Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

A bisneta de minha cegonha.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Não sei como aconteceu, mas desde pequenino minha mãe dizia que foi uma cegonha que me deixou lá pelas bandas da Fazenda São Domingos dos Olhos D’água. E lá antes de me tornar adolescente eu fui paparicado por toda a família e depois, meus pais mudaram para a cidade de Morrinhos. Mais crescidinho, fiquei sabendo que uma senhora tinha ajudado minha mãe durante o parto. Bem, se teve parteira, então elas mentiram para mim dizendo que uma cegonha tinha me trazido num voo alado, esquisito, mas, mesmo assim, insistiam que a aquela ave me deixou lá, bem bonito, sobre um colchão e lençol com cheiros de jasmim. Eu em tudo acreditava. Depois passei a entender que o meu mundo realmente era esse e muito bem cuidado. De lá para cá, entre trancos e barrancos, já se passaram décadas desde que saí do útero da minha mãe, e não do bico da cegonha como me contaram, tempo que me abstenho de contar. Num certo dia, já bem grandinho e como era comum à época, um padre jogou água na minha cabeça molhando os meus cabelos loiros dizendo algumas palavras engraçadas. Pronto! Eu estava consagrado a Deus! E o pior, como eu já estava realmente grandinho e nem me perguntaram se queria aquilo, entendia que tudo não passava de uma conspiração contra o meu "livre arbítrio". 

Assim fui crescendo, sem mimos, sem pai, que falecera ainda jovem, e entre uma birra e outra, coisa teatral de menino esperto, sempre me lembrando da parteira que dizia ter-me recebido embrulhado numa fralda pendurada no bico de uma cegonha, que sabia ser mentira, mas logicamente, as suas palavras trariam no futuro algum sentido a minha vida.  A cegonha que dizia ter-me trazido lá do céu não fez voo cego e também deve ter vindo em forma de Espírito Santo deleitando-me carinhosamente no útero de minha mãe. Os anos se passaram e hoje dúvidas não pairam mais e nem busco respostas para querer endireitar a história. Todavia, entendia que não deveria ser assim, afinal, mesmo sem que eu soubesse, tinha nascido crente na existência Deus e acho que ninguém duvida, porque até aqueles que se dizem serem ateus, quando prestes a sofrerem um acidente ou um susto repentino, dizem: Meu Deus do céu! “Minha Nossa Senhora! De minha parte, a única coisa que não podiam e nem podem discordar é que eu era e continuo católico, afinal eu nasci de mãe e família ligadas à igreja católica, então por que ir contra a natureza de quem acredita em Deus. Fui criado assim forçado a acreditar, sem nenhuma opção, sem o "livre arbítrio". Um dia, para escrever um livro de cunho religioso que intitulei “Espelho das Águas”, tive a bela idéia ou quiçá, a obrigatoriedade de ler a Bíblia, não que eu já não a tivesse lido, mas, em razão dessa obra, achei-me na obrigação de ler tudo. Então crente na existência de Deus que eu já cria, aumentou ainda mais sem maiores contratempos. 

Mas, a lenda da cegonha que a parteira resolvera me injetar na cabeça, tinha que voltar à tona neste texto em razão dos últimos acontecimentos que me deixaram apreensivo.

Dizia ela que tempos idos, num Reino que a parteira não se lembrava mais, havia uma mulher que gostava muito de crianças. Ela era amiga de um famoso médico ortopedista que casara com uma mulher infértil, situação que o deixava desnorteado porque ginecologia não era a sua especialidade. O problema é que a sua mulher não poderia engravidar, embora este fosse seu maior sonho. Ela que gostava muito de crianças certo dia ficou sabendo de uma situação idêntica à sua numa região não muito longe de sua cidade e aí resolveu procurar por um bebê abandonado. Acompanhada por uma escolta de escravos andou e caminhou incansavelmente, mas não encontrou nenhum rebento. Como estava exausta, decidiu pegar um barco, atravessar rio e ir ao Reino das Cegonhas, mas, de repente, ela viu uma cesta flutuando e nela uma recém-nascida, linda, de olhos azuis. A mulher não perdeu tempo e levou a criança até o esposo que, felizes, adotaram o bebê. 

O mandatário maior do Reino das Cegonhas ao saber daquela situação ficou furioso e para castigar aquela senhora chamou um feiticeiro e pediu que a transformasse numa cegonha, e como forma de aumentar a minha tensão, a parteira disse, na maior cara de pau e achando que eu era bobo, que a partir daquela dia, aquela "mulher cegonha" passou a encontrar bebês abandonados e levar para as mulheres que não podiam ter filhos.

O tempo se passou e esta lenda que veio além de mais além chegou até a região de São Domingos dos Olhos D’água onde nasci e com certeza, a história veio com muita
s alterações. Se correto ou não, a parteira continuou com sua narrativa... “Naquele Reino, com vergonha de contar de como nasciam os bebês, as mães quando davam à luz diziam aos filhos que as crianças eram trazidas pela cegonha e era a forma que elas achavam para justificar o aparecimento repentino de um novo membro na família e isso veio passando de geração a geração. E o curioso é que para explicar o descanso da mãe depois do parto e o quarto sujo de sangue, elas falavam aos filhos que a cegonha tinha bicado as suas pernas”. 

Diz à lenda que quando uma cegonha faz ninho na chaminé de uma casa é sinal de que uma das mulheres ficará grávida logo. Ainda bem que é só lenda! A maioria das mulheres hoje mora em apartamentos e os prédios não têm chaminés. E foi em razão deste pequeno detalhe impregnado na região recôndita do meu cérebro é que me fez sonhar com uma cegonha, até conversar com ela e no final da conversa, me deixar surpreso quando disse: “Não sou a cegonha que te levou até sua mãe. Sou a bisneta dela e hoje sou responsável para levar estes bebês, ora enfileirados neste imenso berçário. Veja aqueles berços ali, têm gêmeos e são seus netos Davi e Letícia. Estou aguardando autorização para levantar voo e levá-los para sua filha. Ela é merecedora. Sei que orou e fez promessas para que isso acontecesse, mas, não tenha pressa porque Deus te escutou e atendeu suas preces. Agora me despeço porque tenho que alçar outro voo para levar aquele bebê-príncipe até o Reino das Astúrias”. Fui!...


O caça-fantasma, o dízimo político e o social.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Diz o Aurélio que fantasma, na crença popular, é a alma ou espírito de uma pessoa ou animal falecido que pode aparecer para os vivos de maneira visível ou através de outras formas de manifestação. Fantasmas são geralmente descritos como essências solitárias que assombram um local, objeto ou pessoa em particular a qual estiveram ligados em vida, embora algumas histórias a respeito fossem apenas estórias.

Seja contando histórias ou estórias, a criatividade nas pontas dos dedos de quem as manipula num teclado nem sempre tem a mesma fluidez ou lucidez daquele que tem o poder de evangelizar e levar a palavra de Deus a milhares de pessoas seja através das celebrações em sua igreja, seja através do mundo virtual, seja através da televisão ou rádio, afinal, a mensagem é universal. Mas é claro que devemos estar sempre atentos e vigilantes, principalmente quando assistimos uma empresa televisiva perseguir pessoa de nosso convívio; pessoa que dedica toda sua vida em prol da comunidade carente de nossa cidade, que se intitula: caça-fantasmas. Pois bem, o que vou contar a seguir, mesmo sendo ficcional, não é estória, pois foi extraída de fato real, então se é fato real é história. Quero me abster de dizer o nome, pois entendo que não é necessário nominar o que todo mundo já sabe.

