Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Procurando respostas para o meu silêncio

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


“Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser a resposta de muitas perguntas”. (padre Fábio de Melo). Ao me lembrar desta frase preocupei-me e antes de começar a escrever. Procurei uma posição mais confortável para manusear o mouse. Acomodei-me na poltrona giratória, fiquei parado por alguns minutos, fechei os olhos e concentrei-me amparado pelo silêncio que orbitava à minha volta. Com a mente alimentada por algo diferente notei que a minha vida também girava e eu me tornava um mero arrendamento provisório - pequenos parênteses entre dois insondáveis infinitos, mas antes que caluniassem o meu silêncio e o meu escrito, respirei o ar que penetrava pela janela e de forma arguta, olho a lua soberba rodeada de estrelas num universo sem fim; ouvia o meu próprio silêncio e procurava respostas pra ele. Lembrava de outra frase, este dita por Pascal: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora". Novamente senti um baque na memória e tudo que orbitava ao meu redor continuava inerte, mas, pareciam rir de mim. Voltei à escrivaninha e olhei fixamente para o monitor e notei que ainda não havia nenhuma frase lá.

Novamente, respirei fundo. Coloquei os dedos sobre o teclado e minha mão direita pousou sobre mouse e sem pestanejar manuseie-o para que o cursor me auxiliasse nas entrelinhas do meu silêncio que também pairava sobre o monitor. Silenciei-me e tudo que girava em minha órbita silenciou também porque sabia que podia ouvir a voz de Deus e ELE me fazer enxergar o universo que eu veria através da janela onde pude atingir o ápice mais alto do pensamento que um ser humano pode alcançar. Todavia, parecia sentir que faltava algo aos seres humanos naqueles momentos de lucidez. Analisei a situação atual da humanidade, assim como, de que forma todos poderiam colaborar, mesmo alguns com tenra idade. Imaginei um mundo sem corrupção, sem ira, sem ódio sem inveja e sem maldade, foi difícil, mas imaginei. Só a honra de cada cidadão cumprindo seus direitos e deveres com serenidade e sempre em busca do bem comum poderia trazer paz. Pensei realmente na paz em plenitude que pode gerar e em como alcançá-la aplicando no dia a dia certas atitudes. Acreditava e ainda acredito que não seria tão difícil e de certa forma maravilhoso se fosse possível acontecer. Qualquer um pode colaborar com um comportamento honroso e só assim sentir-se-á que a vida terá sentido de verdade. Entendo que cada um tem que cumprir a sua parte e de alguma forma, proporcionar paz, pois em fazendo isso, todos verão a felicidade que isso traz.

Quando escrevo a palavra “às vezes” é como estivesse colocando nas entrelinhas um silêncio imenso e maravilhoso, carregado de um olhar complacente e sorriso enigmático, de pensamentos imperfeitos de frases sem sentido e sem nexo. Quando digo que “às vezes” procuro a melhor resposta para o meu silêncio é porque vemos ocorrer no mundo um turbilhão de maldades, homens e mulheres mutilados em razão de guerras entre nações e facções; famílias inteiras soterradas, crianças retiradas de escombros... Aí não tem como ficar em silêncio e o grito de revolta vêm sem a gente perceber.

Por favor, não queiras que eu compartilhe com vocês quando estiver assim. Quando me silencio e não respondo ao que questionam ou me revolto em relação a uma resposta que não consigo dar é porque a minha mente está conturbada, cheia de piedade pelos que sofrem essas atrocidades, pelos orgulhosos, pelos vaidosos, pelos que não sabem olhar para cima e que só enxergam as miudezas da vida, pelos que se angustia por qualquer besteira, que na realidade, essas pessoas não sabem ser humildes. Mas, afinal, como podemos definir o silêncio dos que sofrem ou dos humildes? Quanto a esta pergunta ninguém definiu melhor e sabiamente quanto o Sr. Emmanuel, guia de Chico Xavier: "Humildade é o reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo". Melhor definição como esta não podia ter porque ele se colocava como a um grão de areia. A humildade de que se fala não deve ser confundida com servidão ou subserviência, pois ela é filha da sabedoria e é através do silêncio do saber que obtemos a melhor resposta. Olhar a vida com humildade e aprender escutar o seu silêncio é acordar para uma realidade: quanto mais crescemos, quanto mais nos elevamos, quanto mais nos conscientizamos da nossa diminuta condição diante do Cosmo, quanto mais vivemos olhando sem rumo, ora pra frente, ora pra trás, ora para os lados ou para o chão não conseguimos perceber a misteriosa grandiosidade que se encontra sobre suas cabeças.

A melhor resposta sobre tudo isso é mantermos em silêncio e refletir, assim como, a melhor atitude que devemos tomar diante do espetáculo do mundo é manter esse silêncio e regozijar, pois tudo é um mistério para nós. A verdade é que o infinitamente grande e o infinitamente pequeno se confundem e nos assustam. Às vezes nos espantamos com o espetáculo sideral e não nos lembramos que dentro dele há também um universo imenso, formado de trilhões de células, desconhecido também de todos nós. É preciso, vez por outra, olhar as estrelas no céu, a lua e o sol cumprindo suas rotas ou o universo em si e fazer uma reflexão sobre a nossa vida e a pobre e ridícula vaidade do ser humano.


