Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O cronista sob o olhar do sol

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu sempre pensei assim: Um cronista é como um rio, ora pode ser largo, ora estreito, pois cabe no seu leito apenas aquilo pode ser dirigido, orientado de modo a não colidir com outros objetos que porventura naveguem no mesmo espaço. No entanto, se uma simples canoa se encontrar à deriva e não tiver timoneiro, ela será arrastada pela corrente e será um perigo constante para os que no mesmo espaço navegam. No que tange ao cronista é nessa comparação que se vislumbra também certo perigo, fato que ele deve atentar-se, dirigindo a leitura de forma suave, agradável, concisa, inteligente, de forma que venha alcançar o coração e compreensão dos leitores.

Partindo deste pequeno preâmbulo posso dizer que sou apenas um rego d’água que durante seu percurso é abastecido por várias minas, para, finalmente, cair em cachoeira. Essa cachoeira é minha salvadora, pois é nela que deposito meu saber. Insuportável, no entanto, é saber que ele tem a permissão minha para ser juiz da minha existência. No seu leito deslizam águas que alimentam o meu espírito. Se for assim, então será que sua majestade o sol que ilumina meu caminho, poderia abrir meus olhos e mostrar quem sou e porque me tornei cronista aqui neste rincão? De certo modo há de se suportar a alegria daqueles que não conseguem deslizar sobre essas águas mansas, mas que, de alguma forma, se divertem, inconscientes do impacto que seus prazeres têm sobre a alma de um cronista. Sim, sob o olhar do sol escaldante eu me evaporaria de emoção... Ficaria feliz, imensamente feliz se cada uma de minhas escritas se evaporasse, e evaporada, tocassem, como suores ou mesmo como lágrimas, a sensibilidade de meus leitores.

Tomara que sob o olhar do sol mesmo em pleno inverno não ocorra apagões em nossa memória e não sejam capazes de encobrir por muito tempo o nosso real desiderato: o gosto pela escrita. Toda vez que o coração do cronista se resfriar, a respiração se fizer áspera demais e o momento da gente descobrir maneiras para se cuidar. Que lá no fundo, bem fundo mesmo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu bem azulzinho escancarando em nossa direção os olhos do sol. Tomara mesmo que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo de escrever para que possamos semear sobre o chão, letras e mais letras. Que a lembrança dos pés feridos, mas valentes, que usamos descalçar os sentimentos, não nos tire a coragem de voltar a ter confiança no futuro. Mas se doer muito que nossos pés e o corpo encontrem um lugar para descansar em paz na região mais calma da nossa mente. O medo existe, mas que não seja tão grande para ceifar o nosso amor pela escrita. Tomara que a gente não desista de ser quem somos, por nada, por nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer o nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades não sejam permanentes. Que friagem nenhuma nesta estação seja capaz de encabular-nos diante do olhar do sol que nos traz um calor gostoso e que, mesmo quando estiver queimando nosso rosto, não o percamos de vista, nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos pesares a gente continue sendo valente o suficiente para não abrir mão de sermos felizes.


Calou-se uma voz e um som de viola

quarta-feira, 12 de julho de 2017



Tempos idos ouvi a música “Grito de Amor”, cantada pela dupla sertaneja Felipe e Falcão. O som inebriante de suas vozes e viola aguçava meus ouvidos e me fazia ir além de mais além. No moirão da porteira olhava rumo ao horizonte em busca de lembranças, mas lembrar-me de quê se eu era apenas um jovem sonhador. Mas como a uma canoa invisível que desce rio abaixo, naquele dia me fiz invisível também e me acomodei sobre um tronco de madeira para continuar ouvindo outras canções deles através de um CD, e sempre fazia em todos os finais de tarde, depois de um dia exaustivo de trabalho na fazenda Pomares. Como era bom escutar o ponteado da viola, cujo som ao ser levado pelo vento parecia rasgar o céu que cobria aquele pedaço de chão. Apaixonado pela música sertaneja restava-me ficar ali sentado naquele tronco de madeira e apreciar cada nota musical. Era como se estivesse sonhando. Nunca em preocupei em saber o nome verdadeiro de Falcão, o apelido já bastava para mim e talvez, para as andorinhas, bem-te-vis e araras também, que enfileirados, passava ao meu redor em voos rasantes, contentes, como se aquela voz grave de Falcão confortasse a nossa alma. A cada canção  perecia remar com a gente a favor da correnteza da vida e nem sentíamos a existência de águas profundas, mas em certos momentos sentíamos aperreados em face do acúmulo de tantas coisas, talvez mal resolvidas deixadas prá trás, a maioria esquecidas, outras apagadas pela borracha do tempo. 