Dias atrás, alguém viu um vulto caminhar lentamente no corredor de um palácio legislativo. Esse alguém que se dizia um experiente caçador de fantasmas ficou à espreita, ansioso, pois era uma noite de sexta-feira 13. Parado na ante-sala aguçou os ouvidos, pois os passos não estavam tão longe dali e seguiam cadenciados sobre o piso, emitindo um som fúnebre. O vetusto vulto carregava uma pasta preta cheia de documentos para entregar ao grande rei ou presidente, sei lá. Mas quem era aquele vulto que o caça-fantasma escutava através de um sensor e auxiliado pelo uivo vento que penetrava por uma janela e causava arrepios?  Será que eram fantasmas que estavam retornando ao Palácio para tomarem posse de seus lugares ou devolverem valores recebidos. Os apagados rostos passavam diante dos espelhos e não se viam. Eram de fato fantasmas. Os calados passos que vinham dos corredores, além dos aparelhos ultra-sensíveis, precisavam do auxílio do vento porque caso contrário, ninguém ouviria de suas inexistentes bocas o longo e melancólico silêncio do desamparo das pessoas ainda vivas ali. 

Essa empresa caça-fantasma que se dizia superior a todo mundo que apareceu nos corredores palacianos tenham um aparato capaz de deixarem todos com a mínima chance de defesa. Bem ao contrário daquele famoso mascarado que vivia nas selvas africanas, cujas façanhas eram e ainda são divulgadas em gibis e até em cinemas, todavia, ele lutava contra as injustiças praticadas pelo homem, tinha motivações para se tornar e vestir-se como a um fantasma, de esconder sua identidade, mas não era alma penada e nem invisível. Quanto ao ser superior que adentrou ao corredor palaciano, desde logo todos observaram que algo de muito podre estava para acontecer por lá. Mas ele enfrentou e ainda enfrentará uma enorme reação por parte da sociedade, pois ao nominar e postar imagem apenas de uma pessoa, alguém especial, digno, grande evangelizador, e que foi considerado naquelas cenas televisivas um fantasma-mor, doeu na sociedade que o conhece. Represália se sabe que foi e que foram essas as intenções de bateram sem dó. Sequer comentou sobre sua vida sacerdotal, do ser humano notável que é e um verdadeiro cidadão, cuja vida sempre foi um livro aberto e voltado para atender ao mais carente. O pior é que esse pessoal que se diz caçador de fantasma fez renascer o mais xenófobo dos sentimentos aos telespectadores, aquele de reação aos verdadeiros fantasmas que nunca prestaram serviços a aquele Reinado. Foi um alvororoço total. O MP Fantasmagórico que cuida de tal conduta solicitou da direção daquele palácio a instauração de uma sindicância para apurar o eventual envolvimento de fantasmas naquele local. Uma lista enorme foi feita e publicada em um jornal do mesmo grupo e nele, somente nomes impressos sobre um símbolo fantasmagórico, sem rosto, talvez porque eram “fantasmas” graúdos e essa “coisa” (alma) não dizem não ter rosto. O controlador palaciano durante a investigação deveria analisar meticulosamente os documentos assinados e autorizados pelo rei que os colocaram à disposição de outros reinos. Os fantasmas relacionados, cujos nomes foram impressos sobre símbolos, por sua vez, vão ter que ser identificados, assim como, devem retirar os capuzes, mostrarem seus rostos, relatar o que faziam em prol da sociedade fora do Reino e não somente aquele sacerdote dedicado que foi barbaramente perseguido pelo dito caça-fantasma televisivo.

São público e notório que ele sofreu e vem sofrendo represálias por parte desse caça-fantasma porque em suas pregações foi e continua crítico implacável de novelas que banalizam condutas como homossexualismo, prostituição, incesto, e apologia às drogas que deixam todos indignados. Volto ao preâmbulo para concordar com o ensinamento do Aurélio sobre a palavra fantasma quando diz que ela é a alma ou espírito de uma pessoa ou animal falecido que pode aparecer para os vivos de maneira visível ou através de outras formas de manifestação. Com relação ao caso palaciano, servidor fantasma para mim é como a citação acima, ou seja, é aquele não está à disposição de coisa nenhuma, não presta nenhum serviço à sociedade, só a ele próprio e ao seu rei que logicamente, sabe onde ele se encontra para poder lhe enviar o seu quinhão no final de cada mês e às vezes, sem precisar dele ir ao banco. Só tem trabalho em época de eleições. O pior é aqueles fantasmas que sacam e depois devolvem maior parte do que recebeu para o seu contratador. È o chamado “dízimo” político. Só que não devolvem somente os dez por cento como se vê em citação bíblica. Quanto ao outro, comprovadamente perseguido, é diferente. Sabem por quê? Ele usa batina. Só que ele se encontrava e ainda se encontra à disposição para onde o rei o mandou, tinha e tem autorização e comprovação de sua freqüência mensal assinada pela Mesa Controladora do Reino, porque, caso não tivesse essas freqüências, o valor não seria depositado em sua conta bancária. Pergunto mais: Será que uma pessoa consegue trabalhar vinte anos num mesmo local sem que ninguém perceba, principalmente um líder religioso super conhecido como ele? Por que só agora levantaram a sua situação de servidor efetivo? Comenta-se na cidade que se trata de uma perseguição do caça-fantasma televisivo em represália ao que ele cobrava das indecentes novelas que agridem a moral e aos bons costumes das famílias brasileiras e sendo assim, resolveu colocá-lo na capa da manchete. Também é que dá IBOPE. No entanto, interpretando sistematicamente o dicionário Aurélio podemos afirmar que os verdadeiros fantasmas não têm documentos, estão em lugares incertos e não sabido. Nem comparecem ao local de trabalho e você não os enxergam porque são fantasmas mesmo! Agora o outro, coitado - o perseguido, todo mundo sabia e sabe onde encontrá-lo. Ele não é fantasma sabe por quê? Além da documentação que prova a sua legalidade de disposição e freqüência, já bastante comentada, ele pode ser encontrado na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus celebrando missas e entregando cestas básicas ou fornecendo café da manhã aos pobres; pode ser encontrado num hospital visitando doentes, num presídio pregando o evangelho, no lixão de Aparecida de Goiânia onde leva ajuda necessária para a sobrevivência daquelas numerosas famílias; pode ser encontrado na Casa Mateus 25 onde mantém e cuida de pessoas enfermas, assim como, na Casa de Nossos Pais, mas se forem procurá-lo lá, por favor, não vão de mãos vazias, levem alguma ajuda. O dízimo dele é social e nem precisava devolver, mas ele devolve, até os centavos, não para os políticos como fazem alguns, mas sim, para a Comunidade Atos que tanto necessita de sua ajuda, assim como, de todos nós. Paz e bem.


