Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Cronistas à deriva.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

No ano de 2015, em uma crônica, fiz um breve comentário dizendo nas entrelinhas o quão é difícil o fazer literário. E mais difícil ainda é quando delineamos o tempo para conduzir as palavras pelos meandros do texto para que uma crônica não seja apenas mais uma ou uma entre tantas outras que se publicam diariamente em revistas e jornais. Escrever é como andar sobre pedras pontiagudas sem senti-las. E quando escrevemos temos que fazer de tudo para evitar que fiquemos à deriva, seja por efeito de um deslize na forma de escrever, seja também na formatação ou finalização do próprio texto para que o mesmo não fique se nexo. Quanto às pedras no caminho hão de convir que elas existam, dificultam e impedem a nossa passagem de um estágio a outro e não importando em qual momento. Vencendo-as, no entanto, e ultrapassando-as, deslocando-as do caminho, haverá inevitavelmente a descoberta da realidade da vida, por mais cruel que for.

O dicionário define a crônica como uma narração curta, produzida essencialmente para ser veiculada na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de jornais. Possui assim uma finalidade utilitária e predeterminada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o leem. O cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhe um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como: ficção, fantasia, imaginação, surrealismo e ceticismo, elementos que um texto essencialmente informativo não contém, mas quando se inclui esses elementos essenciais, e com perfeccionismo, jamais o cronista ficará à deriva.  De outra parte, cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia a dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista. Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão, a forma que vê a vida e como enxerga de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam.

Eu penso assim: Um cronista é como um rio, ora pode ser largo, ora estreito, pois cabe no seu leito apenas aquilo pode ser dirigido, orientado de modo a não colidir com outros objetos que porventura naveguem no mesmo espaço. No entanto, se uma simples canoa se encontrar à deriva e não tiver timoneiro, ela será arrastada pela corrente e será um perigo constante para os que no mesmo espaço navegam. No que tange ao cronista é nessa comparação que se vislumbra também certo perigo, fato que ele deve atentar-se, dirigindo a leitura de forma suave, agradável, concisa, inteligente, de forma que venha alcançar o coração e compreensão dos leitores.

Um rio navegável, não muito largo, não muito comprido, mas repleto de canoas, barcos e outras embarcações afins, com pessoas a bordo em busca de um porto seguro onde se abrigam temporariamente, mas sem um timoneiro que os guie, causaria uma confusão tremenda, assim como, também, comparativamente, seria uma tremenda confusão se o cronista fizesse de seu texto uma salada mista sem tempero acompanhado de um amontoado de letras salgadas com uma finalização sem nexo ou conclusão que satisfaça ao leitor. No entanto, internamente, as embarcações lutam para encontrar um comandante capaz de ler uma carta náutica, de interpretar mapas, de traçar os rumos que as levarão a um porto seguro. Já o cronista depende somente dele, mas em sã consciência ele sempre pretende saber mais do que realmente sabe, mas isso é bom, pois exigirá dele muita pesquisa. Como dirigir um barco destes? Como escrever uma crônica que satisfaça a maioria? O cronista às vezes precisa de tempo. O barqueiro treinado e experiente não. São situações nunca imaginadas. Quem diria?! Agora, o cronista já com rumo certo, assim como, os timoneiros, são óbvios que cada um vai procurar encontrar o seu rumo e a seu modo encontrar o porto onde pretendem desembarcar. Durante muito tempo barcos andaram a deriva procurando o comandante certo. Mas quanto ao cronista, navegador de rio tão pequeno, mas rico que é a escrita, onde muitas pessoas navegam em busca do saber, é preciso ter em conta o espaço cultural e material de leitura condizente com a realidade para não haver colisões intelectuais! Entretanto, cá entre nós, o melhor é não se aproximarem muito de um cronista quando está em fase de fuga intelectual, atormentado com alguma coisa ou em um precário desenvolvimento do texto. Ao vê-lo assim, num porto inseguro, peguem um atalho e se não puder, desviem-se dos que vêm em sentido contrário. Todo cuidado é pouco com um cronista à deriva!


Vovô Torquato, o último dos caipiras.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sempre ao final de tarde meu avô Torquato sentava sobre o vão da janela e sob o olhar terno de minha avó Francisca, pegava a viola e a ponteava com maestria, soltando a voz já rouca, mas gostosa de ouvir. Lembro-me de um pequeno texto onde ele dizia: “Agora eu toco, canto, em qualquer canto do meu recanto, longe ou perto, mas sempre com o olhar atento, no som do violão ou no sopro do vento”. Era um momento especial, inesquecível e ficava até boquiaberto. Quando ouvia o som de sua viola, aguçava meus ouvidos e depois, olhava rumo ao horizonte em busca de lembranças, mas lembrar-me de quê se eu era apenas um menino. Como a uma canoa invisível que desce rio abaixo, eu e meu avô Torquato sentávamos sobre um tronco de madeira e parecíamos remar contra a correnteza, pois algumas vezes a gente se sentia aperreado pelo acúmulo de tantas coisas deixadas prá trás até então por nós esquecidas. A cada lembrança procurava recebê-la igual a uma cachoeira caindo mansa sobre um poço fundo, todavia, a minha memória parecia querer trazer tudo de volta e de uma vez só, mas ao mesmo tempo ela expelia de meu corpo como se as lembranças fossem gotas de suor saídas da alma. Ah, que dom o velho Torquato tinha, sua cantoria e a viola mexiam tanto comigo que não tinha vergonha de ser chamado de o pequeno caipira. Quem nasceu na roça entende o que falo, então, quanta emoção, quanto sentimento, que acoplava na minha retina, que nada mais eram coisas de um menino sonhador. Quantos nós vieram à minha garganta, nem desatava, nem subia ou descia, numa mistura de tristeza e alegria que só a saudade pode criar. Dava até para sentir o cheiro da terra, o toque da textura do chão molhado sob meus pés descalços.

Mas a fazendinha do vovô Torquato praticamente não existe mais. Abandonada há tempos hoje nada mais é que um casarão perdido num terreno íngreme, mas simbolizando ali uma história de luta. Não se vê mais o rego d’água, nem a bica, nem o monjolo. Não tem mais porco no chiqueiro, nem pomares, nem galinhas no terreiro. Não existe mais o galo Barnabé, o nosso despertador matinal, cujo canto ecoava pelas ribanceiras afora e coincidentemente, seu canto era respondido, talvez, por outros Barnabés. Lá também não se vê mais pés de café e nem aquelas fileiras de pés de milho com pendo dando. Na realidade, quem cuida dela e a mantém limpa e em pé é o velho Agenor, ex-empregado de meu avô. Nas redondezas, hoje, se vê rasgando a terra as possantes colheitadeiras, plantadeiras e imensos caminhões cortando estradas levantando poeira do chão. E nos coldres onde o vovô prendia o revólver na cintura, hoje os agricultores não usam mais, nem bainhas para os canivetes, em seus lugares colocaram o Whatsapp e o rádio comunicador. E os bois e vacas na invernada são tão raros quantos lambaris nos rios que nadam com dificuldade no leito em face da poluição causada pelo próprio homem. No lugar da enxada, acabam com o mato usando veneno para não destruir plantas transgênicas. Quem viu e viveu a epopéia dos tempos idos, guarde-as como lembranças. Quem não viu e não viveu, dificilmente verá.

