Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O cronista sob o olhar do sol

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu sempre pensei assim: Um cronista é como um rio, ora pode ser largo, ora estreito, pois cabe no seu leito apenas aquilo pode ser dirigido, orientado de modo a não colidir com outros objetos que porventura naveguem no mesmo espaço. No entanto, se uma simples canoa se encontrar à deriva e não tiver timoneiro, ela será arrastada pela corrente e será um perigo constante para os que no mesmo espaço navegam. No que tange ao cronista é nessa comparação que se vislumbra também certo perigo, fato que ele deve atentar-se, dirigindo a leitura de forma suave, agradável, concisa, inteligente, de forma que venha alcançar o coração e compreensão dos leitores.

Partindo deste pequeno preâmbulo posso dizer que sou apenas um rego d’água que durante seu percurso é abastecido por várias minas, para, finalmente, cair em cachoeira. Essa cachoeira é minha salvadora, pois é nela que deposito meu saber. Insuportável, no entanto, é saber que ele tem a permissão minha para ser juiz da minha existência. No seu leito deslizam águas que alimentam o meu espírito. Se for assim, então será que sua majestade o sol que ilumina meu caminho, poderia abrir meus olhos e mostrar quem sou e porque me tornei cronista aqui neste rincão? De certo modo há de se suportar a alegria daqueles que não conseguem deslizar sobre essas águas mansas, mas que, de alguma forma, se divertem, inconscientes do impacto que seus prazeres têm sobre a alma de um cronista. Sim, sob o olhar do sol escaldante eu me evaporaria de emoção... Ficaria feliz, imensamente feliz se cada uma de minhas escritas se evaporasse, e evaporada, tocassem, como suores ou mesmo como lágrimas, a sensibilidade de meus leitores.

Tomara que sob o olhar do sol mesmo em pleno inverno não ocorra apagões em nossa memória e não sejam capazes de encobrir por muito tempo o nosso real desiderato: o gosto pela escrita. Toda vez que o coração do cronista se resfriar, a respiração se fizer áspera demais e o momento da gente descobrir maneiras para se cuidar. Que lá no fundo, bem fundo mesmo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu bem azulzinho escancarando em nossa direção os olhos do sol. Tomara mesmo que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo de escrever para que possamos semear sobre o chão, letras e mais letras. Que a lembrança dos pés feridos, mas valentes, que usamos descalçar os sentimentos, não nos tire a coragem de voltar a ter confiança no futuro. Mas se doer muito que nossos pés e o corpo encontrem um lugar para descansar em paz na região mais calma da nossa mente. O medo existe, mas que não seja tão grande para ceifar o nosso amor pela escrita. Tomara que a gente não desista de ser quem somos, por nada, por nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer o nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades não sejam permanentes. Que friagem nenhuma nesta estação seja capaz de encabular-nos diante do olhar do sol que nos traz um calor gostoso e que, mesmo quando estiver queimando nosso rosto, não o percamos de vista, nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos pesares a gente continue sendo valente o suficiente para não abrir mão de sermos felizes.


Calou-se uma voz e um som de viola

quarta-feira, 12 de julho de 2017



Tempos idos ouvi a música “Grito de Amor”, cantada pela dupla sertaneja Felipe e Falcão. O som inebriante de suas vozes e viola aguçava meus ouvidos e me fazia ir além de mais além. No moirão da porteira olhava rumo ao horizonte em busca de lembranças, mas lembrar-me de quê se eu era apenas um jovem sonhador. Mas como a uma canoa invisível que desce rio abaixo, naquele dia me fiz invisível também e me acomodei sobre um tronco de madeira para continuar ouvindo outras canções deles através de um CD, e sempre fazia em todos os finais de tarde, depois de um dia exaustivo de trabalho na fazenda Pomares. Como era bom escutar o ponteado da viola, cujo som ao ser levado pelo vento parecia rasgar o céu que cobria aquele pedaço de chão. Apaixonado pela música sertaneja restava-me ficar ali sentado naquele tronco de madeira e apreciar cada nota musical. Era como se estivesse sonhando. Nunca em preocupei em saber o nome verdadeiro de Falcão, o apelido já bastava para mim e talvez, para as andorinhas, bem-te-vis e araras também, que enfileirados, passava ao meu redor em voos rasantes, contentes, como se aquela voz grave de Falcão confortasse a nossa alma. A cada canção  perecia remar com a gente a favor da correnteza da vida e nem sentíamos a existência de águas profundas, mas em certos momentos sentíamos aperreados em face do acúmulo de tantas coisas, talvez mal resolvidas deixadas prá trás, a maioria esquecidas, outras apagadas pela borracha do tempo. 

Dia 18 de setembro de 2017 completará seis anos de sua passagem por este mundo. Ao ouvir “Grito de Amor”, um dos maiores sucessos da dupla, veio à minha mente lembranças do meu conterrâneo Falcão que amou e sempre honrou a cidade de Morrinhos, então, procuro recebê-las igual a uma cachoeira que cai mansa sobre um poço profundo, todavia, memórias não se apagam, ficam gravadas em nosso subconsciente trazendo tudo de volta, sejam boas ou más, e chegam, de uma vez só, restando-me arquivá-las da região recôndita de meu cérebro como se fossem gotas de suor saídas da alma. Ah, que dom e voz tinham Felipe e Falcão! As vozes e o som da viola ecoavam por aquele rincão goiano e se misturava com o canto dos pássaros mexendo tanto com a gente que nem tinha vergonha de ser chamado de caipira. Quem nasceu na roça entende o que falo, então, quanta emoção, quanto sentimento se acoplava na minha retina, que nada mais eram que coisas indeléveis de um homem sonhador. Quantos nós sentia na minha garganta, que nem conseguia desatar, nem subir ou descer, numa mistura de tristeza e alegria que só a saudade é capaz de criar. Dava até para sentir o cheiro da terra, o tênue vento e o toque da textura do chão molhado sob meus pés descalços.

