Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O psicólogo, o poema e a sacada sem divã.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Moro em um apartamento com uma sacada virada para uma selva de prédios. Não vejo árvores, nem animais, nada, apenas janelas semi-abertas e pessoas debruçadas à espera de um novo dia. O sol passa iluminando a sacada meio de soslaio, parece desconfiado, mas mesmo assim eu o contemplo, seja de manhã ou à tarde quando se esconde detrás dos prédios. Moro em uma rua estreita onde passam poucos carros, mas, infelizmente, ela é paralela a uma enorme avenida de onde vêm barulhos ensurdecedores de roncos de motores e buzinas. Levanto da cama quando “me dá na telha” ou quando a secretária do lar assovia anunciando que o café está pronto. Espreguiço-me até estalar os ossos, mas antes de entrar na copa passo pela sacada e por incrível que pareça, e que não é normal, vejo um bando de pássaros fazendo voos rasantes com uma precisão milimétrica incrível e nem trombavam entre si quando faziam suas curvas mirabolantes.

Independentemente da “selva de pedras” o que a gente vê lá de cima é lindo e permite a quem vive perto dela desfrutar de alguns graus de calor, talvez, menos que no resto da cidade, pois o vento, às alturas, passa úmido trazendo de longe o cheiro das flores que insistem em brotar em algum jardim. E um pouco de umidade a mais é que precisamos para diminuir a secura do tempo. Os observadores de pássaros me instruíram sobre a grande variedade deles que vivem às voltas dos prédios, principalmente os beija-flores. O que mais gosto de ver é uma garça solitária que jamais abandonam seus filhotes, mas ela, num voo bisonho continua lá nas alturas, refletindo sua brancura e solidão sobre a rua coberta pelo manto negro do asfalto. Aquela garça que outrora matou um sonho meu insiste em voar ali e se recusa a retornar ao seu habitat, o bosque que não fica distante, mas porque prefere brincar com meus sentimentos, pois ela sabe que ninguém ama o lago que se formou dentro do bosque mais do que eu.

Ao lado do meu apartamento mora um psicólogo, ou que se apresentava como tal e tinha boa persuasão, todavia, eu não estava delirando, nem neurótico e nem psicótico. O mal que cometi foi lhe ter chamado até a sacada do meu apartamento e pedir-lhe pra dar opinião sobre uma música que tinha escrito para minha irmã Rosa, a mais velha dos irmãos e que a considero como mãe. Entreguei-lhe a letra. Dias depois, durante uma caminhada matutina, entregou-me um papel, mas não era um papel comum e nenhum comentário sobre a letra. Era um tipo de receita. Coloquei no bolso e ao chegar ao apartamento comecei a ler uma mistura entre resultado de consulta e estrofes musicais diferentes das minhas. Desenrolei o papel e comecei a ler: “mãe Rosa não sou poeta, psicanalista, nem trovador, mas veja quanta beleza e essas palavras trazem amor: Mãe Rosa rima com ternura, que brota do fundo da alma, e com sua voz tão meiga e pura, os devaneios psicóticos nos acalmam”... Depois de ler o restante, que mais parecia uma bula, senti que a letra ficou misturada e perdida nos labirintos da massa cefálica do dito psicólogo, do meu, restando-me, então, retirar o real texto poético que tinha jogado no cesto de lixo.

Diferente de outras análises feitas por psicanalistas, mesmo sabendo de sua atenção para comigo, não entendi o que ele prescreveu e ainda notei que não havia ninguém ali ao meu lado, apenas o meu violão, a vastidão da natureza e o modo de como eu enxergava o mundo que era diferente daquele descrito por psicanalistas. Por outro lado nem existia divã ali na sacada, apenas um papel sobre uma mesinha, e assim, agindo como uma pessoa normal e notando que nem existia o tal psicanalista, me questionei: Será que eu estava psicótico, vivendo num mundo onde a realidade é outra?

Felizmente não era. Estava vivendo num mundo real, tanta realidade que ao olhar pra baixo pude ver uma criança chorar e pedir comida à sua mãe que não tinha nada pra lhe dar. Ela insistia, insistia, e faminta a criança dormiu à sombra de uma árvore pra esquecer a fome. E foi ai que pensei: Quiçá um dia as crônicas e poemas que escrevo servirão para algo, pelo menos alcançar o coração de alguém. Então, voltei à mesinha e peguei o papelzinho que lá colocara, e não era a receita do psicólogo, mas sim, uma pequena parte do poema que escrevi para minha irmã: “Irmã Rosa que viveu dias de outono que ora vêm vagos e choram... Irmã Rosa que vê crisântemos roxos e estes se descoram, e dentre os murmúrios dolentes de segredo, eu te abraço e te beijo”. Quando terminei de ler, simplesmente acordei! Tudo era apenas um sonho.



Qual o caminho a seguir?

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pasmo diante de tanta insensatez humana naquele dia eu não tive alternativa senão em recapitular alguns textos oclusos que se encontravam prisioneiros na região recôndita do meu cérebro, mas, felizmente, ainda não estavam estagnados no tempo. Paro, sento e reflito. Ligo o computador e durante minutos, que nem contabilizo, dedilho o teclado com o pensamento alhures, manuseio o mouse de forma paulatina no afã de injetar em cada palavra todas as essências que pudessem me representar ou manifestar contrário ao que pensava, bem como, poder escapar daquela substância estranha impregnada em meu coração oriundo do subconsciente, “coisa” que não sabia explicar. Sabendo que podia me apegar ao mundo espiritual para poder refletir, cataloguei as mensagens que recebia como se fossem pérolas presas num fio precioso, sem explicações plausíveis as quais poderiam atropelar o ritmo de minhas lembranças. Assim, passados os críticos minutos aquietei-me diante do computador. Tantos foram os artigos e crônicas que escrevi imbuindo-os do desiderato a fazê-los viverem o amor, a solidariedade, o respeito e a amizade na maior intensidade possível, todavia, dentre as reflexões que surgiram durante aqueles momentos de nostalgia e devaneios, creio que as mais importantes foram às relacionadas às verdadeiras espiritualidades, mesmo porque, longe de Deus, o ser humano é incapaz de progredir e aprimorar o que quer que seja. Precisamos sim, de descobrir independentemente de nossa religião, onde está Deus e o que ELE representa em nossas vidas. Se a sua fé tem feito diferença em suas atitudes; se a sua postura social tem correspondido às suas convicções; se as suas ações, seus pensamentos e suas palavras são orientados pela fé que você professa, então, é hora de rever esse conceito que será extremamente importante para o seu futuro. Para isso, ore sinceramente, sem impor condições para que Deus lhe indique o caminho a seguir e o tipo de pessoa a se tornar. Confie Nele e experimente a paz e a alegria de uma vida que não se rende às derrotas nem ao tempo.

