vêm do céu e deixar de empurrar com a barriga esta situação caótica em que passa o mundo e a humanidade, podemos reafirmar que estamos realmente no começo do apocalipse.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Comunidade Atos, minha nova familia.

Naquela última quinta-feira do mês, a maioria dos fiéis pressentia, mas ainda existia em cada pessoa, um fio de esperança, uma ínfima luz no fim do túnel. Veio o domingo. A voz forte só ressonou forte no início da celebração, enquanto o vocal entoava engasgado cânticos acompanhados pelos fiéis que faziam movimentos esporádicos com as mãos. Algo parecia estar errado. Alguém ao meu lado perguntou: É o último dia do padre Luiz? Eu disse: parece que sim. Mas logo a dúvida se desfez. Olhos fechados,  preces e  lágrimas já desciam pela sua face. Sua vida foi contada no telão da igreja. Todos se emocionaram e choraram. Era realmente a sua  despedida da Paróquia Sagrada Família depois de muitas lamentações, protestos, abaixo-assinados, pedidos em redes sociais e internet e passeatas, mas, de nada adiantaram.

O mês de maio passou tão veloz quanto ao vento e, sem darmos conta, já estávamos no seu    final. É impressionante a rapidez com que o tempo passa, e a impressão que temos é que se não   apressamos o passo, se não lutarmos juntos, literalmente ficamos para trás e perderemos nossas   esperanças. Estamos, na certeza, em busca de uma verdade, de uma sociedade sem fronteiras, sem hipocrisias e limites, que busca seu tempo e seu espaço, muitas vezes, irremediavelmente, sem volta. Vivemos num novo milênio onde livros e filmes de ficção destacam profecias apocalípticas que não se confirmaram, mas, em razão da destruição do planeta terra estampados diariamente nas       manchetes poderá ocorrer à autodestruição e comprometimento irremediável das futuras gerações.

Dia 24 de maio, às 17 horas, um dia e horas especiais. Percorremos a estrada asfaltada saída  para Goianira, rumo a Comunidade Atos. Uma placa, após a Polícia Rodoviária indicava: Comunidade Atos, Setor Recreio dos Bandeirantes, retorne a 3 km para entrar da estrada de chão. Um caminhão pipa molhava a terra poeirenta. A estrada, cercada de árvores, paisagem bonita e  muito  verde pareciam saudar todos os fiéis que já seguiam enfileirados. Nenhuma poeira levantava. Era mais uma demonstração do zelo do padre Luiz. Era tão grande a quantidade de veículos que tivemos que estacionar na beira da estrada a mais de mil metros da Comunidade Atos, para depois,   seguirmos a pé.  No meio de uma bela paisagem arborizada vislumbramos um galpão e milhares de pessoas que já se aglomeravam nas cadeiras, todas com um sorriso contagiante, enquanto a padre Luiz Augusto recebia todos com abraço de pai, com a mesma firmeza, o olhar carinhoso e raciocínio rápido como sempre.

Com batina branca, sandálias de couro, magreza e calvície naturais, com 51 anos de idade,  comandou a multidão aglomerada naquele galpão por três horas e no fim da celebração parecia ter participado de uma corrida de atletismo. Se ele estava cansado, então disfarçou bem. A sua disposição era contagiante, inclusive, para atender os fiéis que subiam os degraus antes e depois da celebração para cumprimentá-lo e colocar à sua disposição naquela nova Comunidade.

Durante a celebração, desta vez não foi sucinto. Cada frase sua tocou direto no coração de cada pessoa presente. Alegre como nunca, ainda pediu aos fiéis para agradecer a Deus por tê-los colocado naquele local aprazível, abençoado, composto de grandes árvores por onde passavam  porções brilhantes de sol,  fazendo chegar até  nós o cheiro do verde e das flores do campo. No  sermão, ficou claro a opinião forte expressada com naturalidade, talvez, descomunal para muitos. Milhares de pessoas que assistiram a celebração, crianças e adultos, escutaram com atenção sua    fala, enquanto andava pelo corredor central da igreja sempre com o olhar fixo em cada um dos participantes.

