Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Goianos na mão e contramão da história.

quarta-feira, 14 de março de 2018


Para escrever um artigo ou crônica com perfeição, compreensível, eu mantenho ao meu lado um dicionário para consultá-lo quando ocorrer alguma dúvida e, quiçá, para não ser mal interpretado, principalmente quando escrevo sobre a política brasileira. Mas, hoje, encafifado com tantos acontecimentos obscuros em nosso Brasil, pergunto: Até onde poderei levar esta encruzilhada em que a gente se encontra? Será que as pessoas estão dispostas a entender e encontrarem com o seu “eu” político, fazendo o percurso que a mente exigir? Por que será que a maioria das redes televisivas se esquiva de falar a verdade sobre a atual situação do País? Será que a propaganda paga pelo Governo é que faz a imprensa escrita e televisiva se calar ou distorcer fatos e manobrar índices de pesquisas? Será que a verdade sobre as despesas com a construção dos estádios serão ainda mostradas à população? Será que vão abrir a caixa preta e fazer sindicância junto BNDS como fizeram com a Petrobrás?

Depois destas perguntas e antes de receber de você resposta sobre elas, respondo: Estou convicto que não, e é por estas e outras razões e atitudes que muitas vezes escrevo usando as entrelinhas do silêncio, procurando não me calar, fazer uma boa escrita, pensada, elucidativa, para alcançar um fim comum, um convencimento, desiderato, e de certa forma, brincar sério com as palavras e mostrar o que está acontecendo e vem prejudicando o nosso País.

Pois bem, vou evitar colocar reticências para não soar como pausa e ou mesmo forçá-los a pensar, Ousei fazer uma pesquisa sobre alguns goianos que corromperam, manipulou, estiveram e ainda estão no Poder. Em relação à palavra corromper, infelizmente, eu tenho que falar de uma família de goianos, os irmãos Batista, de Anápolis, mandatários do grupo J&F, da JBS e Friboi, milionários que entraram na contramão da história corrompendo muitos políticos sem olhar sigla partidária, olharam apenas interesses próprios. Neste momento que escrevo me sinto deveras decepcionado com tudo e entendo não me convir falar mais sobre esses goianos que prejudicaram e muito a economia brasileira. Não quero comentar porque sobre os atos deles, pois o povo já está cansado de ouvir, de ver e ler. Mas hoje a palavra ânimo se aproximou de mim e explico: Recentemente, vemos mais um goiano ocupar o status de Ministro, o deputado federal licenciado Alexandre Baldy que nasceu em Goiânia e que, se administrar com probidade e sem usar a malfada corrupção, poderá deixar seu nome gravado nos anais história como um dos goianos que tiveram criatividade e a responsabilidade de comandar uma pasta, a do Ministério das Cidades, tão importante para o desenvolvimento do Brasil.

Em razão sua nomeação veio à minha cabeça o desejo de nominar, além dele, outros goianos que ocuparam e ocupam o Poder. O Estado de Goiás com a nomeação de Baldy passou agora, pela primeira vez ter o comando de dois ministérios ao mesmo tempo, uma vez que Henrique Meirelles, que nasceu em Anápolis em 31/08/1945, já ocupava o Ministério da Fazenda, sendo ex-presidente presidente do Bank of Boston antes de assumir o Banco Central na Administração anterior. Teve formação e pós-graduação em Harvard Business School e Escola Politécnica da Universidade de São Paulo · Universidade de São Paulo. Vê-se que estão em cargos extremamente importantes de decisivos para ajudar na melhoria da economia. Também como não me alegrar e ficar esperançoso com a indicação da dinâmica e competente Raquel Dodge, que nasceu em Morrinhos, minha conterrânea nomeada para comandar a Procuradoria Geral da República. Ela é filha de Ivone Elias Cândido Ferreira e de José Rodrigues Ferreira, então advogado, pais de mais três filhos, outra mulher e dois homens. A família morava em frente ao Colégio Coronel Pedro Nunes, onde Raquel e seus irmãos iniciaram seus estudos, acompanhados pela tia materna, a professora Ivonete Elias Cândido. Por fim, não poderia deixar também de citar o nome da Dra. Delaíde Alves Miranda, Ministra do Tribunal Superior do Trabalho, que tive a honra de ser seu colega na Faculdade de Direito.

Para finalizar, não poderia deixar de lado também outros goianos ilustres que serviram ao País. Pela ordem, eles exerceram cargos em ministérios de suma importância, como: José Leopoldo de Bulhões Jardim, que nasceu em Goiás e que foi o primeiro goiano nomeado Ministro; Olavo Noleto (Ministério da Comunicação); Iris Rezende (Ministério da Agricultura); Ovídio de Angelis (Ministro do Desenvolvimento Urbano); Lázaro Barbosa (Ministro da Agricultura) Henrique Santillo (Ministro da Saúde); Flávio Peixoto (Ministro de Meio Ambiente); Iran Saraiva ( Tribunal de Contas da União); Alfredo Nasser (Ministro da Justiça); Laurita Vaz (Ministra do Superior Tribunal de Justiça).

Para os cronistas, articulistas e comentaristas políticos que gostam de uma fala ou texto compreensível e não andarem na contramão da história, o único espaço aonde o sucesso vem antes de começar a trabalhar é o dicionário. Hão de se convir que um governo mal administrado, que anda na contramão, tenha um local inapropriado, de mão única, onde possui um cofre para proteger nosso dinheiro num ano de crise, e depois, ainda na contramão, pega-o de volta quando começa a sair da crise.




Simplesmente mulher.

segunda-feira, 5 de março de 2018


A gente se encanta com tão pouco, com seu jeito tão simples, tão carinhoso, tão especial, tão encantadora, tão suave, tão sedutora. Há tempos aceitamos que elas, sem maquiagem, ficam também lindas. Não é verdade? E quando estão com os cabelos molhados, principalmente pela chuva? Dá uma sensação gostosa não? Sejam soltos ou presos, mas quando vemos enxugados pelo vento que passa veloz ficamos boquiabertos e aí nos encantamos com seu ar juvenil, é como se elas voltassem a ser crianças, de uma delicadeza natural, sem igual, afinal, elas são genuinamente bonitas por natureza e disso nenhum homem discorda.

Algumas mulheres são tão preocupadas com a estética que às vezes nos assusta, todavia, gostamos também de apreciar uma boa produção, não tanto exagerada, mas apreciamos. E quem não gosta de desfilar com uma mulher bonita nos corredores de um shopping, cheirosa, maquiada, com o cabelo arrumado, um belo vestido ou uma roupa adequada como aquela que se usa para ir a uma festa, a um jantar ou cinema? Não há ego masculino que resista aos requintes da sedução feminina, muito embora a preparação não seja apenas para atrair apenas o homem desejado. Há muito mais entre uma calça jeans que ela usa ou um vestido comprido cobrindo todo o corpo. E os cílios postiços e lábios pintados, então? Será que a vã filosofia masculina é capaz de entender? De certa forma não, porque somos eternamente tolos e em certos momentos ficamos até abestalhados.