A pretensão de escrever mais está crônica não foi com a intenção de magoar ninguém e nem desvirtuar caminhos percorridos por vocês, na verdade, ela tem o objetivo, além de tentar mostrar tudo àquilo que pode corromper a mente humana, também servir como orientação às pessoas de como reagir contra o mal e fugir das avalanches corruptas, criminosas, funestas e inescrupulosas que estão descendo ladeira abaixo como se fossem um rolo compressor desgovernado que deixa a sociedade brasileira num verdadeiro lamaçal. Por outro lado, demonstrar àquelas que se fortaleceram ou se fortalecem através da palavra do Criador, que buscam a Bíblia a sua motivação espiritual, na sua leitura, poderá sobreviver às atrocidades que a vida impõe; poderá enfrentar às intempéries do tempo, aos percalços injustos impostos pela sociedade, bem como se desvencilhar das maldades que sorrateiramente penetram em nossos corações sem pedir licença.

Todos cometem pecados, no entanto, se seguirem o caminho que Deus indicar, se fizeram valer a justiça, se não pecarem na trajetória da vida, se não mentirem durante esta longa caminhada, ELE lhes farão enxergar a verdade; se não forem justos, farão todos perseverarem na aplicação da justiça; se foram infelizes, receberão Dele o sorriso, o amor de Pai e seus lares ficarão numa perfeita harmonia. Deus abre as portas e mostra os caminhos a seguir. Algumas pessoas conseguem abrir. São possibilidades que acontecem quase diariamente, principalmente para aqueles que conseguem distinguir entre o que Ele deve deixar passar e o que vamos precisar fazer para conseguir passar pela porta. Não é fácil chegar lá, pois são muitos os degraus e mandamentos esculpidos em cada um deles, mas é fácil entender que a vida é feita de perdas e conquistas e para alcançar o último degrau, não raro, temos que perder algo hoje para conquistar coisas mais significativas amanhã. Deus reserva grandes coisas para quem faz por merecer, mesmo que, talvez, no presente não pareça ser assim. 

Tudo em nossa vida move até aquilo que você menos espera. Tudo se transforma e nada continuará como antes se perseverarmos, se ocorrer o contrário é porque alguma era instável. É como um rio cheio de pedras e curvas; é como o universo onde não devemos abordar e nem permitir ignorar a extensão do nosso confuso mundo. Essa é a nossa vida e nos degraus de nossa existência não devemos parar no primeiro obstáculo ou diante de desvios que a vida nos impõe. Devemos seguir o que está escrito nas Escrituras, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida.


E o homem surtou...

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A palavra surto, sem generalizar muito, é uma crise, um excesso de fúria. É a falta de lucidez de uma pessoa diante da sociedade em que vive. É um transtorno mental. A palavra surto é também usada na epidemiologia para identificar quantidades acima do normal de doenças contagiosas ou ordem sanitária. Existem as epidemias de proporções reduzidas que atinge uma pequena comunidade humana que é o caso de instituições fechadas, outros o usam como sinônimo de epidemia, mas quando atinge uma pequena população é considerado um surto - epidêmico. 

Mas hoje o que está acontecendo no mundo? Vocês estão acompanhando as últimas notícias veiculadas nos meios de comunicação? Todas, indistintamente, nos confirmam que a população mundial está surtando ou em sentido mais amplo, vivendo diante de um terrorismo e violência extrema, cujas cenas de horrores, a maioria, reivindicadas pelo Estado Islâmico. Imagens de horrores que a TV e jornais não mostram, a internet divulga, mostrando homens mascarados cortando pescoço de outros seres humanos, chacinas de pessoas em ambientes abertos ou fechados, principalmente onde existam um aglomerado de pessoas, como escolas, templos, igrejas, clubes, restaurantes, aeroportos, cujos atos são praticados por homens-bomba fortemente armados; assistimos estupefatos, assassinatos de policiais negros e brancos, assassinato de padre por esfaqueamento (degolado) dentro de um templo e até em clínicas de pessoas internadas com deficiência mental; assistimos brigas entre torcidas organizadas, sem falar dos maus exemplos dados pelos políticos ou pessoas comuns, como a corrupção generalizada, as cusparadas, as defecações em área pública por militantes partidários, xingamentos, ódios... Tudo que assistimos nas telas da TV, em páginas de jornal e internet, são atitudes que, além de incompreensíveis, destitui qualquer pessoa de suas condições de ser humano.

