Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O Pinóquio brasileiro.

domingo, 24 de abril de 2016

Diz à lenda que um velho chamado Geppetto fabricava lindos bonecos de madeira, pois tinha como sonho ter um filho para compartilhar seus inventos e partilhar, além do amor a carinho, tudo o que era seu. Dizem também que certo dia, ele fez um pequeno garoto de madeira e quando terminou, suspirou com satisfação e disse: “Quem me dera que este rapazinho de madeira fosse real e pudesse viver aqui comigo…”. Nem bem terminou a frase, de repente tudo aconteceu como a um passe de mágica, pois simplesmente o pequeno rapaz de madeira ganhou vida. O velho, surpreso, gritou de alegria e, entre gargalhadas de felicidade, disse: “Sejas bem vindo! Vou chamar-te Pinóquio”

Dizem também que no interior do Brasil, lá pelas bandas do município de Mandruvá, região central do Brasil, de tanto ler sobre essa história o carpinteiro Torquato Neto resolveu também fazer um boneco, mas abrasileirado, diferente do perfil estrangeiro. E não é que deu certo também! Torquato ficou atônito, porque não tinha colocado nada no boneco, nem chip, nem controle remoto, nada, e o Pinóquio brasileiro saiu andando, fazendo peraltices, dançando até samba, para a alegria de seu criador. Passado alguns dias a notícia correu pela redondeza e os curiosos se amontoavam diante da casa de Torquato. E não era o Luciano Hulk com seu programa “Lata Velha” e nem o Geraldo do “Domingo Show” que levavam aquela multidão, mas sim, o boneco-gente também chamado de Pinóquio. Ele nem reagia e nem sabia como reagir, mas gostava do que via. Passado alguns anos Torquato o levou pra conhecer Brasília e emocionado, começou a chorar. Nunca tinha visto tanta gente e prédios iguaiszinhos esparramados ao lado da avenida e ao centro, dois grandões com duas bacias ao lado, uma côncava e a outra convexa. Pinóquio de tanta emoção se perdeu no meio de uma multidão que carregava faixas e cartazes. Começou a caminhar, até que encontrou uma senhora vestida de verde-amarelo que participava de uma concentração popular e também carregava um cartaz com a seguinte frase: “Impeachment já”, a quem ele pediu ajuda. A senhora ficou sem entender, mas educadamente disse que o ajudaria e perguntou-lhe quem eram os seus pais e de onde vinha. Ao que Pinóquio respondeu: “Não tenho casa e nem ninguém com quem morar”. A senhora logo percebeu que Pinóquio estava mentindo, pois o seu nariz começou a crescer. Mesmo assim, sem questionar, a boa senhora respondeu-lhe: “Volta pra casa, para junto ao teu pai. Seja um bom menino, comportado e não mintas mais”. Pinóquio prometeu procurar seu criador no meio da multidão e o seu nariz voltou ao tamanho normal.

Pinóquio sabia que era brasileiro e que tinha existido outro igual a ele em outro País. Despediu-se da senhora e andou vagarosamente, olhando para todos os lados e parou num parque de diversões. Notou que o seu nariz começou a crescer novamente. Pensou: Será que estava desobedecendo ao pedido daquela mulher? No parque lhe ofereceram pão com mortadela, entretanto somente não lhe disseram que aquele comestível iria transformá-lo em mais um burro manipulado e com rédeas. Pinóquio comeu até não poder mais e, assim que se transformou num “burro” começou a participar dos movimentos de rua, usando uma camiseta vermelhinha inscrita CUT. Passou a ser um pau-mandado, controlado por um sujeito sem escrúpulos líder de uma organização onde ele sempre ouvia aquele indivíduo ameaçar o povo brasileiro e invadir terras. Foi obrigado a trabalhar duramente em todos os movimentos e foi tão maltratado que, poucos dias depois, nem conseguia andar. Como já não servia mais pra ajudar, pois sequer era eleitor, o líder daquele movimento não pagou a ele e mais ninguém, e ainda, o deixou na sarjeta, sem pão, sem mortadela e sem os minguados “trocados” que de alguma forma o “animava” a gritar durante as manifestações a palavra: Impeachment é golpe! No dia seguinte ficou sabendo que a maioria esmagadora dos deputados que ficava dentro daqueles pratos que chamava Congresso Nacional votaram a favor do Impeachment da Presidente, daí veio, a saber, também, que Impeachment não é golpe. O frio trazido pela noite o congelou, e sem o pão e mortadela e os vermelhinhos derrotados na Câmara dos Deputados, Pinóquio ficou desiludido, não encontrou mais o seu criador, voltando a ser novamente um rapaz de madeira.

Moral da história: Pinóquio mentia por ser, puro, inocente e jamais para prejudicar qualquer que seja a pessoa. Veja bem, mulheres, homens, adultos e crianças todos mentem. Por exemplo: Lembro-me bem de um dia quando o meu netinho não queria comer sua papinha eu peguei uma colher e a transformei num aviãozinho e, olhando para seu rostinho disse: Olha o aviãozinho!... Era uma mentira, não? Saudável, mas era. No entanto, eu estava apenas querendo convencer o meu neto de que o que tinha na mão não era uma colher com papinha, mas um avião. Um avião! Eu só esqueci-me de perguntar pra ele se sabia o que era avião.

Mesmo as pequenas mentiras diárias podem trazer desafios inesperados. Revivendo aquelas cenas com meu neto e a história de Pinóquio, comecei a me preocupar e perguntava a mim mesmo: Eles, os petistas, ao assumirem o poder não acabaram com a corrupção e continuaram mentindo à população? E fui percebendo, com o passar dos anos, que se tratava de um ledo engano e aí comecei a notar o aparecimento de homens de “duas caras” e “caras de pau”, que mentiam e continuam mentindo descaradamente, e mesmo penalizados ou denunciados pela justiça, assumem ou tentam assumir cargos públicos para ficar com foro privilegiado e nem corados ficam – talvez, no caso do mandatário maior – o Lula da Silva, que parece ter mais de duas caras –, também, jamais fica corado de vergonha diante das câmeras e ainda se acha o mais honesto dos homens, e nós sabemos que ele mente, comanda uma “tropa” e sabe de tudo o que acontece nos bastidores e por trás das cortinas palacianas, de modo que, em razão disso, passou a transmitir desconfiança e virar chacota nacional e mundial. E aí pergunto: Onde foram parar os princípios éticos tão propalados pelo PT antes de assumir o poder?