Nessa linha de recordações, vem à memória outro momento emotivo. Uma mãe, no encerramento da missa pediu para fazer seu testemunho agradecendo ao Padre Luiz pela cura de seu filho e esposo. Ali estava o amor de uma mãe e sua crença em Deus, pois enquanto percorria os  corredores hospitalares, recebeu dele o cuidado que sequer esperava,  gestos de carinho, oração, amor e depois, a alegria de ter pertencido à Paróquia Sagrada Família e hoje, continuar ajudando-o noutra comunidade.

Compareci na celebração de domingo (29/05), às 10 horas.  Novamente notei a expressão de muita alegria e fé. No final, o padre Luiz disse que o prefeito Paulo Garcia no dia 12 de junho irá, após a celebração, comunicar sobre o asfaltamento da estrada. Muitas palmas e de gritos de euforia de mais de dois mil fiéis que lotavam a Comunidade Atos, que doravante, será minha nova família.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA é advogado, escritor, ambientalista. É Presidente da Visão Ambiental e diretor da UBE - União Brasileira dos Escritores. Escreve todas as quartas-feiras. Email: vdelon@hotmail.com e vanderlan.48@gmail.com

Minutos de Aflição

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Depois de uma extenuante caminhada em prol da candidatura de Marconi  Perillo, debaixo de um sol escaldante, cheguei a casa com o corpo doído mas feliz. Liguei o computador, e costumeiramente li vários E-mails e dentre eles uns apócrifos criticando candidatos presidenciáveis. Cansado, deitei no sofá e nem cheguei contar até cem carneiros, dormi. De repente me vi diante de um espelho e descobri que era caolho. Procurei freneticamente na escrivaninha a minha carteira da OAB para verificar se eu era daquele jeito, no entanto, achei somente o passaporte e uma arma de fogo de uso restrito das forças armadas e  aí descobri que eu era colombiano e membro das FARC. Continuando com o rosto voltado para o espelho sentia-me inconsolável em uma  cadeira de rodas, não era possível! Se eu estava numa cadeira de rodas, significava que além de caolho e colombiano, era também deficiente físico. Claro que era impossível, dizia para mim mesmo: Poxa!  Além de caolho e colombiano, era ligado a uma facção terrorista e deficiente físico...

- Querido!. Alguém me perguntou com uma voz mansa: tomou o remédio para diabete, depressão e hipertensão? Já pegou o exame de PSA? Era a voz de minha mulher.

- Ó Deus! caolho, colombiano, ex-guerrilheiro, deficiente físico, com diabete, depressivo, hipertenso e com problema de próstata!  Sussurrei: Tô frito!

Desesperado, gritei diante do espelho e arranquei pequenas mechas de cabelos e outra surpresa. Era careca! Toca o telefone. Era o meu irmão que foi chegando e dizendo:

- Desde que nossos pais morreram você só se faz entupir-se de drogas, passa o dia inteiro na rua!    Porque não procura um emprego? – questionou raivosamente.

Que merda!  Descobri que também estava desempregado. Tentei explicar ao meu irmão o quanto era difícil encontrar trabalho, principalmente quando se é caolho, colombiano, ex-guerrilheiro, deficiente   físico, com problemas de diabete, depressão, hipertensão, próstata alterada, careca, órfão, viciado e gago. Transtornado, desliguei o telefone com a única mão, pois a outra tinha sido decepada quando tentei ser aprendiz de torneiro mecânico, e com lágrimas nos olhos fui até a janela olhar a paisagem e vi centenas de barracos ao meu redor. Senti uma pequena parada no marca-passo, uma leve tontura e   pensei: além de caolho, colombiano, ex-guerrilheiro, deficiente físico,  diabético, depressivo,  hipertenso, próstata alterada, careca, órfão, gago, desempregado,  maneta, cardíaco e com labirintite, era também favelado...

Comecei a passar mal e sentir calafrios situação que me obrigou a ir até ao guarda-roupa para pegar uma camisa e novamente outra surpresa: quando abri a gaveta encontrei uma camisa do Vila Nova. Só podia ser sacanagem...  Entrei em surto, pois além de caolho, colombiano, ex-guerrilheiro, deficiente  físico, diabético, depressivo, hipertenso, próstata alterada, careca, órfão, viciado, gago, desempregado, maneta, cardíaco, com labirintite e favelado,  era Torcedor do Vila Nova.

