Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Bodas de "cabra macho".

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Diante do espelho de uma antiga penteadeira cuja moldura já estava corroída pelas traças Dona Francisca Cabribó observava seus cabelos compridos já grisalhos, às vezes os soltava ou os prendia no coque alto; rosto carcomido pelas intempéries do tempo, olhos cansados envoltos pela pele vincada por pequenas rugas; boca amarga travada para baixo, num desdém pelos sorrisos que já dera na vida, então pergunta a si mesmo se toda a sua vida é uma ilusão ou se é a corrosão de sua alma, do abandono de seus sonhos, do esquecimento de seus ideais ou de sua desistência da paixão? Evitava olhar no espelho e não mais importava ver como estava sua face que, talvez, quisesse esconder dela mesmo. Mas sabia ser difícil. Ela se lembrava sim, pois tudo fora diferente um dia e não tinha como esconder. Era cheia de energia, inquieta, transbordante, vivaz. Cabelos sempre bem penteados e por mais que ela vivesse em terra seca, árida e cercada por imensa caatinga, as maçãs do rosto estavam sempre coradas; os passos ágeis e os olhos arregalados, também estavam sempre prontos para absorver o mundo na sua totalidade. Num piscar de olhos vinha à sua mente aquela menina deslumbrada com a vida, correndo pela terra poeirenta de sol ardente como se estivesse carregando a tiracolo uma alma de criança. Sempre sonhou em morar numa cidade grande e viver de tear, confeccionar cobertas de puro algodão, bordar, tricotar, cujo ofício aprendera com a avó na Fazenda Serra do Cipó; casar-se com um príncipe encantado de cabelos loiros e montados num cavalo branco fossem para uma cidade grande e juntos, freqüentarem museus e ver obras maravilhosas, gente diferente e comerem guloseimas nos cafés oferecidos nos quiosques esparramados pela cidade, e à noite, se amarem no chão com loucura, sobre os tapetes bordados por suas mãos e pelas mãos angelicais de sua avó Ambrosina.

Quem não traz consigo um sonho não realizado? Quem não traz lembranças agradáveis de tempos de criança? Quem não se lembraria das brincadeiras de roda, amarelinha, passa anel, peteca, pata-choca, pular corda e tantas outras invenções, pois naquele tempo elas não tinham as dificuldades encontradas nos dias de hoje, pois tudo está colocado à disposição, mas havia outras opções para se divertirem? Pode ser saudosismo de dona Francisca, mas é importante voltar um pouco no tempo e recordar as horas em que se divertiam, inclusive, jogando conversa fora ou combinando traquinagem com as amigas.

Mas tudo tem o seu tempo e certo dia, contrariando todo um sonho, conheceu um jovem peão boiadeiro e logo se encantou com ele. Começaram a namorar. No começo mais parecia empolgação, depois se tornou sério e em pouco tempo, veio à aprovação da família. E, quando ela se deu conta já estava “amarrada” ao gajo, sentindo-se, talvez, que não era aquela vida que queria para si, mas de nada adiantava, pois já estava tudo consumado. Noivou-se. Sua família já olhava o casal com expectativa. Enquanto os sinos badalavam Francisca pensou em desistir e andou pela nave da igreja como o coração apertado. O jovem peão a esperava sorrindo e ela não resistiu ao seu encanto e se entregou. Casou. Teve doze filhos, netos e bisnetos. Grandes alegrias tiverem. Algumas tristezas também. Um amor ora era quente, ora morno. Rotinas de dona de casa eram o normal. Suas telas que foram trabalhadas pacientemente no tear iam se apinhando nas paredes da sala. Linhas de várias cores iam formando os desenhos imaginados e desenhados numa folha de papel. Os anos se passaram e certo dia, festivo, passou frente ao espelho ainda cheirando coisa nova, moldura mantendo resistência ao tempo, deu uma olhada de soslaio e se preparou para descer ao salão já ornamentado, onde encontraria toda a sua família e o marido, exceto a outra, a concubina, dia em que iria comemorar suas bodas de diamante, que ele insistia e até se vangloriava em chamar de “bodas de cabra macho.” Talvez fosse normal naquela região nordestina o homem convivesse com uma ou mais mulheres, cuja razão se desconhece.

Ele estava completando sessenta anos de casamento com Francisca Cabribó e noutra região não muito longe, a sua concubina Saturnina Fricó e seus doze filhos, mesmo sem sua presença, comemoravam também as bodas de diamante. Francisca Cabribó ficou sabendo da concubinagem poucos dias depois do seu casamento, mas mesmo assim, independentemente dessa famigerada convivência conjugal dupla de seu marido, procurou manter-se sóbria, feliz e suspirava todos os dias, pensando de como seria sua vida se tivesse feito outra escolha. Antes de descer a pequena escada do casarão feito de assoalho de tábuas e paredes de puro adobe olhou para um dos seus quadros pendurados na parede onde se via bordado uma paisagem primaveril, que ela extraíra de uma região que jamais conhecera e de outro lado, outro quadro, com uma foto, um peão, mas sem o cavalo branco, estava junto com um homem de olhos azuis, calvo, sentados num banco de madeira olhando os filhos brincar ao entardecer. Na foto tirada há décadas por um lambe-lambe, não era o tão sonhado príncipe encantado. Era o seu marido Manoel Justino. Todavia, como o amor falou mais alto, olhou mais uma vez e sua boca travou-se na emoção e no amargor que não vinha do café com açúcar que costumava adoçar todas as manhãs. Deu um leve sorriso e prosseguiu...

Sentado num confortável banco de madeira Manoel Justino jogava conversa fora com os filhos e amigos, mas os seus olhos não deixavam de contemplar o cair da tarde no pequeno sítio Mandruvá no interior do Ceará. Pela ribanceira um filete de água cristalina descia serpenteando entre os declives da mata nativa, cercada de pedregulhos, brejal e coqueiros, dando vida ao local e pouco adiante, cair em cachoeira, e por onde passava ia transformando em campos verdejantes, fazendo os ventos brincarem de montanha-russa e roçar os pés de mandioca e milho que se alastravam pela ribanceira até alcançar a parte do córrego Mandruvá, nome que deu origem ao sítio. Indiferente a tudo, as águas não viam as horas passar e tampouco tinha tempo para parar e ouvir as prosas contadas por Manoel Justino.