Hoje, sentado no velho moirão da porteira, fecho os olhos e mergulho de vez no mundo sertanejo e começo a ouvir aquela algazarra típica da roça: grilos, sapos, galinhas, vacas mugindo, latidos de cão e até, juro, o gemido de um carro de boi que parece prantear minha inusitada presença. Na estradinha que passava perto da fazenda, a poeira ainda levanta um redemoinho e está tudo como antes. Dava pra ouvir ao longe um barulho de machado cortando lenha, mas não era para abastecer um fogão à lenha, porque hoje lá se usa gás. O cheiro forte de café novo coado, que vem do fogão me cutuca a consciência para lembrar as minhas mãos furtivas à cata de um pão de queijo, de um biscoito ou de uma broa de milho feita pela minha avó Francisca. Naquele tempo na roça a gente não tinha riqueza, mas tinha fartura. Ah, viola, se pudesse crer, ainda a ouço daqui desse moirão da porteira porque seu som ficou impregnado no tempo e trazido pelo vento, e como mexe com a gente, e como me faz bem ouvir os acordes feitos pelas mãos mágicas de vovô Torquato.

É possível ver araras e andorinhas voarem sem sintonia, as garças perderem lugar para os quero-queros e o pica pau nem ouço mais. Mas do moirão, ainda paro para ver um bem-te-vi solitário se acomodar nos galhos secos de uma árvore milenar plantada no quintal que resiste ao tempo; Do moirão, ainda sou capaz de curtir as floradas dos ipês roxos e amarelos que acompanham meu olhar, feito bandeiras desfraldadas que também resistem ao tempo e ao homem. Ainda dá pra ver até um joão-de-barro habitando sua casa que ele construíra num cheiroso pé de jatobá. De tão feliz passei então a torcer pra sua ninhada crescer antes dela cair, mas, pensando bem, a árvore de jatobá é resistente. Enfim, na Fazenda Serra da Urtiga onde a rotina pela sobrevivência nos obriga a viver a vida como ela nos impõe, resta-me trazer à memória o som de uma viola qualquer, porque para mim ele soa como magia, me liberta por algum momento dos grilhões que me prendiam naquele lugar, fazendo com que meu olhar ficasse perdido no nada, mas, felizmente, a minha mente recarregava minha alma com a energia vinda das lembranças e dos bons tempos que deixei para trás.

Antes de escurecer, adentrei-me no velho casarão construído de assoalho de tábuas e puro adobe. Senti meus pés descalços deslizarem sobre o piso frio, os quais traziam uma sensação de saudade mais forte com a que sentia antes, acompanhada de um súbito arrepio prenunciando um início de tristeza ou alegria, que logo espantei com uma cachaça mineira que meu avô sempre guardava na prateleira. Ponho então um disco na vitrola e viajo novamente, só que naquele instante usando as asas da imaginação. Ah, viola, que maneira gostosa você tem de mexer tanto com as pessoas; de nos fazer sentir novamente gente; de nos fazer pequenos frente ao destino, mas grandes quanto ao futuro, mesmo sendo homem simples e sentindo-se o último dos caipiras.

Contrastando com a selva de pedras, onde não se vê nenhum resquício do mundo rural que fazem parte da vida caipira como: as duplas sertanejas, os violeiros, sanfoneiros, foliões, catireiros, boiadeiros, benzedeiras, doceiras e tantos outros personagens de nossa remota identidade interiorana, e do lado de cá, ladeado por uma selva de pedras, ainda é possível ver nos quintais, nas praças e em pequenas chácaras, árvores centenárias, pés de eucaliptos, mangas, jabuticabas e laranjas. Não é exagero meu não! Quanto à música caipira que dominava o rincão sertanejo a modernidade jogou nela uma pá de cal, esvaindo-se com isso o som da viola e hoje se vê predominando o funk ostentação, arrocha e a “sofrência”. Se ainda existir caipira e ele ouvir, pode até chorar, mas jamais terá mala dentro ou fora da casa pra ir embora... E o pior é que esse novo som musical nada mais é que a banalização da mulher, a dor de corno e um incentivo aos bebuns e enaltecimento da manguaça.

Não é o caso de defender uma volta aos velhos tempos. Talvez o esquecimento seja proposital, os tempos antigos eram duros, o trabalho era penoso, e renda das massas de bóias-frias era ínfimo, os meeiros e outros tipos de trabalhadores rurais a sua produção era o grão. É certo que os jovens não aceitam mais. Apenas a necessidade extremada da sobrevivência justifica os suplícios de uma roça. Todavia, os descendentes dos antigos caipiras têm direito a uma vida digna e confortável como qualquer morador de um centro urbano. O que choca é a velocidade e a forma violenta pela qual são tirados os recursos tão preciosos, como os simbolismos de nossa existência, da memória dos antepassados, dos costumes, da cultura sábia, da natureza viva, essas coisas é que davam mais sentido e gosto pela vida, mas, infelizmente, hoje, com todas essas mudanças, podemos dizer que meu avô Torquato foi realmente o último dos caipiras.

É preciso seguir novos caminhos...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O tempo pode passar e voar na velocidade da luz, mas queiramos ou não, vamos perceber que há caminhos que deixamos de seguir e sonhos que deixamos de sonhar. Sonhos, alguns, talvez interrompidos durante a nossa caminhada, os quais nos impediram de almejar outros sonhos. Às vezes é necessário que a gente se desvie de certos caminhos e procuremos outros, não tortuosos, pra seguir em frente. Às vezes é necessário sonhar de verdade e quando a gente conseguir esse intento vem à pergunta: Por que não sonhar?... Sonhos não têm pernas, mas nos temos, então por não corrermos atrás deles!

Quando movemos em direção ao futuro, é óbvio que nosso coração pode ter deixado algo no presente ainda não resolvido. E isso fato. É fato porque todo o dia enxergamos oportunidades para mudarmos tudo aquilo que nos fez e continua fazendo mal. E como mudar a nossa história? Escrevendo ou repaginando todos esses novos momentos? Mas é bom atentarmos que a situação que criamos a solução só depende de nós... A felicidade que nos faltou ou ainda nos falta pode não estar somente no fim da jornada, mas sim, em cada curva do novo caminho que pensamos seguir. Então, é necessário que a gente dê um passo à frente e esse passo por menor seja pode nos levar ao caminho que ainda não tínhamos encontrado durante a nossa jornada.