Eu vencedor de mim.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Não sei se esta é a opinião de todos os poetas, mas entendo que poesia é uma arma poderosa que o poeta tem nas mãos para conscientização, moralização, união e libertação. Ela ultrapassa fronteiras, vence obstáculos e discriminações. Como a uma semente ela é capaz de brotar no coração, chegar às mãos dos poetas para se explodirem em versos.
Não é à toa que cheguei até aqui. Há tempos venho batalhando para sair do meu casulo poético para vencer os obstáculos que possivelmente eu poderia encontrar no meu caminho. Como mero aprendiz de poeta eu pude contracenar com o real e o surreal, fiz peraltices nos tablados da vida, como quem não queria nada, mas sempre escancarando um sorriso singular no rosto. Certo dia, diante do espelho, olhava a minha silhueta, e de repente apareceram o meu rosto imberbe, e nele, meus olhos pareciam perturbados, admitindo uma vontade férrea de enxergar o óbvio com o auxilio das retinas. Velhas malícias por mim conhecidas iam surgindo como quem está fascinado com uma obra de arte. O espelho ao refletir-me, por si só, já era o caos, e eu ri. Ri de mim, esnobei a minha silhueta e fui à luta. Venci meus medos e em razão disso, eu fui vencedor de mim.

Não quero usar do plural porque neste texto estou falando somente de mim. Não quero falar nada de coisas que já fiz noutros dias, pois elas não valeram à pena. Nem quando escrevi pela primeira um livro de romance e diante de textos poéticos sem nexo, inacabados. Pena de mim e nem vergonha eu não tive, pois era o meu primeiro livro. Pena eu não tive e não tenho, pois não sou egocêntrico e nem metido a sabichão, pois aqueles que me conhece sabem disso. Exigente eu sou e até demais, chegando a me reconhecer como a um ser irracional, todavia, hão de entender que isso é apenas uma parte de mim.

Saibam, porém, que não tenho desenhado em minha mente as ilusões. Mas constantemente transformo a carga pesada em duas situações para serem mais fáceis de carregar. A primeira, o amor, é garra e gana por lutar para deixar de ser um simples escriba. A segunda é saber reconhecer todas as belezas que existem fora do meu casulo e dos sons que são propagados pelo mundo.

Aqui, escancarado no meu recanto sonhador, entre paredes acinzentadas, eu me escasso de perguntas e respostas. Estou farto de muitas coisas que vem acontecendo com o nosso País, sem poder fazer nada ou dar respostas convincentes a alguém. Estou procurando vencer a mim primeiro para depois poder questionar a existência de outros obstáculos que me cerca. Neste momento estou com os meus pensamentos embriagados, a boca seca e a respiração ofegante, pareço estar trazendo as sujeiras das ruas, os resquícios de tempestades e de temporais que procuro exterminar no meu recanto quando estou escrevendo algo. São momentos que a minha bela loucura vem à tona, pois aparecem fantasmas, fragmentos do passado que mais parecem tralhas obsoletas que tentam enfeitar o meu cotidiano, que talvez possa até trazer a admirável e eterna companheira: a paz. Admito que esses fragmentos possam até perturbar a organização do meu ambiente que é mais uma de minhas manias, manias porque não suporto meus livros guardados de forma incorreta, sem ordem ou amontoados numa estante qualquer.

Fecho a porta do meu casulo, deixo a chuva se estilhaçar na vidraça da janela e o vento que penetra por ela levar tudo aquilo que não me serve mais. Dentro do casulo há amor e sei que ele é capaz de vencer o mal, de enfrentar obstáculos e ultrapassar todos os limites, barreiras e adversidades. Esse amor que carrego comigo já venceu o medo, eliminou dúvidas, ódios, lágrimas, saudade, e enfim, eu o levo comigo porque não só venceu como vencerá tudo e me ajudará a tornar vencedor de mim. Junto com esse amor vem à fé que me fortalece a transpor qualquer obstáculo que possa aparecer durante a minha caminhada e me ajudará a escalar qualquer montanha e a superar qualquer problema que surgir.

Achando-me vencedor, certo dia, o caminhar por uma estrada deserta eu vi uma imagem me chamou bastante à atenção. Flores nasciam em terreno infértil, num lugar deserto onde só havia pedras e, aparentemente, onde não poderia haver nenhum tipo de beleza, crescia uma florzinha. Pasmo, perguntei a mim mesmo que poder existia dentro daquela semente ali plantada ou deixada cair por alguém. Assim somos nós. Assim é o ciclo da vida. Pode haver espinhos, dificuldades, doenças, perdas, e por fim, pode haver inúmeros motivos para ficarmos parados, desanimados, mas dentro da gente está a vida e Deus nos capacita nos encoraja e nos conforta para que possamos vencer até a nós mesmos. Os obstáculos que encontramos pela frente têm duas funções em nossa vida: Parar-nos, ou fazer-nos seguir para ultrapassá-los. Nenhum obstáculo será tão grande se a nossa vontade de vencer for maior, e junto com ela a atitude, o otimismo, a perseverança e a fé.