Carolina, a guerreira.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016


Ontem, 15 de novembro, comemoraram-se em todo o Brasil a Proclamação da República. Hoje, no entanto, mesmo sendo de suma importância essa data para os brasileiros, eu deixo de escrever aqui sobre este ato solene ocorrido há mais de cem anos. Se me permitem, quero é falar da saudosa Carolina que no dia 15 de novembro de 2011 se foi pra outra dimensão deixando além da saudade, uma história de vida exemplar, vivida nesta terra com muita honradez, humildade, garra e perseverança. A cada dia quando me lembro dela aprendo com meus erros ou acertos o quão é importante é saber que todo o dia vivo algo novo. Aprendo a vislumbrar o hoje e o dia de amanhã de uma forma diferente do de ontem e vivê-lo intensamente com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada momento vivido é uma bênção de Deus. Sei que ela passou dias difíceis naquele leito de hospital. Mas a vida é assim. Tem situações que parecem complicadas e custamos a entender. Pode ser incompreensível para muitos em se tratando de morte, não obstante sabermos que um dia ela virá com todo o seu mistério e que jamais será desvendado porque só Deus sabe o momento de subirmos ou descer os degraus da vida e nos mostrar o caminho da luz. Cercada de virtuosidades, dona Carolina deixou esta terra depois de uma luta intensa pela sobrevivência e ontem, quando se completou cinco anos de seu falecimento, senti-me novamente tocado pela dor e saudade restando-me a  reflexão e o desejo de lembrar-se do seu passado feito de muita garra, amor, sabedoria e virtude

Quais dos filhos não se lembrariam daquele pequeno ônibus onde ela, juntamente com eles, deixou a pequena cidade de Morrinhos, em busca de um novo lar, de uma vida melhor na Capital. Pela estrada de chão, esburacada, o ônibus seguia célere deixando para trás uma poeira fina que se esparramava com o auxílio do vento, apagando imagens de um passado como se nela tivesse sido impregnada a borracha do tempo, e lá dentro, sacudidos pela trepidação, outros passageiros também sonhavam com um mundo melhor, mas, receosos de não conseguirem alcançarem os seus intentos seguiam silenciosos. Pela fresta da janela passava o vento que acariciava o seu rosto triste, mas não impedia que sua mente contabilizasse os quilômetros emplacados estrada afora, e de forma sutil, seus olhos ainda tinham a sensibilidade de contemplar a natureza, cujos vales, serras e montes iam passando velozmente à medida que o veículo seguia rumo ao seu destino. O seu semblante jovem transpirava dor e saudade do esposo que falecera de forma trágica, no entanto, mesmo assim, soube manusear as rédeas do destino, frear e puxar  o cabresto que construiu usando cordas de ternura que acostava aos filhos, para, no momento certo, poder puxar, exigir ou se recusar, até de forma obstinada, qualquer coisa que lhe contrariasse ou entristecia seu coração.

Naquele ônibus, antes de afundar no seu mar de sonhos Carolina sabia que mais adiante, mesmo sem teto, não poderia se curvar diante das adversidades que surgiriam, pois teria que sustentar e agasalhar nove filhos,   talvez, fazendo faxinas em residências ou usando os carrinhos da vida para buscar peças de roupas em bairros distantes, lavá-las no tanque da integridade e pendurá-las no varal da vida sob um sol escaldante. Tempo em que talvez não tenha contabilizado; tempo que lhe consumiu o corpo e fez aparecer os     primeiros cabelos brancos protagonizados por este mesmo tempo.

Carolina viu os seus filhos crescerem imbuídos de responsabilidade, honestidade, dignidade e respeito ao ser humano. Carolina que mesmo doente se preocupava com tudo, cuidava de todos com esmero e carinho, servindo-se de modelo para seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos, fazendo-os entender que o amor faz gerar sorrisos e que amar significava querer mais e mais de uma pessoa. Ela foi assim: sempre procurou ensinar corretamente, de forma que todos pudessem compreender os seus próprios sentimentos, quando na verdade, poucos compreendiam e, muitas vezes, lhe pedia aquilo que não podia dar.

Ontem, 15 de novembro, quando se completou cinco anos de sua “passagem” para outra dimensão, ela continua pulverizando sobre todos que a rodeavam, o amor e virtudes. Foi com ela o sorriso angelical; foi com ela o jeito simples de fazer crochê e tapetes que eram montados com retalhos de tecidos multicoloridos; foi com ela a vontade férrea de viver; foi com ela a batuta que regeu, como um maestro, a vida de cada um de seus filhos, tudo embalado pela sinfonia de sua própria vida. Mãe Carolina, seus filhos reconhecem que você deixou um legado de carinho, amor ao próximo e virtuosidade, por isso é que todos a consideram uma guerreira.  Mãe desculpe por escrever este texto como se eu fosse um escriba, todavia, o fiz assim para poder registrar nos anais da história a sua vida e ao final dizer-lhe: Mãe Carolina, você foi uma guerreira, amparou os seus filhos, me transformou num homem justo, ensinou-me o caminho da retidão e a defender os injustiçados. Caros leitores, ao finalizar, eu não poderia deixar colocar uma frase que vi num calendário: “Há muita dor que precisa ser curada, há muito choro  sufocado, há muita injustiça para ser vencida. Em tudo isso, a certeza de que só Deus é a resposta. Deus não explica a dor, mas, na cruz, ressuscita a esperança e o amor”


Festa do folclore em Goiás

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Nos dias 17 e 18 de novembro, na Vila Cultural Cora Coralina, será realizado o 1.º Encontro das Comissões Municipais de Folclore com participação de várias cidades, sob a coordenação da Comissão Goiana de Folclore, presidida pela senhora Izabel Signorelli. Seja através do folclore ou não, sabemos que a arte é uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, jeito de vestir, harmonia, equilíbrio. A arte pode ser representada através de várias formas, em especial, na escultura, na pintura, no cinema, e principalmente, no que tange ao folclore, que é o tema do qual ora pretendo comentar. Sabemos também que há milhares de anos a arte foi se evoluindo e ocupando um importantíssimo espaço na sociedade, haja vista que algumas representações de artes são indispensáveis para muitas pessoas nos dias atuais. Esses trabalhos artísticos assim como o folclore, são capazes de nos deixar boquiabertos, sejam diante de telas, sejam através de trajes típicos, sejam através das danças e estilos musicais regionais, todos massageiam o nosso ego, trazendo pura magia e expressões surrealistas que nos deixam atônitos, encantados. Em seu artigo “O folclore avança em Goiás” o escritor Bariani Ortêncio disse: “O folclore é a sabedoria do povo. E esta sabedoria vem passando das pessoas simples que recebem dos seus ancestrais, de geração a geração, dos analfabetos até os instruídos. “E o folclore não fica só com o povo simples, sem instrução; chega à sociedade, às camadas cultas, influi e incentiva as letras e as artes”. È a mais pura verdade!

Muitas pessoas dizem não ter interesse pelo folclore ou por movimentos ligados a ele, porém o que elas não imaginam é que esta arte nada mais é que a tradição e usos populares, constituído pelos costumes e tradições transmitidos de geração em geração. Todos os municípios sejam de qualquer parte do Brasil possuem suas tradições, crenças e superstições, que se transmitem através das tradições, lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo. A arte folclórica é praticada em todo o mundo, em diferentes culturas. Quando Bariani disse em seu artigo que o folclore incentiva as letras e outras artes, concordei plenamente, pois foi através dele também que me enveredei pelo mundo das letras, escrevendo crônicas, poesias e romances, sempre tendo nas entrelinhas de cada texto um pouco dessa arte milenar. É importante observar que essas coisas não se governam, elas tomam conta da gente e fazem a gente sonhar com o possível e o impossível.