Os desafios que teremos pela frente serão muitos, mas não determinará quem somos e o que estaremos nos tornando, e sim, a maneira com que respondemos aos desafios impostos pela vida. Tudo ao nosso redor passa rápido demais e o tempo vai carcomendo nosso corpo deixando cicatrizes profundas. No entanto, para amenizar tudo isso, é preciso ter propósitos para seguir em frente e alcançar verdadeiramente esses novos caminhos. Sem propósitos a vida é um movimento sem sentido, uma atividade sem direção, são acontecimentos sem motivos. Busquemos então alcançar o que nos faz feliz e acreditar na gente mesmo e no que o tempo fez por nós e nos ensina dia a dia. Assim, não desista de caminhar, de procurar novos rumos para sua vida, e por mais curtos que sejam os seus passos e mais longo que seja o seu caminho, sua decisão de seguir em frente será suficientemente forte e a sua chegada será vitoriosa.

Procure viver seus sonhos e lutar pelos que ainda almeja, e os que Deus lhe deu até hoje, agradeça sempre. Não viva pelos sonhos dos outros, pois o tempo vai passar e talvez você não tenha a chance de retornar para viver os seus e aí será tarde demais. Compartilhe seus sonhos apenas com aqueles que sonham contigo e está cotidianamente perto de você. Muitas vezes existem pessoas que torcem, deseja te ver no topo da sociedade, mas não suportariam enxergar-te de maneira prazerosa quando estiver lá vitorioso. Não há como sondarmos esses tipos de pessoas, de suas ações e pensamentos, pois estão alheios à nossa vontade, então, o que posse lhe dizer é que continue humilde quando estiver no topo. Seus sonhos são somente seus, e de quem o ama e convive com você, como também são importantes para os que sonham contigo. Seus passos te identificarão porque os rastros deixados pelos pés são seus. O seu caminho que você delineou te mostrará o seu destino, ainda que os seus sonhos sejam acoplados a outros sonhos, ainda não sonhados por você. Viva-os, tenha propósitos e encontre no percurso o que te fará feliz...


E não é que o cara era eu!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Bem tentei disfarçar, mas esperta me viu enxugando pequenas lágrimas que insistiam em escorrer de meus olhos.  Admito que o tempo em que convivemos, expomos nossos pensamentos e atitudes podem trazer certa confusão, e as mazelas da vida ocorridas dia a dia fazerem as pessoas pensarem na gente toda hora ou mesmo contar os segundos quando demoramos. No fundo, eu bem que tentei ficar todo o tempo sem querer vê-la e até dizia que já não sabia ficar sem ela, mas a roda-viva do cotidiano não permitia que eu demonstrasse, senão iria pensar que o cara era eu.

Caro leitor, desculpe-me, mas quando eu chego cansado das minhas labutas diárias, não vejo a hora de comer alguma coisa, tomar um banho e cair no sono, pois sabemos que no amanhã tem mais e dificilmente eu iria chamá-la no meio da noite para dizer-lhe que a amo, pois jamais pensava que o cara não era eu.

Sei que quando estou junto dela é uma delícia e que depois de tudo ainda deleitar-me em seu peito, acariciando-lhe os cabelos, falando-lhe de amor ou outras coisas que nos causam “calor”. O pouco tempo que nos resta, temos que dividi-lo com os filhos e netos e eles nunca desconfiam que devam dar um espaço para nós, se de manhã ou à noite, para ficarmos juntos, sorrirmos e ainda dizer: “Será que esse cara da música é eu?

Sabe, é difícil concorrer com o Roberto. Suas músicas e letras são tudo que eu gostaria de falar ou cantar pra ela, mas realidade é outra, no entanto, mesmo assim, aqui sobre as estantes da nossa sala vejo uma foto do dia em que, de hora em hora, lhe enviava buquês de rosas e do cantor que contratei para fazer-lhe uma serenata.

Queria dizer a ela tudo que está escrito na letra daquela música quando, por exemplo, toda manhã eu saía do quarto sentindo o cheiro de um café quente ou quando aos domingos pude acordar tarde sem me preocupar com o que ia ter para o almoço. Quero que ela saiba também que quando ouço a música estou pensando nela, bem como, quando escolho peças íntimas, perfumes, produtos de marcas em shoppings, e à noite, de alguma coisa que ela goste, e faço isso sem avisar. Então, aí sim, pode-se dizer que o cara da música sou eu.

Posso até demorar em trocar aquela lâmpada que ela me pediu, ou mesmo providenciar o conserto de tomada ou de uma torneira que estava pingando. Aí sim, esse cara então sou eu. Mas vamos aos fatos. Estou passando uns dias aqui em Aracaju e por felicidade cruzei com o Rei Roberto Carlos no saguão do Aeroporto. Ele veio a esta cidade para um show e aí tive a oportunidade de conversar com ele, e curioso que sou, fui logo perguntando: Roberto, quem é realmente o cara que o inspirou a compor a música intitulada: "Este cara sou eu". Ele olhou parta mim, deu um sorriso maroto e ágil como o ilusionista David Copperfield tirou uma foto de dentro do bolso do meu blazer cinza e mostrou-me. Da forma que fez até assustei, mas aguçando o olhar, dava pra notar que era um cara que estava bem vestido, e pelo jeito, bem quisto e de grande destaque na sociedade goiana. E da forma carinhosa que apontou o dedo para a foto e um sorriso maroto, notava-se que tratava de amigo pra todas as horas. Disse mais: “Esse cara aqui está sempre com as mãos estendidas aos mais carentes e aos que precisam de apoio”. Com o dedo em riste continuou: “Este cara sabe interpretar olhares, entender silêncios, compreender, perdoar erros, prevenir quedas; este cara sabe levantar-se, seguir de cabeça erguida e sempre com pensamento positivo; este cara sabe de onde vêm “tempestades” de onde vêm palavras que magoam e constrangem; este cara sabe quando se é humilhado; este cara sabe quando se escreve uma música, um artigo ou crônica importante e ninguém ouve, lê ou nem dá a mínima ao texto; este cara sabe, mas não se apoquenta com nada, pois tem sempre a cabeça erguida e ainda procura entender os porquês; este cara sabe secar lágrimas, conhecer e conviver com as pessoas tal como são; este cara sabe compreender onde elas tens estado e que as acompanha em teus lucros e fracassos, que celebra tuas alegrias, que compartilha tuas dores e jamais julga as pessoas por teus erros... Um cara que sente saudade, como você sente”. Roberto deu mais uma olhada pra mim e com o dedo ainda voltado para a foto, se aproximou e me entregou. Levei novamente um susto. Vi-me todo elegante sentado num baquinho usando um terno preto, com as mãos sobre as pernas e um sorriso largo. Realmente não acreditei. E não é que o cara era eu... 
Moral da história: Qualquer pessoa pode ser “o cara”, basta ser honesto, estar sempre com as mães estendidas, coração aberto, ajudar ao próximo, procurar olhar o mundo de outro modo e não apenas querer ser.