A mulher demora a se arrumar porque ela se arruma pra ela, pra sua auto-estima, para o seu bem estar e não pra gente. Mas ela está certa. Mesmo não sendo, quer se mostrar mais magra, até mais do que está e nem importa o que venham dizer. Se gordinha, nem liga, ele se acha fofa e a gente também. Mas fiquem atentos, pois magrinha ou gordinha, ela se importa sim, principalmente com o que seu amado pode pensar e dos que outros homens também poderão pensar e admirar nela. Se dissermos que ela está assim, assim, assaz, não acreditem, desconsiderem a opinião e nem queiram saber. Cria-se uma relação de amor e ódio com o espelho, pois quer agradá-lo diariamente. Olha, olha, passa as mãos no cabelo, solta um leve sorriso e pergunta: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?” Ainda bem que espelho não ouve e nem fala. O pior é se perguntar pra o espelho não tão bonzinho se ela está gorda e ele responder, será que a resposta será sempre não? E presta atenção no que eu disse, sempre! Se for sim, no dia seguinte tenho a absoluta certeza de que fará matrícula numa academia e começará a tomar produtos para emagrecimento.

O fato da mulher querer estar linda o tempo todo é obvio e tem certo propósito: marcar território. E como aquele cachorrinho que anda pelas calçadas e quando sente cheirinho deixado por outro, vai ao local e faz xixi, o que quer dizer: “não faça mais aqui, pois este espaço tem dono”. Interpretando no caso da mulher: trata-se de uma alerta para as “periguetes” que tem a intenção de “dar em cima” de seu homem e até porque a oponente se acha mais do que é. Como diz o velho Pantaleão: Não é verdade Terta?! Pode-se afirmar também que é uma mútua antipatia espontânea, mas eu prefiro pensar que o cerne da questão ainda somos nós, meros e humildes seres masculinos.

Se você quer agradar uma mulher, não mande flores, apenas. Algumas nem gostam, mas sabemos que em tudo exceção. Na verdade fingem que não gostam para não parecerem frágeis. Sabe o que mais encanta mais a uma mulher é ganhar sapatos novos, um belo vestido, uma jóia, ou em último caso, se o marido ou namorado tiver disposição, cozinhar e ainda lavar os pratos. Mulheres não se permitem fraquezas, a menos quando querem chamar à atenção. Elas suportam uma dor por alguns segundos do que agüentaríamos a vida inteira, mas reclamam de um desconforto nas costas, apenas para ganhar colo, ou uma boa massagem com gel de arnica e um cheirinho no cangote. Mulheres é assim, uma ebulição de hormônios e, até nisso, os culpados somos nós.

Conviver com uma mulher é a arte da compreensão, ou vice-versa, porque não somos fáceis também de lidar. Não somos fáceis mesmo, mas às vezes só queremos ficar ali, esparramados no sofá, assistindo a um joguinho de futebol, passando de um canal a outro. Sabemos que elas precisam de atenção, mas justamente na hora em que nosso time joga e no meu caso, o Vasco da Gama, que está jogando, aí demais, então como devemos fazer? Sabemos realmente que precisam da gente e aí olhamos pra elas enquanto falam, esperneiam. Quanto a mim que continuo vidrado no jogo não interajo, mas como interagir se ela está manuseando o tal Whatsapp? Nem o larga. Enfim, que continue com esse famigerado celular, exclusivo dela, porque enquanto ela estiver usando-o assisto sossegado ao jogo.

Por fim, 08 de março, dia internacional da mulher, eu não poderia deixar parabenizá-las, assim como, de citar algumas frases da música “Mulher” de Martinho da Vila: “A mulher pode ser loira, morena, branca, ruiva, confusa, desequilibrada, carente, atrevida, acanhada, de guerra ou de paz,” Mas essas mulheres tão exaltadas pelo sambista esperam de fato é serem cuidadas, cativadas, conquistadas, amadas, e continuarem lindas, usando ou não seus vestidos de grife, moletons, calças jeans, ruges e batons.


Voltar a sorrir, talvez sim, talvez não.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


O tempo passou e eu nunca fiquei sabendo por que aquele menino não sorria, talvez porque sofrera algumas decepções e desilusões no decorrer de sua infância. Talvez, durante este lapso de tempo deixou de ter esperança em um mundo melhor; talvez o seu semblante de menino não revelasse a verdade de seus gestos, o amor e uma vontade férrea de vencer. Menino que não sorria mesmo num dia lindo, talvez tal situação ocorresse por não conseguir concretizar seus sonhos e ideais; menino que mesmo assim nunca se considerou derrotado. Talvez, ele possa até ter sofrido alguma injustiça, sem jamais assumir o papel de vítima. Talvez tenha enfrentado alguns inimigos e não ter a humildade de aceitar as mãos que lhe foram estendidas. Talvez numa dessas tentativas ele tenha até derramado muitas lágrimas, as quais, talvez, não passassem de meros pingos.

Para ele, talvez, o tempo tenha escorrido entre os dedos, mas jamais teve vergonha dos seus gestos e dizer o porquê não sorria. Talvez tenha sido enganado várias vezes. Talvez, sim, talvez não, mas jamais soube a razão, Mas, talvez, não deixou de acreditar que em algum lugar alguém venha merecer o seu sorriso, incapaz de ferir qualquer sensibilidade. Talvez com o passar dos tampos possa perceber que cometeu erros. Talvez sim, talvez não, mas nunca desistiu de continuar trilhando o seu caminho. Talvez, com o decorrer dos anos  perca grandes amizades e nem volte mais a sorrir. Talvez vá aprender que aqueles que realmente foram seus verdadeiros amigos que nada está perdido. Talvez algumas pessoas queiram o seu mal, que o seu semblante continuará fechado no futuro, talvez sim, talvez não, pois, vai continuar plantando a semente de a fraternidade por onde passar. Talvez... Talvez ele não tenha motivos para grandes comemorações; talvez, nem se deixe alegrar com as grandes conquistas, ou talvez, jamais deixará de buscar. Talvez a vontade de abandonar tudo tornasse a sua companheira, a qual, talvez, ao invés de fugir, correu atrás do que almejava. Talvez ele não fosse exatamente  o que se comenta, pois, realmente gostaria de ser uma pessoa importante e com o passar dos tempos; talvez, admirará o seu jeito de ser e como será, porque, no final, saberá que, mesmo com incontáveis dúvidas, ele será capaz de construir uma vida melhor e, talvez, volte a sorrir ou talvez não.