Os artigos, crônicas e poesias escritas semanalmente em jornais por grandes escritores e articulistas, também é uma arte que muitas vezes nos trazem o espanto, um sentimento corriqueiro ou um acontecimento inusitado que pode abalar a sociedade em razão de sua contundência. Os escritores que escrevem no seu habitat gostam do silêncio porque ele o faz viajar no mundo da imaginação e o barulho, por menor que seja, os espantam, tiram deles a máquina imaginária que poderia trazer, no último flash, uma resposta plausível à sociedade. A Arte seja a pintura, a música, a dança, o cinema, de uma maneira geral é uma coisa imprevisível, é descoberta, é uma invenção da vida, já o folclore, vai mais além disso, pois ele é sinônimo de cultura popular e representa a identidade social de uma comunidade através de suas criações culturais, coletivas ou individuais, e é também uma parte essencial da cultura de cada nação.

A arte está em toda parte e, por mais simplórios que possamos ser, por mais embrutecidos que venhamos a ser, cada um de nós tem a noção da beleza e a arte atua em nossa vida, nas suas mais variadas formas. Todas elas são necessárias, porque é só através da arte que o homem inventa o mundo em que vive e todos nós estamos em maior ou menor grau, dependentes dela. Observem que o homem do sertão, que por si só, já é um artista por natureza, pois quando ouve o cantar dos pássaros sabe que já é época de acasalamento ou de alçar os primeiros voos ou quando se reúne em volta da fogueira para contar seus causos de saci, onça pintada, vampiros, quadrilha, festa junina, tudo é folclore, o qual nada mais é do que a reinvenção da vida através da beleza da arte.

Todos nós artistas sabemos que a arte trabalha com outros elementos que não a razão e emoção e quanto a isso devemos lembrar que o folclore não é um conhecimento cristalizado, embora se enraíze em tradições antigas, mas ele se transforma no contato entre culturas distintas, entre migrações, e hoje graças aos meios de comunicação principalmente através internet é que vemos expandir essa arte que pode ser vista ou vivida por pessoas que dizem desconhecer. Cabe a UNESCO orientar as comunidades no sentido de bem administrar sua herança folclórica, sabendo que o progresso e as mudanças que ele provoca podem tanto enriquecer uma cultura como destruí-la para sempre. A arte folclórica não quer agradar, ela não busca o agrado, ela busca um sentimento que nos tire do chão, que nos leve para um lugar onde não frequentamos em nossos dias comuns; ele nos entorta a cabeça, nos faz pensar, e às vezes, duvidar de tudo aquilo que presenciamos a olho nu. A vida, comum, não é o suficiente, deve-se procurar algo além dela, pois se ficarmos parado, mesmo que metaforicamente, é o primeiro passo rumo à morte e isso o artista não almeja. Se o artista optar apenas pela sobrevivência e não pela expressão máxima do que é o prazer pela própria vida de nada adiantará uma bela apresentação sobre um palco, ruas ou praças. E como disse Bariani Ortêncio: “Estudar o folclore é estudar o próprio povo, com tudo o que lhe diz respeito. É o exemplo, como vimos,  de tudo o que vem do passado, transmitido através das gerações”. Mais uma verdade dita pelo mestre, pois o folclore no eleva e nos transporta a um mundo surreal, e é graças a ele que nos escritores romancistas e poetas viajamos em busca do improvável e isto nos deixa encantados e fascinados pela vida.


O andarilho e os obstáculos da vida...

domingo, 30 de outubro de 2016

Andava devagar, não tinha pressa e nem onde pretendia chegar. À minha frente uma luz brilhava intensamente e como por encanto, se aproximou de mim numa velocidade incrível e nem dei conta de contabilizar quantos segundos, apenas a vi se chocar contra o vento, que mesmo frio, me fazia gostar de viver caminhando sem rumo naquela estrada que delineei, mapeei e nem me importei de colocar nela um final. O vento frio passava e acariciava o meu rosto, abri os braços e senti-me flutuar, mesmo sem o auxilio do vento.

A cada passo meu coração batia descompassado, e á medida que a luz se aproximava tudo se alegrava ao meu redor, e o clarão serviu para me alertar que tinha pedras pontiagudas no chão. A estrada, de tão fria e úmida parecia realmente não ter fim. Uma estrada de terra de chão batido, ladeada de imensos arvoredos, capins, e entre eles se viam pequeninas flores brotarem. De longe tinha a certeza de que o caminho que seguia talvez não fosse tão importante assim, pois o destino pertence a Deus - porém o mais importante era a viagem despretensiosa que fazia. Ah Sim! Não há prazer maior de que estar sempre de malas prontas, mas naquela caminhada estava sem elas, levava apenas uma mochila nas costas, como a um andarilho que põe o pé na estrada e se deixa levar por ela, seja retilínea, seja curva, seja longa, mas seguia para o seu bel prazer, sem se importar se ela tinha ou não um final.

Os meus olhos brilhavam ao ver os primeiros raios de sol iluminar a terra e a lua desaparecer soberba no horizonte poente levando a noite consigo. Eu estava tranquilo, sereno. O sol extremamente quente fazia desaparecer a névoa fria e úmida à minha frente e ainda levava o brilho cintilante como estivesse transpassando um tênue véu branco, e mais do que o suficiente para amenizar o frio que me abraçou durante a noite. Mas uma vez sentia o vento passar veloz e assobiar em meus ouvidos e emaranhar os meus cabelos como se tudo ao meu redor já fizesse parte da sofreguidão de um andarilho. Seguia sem rumo certo, cruzava com outros andarilhos, ora em estradas de chão, ora asfaltada, e sem pestanejar acenava pra eles e prosseguia, mas sempre com o olhar atento naquela estrada sem fim.

Têm momentos que alguns caminhos não nos levam a lugar nenhum; têm momentos durante a caminhada que não devemos esperar nada no seu final, mas não devemos parar de seguir e nem deixar de lutar. Levantar quantas vezes puder mesmo se o caminho estiver cheio de pedras e espinhos. Pesadelos têm e podem trazer medos que assombram a nossa vida, nosso caminho, mas desistir jamais. Estar escrevendo neste momento me fez lembrar a palavra apatia, então, o jeito foi parar e pensar se estava apático mesmo. Daí pairou um silêncio no meu olhar que me fez desinteressar em procurar o rumo que devia seguir. Entendi, porém, que não podia mais parar principalmente naquele instante quando eu me encontrei ou encontrei a mim mesmo. O impossível numa estrada deserta de encontrar alguma coisa que alimente nossa mente, alma e espírito é só uma questão de tempo, mas quanto a mim, foi importante relembrar dos momentos que andei, às vezes com pés descalços, assim como, dos locais e situações em que me encontrava e me obrigavam a parar. Chão batido e poeirento, asfalto quente, terrenos férteis e inférteis, ilusões, enganos e desenganos, viajem solitária sem se sentir na solidão, era a sina de um andarilho principiante. Cair e levantar durante a caminhada entre pedras pontiagudas e trilhas estreitas cheias de espinhos trazia medos que sempre assombravam, podia ser difícil, mas não tão impossível, pois ao caminhar por quaisquer estradas somos desafiados a vencer obstáculos e superar todos os tipos de atropelos que a vida nos impõe dia a dia. Mas para sermos vencedores, temos que ser otimistas e coragem suficiente para transpor obstáculos que encontremos pela frente para, ao final, transformar nossos sonhos em realidade.