Voltemos ao passado para entender tudo isso que está acontecendo. Os terroristas suicidas – homens-bomba que explodiam o seu próprio corpo apareceram entre os séculos 14 e 16. "Naquela época, o Império Turco-Otomano vivia um período de expansão. Uma das armas de seu Exército eram os guerreiros suicidas conhecidos como bashi-bazouks, que se precipitavam contra fortificações ou linhas de batalha do inimigo", diz o historiador Márcio Scalércio, da Universidade Cândido Mendes (RJ). Depois vieram os anarquistas da Rússia czarista, os camicases japoneses durante a Segunda Guerra e os guerrilheiros vietnamitas a partir da década de 50. Mas é bom esclarecer que a expressão "homem-bomba" e a popularização da prática são bem mais recentes - mais precisamente, nos conflitos do Oriente Médio dos últimos 20 anos. Tudo leva a crer que a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988) foi o marco de fundação para essa cultura de terroristas explosivos. Inspirados pelas ações de xiitas iranianos, grupos radicais palestinos como Hamas, Jihad Islâmica e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa fizeram do homem-bomba sua arma favorita na luta contra Israel. Hoje, jovens são doutrinados em escolas muçulmanas ou mesquitas e recebem prêmios pelo "ato de fé" - o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein chegava a pagar 25 mil dólares para a família de um suicida. E a moda macabra já lança tendências: no Sri Lanka e na Chechênia já existem mulheres-bomba e, na Palestina, os terroristas não são mais mortos de fome sem perspectivas. Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos homens-bomba palestinos vem da classe média e têm boa educação.

Com tudo isso, pode-se ver ocorreu uma proliferação da classe terrorista e hoje, se esparrama por todo o mundo. Ao assistir a TV procuro não me surtar, pois a pessoa que surta some, perde o equilíbrio, sai do seu canto e depois aparece do nada E se o indivíduo já meio perturbado ficar diante daquelas cenas horríveis é porque quer, se sente bem vendo aquelas atrocidades cometidas por assassinos bárbaros, que encurta uma conversa besta, que gosta de um bom drama, que diz o que ninguém espera e estraga uma noite e até uma semana só pelo prazer de sentir que é mau e tirar as correntes que entrelaça até o peito. O surtado acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. Mas o homem-bomba não é meio bomba, é um surtado, maluco mesmo, obediente às convicções religiosas aplicadas à sua mente. Este nem espera ser salvo e quando não consegue seu intento sai maldizendo de tudo e de todos. Eu só queria que não existisse esse tipo de gente, queria que todos fossem bons, leves e soltos e voltados para o bem. Mas será que um dia realmente voltará a ser assim? Acho difícil, pois o mundo parece que surtou de vez.


Fora de órbita.

segunda-feira, 25 de julho de 2016


Eu queria que todos estivessem aqui neste exato momento que escrevo. Eu queria que todas as pessoas amigas observassem se o tempo me rodeia ou se estou a orbitar; se algo orbita à minha volta, se estou sendo influenciado por alguém deste mundo ou por um ser desconhecido, extraterrestre. Neste instante me sinto fora de órbita, é como se eu estivesse realizando uma trajetória curva em torno de mim mesmo, sob ação de uma força estranha vindo de um espaço que não consigo definir no universo. Estou como aquele sujeito que descansa à sombra de uma árvore florida, sem pressa de sair ou qual direção a tomar. Eu queria que todos estivessem aqui neste meu recanto nostálgico, saíssem do outro lado de seus monitores e aparecessem da forma como os vejo para me ajudassem a ficar em órbita, em minha órbita.

Eu procuro sempre me manter calmo mesmo fora de órbita, porque de outra forma como descobriria onde vocês orbitam e a fórmula secreta que uso para decifrar e buscar as pistas que coloco através das palavras que lanço na telinha do meu computador. São mistérios eternos, faço delas quebra-cabeças indecifráveis, charadas insolúveis para que eu possa entendê-los e vocês a mim. Na realidade, ao escrever, não procuro ser sabichão, nem manter-me ignorante, bobo, e com as mãos leves, mas calejadas, poder alcançar o outro lado da telinha e cumprimentá-los, agradecê-los. Eu queria que fosse assim, escrever pouco, enrolar um pouco mais, mas não consigo, pois o mundo gira à minha volta roubando-me preciosos minutos e aí seria tarde demais se eu não saísse dessa minha órbita e me comunicasse com vocês.

Para dizer a verdade eu queria todos vocês em um só movimento orbital eterno de translação desenhassem contornos reais e surreais, expandindo-os até a minha órbita e não me deixassem fora dela, vigiando a minha loucura, e alimentando-a, sei lá como. Eu queria que todos estivessem ao alcance das pontas de meus dedos, mas sei que é impossível, pois estão do outro lado que nem sei onde fica. Eu queria dar uma pausa pausar, mas ainda vejo sorrisos se transbordarem, novas mensagens, curtidas, então, o jeito é continuar na minha órbita e aí pergunto a mim mesmo: será que todos fazem como eu ou como nós, escrevemos, lemos e procuramos interpretar ou entender o sentido dado ao texto por menor que seja.

Eu queria parar de escrever, dar uma pausa por um bom tempo, mas certo dia, alguém do outro lado da telinha reclamou, e não foi primeira, nem a segunda vez..., então o jeito foi continuar, mesmo que muitos não venham gostar daquilo que escrevo, ou talvez, tenham preguiça de ler. É normal, talvez o tempo deles seja escasso. Foi no início do ano que pretendi parar, pois até nós, simples escribas, cansam daquilo que escrevem, pois algumas palavras vão ficando repetitivas, mas, enfim, a paixão pela escrita me move de tal maneira que inundem o lago dos seus olhos e seus reflexos, ora bisonhos, mas cheios de nostalgias, são derramados no coração, que ao receber essa ducha cheia de mensagens amorosas, bate compassado e me acalma. O bom seria poder conhecer pessoalmente todas as pessoas amigas virtuais, para, imbuído de uma vontade férrea, incontrolável, mesmo que seja para um simples cumprimento ou confirmação do semblante, do sorriso, ou quiçá, saber pelo menos o que dizer sem tropeçar nas palavras. Hoje, eu queria desacelerar o tempo pra fazer durar a doçura, o respeito, o carinho que é ter vocês no meu rol de amigos, mesmo sendo virtuais, mas, infelizmente, não posso, pois no momento me sinto fora de órbita.