Disse Bernardo Shaw, “O castigo do mentiroso, além de ninguém acreditar nele, é ele não poder mais acreditar nos outros”. Claro que todos conhecem o mau hábito crônico da Dilma, Lula e seus asseclas de estar sempre inventando novas mentiras, frases de efeito, portanto, para ela ou ele, a dificuldade em se fazer acreditar torna o jogo mais interessante. Teve um dia que Dilma contou a história da mandioca, noutros, comparou a criança com o cachorro, criticou o sol e enalteceu a lua; é triste assistir ou ouvir isso de uma mandatária maior. Já passou da hora da Presidente Dilma entender o exagero e seu abestalhado discurso, mas para comunistas, quanto mais controvérsias a mentira causar, melhor. Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas, como a da Data Folha. Dilma e Lula têm doutorado nas duas primeiras, a terceira é especialidade de governo e marqueteiros, sem falar na grana que corre por trás das funestas cortinas.

Mas antes de começar a detectar todos os mentirosos existentes por este mundo afora, é preciso saber mais sobre a arte de mentir do ex-presidente Lula que ora recordamos neste pequeno texto como seus principais mitos sobre a mentira.

Quando falamos de duas caras é importante delinear em itens separados algumas famosas frases do Lula: 1.ª - Em 18 de agosto de 2005, no auge do Mensalão disse: “Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país.”; 2.ª - No dia 1º de setembro de 2007, durante o 3º Congresso do PT disse: “É verdade que podemos ter cometido erros [...]. Mas ninguém nesse país tem mais moral e ética do que nós.”; 3.ª - Em 18 de agosto de 2005: “O PT deve pedir desculpas [ao país] por seus erros.”; 4.ª - Em 1º de setembro de 2007: “Não temos de quê nos envergonhar. Não tenham medo de ser petistas, de andar com a estrela no peito. O PT é um dos grandes responsáveis pelos passos largos do Brasil rumo à dignidade”.

 À beira do deboche, o ex-presidente que se alardeia tão arguto e inteligente, pois se faz de surdo, cega-se e emudece; diz não ter ouvido ou visto tantas traficâncias ilícitas e ilegais ocorridas dentro ou fora dos corredores palacianos. Os escândalos do caso Rosemary, sua “amiga”, cuja situação perniciosa sobrepõe os casos dos anões do orçamento, do dinheiro na cueca de um deputado Federal, hoje líder do PT na Câmara, do Mensalão, etc., que a fez ir a Europa, África e escapar da mídia brasileira. Como se vê, o Lula de hoje é bem diferente do Lula torneiro mecânico e líder sindicalista. Tornou-se burguês, anda de jatinho, mas em seu discurso diz que não é elite e até chora. Em tese, teria até mais razões para cobrar dos “traidores” um “pedido de desculpas”. Afinal, o STF, à época, converteu em ação penal a denúncia contra os 40 integrantes da “quadrilha” do Mensalão.  Onde Lula alegou que via “erros”, mas o STF enxergou indícios de crimes. “Onde o presidente observou “moral” e ética”, o Tribunal enxergou corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, gestão temerária e evasão de divisas. Certo dia, em um discurso do presidente voltado à militância petista que durou 57 minutos e 25 segundos, não pronunciou uma mísera palavra de reprimenda aos malucos petistas. Foi segundo a interpretação do SITE do PT um “discurso para lavar a alma petista e elevar auto-estima.” Só não lavou a imundície concentrada no processo que tramita no STF. Mas quem se importa? “José Dirceu, o técnico do time Mensalão e Petrolão, que blindou e mesmo preso, ainda blinda Lula, assim como, com petistas a sua não prisão em 2012, em razão do pronunciamento do Ministro Sebastião Barbosa, mas, felizmente, dificilmente escapará, porque já tinha sido “blindado” com várias imputações e condenado a 10 anos e 10 meses de prisão —, ele acha que Lula expressou o sentimento dos delegados” presentes naquele 3º Congresso petista. Para o ex-chefe da Casa Civil -, “o partido já fez a autocrítica”. Voltar ao tema do Mensalão é, na opinião dele, “um desvio de foco” que só interessa à direita. O PT, disse ele: “se renova, assume novas bandeiras.” Frases irônicas de quem possuem duas caras que sequer coram.

O tempo passou e veio à tona a corrupção da Petrobras e com elas mais mentiras e mentiras deslavadas e todo mundo sabe o que aconteceu, então, torna-se desnecessário reprisar aqui, cujos atos não continuarão acontecendo graças à competente ação do Ministério Público Federal e do Juiz Federal Sérgio Moro de Curitiba. Todavia, voltando ao Pinóquio brasileiro fiquei sabendo que, em razão das continuadas mentiras da Dilma, do Lula e dos políticos em geral, ele desabafou e como não encontrou o seu criador, desistiu de competir e assim resolveu deixar o Brasil, porque entendeu que a concorrência aqui é muito forte. Chegou à conclusão de que todos conseguem mentir mais do que ele.


Viver o hoje, sem pensar no amanhã.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Eu quero e muito, mas quem não quer. Lembrar de tempos idos, daquilo que é gostoso de lembrar, pode vir tudo à nossa mente, tudo de uma vez só, ao mesmo tempo, tudo que já aconteceu durante toda a nossa existência. Algumas coisas que aconteceram que consideramos nefastas, “passamos a régua” ou esfregamos a borracha do tempo. Todavia, ao escrever esta crônica não irei fechar os olhos para certos acontecimentos, pois quando surgir às mesmas dificuldades, situações, erros ou constrangimentos, nem vou sentir, nem baixar a cabeça ou corar-me, afinal é a minha vida que está em jogo e sou eu que devo dar o primeiro passo para corrigir meus erros e minhas burradas. Quando olho para o passado e vejo quem fui, quero ter o orgulho de poder dizer que aquele indivíduo era eu e hoje continua o mesmo ser humano. A vida não parou quando cai, porque tive capacidade de me erguer, nem quando pensei que ela estivesse parada porque consegui prosseguir.

Hoje ao escrever este texto eu peço um tempo para descobrir quem ainda eu sou ou pelo menos saber quem fui realmente, pois posso estar preso a um passado não tão distante, então o jeito é ficar diante do espelho, olhar para mim mesmo e ver o que ele pode me transmitir, pois, de fato, com o passar dos tempos sinto necessidade de me reconhecer, de ver aquele olhar de sempre, de ler meus pensamentos refletidos, saber de tudo, de conhecer a mim mesmo, perfeitamente, e admitir os meus erros e defeitos.

Não escrevo aqui para dizer que sou totalmente certinho e nem para ser uma pessoa cheia de erros. Eu vim para dizer sobre a emoção viver uma vida completa, com eiras e beiras. À noite quando eu me deitar, quero chorar as lágrimas que eu já chorei; quero sentir saudade da minha infância; quero sentir a vibração de um sorriso vindo de uma linda cena, vivida num lugar
qualquer; quero captar todas as minhas lembranças e ter orgulho de todas elas; quero me encontrar nos olhos das pessoas amigas e me impregnar na retina de cada uma, assim como trazer para dentro de meu peito muitas das que encontrei. Então, hoje, eu escrevo para não gritar, coloco no monitor um amontoado de letras com o fito de jamais deixar de ser eu, de não nunca desistir sonhar...