Vida e Morte andam lado a lado.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Já lidei várias vezes e bem de perto com a morte. Todo o dia relembro-me dos momentos fatídicos, seja do primeiro acidente que sofri junto com outros amigos quando o veículo em que viajávamos capotou; seja durante as várias cirurgias que fiz com grau de risco muito grande, cujos desfechos provam que lidei de perto com ela, ou expressando melhor, ela é que esteve muito perto de mim... Sei que ela existe e isso ninguém pode negar e que, inevitavelmente, apesar de ser a maior inimiga da nossa existência, vida e morte andam lado a lado e o jeito é não vacilar, respeitando a Vida e encarando a Morte com naturalidade, mas sem subestimá-la e desrespeitá-la. A nossa vida pertence a Deus e só ELE pode tirá-la de nós e qual o momento de nos enviar a “passagem”. 

Já lidei de perto com a morte desde criança. Quantos entes queridos e amigos que se foram para outra dimensão, como a minha mãe, por exemplo, que deixou para os filhos e netos o legado de mulher guerreira e que fora levada pelo tempo, sem motivo, como se ela fosse uma simples folha seca... Era uma mulher sem realeza, que à noite, assim como nós, mesmo com os olhos embaçados, também debruçava na janela, sem nada a reclamar, sem expressar sorrisos, ou sem sentir-se dominada por um exército de gente que não procurou entender e nem saber que ela também sonhava. Quanto ao meu pai que faleceu ainda jovem e eu só tinha apenas cinco anos, então, nesse caso, não posso dizer que não cheguei a lidar com a morte. Lidei sim! Tenho uma vaga lembrança dele, inclusive, do dia em que o vi pela ultima vez com o corpo estirado no chão sendo queimado por fios elétricos de alta tensão. É vago, mas minha mente ainda relembra os  matos  verdes e capins que não resistiam e quedavam-se diante das labaredas elétricas. Devo confessar que nem chorei, porque os caríssimos leitores hão de compreender que era apenas uma criança e para mim aquilo era surreal, incompreensível. Parecia um filme de terror que a mim devia ser proibido. Diria até que o que senti era apenas uma forma heurística, uma verdade que não aceitava e que podia me inculcar ou quedar-me diante de um exercício de alquimia, mas era pequeno demais para entender aquilo, sobre o que é ser morte ou sobre a existência ou não de coisas filosofais. Era pequeno demais para entender aquela cena e compreensível os fantasmas não me perseguirem e não quererem me adotar. Achei esquisito como a morte se apresentou para mim pela primeira vez, daquele modo, ainda criança, de forma tão violenta e cruel. Eu era apenas um menino a ser lapidado que necessitava primeiro ser carbono, ter a temperatura elevada para me tornar valioso, pois a ausência nem sempre evolui para a saudade, mas em relação ao meu pai, as duas evoluíam sim. Foi uma experiência pela qual passei, mas que de uma forma mesmo vaga relembro, abraçando com minha irmã caçula como se tivesse acontecido à outro ser vivente e não em relação a mim.

É correto e entendível dizer que quando uma pessoa morre o mundo não morre com ele. A vida continua, é como se nada tivesse acontecido, é como se a Terra contabilizasse menos um ser vivo a habitá-la. Quando uma pessoa morre se de forma violenta, ou calmamente, na UTI de um hospital, em casa rodeada pelos seus familiares ou num beco frio e escuro, acredito que não seja difícil pra ela. Morreu e pronto! Mas existem pessoas que antecipam sua morte, quer por depressão, motivo vil, transtornos mentais ou psíquicos, suicida-se. Morte natural, acidental ou suicídio todos param de pensar, de respirar, de falar, de sentir... A morte não é difícil para os partem para outra dimensão, mas para os ficam sim. Para nós viventes o mundo não pára. O mundo não pára assim como a Terra também não, mas toda a vida dos que permanecem e assistem à partida de um dos seus entes queridos, pára, mas é compreensível. Para eles a vida pode parar, mas teimoso que sou e de ter vivenciado tantas mortes e sobrevivido a tantas em relação ao que passei, descobri através da escrita a fórmula mágica de entender tudo isso e de alguma forma levar mensagens de fé, otimismo, esperança e dias melhores às mais longínquas regiões do mundo. È importante salientar que enquanto milhões de seres vivos na terra deixam de respirar, outros milhões ou quiçá, bilhões nascem. Mas no meio desses milhões quando alguém próximo de nós morre tudo é diferente... Sentimos a dor da morte desse alguém que amamos é pesaroso, o coração dói e lágrimas saem. Por momentos, desejamos poder partir também ou imploramos para aquele que partiu para outra dimensão, volte.

Com o seu passamento derramamos lágrimas de pesar, mesmo que essa forma de expressão nos pareça pouca para tanta dor e sofrimento que sentimos. Vêm notícias que nos pegam de surpresa: a perda de entes queridos, mais uma pessoa amada, mais uma alma que se vai. Ouço pessoas amigas dizerem que perdeu uma avó, pais perderam mães, filhos em acidentes e vice versa. A TV ou em jornais noticiam que o mundo perdeu uma pessoa extraordinária, uma celebridade, no entanto, a vida continua. É horrível dizer isso, é doloroso, mas não temos alternativa para expressar palavras mais acalentadoras. É horrível sim perder alguém que foi tão especial para nós. É horrível não saber o que fazer para consolar a pessoa amiga que acabou de perder parte de si.

Mas acredito que todos nós temos uma alma. E que a morte não é o fim. Não verdadeiramente. Devemos acreditar que a alma dos avôs, dos pais e dos filhos que se foram está neste momento no Paraíso, felizes, talvez como nunca estiverem antes. Suas vidas foram desatadas e chegaram ao fim, mas todos irão continuar a viver no coração de cada um de nós. Não se vive para sempre, mas deve-se viver no coração das pessoas que os amavam. Uma pessoa nunca morre realmente se a mantermos viva em nossa mente e coração.



No topo do meu diminuto mundo.

domingo, 16 de outubro de 2016

A crônica é um texto curto que trata de fatos do cotidiano com lirismo, muitas vezes, acompanhado de frases de efeito, de reflexões e críticas. A crônica que ora escrevo eu a caracterizo como argumentativa, pois ela não se limita a retratar um fato, um local de pequenas dimensões, mas sim poder formular uma tese e me defender com argumentos precisos. Demonstrar que quando falo em “diminuto” não quer dizer que o meu mundo seja tão pequeno assim, apenas não quero apossar de outros que orbitam à minha volta. Nesta crônica que intitulei: "No topo do meu diminuto mundo", quero abordar o tema “como escrever para alcançar corações sofridos e sentimentos vários” e quiçá, talvez, usá-la como recurso para obtenção da fama e de como chegar ao topo. A tese apresentada por mim é de que: "ser famoso ou reconhecido na sociedade por qualquer pessoa é mais que um sonho: é uma exigência de nossa época. Cada um faz o que pode para se sobressair e deixar seu nome nos anais da história e isso ninguém pode negar. Quais seriam os argumentos que devo utilizar para sustentar minha tese? Você é contra ou a favor dessa prática?