Vícios nossos de cada dia...

quinta-feira, 9 de agosto de 2018


Tem muita gente que se vicia em palavras, mesmo sabendo que elas às vezes os impedem de expressar seus sentimentos. Mas existem aqueles que são viciados em sentir e sofre por pequenas coisas e esse sofrimento, às vezes, impede-os de enxergar os outros, aqueles outros que pode até impedir de ser a gente mesmo. Mas se realmente formos viciados em nós mesmos? Acho difícil, pois nem todos são egocêntricos, pensam em todo o mundo que os rodeia! Mas deve existir alguém viciado em nesse mundo e aí como fica? Respondo: Sei lá, talvez sua inocência foi privada de tudo. De outro lado pode existir alguém viciado ou se fazer de inocente, mas é viciado em computador, celular, WHATSAPP, ou outra parafernália eletrônica, mas se existe, talvez esteja apenas querendo esconder a sua verdade. Todavia existem também os viciados em verdade, que vive buscando o sentido da vida pra tudo, e nessa loucura esquece simplesmente de viver e observar que existe um mundo que o cerca e alguém ao seu lado esperando sua atenção. Eu confesso que sou viciado em escrever e para isso uso demasiadamente o computador. Uso as asas de minha imaginação e vou para onde eu quiser. Celular, esse quase não uso e às vezes tenho preguiça de usar ou de receber ligação. Então posso afirmar que disso não morro! Para as pessoas amigas que se desligam do mundo quando estão usando um celular ou outro aparelho qualquer, achei por bem mudar de assunto porque senão me viciaria com essas palavras ditas.

Pois bem, durante a Copa do Mundo apareciam jogadores com penteados estranhos, alguns até com tapetes mais parecendo uma Cacatua. Será que é vicio de jogadores para aparecerem diferentes na TV? Acho que não, pois a pessoa que se vicia em fazer isso pode tropeçar na ilusão e não chegar a lugar nenhum. Diante do que vem acontecendo em nosso País e ou mesmo aconteceu na Seleção brasileira, não é vício e nem fiquei tonto, mas cai na real com relação aos dois e assim o jeito foi buscar o surreal por achá-lo, talvez, mais perfeito para se acabar de vez com os nossos vícios de cada dia. Desligo do meu vício e observo a existência de contrastes entre os já mencionados acima, então, ergo-me, separo os lados bons e ruins de cada um e opto pelo vício patriótico que acredito ser melhor para o Brasil, para os eleitores e quiçá, para mim. 

Agora sem vício algum observo o sol que passa pelo vão da janela, e iludido aquieto-me no meu canto, pois sabia que há muito tempo vinha me enganando, pois ao nascer e se pôr no horizonte, parecia possuir o vício cumprir sua rota usando uma cor diferente a cada giro, a mesma cor que esparramei sobre as rachaduras de uma velha parede, que mesmo após ser pincelada ainda encontrava dificuldades pra se revelar ao sol ou para si própria. Aquiete-me novamente e o sol insistia em jogar seus raios sobre aquela parede. Um silêncio pairou em meu quarto e procurei não me indispor contra o astro rei. O belo e acolhedor sol que os dá vida nunca mostrou seu real vício, mas ao penetrar pela janela dava pra ver quantos raios tinha, então, o jeito foi, pacientemente, em razão de o belo entardecer, parar para vê-lo cumprir sua rota, certo de que ele passaria e se manifestaria sobre algum vício que poderia trazer no dia seguinte.


Epitáfio de um literato

quarta-feira, 1 de agosto de 2018


Certo dia, durante o enterro de um amigo eu fiquei observando uma lápide colocada sobre um túmulo, na qual, para aquele que é um bom entendedor, principalmente quando se trata de coisas misteriosas, havia uma placa de mármore e nela uma frase que homenageava o morto ali sepultado que dizia: “Enfim sóbrio”. Existiam outras frases estranhas, pitorescas, profanas, em outros túmulos, mas que me abstenho de citá-las porque posso transgredir as regras sagradas e falta do devido respeito às coisas divinas. Destarte, muita gente famosa, celebridades e escritores de renome esperam que seus nomes sejam escritos na lápide acompanhados de uma bela frase, sejam ou não citando atos heroicos seus, todavia, com o passar dos tempos frases começaram a serem usadas por toda a população para lembrar as qualidades daquele ente querido que “viajou” para outra dimensão deixando muita saudade.

Ao lado esquerdo do túmulo um homem bem vestido colocava um buquê de flores sobre uma lápide de um parente se, noutra, alguém de vestimenta branca colocava um prato cheio de pedaços de frango ao molho pardo com pequi, junto uma vela e garrafa de pinga. Na lápide estava escrito “Enfim sóbrio”. O homem bem vestido vira para o outro e acreditando tratar-se um absurdo aquilo pergunta: Desculpe a intromissão, mas o senhor acha mesmo que alguém virá comer esse frango e tomar pinga neste local? Olhando de soslaio e meio chateado com a pergunta, o outro responde: Sim, quando alguém de sua família vier cheirar as flores que você está colocando sobre a lápide pode visitar este túmulo pra comer frango e se quiser, pode até tomar uma dose de pinga. E continuou: Eu respeito às opções dos outros e isto eu acho que é uma das maiores virtudes que eu tenho. Quem está enterrado aqui era um parente, gente boa, mas que bebia muito e antes de morrer me pediu que colocasse sobre a lápide uma garrafa de pinga, e sabendo que adorava, coloquei também este prato cheio de coxa de frango, pois pode ser que seu espírito sobrevoe este cemitério e procure alguma coisa pra comer. Na verdade ele gostava bastante de frango ao molho pardo com pequi. Com seu jeito gozador e profano disse que o modo de agir de cada um é diferente, pensa diferente, então não deve julgar o meu ato, apenas tentar compreender. Só lhe digo uma coisa: não é macumba.