Sabemos que viver como ele viveu nos palcos da vida é somar mais vitórias que derrotas. É ficar inchado de coisas que nos deixam pelo caminho. Raramente, os que morrem assim, são os preferidos de Deus. Morrer assim é como a um ícone romântico que deixa hígida e festiva a imagem do morto, de toda sua vida e do que poderiam ter ocorrido durante sua existência, assim como, todos os sonhos e realizações dele. Na parede do casarão de puro adobe do vovô Torquato um retrato emoldurado de Falcão, de perfil simples, que teve sua vida voltada ao romantismo e era visível observar a mistura de um permanente sorriso celebrando a vida, a juventude e a velhice. Era contagiante ver o seu jeito alegre e a forma de como cantava e compunha suas músicas sertanejas, de como enfrentava o dia a dia, de como encarava as tardes sem o pôr do sol, ou de crepúsculos opacos, avermelhados ou cinzentos. Observei atentamente mais que tudo nas antigas capas de CDs, as defecções, as rugas, mechas de cabelos esbranquiçados, rosto imberbe e a crescente solidão de ver um vídeo noticiando sua morte, um funeral cheio de pessoas que o admirava, cantando o “Hino do Motociclista” de que tanto gostava. Dia 18 de setembro de 2009, depois de um infarto, num leito de hospital em Goiânia, poucos ouviram o último suspiro, calar uma voz, um som de viola e perdermos o último dos românticos da cidade de Pomares.
  
O tempo passou e parece ter sido tão veloz que me restou apenas imaginar se ainda existe aquele tronco de madeira frente ao casarão de meu Avô Torquato e encostado à beira do moirão da porteira. Voltei lá após seis anos e por incrível que pareça ele estava lá intacto. De repente veio o vento e trouxe algumas ondas imaginárias sem me pedir licença. Naquele recanto, imaginei pegar pétalas de rosas no quintal e ver se elas ainda exalavam. Imaginei ver passar por aquele local as marés de incertezas e não ter a mesma reação que tinha no passado. Imaginei encontrar outras estradas e sonhar um sonho que sempre almejei sonhar, mas sabia que não conseguiria sem aquelas canções inebriantes. Imaginei-me numa estrada deserta diante de uma noite pesada demais mesmo sem ter pesadelos. Imaginei lembrar o passado sem assombros. Imaginei, mas preocupei-me porque poderia encontrar essa estrada cheia de escombros. Imaginei perder mais alguém nessa “estrada da vida”, onde já perdi muitos. Imaginei Deus ressuscitando sonhos que perdi. Imaginei a não existência de paraíso nem de inferno. Imaginei não existir pessoas que não lutam por nada e se deixam levar pelo mundo profano. Imaginei alguém dizer: Eu sou um sonhador, porque imaginei estar vivendo num mundo sem ganância, sem fome, sem mortes, sem preconceitos, sem desamor. Imaginei vivendo em irmandade fazendo o bem sem olhar a quem.  Imaginei poder compartilhar tudo o que penso, sem ofender ninguém. Imaginei encontrar a  felicidade e de ter localizado ao longo dessa “estrada” o amor e realizar alguns sonhos, que às vezes, ressuscitados, vêm com pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e que nos dificulta alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao ponto final. Imaginei, ah, se imaginei!

Entre riscos e rabiscos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017


Tem certos momentos que a gente sequer vê o tempo escorrer entre as mãos e se perder no esquecimento, longe das fronteiras da vida que divide a nossa vontade de soletrar, de escrever, de ver o sol, a lua, de como escutar uma voz no deserto ou levantando um voo imaginário amparado pelo vento cruzando a linha do horizonte para só depois gravar nas telas do mundo meus riscos e rabiscos tudo que me vem da alma e da mente. Arrisco fazer alguns rabiscos poéticos, versos que não ditam regras nem rimas, personalizadas ou não vindas da emoção que sempre me fez sonhar e fluir minha inspiração. Escrevo pausadamente e nas entrelinhas do meu silêncio surgem o meu versar, sem censura e sem o devido controle, chego ao imponderável, e aí, paro penso, reflito, ouço o mundo que rodeia o meu céu e sem pestanejar bloqueio a razão, abro as comportas da emoção e deixo falar alto o coração.

Construo tudo em tempo real, seja no agora ou no amanhã, pois tenho que seguir os sinais que abrem caminhos. E quando estou diante de uma mansa quietude, entre meus riscos e rabiscos mergulho-me no manto negro de minhas solitárias madrugadas, sedentas de minha alma e é através desse mergulho surreal que construo, refaço, desconstruo, renasço, nasço, pois em fazendo assim passo a ter a certeza que minha existência jamais foi efêmera. Vou rabiscando, apago e rabisco de novo, escrevendo poesias com nexo e outras sem nexo, mas sempre inserindo nelas as falas do cotidiano. E assim vou levando a vida, algumas vezes estilhaçando a memória do tempo, esbarrando nas arestas da vida, entre sorrisos emudecidos, lágrimas e alegrias, e talvez advindas do meu jeito de poetizar é que surgem tantos e riscos e rabiscos que de alguma forma delineia o meu destino e o registra numa simples folha de papel.

De certo modo é controverso falar de gente que quebra as regras, que muda sonhos, que muda o seu jeito de ser e joga fora rabiscos antigos que fizeram parte de seu passado. É perigosa essa ação, todavia, eu gosto de gente que não tem medo, aliás, coragem pra tudo, que arrisca, ultrapassa os limites, corre riscos, que às vezes os chamamos de "loucos", mas às vezes, não procuramos entender que eles não encontram tempo pra nada, e a gente deixa de ser mais flexíveis com essas pessoas. Certo dia ao limpar umas gavetas eu encontrei textos diversos, folhas com simples riscos indecifráveis e outras com rabiscos compreensíveis, provas escolares, atividades exercidas, todas esquecidas, e nas entrelinhas dessas lembranças, percebi quanto tempo se passou e tanta coisa que já vivi e aprendi. É claro que mudei em alguns aspectos, mas permaneci com a mesma personalidade, com bastante transparência e gênio forte. Muitas pessoas já passaram pela minha vida, fui feliz com a maioria delas, mas todas, indistintamente, me fizeram aprender, crescer, tornar-me forte, vencedor. As que se foram para outra dimensão deixaram a saudade eterna. Mas com toda convicção posso dizer que meu hoje é melhor que o meu ontem e continuará sendo bom amanhã, e sempre com a mesma mente, o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma gratidão, a mesma cabeça pensante.