Certo dia numa casa deserta.

terça-feira, 19 de julho de 2016


Parei diante de uma casa numa rua sem saída. Parecia deserta, mas não estava. Alguém habitava nela, pois podia ver que as paredes ainda colecionavam seus segredos. Mas é certo que de vez em quando, parecia deserta mesmo, pois alguma “coisa” tentava despistar a atenção da gente ou dos invasores de privacidade. E não demorou muito. Uma janela se abriu, mas não tinha ninguém debruçado sobre ela, parecia querer mostrar que a casa estava deserta, no entanto, uma luz intensa iluminava aquele quarto e vultos passavam, iam e voltavam. Olhei pasmo e vi que realmente não estava deserta. De repente, apareceu um vulto de mulher rente a janela, outras sombras se refletiam nas paredes, trazendo aos meus olhos devaneios mórbidos e dava para ouvir vozes embargadas e soluços que ecoavam dentro do casarão, então, como afirmar se a casa estava deserta.

Não era apenas o barulho que me endoidecia, mas principalmente a ideia de escutar sons estranhos, fantasmagóricos, uivos e latidos de cães que nem sabia de onde partiam. Mas todos diziam que a casa era deserta. Como acreditar nisso? Eu sei que é difícil ouvir isso e catar os cacos de mim mesmo para depois passar tempo todo tentando decifrar esse quebra-cabeça: uma casa onde todos diziam que é desabitada, deserta, só que ninguém foi lá pra confirmar e olha que no imenso muro tinha uma placa “aluga-se” já corroída pelas intempéries do tempo.

Eu peguei coragem a adentrei ao imenso jardim cheio de estátuas de tempo medievais. Abri o portão que soltou um zunido de coisa enferrujada. Parei por instantes, nem contabilizei os segundos. Agucei os ouvidos e abri os olhos sem pestanejar. Posso afirmar que eu adoro o silêncio quando é invadido por músicas, não me importando o gênero musical, principalmente as que fazem de conta que é um tipo, mas no fundo sabemos que não é, no entanto, isso dava no mesmo. Aprecio a jornada onde a gente descobre o nosso gosto musical. É necessário saboreá-lo, mesmo vindo daquele casarão deserto judiado pelo tempo, cuja musicalidade chegava aos meus sensitivos ouvidos já adormecidos sobre as costas da noite. Quando ninguém mais tem o que dizer e todos adormecem de cansaço ou libação, meus olhos continuavam atentos a tudo, às vezes se fechavam enquanto minha boca bocejava —, então sentia como se a vida extraterrena estivesse tatuando o meu rosto, acompanhando de uma canção que invadia minha alma com muito gosto, permitindo a quem nela viesse a morar eu entenderia que também poderia me transformar e ser um protagonista de um filme ou do fantasma da ópera.

Ao observá-la de perto, nem conseguia alcançar a inquietação que se acomodava em minha alma, até porque aquele lindo vulto de mulher se agasalhava num véu branco e parecia ter alma própria, pois vivia sombreando aquela casa deserta que, às vezes, andava de um lado para outro, girava, girava, aparecia seguidas vezes no vão da janela no afã de me assustar sei lá. Mas quando ela percebeu que nada mais me assustava apesar de ver no seu rosto a tristeza de quem deixara este mundo há tempos, assim como, o desapontamento, mesmo assim, deu um leve aceno, eu retribuí e reiniciei a minha caminhada. Cortejava-me de longe, mas ela e seus brancos véus eu sabia que jamais sairiam daquele inusitado casarão.

Tenho comigo que sempre aprendi a tirar esperança da cartola, mas naquele prenúncio de noite não. A minha cartola quedou-se diante de uma beleza descomunal e dos sons estranhos, mas suaves e gostosos de se ouvir, e de tão graciosos, me fortaleciam de leveza e me fazia olhar aquela linda figura de uma maneira diferente, respeitosa, especial, sendo ou não ela apenas uma alma perdida naquela casa deserta.

Entrei compassadamente e resolvi conversar com aquelas paredes, pois descobri que precisava ver do outro lado, enxergar mais além e até ver o inusitado. Girei os olhos e os fechei por segundos. Leitor sabe sobre os desenhos em que os personagens ficam girando por um tempo no mesmo lugar e acaba abrindo um buraco no chão e sumindo? Foi isso que aconteceu comigo e descobri realmente que aquela casa jamais será deserta, pois as paredes pareciam me dar asas e abrir portas quantas eu quisesse, e logo, apareceu um menino com vestimentas estranhas, com uma bola na mão, tocando-a como se ela fosse o sol cercado lantejoulas dependuradas no universo.

E foi aí que descobri também que a minha casa não era deserta. Sobre a cama os cobertores que me protegiam nas noites frias, as fronhas dos travesseiros que sempre abarcaram minhas lágrimas em noites de sonhos adormecidos em que eu não sabia como ou quando ia acordar. Então entendi que se não ficarmos alertas elas serão apenas moradias para momentos em que se flerta com abismos, todavia, alguns sonhos são bem agradáveis, aqueles em que a gente sonha com leveza. Mas às paredes esse segredo nem conto, apesar da insistência desvairada delas, pois muitos dizem que paredes têm ouvido então o melhor era manter-me em silêncio. Todavia é fato: as paredes enxergam muito mais do que aqueles que, possuidores de boa visão, os olhos ficam grudados na vitrine da vida e jamais enxergarão. Quem não sabe se o nosso olhar depende da cadência da alma?

O céu, o sol, a lua, as ruas, os labirintos urbanos são testemunhas dos passeios da gente. Posso apostar que, como observador, não faço questão de lógica ou de corroborar fatos que eu me encho de paz ao caminhar pelo bosque. É como se os fantasmas de minha vida ou divindades me acompanhassem nesse momento, sussurrando em meu ouvido os mistérios da própria humanidade. Desde aquele dia eu me resgatei do medo principalmente quando me deparei frente a frente com aquela alma de mulher e foi naquele momento também que entendi que ao fechar os olhos e aguçar os ouvidos, procurei entender o outro lado da vida, que podia tocar o céu, contar a estrelas e enxergar além de mais além quando estamos diante de “alguém” cuja alma ainda habita numa casa deserta.