Naquele momento a minha esposa voltou e disse repetidamente com a voz estridente:

- Querido!!!  Vamos senão chegaremos atrasados no comício da Dilma e Iris.

Caramba! Que susto! Com o suor descendo pelo rosto e atordoado, acordei. Olhei o calendário. Era domingo, 03 de outubro, dia de votar. Levantei-me do sofá, olhei pelo vão da janela e me senti mais aliviado, pois  naquele instante senti que se tratava apenas de um sonho, onde minutos foram transformados em um pesadelo terrível, indescritível.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Mãe Cleusa e as Bolhas de sabão

Triburo a Gari Negro Jobs

Depois de um mês em que uma pessoa querida partiu (minha tia-madrinha) para outra dimensão e nesta semana ver o meu cavalo pangaré estirado inerte sobre a relva molhada só me resta palavras frias que colidem com o medo repentino de ter o que não se pode amar. Sentado no mourão da porteira, ouço uma canção triste, talvez uma espécie de música a delinear traços de meus relatos, compostos de sentimentos incompletos e histórias inacabadas. A vida sem trilhos e sem chão se desmorona ante os pequenos milagres cotidianos. Leva-nos para um lugar desconhecido, todavia, ao tempo que é sombrio, nossos olhos ainda brilham e saltam e diante da bondade latente e dos encantos escondidos na mãe, na mulher inteligente e misteriosa, que simplesmente os escribas, romancistas e poetas chamam de Clara Dawn.

Se tudo muda o tempo todo, para ela nada muda, continua a mesma, sempre com um sorriso amigo, sem maldade e sereno. Saudade deve sentir em demasia e é certo que o seu pensamento vai ao infinito e volta levando e trazendo relatos ordinários confeccionados por essa saudade, pelo sentimento e pelo amor inconteste que sente pelos filhos. As imagens trazidas explodem em um mundo governado por anti-heróis e sua cabeça de mãe atravessa noites intermináveis lendo um romance ou elaborando textos para o Diário da Manhã, tudo sob o som suave de melodias inesquecíveis. Torturantes horas em que busca o seu sono perdido. Entre sonhos reprisados levanta e vai até a escrivaninha rabiscar nomes e palavras soltas. Liga a TV e vê alguém cantar uma canção romântica que embala o seu sorriso triste e a ampara do medo que circunda o teatro da vida. Deleita-se no sofá no exato momento de seus delírios e subtrações não resolvidas. A matemática da vida e seus constantes mistérios; o silêncio absorto em seus lábios e o semblante pensativo, completam aquele pequeno universo que a rodeia. Palavras que queria dizer no passado e frases incompletas não ditas no presente mostram-lhe em um mosaico de acontecimentos da fria realidade escondida em seus olhos castanhos ou furta-cores. Deixa suas fantasias no travesseiro quando é despertada pelo som estridente de uma freada de carro, de um latido de cão, de uma batida no portão, de um grito de gente na escuridão ou de um despertador, que certamente, sempre lhe roubou os melhores momentos de um sonho, mas, tudo isso, nunca lhe tiraram a esperança em um mundo melhor, no apoio da família, dos amigos e a fé inconteste em Jesus de Nazaré.

Os sonhos voaram como bolhas de sabão e estas subiam e recebiam em seu corpo pequeno e redondo, cintilantes raios de sol e eram levadas pelo vento enquanto esperava o tempo passar. Esperava para quê? Já era adulta – e fria como a todos os amadurecidos ou apenas reflexos que recriava o que tinha sido até então. Nuvens cobriam o céu em que o sol era apenas coadjuvante e lutava firmemente para raiar e iluminar a terra naquele final de tarde. De madrugada, antes de receber as flechadas solares, lembrou-se das bolhas de sabão que adoraria ser para poder flutuar no espaço e desafiar a gravidade e jamais pensar em um mundo incógnito que continuava girando, sem freio, sem pressa, sem sonho, sem expectativa e alegrias de alguns, geralmente camufladas em sorrisos irônicos. Suas palavras sábias ditas ou não ditas durante sua existência e suas expectativas quanto ao futuro certo ou incerto, assim como as bolhas de sabão que levaram seus sonhos repaginados pelo travesseiro celeste, as quais, certamente, teriam destino certo: as mãos de Deus. Não obstante se encontrar indecisa sobre em que parte do universo estouraria a sua bolha de sabão, estava sempre confiante, feliz e certa de que viriam dias melhores, mas, também consciente que nesses mesmos sonhos poderiam se repetiriam as mesmas adversidades, os mesmos temores e acalantos antes do sol nascer.
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Apenas a Noite Como Testemunha