Pergunto a mim mesmo: Quantos textos eu escrevi e publiquei? Quantos livros eu escrevi? Será que era tudo isso que eu sonhava em realizar? Posso dizer que sou abençoado. O tempo passou rápido demais, mas procurei acompanhá-lo, pois ele jamais parou e foi deixando para trás deixando cicatrizes e o nosso corpo carcomido pelas intempéries desse mesmo tempo. O que dizer então? Olhar pra trás e acreditar que tudo aconteceu se tornou realidade? Sim, dizer sem entrelinhas simplesmente ou obrigado a todas as pessoas por fazer parte da minha própria história, mas dando a elas o gosto, o prazer, a reflexão, à vontade, o ponto e a vírgula de um jeito que só eu autor deste texto posso dar e receber para continuar a escrever minha história e principalmente depois de ler e dizer: Valeu a pena ter sonhado, ter chorado, ter caído, ter forças pra me reerguer. Valeu à pena confiar no meu Pai Celestial, ter a humildade e vontade de crescer. Valeu à pena escrever, correr riscos, riscar, rabiscar folhas, criar um blog, compartilhar, curtir e amar. Valeu mesmo!


Razão. emoção e o livre arbítrio.

sábado, 24 de junho de 2017


Nunca gostei de matemática, e por gostar de história, literatura e português, eu me formei em direito. Desde os tempos idos sempre gostei de frases de efeito, pois quando as usava levava ao leitor meus diminutos pensamentos e de alguma forma acabei me torno um formador de opinião. Pequenas frases que se bem interpretadas podem nos indicar quais caminhos a seguir. Talvez seja uma forma da gente administrar o improvável e tentar almejar o quase impossível. Meu espírito sempre foi livre e mesmo ele se tratando de uma coisa imaterial sei que abraçava e controlava junto comigo minhas razões e emoções, mesmo sabendo que tínhamos e ainda temos o livre arbítrio para decidir entre o certo e o errado. Hoje, ao formar minha opinião sobre alguma coisa ou notícias veiculadas na imprensa escrita e falada às vezes algumas opiniões podem parecer distorcidas da realidade, mas me conformo porque procuro escrever com clareza e sei que as palavras jamais adormecem em berços esplêndidos. Não é fácil dar opinião ou se manifestar sobre outra contrária a nossa, por isso pesquiso sobre o assunto e pesquisando sei que estou evitando magoar pessoas ou deixá-las descontentes. Quando escrevo sobre assuntos políticos mudo de humor facilmente. Irrito-me fácil quando leio algum texto contrário ao que penso ou em que a maioria da população pensa, e principalmente, sendo ele prejudicial ao nosso País, ou quando escuto mentiras deslavadas de corruptos e corruptores. Às vezes, diante do monitor, paro, reflito, elaboro algumas frases de efeito como resposta e as legendo, e, sem querer, brotam respostas que jamais encontraria se não tivesse a junção entre a razão e a emoção, consequentemente, o livre arbítrio. Hoje, ao escrever este texto acho que o extraí de um sonho que perdi, onde se digladiavam a razão e a emoção. Naquele sonho me vi chorando, logo eu que adoro sorrir e gosto de pessoas que sorriem. Mas tem nada não, pois bonito mesmo é essa parte imaterial da vida que chamamos de espírito, e, quando a gente menos se espera, a gente se supera. De posse do livre arbítrio e monitorado pela emoção e a razão, entendi que é a maneira mais sensata de se chegar mais perto de ser quem a gente é, mas a bem da verdade, a gente já é.

Ademais, ninguém melhor do que a gente pra saber o que é bom para a nossa vida. Ninguém, ninguém mesmo! Mesmo por mais experientes, por mais vencedores que são, poderão ditar o que eu e você devemos ou não fazer. Quando estiver diante de uma escolha difícil, o coração disser uma coisa e a razão outra você tem a seu favor o livre arbítrio para decidir, mas se resolver se calar, não dizer nada, deve ter pensado bem. O importante é não se deixar levar por uma coisa, nem outra. Se usar o incorrigível coração é bom saber que ele é levado pela emoção e tem tendência a fazer com que percamos um pouco a nossa razão, ou a capacidade de um raciocínio coerente. Todavia, a razão sozinha não poderá ditar normas e as regras da sua vida, nem tampouco os que convivem com você. E quando se fala em laço de convivência é muito importante não magoar e nem decepcionar ninguém, mas isso não deve ser à custa do sacrifício da própria vontade e necessidade de ser feliz. Ninguém, por mais próximo que seja, poderá decidir de que forma você deve viver. A vida é sua e você não tem duas ou mais vidas, só uma.

É muito fácil dizer às pessoas o que devem ou não fazer. Não é por que se está do outro lado da tela que se vê melhor. A verdade é que decidindo por nós elas se tornam responsáveis pelas nossas escolhas. Mas, no tocante a essa frase, seja de efeito ou não, pode ter certeza, não passa pela cabeça de ninguém. Sendo responsáveis e sofrendo nossas dores pode até fazer com que doa menos em nós, mas não podemos exigir e nem corroborar com isso. Ademais é digno e honesto de nossa parte cumprir promessas e desonesto não cumpri-las alegando somente que foi feito por dever, sem que haja um real sentimento movendo essa decisão. Ser honesto com os outros é muito bom. Mas, antes, é fundamental ser honesto com a gente mesmo.

Por mais doloroso que seja, por mais difícil que possa parecer, é necessário que libertemos do que pensam e dizem os outros. Pergunte si mesmo: o que eu quero para minha vida? Talvez nem saibamos exatamente o que queremos, mas sabemos muito bem o que não queremos. Quando nossa emoção (coração) estiver brigando com a razão (raciocínio), tentemos pensar no que vai nos fazer feliz em longo prazo. Mas, se sentirmos confusos, com mentes atribuladas, fechemos seus olhos e nos entreguemos nas mãos daquele que nos conhece bem: Deus. Mas façamos isso de verdade, usemos essa nossa parte imaterial desconhecida de todos nós: o espírito. Só Deus sabe do nosso amanhã, quando decidirá ou imporá sobre nós, mas vai certamente nos colocar uma luz para clarear nosso caminho e nos indicar qual deles devemos escolher. Eu aprendi que na vida a gente deve se habituar a tudo e somente as pessoas que se amam será capaz de entenderem. Então, usemos nossos espíritos altruístas e o livre arbítrio nos dado por Deus e tentemos encontrar o equilíbrio entre o que diz seu coração e a razão, mas sabendo sempre que a vida não é um corredor reto e tranquilo que a gente percorre livre e sem empecilhos, mas um labirinto, onde devemos encontrar entre os caminhos perdidos e confusos ou presos num beco sem saída, o certo.