Dia 18 de setembro de 2017 completará seis anos de sua passagem por este mundo. Ao ouvir “Grito de Amor”, um dos maiores sucessos da dupla, veio à minha mente lembranças do meu conterrâneo Falcão que amou e sempre honrou a cidade de Morrinhos, então, procuro recebê-las igual a uma cachoeira que cai mansa sobre um poço profundo, todavia, memórias não se apagam, ficam gravadas em nosso subconsciente trazendo tudo de volta, sejam boas ou más, e chegam, de uma vez só, restando-me arquivá-las da região recôndita de meu cérebro como se fossem gotas de suor saídas da alma. Ah, que dom e voz tinham Felipe e Falcão! As vozes e o som da viola ecoavam por aquele rincão goiano e se misturava com o canto dos pássaros mexendo tanto com a gente que nem tinha vergonha de ser chamado de caipira. Quem nasceu na roça entende o que falo, então, quanta emoção, quanto sentimento se acoplava na minha retina, que nada mais eram que coisas indeléveis de um homem sonhador. Quantos nós sentia na minha garganta, que nem conseguia desatar, nem subir ou descer, numa mistura de tristeza e alegria que só a saudade é capaz de criar. Dava até para sentir o cheiro da terra, o tênue vento e o toque da textura do chão molhado sob meus pés descalços.

Sabemos que viver como ele viveu nos palcos da vida é somar mais vitórias que derrotas. É ficar inchado de coisas que nos deixam pelo caminho. Raramente, os que morrem assim, são os preferidos de Deus. Morrer assim é como a um ícone romântico que deixa hígida e festiva a imagem do morto, de toda sua vida e do que poderiam ter ocorrido durante sua existência, assim como, todos os sonhos e realizações dele. Na parede do casarão de puro adobe do vovô Torquato um retrato emoldurado de Falcão, de perfil simples, que teve sua vida voltada ao romantismo e era visível observar a mistura de um permanente sorriso celebrando a vida, a juventude e a velhice. Era contagiante ver o seu jeito alegre e a forma de como cantava e compunha suas músicas sertanejas, de como enfrentava o dia a dia, de como encarava as tardes sem o pôr do sol, ou de crepúsculos opacos, avermelhados ou cinzentos. Observei atentamente mais que tudo nas antigas capas de CDs, as defecções, as rugas, mechas de cabelos esbranquiçados, rosto imberbe e a crescente solidão de ver um vídeo noticiando sua morte, um funeral cheio de pessoas que o admirava, cantando o “Hino do Motociclista” de que tanto gostava. Dia 18 de setembro de 2009, depois de um infarto, num leito de hospital em Goiânia, poucos ouviram o último suspiro, calar uma voz, um som de viola e perdermos o último dos românticos da cidade de Pomares.
  
O tempo passou e parece ter sido tão veloz que me restou apenas imaginar se ainda existe aquele tronco de madeira frente ao casarão de meu Avô Torquato e encostado à beira do moirão da porteira. Voltei lá após seis anos e por incrível que pareça ele estava lá intacto. De repente veio o vento e trouxe algumas ondas imaginárias sem me pedir licença. Naquele recanto, imaginei pegar pétalas de rosas no quintal e ver se elas ainda exalavam. Imaginei ver passar por aquele local as marés de incertezas e não ter a mesma reação que tinha no passado. Imaginei encontrar outras estradas e sonhar um sonho que sempre almejei sonhar, mas sabia que não conseguiria sem aquelas canções inebriantes. Imaginei-me numa estrada deserta diante de uma noite pesada demais mesmo sem ter pesadelos. Imaginei lembrar o passado sem assombros. Imaginei, mas preocupei-me porque poderia encontrar essa estrada cheia de escombros. Imaginei perder mais alguém nessa “estrada da vida”, onde já perdi muitos. Imaginei Deus ressuscitando sonhos que perdi. Imaginei a não existência de paraíso nem de inferno. Imaginei não existir pessoas que não lutam por nada e se deixam levar pelo mundo profano. Imaginei alguém dizer: Eu sou um sonhador, porque imaginei estar vivendo num mundo sem ganância, sem fome, sem mortes, sem preconceitos, sem desamor. Imaginei vivendo em irmandade fazendo o bem sem olhar a quem.  Imaginei poder compartilhar tudo o que penso, sem ofender ninguém. Imaginei encontrar a  felicidade e de ter localizado ao longo dessa “estrada” o amor e realizar alguns sonhos, que às vezes, ressuscitados, vêm com pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e que nos dificulta alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao ponto final. Imaginei, ah, se imaginei!

