Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

O garoto que não driblou a morte

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Diariamente vemos cenas chocantes na televisão. O apresentador, sem pedir licença, entre em nossos lares e vai mostrando cenas de criminalidade que infestam nossas cidades. Debaixo das marquises ou em bancos de praças pouco iluminadas, jovens esquálidos, maltrapilhos, sem rosto, deitam sobre as calçadas, parecendo espectros animalescos possuídos pelo demônio. São cenas horripilantes! Em becos, ou numa rua ou avenida, mais perecem protagonistas de filmes de ficção e nesse palco de horror, uns se arrastam ou cambaleiam pelas calçadas como se fossem répteis, e dominados pelo vício, não respeitam nada que vêem pela frente. Sob o uso da maconha destroem lares, famílias, roubam e até matam seus entes queridos para adquirir a maldita droga. Esses personagens que perambulam pelas calçadas, abandonados pelo setor público, e até pela própria família, não conseguem viver sem ela, perambulam pelas ruas sem rumo certo, como fossem esqueletos humanos, sujos, maltrapilhos e em seus rostos vemos movimentar apenas um infinito de esgares, como se a câmara do olhar estivesse fora de foco para mostrá-los nas tevês, como meros seres anônimos, mortos-vivos, pesos-mortos, e às vezes cobertos por míseros cobertores de lã, ficam encolhidos nos cimentos frios de uma calçada qualquer. As imagens focadas pela TV não mostram esses infelizes colocando um pedaço de pão ou um copo de leite na boca, mas, cachimbos infectos e até latinhas de refrigerantes que eles adaptam para “fumar” maconha. Essa maldita planta, que não cria, não dá, somente tira e mata!

Lembro-me de um garoto extremamente alegre, que mesmo nos campos de futebol de chão batido, fazia a bola rolar com maestria, cadenciava as jogadas para municiar os companheiros e possuía um chute desconcertante, certeiro. Era o artilheiro do time. Menino humilde e mesmo com os pés descalços, sonhava um dia calçar chuteiras coloridas e se tornar um Cristiano Ronaldo, um Lionel Messi, um Neymar... Empreitada difícil considerando esta comparação porque ele não teve berço e nem fora preparado pela sociedade como foram esses atletas e tantos outros; nunca lhe foi exigido assiduidade na escola ou mesmo recebido apoio da família e uma educação religiosa. Ninguém o acompanhava em suas perambulações pelos campinhos poeirentos que se espalhavam pelas periferias da cidade. Faltava-lha o amor, diálogo. Em muitas daquelas praças esportivas as drogas “rolavam” livres e nos becos e lotes baldios garotos e garotas se prostituíam e o pior, as drogas se espalhavam e junto com elas, as mais letais, mais baratas, piores que a naftalina das baratas cascudas, piores do que tomar água suja no leito das calçadas de via pública. Ela se multiplica e transformam esses incautos, não mais apenas pobres, mas todos somente em lixos urbanos, homens-descartáveis, não-recicláveis. Num País como o nosso, onde certas coisas parecem não ter qualquer importância: a dignidade é apenas uma delas. É um confronto difícil e violento sair todo dia às ruas, pior ainda quando se vive numa grande cidade, como a nossa, e pouco se pode fazer. Você dá de cara com crianças vivazes obrigadas a mendigar a pedido dos próprios pais alcoólatras ou viciados. Dá de cara com gente velha, com fome, doente, com feridas pelo corpo, alguns carregando faixas de publicidade no pescoço, outras mutiladas advindas de uma guerra quixotesca. Damos de cara com pais perversos, padrastos e madrastas, violentas e criminosas e quando não damos de frente com elas, a televisão mostra. Nas esquinas, nas pontes e postes, dentro de caixas, atrás de muros, junto com os ratos de esgoto, ficam ali jogados os pacotes de lixo-gente. Muitos deles aprendem e sobrevivem com seus vira-latas como se estivessem sendo empurrados pela mão invisível do destino.