Onde está a sombra de minha luz?

domingo, 31 de janeiro de 2016

Não é de hoje que fico encabulado quando vejo à inexistência de sombra da luz. Desde menino era curioso quando via a luz de uma vela não se refletir na parede, mas hoje, que já passei da idade dos contrários, chegando à idade do complementar, assim como, de entender essas coisas e olhá-las de outro modo é que, momentaneamente, comecei a lembrar dos tempos idos quando via alguém acender uma vela ou lamparina, olhava rumo à parede para constatar se a sombra da luz nela se refletia, mas nada acontecia deixando-me confuso. Recordei que aquela pessoa dizia algo contrário ao que eu pensava, no entanto, já era capaz de entender aquele contrário como complementar e ver crescer em mim consciência e compreensão, além da razão da não existência de sombra da luz. Todavia, hoje, sei que ao invés de rejeitar ou negar alguns elementos obscuros, ainda desconhecidos por mim, sou capaz de acolhê-los porque só assim tornar-me-ei mais inteiro.

Nem é questionável ir por outros caminhos, pois sabemos que é a sombra que dá relevo à luz. Acenda-se uma pequena vela num quarto escuro e verás. Quanto maior a vela, maior é o relevo. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos, relevantes ou não. É fácil amar os defeitos de nossos de nossos filhos, netos ou entes queridos. O difícil é amar os defeitos de estranhos, principalmente se adultos.

A luz do amor não tem sombra a não ser que você o construa de outra maneira e o faça ser diferente. Dar a ela um enorme alicerce e o direito de experimentar de sua sombra a liberdade, isso seria bom, assim como, de experimentar a capacidade de amar o que é amável e de amar também, o que não é amável, porque essa luz pode estar sendo refletida na parede de sua vida. Dessa maneira passará de uma vida submissa para uma vida escolhida.

A luz que ilumina a nossa vida, pode não ter sombra e nem refletir-se na parede, mas vale pelo olhar benevolente que pomos sobre nela. Por exemplo: O olhar sisudo de um chefe nos enche de culpa, mas dependendo da sua decisão em relação a nós, podemos receber dele esse olhar benevolente, misericordioso e ao mesmo tempo, justo. Não precisamos de sombras, mas de luz sim, assim como, precisamos também desse olhar justo, porque todos nós temos necessidade de sentir esta luz verdadeira e de sermos amados. Por vezes, alguns olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a luz que tanto procuramos que pode até serem sombreados, mas verdadeiros.

Existem olhares que se colocam sobre nós que são plenos de verdade e justiça, mas sombreados, faltam-lhes a luz, a misericórdia e o amor. Existe um olhar integral do qual temos necessidade de nos enxergarmos tal e qual somos, porque a inexistência de luz é uma verdade sem amor, é inquisição, e o amor sem verdade, é permissividade.

Quando intitulei esta crônica: “Onde está a sombra de minha luz” o fiz com o propósito de abrir uma discussão, pois a luz pode ser você sendo refletido na parede e cada um que a ler, poderá formatar sua luz e entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida, em primeiro plano, a luz, ou alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela. Eu acredito que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas dessa luz com o poder de refletir-se ou do tal olhar iluminado pousando sobre nós.

Com essa reflexão podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, nossos desejos e medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência acoplada com nossos conhecimentos e nossas ignorâncias. Sob este olhar sem sombras, a nossa vida pode crescer e nos indicar onde está a sombra de nossa luz. Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona diante de gestos que se refletem na parede, faz-nos ficar inertes, enquanto que o outro olhar nos impulsiona, diante das imagens, a dar um passo adiante e saber o que os outros têm de nós.




Calou-se uma voz e um som de viola.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Acordei. Dei uma espreguiçada para colocar os músculos no lugar e depois levantei devagarzinho. Era uma daquelas segundas-feiras bruta, mas para mim, um dia como tantos outros, onde a gente costuma achar que a vida simplesmente seguirá sem nenhum esforço. E também como de costume, tomei o gole de água e depois uma chuveirada. Escutei um assovio vindo da cozinha. Era um sinal que recebia todos os dias me alertando que o café da manhã estava pronto. Tomei o meu café com leite acompanhado de pão francês e saboroso pão de queijo. Calcei meu tênis, coloquei agasalhos apropriados e saí para dar minha caminhada diária no Bosque Vaca Brava,

Naquele dia o céu estava nublado, mas tudo me parecia no seu devido lugar e, como de rotina, desejava que meu dia tivesse mais de vinte e quatro horas. E é assim, estamos sempre querendo que o tempo se adéque ao nosso tempo, ao nosso modo de viver, no fundo mesmo, sempre pedindo que fosse possível realizar o que traçamos para aquele dia, livres e desembaraçados de qualquer culpa. 

Meu Deus! Quanta prepotência! Não somos senhores do tempo, aliás, somos incapazes de prever o que irá nos acontecer no dia seguinte. A vida tem seu próprio modus operandi, ela não estica as horas, apenas passa depressa, e nós, humanos, insistimos fingir não saber disso. Não sei se era pressentimento, mas naquele dia, a cada passo, o meu coração batia descompassado no peito, e, de repente, ao passar por uma banca de revistas um silêncio literalmente mortal me deixou de sobressalto. Na Capa de um jornal estampava em letras garrafais a notícia sobre a morte do meu querido amigo João Batista da Costa Meireles, o cantor sertanejo, mais conhecido como Jataí, de 54 anos, que fazia dupla com seu irmão Avaré. Fiquei atônito, mas naquele instante entendi que a morte não pede licença, ela chega, atravessa o nosso caminho e nos impede de seguir em frente, todavia, por instantes, o meu pensamento também ficara interrompido, e com o corpo paralisado, engoli seco e senti alguma coisa ficar entalada na minha garganta, que me sufocava e parecia sentir que tudo mudara de lugar. 

Quando sentimos esse silêncio fúnebre somos obrigados a aceitar que não temos o poder de controlar nada e que, por isso mesmo, podemos e devemos nos permitir seguir outros rumos, nos doar por inteiro e não pela metade, declarar nossa amizade várias vezes até que não sejamos mais capazes de cantar, tocar, sorrir com a alma, não adiar as coisas, pensar antes de agir ou falar para não magoar, libertamos dos extremos e valorizarmos o que é importante, mas sempre com a consciência tranquila de que tudo aquilo que nos importa de verdade é possível de aceitar, de se medir, de se usar... 

Cotidianamente a vida nos impõe suas próprias regras e nos coloca à prova. Surgem novas perguntas e somos obrigados a formular novas respostas. E ali, diante de um amigo que se foi para outra dimensão, querendo ou não, teremos que entender os desígnios de Deus e aprender a lidar com essa ida repentina, aceitar que a vida, e se não nos tornarmos responsáveis, passaremos por um fio muito tênue e que o amanhã pode nunca chegar. 