Simplesmente cansei II

domingo, 18 de junho de 2017


Todos nós somos fortes o suficiente pra suportar a falta que alguém nos faz. No tocante a mim sempre procurei ser forte pra nunca voltar atrás e jamais me arrepender do que fiz e ou mesmo daquilo que deixei de fazer. No entanto, quando escrevia este texto comecei a pensar que não era tão forte assim, e queria apenas entender o que ainda me prendia aqui no meu recanto. Por que razão? Será assim tão forte? Eu procurava fazer de tudo do meu tudo, mas nada aliviava a falta que sentia talvez indecifrável, incompreensível para mim mesmo. Quem deveria se importar com meu tudo se desconhecia fatos e razões, mas isso não me importava, porque simplesmente estava me cansando de ser forte, todavia, sem me tornar totalmente fraco, pois a estrutura que adquiri durante minha existência não me deixou jogar fora a chance que dei e continuo dando a mim de me fazer feliz. Tudo, do meu tudo mesmo eu me abstinha de absorver em sua totalidade era para não sofrer diante de um acontecimento qualquer, inusitado. Hoje, entender o que acontece com a gente é o mais essencial para cada um de nós. Às vezes ignoramos o que nos transmite um olhar, um aceno, um afago, um sorriso, uma mensagem postada. Rimos e choramos, mas, possivelmente, expressando no rosto risos ou choros superficiais.

Cansei, mas não é de caminhar. O meu cansaço não é físico, é espiritual. Tão espiritual que não consigo me achar nos meandros de uma mansa correnteza, nem os meus devaneios imaginários que escrevia em folhas de papel, e de outra parte, recuperar os sonhos sonhados em noites primaveris ou aquietar-me diante de tantos pesadelos. Não obstante isso, cansado ou não, procuro sempre trazer um sorriso no rosto, mas acho que com o passar dos tempos estou me tornando uma imagem turva. Mas existe o tal do bem-querer que tenta deixar a gente forte, mas como ser humano que sou, fraquejo, e fraco, às vezes não consigo; não consigo nem sonhar com frio olhar de alguém que se esconde por detrás um muro intransponível.

Cansei de ser forte, porque ultimamente tem sido difícil manter tudo ao meu redor congelado. Esbarro nas pessoas como se fossem seres estranhos, mas sabendo que não são. Mas o mundo fez e continua fazendo grandes mudanças em nós e a gente tem dificuldade de aceitar alguém como uma pessoa comum, normal, que às vezes se destoa, não deixando bem o final de sua história. Torna-se ainda mais estranho é o jeito frio, jeito de não se importar muito com as coisas que se seguem até os dias de hoje, todavia, temos de acreditar que exista alguém, um Ser Supremo, com capacidade para mudar tudo isso.

Em busca de memórias boas e reflexivas para inserir neste texto, lembrei-me de muitas. Na verdade, mesmo cansado de tudo, eu nunca me esqueci de nada, apenas tirei do meu foco as mazelas e iniquidades que vem ocorrendo no mundo e em nosso País. Não foi tão foi difícil retirar isso e até me confortou, mesmo estando cansado disso e de tudo mais. É estranho quando alguém que estamos acostumados a dialogar discorda da gente, se contraria com qualquer coisa dita e escrita, e até some da nossa vida, mas deixam os rastros, gestos e palavras como lembranças. Acredito que foi através delas que encontrei forças para não deixar outras pessoas irem e dar valor às mais próximas, sem sentimento de culpa por ter sumido por um tempo de suas vidas. Só que hoje, de alguma forma, estou pagando por ter deixado algumas irem, e foi assim que descobri que ainda me restavam forças, que eu não sabia de onde tirava, mas certo de que elas chegavam para ocupar espaços que não eram meus, mas que eu amei ocupá-los.

E por mais que eu tentei enterrar o meu passado, acredito que sempre irá despertar reações estranhas em mim porque ele foi mais positivo que negativo. Tenho de convir que não seja somente eu, mas todo ser humano em geral precisará mais do que uma imagem para se satisfazer de seus anseios e vontade própria para consecução de seus sonhos e objetivos.

Até onde cheguei tive que ser ou mostrar-me forte, aliás, tive que aprender a ser forte e para isso passei por grandes tempestades, tive muitas decepções, engoli muita coisa, deixei de engolir outras e passei por cima de tantas e tantas outras sem ferir ninguém. Em determinados momentos me vi obrigado a construir a minha própria muralha. Se não bastasse, fui obrigado a andar sobre pedras pontiagudas, passar por barreiras quase intransponíveis que encurtavam o meu caminho e ainda, driblar todas as outras que foram aparecendo durante minha existência. Aprendi a ensinar meus ouvidos a ouvirem somente aquilo que me interessava e que fosse útil; aprendi a ensinar minha boca a falar somente o necessário e quando não ocorria me calava deixando apenas que o meu silêncio falasse por mim. Guardei segredos, ocultei palavras e às vezes as escondia em compartimento onde só eu e Deus tinha acesso. Por isso caro leito e leitora podem não gostar de meus textos que acredito serem às vezes sem nexo, mas não me julgue sem a devida sensatez, nem arremesse pedras ou palavras que me firam, pois poucos não viveram o que eu vivi, não passaram por tudo aquilo que eu passei, não sabe o quanto eu lutei para realizar um bom combate, chegar até onde cheguei e nem mesmo sentir na pele o que eu sentia. Eu posso dizer que já pensei até em parar de escrever e que cansei de tudo aquilo que passa ao meu redor, principalmente em relação à política rasteira e o dividido e conturbado judiciário brasileiro, mas é normal que todo mundo cansa, mesmo os esquerdistas e outros que se dizem contrários, mas antes que a gente fale um do outro, voltemos no tempo e caminhemos pela estrada da nossa vida, aquela que construímos durante toda nossa existência, pois só ela é capaz de repaginar a nossa história, e caminhando, teremos condições de dizer se praticamos o bem e alcançamos o sucesso e objetivos que tanto almejamos.