Mas agora vamos voltar falar do crack ou quiçá, da maconha também. Essas drogas malditas que, por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central que gera, em razão disso, a aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental. Os efeitos psicológicos são a euforia, a sensação de poder e o aumento da auto-estima. E ela foi o grande mal daquele garoto craque de bola que passou a ser usuário de droga; que não conseguiu ver a vida florescer e retirar dela os galhos podres para poder, pelos menos, conseguir driblar a morte, mas infelizmente não conseguiu. Num entardecer foi visto agonizando num beco escuro sob o efeito da droga, só que, naquele dia, além de uma overdose, recebera um tiro no peito, porque simplesmente não conseguiu pagar uma dívida inerente a umas pequenas “pedras” de crack que comprara de um traficante. 

Ao ver aquela cena pela TV questionei: O que as autoridades constituídas têm que fazer? E sem pensar, respondia com ar de revolta: Em primeiro plano, a vontade política em resolver tal situação, não obstante constatemos que, enquanto existir no Congresso Nacional os conchavos, as negociatas que fazem surgir as famigeradas benesses de emprego para seus apaziguados, um dinheiro a mais no orçamento; faz surgir os corruptos e corruptores que se perpetuam com o auxílio poder Executivo e legislativo. Enquanto existir a política esperta e populista que está aumentando a preguiça da população carente oferecendo bolsas família, tudo isso em nome de um capitalismo barato, de fachada, que gasta milhões em propaganda para fazer você acreditar naquilo que não vê. Enquanto não existir uma base mínima de um trabalho coordenado, completo, que una saúde pública, assistência social, caridade, segurança e perspectiva, inclusive emocional, de nada adiantará o esforço daqueles que querem ver o Brasil sem crise. Em segundo plano, neste momento cruciante, todos precisam apoiar todos; todos por qualquer um. A liberdade individual, a possibilidade de escolha, existe, mas ambas têm, sim, limites.

Não adianta pegar esses infelizes e levá-los a abrigos, dar-lhes banho, lavar suas roupas, secá-las, botar para coar, enfiar comida em suas bocas, porque eles preferem as ruas. Dar entrevistas bombásticas, com o fito emocional, também de nada adiantará, pois em minutos depois, em abstinência, eles voltam. Não adianta a sociedade empurrá-los de lá para cá: agora estão cada vez mais perto de nós, onde são mais danosos que pode soar como um alerta: os traficantes estão chegando aos montões em qualquer parte do País e alimentando os usuários de crack e cocaína, principalmente em Goiânia. Vemos na televisão que esses usuários e traficantes estão transformando o Brasil num teatro de horror, cujos personagens parecem ter saído de filmes de terror protagonizando cenas inenarráveis, lotando de infelizes os gramados da vida mundana. Se a sociedade organizada não tomar providências urgentes; se os olhos por mais embaçados que forem, marejados ou míopes não verem, se seus ouvidos não escutar o clamor que vem das ruas; se todos os responsáveis continuarem empurrando com a barriga, poderá, de um lado, esta dependência química se proliferar de uma maneira assustadora, incontrolável e fazer fortunas para muitos, entretanto, do outro lado, destruir vidas, famílias e aumentar os “lixos” humanos.





Deixando a vida e o vento me levar...