Muitas homenagens póstumas foram feitas, mas eu quero deixar registrado aqui meus sinceros agradecimentos ao Jataí e ao seu irmão Avaré por terem participado de alguns eventos meus, inclusive de um Encontro de Família, onde abrilhantaram com suas presenças cantando afinadamente e tocando magistralmente suas violas. Desde o princípio, durante e até no fim, a diferença estava na sua fé e na intimidade que tinha com Deus e porque cria nesse Deus de misericórdia, de amor e paz, e independentemente das circunstâncias, as trevas jamais serão capazes de sobrepujar a luz que iluminará o caminho de Jataí rumo aos céus, e a vida, na verdade, não chegará ao fim quando esse fio se partir, apenas se transformará para ganhar a eternidade.

O poeta que contou um causo de um caso ocorrido por acaso durante um ocaso.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Escutar de tudo na vida a gente já escutou e ainda continuamos escutando. Pessoas usam os meios de comunicação para dizer meias "verdades" ou inteiras mentiras com a mesma desenvoltura. Por mais que prestemos atenção na fala ou textos escritos geralmente não sabemos quem é que está falando sério. Neste mundo real as verdades são pedras preciosas entre nós, então, temos que observar o semblante do falante, aguçar o ouvido, prestar bastante atenção e tentar discernir o porquê e aonde o autor do texto quer chegar. Certo dia um poeta amigo me contou uma história que me deixou boquiaberto, e quanto a esse causo contado por ele quero cada um que tire as suas próprias conclusões... Como comprei um detector de mentiras no Paraguai acabei me tornando um caçador, por isso, particularmente, acho que o causo contado por ele é interessante, bem rimado, poético, mas pode ser uma grande mentira, no entanto, vamos ao ocorrido.

Certo dia, como de costume estava sempre no mesmo lugar e desta vez era mais um causo que ele contava de um caso ocorrido por acaso num final de tarde, quando ocorreu um belo ocaso no Vale dos Ipês. Disse ele que estava deitado numa rede manuseando seu laptop e de vez em quando voltava seus os olhos para o ocaso. Conversa vai, conversa vem, num repente, ouviu alguém que estava numa rede ao lado, contar um causo de uma mulher que teve um caso amoroso com um viajante que passou por aquela região por acaso. O caso podia ter acontecido com ou sem o ocaso, como também, com qualquer pessoa, mesmo considerando a impossibilidade do sol se pôr no horizonte, de circunstâncias que não precedesse à noite poente ou apenas uma aventura amorosa, desconcertante, indecente. Por acaso, disse-lhe que a mulher veio da região fria do ártico e o jovem viajante do quente oriente. Quando contava o causo parecia estar esperando o aparecimento de um crepúsculo como aquele que outrora tinha apreciado no Antártico e de outros causos amorosos pensados por ele premeditadamente.

Eu, um simples cronista, nunca tinha ouvido em falar do caso, mas, com um sorriso sarcástico aceitei ele continuar contando: Caro amigo seja como eu, minta, e se puder invente. Inclua qualquer fato no seu causo e não será mero acidente, mesmo se não conseguir ver o sol se pôr no oriente, ou o nascer da lua, no mesmo instante, no ocidente, mesmo assim, minta, invente. O causo do caso que eu ouvi foi por acaso e aconteceu diante de um lindo ocaso. Pode ser que a história não seja verdade e ser apenas uma estória. O causo sempre precede à noite e aí menos mal porque da minha rede podia enxergar o ponto cardeal. Você sabe dependendo do que a natureza nos oferece o ocaso pode ocorrer tanto no ocidente, no oeste, leste ou no poente, e se no seu inverso não existir pontos cardeais, invente. O contrário do ocaso é a linda alvorada, e ela nos traz a manhã, linda e incandescente, e com ela vai a nossa majestosa madrugada. O causo acontecido durante o ocaso pode significar decadência, fim ou um período que antecede esse fim, ou fim de um romance, ocorrido em Berlin ou na pequena Bom Jardim. O conto ou queda de algo importante é para nós, a indicação de um norte, além de nos mostrar que ele é sinônimo de ruína ou falta de sorte. Mas, antes que ele finalizasse o causo, recolhi minha rede e desviei minha visão do ocaso e procurei esquecer aquele caso. Deixei de ouvir outros causos contados por aquele poeta que falava de lindas mulheres e do viajante vendedor de vasos, e nada mais é do que causos de casos amorosos ocorridos lá por acaso.

Outro causo segundo assistiu o poeta, antes do ocaso, ele e seu tio montavam barraca à beira do lago em ponto estratégico no Vale dos Ipês, pois de lá costumavam ver cenas amorosas, anotavam tudo e prontas para se tornaram mais um causo. E não era por acaso que anotava em seu laptop as cenas inusitadas e o encanto que circundava aquele pedaço de chão. O local não podia ser vulnerável, pois era perigoso e poderiam ter surpresas desagradáveis, principalmente caso errassem na estratégia de bisbilhotar cenas alheias. Como ele e o tio eram caçadores de primeira viagem, por acaso nada lhe foram informados e nenhuma tática foi adotada antes do ocaso, deixando por conta do tio, o mais experiente, a incumbência da escolha do local mais apropriado para descrever as cenas que iria fazer parte de mais um romance ou apenas mais um causo a ser contado. E não era por acaso que o tio tinha a mania de inventar coisas, contar causos e lorotas, pois sabia que essa era a única maneira de informar ao poeta sobre as cenas que via à beira do lago. E também não foi por acaso que escolheu do outro lado uma árvore bem alta, cheia de galhos e teoricamente segura para ser o olheiro do poeta. E foi assim que, para contar mais um causo de amor, armaram o acampamento entre as forquilhas de uma torta e frondosa árvore milenar. O ocaso veio e a noite correu lenta, vez por outra o vento assobiava assustador, as folhas das árvores balançavam soltando sons estranhos e caiam sobre o capim seco que circundava o lago. O silêncio entre os dois era total, não se ouviu qualquer palavra; a respiração, antes ofegante, passou a quase nula, tal a preocupação em não fazerem barulho para não assustar o casal de namorados que se silenciaram dentro de uma pequena barraca iluminada apenas por um fraco lampião a gás.

Passou-se o ocaso e meu amigo poeta, caçador de primeiríssima viagem, ao ver gestos de um vai vem erótico que se refletia de dentro da barraca, estabanado que era, pulou da árvore, pegou um caderninho, sua máquina fotográfica e saiu correndo feito maluco em direção a ela, atravessando o lago num nado sem sincronismo e sem olhar para trás. A ansiedade era tanta que quando chegou perto da barraca, vendo que estava molhado e trêmulo, pisou em galhos secos e repentinamente parou. O casal, ao ouvir o barulho, olhou por uma pequena brecha na lona e perguntou: Que você quer cara? Ele, na maior cara-de-pau disse que estava correndo de uma onça, e como não a acertou, pulou da árvore e saiu correndo atrás dela até pular no lago.