A última estação.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Adolescente, saía caminhando sem rumo pela estrada aguçando os ouvidos para ouvir o canto harmonioso dos pássaros e o apito inebriante da locomotiva avisando de sua chegada na última estação. Em alguns momentos parava no acostamento para escutar o barulho cadenciado sobre os trilhos e quando ouvia, meu coração acelerava esperançoso em saber que aquela linda menina já estaria lá à minha espera. Quando a conheci pela primeira vez naquela estação, tivemos apenas uma troca de olhar e foi amor a primeira vista. Começamos a ensaiar um romance que duraram meses. Certo dia depois de sua partida, desenhei num vagão abandonado um coração e nele escrevi nossos nomes com cores rubras, as quais, com o passar dos anos não resistiram às intempéries do tempo, se esvaíram ao espaço como se esvaíram a dor e a saudade de sua eterna ausência. Ela nunca mais retornou àquela estação e eu nunca mais a vi.  Eu era adolescente que enxergava o amor nas mínimas coisas e anotava tudo num caderno repleto de frases poéticas, mas naqueles dias de intenso romantismo pasmem amigos! Esqueci de enxergar o óbvio: anotar o sobrenome e nem o endereço dela. Anos se passaram e à medida que ia andando pela mesma estrada, como por encanto, via surgir por detrás da folhas das árvores o seu rosto angelical e olhar lânguidos que naquele final de tarde eram compartilhados por resquícios raios do sol. A saudade era tanta que abria o meu peito e o enchia de ar só para que eu sentisse os perfumes das flores trazidas pelo vento, e quiçá, de alguns resquícios do perfume de Joyce, talvez ainda impregnados nos campos verdejantes que se esparramavam pelos terrenos férteis. 

Observava o movimento dos pássaros, sentia o sol queimar o rosto, mas naquele final de tarde, me deliciava quando o via o sol descer soberbo no horizonte emitindo raios alaranjados. Sentia uma sensação inigualável. O rosto dela era parte integrante do cenário, que de tão perfeito, parecia onírico. Mas, voltando ao tempo de adolescência, ao caminhar por aquela “estrada da vida”, não soube escolher o caminho certo e ás vezes, andava a esmo, sem lenço para enxugar as lágrimas ou um documento qualquer que pudesse identificar-me ao recebê-la na última estação. Talvez, quisesse enxergar certas coisas de uma forma, não como hoje, que, calejado, em face da labuta cotidiana, passei a ver de outra, não porque tudo tenha mudado, mas porque a minha forma de interpretá-la mudou. 

A “estrada da vida” se esticou assim como o tempo que passou sobre os nossos rostos deixando-os  carcomidos.  A estrada que percorremos fez-nos deixar para trás muito choro sufocado e muita injustiça a ser vencida. Mas, seja qual for à estrada, se de chão ou de ferro, nem sabemos em que parte dela a dor deve ser curada, sabemos que ela nos conduzirá ao mesmo lugar e trafegar ou equilibrar sobre ela é o que se  questiona. Podemos até passar rapidamente ou devagar sobre ela, não importando a velocidade que imprimimos. Podemos causar impactos, sentimentos vários nas pessoas ou em nós mesmos. Podemos encontrar durante nossa caminhada dias nebulosos, ventanias, sol extremamente quente, noites e dias frios, pedras, espinhos e até pessoas que passam por esta mesma estrada, umas com semblantes rancorosos, outras distraídas, venenosas, falsas, egoístas e outras cheias de amor, mas, todas sabendo, que no final da “estrada” todos terão o mesmo destino: rostos carcomidos pelas intempéries do tempo, para não dizer que chegaram à velhice e como final, a morte, para uns, o descanso eterno, para outros, é vida nova no paraíso, mas, para mim, é somente a certeza de ter conseguido chegar ao fim da estrada ileso e pagando menos pedágios.

Tem dia que sentamos na beira da estrada e sentimos o vento levar nossos pensamentos sem pedir licença. Tem dia que pegamos pétalas de rosas à sua beira e elas nada exalam. Tem dia que vemos passar por ela marés de incertezas e não reagimos. Tem dia que tentamos encontrar outra estrada e sonhar um sonho que almejamos sonhar, mas não conseguimos. Tem dia na estrada que a noite é pesada demais mesmo sem  termos pesadelos. Tem dia que nos lembramos do passado sem assombros, mas, tem dia que a vemos cheios de escombros. Tem dia que perdemos alguém na “estrada” ou na última “estação” que muitas vezes nem dávamos o devido o valor. Tem dia... Ah, se tem!

Caminhando à beira da estrada e com o pensamento absorto, percebi que o meu passado é a estrada que percorri durante toda a minha existência e este aspecto não devo esquecer. Foi através desta caminhada longa, entre erros e acertos, com realização profissional ou não, é que cheguei onde estou ou encontrei a  felicidade de haver ao longo dela encontrado o amor, a paz, fazer grandes amigos e realizar alguns sonhos, talvez pagando pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e nos dificulta  alcançar outros sonhos, objetivos e ou mesmo chegar à última estação.



Evangelizar, defender a família, salvar vidas, isto sim é que é FANTÁSTICO!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma repórter do programa FANTÁSTICO da rede Globo ao abrir uma matéria sobre “funcionários fantasmas” nas Assembléias Legislativas de todo o País, ai iniciar sua fala, mesmo antes de mostrar uma enorme listagem de servidores disse: “Com “pretexto” de fazer caridade Padre Luiz Augusto recebe da Assembléia Legislativa sem trabalhar”. Essa repórter talvez desconheça a frase que ele carrega consigo desde quando foi ordenado padre: “Eu vim para servir e não para ser servido”, da mesma forma deve desconhecer totalmente o trabalho social que ele realiza como a manutenção da Casa Mateus 25, que conta com mais quinze enfermos, que sem apoio familiar recebem todos cuidados há bastante tempo na Comunidade Atos. Também deve desconhecer a Casa de Nossos Pais, que cuidam de muitos idosos; deve desconhecer sobre a distribuição mensal de gêneros alimentícios (cestas básicas), de pães e de café da manhã feitos diariamente na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus em Aparecida de Goiânia; deve desconhecer a existência de assistência médica e odontológica para os menos favorecidos; deve desconhecer suas visitas em hospitais e presídios onde leva evangelho; deve desconhecer que ele é um grande evangelizador para num programa a repórter dizer que o Padre Luiz Augusto recebe o salário da Assembleia “com o pretexto de fazer caridade”. Não foi possível identificar o nome da repórter que talvez tenha recebido o texto pronto para falar tal asneira. A manutenção de tudo isso fica extremamente caro, sem falar no pagamento de empregados e impostos. Ademais, o Padre não é comissionado, é concursado e tem seus direitos garantidos por lei e das disposições autorizadas e freqüências assinadas pela Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, senão, caso contrário, não receberia seus salários. Para receber é necessária a apresentação de freqüência todo mês. Salários estes que ele nunca usufruiu, colocando-os a serviço da comunidade carente de Goiânia que sempre foi o seu propósito desde que assumiu a condição de sacerdote

Para quem assistiu ao programa do último domingo e conhece o trabalho social e evangelizador do Padre Luiz, sua luta insana contra as pornografias expostas em outdoors e nas telenovelas exibidas pela TV, isto sim, para nós, o trabalho do Padre é que é FANTÁSTICO! A vida de um homem, sendo padre ou não, tem que ser respeitada e não exposta da maneira que foi. O Programa da rede Globo deixou-o como se ele fosse centro dos holofotes, o pior dos marginais, quando existia uma lista enorme de “fantasmas” cujos nomes sequer foram citados e estes realmente, além de serem verdadeiros fantasmas, nada faz para a sua comunidade. A TV usou o padre como protagonista principal, talvez por ser humilde, usasse batina surrada e não smoking, mas se usaram isto como represália por ele defender a família em face das novelas globais que ferem a sensibilidade e os bons costumes é de dar dó.