Às vezes é bom dar tempo ao tempo...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Com o passar do tempo vamos percebendo que para ser feliz com outra pessoa em primeiro lugar, ou em certas circunstâncias, nem precisamos dela. Percebemos também que aquele alguém que nós amamos ou pensa que amamos não quer nada com a gente, e, definitivamente não é o "alguém" da nossa vida. Aprendemos a gostar do que elas gostam, a cuidar, e, principalmente, a gostar de quem também gosta da gente. O segredo é não espantar as andorinhas, os beija-flores e as borboletas que passeiam pelo nosso jardim; o segredo é cuidar do jardim para que elas venham mais vezes até a gente.

Não existe idade para que a pessoa seja feliz. Não existe época na vida para sonhar, almejar alguma coisa, fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. O sonho não tem limite de idade. A idade ilimitada para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo, sem culpa de sentir prazer e ou mesmo de deixar este mundo. Mas existem as fases ou anos dourados como queira em que a gente podia criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, sorrir, cantar, brincar, dançar e até vestir roupas extravagantes, cabelos com topetes assentados com brilhantina, ou em tempo de agora, quando pessoas pintam com cores diversas, usando cortes estranhos, tatuagem por todo o corpo, onde todos se misturam experimentando a vida do jeito que ela é sem exame crítico de preconceito ou de sentimento hostil, que nada mais é do que a generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio em que vive.

O tempo de entusiasmo existe em qualquer hora e tempo, como o de coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a pessoa humana, independentemente de sua idade, deve enfrentar com toda a disposição para alcançar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso. A idade, tão fugaz na vida da gente, chama-se presente, e tem apenas a duração do instante que passa... Se não passar, às vezes, o jeito é a gente dar tempo ao tempo, pois só ele pode apagar e abrir novos caminhos.

Pode ser que um dia por questão de saúde a vida lhe impeça de sonhar seus sonhos... Mas, enquanto houver vontade de sonhar, nenhum tempo, por mais obscuro que for te impedirá de fazê-lo, basta querer. Pode ser que o tempo passe sem você sinta... Pode ser que passe voando sem você perceber, mas a vontade de vencer jamais o fará desistir do que almeja alcançar. Pode ser que um dia a gente tem que dar tempo ao tempo... Mas, se tivermos a vontade de ultrapassar os obstáculos que se encontra à nossa frente, não há tempo que nos faça parar. Pode ser que um dia não mais existamos, porque não somos eternos e nem imortais, mas, até que isso aconteça já deixamos a nossa marca aqui na terra e isto é a importância que cada pessoa deve almejar para não ficar no esquecimento. Se cair durante a caminhada, erga-se e “nascerá” de novo de for preciso. Pode ser que um dia o sonho acabe, mas, com a ajuda de amigos ou dando tempo ao tempo, será capaz de construir tudo novamente, talvez de forma diferente, pensada.



Inverno com resquícios de outono.

segunda-feira, 4 de julho de 2016


Semana finda em Goiânia, parecia que o termômetro estava aquecido pelo sol e a moça que noticiava sobre previsão do tempo na TV passava o seu dedo indicador sobre o mapa do Brasil tentando convencer-nos e parecia feliz com isso. Ela dizia que o inverno já tinha chegado, mas, na realidade, eu nem prestava atenção no mapa, pois os meus olhos estavam voltados à esbelta figura de Maju. E que bela morena! Brincadeirinha à parte é bom dizer que o quase-frio frio chegou e como ele a secura do tempo, e olha que já se passaram mais de dez dias. Pouco frio, mas capaz de rachar os lábios e deixar a pele seca, todavia, não deixa de ser um tempinho bom pra gente, principalmente à noite, quando resolvemos tirar do guarda-roupa aquela vestimenta mais quente, e de manhã, saborear café com leite bem quentinho acompanhado de um pão francês amanteigado, capazes de deixar aquele cheirinho delicioso passear pelo apartamento inteiro, misturando-se com o cheiro de pão de queijo assado no forno elétrico, que em outras épocas a gente não tinha oportunidade de degustar, assim como, também, do chá de erva cidreira com noz moscada e canela, fumegantes.

Inverno, não está tão frio por estas plagas, no entanto, seus dias são de se aconchegar com os nossos entes mais queridos, com a família, com os amigos, tanto na casa da gente como na casa dos outros. É muito bom estarmos juntos, é muito bom reunirmos, é muito a aproximação e o aconchego.

O frio antecede a sua estação, pois em alguns lugares começa já findando o outono, mas já podemos encontrar um peixe fresquinho no marcado. E a carne assada acompanhada de um bom vinho, então! E a feijoada que dá água na boca! São próprios para o tempo frio. O inverno, frio ou não, sem esses ingredientes não é inverno e o fato de ter esfriado um pouquinho em nossa cidade aumenta a presença dessas vedetes em nossas mesas.

Até uma sopa bem quentinha nesse tempo faz bem. Vinho, chocolate quente, lareiras em chamas ou viajar para o Nordeste também, são modos de fugir do frio, mas não é interessante tentar escapar dele, pois como vai usar aquela blusa ou blazer que te deixa mais elegante durante o inverno. Até pra fazer amor fica mais gostoso, pois o edredom também está no guarda roupa à espera do tempo frio. No entanto, como é bom ter dinheiro pra curtir qualquer estação no nordeste, lá é sempre quente, mas infelizmente, ainda não tenho o suficiente para me custear lá por um bom tempo. Mas falando a verdade ou agora, de solidariedade, é que muito mais gente sofre com o frio, ao invés de aproveitar dele. O inverno é implacável para os que não têm nada. É hora de solidariedade. De fazer aquela limpa no seu armário e resgatar aquelas roupas quentes e cobertores que podem ajudar muita gente. Debaixo de um cobertor tudo pode melhorar. Para os mais abastados nada falta como as mantas, cobertores, casacos, meias e, quem sabe, luvas, cachecóis, botas, todos a postos. O inverno está aí, mas não aqui. Neste momento que escrevo não está frio, muito pelo contrário. Olhando os arvoredos aqui da sacada do prédio dá pra sentir que ainda existem resquícios de outono, então, nem pensar em hibernar neste quase-inverno. Pensando bem, o jeito é tomar um sorvete e apreciar o pôr do sol que desce manso sombreando os edifícios.