É história de poeta ou de um poeta caçador de história. Ainda bem que não sou caçador de onças, apenas de mentiras e aquele causo, como os outros, foi demais!... Esse negócio de mentira não é comigo, mesmo sabendo que ao poeta ou romancista tudo pode. Agora, sou eu que vou contar um pequeno causo: Certa vez fui pescar e o motor do barco caiu lá no meio rio. Procurei incansavelmente, horas e horas até aparecer o ocaso... Não sei se foi sorte ou por um acaso, três dias depois o encontrei e minha maior surpresa foi verificar que o motor ainda estava funcionando! É verdade Té! Esses e outros causos são apenas histórias de caçador, às vezes medroso, às vezes valente, às vezes verdadeiro, às vezes mentiroso, no entanto, mais uma vez, ficou provado que mentira tem pernas curtas e, se não fosse o lago esse meu amigo poeta ainda estaria correndo ou sido devorado pela onça e eu, me vangloriando da potência do motor de meu barco.


É hora de escrever: Atenção! Claquete!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sentei-me diante do computador. Fiquei pensando... Mentalmente fingi que estava escrevendo, mas de repente, acendeu uma lampadinha sobre a minha cabeça e depois ouvi: claquete! E qual a minha surpresa? Não apareceu diante de meus olhos aquele instrumento de identificação de tomada de cena, nem o título de minha crônica, número ou plano de ação, apenas uma voz que parecia vir de outra dimensão. E não devia aparecer mesmo porque até aquele momento fingia escrever, e com o pensamento alhures fingia um pouquinho, mas fingia. Esqueci da claquete, puxei o teclado, comecei a digitar e lançar no monitor um amontoado de letras. Nem inspiração, nem tampouco transpiração, mas não era conveniente ficar sem o dito fingimento, mesmo sendo um fingir mental, pois, talvez, sem ele, não existisse literatura. Não esquentem a “moringa” se evoco de novo a magia das letras e volto a falar sobre o fazer literário. É que poucas são as coisas tão semelhantes neste mundo de infinitas crenças. Mas falo mesmo é do fingir, que se entremeia entre o real e a palavra. Pode até ser um vício real, mas se torna necessário ao nosso mundo literário. E onde a palavra criou o real, o fingimento precedeu a palavra. Mas acreditem, não é só a palavra, dele também procede ao pincel e à mão que amolda. Podem me questionar à vontade, dizer o que quiserem, mas de certa forma o fingimento é imprescindível à arte e isto é fato. Para escrever ou fazer qualquer tipo de arte, é necessário fingir que se faz, ou fazer, fingindo. É preciso transfigurar a realidade, é preciso torná-la mais que essencial.

Quando começamos a criar alguma coisa à primeira atitude é de fingimento. Não, eu não sei se poderia chamar de atitude porque procuro me despir desta palavra quando estou escrevendo. Mas, pensando bem, o fingimento, em literatura, não é uma atitude. Embora ele exista contra nossa vontade, ou de nossa aceitação, não se dispõe ao nosso manejo. Quando a gente menos espera, ele já se instalou em nosso texto como a um posseiro. 

Aquilo que torna verdadeira a dor é pura verdade, pois a gente sente isso. Mas a verdade, na verdade, a gente não reconhece, não obstante encontramos mais verdade do que em si mesma. Dá pra entender? Complicado não! Para mim, sempre foi mais difícil entender o fingimento do que os cálculos dificílimos de alguns alquimistas. O que há em cima equivale ao que há em baixo e o que está em baixo é o mesmo de cima. Coisa de maluco não! Não se tratando de inspiração, nesse caso o fingimento não oprime como costuma acontecer com os que escrevem sob as bênçãos dos deuses da literatura ou mestres acadêmicos. Não sendo transpiração, o sentimento não nos confina, como atados ficam os que escrevem nas torres altas e inacessíveis das formas ideais. Eu prefiro ficar totalmente despido de fingimento e continuar como simples escriba.

Quando escrevo e reviso o texto, o meu sentir não está despido, está coberto, não com vestes suntuosas, mas com andrajos, talvez as mesmas de um escriba sentado em sua poltrona quase nu. É quem sabe... Mas não sou eu. No entanto, precisamente, aí pode estar atuando o fingimento. São os ornatos que desnudam e, talvez, na vida, também seja assim. Às vezes tenho que aceitar a opinião da maioria de que na literatura, que é uma vida mais real ou pelo menos mais densa do que ela, o fingimento é o germe da arte. Ou há fingimento sincero, ou não há arte. 

No mundo da literatura e ou mesmo das artes desdenha-se das exatidões da realidade, zomba-se da concreção do real, e só essa coisa fingida conhece o real e o concreto. Essa coisa interposta pode tomar várias formas: imagens e metáforas na literatura, talhos, fissuras e desmanches na pintura e na escultura, e a pior, descontinuidade no cinema. Pode assumir infinitas formas, mas será sempre uma espécie de desvio que não admite identidade absoluta entre arte e realidade.

Ah, ano passado quando escrevi a crônica: “O Escriba e a magia das letras e artes de Goiás”, descobri que era um simples andarilho no mundo literário, um iniciante das letras, um escriba. Descobri mais, agora sem nenhum fingimento, que o escritor é pertinente às suas ideias, ideais e maluquices. Ilustra os textos com coisas reais e surreais, cria sabores, faz até exalar aromas que extrai do improvável e transmiti imagens ao associar as palavras e nesse afã, procura ser original, contorna algumas regras impostas, como se estas fossem corredores imaginários, mas, notadamente, sem as desrespeitar, mas nunca deixando de ir mais longe, mesmo sem usar as asas da imaginação, alcançar o infinito. E quando as usa descreve o mundo de uma forma sutil e consegue transformar o ordinário em extraordinário e nesse ínterim, sem necessidade de se afirmar como intelectual gera empatia e faz com que todos vejam mundo de dentro para fora e depois de fora para dentro e por essas palavras, me sinto despido de fingimento.

O germe que rodeia a arte pode não ter nome, e nem sei se a corrói com o passar dos tempos, mas, para mim, ele se chama fingir ou se finge de corrosivo. A arte não é estritamente a dor ou a alegria do artista, nem se estreita no seu sentir. A arte não é o artista, e se o artista quiser fazer de si a sua arte, fatalmente a diminuirá. A arte, a arte mesmo, pressupõe a ação do fingimento e, porque se projeta, supera quem a criou. E como disse H. Pereira da Silva num provérbio: “A arte não mente, mas o artista sim, na maioria dos casos, é um grande mentiroso.”