Falei isso porque sei que amanhã posso descobrir que estava enganado em não continuar amando a vida e sonhando, pois o melhor quando se erra é descobrir que o certo era o que a gente sempre quis. Eu posso até errar, mas também tenho a vontade férrea de poder acertar, mas quando eu erro, mas sabendo que todas as pessoas também erram, tal situação vem para que eu não me deprima e nem as pessoas me julguem pelos meus erros, pois todos nós erramos e muito, mas também acertamos muito e isso é fato. O meu amigo e compadre Emival deixou-nos no mês findo e foi pra outra dimensão. Deus lhe enviou a “passagem” e tenho a certeza de que está ao lado DELE em razão da boníssima pessoa que era. Hoje, antes de começar a escrever, paro para receber a brisa que passa pelo vão quadriculado da janela, certo de que todos os entes queridos estão sentindo de sua ausência à alegria que contagiava, porque como diz um autor desconhecido: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”


Detrás da sombra de nossos sonhos

sábado, 9 de abril de 2016


Tempos idos os pais não se preocupavam se o seu filho poderia sair sossegado, à noite, assistir filmes e shows musicais; andar sem medo pelas calçadas, pois naquele tempo não existiam pivetes, assaltantes, usuários de drogas e traficantes. Não se importavam com a filha que ia a pé ou de ônibus até a escola ou outro destino qualquer?! Nem celular tinham! Naquele tempo, ao lado de uma agitação que era considerada como normal tudo acontecia sem grandes sobressaltos. A televisão que era em preto e branco, não mostrava cenas horripilantes como hoje e são repetidas sem a anuência do telespectador, tudo em nome da mídia. Adultos e adolescentes caminhavam pelas ruas de madrugada, sem medo de serem felizes, cantavam para as estrelas e nem ouviam os roncos de motores, buzinas ou latidos de cães. A cidade era pacata. Hoje tudo é diferente. E pra pior, é claro! Podemos enumerar uma série de vantagens, mas na certeza de que o sol hoje não brilhará como antes. As fumaças que saem das queimadas, chaminés, veículos, sobem aos céus e tapam-lhe os seus olhos flamejantes. O céu, que outrora se apresentava estupidamente azul, claro e limpo, hoje se encontra coberto de poeira e gases carbônicos, produzindo o efeito estufa que a deixa ruborizado. As nuvens, nem se fala, quando caem, trazem borrascas inesperadas e incontidas.

Ainda me lembro dos dias em que passeava nos parques, provando deliciosas maçãs do amor, pipocas e o famoso refrigerante Grapette, à sombra das árvores que o tempo permitiu crescerem e hoje, pela insensatez humana, muitas foram derrubadas e em seu lugar, construíram famigerados parques de diversão, prédios e condomínios de luxo. Quanto bem fazia aquela sombra fresca durante o solstício de verão que parecia querer esconder detrás dela os meus sonhos de menino.

Fora daquele parque dos sonhos vivia o autoritarismo e a ditadura. Talvez fosse verdade e até ocorria poucos casos de homicídios e crimes hediondos, mas já passaram alguns anos e hoje o que mais há são esses acontecimentos. Vivemos num país onde o crime acontece todos os dias e em toda a parte. Assaltam-se bancos explodindo caixas eletrônicos, assaltam postos de gasolina, e roubam dos seguranças mal treinados e levam suas armas; estupram crianças e ainda constatamos a existência de rixas entre gangues e de crime organizado; filhos matam pais e vice versa; mulheres são espancadas pelos maridos e pessoas são assassinadas sem pena ou dó e o criminoso, insensível, parece sentir prazer de ouvir o gemido do desafeto; assaltam-se carros de valores e ninguém é culpado de nada. O que se nos dá a conhecer é o outro lado da questão. Empolga-se o caso deste ou daquele criminoso estar doente, ter sido atingido por uma bala ou saber a razão pela qual aconteceu ter-se atingido mortalmente um rapaz que estava associado a um assalto. Só falta começarmos a defender os criminosos e condenar os que sofrem na pele às arbitrariedades dos assassinos e assaltantes.

Ninguém se sente seguro em lado algum. Já não falo de políticos e afins, pois esses andam sempre com guarda-costas. Tem grana para pagar e o pior, é que sai de nosso bolso. Por outro lado, é justo pararmos no sinaleiro e ter receio de um assalto e ainda dar dinheiro ao elemento para alimentar o seu vício. Temos consciência de que muitos caixas de banco são explodidos no Brasil e com a maior das facilidades. Eles nem se preocupam. O banco está com apólice de seguro e ainda quem paga o prejuízo somos nós. Podem notar que tudo o que é mal acontece ao Brasil, e rapidamente. O pior é que ninguém faz nada. O combate deveria ser eficaz, rápido, duro e desmotivador para quem estivesse a pensar fazer alguma malandragem. A segurança é urgente e necessária. Não podemos andar numa insegurança total pelas ruas das cidades, esperando ser atacado por alguém que sabe nada vai lhe acontecer, mesmo que seja apanhado. Pagam uma mísera fiança e fica solto. A impunidade não pode ser prêmio de criminosos, não importa qual seja o crime.

Afinal onde está a segurança? Que País é este que de um dia para o outro se transformou de tal forma que mais parece uma penitenciária, onde existe um amontoado de gente e tudo acontece. Mata-se, estupra-se, droga-se, corrompe-se, invadem terras, prédios abandonados, matam, destroem propriedades ninguém se importa ou interfere. E o Poder Público onde está? É com muita pena que tenho de admitir que detrás da sombra de meus sonhos parecesse existir um amontoado de sentimentos frustrantes, depressões, desamor, confrontando-se com sentimentos de amor, amizade, paz, todos eles comuns à humanidade como a um todo, e o fio êmulo, resistente, que talvez ainda os unam no espaço sem luz ocupado por um corpo opaco, todos deveriam se agarrar e ao serem amparados pelo bastão da benevolência, procurar encenar no palco da vida um novo modelo para sociedade para que ela se torne mais justa, humana e fraterna... Aliás, se isso não acontecer, nem o sol e a lua voltarão a brilhar como antes e as árvores milenares morriam mesmo com as chuvas de verão.



Entre gotas de suor...