Teoricamente não descartei Descartes.

segunda-feira, 27 de junho de 2016


Ao iniciar este texto senti-me na obrigação de intitulá-lo desta maneira, ou em outras palavras, citando filósofo francês René Descartes que criou o princípio fundamental de toda a certeza racionalista. Ao manusear meus livros tive realmente a certeza de que não poderia descartar a sua teoria sintetizada na famosa frase “Penso, logo existo”. Parei por instantes enquanto o silêncio dominava meu pequeno escritório. Olhei para a estante, peguei alguns livros e artigos publicados no Diário da Manhã. O primeiro livro selecionado foi “Paixão e Morte em Serra Canastra”, e relendo parte do texto, deparei com personagens que nem mais lembrava os nomes, e depois, outro livro, “Uma Pedra no Caminho” e no meio da leitura, outras personagens se aproximaram e pareciam querer matar saudade. Sentia acenarem para mim e emocionado, fechei o livro. No canto da estante o “O Mistério do Morro do Além” espremido entre os livros “Espelho das Águas” e “Antes que o Sol Beije o Vão da Janela”.  Como se tratava de um fato inusitado eu tive que prender a respiração para tentar explicar aos personagens que a missão do escritor é fazer daquilo que escreve algo que as pessoas que os leem acreditem ser real. Disse-lhes que ao fazer da história de cada um deles ela seria o mais real possível, não obstante vivermos num mundo mágico onde a realidade se confunde com a ficção e que, por vezes, também acreditamos naquilo que a nossa imaginação dita. Mas, hão de entender que o escritor é escravo de seu próprio pensamento e este o rodeia o tempo todo, não importa se está com a mente cansada ou envolta por nefastos trabalhos laborais.  Ele pensa e muito. E quando pensa, nem vê as gotas de chuva se espatifar sobre o vidro da janela, e em tempo de inverno, nem o sol e a lua nascerem ou se pôr soberbos, nem os cânticos e alvoroços dos pássaros sobre as árvores, ou outro ruído qualquer, porque o pensamento interfere e injeta no escritor a sensibilidade, o faz viajar pelo mundo da imaginação, o faz prosear consigo mesmo e diante do computador, escrever sobre a beleza de tudo aquilo que circunda o seu universo. Se ele vê o nascer sol ou da lua, o pensamento incita-o, e poeticamente, descreve o encantamento de suas rotas, as suas subidas e descidas majestosas no horizonte; descreve com singeleza a mulher-mãe lavando roupas e pendurando no varal da vida suas angústias e incertezas; ameniza o latido do cão, o som dos veículos que passam rente a janela, e no compasso e descompasso dos sons, nem é capaz de ouvir a voz meiga de uma criança que brinca sossegado no jardim.

Mas, naquele dia, o pensamento resolveu fazer-me escravo de meus personagens e à medida que relia cada livro, foram chegando um a um ou uma a uma, e atônito, fiquei por instantes buscando palavras que pudesse amenizar aquele encontro inusitado entre eu e meus personagens.  Como retrucar meu pensamento e dizer a eles que tudo que escrevia era no afã de superar a ficção para tornar bem real o que escrevia, mesmo sendo trágico o final? Como dizer àqueles personagens que muitas vezes fiquei indeciso quando terminei de escrever e que tive que alterar o final, eliminar alguém, mas era vencido pela vaidade de ter conseguido atingir o clímax pretendido?

Mas, diante deles as palavras embaralhavam na minha mente. Não conseguia balbuciar nenhuma palavra. Só depois de horas lembro que balbuciei alguma coisa. Depois, falei, falei..., e ela, a minha personagem predileta estava ali quietinha me observando como se tivesse absorvido cada palavra e me perguntou: Então eu não sou real? Eu vivo apenas na sua imaginação e é por isso você me deixou sozinha naquele mundo inóspito? Novamente fico sem ação e tenho vontade de abraçá-la, mas, ela se recolhe num canto, uma ação momentânea que meus olhos aceitaram como se fosse um pedido de perdão.

Como explicar aos meus personagens diante do grande filósofo René Descartes e a vocês a minha evolução. Deixe-me, então, fazer um pequeno contraponto contando algumas histórias de minha geração que originou o grande movimento denominado de jovem guarda. Pertenci a uma geração que pode ser taxada de romântica, mas que se insurgiu contra a ditadura do excesso de consumo, contra uma rigidez de costumes, contra um autoritarismo dominante que aniquilava qualquer tentativa de criatividade, de experimentação, e o que dizer então de liberdade… O refrão em voga naquela época era “Faça amor, não faça a guerra”. Foi uma mudança radical. A moda de então estava de acordo com o fluir do corpo. O cabelo feito topete era endurecido com brilhantina e nem o vento o movia, as roupas de tergal e jeans, singulares, sugadas e coloridas, ficavam soltas, facilitavam os movimentos, como as calças “boca de sino” e colarinhos altos, era um show nas baladas e rock and roll.