Num pequeno beco e cheirando crack para enganar a fome, cujo pó fora improvisado numa latinha de refrigerante, Pimpolho como era chamado pelos meninos de rua, cambaleava confuso e diante daquela noite escura e fria desejava o fim do mundo para poder deitar novamente nos braços cândidos de sua amada Amarília que certamente, acreditava ele, já tinha encontrado  aposentos no paraíso. Ela tinha morrido de overdose num domingo de sol,  cansada de tanto buscar respostas imediatas para sua vida e das dores que lhe corroíam o corpo e lhe tiravam a calma nos momentos mais impróprios do dia. Pimpolho era usuário e depois passou a vender drogas. De perseguidor passou a ser perseguido pelo mundo do crime. Andava pelas ruas escuras e via vultos, mas, não conseguia identificar se eram gente ou monstros, dado ao excesso de droga que tinha consumido (cheirado) naquele dia, que dominava o seu cérebro e delineava em seu   corpo dores indescritíveis. Em sua derme se viam torturantes imagens e frases sem nexo   tatuadas em seu corpo franzino.
 
Peito nu, calça caindo sobre a bunda e diante de um frio intenso, olhou para aquele prédio abandonado pensou: é só subir e pular do 5.º andar e pronto! Logo estarei com Amarília. A queda é curta; sei que a dor é surda, mas é inevitável. Imaginou seu corpo estirado na calçada entre os transeuntes que em suas pressas rotineiras, talvez, nem se importariam por tratar-se um delinqüente, uma vez que a ferrugem que alimenta a solidão tende a engasgar a garganta rouca das pessoas com palavras insolentes. A sua voz já fraca insistia em ecoar-se no beco enquanto a cidade devorava as almas em cicatrizes escondidas nas confusões urbanas e sequer sentiu que Pimpolho estava à beira do abismo prestes a despencar. Desabar ou deixar-se cair; era apenas mais um passo à frente, uma questão de segundos para despedir-se da vida e deixar que aquele transe profundo, dominado pela droga, o levasse de volta ao começo de tudo: o paraíso.
 
As luzes piscavam freneticamente diante de seus olhos enquanto reinventava desatinos costumeiros para desencorajar os que teimavam em consumir drogas que certamente, como ele, ficarão perdidos, abandonados pela família, pela sociedade e não terão respaldo para atravessar o longo corredor da solidão e escapar da dependência química. De alma vazia, deixa tudo espalhado pelo chão úmido dos becos da vida e nem se importa em perder a memória como quem esquece um papel importante, mas, sempre sabendo que a solidão rondará seus passos que se abrem diante do firmamento sem luz ou esperança de uma clarividência; antes que o sangue estanque, que o dia amanheça e possa dormir enquanto o mundo explode em centenas de manifestações desencontradas.
 
Pimpolho fugindo dos seus erros, mas, com o sorriso estampado em seu rosto, deu um passo para frente. Olhou para as estrelas que brilhavam intensamente no céu; lembrou-se do conselho sua amada Amarília, hesitou e deu dois para trás. Naquele 5.º andar um tiro de revólver cortou a     escuridão. Uma bala perfura o coração de Pimpolho e o seu corpo cai lá das alturas tendo apenas a noite como testemunha. A marquise daquele prédio abandonado que lhe servira de abrigo por  muitos anos agora jaz o seu corpo franzino.


VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Começo do apocalipse III

Assistimos diariamente na televisão e vemos estampados nos jornais e revistas cenas horripilantes de catástrofes ambientais e de mudanças climáticas que estão ocorrendo no mundo de forma espantosa. Na crônica intitulada “Começo do Apocalipse II” publicada no Diário da Manhã, edição dia 19 de março insisti em alertar sobre o que vem acontecendo com o planeta terra durante  décadas e situações que causam terremotos, maremotos, tsunamis, chuvas torrenciais, nevascas, deslizamentos de terra e em outras regiões, sobre a falta de chuva que provoca a desertificação da terra, secam os rios e o excesso delas, matam milhares de pessoas em todo mundo.
 
A Europa, muitas vezes, tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus centígrados. Nos EUA, os furacões e tufões continuam destruindo cidades inteiras. No Brasil, ciclones que antes não existiam, hoje estão castigando o nosso País; o número de desertos aumenta a cada dia, fortes furacões e vulcões causam mortes e destruição em várias regiões do planeta e as chamadas calotas polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o avanço dos oceanos sobre cidades litorâneas). Todos estes acontecimentos estão relacionados ao aquecimento global e esse aquecimento ocorre em função do aumento da emissão de gases poluentes que saem da queima de combustíveis de veículos, do desmatamento, da queimada de florestas, das emissões de gases chaminés das fábricas, que soltam os gases ozônio, dióxido de carbono e outros entes nocivos, que formam na atmosfera uma camada poluente de difícil dispersão que vem causando o famigerado efeito estufa que absorve grande parte da radiação infravermelho fato que dificulta a dispersão do calor e logicamente toda essa poluição é que causa o aumento da temperatura global.
 
Não quero assustar o leitor, mas se o aquecimento global continuar aumentando como está, trará realmente como conseqüência o aumento do nível dos oceanos e com isso a submersão de muitas ilhas e cidades litorâneas; crescimento e surgimento de desertos que provocarão a morte de várias espécies de animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas, assim como o surgimento de novos furacões, tufões e ciclones que trarão o caos a várias cidades do planeta e o aumento de calor em regiões que tem temperaturas amenas.
 
A estatística é assustadora. O aquecimento global além de acarretar mudanças climáticas também é responsável por mais de 150 mil mortes a cada ano em todo mundo. Só no ano passado, uma onda de calor que atingiu a Europa no verão matou mais de 20 mil pessoas e que os países tropicais e pobres são os mais vulneráveis aos efeitos. O Japão, onde o povo dá exemplo de cidadania e disciplina, que já se ergueu de duas bombas atômicas não é o mesmo que terá de se levantar dos terremotos, dos tsunamis e dos desastres radioativos, pois desta vez terá muita dificuldade de enfrentar essas três tragédias simultâneas mesmo sabendo tratar-se de uma sociedade que se mantém organizada mesmo diante de uma crise sem precedentes. Urge seja elaborado um projeto consistente de preservação das florestas e diminuição da emissão de gases que provocam o efeito estufa para que deixemos de pensar em apocalipse.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Começo do Apocalipse II

Liguei a televisão fiquei estupefato e boquiaberto ao ver uma onda gigantesca denominada de Tsunami invadir e inundar várias cidades costeiras no Japão. Um volume imenso de água suja e cheia de entulhos passava destruindo tudo que se encontrava à sua frente, levando embarcações, veículos, casas despejando tudo sobre a superfície como se fossem pequenos brinquedos. Noutro canal a TV, além da contaminação radioativa de grandes proporções que pode gerar em razão das explosões de reatores nucleares, o apresentador mostrava outras cenas em que a poluição da atmosfera causada por gases poluentes que saem dos veículos e chaminés das fábricas, acumula e forma no espaço o dióxido de carbono que é o elemento principal dos chamados gases que provocam o efeito estufa que corroboram para o aparecimento de inundações, secas, ondas de calor, chuvas torrenciais, e estas, os deslizamentos e desmoronamentos, terremotos e outras sensações imprevisíveis, que matam, afogam e soterram pessoas incautas. Ao ver povo japonês andando pelas ruas cheias de entulhos deixados pelo tsunami, fiquei incrédulo pela serenidade demonstrada por eles diante de tamanha catástrofe.           
 