De certa maneira, quer queiram ou não, todos nós queremos ver nossos nomes escritos por aí, nem que seja ter uma simples foto ou nome estampado em jornais ou revistas. Quanta gente não daria tudo para aparecer na televisão, participar de programas de auditórios que são assistidos por milhares de pessoas. Como já disse e repito: Ser famoso é mais que um sonho: é uma exigência da nossa época. Cada ser humano faz o que pode para se sobressair: uns praticam no futebol, atletismo, judô e tantos outros esportes, outros se destacam na matemática e física. Em política nem se fala. Ganhar as eleições é de menos, pois o negócio é aparecer uns segundinhos na propaganda eleitoral gratuita ou ver seus santinhos distribuídos nas ruas. Mas se a vida, por um lado, nos apresenta uma infinidade de caminhos a seguir, em muitos deles recebemos um “não” e até batem a porta em nossa cara. Mas convenhamos, existem as circunstâncias que são muito mais fortes que os nossos planos. Por exemplo: se você já estivesse com a idade avançada, filhos pequenos para criar, desempregada e surgisse uma oportunidade de emprego numa fábrica de cimento, dificilmente diria "não, obrigada. Trabalhar com produção de cimento não é a minha ambição na vida e tenho alergia a pó. Você finaliza e diz: Quero é ser veterinária e trabalhar com animais de estimação. Para o pessoal que tem o nome escrito na roupa e o símbolo da empresa no bolso nem ligam, pois o mundo não é esse, e os sonhos de liberdade e múltiplas escolhas que às vezes acreditamos ser, principalmente quando vivemos em um diminuto mundo, só a gente imagina como ele é.

O mundo que idealizamos talvez surreal, pode se tornar uma contradição em relação ao mundo real. É certo que ouvimos por todos os cantos: faça o que você quiser! Ouse, sonhe, vença e escolha seu próprio caminho! Seja original! Destaque-se no meio social em que vive! Noutros cantos, no entanto, encontramos todas as limitações da vida: quem tem estatura pequena jamais será jogador de basquete ou brilhará entre os grandes zagueiros de futebol; quem nasceu em uma favela dificilmente será diretor de uma multinacional ou se você é gordinho nunca será escolhido para praticar atletismo e terá dificuldade para se tornar modelo. Exemplos são muitos, por isso temos de fazer com que em nosso diminuto mundo nada disso aconteça, pois nele podemos tudo.

Quando era garoto já começava a perceber que meu futuro estava muito mais além do que a instalação de persianas ou da caixa de engraxar sapatos. Foi a primeira vez que usei um uniforme personificado e achava engraçado, pois todos liam o meu nome na etiqueta colada no bolso da camisa. Achava legal e até passei a gostar do meu nome, mas não da profissão, pois eu almejava coisa maior. Ao montar as persianas nas janelas de um prédio até me sentia nas alturas, no topo do mundo. Mas outros também se sentiam e a gente disputava espaços. Nos outdoors, me colocaram uma vez, no entanto fiquei de costas para as ruas. Ninguém via o meu rosto ou ficou sabendo que aquele profissional dependurado na escada era eu, mas de qualquer forma, me sentia feliz de estar naqueles outdoors, pois a mensagem dizia: Ouse como esse profissional! Faça bem feito e observe como ele faz! De certa forma, acho que foi a primeira vez que me senti no topo mesmo dependurado numa escada, pois é mais ou menos isso que um instalador de persianas ou qualquer outro profissional fazia ou ainda faz: conquistar durante alguns dias a fama aparecendo nos outdoors instalados nas ruas, avenidas e lotes baldios das grandes cidades. Pode ser que alguns terão dificuldade para chegar ao topo da sociedade, mas o seu nome sim basta você querer.


Por que voto em meu Xará?

segunda-feira, 10 de outubro de 2016


Hoje em dia o assunto política é discutido por pessoas de várias classes. Algumas completamente leigas discutem o assunto com a maior convicção, se acham certas e nem se preocupam em pesquisar a vida ou o modus operandi de cada candidato; pessoas que dizem não gostar de política tentam justificar porque votou nulo; pessoas brigam cada vez mais por partidos, mas sequer conhece a história deles, os seus antecedentes, qual a forma de governo, simplesmente brigam por eles, como se fosse uma torcida por um time de futebol. Pessoas brigam, perdem até amizade e os eleitos, adversários, se abraçam, depois negociam cargos com o mandatário maior, tudo para receber benesses e do outro lado, o executivo ter maioria no legislativo para aprovar o que quiser. Há também os que vendem, revendem ou trocam seus votos com a maior naturalidade e no final ainda se gabam espertos. Pobres coitados, sim, pobres! Não sabem o valor de seu voto, que ele pode mudar a história, o significado e a importância da política para sua cidade. Os vereadores oportunistas estão em galhos diferentes, mas quando eleitos o objetivo é um só, pular para o galho do vencedor, pois este lhe renderá mais. Criticam tudo: a educação, a saúde, a inflação, o desemprego, a bandidagem, a corrupção, o sistema prisional, o trânsito, e muito mais. O tempo passa, mas as frases de campanha continuam as mesmas. Poxa! É por isso que tudo continua o caos, do mesmo jeito quando foram eleitos em pleitos anteriores e voltam com as mesmas promessas. E o motivo de tantas críticas é que todo esse descaso e abandono o eleitor conhece de perto, conhece mesmo, mas também não faz nada para mudar, principalmente quando tem a ótima oportunidade, o seu voto, assim como, os políticos vigaristas que nada fazem para o desenvolvimento da cidade, ou quiçá, do Estado e ou mesmo o País. Dizem que existe o analfabeto político, esse tem a benesses do governo que lhe oferece tudo e também nada faz e além do mais, nem importa se em quem votou está roubando, pois o negócio é defender o seu quinhão e ele nem está nem aí para a sua cidade. A responsabilidade maior referente à administração de uma cidade é da sociedade, pois é a sociedade que elege seus administradores, e elegem por eleger, sem ter interesse, sem querer informar, sem conhecer. Isso gera cada vez mais desigualdades, desorientações, manifestações, insatisfações, dentre outras mil frustrações. É hora de se atentar, é hora de mudar. Escolher um candidato que seja bom gestor e administrador que mostrará resultados e não em um candidato que vive ou sobrevive somente de política ou de fazer politicagem.

Olhamos as propagandas políticas escritas e televisivas e constatamos que são os mesmos, uns com mais de quarenta anos em busca de mantença do poder e não da prestação de serviços à sociedade em que vive. É a tal falta de opção ou surgimento de novas lideranças. Mas quando surgem, os caciques que dominam os partidos há dezenas de anos simplesmente anulam essas lideranças. Há anos vivemos momentos de agonia na pura acepção da palavra. Nossa Goiânia, cidade bonita, fraterna, graciosa, mas mal administrada, é velada por cerca de mais de um milhão de eleitores que vêem na corja política dominante a falta de opção pela cidadania, pelo crescimento ordenado e pela educação, algumas das opções para as gerações futuras, entre outras necessidades de uma cidade que como se vê, está na mídia descambando para os assaltos, as chacinas, e para o crime organizado O que incomoda e me preocupa não é o grito dos inocentes, das pessoas estupradas, das que estão morrendo baleadas ou a facadas nas periferias; o que me incomoda são o silêncio dos bons, nas suas belas casas, condomínios fechados e apartamentos, na posição de observadores passivos, que nada ouve vê ou fingem. Buscar culpados para a situação em que se encontra Goiânia é a mesma coisa que olhar para os nossos bosques num domingo de sol. Têm muitos caminhantes... mas acredito nem todos são culpados. Ou talvez, uns mais, outros menos. Quanto a isso até eu me penitencio, mas procuro dentro dos meus limites não fazer parte do grupo do “silêncio dos bons”.