Quando escrevi o poema intitulado “O menino que não sorria”, o meu personagem era um menino de periferia que eu conheci numa avenida bastante iluminada em uma região central da cidade, porque como explicar o uso hoje da palavra duvidosa “talvez” neste texto: Nada se deixará de colocar no início, no meio ou no fim um “talvez”, porque em qualquer texto existirão dúvidas por isso a inserção de alguns “talvez”, que sempre ocorrerá na certeza de que a vida do meu personagem valeu à pena e  eu escrevi usando o “talvez” procurando dar o melhor de mim e um final melhor pra ele.

Certa tarde eu senti saudade do sorriso de alguém, alguém que pudesse sorrir tão bonito, seja na rua, numa janela, na porta de um prédio ou casa qualquer. Queria apenas um sorriso que me lembrasse o do menino que não sorria. Bem que me disseram que depois de muito tempo sem ver um sorriso, só melancolia, qualquer situação vira saudade pura. Não tenho medo de clichês: amor realmente não basta quando duas pessoas vivem momentos diferentes. Quando o amor nasce na primavera o olhar das almas florescem, se encontram se amam e o amor pode ser extremamente bonito, mas também frágil demais. Não comum, vem o amor quente de verão e muda todos os sentimentos que se tornam delicados como cristais. E, depois, vem o outono, onde há vasos floridos de uma extinta primavera que precisam ser tratados com extrema delicadeza. E palavras rudes são tombos altos, por isso deve vir o sorriso para amenizar. A decepção condiciona o amor, que, para ser amor, há de ser incondicional. As pessoas precisam conhecer profundamente o caráter da outra para não precisar ficar segurando o vaso de outono o tempo inteiro.

Hoje quando eu olho os cacos de alguns, sinto desaparecer o meu sorriso e ele pode ser aquele que recebi de alguém que estava numa janela de uma casa qualquer, cujo sorriso me faz lembrar o menino que não sorria. Vem a saudade. Saudade que não aumentou e nem diminuiu quando olhei para os cacos esparramados pelo chão e cada pedaço me fez lembrar tudo que está em cada um nós. Tudo que aconteceu até hoje desde que conheci aquele menino fez de mim uma pessoa melhor. Porque a alma ainda ama e quando fazemos alguém sorrir, nos ama mais ainda. Sem o talvez sim ou talvez não, se eu tivesse cola, eu juro que tentaria colar sua foto num álbum, estampando um sorriso, quando lhe agasalhei com um grosso cobertor numa noite fria de inverno, mesmo que aquela ação não passasse de uma utopia.




Em busca do elo perdido, além de mais além

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


A gente sonha, imagina coisas interessantes, bonitas, misteriosas, reais até surreais, que achamos existirem num lugar qualquer, misterioso, e que podemos dizer que fica além de mais além, onde nossos olhos jamais podem alcançar e nem nossas mentes sabem discernir onde fica, Vivendo no mundo real, sem sonhos, nem notamos que o perigo que nos rodeia é iminente, então, percebe-se, de repente, a inexistência de futuro, de um amanhã incógnito, sabendo que ele é subseqüente e o único momento que temos para prosseguir na caminhada em busca do elo perdido. Nesta caminhada poderão acontecer desastres e serão extremamente reveladores, fazendo-nos desconhecer como será o amanhã. Sabemos que eles existem e não trazem nada de novo para o mundo, simplesmente fazem com que a gente fique consciente do mundo como ele é. Certos acontecimentos nos despertam para a vida, todavia, se você não entender isso, pode enlouquecer, mas se entender pode ser que você desperte e deixe de ir à busca de seu elo perdido, num mundo desconhecido, além de mais além.

Para procurar alguém ou alguma coisa real, palpável, realmente não devemos vacilar, mas como pessoas inteligentes que somos, deveremos fazer tudo corretamente e de forma ponderada, arriscar se for preciso e jamais vacilar, pois o dia seguinte pode não existir e aí será tarde demais! A pessoa pouco inteligente geralmente nunca vacila e nem hesita, e isso é fato. Então, por que nos preocuparmos com aquilo que pensamos existir além de mais além. Devemos viver o hoje com prazer, sem medo, sem culpa. Viver sem nenhum medo do inferno ou sem ansiar o céu. Devemos simplesmente viver.

Certa vez, uma jovem dizia estar com o coração partido e perambulava sozinha numa rua deserta, com pouca iluminação e quem passava por ela não podia ver o brilho dos seus olhos, nem o seu rosto, o modo de caminhar e seu anseio por uma vida nova, Perecia estar à procura de um elo que a ligasse alguma coisa real e ou mesmo surreal. Lágrimas desciam pelo sua face, me fazendo entender que procurava dar um fim em sua vida naquela rua deserta. Ao passar por ela jamais pensei que conseguiria achar o seu elo perdido: o amor próprio, e que existiria o tal conto de fadas, mas agora sei que ele existe porque eu a reencontrei noutro local bastante iluminado, não profano, com os olhos brilhando, pois ela se tornou mais forte que o tempo e atravessou a imensidão do espaço que transcendia os limites de sua existência.

Com o pensamento alhures olhou para o horizonte longínquo, agarrou nas mãos de sua fada madrinha que apareceu do nada, fazendo-a prosseguir na sua caminhada, cuja distância e nem o tempo podiam forçá-la a cometer outros erros. Ela sempre pensava que as amizades continuassem para sempre, mas hoje não tem mais tanta certeza disso. Cada pessoa amiga segue outros rumos e às vezes nem deixam pista, mas, talvez, até voltariam a se encontrar um dia quem sabe... A jovem Magali de quem falo acreditava que do lado delas encontraria os melhores momentos da sua vida, as melhores risadas, as melhores palhaçadas, as melhores brincadeiras sem se decepcionar.

Não precisamos ir à busca de elos perdidos ou nos deixarmos perder durante nossa existência, nem precisamos além de mais além, rumo ao desconhecido, pois durante a nossa caminhada conhecemos coisas insuperáveis e pessoas todos os dias, a maioria delas, talvez, por acaso, mas algumas acreditamos terem sido enviadas Deus. Estas se tornam pessoas especiais, que nos compreendem e que estão sempre conosco, seja na doença, na alegria ou na tristeza, cujo vínculo a gente não consegue explicar.