O fato é que a moral do cuidado que devemos ter quando uma criança assiste a uma cena explícita e beijos entre pessoas do mesmo sexo, podemos dizer que é um paradigma repleto de nuances e trilhas que nem sempre ou jamais conseguiremos explicar. Porque se cuidar é inerente ao homem, nem sempre isso indica zelo ou preocupação com o outro. Mães amam e cuidam de seus filhos quando os possibilitam crescer e descobrir seus próprios caminhos, errando inclusive, ou amam e cuidam de seus filhos quando mergulham sobre eles de forma acolhedora, à vezes de forma dominante, fazendo tudo por eles e mantendo-se protagonistas de uma história sem manipulação, verdadeira, real, ensinando o evangelho, onde não deixarão espaços para que outros submundos intrometam com suas coisas banais, porque além do cuidado do evangelizador, do amor da família que acostados ao ensinamento do evangelho, dominarão o mundo profano.

Somos frágeis na preservação de nossos vínculos, somos predadores naturais das relações humanas, nos perdemos nas infinitas bobagens de quem, em tantos delirantes momentos como a que vimos no último domingo no programa Fantástico onde percebemos a vida como a um palco onde o monólogo só não nos basta. É preciso de todos os fantasmas, de citarem todos em cena ou pelo menos os mais famosos, aqueles que imaginamos cuidar na platéia dos papéis, da contratação, da demissão, que tem o poder de colocar alguém a disposição de outrem, para que nós protagonistas televisivos que somos não deixemos de repudiar a imoralidade e aplaudir àquele que nos oferece o cuidado.

O evangelizador é a mais preciosa e revolucionária ferramenta, inclusive para soltar os cordões e permitir que o balão voe um voo mais alto. Pergunto: Há amor mais bonito do que aquele pratica o bem sem olhar a quem, que admira com prazer a conquista de quem se ama e a quem também dedica com seu amor aos mais carentes como o Padre Luiz Augusto faz?



Dê a seta o que é de seta

sábado, 6 de junho de 2015

Para intitular este artigo assim “Dê a seta o que é de seta” busquei no texto bíblico a famosa frase “Dê a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Intitulei dessa maneira mais para chamar à atenção dos leitores motoristas que trafegam por nossa Capital. Essa frase foi de suma importância para definir o raciocínio de Jesus Cristo já que todos os imperadores romanos tinham o titulo de Cesar. Portanto ao proferir essa frase Jesus queria dizer que não era contra e nem queria peitar o império romano. O raciocínio Dele era assim: Dê a Cesar os impostos, as contribuições, que as leis exigiam e dê a Deus as orações, as adorações. Isso ele repassou aos seus discípulos, somente com a intenção de não misturar estado e religião. E é assim que eu entendo, mas no caso em tela, “dê seta o que é de seta”, dê mesmo principalmente quando for virar à esquerda ou à direita, porque Deus não quer misturar as coisas e deixar tudo ao seu livre arbítrio.

E foi nessa intenção de não querer peitar ninguém, apenas orientar e sensibilizar aos motoristas que não dão a mínima para a danada da setinha. Quando viajam por esse Brasil afora muitos deveriam fazer alguma coisa para melhorar a sua saúde, mas não fazem, ou seja, não procuram dormir bem e nem se alimentam melhor, não avisam aos familiares que vão chegar atrasados. Quanto ao sono, este é um assassino que não tem arma, mas se descuidarem, ele mata. No que se refere ao trânsito dentro de uma bela cidade como Goiânia, por exemplo, o sono não tem arma, mas o usuário de bebida alcoólica tem e mata, assim como, a danada da seta se não for usada pode causar acidente sério e matar. Não dar seta se tornou uma rotina e os motoristas sabem que não custa nada subir ou descer a alavanquinha. Para quem não sabe o que é seta, digo sem medo de errar que é aquela alavanquinha logo ao lado do volante, que, quando a gente aciona pra cima ou pra baixo acende uma luzinha do lado de fora do carro, sinalizando para quem vem atrás alertar que você vai virar à direita ou à esquerda. Pois bem, mas aqui em Goiânia a maioria não usa, tem preguiça de usar ou é imperícia mesmo. Além dessa alavanquinha tem um monte de outras coisas que as pessoas por aqui fazem, deixam de fazer e não deviam no trânsito. A seta é item de fábrica, vem em todo carro, sem exceção, está ali ao alcance da mão, é só esticar os dedos para movê-la de um lado pra outro, não desgasta por excesso de uso, não faz barulho e nem requer nenhuma habilidade especial para seu correto manuseio. No entanto, alguns motoristas de Goiânia simplesmente preferem ignorar sua existência. Será que querem transformar a experiência de dirigir no trânsito caótico desta cidade em algo inusitado, lúdico e surpreendente, tipo: ‘Para onde será que a seta vai agora?

Quando você está ao volante à coisa funciona mais ou menos assim: alguém está à sua frente, ameaça mudar de pista, fazer uma conversão qualquer; ameaça encostar, sair da vaga, entrar na vaga, o sujeito fica indeciso, esquece da seta, cabendo a você, e tão somente você, adivinhar qual a intenção dele. Nem adianta meter a mão na buzina, piscar o farol ou lembrar-se carinhosamente da mãe dele, pois não vai se abalar por conta disso. Você que vem atrás é que se vire ou se preocupe a tomar as devidas precauções.

Mas seria extremamente injusto de minha parte insinuar que os motoristas de Goiânia nunca dão seta. Essa seria uma generalização muito perigosa e, além disso, falsa. Claro que os motoristas daqui sinalizam de vez em quando como acontece com outras cidades. Por exemplo, aqui na Capital sempre avisam quando vão fazer alguma coisa que é proibida ou mal feita, ou seja, quando vão parar em fila dupla, frente a uma escola ou na porta da garagem. Ligam o pisca - alerta, como se avisando “vou ali rapidinho e logo estou de volta, agüenta aí colega”! E pra fazer uma conversão proibida. Aí não se esquece da seta e ainda usa as mãos pra fora para reforçar a sinalização que sabe proibida. O pior é quando vão encostar pra pegar um passageiro na calçada que não possui acostamento. É uma pista à direita e logo atrás estão muitos carros que precisam frear bruscamente pra não encher a traseira do sem-noção.