Hoje, apesar de tudo o que se fale em termos de liberdade, o que vemos em todos os lugares são pessoas bem vestidas, homens e mulheres. Roupa curta bem colada no corpo amarrando os movimentos. Sapatos de plataforma, altíssimos, constituindo-se na freguesia-mor dos ortopedistas. E é absolutamente indispensável que tudo seja proveniente de grifes famosa. Os paradigmas que surgem são cambiantes. Em outros tempos, a dedicação a uma causa, estudo ou profissão, era um critério básico para o sucesso pessoal e profissional. O que se busca hoje é o exercício de certa “esperteza”, do suborno e das propinas que cortam atalhos… E ainda temos que agüentar políticos possuidores de imunidade parlamentar, mas denunciados também, e com o maior descaramento, defender uma Presidente comandante-chefe da corrupção diante das Câmaras de TV. Hoje percebemos uma dessacralização de tudo que a nossa geração julgou ou julga serem valores incontestáveis.  Tempos idos, o nosso espelho eram olhos amigos e amorosos em que cada pessoa podia se vir confirmada e aprovada em sua singularidade, sentindo-se tão mais perfeita quanto mais parecida com ela mesma.

Então, queridos personagens, me desculpem por manusear novamente os livros apenas esta noite, mas, neste encontro surreal, convido-os a virem comigo, e seguindo a antiga tradição, buscar a quietude, dar espaço para o mergulho imaginário e consultar à biblioteca virtual, a qual me facilitou com uso de senhas, guardarem meus escritos e seus nomes para a eternidade. Em meu subconsciente que embora só seja visitado em situações de crise, o pensamento estará lá, sempre, esperando com a porta aberta para levá-los ao encantamento do mundo da imaginação, pois, para quem sabe pensar tem consciência de si mesmo, ou se pensa, como disse o filósofo René Descartes, logo sabe, ou se pensa, logo terá consciência, se pensa, logo saberá algo certo, por isso, quando escrevo, sou forçado a pensar e se penso, logo existo.



Pedofilia, estupro, incesto e o silêncio dos inocentes.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Com indignação, assisto a noticiários televisivos aonde imagens sobre crimes de pedofilia, estupros, incestos, assassinatos bárbaros, assaltos e atentados violentos ao pudor vão sendo mostrados diariamente, praticados por pessoas de mentes deturpadas que sem a mínima compaixão e respeito aos inocentes seres humanos ainda sorriem frente às câmaras de TV. Hoje, sem duvida alguma, esses são os crimes do momento e dois desses, que ocorrem entre parentes consanguíneos e que se inclina para a prática de ato ilícito mais covarde, estão o estupro e o incesto. As veiculações dessas notícias envolvendo esse tipo de conduta contra menores trazem a certeza da atenção do publico e consequentemente, intensa discussão sobre o tema. Descartando o debate sobre a influência da mídia na sociedade, considerada detentora do “quarto poder”, pode-se dizer que o certo é que as chamadas referentes ao assunto em  tópico se torna uma sensação da atualidade.   Basta ver o desespero de apresentadores e repórteres quando se veem diante destes fatos estarrecedores que, em certos momentos, ficam angustiados diante de tanta tara humana, alguns sem fala ou gaguejam diante dos telespectadores. 

 A maldade e desrespeito humano extrapolam os limites da insensatez. Há noticiários destacando pessoas inescrupulosas em busca do dinheiro fácil, explodindo caixas eletrônicos; motoristas embriagados atropelando, destruindo vidas e ficam impunes; marido espancando esposa; filhos matando pais e vice-versa; pessoas assaltando e atirando à queima-roupa, sem piedade ou dó; outras matando e degolando suas vítimas apenas para  sentir o prazer de ouvir o gemido do desafeto. Onde vamos parar? Quando falo de tudo isso, chego à conclusão que até o crime de colarinho branco está ficando em desuso, apesar de que, se analisarmos sob a ótica política, poder-se afirmar que, se compararmos a uma calça jeans,  este assunto jamais sairá da moda. 

O título acima quer queiram, quer não, é o grande assunto do momento e a imprensa escrita e   televisiva sabe disso. As manchetes apontam nesse sentido e até certo ponto, com muito sensacionalismo, sem resultado prático, principalmente quando se trata de crimes praticados por políticos, padres, pastores, professores, advogados, empresários, militares, agentes públicos, e assim por diante. 

Quando o estupro é noticiado pela mídia, como um caso recente, a população exige formas de punição ou pelos menos prisão perpétua dos envolvidos. Então, a atenção dada a esses casos repercutem de forma intensa, principalmente quando de fala de jogos do azar. Mas, quando se trata de pedofilia, estupro de menores e casos de  violência sexual com filhas e enteadas, não se sabe como agir, apesar do sentimento de revolta que toma conta da população. O pedófilo raramente mantém relações sexuais com penetração. Os ataques sexuais contra crianças se iniciam geralmente de uma forma verbal ou exibição do genital, ou podem consistir em acarinhar ou “bolinar” as crianças com toques nos órgãos genitais. De outras formas, vendo e   exibindo fotos pela internet sempre sendo acariciadas, seminuas ou despidas, muitas vezes, fotografadas    e cenas horripilantes gravadas em vídeo por eles mesmos. Dizem os especialistas que essas pessoas são incapazes de encontrar satisfação sexual em uma relação adulta. 

 O estupro e o incesto diferem da pedofilia porque eles são praticados de forma violenta sem a aceitação da vítima. Percebe-se, claramente, que temos um grave e sério problema a enfrentar. Essas doenças  psíquicas são de difícil tratamento e tais abusos sexuais estão se alastrando cada vez mais, cujos efeitos, após os atos libidinosos, abusos sexuais, estupros, trazem doenças físicas e psicológicas extremamente  danosas para as crianças e adolescentes. O pior é que essas pessoas passam sempre despercebidas pela família em relação à tara. Muitas vezes se encontram próximos à criança e aproveitam da ausência da mãe e da sua própria inocência e fragilidade para satisfazer seus instintos sexuais. 