Neste tipo de embate político-ambiental, cujos temas são discutidos diariamente  através de jornais e televisão quem sempre perde é o planeta terra, e revoltada, está apenas dando o troco. Ambientalistas do mundo inteiro dizem que se não houver uma política de combate a esses desmandos provocados pelo próprio ser humano o futuro é incerto, mas, ao ver aparecer diante de meus olhos a terra sendo invadida pelo mar, pelos rios, se desmoronando, soterrando gente e com seqüelas irreparáveis; as crueldades humanas de todos os tipos mostradas pela TV, eu vou mais longe, busco as escrituras para reafirmar que estamos realmente diante de um grande cataclismo, ou começo do apocalipse, tão propalado por São João, o Evangelista no livro do Novo Testamento, onde contém revelações terríveis acerca do destino da humanidade.
           
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

Abalo Sísmico, A Revolta da Natureza

Antes de fazer a leitura diária do Jornal Diário da Manhã tive a oportunidade de assistir a um vídeo enviado por um amigo que mostrava paisagens lindíssimas da cidade do Rio de Janeiro. Um espetáculo sem igual. As imagens mostradas se diversificavam a cada momento e penetravam em meus olhos como se eu estivesse assistindo uma peça teatral, cujos personagens eram compostos por montanhas, florestas, serras, praias, lagos, rios a desaguar no mar e entre eles, imponentes, o Cristo Redentor e grandes edifícios cortados por ruas e avenidas que se perdiam, muitas vezes, em túneis gigantescos. Desligado o vídeo comemorativo do aniversário do Rio de Janeiro, abri as páginas do jornal e estampado na primeira página, imagens que me deixou assustado mostrando cenas terríveis do terremoto e tsunamis ocorridos no Chile.
 
Sabemos que desde os primórdios se houve falar em abalos sísmicos que trazem muitas vítimas, dependendo da escala que foi inventada para medir a intensidade desses terremotos. Um terremoto ou sismo é uma vibração que se origina nas profundezas da terra ocasionando atritos entre as rochas e de onde saem ondas sísmicas. A parte do interior da Terra onde se localiza o epicentro é o ponto da superfície terrestre onde ele se manifesta. Nada acontece por acaso e é bom que se frise que sempre haverá causa para esses abalos. A terra está reagindo à destruição feita pelo homem através de testes com bombas atômicas, queimadas que além de modificar a composição química da atmosfera e o clima do planeta, destrói a flora, a fauna, empobrece o solo, reduz a penetração de água no subsolo; a terra está reagindo em face dos gases poluentes que saem dos veículos e chaminés das fábricas que formam o dióxido de carbono, um dos que provocam o efeito estufa e que continuará trazendo situações catastróficas para a humanidade, principalmente no que tange a inundações, secas, ondas de calor, frio, chuvas de granizo, tsunamis, vendavais e os abalos sísmicos que nos deixam estupefatos em razão da grande destruição e mortes causadas. A natureza está reagindo de forma brutal em resposta a tudo que o homem vem fazendo contra ela, e que, de certa forma, vem deixando-a em transe e com seqüelas irrecuperáveis.

Os desígnios de Deus ninguém jamais poderá impedi-los. O mundo vem sofrendo há bastante tempo, enquanto as autoridades discutem o que podem fazer sentimos que a qualquer momento catástrofes de grande magnitude como as do Haiti e Chile ou ainda mais fortes, podem vir a acorrer em outras partes do planeta. Não somos donos do mundo e o que o homem faz com a natureza é inadmissível e se continuar a desrespeitá-la, estará cavando a sua própria sepultura.