Voto de minerva e o de impedimento

quarta-feira, 14 de junho de 2017

No Reino da Fantasia chamado Brasil a voz das ruas não repercutiu nas discussões da Corte. Talvez aquele Poder Judiciário continue indiferente ao clamor popular, todavia, não se pode deixar que essa indiferença prejudique o clamor e nem contamine a independência judicial exclusivamente vinculada à obediência dos juízes à lei e ao Direito. Os juízes devem aplicar a Constituição e as leis e demitem-se de suas funções quando se submetem a outras “demandas” construídas sob fatos reais, provas cabais e notórias, de suma importância para o Reino e jamais serem decididas por um simples voto de minerva de uma votação empatada e ou mesmo de um voto de um Ministro impedido por Lei.

Assisti a tudo, perplexo. Perplexo porque eram tantas as provas apresentadas pelo nobre e competente relator, e tão convincentes que não me deixava dúvida quanto à cassação da chapa. Terminava a votação fiquei com "cara de tacho". Incrédulo! Aí perguntei a mim mesmo: Quem vai entender os petistas que clamam nas ruas ou nós, patriotas, que queriam também a saída de Temer: Nas manifestações de rua eles clamam, seja através de faixas ou grito: FORA TEMER! Mas como acreditar nesse pessoal, pois no TSE, um Ministro petista e ex-advogado de Dilma votou pela não cassação da chapa, mantendo-se assim, o Presidente Temer no poder. Realmente fiquei sem entender o posicionamento daquele Ministro diante de tantas provas acostadas no processo. Ademais por ser ele ex-advogado de Dilma em 2010, não importava qual ano, naquele processo tratava-se de julgamento de Dilma e Temer, no qual, entendia que ele devia alegar-se impedido, conforme preceitua a legislação pertinente à matéria, mas não o fez.

Para os petistas de plantão bastava o voto dele para tirar Temer do Poder e salvar a nação dos corruptos já denunciados pela PGR, homologado pelo STF que circulam nos corredores palacianos, e quiçá, termos a sensação de novas eleições... O Ministro ao emitir seu voto procurou fugir das provas cabais e convincentes constantes dos autos. Fiquei perplexo porque senti que aqueles juízes do TSE que votaram contra a cassação pareciam que estavam articulados para frustrar as expectativas democráticas dos brasileiros. Decidiram fechar os olhos aos fatos, provas e evidências que levariam a chapa Dilma - Temer à cassação num tribunal decente. Se tivesse ocorrido dessa forma estariam ajudando a fazer história, colocando-se ao lado da nação, cujo povo vão às ruas para acabar com a impunidade dos crimes de colarinho branco. E ao confirmar aquele voto perguntei novamente a mim mesmo: Será que os petistas agora vão gritar: "fora Ministro Admar Gonzaga!" Será que o vídeo mostrado na delação da JBS não incriminava mesmo o outro Ministro que ficou nervozinho e quase deu um “xilique” durante a apresentação de seu voto?

Desde os bancos da Faculdade ouço falar a expressão "Voto de Minerva", sem entender às vezes sua origem ou a história que se escondia por trás dessa expressão. Ela tem sua origem em uma história pertencente à mitologia grega. Agamenon, o comandante da Guerra de Tróia, ofereceu a vida de uma filha em sacrifício aos deuses para conseguir a vitória do exército grego contra os troianos. Sua mulher, Clitemnestra, cega de ódio, o assassinou. Com esses crimes, o deus Apolo ordenou que o outro filho de Agamenon, Orestes, matasse a própria mãe para vingar o pai. Orestes obedeceu, mas seu crime também teria que ser vingado. Em vez de aplicar à pena, Apolo deu a Orestes o direito a um julgamento, o primeiro ocorrido no mundo. A decisão, tomada por 12 cidadãos, terminou empatada. Atena, a deusa da sabedoria, que presidia o julgamento proferiu seu voto, desempatando o feito e poupando a vida de Orestes. Neste momento, o voto de desempate passou a ser conhecido como “Voto de Minerva”. Triste não!

Mas por que Minerva se está falando da deusa Atena? Porque Minerva era a deusa romana das artes e da sabedoria, correspondente à deusa grega Atena. O direito romano, que influenciou todo o sistema jurídico ocidental, incorporou a deusa romana à expressão. Eis a razão da expressão Voto de Minerva, também conhecida como "voto de desempate" ou "voto de qualidade". Mas pergunto novamente: Quanto ao voto de desempate no TSE, foi de qualidade? Entendo que não e acompanhando através de jornais e TV vi que as maiorias dos comentaristas políticos estão indignadas com tal decisão. Para mim foi um voto mais político que judicial e explico em face das ligações do Ministro Gilmar Mendes com o Presidente Temer: Em janeiro, os jornais noticiaram que o Ministro viajou a Portugal e no mesmo avião seguia a comitiva presidencial para assistirem o funeral do ex-presidente português Mario Soares. Meses depois Temer e outros políticos participaram de jantar oferecido pelo Ministro em sua residência em Brasília, sempre negando que essa proximidade tivesse influência no julgamento e que as relações com o Palácio eram apenas institucionais, todavia, é sabido que ele é um dos Ministros do Supremo que mais expressam sobre política. Um fato relevante, que me deprime ao ver o seu voto de minerva é que durante do governo Dilma foi um duro crítico do PT, a quem acusou, em 2015, de ter “um plano perfeito” para se “eternizar no poder” – plano este “estragado” pela operação Lava Jato, da qual é publico e notório que o Ministro nutre uma antipatia descomunal. Por fim, cito aqui duas frases para reflexão: Elias Murad disse tudo em poucas palavras: “O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo.” E o saudoso Jânio quadros: "Aprendi no berço com minha mãe, que não há homem meio honesto e meio desonesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são."