Carnaval: o luxo, a droga e o lixo.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


Debruçado sobre o vão da janela observava as árvores enfeitarem as ruas acinzentadas do cotidiano. Era fim do carnaval, mas, de repente, não sei como, apareceu alguma coisa, talvez extraterrestre, que me forçava a pensar e lembrar dos melancólicos despojos carnavalescos: as ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas que se tornavam simples esqueletos; oscilando no ar farrapos de ornamentos sem sentido, carrancas, máscaras, serpentinas, magos, amarelos e encarnados, batidos pelo vento; torres coloridas e desmesurados brinquedos que ainda se sustentavam de pé, intrusos, esquisitos, anômalos, esparramados na rua entre as árvores e postes. Era o fim mesmo! Via-se o luxo jogado no lixo! Acabou o artifício e muito dinheiro foi para o ralo; esvaíram-se as mágicas, tudo voltou à realidade. Foram-se as batucadas carnavalescas, mas, para a pessoa sensível, era possível ouvir comentários sobre educação precária, pessoas morrendo nos hospitais públicos e roncos de barrigas famintas vindos das esquinas e becos da cidade.

Antes e começar a escrever esta crônica agucei os olhos optando por usar apenas a janela da alma, e sob o toque do silêncio, sabia que ainda poderia enxergar alguns transeuntes fantasiados de palhaços, levando seus pedaços de ilusões outrora esquecidas sobre as mesas de bar, justamente  na quietude das horas mortas que às vezes, dominados pela bebida alcoólica nem  se lembra quem  foram. São tantas histórias perdidas nos labirintos da memória que sequer enxergam as flores que circundavam os jardins que enfeitavam cada passo no crepúsculo da madrugada e extasiadas, procuravam retornar ao lugar do qual nunca deveriam ter saído. Deixavam os bares e salões e com passos lentos e solitários, saiam cambaleantes pelas calçadas, enquanto o sol se despontava no horizonte clareando ruas e avenidas para que pudessem seguir em frente sem titubear. 

Á medida que ia contabilizando os metros percorridos por aquelas pessoas, entendi que cada passo poderia estar representando cada etapa de suas vidas, mas lembrando que à frente poderia existir um abismo, receber uma bala perdida e serem empurrados pela mão invisível do destino e só diante desta situação se lembraria Deus. Continuava observando os olhares vagos que, fixos na parede do universo, poderiam tornar-se translúcidos e só a mão mágica do destino poderiam transformá-los numa moldura estelar que pudesse enfeitar o céu antes do amanhecer. Ora, sabem que Deus é o arquiteto do universo e que procura comunicar e se fazer presente em cada momento de nossas vidas, numa demonstração de que somos amados, que vale a pena lutar por uma vida nova, ser possível deixar o vício e ser feliz. É possível mostrar para os dependentes químicos, para os viciados em drogas, internet e até em  televisão, o valor das coisas simples e da superação, porque Deus se revela na simplicidade e nos ensina como superar tudo o que acontece no nosso dia-a-dia. ELE se revela na beleza de uma flor, no cantar de um pássaro que voa amparado pelo vento; se revela através  de um  rio que desliza manso em seu leito levando as flores e folhas secas que se desprendem dos galhos ribeirinhos ou no abraço e palavras sinceras de amigas e amigos.

A missão de cada um é restaurar vidas, temos uma grande responsabilidade, pois cada um que vem até nós nos foi confiado por Deus e aqueles que não foram que encontrem entre nós o apoio merecido, carinho e amizade verdadeira. Aqueles que são dominados pelo vício que procurem se desvencilhar desse mal e vivam intensamente. Aqueles que não forem que evitem situações e pessoas que possuem sinais do pecado. Valorizem seu corpo e prezem a saúde. Todos somos filhos de Deus. Somos livres e não nos  deixemos escravizar por tudo aquilo que é maléfico a nossa saúde, através de propaganda ou cenas picantes, apresentadas até de forma inconseqüente pela internet ou TV. 

Eu aprecio alguns programas de TV e a internet é importante para o mundo moderno, entretanto, é importante e salutar que saibamos discernir somente aquilo que venha acrescentar em nossas vidas e o que possa interessar a nossa formação intelectual. Cada dia, milênios de evolução são esquecidos em nome do fetiche tecnológico. Apetrechos fabricados ao menor custo e com baixa capacidade científica passam a influir e servir-se de psicologia barata para aliviar o desespero pós-moderno, cujas escolhas nos trazem um amargo na boca e caminhos que se bifurcam  num paraíso que fica cada vez mais distante, não obstante sendo importante lembrar que nós somos frutos de nossas escolhas. Deus quer que valorizemos nossas vidas e ainda dá-nos liberdade para fazermos nossas próprias escolhas.



A teia do destino

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Costumeiramente, vou à sacada para olhar o vazio da rua. Certo dia, de repente, eu me senti extasiado diante da grandeza do universo e dos enormes prédios que circundava o meu. Olhei para o infinito e observei milimetricamente cada detalhe que o compõe e notei que todos fazem parte da teia que rege o universo, cada um com seu destino e importância. Era tanta beleza que um sorriso brotou em meu rosto, meus olhos brilharam diante do ambiente místico e um charme especial foi trazido pelo vento que adentrou e se misturou como se ele fizesse parte de uma orquestra cheia de mistérios. E, toda vez que estou na sacada eu me mostro ao mundo da forma que sou e o mundo me mostra a forma que ele é, e aí me extasio diante do brilho do sol que também penetra trazendo sua quentura, mas o céu queria encantar-me mostrando todo o seu esplendor, o vento que fazia parte desse universo soprava suave trazendo fragmentos de amor que saiam das teias do destino em direção ao meu peito e tudo se transformava em sorrisos, entre eu e ele. O ambiente místico parecia desabar, mas boquiaberto e olhando para a teia do destino, declarava que amava tudo ao meu redor

Em certo momento vi a saudade chegar, sentar junto comigo numa pequena mesa exposta na sacada. Olho com certa tristeza para o infinito e emudeço, esperando, que ninguém chegasse a ouvir de meus lábios um grito de saudade mesmo que tivesse sobre a mesa uma bebida impregnada de sabor. Não tinha nada e nem bebia qualquer coisa continha álcool, pois traria mais saudade. Peguei uma folha de papel, uma caneta, comecei a rabiscar e notei que ninguém estava lá para me azucrinar. Dei uma pausa e naquele mesa pensei na tal saudade, depois, de cabeça baixa eu comecei a juntar os escritos, ou rabiscos, sei lá. Foram horas e horas para que eu pudesse definir sobre o porquê daquela saudade e porque ela estava ali diante de mim. Perguntei a mim mesmo: Será que é mania de poeta criar coisas assim para ter a satisfação de decifrar o que sente, pois à saudade vinha em forma de poesia. Era um final de tarde, nem fria ou chuvosa, mas deixava o meu coração triste e solitário. Submergido numa teia de pensamentos e reflexões, mas imbuído de ir à busca do impensável, de compreender e aceitar a realidade que me circundava quedei-me diante do meu desabafo interior na tentativa de afugentar tudo aquilo que vinha da teia universal que de certo modo controlava o meu destino e trazia muitas incertezas.