Quando você não é um sem-noção, um daqueles alienígenas esquisitos que sinalizam regularmente e o que vão fazer obedecem ao que é proibido, aí ninguém leva muita fé, acham que você está fazendo hora com a cara dos outros. Colam no seu pára-choque (seu não, digo, o do carro) porque não é possível que aquela seta pra direita signifique que você vai virar à direita de verdade, vêm a mil por hora porque não acreditam que você esteja realmente reduzindo a velocidade. E ainda passam metendo a mão na buzina dizendo: ô roda dura! Então você me pergunta: mas onde estão os valorosos agentes do trânsito, que deveriam ver essas coisas e botar ordem no boteco? Estão multando carros estacionados sem talão de Faixa Azul, porque multar carro em movimento dá uma trabalheira danada. Sim, esta é uma cidade que fechou a praça cívica onde estacionavam mais de dois mil veículos causando um transtorno danado no centro. Caro leitor, eu simplesmente cansei. Cansei de tudo, do mundo real, do palpável, do prático, do imaginário, do surreal. Cansei da visão fantasiosa sempre contrária ao mundo real. Cansei do trabalho maçante e de tudo aquilo que estressa; cansei de reclamar do errado e das coisas erradas, cansei daqueles que fazem denúncias vazias, caluniosas, difamatórias e não enxergam o seu próprio umbigo. Cansei da escada tortuosa construída até aquele andar onde esperava alguém descer, apenas descer. Cansei de passar pelo mesmo trajeto onde passam os imprudentes que irresponsavelmente fazem ziguezague com seus veículos na avenida. Cansei do bonito que a natureza mostra, mas sempre é desrespeitada; cansei da ilusão de beleza que se vê em cada rosto. Cansei, cansei mesmo! Então, o jeito é mudar para o interior, onde deva existir apenas uma rua, sem sinalização, sem cruzamento ou acostamento proibido, e lá, com meu possante, serei rei, mas não como os Césares Romanos



Lixos Humanos.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Raimundo Nonato vivia com sua família num casebre iluminado apenas por uma pequena lâmpada. Um amontoado de fios atravessava o teto coberto por restos de telhas alumínio que conseguira junto à construção civil. As paredes eram de puro adobe e a única porta possuía uma pequena tramela. Quando se adentrava ao pequeno barracão logo se deparava com um fogão à lenha soltando labaredas que se misturavam com o vapor que saía de duas panelas de ferro e dentro delas, minguados arroz e caldo de feijão. O calor era insuportável. No quarto, crianças desnutridas se amontoavam em pequenos colchões e silenciosas, ficavam olhando a figura angustiada do pai que debruçado no vão da janela olhava o nascer do sol, parecendo esperar por dias melhores e ver realizado o seu sonho maior possuir casa própria.

Anestesiados pela dor que pune as paredes estomacais pela falta ingestão de alimentos, aquele trabalhador e seus três filhos, desnutridos, peles corroídas  pelas intempéries do tempo, mesmo sentindo o mau cheiro que vinha do esgoto que corria a céu aberto, ainda conseguiam ouvir no pequeno radinho de pilha, os  sussurros, maledicências e descrições  metafóricas das sandices humanas. Ouviam estupefatos, comentaristas falando das ações de governadores e prefeitos que deixam o Estado e Município em penúria, que para eles, mais  pareciam cenas de filmes de ficção, e em tom conspiratório, eles abandonam os mais incautos, transforma-os em lixos humanos e nem dão a mínima para aqueles que os elegeram, mostrando uma desfaçatez absurda e curiosa que não se limitam a própria esfera de seus infortúnios políticos.

Não mais suportando estas decepções que a vida prega em todos nós pessoas de bem, tento corroborar na tentativa fajuta de escape de minha circunstância natural refutada pela aversão ontológica daqueles que mentem descaradamente para assumir e se perpetuar no poder, escarnecem-se do eleitor, do humilde trabalhador, do professor, do honrado, do honesto, de tudo... Falo daqueles que se esbravejam diante das minhas minúcias; falo daqueles inescrupulosos desguarnecidos em seu próprio habitat, que fugidamente retroagem aos gêneses dos ritmos das marchas fúnebres. Falo desses “seres” políticos que parecem posar na personagem maculada dos observadores mais atento que vêem neles figuras de  rostos-preguiças sentados em poltronas de anos de maledicências, apresentando silhuetas caricatas dispostas ao ridículo.

Os rostos desguarnecidos de qualquer compostura, demonstrando falta de zelo e respeito com a coisa pública, prática do exercício da improbidade administrativa, falta de consideração com o povo e aos órgãos públicos ou entidades que administram essas figuras políticas nefastas, felizmente, não chegavam aos olhos do Raimundo e seus filhos porque eles não tinham TV. Somente através dos comentaristas podiam absorver de cada palavra a profunda decepção em forma de pintura de escárnio, tal como aquela dor que sobe por nosso estômago e que muitas vezes nos levam ao vômito.

Ainda bem que o povo acordou. Ainda bem que começaram a respirar liberdade e extrair a dor que contraíram seus músculos de moralidade. Ainda bem que estamos começando a recuperar o tempo perdido. Ainda bem que voltamos a acreditar em dias melhores, na volta da ética e da moralidade pública, na felicidade do povo brasileiro, assim como, certos estão de que um dia não mais voltaremos a visualizar lixos humanos, como se eles, amontoados em seus casebres, fizessem parte de um teatro de horror, cujos personagens parecem ter saído de filmes que protagonizam cenas inenarráveis que estão lotando de infelizes os palcos da vida urbana. Se os olhos desses políticos por mais embaçados, marejados e míopes não verem; se os ouvidos deles não escutarem o clamor que vem das ruas; se todos os responsáveis continuarem empurrando com a barriga pode ter a certeza que a pobreza tende a aumentar e vai ocorrer uma revolta geral e em razão disso, o aumento da criminalidade como já vem acontecendo em todo País e também vai proliferar de uma maneira assustadora, incontrolável e destruir vidas, famílias e como conseqüência, aumentar os lixos humanos, todavia, espero que essa revolução social que todos almejam com a derrocada dos políticos lesa-pátria, dos corruptos, dos que subjugam e enganam o povo, dos que compram, dos que escravizam, do que fraudam eleições para permanecer no Poder aconteçam antes que estas linhas sejam denotadas de melancolia e decepção.




Se eu viajasse amanhã.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Se eu viajasse amanhã levaria na mala do meu coração a bolinhas de gude azul que numa tacada só, usando o dedão da mão direita, colocava-as uma a uma nas cinco covinhas feitas no chão batido; levaria as fincas pontiagudas que fincavam o chão rente às linhas imaginárias do terreno úmido do quintal; lavaria a minha bola de meia que recheava de palha de arroz; levaria minha tabuinha de pirulitos; levaria comigo a minha caixa engraxar que juntos, fizemos muitos sapatos brilharem; levaria comigo o som da fanfarra, dos trombones, dos toques das cornetas que alegravam os desfiles militares e estudantis ocorridos no Dia da Independência; levaria comigo o som gostoso da velha locomotiva, os sorrisos dos passageiros, os acenos de adeus e o apito sonoro do trem ao fazer a última curva da estrada despedindo-se das pessoas ribeirinhas; lavaria do jardim de minha existência as gotas de orvalho, o néctar das flores, as lindas manhãs primaveris, e longe dos holofotes, dos olhares humanos e burburinhos, levaria o silêncio do monjolo, o cântico dos pássaros, o cocoricó rouco do galo Barnabé anunciado um novo dia e a suavidade da água límpida que descia mansa sobre o rego d’água.