Redemoinho, o filho do vento.

terça-feira, 6 de junho de 2017


Zé Bigorna andava meio triste lá pelas bandas da Vila Tamanduá quando certo dia um redemoinho passou pela rua poeirenta tangendo folhas secas, papéis, sacolas plásticas, espantando pássaros e levando toda a sujeira local. Zé nasceu na cidade de Cabribó no sertão da Paraíba e há tempos vinha tentando esquecer-se das terras secas nordestinas e morar de vez nas produtivas regiões do sudoeste goiano, onde sobreviveria plantando soja e milho. Ia até bem na vida, mas um dia tudo se foi por “água a baixo”, pois começou a dever pra muita gente e se enroscar com a justiça local, e o jeito foi fugir da Vila Tamanduá da próspera cidade de Mandruvá. Passou a viver de roça em roça, de cidade em cidade, mas certo dia quando vagava pelo centro da cidade de Mamoeiro, sem as suas inseparáveis peças, o famoso alforje que carregava sobre os ombros e uma algibeira, todos vazios, e ao seu lado, o cão Peralta e mais nada. Diante de um redemoinho que surgiu do nada, sentiu-se como se fosse uma simples folha papel. E sufocado por uma densa poeira, sentiu o seu corpo rodopiar-se e ser engolido junto com o de Peralta e outros incontáveis pedacinhos de papel. Tentou escapulir, mas de nada adiantou. Sucumbiu-se à força daquele vento e ao próprio desalento. Junto às sobras dos papéis recortados e sacolas voadoras levadas aos céus, Zé Bigorna desapareceu transformando-se apenas em mais que uma obra efêmera da natureza. Tão efêmero como aquele vento circulante que formava um redemoinho.

Nem bem longe dali vivia um tipo estranho e sempre usava um gorro na cabeça, jeito de quem dominava a natureza e caminhava em direção à rua poeirenta. Era matuto como Zé Bigorna, como aquelas pessoas que descambam para a cidade e para sobreviver faz de tudo um pouco. Estabelecera na cidade de Mamoeiro exercendo uma função também estranha e só se firmava quando os ventos eram bons e fortes, pois como dizia o povo: o danado era criador dos redemoinhos e chamado “filho do vento”. Com sua força sobrenatural viu a aristocracia, vestiu a fantasia e tornou-se um ser surreal naquela região, principalmente quando os ventos mudavam de rumo, pois ao invés continuar girando sobre si aquele ser estranho tornou-se um encantador em ruas e campos poeirentos. Diziam que lutou muito para escapulir do feitiço, mas não conseguiu safar-se e nem mudar a direção do vento, pois mesmo sendo feiticeiro, começou a entender que a vida destoa, voa, assim como ele, Redemoinho, o filho do vento.

E por falar em redemoinho, não tão diferentemente do filho do vento, ele surge quando há aquecimento em determinado ponto, transferindo-se esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele, e, quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão, ganhando velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de “sujeira” se torne visível. Pois bem, o estranho de nome Redemoinho parecia conhecer de tudo isso e dizia as más línguas que ele era realmente o filho do vento. A população sabia que a grande euforia dele era quando surgia o vento que vinha do sul, seja para fazer o bem, ou para o mal. Todos tinham certeza de que o vento sul era o seu pai e que, com sua força descomunal, levantava poeira, sacudia mares, brincava com os oceanos e fazia surgir grandes ondas todas em redemoinho tudo como forma de homenagear o filho

Ouvindo essa história ou estória sei lá, como escritor e poeta, passei entender o fascínio que tenho pelo vento, até mesmo quando ele abate os galhos das árvores e faz planar as folhas secas caídas no chão. Sempre que o vejo soprando, seja forte, manso, ou em redemoinho, me vem o desejo de parar num campo aberto e arremessar o meu chapéu para o alto só para ver qual direção ele tomaria, mas sempre esperançoso de que o sopro do vento me levasse junto e me deixasse num lugar qualquer, e que a distância não apagasse a minha existência No fundo entendia que não era necessário compreender quando o vento sopra em nossa direção, mas saber que a razão é capaz de compreender o sucedido, pois as feridas no coração com o passar dos tempos já estão extremamente profundas. No entanto, para mim não me importava qual direção ou distância o vento nos levaria, só sabia que eu iria junto com meu chapéu. Sem volta.


Por que silenciaram os sinos?

terça-feira, 30 de maio de 2017


O melhor som é aquele que sai em silêncio de nossas mentes e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. Os badalos de um sino há tempos esquecidos, hoje diante da adversidade da vida eu acredito que só voltarão possivelmente, num entardecer, numa tarde mais vulnerável onde todas aquelas que se foram desvanecidas, jamais nos deixaram sucumbir ante as intempéries do tempo, da insensatez, da falta de honestidade, da ética e caráter do ser humano que nos faz adormecer sob escombros. É importante frisar que Deus ao criar o homem colocou em sua mente uma multiplicidade de sensações e emoções capazes de despertar sentimentos mais variados, desde o prazer proporcionado pela contemplação da beleza, da harmonia e equilíbrio naturais, até do terror e impotência gerados por pessoas com saúde precária, passando fome, outras sem a mínima condição de plantar para a sua própria sobrevivência. Por outro lado, é comum vermos meninos e meninas cheirando cola para enganar a fome, crianças e mulheres que se prostituem para sobreviverem; chacinas, roubos, corrupção, tudo isso me oprime, sem falar das catástrofes e fenômenos naturais que ocorrem no mundo, onde tudo parece irreal, mas é pura realidade e se alastra como se fosse uma coisa natural característica da própria espécie humana, que a tudo vê e assiste complacente através de jornais e imagens geradas pela TV.

Quando intitulei este artigo como “Por que silenciaram os sinos” o fiz com  o intuito de homenagear os missionários e a todos aqueles que lutam em prol de sua comunidade, que pratica o amor ao próximo, a solidariedade e a volta das riquezas e criatividades cristãs, que criteriosas, podem fecundar novas reflexões e ajudar a delinear e modelar novos conceitos de vida em face do processo atual, de forma que, cada pessoa se torne responsável pela sua própria história, pela sua própria libertação, transformando a sua realidade de forma que se efetive a justa liberdade e amor, ainda que de maneira rudimentar, todavia, mesmo diante da labuta diária desses abnegados vimos que silenciaram os sinos que antes badalavam por um simples motivo, todavia, corrupção se alastra e muitos graúdos se fazem de cegos, surdos ou mudos diante de toda essa situação, então, resto-nos ver nos bancos de hospitais pessoas morrendo à míngua sem a atenção do poder publico, e nas ruas, crianças, jovens e adultos viciados em drogas, totalmente abandonadas, sem rumo, e com a mente deturpada, perdem o raciocínio e ficam perdidas na escuridão de seu próprio ser.