A morte é um mistério, mas sempre tem um túmulo esperando por alguém e isso não é mistério pra ninguém. Mesmo que as estações do ano passam, que elas vão e volta, a vida continua se a gente respeitá-la e curtir cada momento. O medo da morte é uma ilusão no peito dos sábios, todavia, em relação a isso prefiro não ser um sábio. Quem vive as estações de forma solene é igual aos que curtem uma vida sem limites, isso eu faço e curto. Eu sempre sonhava ser cantor, um musicista, pois a canção é a imortalidade e as estações permanecem mesmo quando se acaba a alegria e a felicidade.

Observei bastante o diálogo daqueles homens. Pra mim a conversa foi extensa, incompreensível, descabida, feia, profana. Diante daquele ato senti que alguma sou e que ainda me resta um pouco de sobriedade, talvez o bastante para me lembrar dos sonhos e da vontade de viver de um ente querido, literato, que foi chamado de volta pra viver e poetizar em outra dimensão. Olhei para a lápide do amigo e ali estava escrita uma frase que me tocou profundamente que dizia: “Aqui jaz apenas um poeta que pouco escreveu. O silêncio que paira aqui talvez faça parte dele algumas de suas obras inacabadas” Logo abaixo daquela frase a data de seu nascimento e morte.

A saudade devorou-me por alguns minutos como um vapor que leva a última gota que já pertenceu a um oceano, mas não me rendia, estava lá com as minhas orações, mesmo que não viessem a falar mais dele, ainda estarei na terra alimentando-me do que me devora, e quando um dia eu me for deste mundo sei que terei o meu mausoléu e nele gravado, em minha memória um epitáfio qualquer, que aos poucos poderá até cair no esquecimento, mas jamais se findará totalmente, pois, não serei eterno, mas o que restou de mim poderá ser eternizado através da escrita. Quando eu me for, insisto, o tempo encarregará de preparar o meu mausoléu para um próximo, que ocupara o meu vazio e as metades desfeitas que alimentarão dois sentimentos e quiçá, histórias de uma vida que poderão terminar igual a minha...


Não é fake e fato.

terça-feira, 31 de julho de 2018


    NÃO É FAKE É FATO.
    ESTAS SÃO AS OPÇÕES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA. EU OPINO, MAS A ESCOLHA É SUA. ANALISE BEM A VIDA PREGRESSA DE CADA CANDIDATO.

    LULA: Condenado a 12 anos e 01 mês de prisão. Ele está preso, mas a cúpula do PT diz que é candidato. De acordo com a lei eleitoral ele é ficha-suja. Só pode disputar as eleições se obter uma liminar dos tribunais superiores. É réu em outras seis ações penais.

    Primeiro colocado nas pesquisas, Jair Messias Bolsonaro, se filiou ao PSL, partido que elegeu apenas um deputado federal em 2014. Por isso, a legenda deve ter pouco tempo de propaganda na TV (cerca de 15 segundos em cada bloco) e poucos recursos do fundo eleitoral. Na última pesquisa Datafolha, registrou 29% de rejeição. Este não tem medo de falar o que vê e sente. É o único que fala o que o povo quer sentir e ouvir. Não tem denúncia de corrupção contra ele. É ficha limpa. Este me representa. Hoje podemos dizer que ele é o nosso Davi lutando contra milhares de Golias que querem se manter no poder.

    Marina Silva (Rede-AC) deve ter apenas 12 segundos de propaganda. A Rede não deve se coligar a outro partido e tem atualmente menos de 5 deputados. Por isso a ex-senadora pode ficar fora dos debates na TV. Parlamentares e antigos aliados deixaram o partido fazendo críticas ao estilo de Marina. Ele teve entre 7% e 8% das intenções de voto, Nesta eu não acredito e suas intenções de voto não vai passar disso. Não queremos outra Dilma no poder.

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparece com 7% das intenções de voto. Ele ainda tenta costurar palanques fortes em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais. O DEM, aliado histórico, por enquanto rejeita apoiá-lo. É alvo de um pedido de abertura de inquérito, feito pela PGR ao STJ, com base nas delações da Odebrecht. Além dele tem outros políticos filiados ao seu partido que está na mira da lava-jato, como Aécio Neves que, caso o Alckmin for eleito, poderá até ser nomeado Ministro para se enquadrar na famigerada imunidade e para não ser preso. Alckmim, com uma colossal aliança partidária, inclusive com partidos e políticos enrolados com a justiça, DEM,PP,PR,PSD tenta converter os apoios em votos. Em exército na campanha oara manter os privilégios.

    Em sua terceira campanha para presidente, Ciro Gomes sai pelo PDT. Na última pesquisa Datafolha, teve entre 6% e 7% das intenções de voto, dependendo do cenário. No quadro sem o ex-presidente Lula na disputa, chegou a 12%. No entanto, o partido tem dificuldade para costurar alianças. Aliados históricos, PSB e PCdoB devem lançar candidato próprio e dão seus primeiros sinais de afastamento. È considerado meio destemperado, agressivo, um maluco beleza que não inspira confiança.Como diz o velho ditado: tem tanto veneno na língua pode morrer de novo pela boca.