Certamente que me penitencio, pois quem tem um pouco mais de esclarecimento e educação pode e deve ter também, um pouco mais de culpa e muito mais vergonha. Nossa cidade chegou à mídia nacional e internacional por crimes violentos, tentativas de homicídios, atos que causam horror, inclusive entre menores, e muitos crimes que nos deixaram estarrecidos, que felizmente, permitiram que fossem descobertas suas trajetórias. Só os cegos, os irresponsáveis, insensíveis, não percebem que devem se aglutinar a um ou mais dos cidadãos bons de nossa cidade. É preciso que os bons comecem a se juntar, ainda que isso comece com poucos. Não podemos sim, e jamais nos contentar com o silêncio. Nestas últimas eleições já mudamos muita coisa, mas é preciso continuar a “limpeza”. É tempo de mudança. É tempo de reconstrução. O passado bom deve servir de exemplo e ficar nos anais da história e nas prateleiras de museus, o ruim, deve-se jogar no lixo.

Os indivíduos precisam ter no mínimo caráter, educação, experiência e vontade de fazer com que o Goiânia tenha o seu verdadeiro lugar na mídia, pois ela é uma das melhores cidades para se viver, povo receptivo, de uma beleza natural sem igual com praças e ruas arborizadas e detentora de um crescimento vertiginoso incomparável. Goiânia merece ter pelo menos a chance de ter desta vez um prefeito gestor que possa deixar a marca do seu trabalho, tirar o nome de nossa cidade das páginas policiais, que possa melhorar a saúde pública que o povo mais quer e que está um caos; implantar novos métodos educacionais e valorização da educação e do educador; dar novos rumos ao transporte coletivo, e quiçá, solucione de vez a vida do cidadão, enfim, devolvê-la para as páginas mais nobres da mídia como uma cidade desenvolvimentista. Então, quando eu intitulei este artigo “Por que voto em meu Xará”, nem me importo quem ou quais partidos o apóia, declaro meu voto porque sei que além pessoa de ilibada conduta, ficha limpa com queiram, é um bom gestor, competente, independente é mais profissional que político e aí tenho a absoluta certeza de que vai transformar Goiânia e levá-la para o lugar que merece no cenário nacional.

Às vezes a melhor resposta é o nosso silêncio.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

 “Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser a resposta de muitas perguntas”. (padre Fábio de Melo). Ao me lembrar desta frase preocupei-me e antes de começar a escrever procurei uma posição mais confortável para manusear o mouse. Acomodei-me na poltrona giratória, fiquei parado por alguns minutos, fechei os olhos e concentrei-me amparado pelo silêncio que orbitava à minha volta. Com a mente alimentada notei que a nossa vida também gira e nós nos tornamos um mero arrendamento provisório - pequenos parênteses entre dois insondáveis infinitos, mas antes que caluniem o meu silêncio e o meu escrito, respiro o ar que penetra pela janela e de forma arguta olho a lua soberba rodeada de estrelas num universo sem fim; ouço o meu próprio silêncio e me lembro novamente de outra frase dita por Pascal: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora". Novamente senti um baque na memória e tudo que orbitava ao meu redor continuava ali inerte, mas, pareciam rir de mim. Voltei à escrivaninha e olhei fixamente para o monitor e notei que ainda não havia nenhuma frase lá. Novamente, respirei fundo. Coloquei os dedos sobre o teclado e minha mão direita pousou sobre mouse e sem pestanejar manuseie-o para que o cursor me auxiliasse nas entrelinhas do silêncio que também pairava sobre o monitor. Silenciei-me e tudo que girava em minha órbita silenciou porque sabia que podia ouvir a voz de Deus e ELE me fazer enxergar o universo que eu vira através da janela onde pude atingir o ápice mais alto do pensamento que um ser humano pode alcançar. Todavia, parecia sentir que faltava algo aos seres humanos naquele momento de lucidez. Analisei a situação atual da humanidade, assim como, de que forma todos poderiam colaborar, mesmo alguns com tenra idade. Imaginei um mundo sem corrupção, sem ira, sem ódio sem inveja e sem maldade, foi difícil, mas imaginei. Só a honra de cada cidadão cumprindo seus direitos e deveres com serenidade e sempre em busca do bem comum poderia trazer paz. Pensei realmente na paz em plenitude que pode gerar e em como alcançá-la aplicando no dia a dia certas atitudes. Acreditava e ainda acredito que não seria tão difícil e de certa forma maravilhoso se fosse possível acontecer. Qualquer um pode colaborar com um comportamento honroso e só assim sentir-se-á que a vida terá sentido de verdade. Entendo que cada um tem que cumprir a sua parte e de alguma forma, proporcionar paz, pois em fazendo isso, todos verão a felicidade que isso traz.

Quando escrevo “às vezes” é como estivesse colocando nas entrelinhas um silêncio imenso e maravilhoso, carregado de um olhar complacente e sorriso enigmático, de pensamentos imperfeitos e frases sem sentido, sem nexo. Quando digo que “às vezes” a melhor resposta é o silêncio é porque vemos ocorrer no mundo um turbilhão de maldades, homens e mulheres mutilados em razão de guerras entre nações e facções; famílias inteiras soterradas, crianças retiradas de escombros... Aí não tem como ficar em silêncio e o grito de revolta vêm sem a gente perceber. Por favor, não queiras que eu compartilhe com vocês quando estiver assim. Quando me silencio ou me revolto em relação a uma resposta que não consigo dar é porque a minha mente está conturbada, cheia de piedade pelos que sofrem essas atrocidades, pelos orgulhosos, pelos vaidosos, pelos que não sabem olhar para cima e que só enxergam as miudezas da vida, pelos que se angustia por qualquer besteira, que na realidade, essas pessoas não sabem ser humildes. Mas, afinal, como podemos definir o silêncio dos que sofrem ou dos humildes? Quando a esta pergunta ninguém definiu melhor e sabiamente quanto o Sr. Emmanuel, guia de Chico Xavier: "Humildade é o reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo". Melhor definição como esta não podia ter porque ele se colocava como a um grão de areia. A humildade de que se fala não deve ser confundida com servidão ou subserviência, pois ela é filha da sabedoria e é através do silêncio do saber que obtemos a melhor resposta. Olhar a vida com humildade e aprender escutar o seu silêncio é acordar para uma realidade: quanto mais crescemos, quanto mais nos elevamos, quanto mais nos conscientizamos da nossa diminuta condição diante do Cosmo, quanto mais vivemos olhando sem rumo, ora pra frente, ora pra trás, ora para os lados ou para o chão não conseguimos perceber a misteriosa grandiosidade que se encontra sobre suas cabeças.

A melhor resposta sobre tudo isso é mantermos em silêncio e refletir, assim como, a melhor atitude que devemos tomar diante do espetáculo do mundo é manter esse silêncio e regozijar, pois tudo é um mistério para nós. A verdade é que o infinitamente grande e o infinitamente pequeno se confundem e nos assustam. Às vezes nos espantamos com o espetáculo sideral e não nos lembramos que dentro dele há também um universo imenso, formado de trilhões de células, desconhecido também de todos nós. É preciso, vez por outra, olhar as estrelas no céu, a lua e o sol cumprindo suas rotas ou o universo em si e fazer uma reflexão sobre a nossa vida e a pobre e ridícula vaidade do ser humano.