Sem ouvir nenhum badalo e com o pensamento absorto, me vi rodando pelas ruas da cidade, sem passar sobre pedras ou bisbilhotar as belezas circundantes. Olhava o vaivém dos veículos e a falta de respeito às leis de trânsito e ao próprio ser humano. Cada carro que ultrapassava o meu, sentia uma dor no coração ao imaginar que a vida de cada uma daquelas criaturas sequer tinha tempo de pensar que existe vida além vida e que poderia ter que prestar contas do que faz neste mundo de expiação e provas. Sequer tinham tempo de observar os pedintes amontoados nas calçadas e uma criança esquelética sugando o seio da mulher que parecia doente. Um quadro que jamais apagarei da memória. Pouco mais à frente, um vento quente soprou manso e logo deparei com alguns jovens descontraídos que usavam colares, brincos, pircing, cabelos pintados em cores variadas, dando-se a impressão de estarmos vivendo em outro planeta. Fumavam e soltavam baforadas de fumaça que cheirava a “baseados” e nos refrigerantes, misturavam diminutas pedras de crack no afã de contemplar melhor a vida e de se “chegar às nuvens”, talvez numa nave criada pelas suas imaginações, sem destino e desvalida.

Ao quebrar os laços familiares, deixar de ajudar aos infortunados, aos doentes e àqueles que passam fome, o homem quebra também o elo da cadeia que o liga a harmonia, ao amor, a fraternidade, a fé e equilíbrio de forças assentes nas Escrituras, motivos relevantes que se não exercitados tornam implacáveis e difíceis a mantença da sobrevivência humana, e na forma em que está banalizada, indiferente e que nos leva  passividade, não pode continuar. Ao final, deverão estar fundamentadas precisamente no amor, na caridade, não ficar à deriva, sem referência, para no final, saber por quem os sinos voltaram a dobrar.

Hoje, o homem não mais cora de vergonha e muitas vezes nem vê  motivos para isso. Talvez a vergonha que não se aflora mais em seu rosto é que o fazem fazer tantas declarações de intenções, tantos compromissos político-sociais, tantas promessas de ajudar ao próximo, ajudar aos doentes, ao menos favorecidos; muitas vezes não realiza alegando falta de tempo ou faz-se de esquecido. Ao ouvir as palavras de um amigo missionário confesso que corei e sei que muitos coraram e vestiram a carapuça. Eu, às vezes, me sinto em débito com a minha comunidade, mas cheguei à conclusão também de que temos a oportunidade fazer alguma coisa boa em prol de nosso Planeta e se não o fizermos será por mero capricho. Podemos transformá-los num paraíso se agirmos com correção, termos amor ao próximo e sermos solidários um ao outro, ou num inferno, se sucumbirmos sob o peso do pecado e da falta desse amor A resposta a esse desafio está presa nos elos da imensa cadeia da vida, que se quebrados, deixarão todos em cárcere inseguro, e para saírem ilesos, difíceis serão as decisões que cada um terá de tomar. E é diante dos fatos narrados que cheguei à conclusão de que urgem as igrejas se manifestarem, não importa qual religião seja, saírem do seu silêncio, clamar, seja com o manuseio das mãos do homem ou a de Deus para servir como alerta a todos aqueles que há tempos corrompem, mente, roubam, esfacela o País e que depois de eleitos, jamais procuraram ajudar a carregar o cajado, talvez espinhoso, mas recheado de honestidade, respeito, ética e moral construído em prol de uma nação que hoje se angustia diante de tantas mazelas provocadas por gente corrupta que se alastra por todas as regiões do Brasil sob o olhar condescendente ou benevolência excessiva e morosa da justiça brasileira.



Em quem devemos confiar?

quarta-feira, 24 de maio de 2017


Quando menos se espera a imprensa escrita e televisiva noticia sobre corrupção e desvio de dinheiro público. Têm certas notícias que gente se surpreende porque alguns desses políticos estiveram em nosso convívio e alguns, até pedimos votos pra eles. Que decepção! É tanta a decepção que a gente não sabe mais em quem confiar ou acreditar, e se for “ficha limpa”, vai continuar mantendo-a intacta depois de eleito? Há casos de políticos que estavam desaparecidos e de certo modo ficamos preocupados, mas vêm as eleições e eles aparecem na maior cara de pau. Pergunto: que devemos fazer? Deixar de votar? Diante de tanta corrupção fica difícil de escolher; fica difícil de esquecer as mazelas; fica difícil de esquecer o desrespeito ao erário público e da urucubaca política que eles fazem. Não está fácil mesmo! Entendo que neste momento crucial em que passa o Brasil não é momento para discutir sobre Partidos, pois todos estão no mesmo patamar, e não se deve transformar um corrupto de “estimação” em mártir. No momento o povo é que é vítima. Mas infelizmente muitos ainda ignoram as maracutaias, são partidários e continuam votando naqueles que surrupiam a Nação. Só pode ser compra de voto, estão recebendo “benesses” ou este eleitor é besta mesmo!

Viver essa política dessa forma e não confiar em ninguém hoje está mais difícil ainda e não há como negar. Há momentos que a gente procura desligar-se do mundo, no entanto, é preciso saber se desligar. Será que é fácil? Nem tanto. Há momentos que procuramos descobrir de como agir dentro do nosso tempo que é tarefa nobre, pois exige um grande conhecimento sobre a gente mesmo. Aí, acredito, talvez, seja mais fácil, no entanto, para quem conhece a si mesmo. Já pensei até em parar o relógio ou esquecer-se de colocá-lo no pulso ou na estante. De tanto tentar descobri que meu tempo está dentro de mim e cheguei conviver com o dito cujo ao pé do ouvido e ainda temos o danado do celular na mão que segundos e segundos recebem mensagens emitindo sons perturbadores. Evito agendar muitos números de telefones para que o mesmo não ocupe do meu tempo sem eu querer. Será que o tic-tac do relógio em cima da escrivaninha quer ficar no lugar do coração? Sei que são sons diferentes, todavia os regulo para que respeitem a minha hora e meu tempo porque pretendo desacelerar tudo, entretanto, pensei: mais do que aprender a correr, é preciso saber parar.

Não adianta manusear com perfeição o mouse, viver como se eu fosse um semiautomático diante do monitor, deixar de sorrir, tirar folga ou levar uma enorme culpa dentro de mim. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo, pois a inflação anda a galope. Aqui no meu recanto poético, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está nos livros, jornais ou revistas, mais dentro de cada um de nós. Entendeu o que eu disse? Se você não entendeu, quer tentar? Respire fundo, então. Desencane. Liberte-se do tempo que te rodeia e, sobretudo, perca seu tempo somente com você! É uma responsabilidade enorme desconectar-se, disso eu sei, mas a vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar, mas sempre com o cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil não é mesmo? Pode ser pra alguns, mas não para muitos malucos que brincam com a vida, fazendo dela um brinquedo. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. É uma aceitação suave dos próprios defeitos que temos ou um rir da gente mesmo, um desaprender contínuo ou um aprender sem fim sobre o que queremos da vida.