    O senador Alvaro Dias, do Podemos, este não sei se pode o quê! Teve 4% das intenções de voto no último Datafolha. Com um partido pequeno, deve ter apenas 12 segundos de tempo de TV. Ele também é desconhecido por 44% dos entrevistados. Está só, sem apoio e geralmente não aparece bem nas pesquisas. Era do PSDB.

    Ex-Ministro de Lula e Michel Temer, Henrique Meirelles se filiou ao PMDB para se candidatar a Presidente. È goiano, nascido em Anápolis, já foi filiado ao PSDB e eleito Deputado Federal, mas escolhido pelo Lula para presidente do Banco Central, deixou o PSDB. É fácil observar que se ele for eleito vai manter toda a “tropa” que hoje ocupa o Executivo e Ministérios, e com isso eles seriam beneficiados pela imunidade. O PMDB para confundir a população alterou o nome para MDB, mas os personagens que enojam o País são os mesmos.

    Essa é a segunda vez na história do PCdoB que o partido disputa uma eleição com candidato próprio. A parlamentar já concorreu duas vezes à Prefeitura de Porto Alegre. Hoje, com 36 anos, Manuela D'Ávila é deputada estadual. No último Datafolha, ela aparece com 2% das intenções de voto. Essa não passa disso, sua eleição de nada resolve para o Brasil. Não ganhou nem para prefeita de Porto Alegre, não vai ganhar para Presidente. É falta de opção desse partido que já se esfacelou com a queda do comunismo no mundo e derrubada do muro de Berlim.

    A candidatura de Guilherme Boulos pelo PSOL abriu uma dissidência na base de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, ele disse que não vai criticar o Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) durante a campanha. Na última pesquisa Datafolha, ele não atingiu nem 1%. Tem esperança de receber o apoio de Lula de dentro da prisão, mesmo sendo um dissidente.

    Candidato pelo Partido Novo, do qual é um dos fundadores, João Amoêdo tem carreira ligada ao mercado financeiro e quer fazer do economista Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central) seu vice. Tem apenas 1% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, e uma rejeição considerada alta para um nome desconhecido: 13% Vão continuar altas, pois não tem nenhuma representatividade e não fala a língua do povo. Sem comentários...

    Afastado da Presidência da República, em 1992, quando sofreu impeachment, Collor tem anunciado a intenção de disputar o cargo novamente, desta vez pelo PTC. Contra ele há sete inquéritos no STF, quase todos ligados a Lava-Jato, dos quais já é réu em um deles. Ele possui 2% das intenções de voto. Esse nem merece meu comentário. Sofri e muita gente sofreu quando ele foi Presidente, graças a Deus cassado! Um passado que o condena e está com processo em andamento na lava-jato. É o poder pelo poder, este nem ta aí para o povo!





Ainda existe luz no fim do túnel

quinta-feira, 19 de julho de 2018


Naquele quarto frio, iluminado por uma pequena lamparina, parede construída de puro adobe, porta com tramelas, crianças desnutridas, amontoadas em pequenos colchões, vislumbra-se a figura angustiada de um homem trabalhador a espera de dias melhores e da realização de seu maior sonho: ter sua casa própria.

Anestesiado pela dor que pune as paredes estomacais pela falta ingestão de alimentos, aquele trabalhador possuído por uma impropriedade mundana corroída  pelas intempéries do tempo, ainda consegue assistir na sua pequena TV em preto em branco, além de  sussurros, maledicências, também as descrições  metafóricas das sandices de locutores esportivos criticando os jogadores brasileiros.  Ele assistia estupefato ao jogo ruim e à desclassificação da seleção brasileira e outros comentários sobre atos de corrupção na CBF e ou mesmo do presidente da república que nem tava aí pra seleção e se o Brasil se encontrava em estado de penúria, eram comentários que mais  parecia uma cena de filme de ficção, mostrando uma desfaçatez absurda e curiosa que não se limitam a própria esfera de seu infortúnio político.

Não mais suportando estas decepções que a vida nos prega, tento corroborar a tentativa fajuta de escape de minha circunstância natural refutada pela aversão ontológica daqueles que escarnecem do eleitor, do trabalhador, do honrado, do honesto, do... Aqueles que se esbravejam diante das minhas minúcias; aqueles inescrupulosos desguarnecidos em seu próprio habitat, que fugidamente retroagem aos gêneses dos ritmos das marchas fúnebres. Tudo parece pousar na personagem maculada dos observadores mais atentos, a figura de  um corrupto, de um rosto-preguiça pálido sentado em poltronas de anos de maledicências, mostrando uma silhueta disposta ao ridículo.

Naquele rosto desguarnecido de qualquer compostura e respeito ao povo brasileiro e diante de uma seleção desclassificada, estampado na primeira página de um jornal, se vislumbrava uma profunda abstração em forma de pintura de escárnio, tal como aquela dor que sobe por nosso estômago e que muitas vezes nos levam ao vômito.