O Vendedor de Sonhos

quarta-feira, 28 de setembro de 2016


Dias atrás encaminhei um pedido via Email para o escritor Augusto Cury, que nem o conheço pessoalmente, e humildemente, perguntei-lhe da possibilidade de fazer um comentário sobre o meu primeiro livro de poesias intitulado “Rastros de Mim”. E qual foi minha surpresa quando poucos dias depois recebi seu recado, e no qual, além de fazer o comentário por mim solicitado, num parágrafo em separado disse: “Vanderlan, considere-se meu amigo. Aproveito para convidá-lo para ser um dos embaixadores do meu filme “O Vendedor de Sonhos”, megaprodução da Warner Bros Pictures e Fox, a ser lançado em todo o País no dia 8 de dezembro de 2016. O papel de um “embaixador” deste filme é divulgar seu conteúdo e sua data de lançamento em sua rede de contatos, com o objetivo de que sejamos todos vendedores numa sociedade altamente estressante que deixou de sonhar”. Quanto ao comentário que fez sobre o meu livro me abstenho de escrever aqui, pois poderia tirar a surpresa e curiosidade dos meus queridos leitores, que por sinal, mesmo sucinto, em poucas palavras descreveu tudo aquilo que sou e penso.

Já no exercício de “embaixador” li livro “O Vendedor de Sonhos: O chamado”, “Revolução dos Anônimos” e Semeador de Ideias, uma trilogia de Augusto Cury considerado por milhões de pessoas um dos melhores livros do autor, o qual, foi editado várias vezes e vendido para mais de 7 milhões de pessoas, esta quantidade somente no Brasil. O livro também foi traduzido em várias línguas e, posteriormente, lido por milhões de pessoas em várias partes do mundo. Tanto reconhecimento tem sua lógica, afinal de contas, neste livro Augusto Cury procurou aplicar seus conhecimentos psicológicos e sociológicos sobre o comportamento humano e seus conflitos psíquicos. A procura pelo livro foi e ainda é unânime, tanto que ao adquirir estes três livros, outros jovens faziam o mesmo. Observei que as pessoas que estavam adquirindo querem ler para conhecer um pouco a forma de pensar deste brilhante escritor, hoje meu amigo, Augusto Cury; outros leitores, talvez menos afortunados e precisando de uma palavra amiga, procuram ler para encontrar conforto e esperança nas palavras concisas e instigáveis da obra, pois estão oprimidos, angustiados e enclausurados no mundo dos conflitos mentais. Conflitos estes que são desencadeados pela a agitação e opressão do atual sistema social do qual fazemos parte.

A obra, pelo que entendi, descreve e enfatiza a vida de um homem que se utilizou do anonimato para esconder a sua verdadeira identidade. Era conhecido por todos como O Vendedor de Sonhos, assim como ele próprio se declarou ao ser questionado pelas pessoas sobre sua origem e identidade. Faço das palavras do blogueiro Marcondes Torres as minhas, o qual além de me ajudar no discernimento, também fez um excelente comentário sobre o livro e que tomo a liberdade de citá-lo aqui, pois o nosso propósito é divulgar o que é bom para a cultura brasileira. Ele comentou: “O termo é mencionado várias vezes ao longo da obra não por acaso, mas para dar ênfase ao que ele realmente fazia vender sonhos para as pessoas desoladas e angustiadas com a própria vida que tinham. Pessoas que para alguns tinham comportamentos, vícios e ou distúrbios irreversíveis, bem como alcoólatras, pessoas depressivas, ladrões, indivíduos que já foram presidiários, doentes mentais e físicos, enfim, vendia sonhos para toda e qualquer pessoa que se encontrava em situações críticas, ou seja, pessoas que viviam à margem da sociedade, que sofriam com doenças psíquicas por terem sido abaladas com perdas irreparáveis, tais como a morte de entes queridos, prejuízos e perdas no mundo financeiro, ou ainda a falta de autenticidade e reconhecimento social.”

 “Dentre esses inúmeros personagens problemáticos que o seguiam por terem sido convidados pelo próprio Vendedor de Sonhos vale ser destacado o acadêmico e professor universitário Júlio César Lambert que sempre fora muito duro e carrasco com os profissionais e alunos da instituição na qual trabalhava. Era autêntico e autoritário no que fazia. Era perfeccionista e queria que todos, inclusive seus alunos, fizessem o mesmo. Nas entrelinhas da leitura percebi que ele perdera os pais ainda criança, então aí estava um motivo. A mãe falecera de câncer o pai suicidou-se na sua presença, fato que o deixou profundamente constrangido. Aí estavam mais motivos para ele se tornar tão rígido com os seus semelhantes. Motivos mais aceitáveis para explicar o porquê da sua personalidade tão rigorosa e ao mesmo tempo insensata. Não tinha tempo para conviver dignamente com os filhos e a esposa. Sempre estava ocupado com os afazeres do dia a dia. Com tantas preocupações desenvolveu uma perturbante depressão. Queria suicidar-se pulando do alto do edifício San Pablo. Foi nesse contexto que ele conheceu o incrível homem que mudara por completo os rumos da sua vida.”

Desde então passou a conviver com esse homem e desenvolver a arte de vender sonhos para as pessoas. Ficava como era costume e as outras pessoas que assistiam, extasiado e atônito ao ouvir as palavras sábias e cheias de conhecimento do mestre que conhecera. Questionava-se em pensamentos a si mesmo: “Quem é esse homem que hipnotiza e cativa as pessoas com suas palavras? Qual a sua origem? Qual o seu passado? Será ele um filósofo,  um sociólogo, um sábio ou um psicótico? Era perturbado freqüentemente com questionamentos que invadiam a região recôndita de sua mente.”

Como salientou, para meu espanto, o dele, assim como o do próprio personagem, no grupo de discípulos se destacavam ainda o humorístico e sarcástico Bartolomeu que era um alcoólatra. O Salomão que sofria com uma doença psicótica compulsiva. A Mônica uma jovem modelo que sofria de Bulimia por causa das exigências do mundo da moda. O Dimas, mais conhecido por Mão de Anjo, um ladrão de primeira categoria que não se intimidava ao abordar uma vítima. Todos eles foram profundamente cativados com os ensinamentos de vida do Vendedor de Sonhos. Não tinham palavras para contradizer o que ele dizia, pois eram bombardeados com turbilhões de ideias filosóficas que penetravam em suas mentes fazendo-os mudar suas ideias e conceitos sobre a vida.

Foi assim que o Vendedor de Sonhos adquiriu admiráveis amigos e também indesejáveis inimigos. Certo dia alguns empresários da empresa Megasoft chegaram aos discípulos do mestre e os convidaram para fazerem uma homenagem surpresa ao inquestionável homem que mudou para melhor a vida de centenas de pessoas. O grupo desconfiado aceitou o convite sem saber que se tratava de um golpe humilhante. Marcaram o endereço do encontro em um enorme estádio da metrópole e seguiram dias depois com o mestre para o local. Anteriormente, ele desconfiou mais aceitou o pedido por consideração aos amigos. No estádio estavam presentes milhares de pessoas e várias emissoras de televisão prontas para assistirem o evento. Em um telão enorme começou a serem transmitidas algumas cenas de um indivíduo psicótico sofrendo alucinações e, posteriormente, o homem que gravava as imagens o fazendo interrogações sobre suas visões. As pessoas não entendiam nada. E não entendiam mesmo!”