Se eu viajasse amanhã levaria na mala do meu coração o amor, a dedicação e virtuosidade de minha mulher; a disciplina e carinho de minha filha e filhos; a paz e amor de meu genro e noras, a pureza de minhas netas e netos, o sorriso angelical de minha saudosa mãe, o carinho desmedido de meus irmãos, irmãs, primos, primas, sobrinhos, sobrinhas, cunhados, cunhadas, sogro e sogra e as amabilidades dos meus vizinhos, da zeladora e porteiros do edifício onde moro.

Se eu viajasse amanhã levaria de minhas amigas e amigos editores, escritores, romancistas, poetas e articulistas os seus neurônios porque sei que de lá saem seus escritos, prosas e versos, dotados de ritmos e rimas que se extravasam em cada prolongamento das células e as quais me fazem cair em deleite e levam-me ao êxtase mesmo em noites mal dormidas. Levaria comigo a cantoria e o toque de viola do doutor Juarez, dos violeiros, sanfoneiros e percursionistas da Folia de Reis do Malhador. Sei que são muitos os amigos intelectuais e artistas, os quais, não caberiam aqui nesta pequena folha de papel, por isso me abstenho de relacioná-los. Se fosse possível, até rasgaria esta folha, relacionaria os nomes prazerosamente e jogaria o rascunho fora. Viraria a página, e do início ao fim, riscaria, rabiscaria e escreveria tudo novamente porque sei que estaria levando na mala de meu coração, além dos seus escritos, porções e mais porções de histórias inacabadas.

Se eu viajasse amanhã levaria a amizade sincera dos amigos e amigas da Casa Legislativa, do Ministério Público, das lides forenses, do Paço Municipal, das ONGs ambientais e Entidades Culturais, e da SEMARH, cujos colegas de trabalho sofreram comigo; levaria o carinho dos Brenos, do Antônio, da Taís, da Isa, do Jorge, da Giovana, do Joaquim, da Lia, da Alessandra, do Joaci, do Roberto, do Augusto, da Sandra, do Índio e seu arco e flecha imaginário, do Lívio, do Gerson, da Luiza, da Junia, da Marcela, do Chico, do Leonardo, dos Josés, das Tânias, das Jacks e de tantos outros e outras que guardo a sete chaves no solo fértil da minha existência e que se fosse possível relacionar um a um ou uma a uma, não caberia também nesta folha de papel.

Se eu viajasse amanhã levaria o carisma, o amor, a fé e a perseverança do Padre Luiz; levaria dos amigos e amigas dele, o companheirismo, a amizade e a fé inconteste em Deus, de cujo rol eu tenho a alegria e satisfação de fazer parte; levaria as mensagens das amigas e amigos blogueiros e internautas que muitas vezes viajam no mundo da imaginação na tentativa de levar esperanças àqueles que têm dificuldades para subir os degraus da vida; levaria àqueles que trazem no peito o choro sufocado e as injustiças que não conseguiram se safar; levaria, seja qual for o degrau ou estrada da vida a ser percorrida, seja qual a for dor a ser curada, seja enfrentando nebulosas ventanias, chuvas torrenciais, o sol quente queimando o rosto, noites e dias frios, pedras pontiagudas e espinhos, porque a mala do meu coração vai ser entregue numa dimensão onde todos poderão ser felizes e realizar seus sonhos.

Se eu viajasse amanhã levaria na mala de meu coração o intelecto, os dotes de espírito e inteligência do Batista Custódio, a meiguice e simpatia de Meyrithânia Michele, o intemerato e o jeitão revolucionário do Ulisses Aesse, a inteligência e a capacidade de Hélmiton Prateado, a simpatia e educação do Arthur, a competência e educação de Julio Nasser, do Taquinho e de toda equipe do DM, e todas essas benevolências humanas retiraria de minha mala, colocaria numa bandeja de ouro e entregaria ao querido e saudoso Fabio Nasser, não me importando em qual dimensão ele esteja, assim como, nessa mesma bandeja, com todo o meu apreço, juntaria o carinho e a singeleza da amiga Sabrina Richely, ex-integrante do Diário da Manhã.

Se eu viajasse amanhã levaria do Hospital Santa Helena as mãos firmes e abençoadas do Dr. Flávio, a competência e conhecimento medicinal do Dr. José Gilson e toda sua equipe; levaria o carinho e a prestimosa atenção das enfermeiras e auxiliares: Mayara, Nayane, Clarise, Lourdes, Silvânia, Lucely, Walkíria, Elaine, Antônia, Maria José e tantas outras dedicadas atendentes, conhecidas como as meninas de jalecos azuis; levaria tudo de bom que existe neste mundo porque a mala de meu coração é grande, todavia, naquele dia 8 e 9 de agosto de 2012, antes de o sol beijar o vão da janela e a lua se esconder no horizonte, fui surpreendido por uma chuva de preces e orações que inundaram a UTI do hospital e foi aí que entendi que não era minha hora partir. E assim, amigos e amigas, me desculpem por ter guardado esta crônica na mala do meu coração e reprisá-la novamente, para, nesse ínterim, alertá-los de que vocês vão ter que continuar me aturando por mais tempo, porque a minha vida pertence a Deus e depois daquele dia fatídico entendi que só ELE sabe o momento de enviar a “passagem” a cada um de nós. 



Fortunato e a pinguela.

terça-feira, 19 de maio de 2015


Fortunato era um pequeno agricultor, filho único, solteirão, trabalhador incansável, de boa estatura, olhos azuis, cabelos castanhos emaranhados até os ombros e morava com os pais à beira do Rio Corrente num longínquo rincão do mato grosso goiano. Certo dia, cansado das desventuras, começou meditar sobre como atravessar o rio, já que a única ponte de madeira ficava a cinco quilômetros de sua casa, então, sentou-se à beira de um barranco e começou a pensar... A solução era construir uma pinguela para encurtar o caminho. Do lado de lá, depois de atravessar a densa mata, chegaria mais rápido a igrejinha que em razão da distância participava pouco, e a construção dessa travessia era a solução, pois sabia que encontraria lá a linda jovem, professora, que faziam seus olhos brilharem e o coração bater mais forte. Ela possuía uma silhueta muito elegante, pernas torneadas, cabelos loiros, compridos, e quando a via andar pela estrada de chão sacudindo os cabelos ao vento, esta cena o deixava encantado. E não era miragem. Avexado, nem se atrevia a acenar com as mãos quando deixava a igrejinha, ou mesmo quando passava perto da escola onde ela ministrava aula às crianças do pequeno povoado. Aqueles momentos inusitados mais pareciam um sonho e a construção da pinguela era a única forma de se aproximar mais amiúde dela, de alcançar um sonho, ou talvez, acordar para a vida.

Sabendo que a travessia era insegura e a sensação de não conseguir alcançar a outra margem poderia ser sentida a cada passo, mesmo assim não titubeou, cortou uma enorme árvore que ficava às margens do rio e a ponta cheia de galhos caiu do outro lado. Foi até lá, equilibrando-se no tronco tal qual a um macaco, conseguiu aparar os galhos, tirar as lascas como faz um escultor e ainda amarrar nela umas varas de bambu para ajudar no equilíbrio. Pronto! Estava construída a formosa pinguela. Ficou observando a sua arte, chegou bem perto do barranco, olhou para baixo e sentiu-se como se estivesse num prédio de dois andares e depois, lembrou-se que além do medo de altura sofria de labirintite e ao podar os galhos sentiu isso. Entretanto, para quem sentia medo e não tendo alternativa, se viu obrigado a enfrentar a sensação da travessia, até porque precisava se encontrar com aquela mulher.