Com a caneta na mão e a poesia no coração, constatei que nem tudo era só saudade que se impregnava em mim, mas também a alegria. As magoas corroboravam na formatação de rimas que se espalhavam no quadriculado papel, versos sobre amor que já não valiam mais, mas sempre deixava algo para me machucar. Rabiscos e mais rabiscos enchiam a esbranquiçada folha, se misturavam, se convergiam, nascia mais um poema, mas o poeta e sua caneta, nem sabia se a dor era à toa, ou se era de verdade, se era poesia ou poema, se alguns versos podiam magoar alguém, Então a saudade e poeta juntos naquela sacada se tornaram partes de uma moeda de pouco valor comercial, a tinta incrustada na caneta pouco valia, somente o papel rabiscado e cheio de poemas tinha o seu valor. Valor que o poeta não contabiliza e nem soma a eles sua dor, pois faz parte do seu jeito de pensar e escrever.

Sempre existirá um mundo repleto de inocência quando se tratar do olhar infinito de uma criança, por isso, acredita-se que existe algo diferenciado quando se vê coisas originárias da teia do destino, ocorrendo um contraste de revelações pelo que podemos continuar sendo. É fato que o amor é inevitável quando tudo é frágil, mas, todavia, admiramos a fortaleza dos sentimentos que guiam os bons. Quando se trata de envelhecimento a juventude demonstra certo desequilíbrio, porque estão cercados de escolhas, pelas quais o mundo é confuso na sua lógica.  Ensiná-los cedo a distinguir o caminho e que o futuro é uma sombra de fatos, continuamente o que se faz a cada dia e, não importa se for no amanhecer, na noite, nas horas que mudamos o senso da virtude, tudo estará no lugar de espera. 

Olhando para a teia que cobre o infinito ou coordena o destino de cada um, esse limite do olhar ultrapassa o improvável e sempre rouba o nosso tempo e o pensar empobrece a certeza.  Essa teia esconde nossas dores e os segredos vagam por um mundo sem respostas, culpando o passado, como abrir um álbum de fotos repletos de rostos, talvez com semblantes de saudade e remorso, que nos intriga e instiga à realidade e a comparação da felicidade. O olhar fora do alcance, seja no espaço das ilusões, seja numa fila interminável, sem saber quem é o primeiro ou o último; uns e outros indo para lugares certos expressando sorrisos, imbuídos de esperança, e tudo aquilo que jamais traria o desassossego ou brincar com o que não se tem.

Olhando pela sacada rumo ao universo infinito como eu sempre faço, sem os insultos do silêncio de ontem, sei que diminuo o meu sofrer, todavia, a fragilidade de existir entre o que é eterno e mortal, às vezes posso ter trazido desde a infância até ao envelhecer. Sentir na pele as mudanças, sentir na mente os pensamentos as lembranças, sentir na atitude de escrever alguns arrependimentos; porque destes, somos de uma complexidade de corpo inspirado pela alma. Então, devemos remanejar a teia que controla nosso destino, deixá-la livre, assim como a nossa vida e as expressões que se tornaram ociosas. 


Amnésia Literária

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Sempre chega a nossa hora. Sempre chega o dia em que sofremos um frio danado na barriga e ficamos deveras nervosos. Ocorre uma pane cerebral. Às vezes pensamos em desistir, temos medo de não conseguir chegar até o fim daquilo que almejamos, pois não queremos fracassar. Certo dia me vi diante de uma enorme livro, comecei a suar muito, um suor de escorrer pelo rosto que limpava as células adormecidas para, depois, serem levadas pelo vento sem alcançarem o chão. Meu Deus! Foi apenas um cochilo. Se antes de começar a pensar sobre um assunto sério estava suando, imagine antes de adentrar ao livro! Tudo ocorreu num final de tarde, diferente, inusitada, parecia que o sol brincava comigo e não havia nenhuma nuvem a importuná-lo. Fazia um calor danado! Não sei por que aceitei escrever aquele texto, precisava de mais tempo para me preparar. Era muito esquecido e era tanto esquecimento que esquecia até de mim mesmo, e em razão disso, jaziam-se também as lembranças.

A tarde começou a cair e o sol precisava entregar a terra à lua. A obscuridade à minha volta começou a ser interrompida pela luz violácea dos relâmpagos que se enquadravam no vão da janela, mas paciente, ficava ali, inerte, velando no silêncio do meu quarto, dedilhando no teclado do computador, frases de amor que ia retirando do baú corroído pelas intempéries do tempo, para enviar a alguém, mas, por incrível que pareça não me lembrava quem. Passei as mãos no rosto imberbe e fiquei aguardando o momento certo para reiniciar. Reiniciar o quê? Tinha esquecido. Um pássaro passou e cantou freneticamente rente à janela e naquela fase de pensamento absorto, levei um susto, mas o bom é que ele me devolveu à realidade. Recuperado daquele transe os meus pensamentos começaram a voltar, mas bem devagar, em ritmo lento, pensando sempre no momento em que meu corpo voltasse a precisar de maior esforço. O suor continuava descendo, mesmo quando o sol já tinha se despedido da terra. Novamente pensei em desistir, mas tinha que continuar, não podia deixar de lado algo que era importante para mim e se não continuasse naquele momento poderia voltar a esquecer. No meio das folhagens que pendiam perto da janela, vi um rosto angelical de mulher, que logo desapareceu por detrás de uma pequena neblina. Comecei a sentir sede, precisava de água, vi um copo cheio de água à minha frente, não resisti e bebi. Nem sei quem o colocou ali. Depois olhei para as folhagens com certa ansiedade... A bela imagem não mais a vi. Da sacada ouvia-se uma música, romântica, lenta, mas naquele instante, eu precisava de algo mais estimulante. Na próxima vez pensarei nisso e preguiçosamente, debrucei sobre a escrivaninha. Cochile, mas depois dormi debruçado sobre ela.