domingo, 5 de novembro de 2017

Se na infância fui ou não como outros meninos, não me lembro bem, minha memória é meia vaga, mas sei que nunca enxergava o mundo como os outros viam, mas os outros também não enxergavam o que eu via. Desde pequeno eu já via o bonito e o lado poético das coisas, assim como via quando o vento que soprava ou assoviada; sabia que rumo tomava e a suavidade com que levava consigo as folhas secas para, depois, saírem voando, sem rumo. Nada mais triste era levar comigo aquelas folhas mortas e saber que mais adiante poderíamos nos separar dada a força do vento e a fragilidade delas. Quantas vezes amparando minhas mãos no pequeno muro daquele quintal, com o olhar entristecido como a de um poeta aprendiz, sentia-me como a própria folha, e aí não via à hora do vento passar ou da vida me levar, e quando ele passava, sentia-o triste também, pois não conseguia levar até a janela de minha amada o perfume das ressequidas folhas, o cheiro gostoso de jasmim ou das pétalas das rosas que rolavam pelo chão. Se minha amada pudesse pelo menos enxergar a folha, ou o meu olhar marejado detrás do muro, bastava um simples gesto dela para secar minhas lágrimas, me fazer renascer e sentir a vida me levar, tornando-nos um elo, pois sabia que ainda havia esperança. Esperança em um mundo melhor, mais justo, humano e fraterno, onde, talvez, por descrença, o vento ao passar por algumas estações devia ter ficado angustiado, sentimental e via que não havia elo nenhum. Talvez entendesse que minhas angústias, paixões e sentimentos não podiam ser levados por ele, apenas eu ou minha vida. Apenas para ser mais claro sabia o vento não tinha culpa.

O vento não tinha culpa e não podia saber a origem de tudo que corroia a nossa alma, e às vezes, não me interessava saber de onde ele vinha, mas quando passava acariciando o meu rosto o meu coração acordava para a alegria. O vento foi meu cúmplice e tudo o que amei, ele sabe que amei sozinho. Sabe que fui um sonhador. Assim, na minha infância, nas garras da tormentosa vida, ergui-me, no bem, no mal, de cada abismo, e encadeei-me o meu mistério. Prendi-me a sete chaves. Aquietei-me num recanto só meu. Às vezes quando deixava o vento me levar sabia que vinha recheado de cheiro das verdes matas, que trazia a calmaria dos rios e o canto dos pássaros; sei que se ungia nas fontes da vida e veloz, descia da rubra escarpa da montanha beijando o sol, para depois afagar meu rosto com suavidade, me envolvendo em outonais clarões dourados; livrando-me dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiava; livrava-me dos trovões, das tempestades, das nuvens que se alternavam e traziam escuridão. Só no amplo azul do céu, puríssimo, como a um anjo e ante meus olhos, levava em seu colo a pequena folha seca e as pétalas de rosas que se desalinhavam no chão. Folhas caídas e pétalas, mas que conhecem todas as estações da vida e os motivos que as fazem ficarem assim, mortas, jogadas, espalhadas pelos terrenos férteis e inférteis, simplesmente ao léu, pisadas por pés apressados e levadas por ventos que não eram os meus. Ficava entristecido a cada estação do ano, e não suportava ver a manhã seguinte, quando não via as folhas, pétalas sobre as calçadas, jardins floridos e sem saber para onde teriam ido. Eis a vida, acho que a vida é assim, penso eu, e por isso caminhando sóbrio sobre terrenos férteis, entendia que devia deixar o vento me levar também.

Tendo-se razão ou não, assim é a vida. O vento não te levará e nem a sua casa se você for firme e construí-la sobre a rocha; o vento de sua vida será perfumado como a um jardim florido; o vento de sua vida não o sugará da terra se tiveres alicerçado com amor, então, sendo sua vida assim construída, suportará não somente o vento manso, mas também os vendavais, ventanias, tempestades, que poderá até balançar sua estrutura, mas se sua vida for bem regrada não será fácil você cair, sentir o impacto, e não se desmanchará em pó tão facilmente. Podem vir primaveras, verões, outonos e invernos, mas se os homens tornarem-se apenas folhas aí sim deverá temer qualquer ventinho que não tardarão chegar. Assim é a vida... Mas nos anos que virão entendo que não será tão necessário renovar apenas guarda-roupas ou comprar veículo novo, mas sim, deixar que o vento nos leve para renovar o nosso espírito e ampliar a nossa fé em Cristo; deixar que ele nos ensine a dar uma faxina em nossas vidas; deixar que possamos rever tudo que aconteceu de ruim e anotarmos na agenda de nossa existência, as palavras amor, paz, fraternidade, solidariedade e justiça para que tudo possa, daqui por diante, ser diferente. 