Para clarear as ideias, pois o final do filme é melancólico, os apresentadores disseram para a platéia que se tratava do Vendedor de Sonhos. As pessoas presentes ficaram perplexas e extasiadas, inclusive os discípulos do Mestre, o semeador de ideias; não acreditavam no que estavam vendo e ouvindo. Os apresentadores começaram a difamá-lo e caluniá-lo dizendo que se tratava de um impostor, um hipócrita, um homem maluco que enganara um bando de idiotas. Por pressão dos apresentadores ele começou a falar e dizer que fora um empresário muito rico, milionário. Alguns que o reconheceram e lembraram que se tratava do dono da empresa Megasoft ficaram chocados com a atitude humilhante do grupo de empresários da mesma empresa. Continuou dizendo que nunca deu atenção a seus filhos e a esposa como deveria o fazer. Contou que certo dia eles morreram em um acidente de avião e que os céus desabou sobre ele a partir daquele dia. Profundamente depressivo passou a valorizar as pequenas coisas da vida, como amar ao próximo e disseminar palavras de esperança e conforto para com os mesmos. A partir daí passou a viver no mundo e para o mundo tentando se redescobrir a cada dia, pois sempre dizia que era apenas um caminhante que estava à procura de si mesmo.”

 Ao proferir estas palavras todos que estavam no estádio o aplaudiram incessantemente, sobretudo, alguns líderes empresariais. Ele chorou assim como muitos que estavam ali presente. Mostrou para a humanidade através das emissoras que ali se faziam presentes o quanto o ser humano é pequeno, hipócrita e imperfeito. Mostrou também o poder destrutivo do dinheiro quando idolatrado e mal administrado. Não mais idolatrava bens materiais, pois dizia que estes destruíam a humildade, a honestidade e a sanidade humana. Queria apenas vender sonhos à humanidade, restituir valores e preceitos perdidos. Baseava-se nos ensinamentos calorosos do Mestre dos Mestres, Jesus Cristo o filho do homem. Assim como Ele, foi humilhado perante milhares de pessoas, porém suportou tudo silenciosamente sem reclamar.

Ao finalizar espero que este pequeno resumo fortaleça e sirva como exemplo de vida para muitos que estão perdidos na escuridão de seu próprio ser, sem saber o que fazer para apaziguar as suas angustias e anseios que, ao final, como disse Augusto Cury em seu EMAIL: “Este livro tem o objetivo de que todos sejamos vendedores numa sociedade altamente estressante que deixou de sonhar.


Ensinamentos além do quadro negro...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Certo dia em homenagem a uma amiga professora, escrevi que ela ou quaisquer outros professores deviam procurar ir além do quadro negro, pois ninguém realiza mais transformações que eles, os professores, e por isso, esquecer o giz e apagador e criar outros moldes ou aplicação de outros métodos de ensino à sua sagrada missão de ensinar são imprescindíveis. Posso até estar sendo ousado em dizer isso, mas hão de se convir que ninguém seja mais revolucionário que um Professor ou Professora, bastam querer.  Afinal, mesmo com os baixos salários, muitos, independentemente disso, cultivam os valores universais que elevam templos ao “amor, honestidade, humildade, respeito, responsabilidade, simplicidade, tolerância”, entre outros itens não menos importantes.

A professora que me inspirou a escrever aquela crônica é uma goiana da “gema”, que eu homenageio como “A Deusa do Pequi”, pois é um dos maiores exemplos de que a candura  -  e não o exercício da dureza, inflexibilidade e irracionalidade – é que provoca, com efeito, as transformações de que o ser humano se vale para vencer as suas limitações. E quando a candura vem de um anjo, nascido em plagas goianas para fazer apenas o bem, essas mudanças agenciam as revoluções que fazem o indivíduo alvo daqueles ensinamentos darem o salto, que o elevará aos píncaros da glória, ou quiçá, dos quadros negros, onde o giz e apagador se tornam meros objetos diante da competência, do amor, do respeito e do bem querer para ensinar.

Foi e será sempre assim. Sua meiguice e sua ternura percorreram a sua existência semeando as virtudes celebradas por sua grandeza espiritual que explodiam no seu magnânimo coração de mulher, mãe e educadora. E quantas pessoas ilustres que receberam seus ensinamentos, muitos delas ocuparam e ocupam cargos de relevância, uns são doutores da lei, outros são administradores por excelência. Porém alguns pupilos acabaram brilhando nos céus da política e todos eles lhe rendem o preito de gratidão e afeto, em face do muito que recolheram como aprendizado intelectual e de vivência, apreendendo mais, ter respeito com erário publico e ser probo.

Num reconhecimento unânime ela exerceu durante anos e anos seguidos as elevadas funções de professora. Quantas vezes com seu mísero salário ela adquiria uniformes e sapatos para alunos seus, que sabia serem eles absolutamente carentes e alguns, talvez por influência, exerceram com sabedoria e eficiências as funções no campo educacional, devotando-se a pedagogia, distribuindo conhecimentos e preparando melhor o cidadão, sedimentando em cada um, através de seus ensinamentos e exemplos edificantes onde só vence na sociedade aquele que persevera no estudo e busca do conhecimento. “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência”, nos diz Augusto Cury, no ensaio “Educação e Sabedoria”.

Conheci alguns dos seus ex-alunos e observei a intensidade da gratidão, da saudade e do respeito gravados nos seus cérebros e no coração de cada um, por conta das recordações advindas do período em que recolheram a suprema glória, que a condição de alunos da Grande Mestra lhes propiciou como chance de subir na vida. Afinal, Deus, na imensidão da sua sensibilidade divina, não colocaria na terra, um anjo comum. Não! Não colocaria mesmo! Para construir o oceano de chances para alguns predestinados, só um Anjo superior, poderia e deveria ser escolhido, com a candura e a firmeza da amiga professora que ora me abstenho de dizer o nome, mas quando ler saberá que é para ela que escrevo, pois nas entrelinhas, poderá separar usando de sua percuciência, proficiência, descortino, devotamento e rara capacidade que tem de discernir o que está escrito e ainda separar o joio do trigo.

Em razão do que escrevi, peço permissão para, nesses dias políticos tumultuosos, homenagear todos os educadores, os quais estão decepcionados com a educação atual e de ver tantos políticos, talvez alguns fossem até alunos seus, falando asneiras diante da TV no Congresso Nacional e em Câmara Legislativas, cometendo atrocidades e outros atos nefastos que denigrem a sensibilidade humana como se nunca tivessem ido a uma sala de aula e nem entendem que estão no pedestal-mor ou nos píncaros da glória graças aos ensinamentos recebidos pelos abnegados professores.


 
Vanderlan Domingos © 2012 | Designed by Bubble Shooter, in collaboration with Reseller Hosting , Forum Jual Beli and Business Solutions