Entre riscos e rabiscos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017


Tem certos momentos que a gente sequer vê o tempo escorrer entre as mãos e se perder no esquecimento, longe das fronteiras da vida que divide a nossa vontade de soletrar, de escrever, de ver o sol, a lua, de como escutar uma voz no deserto ou levantando um voo imaginário amparado pelo vento cruzando a linha do horizonte para só depois gravar nas telas do mundo meus riscos e rabiscos tudo que me vem da alma e da mente. Arrisco fazer alguns rabiscos poéticos, versos que não ditam regras nem rimas, personalizadas ou não vindas da emoção que sempre me fez sonhar e fluir minha inspiração. Escrevo pausadamente e nas entrelinhas do meu silêncio surgem o meu versar, sem censura e sem o devido controle, chego ao imponderável, e aí, paro penso, reflito, ouço o mundo que rodeia o meu céu e sem pestanejar bloqueio a razão, abro as comportas da emoção e deixo falar alto o coração.

Construo tudo em tempo real, seja no agora ou no amanhã, pois tenho que seguir os sinais que abrem caminhos. E quando estou diante de uma mansa quietude, entre meus riscos e rabiscos mergulho-me no manto negro de minhas solitárias madrugadas, sedentas de minha alma e é através desse mergulho surreal que construo, refaço, desconstruo, renasço, nasço, pois em fazendo assim passo a ter a certeza que minha existência jamais foi efêmera. Vou rabiscando, apago e rabisco de novo, escrevendo poesias com nexo e outras sem nexo, mas sempre inserindo nelas as falas do cotidiano. E assim vou levando a vida, algumas vezes estilhaçando a memória do tempo, esbarrando nas arestas da vida, entre sorrisos emudecidos, lágrimas e alegrias, e talvez advindas do meu jeito de poetizar é que surgem tantos e riscos e rabiscos que de alguma forma delineia o meu destino e o registra numa simples folha de papel.

De certo modo é controverso falar de gente que quebra as regras, que muda sonhos, que muda o seu jeito de ser e joga fora rabiscos antigos que fizeram parte de seu passado. É perigosa essa ação, todavia, eu gosto de gente que não tem medo, aliás, coragem pra tudo, que arrisca, ultrapassa os limites, corre riscos, que às vezes os chamamos de "loucos", mas às vezes, não procuramos entender que eles não encontram tempo pra nada, e a gente deixa de ser mais flexíveis com essas pessoas. Certo dia ao limpar umas gavetas eu encontrei textos diversos, folhas com simples riscos indecifráveis e outras com rabiscos compreensíveis, provas escolares, atividades exercidas, todas esquecidas, e nas entrelinhas dessas lembranças, percebi quanto tempo se passou e tanta coisa que já vivi e aprendi. É claro que mudei em alguns aspectos, mas permaneci com a mesma personalidade, com bastante transparência e gênio forte. Muitas pessoas já passaram pela minha vida, fui feliz com a maioria delas, mas todas, indistintamente, me fizeram aprender, crescer, tornar-me forte, vencedor. As que se foram para outra dimensão deixaram a saudade eterna. Mas com toda convicção posso dizer que meu hoje é melhor que o meu ontem e continuará sendo bom amanhã, e sempre com a mesma mente, o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma gratidão, a mesma cabeça pensante.

Pergunto a mim mesmo: Quantos textos eu escrevi e publiquei? Quantos livros eu escrevi? Será que era tudo isso que eu sonhava em realizar? Posso dizer que sou abençoado. O tempo passou rápido demais, mas procurei acompanhá-lo, pois ele jamais parou e foi deixando para trás deixando cicatrizes e o nosso corpo carcomido pelas intempéries desse mesmo tempo. O que dizer então? Olhar pra trás e acreditar que tudo aconteceu se tornou realidade? Sim, dizer sem entrelinhas simplesmente ou obrigado a todas as pessoas por fazer parte da minha própria história, mas dando a elas o gosto, o prazer, a reflexão, à vontade, o ponto e a vírgula de um jeito que só eu autor deste texto posso dar e receber para continuar a escrever minha história e principalmente depois de ler e dizer: Valeu a pena ter sonhado, ter chorado, ter caído, ter forças pra me reerguer. Valeu à pena confiar no meu Pai Celestial, ter a humildade e vontade de crescer. Valeu à pena escrever, correr riscos, riscar, rabiscar folhas, criar um blog, compartilhar, curtir e amar. Valeu mesmo!


 
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