Diante dessa situação periclitante, conclui-se que estamos diante de um grave e sério problema que deve ser debatido urgentemente pela sociedade, pelas organizações não governamentais, pelas igrejas, não importando qual o rito religioso e com a participação ativa dos três podres da República Brasileira, para que as condutas e punições dessas pessoas sejam realmente mais severas. De outra parte, pode-se evitar  com essas ações conjuntas a degeneração da família que a cada dia está ficando mais longe de Deus, assim como,  evitar também que as crianças abusadas por esses  desequilibrados  mentais se calem e venham, futuramente, sofrer consequências  psicológicas irreversíveis e marcas emocionais e profundas para sempre

Adolescência e a estrada da vida.

domingo, 5 de junho de 2016


Quando adolescente eu saía equilibrando sobre tudo, nem praticava equilibrismo ou trabalhava em circo, mas não havia muros, cordas, meios fios ou qualquer coisa que segurava as minhas peraltices, no entanto, o que mais gostava era caminhar à esmo, sem rumo, à beira de estradas e sobre trilhos de ferro. Como naquele tempo eu não tinha nenhum meio de comunicação, como ocorre hoje em dia, o jeito era colocar os ouvidos sobre o trilho e tentar escutar pelo menos os passos daquela linda menina de olhos verdes que conheci num campo de futebol em uma cidadezinha que distava mais de cinquenta quilômetros da minha. Algumas vezes, escutava o barulho do trem e o meu coração acelerava esperançoso de vê-la descer na estação. Escrevia cartas, e como escrevia!... Até me tornei um pequeno poeta, assim diziam as meninas da vila. Mas cansado de tanto esperar, certo dia, num vagão abandonado desenhei um coração e dentro dele escrevi nossos nomes usando cores rubras, as quais, com o passar dos anos não resistiram às intempéries do tempo e se esvaíram como se esvaiu a dor e a saudade de sua eterna ausência. Tempos passaram como passaram nossas vidas, mas certo dia a vi.  Eu era um adolescente que enxergava o amor nas mínimas coisas e realmente anotava tudo num caderno cheio de frases poéticas, próprias de um menino sonhador.  À medida que ia andando sobre os trilhos,  abria o peito para receber o vento que enchia meus pulmões impregnando-os de perfumes vindos das matas e das flores que brotavam estrada afora. 

Às vezes, dava uma pausa para observar o movimento dos pássaros, enquanto o sol escaldante ia queimando o meu rosto e o peito nu. Ao entardecer me deliciava quando ele descia soberbo por detrás do montes emitindo raios multicoloridos, ora alaranjados, ora vermelhos, ora formando um arco-íris, que iam sendo retalhados entre os galhos e folhas da verdejante mata que circundava a estrada. Sentia uma sensação inigualável, inexplicável, algumas vezes, nem sabia como, aparecia diante de mim o rosto angelical daquela menina moça que se refletia por entre as folhagens coroada pelos raios solares daquelas encantadoras tardes de primavera. O seu sorriso angelical era parte integrante do cenário, que de tão perfeito, parecia onírico. Mas, naquele tempo, ao caminhar pela “estrada da vida”, não soube escolher o caminho certo. Talvez, enxergava certas coisas de uma forma, não como hoje, que calejado em face da labuta cotidiana, passei a ver de outra, não porque tudo tenha mudado, mas porque a minha forma de interpretá-la é que mudou. 

A “estrada da vida” se esticou assim como o tempo que passou e marcou os nossos rostos deixando-os  carcomidos.  A estrada que percorremos fez-nos deixar para trás muito choro sufocado e muita injustiça a ser vencida. Mas, seja qual for à estrada, se de chão ou de ferro, nem sabemos em que parte dela a dor deve ser curada, sabemos que ela nos conduzirá ao mesmo lugar e trafegar ou equilibrar sobre ela é o que se  questiona. Podemos até passar rapidamente ou devagar sobre ela, não importando a velocidade que imprimimos. Podemos causar impactos, sentimentos vários nas pessoas ou em nós mesmos. Podemos encontrar durante nossa caminhada dias nebulosos, ventanias, sol extremamente quente, noites e dias frios, pedras, espinhos e até pessoas que passam por esta mesma estrada, umas com semblantes rancorosos, outras distraídas, venenosas, falsas, egoístas e outras cheias de amor, mas, todas sabendo, que no final da “estrada” todos terão o mesmo destino: rostos envelhecidos, cabelos grisalhos, corpos curvados para não dizer que chegaram à velhice e como final, a morte, para uns, o descanso eterno, para outros, é vida nova no paraíso, mas, para mim, é somente a certeza de ter conseguido chegar ao fim da estrada ileso e pagando menos “pedágios”.

Tem dia que caminhamos ou sentamos na beira da estrada e deixamos o vento levar nossos pensamentos sem pedir licença. Tem dia que pegamos pétalas de rosas à sua beira e elas nada exalam. Tem dia que vemos passar por ela marés de incertezas e não reagimos. Tem dia que tentamos encontrar outra estrada e sonhar um sonho que almejávamos sonhar, mas não conseguimos. Tem dia na estrada que a noite é pesada demais mesmo sem  termos pesadelos. Tem dia que nos lembramos do passado sem assombros, um passado limpo, mas, tem dia que o vemos cheios de escombros. Tem dia que perdemos alguém na “estrada” que muitas vezes não dávamos o devido o valor. Tem esses dias... Ah, se tem!

À beira da estrada nem chequei a delinear nada pra mim, apenas fiquei com o pensamento absorto olhando para o infinito céu e foi aí que percebi que o nosso passado é a estrada que percorremos durante toda a nossa existência e este aspecto não devemos esquecer. Foi através desta caminhada longa, entre erros e acertos, com realização profissional ou não, que cheguei onde estou ou encontrar a  felicidade ao longo dela, assim como, o amor e realizar alguns sonhos, talvez com pesados “pedágios, tributo que a vida sempre nos impôs e ainda impõe fatos que talvez nos dificultem  alcançar outros sonhos e objetivos antes de alcancemos o seu final.


 
Vanderlan Domingos © 2012 | Designed by Bubble Shooter, in collaboration with Reseller Hosting , Forum Jual Beli and Business Solutions