Passados alguns anos visitei Fortunato e numa tarde quente de verão, enquanto o sol se escondia no horizonte, fiquei observando atentamente aquela pinguela e aí me veio à mente que a nossa vida está repleta de momentos semelhantes. Muitas vezes somos forçados a atravessar situações difíceis, sem  nenhuma    segurança e equilíbrio. Muitas vezes pensamos até em retroceder ou sentar a margem daquilo que achamos impossível construir. O impossível no mundo de hoje é sobreviver ou viver em linha reta, avançar e superar obstáculos. A menos que a opção seja por não amadurecer e não crescer, mas sabendo que ultrapassar obstáculos faz parte do itinerário de qualquer ser humano. Chegará o dia em que será necessário que levantemos nossos próprios voos e experimentemos novos ares, pois somente consegue sucesso quem  avança independentemente da situação em que se encontram como foi o caso de Fortunato Simão Filho que enfrentou o seu medo e pode alcançar na outra margem o seu grande amor.

Vivemos num mundo de altos e baixos, mesmo para aqueles que se dizem seguros quando chegam ao ponto final.  Na estrada da vida muitas vezes somos quase que obrigados a passar por algumas “pinguelas” que balançam nossa estrutura interior. Damos alguns passos, chegamos a vacilar e muitas vezes nem damos  conta de que não há consistência quanto à direção a ser seguida, não obstante sabermos da necessidade de ir adiante mesmo não tendo toda a certeza e segurança necessárias para alcançar o que almejamos. Quando conseguimos passar pela pinguela da vida e pisar em solo firme é sinal que vencemos os obstáculos, superamos nossas limitações e sentimos mais leves e fortalecidos. A nossa vida é cheia de “pinguelas” e não adianta a gente querer se desviar delas, pois elas surgirão ao seu tempo e quando surgirem, nada de receio e ansiedade, pois, depois do esforço empreendido, vem à alegria de termos conseguido alcançar do lado de lá pessoas que ansiávamos encontrar e hoje a felicidade de tê-las com a gente do lado de cá, como aconteceu com Fortunato.


III ECHTEC: Um encontro de intelectuais em Goiânia para integração da América Latina e Caribe.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ainda bem que fiz parte do grupo de curadores do III ECHTEC realizado no CRECI. Ainda bem, porque tive a oportunidade de conhecer pessoas importantes, artistas e escritores renomados e intelectuais que vieram de várias partes do Brasil e da América Latina. Ainda bem... Eu estava com um artigo já engatilhado para ser enviado ao Diário da Manhã, cujo conteúdo era falar da política atual, mas resolvi guardá-lo para a próxima edição, deixar de lado a imundice da corrupção, que, infelizmente, é a tônica das conversas em nosso país, e voltar para algo mais importante e construtivo para Goiás: escrever sobre o Encontro de Ciências Humanas e Tecnológicas para a Integração da América Latina, trazido para Goiânia com muito esforço pelo professor Jean Jardim, idealizador, cujo evento foi realizado no aconchegante auditório e hall do Conselho Regional de Corretores de imóveis – CRECI.

Esse encontro teve o objetivo de colocar Goiânia e o Estado de Goiás no cenário dos grandes pensadores, assim como, incentivarem os participantes a atravessar fronteiras e divulgar cultura local em outros rincões brasileiros e quiçá, em todo mundo, para, num futuro próximo, como primeiro passo, gerar uma eficaz e profícua integração intelectual latino-americana. O trabalho apresentado pelos expositores presentes ao Encontro, como o conceituado prof. Levy Emanuel Magno, promotor de justiça de São Paulo; professora Dra. Mercedes Alejandrina Alarcon, da Universidade Cesar Vallejo – Chiclayo, Peru; que tiveram como tema principal falar sobre: Redes Acadêmicas Latino-Americanas – Pontos de Interação, e as pessoas que participaram, seja através de palestras ou simpósios realizados na Faculdade Padrão, onde estiveram renomados debatedores como os professores Carlos Túlio da Silva Medeiros; Eduardo Devés do Chile; Dr. Carlos Roberto da Silveira, da Faculdade Católica de Porto Alegre; Francisco Giraldo, da Colômbia e tantos outros, que, de alguma forma, tornaram-se agentes construtores no processo de integração entre o conhecimento e a sociedade de um modo geral. Um dito muito comum dá conta que o brasileiro não gosta de ler. Tenho cá minhas dúvidas a respeito da veracidade de tal informação. Afinal, generalizar é algo perigoso e prefiro crer que o preço dos livros algumas vezes extrapola os limites financeiros do leitor e a forma de sua divulgação também ainda é precária e ineficaz. Mas o que dizer do escrever? Uma rápida passagem por instituições de nível superior basta para verificarmos que são muitos os alunos (mesmo daqueles cursos nos quais a boa redação é essencial) que deixam clara sua incapacidade para colocar no papel cinco linhas com coerência e correção, não é verdade?

É evidente que existe um abismo temporal que pode estar se refletindo na interpretação de cada um deles. Será que é a falta de leitura ou preguiça mesmo? De outra parte, a incapacidade de colocar no papel um texto bem escrito pode momentaneamente estar retratando o inconformismo desses alunos frente ao mundo caótico e sem perspectiva em que vivemos. Às vezes, ao ler uma pequena mensagem de alguém na internet observo que nem sempre são metricamente perfeitas, mas que trazem a marca de alguém que já encara o mundo com olhos de quem viveu o bastante para poder criticar, com certo humor e fina ironia, os tempos e os costumes, as voltas e reviravoltas que a vida dá, e isso é bom.

Eu sei que, pelo menos neste momento, é fundamental que todo meio acadêmico, de cultura e conhecimentos participe de todos esses Encontros, pois quem os traz para Goiás vêm com a tentativa de deixar Goiás com referência em pensar a América Latina e Caribe, assim como desejar o melhor desempenho da área de artes plásticas, da escultura, tecnológica, educacional e literária. Destarte, a sociedade da qual fazem partes esses intelectuais necessita de um evento como o que foi realizado nos dia 7, 8 e 9 de maio findo que os permitiram dialogar em todas as áreas do conhecimento, mormente com o tema que foi apresentado com muito sucesso pela conferencista cubana prof. Dra. Maria Tereza Ferrer Madrazo, bastante elogiada pelo público presente, assim como, os trabalhos expostos pelos artistas plásticos e pela Intellectus – através da Feira do Livro.

Muitos escritores goianos deixaram de participar, mas o importante é que os que compareceram se sentiram beneficiados com tantas informações trazidas por intelectuais de outros países, seja mostrando uma nova face da cultura em geral, da escrita que, por vezes, parecia quase incomum. E, permitam-me a aparente falta de modéstia, posso falar de cátedra. Há muito tempo dedico-me não apenas ao escrever, mas também, a despertar, nos meus leitores, a consciência da importância e da necessidade ter além do gosto pela leitura, redigir bem. E não tem sido uma tarefa fácil. Os exemplos são muitos e o espaço que uso é pequeno para o que eu gostaria de escrever. E não me interessam as opiniões dos críticos que podem apontar, do alto de seu conhecimento baseado nas técnicas e métricas do texto poético, as eventuais falhas nos meus artigos ou crônicas. Interessa-me saber que ainda há aqueles que, independentemente da idade, ainda se dedicam à difícil arte de transformar sentimentos em palavras e registrá-los no papel como procuro fazer, e no III Encontro, vi muitos intelectuais fazerem. Valor ou resultado não se sabe ainda. O tempo dirá, e se nada disser, não faz mal. Quem participou do evento fez sua parte, mérito, pois, para ele.