                                    
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas

O Silêncio dos Catataus

Na manhã do dia 22 de janeiro liguei a televisão e fiquei sabendo que o humorista Shaolin tinha sofrido um grave acidente de carro e se encontrava num coma profundo. Aquela notícia estragou o meu dia, como já tinha acontecido quando da internação do Chico Anísio. O Bussunda e Ronaldo Golias já se foram para outra dimensão deixando saudades, não obstante achar que pessoas como eles não deviam deixar este mundo e continuar fazendo-nos rir até enjoar de suas caras, trejeitos e piadas engraçadas. Triste, desliguei a televisão e com o pensamento alhures ainda consegui ler alguns textos publicados no Diário da Manhã e nem bem virei a primeira página me deparei com o título “Onde Está Sinomil?”, frase escrita em letras garrafais e que me  chamou à atenção: Contrariado em lembrar desses nefastos  homens públicos, olhei pela fresta da janela e vi pousar na ponta de um galho seco, no fundo do quintal, um pássaro esquisito. Ele cantou e seu assobio era triste a assombroso. Na luz fosca encoberta pela neblina, não deu para ver muita coisa. Mas ele, sem se importar com a minha bisbilhotice, continuou cantando noutro galho, e quando o sol se esquentou, a neblina desapareceu e aí eu pude notar que era um urutau, escuro com uma mancha branca na asa. Ele perdeu aquele galho seco de formato palaciano, motivo de seu canto melancólico.
 
Contrastando com o malfadado título e com o obscuro urutau, continuei folheando o jornal e fiquei feliz ao ver o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, junto com o Governador Marconi Perillo, o Prefeito Paulo   Garcia e o  secretariado reunidos em palácio. Ali se via uma demonstração de maturidade política. Mas,  minha mente continuou voltada para a pergunta da página anterior e o que simbolizava aquele urutau sentado na ponta daquele galho seco, com o bico voltado para cima, de forma camuflada, que mais parecia ser a  extensão do galho. Tinha o jeito de mandatário maior, mas, pela sua fisionomia, mais parecia um ser abandonado pelos seus amigos “urutaus” e “catataus”. Mas mais revelações me aguardavam à medida que ia lendo aquelas notícias. Fazia novas descobertas, talvez nada que me surpreendesse, se aquele pássaro estava ali representando a figura de um ex-governador que alardeava ter deixado um equilíbrio financeiro para o seu sucessor, entretanto, este ao  assumir, viu tratar-se apenas de uma balela de marketing para prejudicá-lo, sendo surpreendido com várias estradas destruídas, irregularidades de toda monta, um déficit astronômico, gastos excessivos com bebidas alcoólicas, empréstimo obscuro para a CELG no apagar das luzes, e como último ato de irresponsabilidade administrativa pagou empreiteiras em detrimento dos salários dos servidores, além de  não preencher  e deixar engavetado o caderno de encargos da FIFA e CBF que possibilitaria a cidade de Goiânia de se tornar uma das subsedes da copa de 2014.  Agora eu é que pergunto: Porque os   “catataus” Sinomil, Jorcelino Braga, Célio Campos, Adilson, (este, compadre do Governador, já tinha o  apelido de catatau), porque não saem de suas tocas e não se defendem das acusações estampadas diariamente nos jornais? Qual o motivo de tanto silêncio agora?

Mila Naves e As Bolhas de Sabão

Depois de um período eleitoral estafante, mas, feliz pela eleição de meus candidatos Dr. Joaquim  de Castro e Leonardo Vilela, só me entristeci quando vi  meu cavalo pangaré estirado inerte sobre a relva molhada. Vendo aquela cena restaram-me palavras frias que vieram colidir com o medo repentino de ter o que não se pode amar. Sentado no mourão da porteira, ouvi uma canção triste, talvez uma espécie de música a delinear traços de meus relatos, compostos de sentimentos  incompletos e histórias  inacabadas. A vida sem trilhos e sem chão parecia se desmoronar ante os pequenos milagres cotidianos e que ainda pode nos levar para lugares desconhecidos, todavia, ao tempo que tudo parece sombrio, nossos olhos  ainda tendem a brilhar e saltar quando nos lembramos da singeleza latente e dos encantos escondidos em uma linda mulher que um dia os escribas, romancistas e   poetas se curvarão diante dela e passarão chamá-la simplesmente de Mila.