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A noite encurtou o caminho e uma tristeza infinda tomou conta de mim vorazmente. O calor não me deixava dormir, continuava inerte diante das marcas passadas. Transpirava e em todo o meu corpo desciam gotas de suor. Lembranças vinham aos montões, mas não eram apenas lembranças, eram também dores doídas que avassalavam meu peito em um crime lento, de uma forma torturante. Logo, apalpei-me a mim mesmo e indaguei: Porque tanto suor? Sem resposta de como responder ao caro leitor, quero que preste bastante atenção: A vida não se define em um “mar de rosas”, e muitas pessoas querem ou precisam vencer na raça, entre gotas de suor, mesmo que o vencer signifique que elas tenham que conseguir apenas um mísero pedaço de pão.

Muitas já visitaram cidades neste e em outros estados, conheceram pessoas, gente de trato diferente. Sei que não foi nada fácil pra ninguém, mas sei que quando tiveram a primeira queda Deus veio e estendeu-lhes sua mão… E para ser sensato, acredito que não passaram nem perto de serem pessoas comuns como fui ou ainda sou. Nunca conseguirão o que planejavam, ou conseguirão? Já moraram de favor? Se for afirmativo então lhes garanto que uma mudança é incontestável, e aceitá-la, da forma que veio ou ainda virá, é imprescindível. Desde menino aprendi o que significa mágoa. Sentia quando os meninos mais abastados riam da minha casa construída de adobe, talvez nem soubessem que eu estava lá por falta de condições financeiras e minha mãe sequer tinha condições de pagar aluguel de uma casa melhor. Riam das minhas calças curtas, mesmo sem saberem que eu as tinha porque alguém de bom coração havia doado. Riam do meu chinelo que não encaixava bem no pé, mas não sabia o quanto me doía por não ter condições financeiras para comprar um novo e ou mesmo possuir um sapato condizente. Eles riam do meu cabelo, o qual, eu lavava com sabão caseiro em bola, feito em tachos, e era fato que também não tinha condições de comprar um xampu. E foi assim eles construíram um império de gozações…

O tempo foi passando e a cada dia fui vencendo. Com muito custo, suor e intermináveis dias de trabalho e eu já possuía uma moradia mais digna. Senti uma necessidade imensa de ser feliz, mas confesso meu caro leitor, sem saber o que significava felicidade. Só sei que lutei e muito, trabalhei dias e dias incansavelmente, conquistando um pouquinho de dinheiro, mas não para viver em um mundo de aparências, porque diante do mundo a minha alma gritava por algo concreto, algo que vinha de dentro do peito, de um lugar emocionalmente profundo: o coração.
Noite silenciosa e gotas de suor não paravam como não paravam de vir os pensamentos rumorosos que apossavam de minha mente. Nem odeio esses momentos em que relembro toda a minha história, porque ela foi escrita com tintas rubras de um coração ferido pelo tempo. Hoje me sinto feliz e orgulhoso por ser quem realmente sou, pois o passado passou de boa e me tornou uma pessoa mais sábia. Nunca entenderei aqueles bichos-homens donos daqueles impérios de gozações impróprias e nem do homem que continua sedento por dinheiro e se corrompe facilmente.

Noite à dentro, peguei uma toalha estirada sobre a cabeceira da cama, enxuguei o rosto para não mais ficar entre as gotas de suor e nem mais me lembrar de tempos idos. E assim, olhando pra um ponto qualquer de meu quarto encerrei minha sessão de tortura, para tentar dormir e torcer para que o sono curasse meus olhos irritados e o suor secasse de vez. Mas antes de encerrar esta crônica, fiz uma prece para todos que agora passaram ou passam pela mesma situação que eu passei, e ao final, desejei que todos superassem com garra, vigor e jamais se atormentassem por estar apenas entre gotas de suor.

Simplesmente recomeçar...

segunda-feira, 28 de março de 2016


Será que existirá tempo para recomeçar, ir à busca do novo? O tempo por mais que a gente queira, não vai parar, e a cada momento vamos recordar e lembrar-se de oportunidades que perdemos. Podem ter sido momentos únicos que ficamos frente a frente com algumas oportunidades que jamais voltará, e é por isso que precisamos aproveitar o tempo que temos para que o nosso esforço possa valer a pena no amanhã. O que não devemos é deixar esse tempo passar sem atentar para tais fatos, pois poderá ser tarde demais, e possivelmente, aos longos dos anos, se não houver um recomeço, algumas coisas poderão se tornar mais difíceis de conquistá-las. Nunca é tarde para aprender, acreditar, e se puderem, simplesmente recomeçar. Quando passamos a acreditar nisso e viver com emoção, alegria e superação, essa crença fará com que consigamos forças para lutar e fé para termos a certeza de que nunca será tarde para realizar tudo aquilo que nos deixa realmente feliz.

Dias atrás ao ficar sabendo da ida do Padre Luiz Augusto ao Instituto Neurológico por duas vezes para confortar minha família e orar pelo meu amigo e compadre Emival José de Rezende que fora desenganado pelos médicos e hoje se encontra em outra dimensão, ao lado de nosso Pai Celestial, me deu uma imensa vontade de recomeçar, ou simplesmente de voltar a acreditar no amanhã e que eu posso recomeçar, de viver tudo o que ainda não vivi e o suficiente para entender certas coisas. Então, sem pressa alguma de degustar o doce sabor que a vida me deu, senti que devia dar uma basta... Acabar de vez com algum vazio que ainda possa existir em mim. De voltar a viver a vida intensamente, de procurar emoções verdadeiras, sorrisos que fluam com sinceridade e não mais sorrisos que afogam meus pensamentos em mares revoltos impregnados na região recôndita de meu cérebro. Recomeçar é começar tudo de novo é começar do começo. É salutar que façamos isso, pois se não fizermos é jogar fora tudo aquilo que construímos com amor, é destruir tudo que foi bom, que valeu a pena ter sido concretizado e de maneira correta. Se ainda nos restou alguma coisa que peguemos estes restos e recomecemos. Recomeçar é fazer novos alicerces e levantar paredes no lugar daquelas em que os erros cometidos encheram-nas de buracos e fissuras.

Todavia, caro leitor, para recomeçar, é preciso ter em mente que tudo aquilo que é bom pode ser refeito, removido e revivido. Devemos construir nosso lar sobre rochas, assentar nele portas seguras e janelas confiáveis sobre tijolos enlaçados com a verdade e rebocados de justiça. No teto de sua vida deves assentar uma laje em que possa se abrigar das tempestades que a vida fatalmente trará. No chão, um piso seguro e sólido, feito de companheirismo e compromisso, o qual será a base para você caminhar com firmeza. Afinal, com a vida não se pode brincar. É bom lembrar também que em certos momentos os olhos falarão mais do que as palavras, onde será preciso tomar o outro pela mão, apoiar e quiçá, trabalhar juntos. É recomeçar do zero e usar o único material que jamais se esgotará: O amor.