Bate papo com um mosquito.

terça-feira, 5 de maio de 2015


No mundo da imaginação ou do universo fantástico das fábulas todo absurdo é possível e permitido. O homem desfigura-se para compor o enredo, onde o bicho é coadjuvante. Homens se transformam em bichos, bichos se transformam em pessoas humanas, peixes voam, pássaros nadam, cachorro relincha, cavalo faz cocoricó, o pintinho pinta, pedras falam, bichos e homens conversam... E através da imaginação, podemos ir além dos nossos limites no tempo e no espaço, conhecendo assim um mundo inacreditavelmente real.

Através da sensibilidade da escrita, o escritor tem acesso à linguagem primordial, não somente do homem, mas também dos animais e das árvores. Quando homem solta os pensamentos eles voam sem rumo, carregando uma imaginação surreal, às vezes distorcida, talvez por pertencer a uma sociedade hipócrita, e já não se sabe, onde e quando termina ou começa a vida real, se é que existe. Distorcida ou não, a arte literária é uma manifestação de criatividade, de sensibilidade, de discernimento, de solidariedade, de simplicidade, mas não é, de maneira alguma, manifestação de conhecimento e nisso eu acredito e passo a régua.

Se colocarmos em discussão cientificamente a situação em comento, podemos afirmar que a pedra não é um ser vivo e pronto! A água desliza sobre o leito, mas não é um ser vivo e ponto final! O cachorro é um animal irracional, ponto e sem mais delongas. O homem é um animal racional e ponto final! Mas a questão é que estamos falando do mundo imaginário, surreal. Veja o título desta crônica: “Bate papo com um mosquito” E não é um mosquito qualquer. É com o chefe mor dos mosquitos, o Osama Aedes Aegypti Bin Laden e mostrar que podemos conversar com eles, com os insetos, com as plantas, com as pedras, com as águas, com os ventos... Então pergunto: Por que tantas pessoas se afastam da natureza? Por tantos tentam destruí-la para poder dominá-la? Não somos seres da natureza tanto quanto uma palmeira onde cantam canários e sabiás? Por que o povo não se une nos bairros para combater esse mosquito transmissor da dengue? Somos ou não somos maiores pelo fato de sermos seres que pensam.

Talvez, se não fosse à pergunta feita por aquele menino pobre estirado sobre um banco à entrada de um CAIS, bastante febril e com suspeita de dengue, eu nunca teria pensado em conversar com aquele famoso mosquito, acomodado há bastante tempo num pneu de trator, bem folgado, logo ali, num lote baldio. Mas o fato é que, de alguma maneira, esse famigerado inseto de pernas longas e magras já pensava em dialogar comigo. Eu ou qualquer pessoa jamais podíamos imaginar que ele estava ali junto com suas amadas se reproduzindo dentro daquele pneu.

Pois bem, todos sabem que o macho não transmite a famigerada dengue, mas dá suas picadinhas, respira como qualquer animal; ele morre e nasce e é um vivo ser que voa com o vento e brinca de esconde-esconde tendo ou não sol, tendo ou não chuva; reproduz em proporções gigantescas, ou seja, é um inseto de amor eterno, terno até demais com as fêmeas. Estas sim precisam de nosso sangue e transmitem a doença. Mas quem vai falar isso não sou eu, é o próprio Aedes. Eu sou apenas um homem que se preocupou com a situação daquele menino, que olhou e pensou, mas o que pensou o mosquito enquanto eu pensava sobre ele? O que estaria pensando enquanto eu descansava à sombra de uma árvore logo ao lado daquele lote baldio? O que estaria dizendo enquanto eu descrevia sobre sua magreza e impotência de transmissor? Por que deixa para a fêmea o trabalho de picar as pessoas que, infelizmente, não se preocupam em se desfazer do lixo que acumula no lote ao lado ou dentro de seu próprio habitat.

Estava observando demais a vida pregressa dele e quase me esqueci do bate-papo. Aproximei-me devagarzinho, e olho no olho, fiz a primeira pergunta:

- Há quanto tempo reside neste pneu?
- Tem vários anos, nunca fomos perturbados por qualquer ser humano. De vez em quando passa um carro soltando uma “fumacinha” fedida, mas de tão fraca não alcança nosso habitat.
- Por que o governo não consegue exterminá-los?
- Acho que ele não tem um projeto preventivo para eliminar os criadouros e combater nossas fêmeas transmissoras. A saúde pública brasileira está um caos e o povo não colaboram com a limpeza dos lotes baldios, dos vasos, pneus, garrafas, copos, tampinhas de garrafas, calhas, caixas d’água, piscinas, então, de nada valerá o trabalho da vigilância sanitária. Procriamos até em tampinhas e todos sabem disso! A incompetência do governo e a falta de colaboração do povo, jamais vão conseguir quebrar o ciclo de vidas dos mosquitos e eliminar ovos e larvas. O governo está até criando em laboratório mosquitos geneticamente modificado, mas tudo é forma de abrir canal para mais corrupção no Brasil. Finalizou dando um sorriso sarcástico bicudo.
- Quem é aquela fêmea toda desengonçada sobrevoando perto daqueles meninos? - Perguntei-lhe.
- É a Dina Russefe. Ela ruim e mente demais! É uma verdadeira sanguessuga. No criadouro dela têm os mosquitos Zenoinos de Castro, “os três em um” e o controlador, apelidado de Vaccari que tentou “picar” alguém importante e se deu mal. Dizem por aí que ele “meteu a mão” na rica mosquitinha Pietrabras, muita querida e respeitada por todos e se enrascou de vez, ficando sem o pré-sal que “salgava” as mãos do pessoal daquele criadouro, que, por sinal, é cheio de melecas e larvas... Aedes deu mais um sorriso, agora cheio de deboche, e antes de concluir, me perguntou: - Você realmente acha que está conversando comigo, um simples mosquito?

A pergunta me deixou encabulado, mas logo pensei: se sou escritor e viajo no mundo imaginação, então pode tudo. Como subterfúgio para que ele não mandasse sua amada se aproximar de mim com aqueles ferrões, respondi-lhe que sim e que podia ficar tranquilo que não ia denunciá-lo para as autoridades sanitárias e nem indicar o local de seu criadouro. Deixei o local pensativo e o fato acontecido, para os leigos, creio que só restarão descobrirem nesta crônica onde estão as metáforas, mas para mim, a imaginação de minha conversa com o mosquito era uma coisa real que ia além da imaginação. Tropos para uma fábula ou um acalanto, desses que invento para orientar, levar minhas congratulações e elogios a todos àqueles que se cuidam, fazem a sua parte no combate a dengue, cuidando de seu lote, de sua saúde e de seus vizinhos.
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