Se tudo muda o tempo todo, para essa mulher nada parece mudar, pois desde a primeira vez que a vi carregava um sorriso amigo, sem maldade e sereno. Saudade deve sentir em demasia e é certo que o seu pensamento vai ao infinito e volta levando e trazendo relatos ordinários confeccionados pela saudade, pelo sentimento e pelo amor inconteste que disse alimentar pela família e amigos. As imagens que gravei em minha memória explodem em um mundo governado por anti-heróis e na sua cabeça de adolescente sei que sempre existirão noites intermináveis, e esses momentos aflitivos serão supridos com a leitura de um romance ou na elaboração de textos para o seu blog literário “Bodega Fantástica” talvez para matar esse tempo, mas tudo, com absoluta certeza, será regado de sons musicais tocados por roqueiros famosos e inesquecíveis. Torturantes horas ou não em que buscará o seu sono perdido. Entre sonhos reprisados sei que és inquieta, levanta e vai até a escrivaninha rabiscar nomes e palavras soltas. Sei que liga a TV, mas se contraria quando não se vê falar em cinema ambiental, cultura, literatura, turismo e artes que é o seu   ponto fraco. Muda de canal, alguém aparece cantando uma canção gospel que independentemente de tudo tem a paciência de ouvir, acreditando que ela lhe servirá para embalar o seu sorriso e amparar-lhe do medo que  circunda o teatro da vida.  Diante de tudo isso e com o pensamento absorto, acredito que deve deleitar-se no sofá no exato momento de seus delírios e subtrações não resolvidas. A matemática da vida e seus constantes mistérios; o silêncio estampado em seus lábios e o semblante pensativo, completam  o pequeno universo que a rodeia. Palavras que queria dizer no passado e frases incompletas não ditas no presente devem mostrar-lhe em um mosaico de acontecimentos da fria realidade escondida em seus olhos que eu defini como furta-cores. No seu Blog  Bódega Fantástica  escreve os sonhos de uma menina coca-cola, apaixonado por rock e cinema ambiental,  mas acredito também que deve deixar suas fantasias no travesseiro  quando é despertada pelo som estridente de uma freada de carro, de um latido de cão, de uma  batida no portão, de um grito de gente na escuridão ou de um despertador, que certamente, sempre lhe roubou os melhores momentos de um sonho, mas, tudo isso, não lhe tiraram a esperança em um  mundo melhor, no apoio da família, dos amigos e a fé inconteste em Jesus de Nazaré.
 
Os sonhos seus devem estar voando como bolhas de sabão e elas estão subindo e recebendo em seu corpo pequeno e redondo, cintilantes raios de sol e são levadas pelo vento enquanto espera o tempo     passar. Esperar para quê? Já é adulta – e fria como a todos os amadurecidos ou apenas reflexos que     recriava o que tinha sido até então.  Neste momento que escrevo nuvens estão cobrindo o céu enquanto o sol se torna apenas coadjuvante e luta ferozmente para raiar e  iluminar a terra neste final de tarde.  De    madrugada, antes de receber as flechadas solares, deve ter-se lembrado das bolhas de sabão que alguém soltou de um canudinho e que adoraria ser para poder flutuar no espaço e desafiar a gravidade e jamais pensar em um mundo incógnito que continua girando, sem freio, sem pressa, sem sonho, sem  expectativa e alegrias de alguns, geralmente camufladas em sorrisos irônicos. Suas palavras sábias ditas ou não ditas naquele dia ou durante sua existência e suas expectativas quanto ao futuro certo ou incerto, assim como as bolhas de sabão, tenho a certeza de que um dia levarão os seus sonhos delineados na Bódega Fantástica que serão repaginados pelo travesseiro celeste, cujas bolhas, certamente, terão destino certo: as  mãos de Deus. Não obstante venha se encontrar indecisa sobre em que parte do universo estouraria a sua bolha de sabão, sei que hoje está confiante, feliz e certa de que virão dias melhores, mas, também consciente que nesses mesmos sonhos poderão se repetir as mesmas adversidades, os mesmos temores e acalantos antes do sol nascer.
 
Namastê!!!!!



VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA.  É advogado e escritor – Membro da União Brasileira dos Escritores.   E-mail: vdelon@hotmail.com Autor dos Livros: Uma Pedra no Caminho; O Mistério do Morro do Além; e Espelho das Águas.

 
Vanderlan Domingos © 2012 | Designed by Bubble Shooter, in collaboration with Reseller Hosting , Forum Jual Beli and Business Solutions