Horas passaram. Fui novamente até a janela, olhei para os lados, procurando me distrair, observando sempre os movimentos, alguns rápidos, outros lentos. Uns transeuntes pareciam desajeitados, com pernas e braços balançando desconexos como se estivessem num circo. Eram tão cômicos que não agüentei e sorri. Ninguém ia me ouvir mesmo, estava na sacada. Aliás, dali não sei onde encontrei forças para rir tanto assim. Ria tanto que meus rins doíam, enquanto o suor tomava todo o meu corpo. Parei de rir, pois precisava chegar ao final tão almejado. Não podia desistir e nem esquecer o que planejava. Os meus leitores esperavam o melhor de mim. Parei de rir e passei às mãos onde ficam os rins e vi que tudo voltara ao normal, Olhei na minha mão direita e no dedo indicador um pequeno laço que eu tinha amarrado para me lembrar do que tinha que fazer. Faltava pouco para terminar e sabia que ia conseguir. Fiquei olhando para o laço e comecei a dar umas dedilhadas rápidas no teclado do computador e palavras foram se amontoando no monitor; senti que o final estava próximo, mas precisava de um título para fechar com “chave de ouro” o texto. Era mania minha e para não esquecer tinha fixado no botão da camisa um clipe com um pequeno papel e nele um nome. Ora, laço no dedo, clipe e outros apetrechos pendurados no corpo só para lembrar-se de alguma coisa, não acham demais? Coisa de maluco ou de quem está com amnésia. Eu simplesmente esqueci o que representava aqueles apetrechos. Mas enfim, com esquecimento ou não, o importante é que cheguei ao fim. Com os olhos e mente cansada, mas ainda com certo fôlego literário, quis explicar, de alguma forma, que às vezes é necessário a gente anotar o assunto e não se importando em que lugar se deve afixar a peça lembrança. Por outro lado, devemos abandonar o velho barco e a mesma rotina; devemos deixar de lado velhas roupas e esquecermo-nos daqueles caminhos que sempre nos levaram ao mesmo lugar ou a lugar algum. Eu só não queria levar a certeza de que nada sabia ou pouco sabia... Penso que cumprir a vida seja simplesmente ir marchando rumo certo, seguindo em frente, sabendo que todo mundo passou por ele, amou, chorou ou ainda chora quando passa por esse caminho. Cada um de nós compõe uma história e vida. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz, de girar em torno de si ou do universo como faz o planeta terra, e se não ousarmos fazer, nós ficaremos para trás, à margem de tudo e em certos momentos, começaremos a esquecer de nós mesmos. Você, caro leitor, sabe do que eu estou falando e sei que não esqueceu, ou sei lá, poderia até ter-se esquecido ou esquecido de esquecer.

Amnésia literária é a pior coisa que pode ocorrer com um escritor. Num passe de mágica, ele transborda de boas ideias, de história e estórias sedentas para serem contadas. Esse transbordo pode acontecer durante uma caminhada num bosque; num tumultuado trânsito; durante o deleite de uma sombra que o protege do sol; durante a noite quando o sono surge de repente e não dá tempo para enxergar o nascer da lua. Como num passe de mágica, esquece-se de tudo isso na companhia da caneta, frente ao computador, tão logo os dedos tocam o teclado. Certamente são situações que precisam ser estudadas antes que se dê um nó na memória do escritor, pois em dias de amnésia literária em que a gente esquece tudo, o caro leitor tem de concordar comigo, pois se torna necessário redobrar a cautela para evitar que o literato cause uma “guerra mundial” em razão de um simples esquecimento.



A hora e a vez de um escriba

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Há bastante tampo assisti a um filme brasileiro intitulado “A hora e a vez de Augusto Matraga” aí resolvi intitular esta crônica com um nome parecido, só que o personagem sou eu, este humilde escriba. Do meu pequeno escritório, no 13.º andar, pode-se ver o pôr do sol e o nascer da lua mesmo com as persianas semi-serradas. Na parede, à esquerda, diplomas de várias entidades culturais e Academias de Letras se destacam e eles são um incentivo para que eu possa continuar escrevendo. Nesta manhã de tempo nublado, sem esboçar qualquer reação, fui à sacada, debrucei sobre ela livrei-me dos pensamentos ineptos e a uso como um mirante para visualizar as ruas, prédios e o longínquo horizonte. Encho os olhos de paisagens e na retina, impregno os meus sonhos.

Do alto, vejo um cachorrinho preso a uma fina corda que, inocentemente, deposita os seus restos de lixo na calçada e uma senhora, que deve ser “mãezinha” dele, nem liga, pois a calçada não é a dela e nem mora perto. Eu tive que rir, ri muito daquela situação vexatória e do rosto ruborizado da mulher quando o danado do cãozinho defecou bem mole sobre a calçada. Como ela iria colocar no saquinho de plástico? Senti-me culpado, pois devia ter entrelaçado os dedos para prender o cocô no orifício do bichinho. Ao ver aquela cena meus pensamentos que estavam reclusos foram e voltaram na velocidade da luz trazendo o meu tempo de criancice. No que tange a aquele cachorrinho é claro que veio à minha mente cenas do passado: cachorros fazendo suas necessidades, e a gente, inocentemente, sem maldade, entrelaçavam os dedos indicadores e num repente, os excrementos do animal não fluíam mais, ficavam como que congelados entre o orifício e o espaço. Quanto à lembrança que tive de certo cachorrinho, infelizmente, não tive tempo de entrelaçar os dedos. Sorte dele, mas não da dona. Mas naquele tempo situação como esta aconteceu com uma senhora educada, de fino trato, que apenas ficou observando sorrateiramente o meu ato e nem se importou quando descruzei os dedos e juntos escutamos o gemido do canino e sair do orifício um excremento e “plaft”: o sólido foi atraído pela gravidade e se espatifou no chão.

Do alto, o sol veraneado de uma manhã desta segunda-feira me animava a tirar os óculos de grau para captar de modo natural, sem anteparos, o mundo que me rodeava. Esparsas nuvens se misturavam com raios de sol e um bando de pássaros brincavam de esconde-esconde entre as árvores em voos rasantes. Retornei ao meu recanto e para não esquentar a “moringa”, fui até a uma pia e joguei um pouco de água no meu couro cabeludo, depois liguei o ventilador, respirei fundo e disse: Ainda bem que não estava na calçada e não pisei em nenhum excremento de animal. No meu ambiente cercado por uma estante cheia de livros é que componho as minhas escrituras, converso com as pessoas amigas através da internet e escrevo minhas malfadadas crônicas. Sentado diante do computador massageando o teclado até formar um emaranhado de letras, às vezes recolho de meu pensamento que está bem distante algumas frases há tempo impregnadas em meu subconsciente, que me embaralham, mas teimoso, escrevo.