Caro leitor, não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara pra você. Esqueça e faça de conta que não tem ninguém à sua frente. Se esqueça. Você é capaz de decidir sobre e o seu futuro, de fazer boas escolhas, seja tratando ou não de período eleitoral. Costumo ler muito, analisar as ações nefastas de políticos e o meio escusos que eles usam para enganar o povo e a justiça, mas posso afirmar que ainda nada sei da vida, pois ela é um mistério, no entanto, uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito e muito! Eu acredito no que diz o silêncio na hora em que a minha massa cefálica se cala, pois ali está toda a engrenagem controladora de meus pensamentos, bons ou ruins. De outra parte, o meu silêncio que não tão é mudo assim, em compasso com a mente, vive dizendo com voz desafiante: confie em ti mesmo. Quebre a rigidez. Ouse mais. Vença mais obstáculos. Viva com mais leveza. Desligue-se, e se puder, adormeça nos braços do tempo, pois só assim você vai transformar a vida em letra e letra em vida. Tenha coragem e fôlego pra ser você mesmo, pois saberá que sob qualquer ângulo em que esteja situado no universo para considerar esta questão, chegar-se-á ao mesmo resultado execrável: a surpresa de ver vários políticos enrolados com a corrupção, pessoas defendendo-os arduamente por pertencerem ao seu Partido esquecendo que devemos defender é a nação brasileira. Essa minoria, porém, dizem os marxistas: compõe-se de operários manipulados por sindicatos, trabalhadores sem terra e sem teto, e estes vão às ruas em troca de pão com salame e uns trocados, enquanto seus chefões chegam de jatinho e almoçam em chiques restaurantes. Por outro lado, operários que se tornam governantes de um País ou representantes do povo no Congresso Nacional, deixam de ser operários e se põem a observar o mundo proletário de cima para baixo ou acima do Estado; não mais representando o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo usando meios fraudulentos e corrupção para se perpetuarem no poder. Quem duvida do que eu falo não conhece a natureza humana, por isso, ando desconfiado e desacreditado de tudo.



À espera de um novo crepúsculo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fito com os olhos o mundo que construí durante toda minha existência. Fito, mas às vezes canso quando vejo um amontoado de estrelas e a lua cheia, despretensiosas, cumprirem morosamente suas rotas. Deito-me sobre a relva e olho para o céu e pergunto ao silêncio que me rodeia: Que bom passasse um meteoro e ele desviasse de sua rota e caísse perto de mim? Fiquei ali quieto sem nenhuma luz a importunar-me, apenas recebendo o manto negro da noite, mas não me preocupei, pois, talvez, poderia ser contemplado com um meteorito antes do amanhecer. A relva estava úmida e ele me fez lembrar-se da tarde chuvosa que cobrira o céu escondendo o meu sol naquele lugar aprazível. Mas tudo passa, pois entendia que a leitura que fazia do meu mundo me enriquecia assim como o meu aprendizado sobre o ser humano e das minhas idas e vindas ao mundo da leitura que me tornaram mais experiente. Entendi que, olhando para o mundo que criei que não existe nada mais rico que o ritmo da vida e não importa o lugar em que a gente esteja. O meu momento de fazer diferente é hoje, é agora; portanto, acho que faço ou procuro fazer diferente.

A claridade no céu auxiliado pela lua e estrelas era visível, deslumbrante. Entre a noite e o nascer do sol ou entre seu ocaso e a noite havia certa dispersão da luz solar na atmosfera, mas era compreensível. A claridade que eu amparava com as mãos ofuscava meus olhos, mas de repente, vi uma mulher extremamente bela, quieta, cuja imagem aparecia detrás das folhas das árvores cortadas pela luminosidade lunar, e foi aí me detive, e meio atônito, comecei a examinar seu rosto sempre com atenção e o extremado carinho de quem fixa numa flor. Sobre a haste do colo fino senti-a trêmula, talvez fosse a leve brisa que passava sobre o verdejante serrado; talvez fosse o estremecimento do crepúsculo que estava por vir. Era tão linda que nem ouvia o canto nostálgico do Curiango no alto da serra. Perguntei novamente ao meu silêncio se já estávamos preparados, nós, um homem simples e o seu silêncio, para testemunhar o aparecimento daquela imagem e a nossa fugaz presença sobre a terra. Sabia que eram precisos milênios de luta contra a animalidade, milênios e milênios de sonho para entender esse momento delicado a que me expunha. Não era possível tocar em seu corpo esbelto, mas os meus olhos brilhantes repetiam em outro ritmo a exata melodia encenada pelas minhas mãos.

Contemplei-a... Ela e o manto negro da noite me confundiam, mas, a sua bela silhueta e um leve movimento fez com que meus olhos voltassem a ter o brilho doce da adolescência. A forma que a via sabia que não se repetiria e talvez desaparecesse para sempre no crepúsculo que se aproximava. Fitava-a e sentia seu olhar triste, mas nada podia fazer, era apenas uma miragem. O desejo de tocá-la não se esvaía, mas sabia também que outras imagens apareceriam mesmo sob torvas chamas rubras, e viriam despojadas sem a eterna marcha banal. Deus fez e refez sem cessar e como quis as imagens humanas porque sabia de nossos erros e que a negligência dos homens entorpece. Mas neste momento, sobre a relva, sou menos uma pessoa que um sonho de luminosidade que passa entre as folhagens. Eu e ela, no tornamos apenas uma fantasia de luz entre lua e estrelas, e juntos, ficamos trêmulos, como se nossa existência fosse efêmera, mas que sabíamos que seríamos eternos. Mas o que dizer e porque despetalar palavras tolas que vêm sobre minha cabeça? Na verdade não sei o que dizer apenas aquietar-me sobre a relva, olhar, olhar para o céu, como quem reza, e depois, antes de montar meu cavalo Alazão e partir, restar-me esperar por um novo crepúsculo, mas com a mesma imagem e o brilho do seu olhar.


 
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