O Brasil está fora das finais da Copa do Mundo, mas esquecem que isto fortaleceu patriotismo, rejuvenescerá e se estenderá até outubro, quando o povo escalará um time que, mais do que levantar uma taça, poderá erguer o País e dizimar de vez essa corja corrupta que vem saqueando os cofres públicos. Hoje até podemos não estar respirando melhor a nossa dor. Hoje até podemos não contrair nossos músculos de moralidade, mas de uma coisa tenho certeza, pois em outubro usaremos nossa arma, o voto para eliminar de vez os políticos que não respeitam a coisa pública. Depois de outubro retornamos a um novo tempo, tempo do trabalho, da recuperação do crédito e do trabalho honesto, tempo de podermos pagar em dia as nossas dívidas e  na certeza de que, as lágrimas derramadas com a derrota da seleção brasileira significarão e muito, pois delas surgirão sorrisos e vitórias e todos se sentirão felizes e capazes de verificar que ainda existe luz no fim do túnel antes mesmo que estas linhas sejam denotadas de melancolia, dor e decepção.

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O sonho e a bicicleta

terça-feira, 26 de junho de 2018


Há dias vinha sonhando com caminhos estranhos, incertos, estradas e trieiros cheios de poeiras e pedras pontiagudas que feriam meus pés descalços. Sempre quando acordava ficava preocupado com essa repetição de sonhos: apareciam os mesmos caminhos e eu andando á pé meio perdido e com certo cansaço. Numa manhã ao levantar fiquei pensativo por instantes e depois questionei ao meu próprio sonho porque não me deixava sonhar pelos menos pedalando uma bicicleta. Este questionamento eu fiz por vários dias, mas numa certa noite, como por encanto, quando me aproximava da primeira estrada de chão deparei-me com uma bicicleta que estava encostada no tronco de uma árvore. Parecia que o sonho estava de brincadeira comigo, mas mesmo assim agradeci. Peguei a bicicleta e comecei a pedalar. Não posso dizer a marca dela porque senão a indústria teria que me pagar pela divulgação, mas era novinha em folha. Pensei comigo mesmo: Como a gente pode sonhar dentro do próprio sonho e ainda tudo possa parecer impossível. A gente deve lutar ainda que o inimigo seja invencível nas estradas poentas. A gente deve andar ou pedalar por onde o corajoso não ousa ir. A gente a cada passo ou quilômetro percorrido deve transformar o mal em bem, ainda que seja necessário caminhar mil milhas por estradas incertas e sinuosas. A gente deve amar o puro e o inocente que encontramos pela frente, ainda que seja inexistente. A gente deve resistir aos obstáculos encontrados, ainda que o corpo pareça não resistir mais.

Ao final da caminhada possamos alcançar outras estradas não sinuosas, ainda que pareçam inalcançáveis. E a vivência de tudo isso é como andar de bicicleta, mesmo que no sonho a gente almeje ter uma moto ou um possante. Viver nada mais é do que aquele desejo de mudar o mundo ao seu gosto, e aquele sonho real que eu tive que parecia impossível e hoje não cabe na minha realidade, pois passo por aquelas estradas na minha camioneta, mas jamais deixei de agradecer ao meu sonho por ter me oferecido uma bicicleta.

Ao recordar daquele sonho procurei em minha mente manobrar com maestria aquela bicicleta, pedalar bem, equilibrar, não parar para não cair. E durante o silêncio que pairou naquele sonho, assim como nos sonhos que se seguiram, procurei ficar acordado durante enquanto sonhava se é que é possível isso. Pedalava ligeiro, cortava estradas e trilhas em regiões inóspitas, sem qualquer moradia para que eu pudesse acenar e mostrar prá eles minha alegria. Respirava poeira, escutava sons emitidos pelo vento, procurava esconder do escaldante sol, me esquivava dos barrancos e das travessias impetuosas que nem contabilizava, pedalava, freava quando me sentia diante de um precipício, de um ocaso, mas sempre em busca de novos ares. Quantas vezes eu andei e pedalei em silêncio, como a um morto, mas era mais vivo que os demais, pois entendi que não há sonho impossível para quem nunca desiste e acredita que intransponível é um lugar que não existe.

Eu tenho sonhos, tenho arrependimentos. Penso coisas impossíveis e não suporto quando alguém diz que estou errado, pois sempre trilhei no rumo certo. Sempre tive vontade de crescer, mas ao mesmo tempo, não deixar de ser criança. Sempre tive plena convicção de que as pessoas que falam dos outros pra mim, vão falar de mim para os outros. Acredito que o mundo pode mudar se todos fizerem a sua parte e quando escrevo às vezes me perco nos meus pensamentos e acabo contando meus segredos que são levados pelo vento, mas felizmente, ninguém o vê passar. Sou viciado em textos e legendas poéticas extraídas de coisas do cotidiano que podem estar acontecendo comigo.

Eu sou imprevisível. Tenho o péssimo hábito de olhar para as coisas com certa desconfiança. Tenho mania de escrever e quando estou escrevendo é para dizer o que penso, mas não obrigo ninguém a escutar. A pessoa lê se tiver vontade, pois a gente não escreve para agradar todo mundo. Eu não escrevo para agradar ninguém, é sério o que falo, mas é serio também que muitas pessoas gostam e elogiam o meu trabalho e a forma com que escrevo. Eu sigo o meu coração não importa para onde ele vá. Cultivo os amigos e não as mágoas. E tento ser uma boa pessoa. Para os outros e para mim. E quem nunca sofreu, chorou e achou que o mundo ia desabar não se deu conta que algumas dores só cicatrizam quando outras aparecem, principalmente quando a gente se transforma num Condor: Uma dor aqui, outra ali, outra lá, outra acolá. Por essas outras razões é que procurei decifrar meus sonhos e entender o porquê ele me deu uma bicicleta, ao invés de uma moto ou carro. Acredito que não foi por bondade e nem em razão de meus feridos pés, mas para me dizer que sonhar não é pecado e ele jamais respinga coisas surreais. Respinga segurança, intensidade, perfeição para que tenhamos modos perfeitos para agir. Para alguns eu sou mais uma pessoa querendo ser diferente, para outros eu sou a própria diferença.