O espaço que me reserva o jornal Diário da Manhã é pequeno, mas à vezes, até abuso, como já fiz em outros textos. Então, o jeito é parar de escrever porque não gosto muito de lamúrias e nem vivo ancorado no passado, assim como, não me apoquento e nem me deixo ancorar nos fundos rochosos ou arenosos de minha massa cefálica, caso algum artigo ou crônicas minhas não sejam publicados. Amo escrever e às vezes pergunto a mim mesmo: Onde estão os amigos confrades, acadêmicos que quase não se comunicam entre si? Eu estou aqui dialogando com o mundo, um simples escriba ou aprendiz de poeta, nascido no interior de Goiás e crescido na periferia da Capital, que andou de pés descalços, camisa surrada, calças curtas, mas, hoje, dotado de uma curiosidade enorme, cheio de esperança e que continuo buscando sonhos ilimitados. Posso dizer que me tornei um homem moderno, ajustado, tolerante, sem preconceitos, todavia, diante da parafernália eletrônica, seja em tempo frio ou quente, este acadêmico ou confrade que ora escreve é, como dizem os argutos: sumidouro de memórias, ah, isso realmente sou... Então, caros amigos e amigas agora é hora e a vez deste escriba, cuidem-se!



Cárceres da insegurança no Reino da Podridão.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Presos andavam de um lado para outro num diminuto espaço, O meu olhar atento de missionário e pensamentos se misturavam naquele espaço sinistro que mal dava para escutar as conversas daqueles que escondiam o rosto com o capuz negro do silêncio. Num canto da cela, ao lado do gradil, um jovem franzino, com a fisionomia sofrida, rosto carcomido pelo tempo, manuseava silenciosamente a Bíblia e de vez em quando, olhava para o gradil quadriculado da janela por onde passava a luminosidade solar. Outros presos, amontoados dentro daquela cela fétida ficavam observando o silêncio compenetrado daquele jovem, sem verem sair dele nenhuma entonação de voz ou movimento labial para entenderem o que lia. Permaneciam mudos, mas, de certa forma, pareciam interessados em conhecer o conteúdo daquele livro sagrado. Todo o dia o jovem aquietava-se, manuseava aquelas páginas que lhe trazia conforto e percebia que aquele livro estava alcançando o coração de outros detentos. De repente, ouviram barulhos ensurdecedores e os presos de outra facção que ficava na ala ao lado estavam furando um buraco na parede de tijolos para invadir a ala onde ficava o jovem leitor,

Aquela invasão intencional e criminosa fez-me lembrar que a prisão é tão antiga como a memória do homem e continua sendo o principal remédio que a justiça tem para combater todos os males, males que poderiam ser amenizados com um simples remédio: a introdução da evangelização no meio prisional. Tempo idos, os remédios (prisões) eram mais fortes e em sua bula predominava a pena de morte que era descrita das mais variadas formas, fato que se podem constatar quando desobedeciam ao Código Hamurábi, Deuteronômio, Lei de Manu, das XII Tábuas e Alcorão. Na verdade, naquele tempo desconhecia-se a pena privativa de liberdade e o habeas corpus. As masmorras serviam para abrigarem presos provisoriamente, os quais, muitas vezes, eram esquecidos pelos seus algozes.

Naqueles tempos prendiam-se homens pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço usando correntes e tantas outras formas maldosas conforme a classificação do crime cometido ou seu ato perante aquela sociedade. Passado todo esse tempo, vemos que hoje o número de presos cresceu tanto que a sociedade não encontra alternativa se não em fechá-los detrás de prédios mal construídos, muros altíssimos, celas abarrotadas e com uma pequena escolta de agentes prisionais quase desarmados e despreparados para uma rebelião de grande porte. As celas, superlotadas de gente perversa e irrecuperável, eram pequenos quadriculados e uma janela com gradil onde eles amarram suas vestes e lençóis para mostrar a insegurança, o desconforto e a revolta, sempre aguardando um desfecho final: morte entre os presos, pois a lei da física é muito clara: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.”.

O interessante é que ao ver os lençóis e vestimentas penduradas nos gradis não enxerguei nenhuma peça que pertenciam aos criminosos de “colarinho branco”; nenhuma peça daqueles que praticavam e praticam o peculato de toda a espécie; que praticam a corrupção ativa e passiva, o desvio de verbas públicas ou a incorreta aplicação de recursos, fraudes em concorrências, as prevaricações; os desmandos administrativos, as nomeações ilegais, a concussão, o cerceamento à liberdade, os homicídios, estupro e corrupção de menores e tantas outras mazelas. Na realidade, a maior parte destes crimes não vem à tona e os que surgem são abafados pelos próprios mecanismos estatais ou por influência política, os quais ainda riem de nós, os bobos da corte e daqueles que fazem parte do Reino da Podridão.  Destarte, o banditismo manipulando armas de grosso calibre, metralhadoras, granadas explode caixas eletrônicos e muitas vezes eles matam pessoas somente para ouvir o gemido do seu desafeto; saem às ruas e deixa a população em polvorosa, intimidada e ela se tranca dentro de sua própria casa, não podendo sequer sair às ruas, enquanto a polícia persegue pessoas incautas que são jogadas nas prisões ao lado dos piores marginais. Tudo o que se vê é fruto de uma política criminal errada, injusta, implantada através de uma legislação esdrúxula, irresponsável e que precisa ser modificada urgentemente pelo Congresso Nacional. Mas como acreditar no Congresso Nacional se a maioria deles responde processo perante a justiça por crimes de corrupção ativa, passiva? E quanto ao Executivo rodeado de corruptos? Quando o Presidente nomeia um Ministro, o seu nome só é aprovado se ele for corrupto. Precisa ler na mesma cartilha. Não queria aqui citar nomes, todavia a última nomeação foi vergonhosa, então recordemos um caso recente, a Deputada Cristiane Brasil, filha do Presidente do PTB, Roberto Jéferson, nomeada para Ministra do Trabalho, tinha um processo trabalhista transitado em julgado no Tribunal Superior do Trabalho. Dizem que dinheiro que ela usou para pagar as parcelas de uma dívida trabalhista que tem com um ex-motorista, o dinheiro tem saído da conta bancária de uma funcionária lotada em seu gabinete na Câmara. Pode isso senhores membros do Judiciário, principalmente do STF? Por outro lado, o ministro mau caráter Carlos Marun da Secretaria de Governo Temer disse que o Planalto não vai recuar da nomeação da deputada por causa da condenação dela em uma ação trabalhista. Esqueceu o Ministro Marun que ela está indiciada também pelo Ministério Público Federal por corrupção numa delação premiada. Pegou boa grana da Odebrecht. Pois bem, além dela, são tantos outros políticos que nem dá para contabilizar, todavia, a imprensa escrita e televisiva, de forma cansativa, comenta diariamente e tenta alertar o povo brasileiro e o eleitor, sobre essas escabrosas corrupções e vexatórias nomeações. Acorde eleitor, você é o único capaz de mudar tudo isso! Eu continuo indignado e sozinho não posso fazer nada, pois sou apenas uma pequena célula para combater esse mal que domina o Reino da Podridão.