Em 2016, por quem os sinos dobrarão?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016


Já estamos em 2016, então é hora de revermos nossas falhas, os caminhos tortuosos que trilhamos, e até daquela palavra mal empregada que acabamos ferindo uma pessoa amiga, estragando um relacionamento que já duravam meses, dias ou quiçá, anos. Em 2016, vamos deixar de lado nossos guarda-roupas ou adquirir veículos novos; vamos direcionar nossas vidas para a renovação do nosso espírito; vamos pegar a vassoura da vida e dar uma faxina geral nela e conseqüentemente, ampliar a nossa fé em Cristo; vamos rever tudo que aconteceu de ruim e anotar na agenda de nossa existência, e as palavras amor, paz, fraternidade, solidariedade e justiça, sejam usadas de modo que tudo possa vir diferente. Deus ao criar o homem colocou em sua mente uma multiplicidade de sensações e emoções capazes de despertar sentimentos variados – desde o prazer proporcionado pela contemplação da beleza, da harmonia e equilíbrio naturais, até do terror e impotência gerados por aqueles que passam fome, doentes e daqueles que não têm condições de cuidar da sua própria sobrevivência. Vemos diariamente meninos e meninas cheirando cola para enganar a fome, se prostituírem, cometerem chacinas, roubos, parecendo coisa irreal, mas se alastram pelos becos da vida como se fosse uma cena comum, natural, característica da própria espécie humana, que a tudo vê e assiste complacente através de jornais e imagens geradas pela TV.

Quando intitulei este artigo: “Em 2016, por quem os sinos dobrarão”, tirei de um filme antigo que assisti ainda jovem, mas que jamais saiu de minha memória e o fiz com  o intuito de homenagear todos os amigos que compartilharam comigo no FACEBOOK e que juntos, a cada manuseio do teclado do computador, procuramos resgatar da memória do tempo os bons fluídos, o amor ao próximo, a prática da solidariedade, a volta das riquezas e criatividades cristãs, que criteriosas, podem fecundar em novas reflexões e ajudar a delinear e modelar novos conceitos de vida em face do momento atual que vivemos, de forma que, cada pessoa continue responsável pela sua própria história, pela sua própria libertação, transformando a sua realidade de forma que se efetive a justa liberdade e amor, ainda que de maneira rudimentar.

Findo o ano de 2015 e diante de 2016, lembrei-me das palavras de carinho que recebi durante todo o ano. Algumas lembranças, nem sei como e nem porque me vi caminhando pelas ruas da cidade, sem chutar as folhas secas como de costume ou bisbilhotar as belezas circundantes. Olhava apenas o vaivém dos veículos e a falta de respeito às leis de trânsito e ao próprio ser humano. Cada carro que passava perto de mim, sentia uma dor no coração ao imaginar que a vida de cada uma daquelas criaturas sequer tinha tempo de pensar que existe vida além da morte e que poderia ter que prestar contas em outra dimensão do que faz neste mundo de expiação e provas. Sequer tinham tempo de observar os pedintes amontoados nas calçadas e uma criança maltrapilha, esquelética, sugando o seio de sua mãe que parecia doente. Um quadro que jamais apagarei da memória. Pouco mais à frente, um vento quente soprou manso e logo deparei com alguns jovens descontraídos que usavam colares, brincos, tatuagens, cabelos pintados em cores variadas, dando-se a impressão de estarmos em outro planeta. Fumavam e soltavam baforadas de fumaça que cheirava a “baseados” e nos refrigerantes, misturavam diminutas pedras de crack no afã de contemplar melhor a vida e de se “chegar às nuvens”, talvez numa nave criada pelas suas imaginações, sem destino, desvalida, sem volta.

Em 2015, ao quebrar os laços familiares, deixar de ajudar aos infortunados, aos doentes e àqueles que passavam fome, o homem quebrou também o elo da cadeia que o liga a harmonia, ao amor, a fraternidade, a fé e equilíbrio de forças assentes nas Escrituras, motivos relevantes que se não exercitados tornarão implacáveis e difíceis a mantença da sobrevivência humana, e na forma em que está banalizada, indiferente, que nos leva  passividade, não pode continuar em 2016. Ao final, deverão estar fundamentadas precisamente no amor, na caridade, para não ficarem à deriva, sem referência, para saberem por quem os sinos dobrarão no momento de chegada ou de partida, isto se não perderem a visão familiar tão sonhada por Josué (24:15): “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”.

Como disse no preâmbulo, já estamos em 2016, então é bom cada um agradeça a Deus por mais um ano vivido. No entanto, infelizmente, ainda observamos que o homem não se priva disso e nem se faz de rogado diante do que conquistou não cora de vergonha e nem vê  motivos para isso. A vergonha que não se aflora mais em seu rosto, mesmo diante do exibicionismo ou das declarações de intenções, compromissos político-sociais e promessas não cumpridas, sob a alegação de falta de tempo ou se fazendo de esquecido. Ao analisar as palavras ou promessas de algumas pessoas durante o ano de 2015, confesso que corei e sei que muitos que compartilharam comigo também coraram e sentiram cair sobre a sua cabeça à danada da carapuça. Eu, principalmente, por mais que me esforçasse ainda me senti em débito com a minha comunidade. Cheguei à conclusão também de que tinha fazer alguma coisa a mais em prol de nosso Planeta e fiz, viajando até para fora do País e o que não fiz, foi por mero capricho. A resposta a esse desafio que proponho a vocês está presa nos elos da imensa cadeia da vida, que se quebrados, deixarão todos em cárcere inseguro, e para saírem ilesos, difíceis serão as decisões que cada um terá de tomar.

Neste momento de reflexão, mesmo usufruindo das benesses de uma sombra e do sopro do vento que se desvencilha das árvores e acaricia meu rosto, comecei a entender realmente que não só a gente se encontra nessa maré de incertezas, como também a sociedade brasileira. A doença do egoísmo, da corrupção e a maldade humana dominam todo o sistema, onde, de forma excludente, não se consegue realçar a solidariedade como valor extremamente capaz de forjar um mundo mais humano e fraterno. É necessário que a perda progressiva do seu senso ético e o próprio individualismo como mal predominante possa ser retirada com a inserção do bisturi do amor, juntamente com a raiz da justiça, que está sendo corrompida dia a dia, possam tirar do sofrimento os mais fracos e indefesos. 

É possível que nestes últimos anos tenham aprendido com as pessoas mais experientes que se houver prazer em viver, que assim o faça, e que se fizeram o bem sem olharem a quem, então, vale à pena ter vivido. Pensando bem, esta é a mais pura verdade! Temos que tentar acompanhar a velocidade do vento, pois o tempo escorre entre dedos, passa tão rápido que ninguém consegue detê-lo. Ele nos ensina que devemos aproveitar o hoje e que ele deve ser mesmo o melhor de todos os dias, pleno, intenso, porque do amanhã pouco ou nada sabemos. Só Deus sabe! Podemos até programar este dia, mas, talvez, seja mais um compromisso que jamais poderemos cumprir. E é diante dos fatos narrados que chego à conclusão de que em 2016 os sinos dobrarão somente para aqueles que aprenderam a cuidar de si mesmos, de seus semelhantes e segurar o cajado espinhoso que carregamos em prol da defesa de nossas próprias vidas.