Holocausto ético e moral no Brasil

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Durante um estudo acadêmico sobre ética, à luz da experiência do Holocausto nazista, vi que estas palavras se desenvolveram rápido na última década. Na minha própria perspectiva sobre ética à sombra do Holocausto vi que ela se moveu muito e na mesma direção de outros autores. Mas eu enfatizaria quatro áreas cruciais para a discussão, que são bem tocadas em alguns escritos. São a questão de como entendemos o papel de Deus na história humana depois do Holocausto e as implicações para senso de responsabilidade humana, a centralidade dos direitos humanos na auto-definição religiosa, a influência de estruturas no comportamento moral e no papel do ritual no formar da moralidade pública. Entretanto, no que concerne ao tema proposto, dentre todas as violências que enfrentamos a ética e a moral talvez sejam as frases mais perturbadoras no momento político brasileiro, porque não são silenciosas, estão a olhos vistos, causam espantos na sociedade e permitem durarem para sempre caso não haja uma interferência urgente da justiça brasileiro, porque se dependermos do Congresso Nacional o holocausto será ainda maior.

A falta de ética e moral, que neste texto denomino-as de corrupção ativa e passiva, são capazes de permitir que milhares brasileiros morram em hospitais e a cada dia vimos o direito do ser humano ser jogado no lixo. Trata-se de um holocausto praticado pelo próprio governo infestado de corruptos, com a conivência de parte do judiciário que nada faz para acabar com a famigerada imunidade parlamentar, que a invés de incriminá-los judicialmente e prendê-los, traz à tona o que está à margem da imagem de um holocausto, não dá voz a quem precisa e cala que tem o dever de informar, talvez eles os considerem inconvenientes à justiça que define quem pode ser ouvido ou não, quem pode ser punido ou não, quem pode ser solto ou não, mesmo eles trazendo na “bagagem” um mar de corrupção.

Neste sentido, as cenas que assistimos durante um julgamento de alguém, principalmente os do Poder, transmite uma poderosa insatisfação e a não necessária mensagem por meio dos debates jurídicos onde falam dos algozes da nação, com intensidade, como se o povo não merecesse o respeito devido e a não definição de quem merece ser ouvido, de quem merece ser calado, de quem merece ser respeitado. São coisas que vêm sendo discutido há décadas mostrando a sociedade o seu espaço, encurtado, e à difícil tarefa de se lidar com os gritos do povo brasileiro. É uma realidade tão real que traumatiza, é tão indigno o “modus vivendi” do povo brasileiro. A nossa justiça maior está se direcionando para aquilo que não quer reconhecer entre o errado e o verdadeiro e ainda transferir a carga processual para outro órgão da justiça para amenizar o ato corrupto praticado. Conclui-se então que são loucos aqueles que se arrastam pelo chão da honestidade, com olhar vago, corpo carcomido pelas intempéries e sons irreconhecíveis de uma voz rouca que tenta gritar por liberdade.

Destacamos no título deste artigo a ética e a moral que estão sendo distorcidas e destruídas em uma sociedade corrupta, neoliberal e capitalista. No Brasil, o que é lúgubre, efêmero, inescrupuloso e imoral está substituindo os valores morais por valores de má fama. Que País é este onde o que o ter vale mais do que o ser? Que administração é esta onde a perversidade e a mau caráter se propaga mais rápido que a velocidade da luz? Que País é esse onde se vêem corruptos e corruptores por todos os cantos?

Sobre o holocausto ético e moral que vem ocorrendo no Brasil sou obrigado a concordar com o texto de Agatha Faria: “Se um dia tiveres de optar pela ética e a moral escolha a ética. Pois a moral, ao contrário da ética nada mais é do que um conjunto de regras que faz de você um submisso da sociedade, a ética por sua vez, faz de você uma pessoa audaz, que age e fala de acordo com seu interior, suas ideias, com aquilo que parece ser realmente certo e não com o que os demais dizem ser o correto”




Existir, eis a questão.

quarta-feira, 6 de junho de 2018



Há tantos anos um amor inócuo e profundo vem persistindo tão constante quanto à existência do mundo. Eu nasci, lutei, vivi, sobrevivi e até chequei perto da morte. Não entendia o porquê de ter sido tão abençoado durante o meu existir. Foram incontáveis os anos vividos cheio de nuances que nem deu para contabilizá-las. Sonhei, deixe amontoar em minha mente versos e mais versos que fazia sem me inspirar no clarão da lua ou de um belo amanhecer. Quando escrevia me sentia voando, alcançar o imaginário e vibrar com aquele imenso espaço que eu mesmo criava em meu subconsciente, tudo com intuito de superar dores, buscar alegrias e coragem suficiente para um viver melhor. Mas tem dia que chega o momento da gente não mais poder voar, desaparecer, ir à busca de um mundo inóspito ou subir ao cosmo e brilhar como a lua e as estrelas, e tentar aportar perto de cada um deles e ver suas sombras cobrirem a imensidão do universo.