Se for escritor, cronista ou está lendo um livro ou texto de outro autor, não basta simplesmente virar a página e parar, é preciso começar de novo, reler quantas vezes puder, e às vezes, tentar interpretar e conhecer bem os personagens... Em algumas leituras deixamos escapar de nossa memória tudo que havíamos lido e isso não é bom, pois a vida com sua sabedoria nos ensinam que não é esse o melhor caminho. Todavia, a sabedoria fala no silêncio, na ausência, e ouvi-la, requer sensibilidade de espírito. Não basta a gente somente desviarmos das pedras é necessário remove-las para um lugar seguro, para que não tropecemos novamente. Você não encontrará facilmente a felicidade se não a procurar, mas quando é buscada incessantemente ela trará à sua vida um valor enorme. E são esses instantes que realmente valem à pena! Portanto, se ao teu corpo faltar forças e os anos não permitirem que corra atrás da tão almejada felicidade, serão tuas lembranças que te transportará ao ponto “g” do seu coração, onde há muito tempo está guardada a tão propalada felicidade.

Vivendo num mundo surreal, enigmático e ambíguo.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Tem dia que tudo acontece de forma inesperada. A gente vai até a janela e o céu parece menos azul, o sol teima em queimar o rosto das pessoas, enquanto os pássaros passam emudecidos, alçam vôos rasantes e desaparecem no meio da mata. O vento passa efêmero sem trazer nenhum cheiro de lá. Deixo a janela e ligo o computador. Como num passe de mágica aparecem na telinha do monitor lindas imagens acompanhadas de várias mensagens acalentadoras: montanhas, lagos, rios, cachoeiras, castelos medievais construídos no topo das colinas, adornados de pedras preciosas; depois, fotos pitorescas de várias partes do mundo que mais pareciam obra de arte. Em algumas imagens, sem clareza, pareciam ter mais de um sentido, pessoas sentadas num banco, ao lado de um banco, enquanto outras passeavam alegres, com olhares enigmáticos, cheias de dúvidas e passos imprecisos. Casais a poucos metros dali, de forma estranha, trocavam beijos à beira do lago, enquanto os canoeiros nem se importavam com os “trejeitos” deles e continuavam remando, apreciando o pôr do sol. Pássaros, aos montões, continuavam passando rasantes, numa cantoria sintonizada, como se estivesse sob a batuta do maestro Frederick Chopin.

Fecham-se aquelas cenas, clico noutro link e outras se abrem. Imagens começaram a aparecer novamente, mas, desta vez, contrastando com as anteriores, então percebi que nelas existiam outros protagonistas, um pouco sem clareza, encenando num outro palco da vida. Pessoas estiradas nas calçadas, crianças esqueléticas, desnutridas, sujas, maltrapilhas, bêbados, viciados em drogas, jovens se agredindo, disputando um cachimbo recheado de crack. Imagens de meninos e meninas de rua peregrinando, sem rumo, pés descalços, em busca de um lugar melhor na sociedade. Crianças e adolescentes em casas abandonadas, em terrenos baldios, debaixo de pontes onde fazem delas suas moradias ou para se protegerem do sol escaldante e do frio da noite, enquanto outras se deparam com a violência das ruas e muitas vezes quedam-se diante dos olhares sisudos da lei e são presas, maltratadas e ao serem julgadas pela justiça dos homens não têm ninguém que possa defendê-las, compreendê-las e ampará-las de verdade.

Elas ou eles são como todos nós somos apenas passageiros de um trem qualquer, que segue num comboio cheio de vaidades, enquanto nosso subconsciente vai traçando uma visão idílica de um mundo que muitas vezes é cheio de desventura. Ao ver essas pessoas amontoadas nas calçadas, debaixo das marquises, cobertas apenas pelo manto negro da noite, cheirando cola para enganar a fome, sem perspectivas de vida, me fazem pensar como passageiro desse trem da agonia, qual será o destino de cada um, então, só me resta aguardar a próxima estação e imaginar, se ao desembarcar, haverá recepção com bandas marciais, bandeiras a acenar e também se, na última estação, todos os sonhos deles e nossos irão se concretizar, ou talvez, possamos perceber que não haverá estação como também não haverá lugar a chegar.

Precisamos repensar e refletir sobre tudo o que vem acontecendo com o nosso País, com pessoa humana e parar de contar os quilômetros percorridos de uma estação a outra e apreciar a viagem que muitas vezes fantasiamos em nosso subconsciente e não conseguimos enxergar que as coisas da vida são simples, cheia de essência e o detalhe é não perdê-la, para depois, termos a certeza que a última estação chegará, trazendo as responsabilidades em relação ao futuro e os pesos que a vida pode trazer. E quando forem abertas novamente as cortinas do tempo possamos constatar que estamos assistindo, diariamente, cenas de belezas de um lado, horripilantes de outro, ora sem clareza, ora duvidosas, ora com mais de um sentido, que nada mais é do que cenas extraídas de um mundo surreal, enigmático e às vezes, ambíguo.



Elitismo: Entre tantas outras palavras criadas, esta nada mais é do que uma hipocrisia petista.

terça-feira, 15 de março de 2016


Todo dia vemos nos meios de comunicação políticos mentir e não aceitarem verdades. Todo dia vemos burgueses, gente graúda e miúda do PT e de outros partidos a ele coligados dizendo que somos elitistas e usam sistematicamente esse termo como meio de defesa de seus próprios atos nefastos. E por falar em gente “miúda”, ou manipulada, sei lá, no dia 13 de março, quando retornava de um funeral na cidade de Mineiros, ao passar pela BR-364, entre os barracos de lona e cabanas de papelão construídas à beira da rodovia, vimos muitos veículos estacionados e entre eles, até camionetas de luxo, todos em excelente estado de conservação. Um sobrinho que estava no banco traseiro me perguntou: Tio, como pode invasores ter tantos veículos, mas morar à beira da estrada? Quem tem camioneta como aquela pode comprar, pelo menos, uma pequena casa? De onde vêm tantos veículos ou dinheiro? Dei um sorriso maroto e disse-lhe: Zé, o pior é que essa gente é instruída e monitorada por seus mantenedores (governo) para invadir terras e chamar-nos de elite. E olha que o PT já está há treze anos no poder e eles continuam lá. Quanto à palavra elite é uma forma que eles acharam para ocultarem ou falsear a realidade deles próprios ou de quem os comanda, através de uma máscara de aparência. Todavia é bom entrar no mérito da coisa. Vou te responder incluindo na história a minha própria vida, ou quiçá, a sua também e de tantas outras pessoas de bem que batalham arduamente e com honestidade para sobreviver. Pois bem. Que atire a primeira pedra quem não deseja um dia ser elite? Eu, com o maior prazer caro sobrinho, digo que sou elite e repito: Sim, eu sou. Sabe por que digo isso? A minha saudosa mãe que você conheceu bem me fez alcançar isso. Sim, minha mãe Carolina Maria, mais uma de tantas mulheres que, sozinhas, criaram seus filhos sem Cheque Moradia ou Bolsa Qualquer Coisa; lavando roupa pra fora com água tirada de poço artesiano, depois as passava com ferro a brasa sob a luz de uma lamparina porque o barracão não possuía energia elétrica. Sim, minha querida mãe, que sequer teve tempo para estudar ou fazer qualquer curso, tornando-se analfabeta, mas de uma pureza de alma e sensibilidade incrível.