O idoso e o prazo de validade.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Quando ultrapassamos a casa dos sessenta anos de idade a primeira ideia que nos vem à mente é a aposentadoria. Mas, ontem, depois de retornar de um abrigo de idosos não gostaria de tocar neste pormenor, porque ao conversar com eles senti que não se consideravam idosos comuns, não aceitavam este rótulo e muito menos dizer que tinham prazo de validade. E sabem por quê? Alguns deles nasceram e cresceram na labuta da roça, algumas idosas diziam que lavavam roupas anos a fio e as penduravam no varal da vida, sem contabilizar os anos perdidos; outros diziam que massageavam barro para montar tijolos e adobes para construir moradias, e os mais afortunados, plantavam arroz e milho, possuíam cavalos, campeavam o gado, cuidavam de galinhas, hortaliças e pomares nos plantados nos fundos dos quintais e ainda, se deixassem, eles até faziam ordenha de vacas. Esses senhores e senhoras pagadores de impostos que trabalharam duramente a vida inteira, sabem que o desamor e o abandono destruíram seus dias e os que ainda lhes restam. Raramente, recebem visitas, e eles, inofensivos, acham normais. Hoje, se considerarmos o aspecto de convivência familiar de cada um, pode ser que alguns deles talvez tenha sido um desastre como pai, ou talvez, não compreendido que estamos vivendo num mundo moderno, que os tempos mudaram, o mundo evoluiu e que não se usa mais a varinha de marmelo para roçar as pernas e bundas dos jovens desobedientes e nem a palmatória para esquentar a palma de suas mãos. Hão de entender também que o tempo dos impacientes, implicantes, teimosos, mandões não existe mais, todavia, em razão do que vem acontecendo em relação à desobediência da juventude esses dois instrumentos “educacionais” citados, hoje fazem muita falta.

Sentado numa cadeira de descanso, com cachimbo e olhar perdido dentro de si mesmo, cabelos grisalhos, mãos calejadas e rosto carcomido pelas intempéries do tempo, o velho Manoel deu um longo suspiro, olhou-me meio desconfiado, mas querendo desabafar pediu-me que gravasse esta mensagem e a enviasse aos seus filhos, e sem pestanejar, foi logo dizendo:
- Caro amigo, por causa da idade, não quero que meus filhos se preocupem em me visitar todos os dias, ou qualquer dia, somente para cumprir uma obrigação. Quero que eles façam isso quando sentirem realmente saudade, vontade de me ver; quero que façam isso quando sentirem saudades daquele cheirinho de perfume misturado com suor que sempre carreguei e eles sabem que só eu tenho; quero que façam isso quando sentirem falta de um apoio moral, de uma orientação de pai, porque ajuda financeira não mais posso dar, pois já doei a eles tudo que tinha. Quero que sintam falta da forma que meus olhos olhavam pra eles, com aquela expressão de orgulho, amor e carinho.

Hoje, impossibilitado de andar com desenvoltura, por causa da idade e questões de saúde, não quero, se for visitar alguém, que eles venham aqui e me levem com má vontade, de uma casa para outra ou de uma cidade pra outra como se eu fosse um embrulho rotulado com um prazo de validade. Na realidade, o meu querer é ficar aqui, sossegado, neste recanto, curtir os amigos da mesma idade e lembrar-me do cântico dos pássaros, do latido do cão, do cantar do galo no poleiro, do gado pastando a relva molhada ou apreciar a ordenha do gado leiteiro, e se pudesse, usaria as asas da imaginação para voar, ir para bem longe, além de mais além, no entanto, é importante conscientizá-los o quanto eu valorizo as amizades aqui neste abrigo e a liberdade, não só a minha, mas, sobretudo, a de meus filhos e das pessoas que nos cercam e continuou...

- Caro amigo, por causa da idade, quero que meus filhos me olhem e sintam orgulho de mim, de tudo que tentei realizar profissionalmente em prol deles e de toda a minha luta pela sobrevivência e levar a vida com dignidade, conforme os princípios éticos e morais, conforme meus próprios princípios e a minha vontade. Não quero que pensem que fui egoísta a ponto de prejudicar alguém, que alguma vez falhei, ou que eu os amei de menos ou amei de mais, ou que amei um mais que o outro. Eu simplesmente optei: eu quero ser bom pai, bom avô e bisavô; eu quero amá-los muito e se pudesse cuidar de meus netos, bisnetos quando precisassem de mim, é claro que cuidaria com o maior prazer, cuidaria porque sei que em procedendo assim, estaria ajudando-os a se tornarem pessoas de bem, especiais e que este meu ato pudesse fazer a diferença em suas vidas e na vida dos que os cercam, mas hoje, infelizmente, não posso, porque alegaram que não podiam cuidar de mim e aqui me abrigaram.

- Caro amigo, por causa da idade, permita-me dizer-lhe que sinto uma vontade danada de curtir meus netos, bisnetos e mimá-los do meu jeito. Que eles me critiquem se eu exagerar nos carinhos ou que possa discordar de algum castigo dado por eles, talvez pesado demais. Exagero que um dia posso ter feito, então, queria que considerasse este meu ato de mimo apenas como um pedido de perdão e uma prova de amor, amor inconteste de um pai e avô.

- Caro amigo, por causa da idade e dos anos que ainda nem sei se vou emplacar, quero que não sintam pena de mim quando porventura ficar debilitado, estirado num leito e impossibilitado de andar por algum motivo qualquer; quero apenas que olhem para mim e digam: meu pai sempre foi um guerreiro, sempre foi, é forte, possuidor de muita fé em Cristo e cuidou da gente com amor, tornando-nos homens de bem, usando ou não a vara de marmelo.

E por fim, amigo, eu quero que meus queridos filhos, hoje ou amanhã, não se sintam responsáveis por mim, eu lhes tiro dessa obrigação. Eu os solto, eu os libero. Que vivam suas vidas, trilhe seus caminhos, procurem alcançar um status melhor na sociedade, mas jamais se esqueçam de amar as pessoas com as quais convivem. Quero que formem seus filhos, trabalhem, tenham êxito; quero os crie como eu os criei, mas, logicamente, se eles acharem que eu o fiz da melhor maneira. Quero que sejam corajosos, que sonhem muito, sonhem alto. Quero que sejam gentis, retribuam sorrisos, compartilhem bons momentos, cuidem de seus corpos, mas especialmente de suas almas. Jamais duvidem da existência de Jesus e de nosso Criador. Que não se prendam a dogmas, não julgue nada, não condenem ninguém, não acredite em tudo o que lhes disserem, procurem eles mesmos às respostas. Quero que usem o poder de discernimento que há dentro de deles. Mas, finalmente, quero que lembrem sempre disso: Eles podem tudo! O improvável pode até existir, mas o impossível não, então, é necessário que eles creiam piamente nisso. Eu apenas quero que sejam felizes, pois neste Natal, mesmo sem a presença deles neste abrigo, eu serei!




 
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