O juízo jurídico colocado em prática pelo legislador funciona como um juízo de valor, não se limita a comprovar a existência das causas, mas, valora-as, para fins de repressão, o que pode ocorrer, em muitos casos, em vez de extinguir ou reduzir o crime, venha estimular ou eliminar um e criar outro. Daí urge, para amenizar um pouco esta situação, além da instituição de uma cartilha ética para os congressistas e seus apaziguados lerem diuturnamente, também a prática da religiosidade entre os presos, um trabalho prisional intramuros, com incentivo especial à formação de mão de obra especializada, cursos profissionalizantes, em parcerias com escolas técnicas públicas e privadas e ainda, a construção de grandes presídios, mais humanizados, com o objetivo de desafogar a lotação excedente, cujo ambiente atual deteriora mais ainda a mente humana. Fazendo isso, acredito que trará mais socialização aos presos e segurança aos cárceres.  




Vamos continuar "catando gravetos" em 2018?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Quando adolescente, com os pés descalços, saia tatuando as ruas poeirentas de Goiânia, rindo de tudo que via pela frente, como se eu fosse um menino feliz, ou outro qualquer. Não sei por que, mas o carinho do vento que cortava as ruas amenizava o meu coração de menino e me deixava besta! Um ser vivente, livre como a um pássaro e eu me sentia voando em busca do imaginário e de sonhos, talvez impossíveis. Certo dia, cansado de catar gravetos para abastecer o fogão a lenha, de jogar bolinhas de gude, de jogar fincas e bolas feitas de meia que recheava de palhas de arroz e de empinar pipas em dias sem vento, fui a um parque de diversão e mordi uma maçã do amor, e aí, lambi os beiços e o seu sabor chegou ao coração. Achei que estava doente. Tão desacostumado com a alegria que chorei de felicidade. Lágrimas doces. Não é coisa de poeta, eram doces mesmo! Naquele dia até meu travesseiro chorou e molhou o lençol branco onde fiz questão de derramar junto com ele as minhas lágrimas e suores. Hoje, não lembro mais do rosto daquela menina, mas sei que tinha um rosto angelical, uma boca perfeita demais e tinha os dentes branquinhos como algodão.

Quando no preâmbulo falei que catava gravetos, eram gravetos mesmo! Hoje aquela ação pode ter um alcance maior, mais abrangente. E é possível isso. Sendo letrado, religioso ou não passamos a conhecer melhor alguns significados, principalmente, daquelas onde pessoas se esforçam para, pelo menos, achar uma brecha no endurecido coração para ficar a face a face com Deus. Existem pessoas que lutam e intercedem e que juntam lenha para que o fogo continue ardendo sobre o altar do Senhor. Ah! Como Deus anda procurando por esses “catadores de gravetos!” Certo dia, li um texto bíblico, o de Ezequiel (Ez 22.30), que procurava fazer entender esse significado: “Busquei dentre eles um homem que esteja na brecha perante mim por esta terra, para que eu não destruísse; mas a ninguém achei” Veja então que neste texto Deus procurou um só homem e não achou, e nós estamos vivendo estes mesmos dias de Ezequiel onde políticos fazem o que querem e a maioria dos administradores públicos é corrupta e a justiça confusa; a igreja tão sonhada por Jesus está dividida e muitos dos dirigentes falam mentiras e palavras que agradam ou interessam somente o ego das pessoas sob os seus comandos.

Mas, hoje, 02 de janeiro, véspera de Santos Reis, eu quero falar dos servos de Deus, homens e mulheres, pessoas diferentes que agem na dificuldade, que lutam e são verdadeiros “catadores de gravetos” se é que você me entende. Mas quais são as características, o que podemos entender da palavra “catadores de gravetos?”

Deus muitas vezes permite vir tempestades para que conheçamos quem ELE é realmente. Será que vivemos hoje numa “tempestade” de pensamentos e porque estamos aqui na Terra? E qual o propósito de tudo isso?  Você entende o mistério dessa palavra? Quando as “tempestades” se avolumam sobre a pessoa humana e nós esquivamos delas e até de uma pessoa que consideramos estranha sem lhe prestar ajuda. Não está dando abrigo na grande “arca” de Deus e nesse instante pergunto: Onde estão aqueles que têm capacidade para sair à busca dos servos “catadores de gravetos”. E quando a tempestade passar, os descrentes vão e voltam sem agradecer a Deus; porém os crentes voam e voltam, trazendo à luz o habitat daqueles que estão precisando de nossa ajuda. Voltam para agradecer como a um testemunho vivo como fez aquela folha de oliveira que foi arrancada, mas sobreviveu a muitas tempestades.

E o pior, ou quero dizer, melhor, quando vemos a fonte secar, Deus ainda diz “levanta-te e vai”, e compadecido da situação encontra alguém como você, “catando os mesmos gravetos” para agasalhar com seu calor os mais carentes. E aí não haverá “tempestades”, não haverá escassez de alimentos, amor e fraternidade, porque os dois, com o mesmo desiderato, estão catando gravetos para acender no altar do Senhor Jesus. ELE, o onipotente, os conhece, sabe de suas lutas pela sobrevivência. E quantos procuram “catadores de gravetos” para ouvir uma palavra de ânimo e de esperança? Quantos estão priorizando Deus na tua vida? São Paulo Apóstolo foi catar gravetos, pois ele queria esquentar aqueles que estavam frios, (Atos 28.3) “E havendo Paulo ajuntado uma quantidade deles e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão”. Mas escute toda arma preparada contra ti não prosperará, o mesmo fogo que você alimenta com a tua lenha, vai consumir as víboras que se levantarem na tua vida. Deus sustenta de pé os “catadores de gravetos!” ”Muitas “pessoas” estão esperando ver você cair, mas acreditem Deus os irá surpreender, muitos vão mudar de opinião ao teu respeito, porque eles são sustentados pelo Senhor. Hoje, espiritualmente falando, passei a entender o porquê da alegria quando catava gravetos para acender o fogão a lenha de minha querida e saudosa mãe. Então, passei entender o valor de meu ato e o de cada graveto que catava. Com o passar dos anos, observei que a ação que eu praticava em prol de uma pessoa carente me transformava numa pessoa melhor, feliz, e tudo era aquecido pelas mãos de Deus através de uma fogueira alimentada por “pequenos gravetos” que não eram aqueles que eu catava quando adolescente. Deus procura pessoas simples da sociedade para se tornarem “catadores de gravetos”, abrindo-lhes as portas do céu, fazendo romper o Seu silêncio,





 
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