Eu sei o que é passar fome; fome, fome, fome... Naquela época você nem tinha nascido. Na nossa casa não havia sacos de arroz e feijão e nem existia Cartão Bolsa Família. No entanto, minha mãe me ensinou, assim como aos meus oito irmãos que, o que traz felicidade não é a fartura de dinheiro e nem uma despensa farta. Dizia com maior clareza que, o que dignifica o homem não é o que ele tem, mas as escolhas que ele faz e a forma honesta com que as realiza. Minha mãe, na sua simplicidade, dizia que não há investimento melhor na vida, senão a educação dos filhos, o trabalho digno e que se um dia achássemos que a educação é cara, então que investíssemos na ignorância... Ela não deu conta de custear os nossos estudos (à época nem tinha Bolsa Escola), mas ensinou-nos a trabalhar e ir atrás do dinheiro suado.

Mãe de nove filhos, uns diplomados, como eu, e outros não, mas todos bem posicionados na vida, labutando dia e noite para que um dia a gente fizesse parte da elite. Minha mãe nem teve casa e sempre morou de favores com a ajuda de uma tia, (à época nem tinha Cheque Moradia). Conseguiu com muito sacrifício comprar um lote e nele construiu um barracão. (à época nem existia Minha Casa Minha Vida).

Hoje eu sou parte dessa elite de trabalhadores com diplomas de faculdade particular porque eu que realizei, e não o governo que me ajudou realizar; faço parte dessa elite de trabalhadores que mora em bairro nobre; que pode dar ao luxo de mandar os filhos para Universidades particulares, e ainda, que sempre paguei e pago em dia as minhas obrigações e tenho nome limpo na praça. E, se quiser, se a consciência moral permitir, até usar uma bolsa dinheiro do próprio bolso.
Sou elite e você sobrinho é um testemunho de tudo isso porque sabe que começo o meu expediente às sete horas da manhã e só termino onze horas depois; sou elite sim, porque a minha mãe me ensinou o valor de se ter um nome respeitado, limpo e não mentir, como muitos que se dizem líderes mentem por aí.

Chegando à minha casa resolvi passar a limpo a nossa conversa ou resposta sobre o termo elite usada pelos integrantes do PT, mas antes, por coincidência assisti ao programa “Conexão Repórter” de Roberto Cabrini e qual foi minha surpresa: o apresentador falava justamente sobre invasão ilegal de áreas e prédios em São Paulo e Brasília. Ao ver aquelas cenas, lembrei-me novamente de minha saudosa mãe e a cada pessoa entrevistada pelo repórter, me fez acrescentar neste texto o reconhecimento da labuta e esforço diário dela, e dizer a todos que me sinto feliz em saber que o meu nome é elite, como também afirmar que hoje tenho o imenso prazer de conviver com ilustres personagens que fazem história em Goiás, tanto no meio político, empresarial, sindical, como no mundo da literatura e artes; sou um homem honrado e íntegro que nunca tirou férias regulares só para não ver meus entes em dificuldades, e por trabalhar arduamente, concretizei o meu sonho de possuir entre outros bens, um “apartamentinho” num bairro nobre, com uma varanda que me facilita ver a lua e o sol nascer e se pôr no horizonte...

Hoje eu sou elite não por ter nascido rico, mas por ter experimentado a infância, pobre de verdade, mas rica em valores integrais. Alcancei essa elite hoje pela designação moral de minha escolha pelo caminho mais estreito. Sou elite porque procurei o caminho da retidão e honestidade, procurei ser um trabalhador cumpridor de seus deveres, mas sempre ciente de que isso não é virtude, é obrigação. E que ser leal e cumpridor de regras não pode ser oferenda de sacrifícios e sim, compromisso espiritual para com o meio... Sou elite sim, porque a minha base é o caráter; o meu alicerce é o sonho de construir um mundo melhor para ajudar as pessoas, criar meus filhos e netos; a minha pedra fundamental foi construída a partir da fusão do trabalho, da honestidade, da honradez, da verdade, e consciência limpa... E é por isso e muito mais, que o meu telhado não é de vidro, mas se por um acaso um dia vir a quebrar podem ter a certeza de que foi Deus que o quebrou e com as mãos estendidas me ofereceu às estrelas.

Vai graxa doutor?

segunda-feira, 14 de março de 2016

Tem pessoas que quando acordam para ir ao trabalho precisam de tempo para recuperar o prazer de se sentirem vivas. Antes de levantar espreguiçam-se na cama estalando os ossos impregnados na carne e em nervos adormecidos, deixando ao relógio a tarefa de eliminar os resíduos de mau humor ocorridos no dia anterior. Todo o corpo está em dissonância, até a respiração fica ofegante precisando resgatar mentalmente alguma situação agradável para que o ato de levantar não se transforme numa tortura. Algumas vezes sinto isso, principalmente quando me sinto massacrado pela volúpia trazida pelo tempo quente e seco. Nestes dias de verão, ao abrir a janela e olhar o céu azul, não consegui receber lufada de perfume antes trazido pelo vento, e ao aspirá-lo senti foi o cheiro de fumaça oriunda dos veículos, chaminés e de capim queimado vindo dos lotes baldios. Tudo isso dificulta transformar o meu humor azedo num sorriso e ainda deixa-me em desconforto e sem vontade de experimentar o gosto de mais um solstício de verão.

Certo dia, nem sei o porquê lembrei-me quando era engraxate. Vi-me andando pelas ruas poeirentas de Goiânia carregando um caixa de engraxar sapatos sobre os ombros, sorrindo para o mundo, enquanto o vento acariciava meu rosto me deixando pra lá de feliz. Lembranças que me trouxe disposição, motivos para acolher o melhor e treinar meus olhos para as delicadezas que o mundo me oferecia. Olhei no espelho e fiz um exame diário de meu semblante, na tentativa de encontrar cicatrizes, pés de galinhas e olheiras que muitas vezes me impedia de ficar bem com a vida. De um constante observar, este exercício facial resultava na descoberta de falhas de comportamento, mas que podiam ser evitadas desde que reagisse com lucidez. Essa reação diária de lucidez eu sei que é fruto das meditações que faço para escrever minhas crônicas, assim como, de não reagir à violência com violência, seja ela de ordem física ou psíquica. Sinto-me mal toda vez que entro em conflito com alguém. Tenho horror a qualquer embate onde a agressividade seja a nota que conduz a discussão.