Não sei dizer se o meu existir me cansa ou se eu é que me sinto fadigado diante da minha existência. Repito sempre, ou quase, sobre os lamentos do dia-a-dia, desde o momento em que me levanto e vou ao trabalho, do regresso de um lugar aprazível ou quando descanso no dia seguinte para começar tudo de novo. Essa é a mudança que muitos não aceitam de forma alguma, principalmente se uma oportunidade lhes é ofertada. Ter que recomeçar alguma coisa ou tudo de novo, abala-me e sei que acontece com muita gente, pois assim é a vida, corriqueira e imutável, que pode trazer segurança, mostrar os caminhos, os atalhos, os desvios e as curvas que muitos devem evitar.

Avançar, recomeçar é preciso, principalmente quando o que temos já não nos satisfaz. Recomeçar é sempre possível quando colocamos de lado as dúvidas, pois perdedor na vida não é quem tentou e não conseguiu, mas sim aquele que abandonou a coragem e perdeu a fé. Sei que o mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas poderia ser muito mais. Sorrir às vezes cansa. Chorar também. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamente um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências. Eu procuro ser correto. Mas ser correto demais diante de um mundo profano em que hoje vivemos também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana reclamando pra ficar bem na semana seguinte. É como se a gente fosse ser feliz pra sempre ou triste pra sempre.

Eu gosto do diferente, às vezes canso do igual, de sonhos iguais, de vestimentas iguais e de conversas iguais. Cansei de virar as páginas da minha vida. Estou na hora de mudar de livro e folhear outros e roçar meus pensamentos com novas idéias. É gostoso sentir essa vontade mesmo sabendo que sempre me senti muito bem vivendo cheio de certezas e dos momentos que inventei para ser o que hoje sou. Sei que faz muito tempo, mas viver repaginando os meus e outros livros, tem-me deixado tão leve que parece fácil continuar, totalmente diferente na minha existência que, além do azedo que talvez possa estar carregando nas minhas entranhas, ainda assim queria que as lembranças azedas fossem excluídas de minha mente e nelas incluídas, mais além daquilo que gosto. Talvez eu esteja sendo pretensioso demais ao projetar neste texto um modo de viver e de existir, pois é sabido que a vida é muito mais que só existir.



Entre trancas, troncos e barrancos

quarta-feira, 30 de maio de 2018


É assim que a gente leva a vida. Quando conseguimos tirar a tranca que nos prende por dentro, mais adiante tropeçamos num tronco ou despencamos num barranco. Nesta crise em que estamos passando, tanto financeiramente como politicamente, sentimos revelar dentro de nós a força de inquietas almas, que querem vencer, sobrepor obstáculos, que, mesmo consciente das fraquezas e das dificuldades encontradas, conseguem conhecer o caminho da perseverança, do prosseguir, do continuar, do ir até o fim.

Seria ótimo se fosse tudo muito fácil na vida de um cristão. Durante a caminhada dele para Deus nada sai do lugar, tudo permanece tranquilo como um lago, calmo como a brisa, e como descansar numa rede frente à praia. Na verdade, às vezes, como bom cristão, eu experimento outra realidade. Sinto-me trancado dentro de mim mesmo e aos “trancos e barrancos”, eu ouso cair, mas levanto-me, pra continuar a enfrentar as batalhas do cotidiano, que sabemos sem fim, e no meu cansaço que não descansa, labuto para começar ou recomeçar tudo de novo, no desejo constante de ser fiel; caminhar sem forças, esperando sempre além de mais além do que a gente almeja, às vezes conseguimos ir mais longe do que nossos olhos possam enxergar, andar a esmo e testemunhar tudo que estiver desabando, sem aviso prévio, sem chance de voltar.

Abrindo a tranca, pulando os troncos caídos na estrada de nossa vida é um verdadeiro martírio, é como a gente viver num mar agitado por ondas funestas, diante de uma ventania de medos e de uma experiência onde não temos como apoiar o cansado corpo ou mesmo o coração desgastado pelas intempéries do tempo e o sangue que circulam em nossas veias. Nesta crise quem quer “sombra e água fresca” não deve se meter com cúmulo do absurdo. Não é verdade?

A verdade é porque Deus tem a capacidade de nos desinstalar continuamente de nossas seguranças, de fazer o mundo girarem de cabeça para baixo, de testar os limites da nossa lógica, de desfazer qualquer planejamento em fração de segundos e de recomeçar, minutos depois, todo o processo. Tudo isso porque Ele mandou seu filho Jesus Cristo para nos salvar. Então, se Ele perder o controle das nossas vidas, o mundo pode cair e desabar aconteça o que acontecer, e seja o que for, temos que prosseguir em busca de Sua Graça e que nada possa impedir que a vontade Dele se cumpra em um coração sofrido a ir até o fim.
Quanto mim, quando menos tenho forças, para receber a Graça curvo-me diante da minha pequenez, como a um grão de mostarda. Gosto de conversar baixinho com DEUS para que escute pelo menos um pedido meu não por presunção, mas por vocação, e mesmo que o mundo venha abaixo, quero, desejo e preciso prosseguir em busca do meu desiderato, nem que tenha que quebrar a tranca que prende a mim mesmo, de retirar os troncos da estrada da minha vida que me impedem de seguir em frente e alinhá-los um a um, transformando-os em uma ponte rígida para que eu possa ultrapassar todos os barrancos e limites que a vida impõe.



 
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