Ninguém está imune à inveja, mas não jogo cartas com ela. Não me interessa desafiá-la. Apenas a encaro, como a um inimigo mais fraco do que eu. Já vi pessoas próximas se sucumbirem, mesmo sendo ricas interiormente, porque acreditavam que outras não mereciam o que tinham. Estas ficavam paralisadas diante de um falso fulgor alheio e nem percebiam que estavam sentadas sobre uma mina de ouro. Invejar é uma maneira de vestir a vaidade de modéstia.  Por isso, acordar neste verão e sentir o gosto das manhãs chuvosas sempre foi para mim salutar; saborear o mamão, beber leite com café e mastigar um amanteigado pãozinho francês com gergelim também faz parte do meu cardápio; saber olhar o mundo com humildade e reverenciá-lo; entender que um dia a mais é um dia a menos na contagem de tempo de nossa existência; entender que devemos aproveitar cada minuto como uma criança que se delicia com uma  balinha de hortelã em sua boca sem se importar com o passar do tempo. Precisamos voltar a ser essa criança, nascendo quantas vezes for preciso e espreguiçar entre os lençóis embebidos por carinhos de nossa mãe.

Mas aquele dia parecia que seria diferente. Quando sai do elevador e pus os pés sobre a calçada senti um bafejo quente próprio de um planeta ameaçado. Nas calçadas pessoas estranhas cheias de dogmas se cruzavam, outras, paralisadas, como se fossem espectros humanos, com os olhos voltados rumo ao céu. Com o pensamento alhures tinha que continuar, seguir o meu trajeto, com expectativas, é claro, de encontrar um mundo melhor e mais humano ou, ser surpreendido por alguma coisa real ou surreal, um fenômeno qualquer, talvez vindo de outra dimensão ou do infinito universo de forma que pudesse servir de alerta aos seres humanos.

De soslaio, já na calçada, em pleno meio dia, também olhei para o céu coberto de nuvens enfumaçadas e foi difícil entender o segredo do universo. O sol, importunado pela imensidão de nuvens em suspensão na atmosfera, formava ao seu redor uma auréola multicolorida e parecia dizer: estou de olho nessa terra de desmandos! Não sei se foi num momento de puro cansaço, parei e comecei ver a vida passar, ou vidas passarem. Fiquei pasmo esperando o “acontecer naturalmente”, mas como demorou, cansei. Esperei os minutos passarem e nem contabilizei quantos, quem sabe se com eles não passariam também as dores, ansiedades, tristezas e mágoas. Em um desses momentos que só acontece comigo, me senti criança, pés descalços, andando pela calçada sem rumo e nada por acontecer, talvez perdido, todavia, quis o destino que um garoto com semblante triste, debruçado sobre sua caixa de engraxar e sem pedir licença, chamou-me à atenção e com uma cutucada nos ombros perguntou: Vai graxa doutor? E não é que o danado do engraxate me fez voltar à realidade!


Simplesmente mulher...

segunda-feira, 7 de março de 2016


A gente se encanta com tão pouco, com seu jeito tão simples, tão carinhoso, tão especial, tão encantadora, tão suave, tão sedutora. Há tempos aceitamos que elas, sem maquiagem, ficam também lindas. Não é verdade? E quando estão com os cabelos molhados, principalmente pela chuva? Dá uma sensação gostosa não? Sejam soltos ou presos, mas quando vemos enxugados pelo vento que passa veloz ficamos boquiabertos e aí nos encantamos com seu ar juvenil, é como se elas voltassem a ser crianças de uma delicadeza natural, sem igual, afinal, elas são genuinamente bonitas por natureza e disso nenhum homem discorda.

Algumas mulheres são tão preocupadas com a estética que às vezes nos assusta, todavia, gostamos também de apreciar uma boa produção, não tanto exagerada, mas apreciamos. E quem não gosta de desfilar com uma mulher bonita nos corredores de um shopping, cheirosa, maquiada, com o cabelo arrumado, um belo vestido ou uma roupa adequada como aquela que se usa para ir a uma festa, a um jantar ou cinema? Não há ego masculino que resista aos requintes da sedução feminina, muito embora a preparação não seja apenas para atrair apenas o homem desejado. Há muito mais entre uma calça jeans que ela usa ou um vestido comprido cobrindo todo o corpo. E os cílios postiços e lábios pintados, então? Será que a vã filosofia masculina é capaz de entender? De certa forma não, porque somos eternamente tolos e em certos momentos ficamos até abestalhados.

A mulher demora a se arrumar porque ela se arruma pra ela, pra sua auto-estima, para o seu bem estar e não pra gente. Mas ela está certa. Mesmo não sendo, quer se mostrar mais magra, até mais do que está e nem importa o que venham dizer. Mas fiquem atentos, pois ela se importa sim, principalmente com o que seu amado pode pensar e dos que outros homens também poderão pensar e admirar nela. Se dissermos que ela está assim, assim, assaz, não acreditem, desconsiderem a opinião e nem queiram saber. Cria-se uma relação de amor e ódio com o espelho, pois quer agradá-lo diariamente. Olha, olha, passa as mãos no cabelo, solta um leve sorriso e pergunta: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?” Ainda bem que espelho não ouve e nem fala. O pior é se perguntar pra o espelho não tão bonzinho se ela está gorda e ele responder, será que a resposta será sempre não? E presta atenção no que eu disse, sempre! Se for sim, no dia seguinte tenho a absoluta certeza de que fará matrícula numa academia e começará a tomar produtos para emagrecimento.

O fato da mulher querer estar linda o tempo todo é obvio e tem certo propósito: marcar território. E como aquele cachorrinho que anda pelas calçadas e quando sente cheirinho deixado por outro, vai ao local e faz xixi, o que quer dizer: “não faça mais aqui, pois este espaço tem dono”. Interpretando no caso da mulher: trata-se de uma alerta para as “periguetes” que tem a intenção de “dar em cima” de seu homem e até porque a oponente se acha mais do que é. Como diz o velho Pantaleão: Não é verdade Terta?! Pode-se afirmar também que é uma mútua antipatia espontânea, mas eu prefiro pensar que o cerne da questão ainda somos nós, meros e humildes seres masculinos.

Se você quer agradar uma mulher, não mande flores, apenas. Algumas nem gostam, mas sabemos que em tudo exceção. Na verdade fingem que não gostam para não parecerem frágeis. Sabe o que mais encanta mais a uma mulher é ganhar sapatos novos, um belo vestido, uma jóia, ou em último caso, se o marido ou namorado tiver disposição, cozinhar e ainda lavar os pratos. Mulheres não se permitem fraquezas, a menos quando querem chamar à atenção. Elas suportam uma dor por alguns segundos do que agüentaríamos a vida inteira, mas reclamam de um desconforto nas costas, apenas para ganhar colo, ou uma boa massagem com gel de arnica e um cheirinho no cangote. Mulheres é assim, uma ebulição de hormônios e, até nisso, os culpados somos nós.

Conviver com uma mulher é a arte da compreensão, ou vice-versa, porque não somos fáceis também de lidar. Não somos fáceis mesmo, mas às vezes só queremos ficar ali, esparramados no sofá, assistindo a um joguinho de futebol, passando de um canal a outro. Sabemos que elas precisam de atenção, mas justamente na hora em que nosso time joga e o meu, o Vasco da Gama é que está jogando, aí demais, então como devemos fazer? Sabemos realmente que precisam da gente e aí olhamos pra elas enquanto falam, esperneiam. Quanto a mim que continuo vidrado no jogo não interajo, mas como interagir se ela está manuseando o tal WhatsApp? Nem o larga. Enfim, que continue com esse famigerado celular, exclusivo dela, porque enquanto ela estiver usando-o assisto sossegado ao jogo.

Por fim, 08 de março, dia internacional da mulher, eu não poderia deixar parabenizá-las, assim como, de citar algumas frases da música “Mulher” de Martinho da Vila: “A mulher pode ser loira, morena, branca, ruiva, confusa, desequilibrada, carente, atrevida, acanhada, de guerra ou de paz,” Mas essas mulheres tão exaltadas pelo sambista esperam de fato é serem cuidadas, cativadas, conquistadas, amadas, e continuarem lindas, usando ou não seus vestidos de grife, moletons, calças jeans, ruges e batons.


Caminhando sem lenço, grana ou documento.

sábado, 5 de março de 2016

Não adianta mais gritar. Hoje ninguém pára pra ouvir. Apenas fazem mímicas, movem os lábios em busca da atenção das pessoas mesmo estando ao lado. Mas se a pessoa é cega e ainda pobre, pois se rico, tem ajudante, cadeira de rodas e até mordomo. É interessante o que eu quero dizer não acha? Dizer algo que você nem ouve ou tem interesse de ouvir. Será que assim é melhor? Não incomoda as pessoas que estão ao seu redor, ou não quer que elas ouçam. Pois é. Goiânia é uma bela cidade em que muita gente fica incomodada com tudo, mas tem que se incomodar, pois todos os dias assistem noticiários falando sobre assassinatos, roubos, assaltos à mão armada e como conseqüência, a morte de inocentes. Dias atrás uma jovem foi assassinada covardemente por não entregar o seu celular ao bandido. Ela não era pobre, mas isto não importa, o que importa é que a criminalidade está crescendo e realmente incomodando. Assaltam até cegos, mas vejam o que a sociedade encontra: pessoas maltrapilhas pedindo esmola para matar a fome, situação que deixa a gente com o estômago embrulhado. Certo dia eu escutei uma pessoa dizer a outra que teve câncer depois de comer alguma coisa estragada, fornecida por um empregado de restaurante de periferia.

Muito preocupante isso. Ter que me deparar com essa situação logo após meu café-da-manhã. Nem mesmo o mamão se sentiu bem no meu estômago depois que ouvi isso. É muito triste mesmo ver certas cenas logo de manhã. Impressiona também é a falta de sensibilidade que alguns governantes em relação a estes problemas. Se pelo menos não enxergássemos tanta pobreza como o cego... Deveriam, pelo menos, inventar óculos escuros anti-pobreza. Felizes são os cegos que não enxergam a pobreza, mas piores são aqueles que enxergam ou fingem que nada vê.

Enquanto meus olhos tentam se acostumar com tanta luminosidade, o corpo aquieta diante do ventilador que ameniza o calor. As pontas dos dedos eu as esquento manuseando o mouse ou digitando o teclado do computador que chega a ser inquietante ter que descrever tanta gente circulando freneticamente como se fossem cegos e outros fingindo não ver: os de terno que caminham em passos firmes, enquanto os descalços esticam as mãos, suplicando por alguns trocados.

Os cheiros de flores, de mofo, café fresco, sabonete barato, xixi e cocô de cachorro nas calçadas, perfume francês usada por uma transeunte, se misturam. No bosque, uma cigana me interpela e promete me entregar o nome de duas amigas falsas em troca de uns trocados. Mas não carregava dinheiro, estava sem lenço e documento. Todavia, fiquei encabulado e exclamei: Que amigas falsas, se eu não tenho!? Ao seu lado, numa pequena banca, improvisada com isopor, vejo muitas bugigangas, cartas de tarô e outros utensílios para mim desconhecidos, mas que me despertam para a realidade.

O relógio despertador toca sem parar, um barulho estranho para um simples relógio. Fujo daquele mundo estranho, insípido, inodoro e incolor, pois era hora de continuar com a caminhada matinal e estar desperto para aquelas coisas. Os olhos que se arregalavam, tentando decifrar o intento da cigana, o seu vai-e-vem de quem sabe o que quer, para onde quer ir ou chegar. Tudo se movimenta muito rápido e demoro a apressar o passo. As pessoas no calçadão vejam só, se mexem tal qual números, os números que tento acompanhar por mais ou menos uma hora tempo que dura a minha caminhada. Alguns delas são loiras, morenas, e outras nem cor têm talvez tomadas pela palidez de uma grande e cansativa caminhada.

Alheia a tudo isso, ainda se vê uma menina caminhando de mãos dadas com seu avô, de mais ou menos três anos, faz graça querendo andar na ponta dos pés, atravancando a passagem dos apressados. Ouvem-se resmungos, alguns avançam pela calçada. É a intolerância dos que precisam correr, não pelo exercício físico matinal, mas para pegar o ônibus, engolir a comida a quilo ou simplesmente voltar a trabalhar numa das empresas que os recebem com um relógio de ponto. Enquanto o corpo se aquece e os olhos se acostumam com o visual, faço a trajetória inversa. É hora de voltar. Uma senhora com cara de índia, sentada frente a um prédio, segura uma criança adormecida nos braços. Um cachorro magro de dar dó faz xixi na calçada e nem se dá conta do aviso que proíbe fazer o mesmo sobre a grama. Nessa hora, cruzo com um colega do trabalho que está saindo de uma farmácia e com um sorriso sarcástico e uma expressão de um gozador, me avisa: Caro amigo escritor: "O Lula acaba de ser preso pela Polícia Federal, a Dilma foi cassada pelo TSE e a as passagens de ônibus baixaram”. Continuei caminhando e só ouvia “panelaços” e “buzinaços”. Eram pessoas comemorando a ação da PF, todavia, a passagem não tinha baixado e nem a Dilma sido cassada ainda.




 
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