Vaidoso, sou, mas não sou egoísta, nem prepotente ou arrogante e no passo da fuligem, da folha seca, de algo quase inexistente, tomo o meu destino e procuro ser humilde. Absolutamente humilde. Sabes por quê? Explico: Porque sei que sou a folha que voa mansa amparada pelo vento; porque não sei quantas primaveras, verões, outonos, invernos terei; quantos finais de tarde passarão no jardim de minha existência; quantas forças advindas do vento poderão suportar. Resta-me então pedir ao meu Pai Celestial que jamais deixe a janela do universo fechada para mim. Pode acontecer que as folhas, as pétalas, assim como eu, percam as forças numa manhã ou tarde, e quando chegar ao entardecer, é possível que não estejamos caídos enfeitando o leito de um caudaloso rio. Estranho é ver o tempo passar, trazer o entardecer e a gente não compreender que havia um sentimento profundo entre nós e que o trem da ventania poderia levá-las intempestivamente junto com aquelas folhas estendidas em terreno fértil do tempo. Você, caro leitor, um dia, também será passageiro desse trem ventania e pelo ar será levado em direção à rua onde mora sua amada, mas como não terás destino, quem sabe se o vento se perde na curva e o arremessará fazendo-o entrar por outra janela, vê-la no seu quarto, deleitando-se na cama.

E quando você chegar e antes de apreciar a lua, contar as estrelas e sonhar com os mistérios da noite, certamente ficará observando a sua amada e assim como eu começará a escrever alguma coisa numa pequena folha de papel. Talvez escreva: Ah, se pudesse ser levado ao vento igual às folhas e pétalas, então meu destino seria igual a elas, que são apenas folhas ao vento, mas no nosso mundo imaginário sabemos que são apenas folhas, mas amadas pelo vento. E eu usando as asas de minha imaginação estarei girando perto da janela, um voo baixo, esperando que ela me veja, me segure me carregue, me aconchegue em seu colo, para depois, me guardar dentro do seu diário, como uma folha que não precisa de vento.





O cupido das caatingas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Certo dia na pequena cidade de Santana do Agreste, ladeada por imensas caatingas, terreno seco, inóspito, incrustado na região nordestina, apareceu um cupido e diante uma jovem perguntou: Ô moça qual foi à última vez que você se olhou no espelho? Notando o espanto que se aflorou no rosto dela, completou: Com mais clareza quero complementar a pergunta: Qual foi a última vez que você realmente se olhou no espelho? Vendo certa tristeza no semblante dela, insistiu: Já percebeu o quanto você é única, bonita e especial, e se não percebeu ainda, provavelmente você não anda se olhando direito no espelho. Já reparou também no quanto você é perfeita ao seu próprio modo? No quanto você é o sinopse de você mesma, de um jeito que ninguém poderia superar, e que isso te faz única? As pessoas costumam se olhar através de camadas de preconceitos, de padrões pré-estabelecidos e assim fica difícil ver a si mesmo, como se fosse de verdade.

A garota olhou para o cupido e com certa raiva o questionou: Quem és tu, ô mosquito miúdo, abelhudo, de asas brancas? Quem acha que tu és para entrar no meu quarto e me pedir para olhar no espelho. Não és cria de Lampião ou é? Tome atitude e vire essa diminuta flecha afiada para outro lado. O cupido respondeu: Garota, não se apoquente, pois eu sou o seu cupido e algo está para acontecer contigo hoje. Sinceramente, acho vai precisar de mim, mas primeiro, olhe no espelho e tente não enxergar aquele amor que te cega, incoerente, descabido e que tens por aquele vaqueiro que mais parece uma girafa, pois além de feio, grandão tem pescoço alongado, e ele parece nem perceber que você existe, nem te dá à mínima. O que eu quero dizer é que você deve ser o seu próprio referencial. Olhe no espelho. Por favor, olhe e sorria!... A autocrítica é importante. No entanto quero te lembrar que tenho asas, sou pequeno, mas não um mosquito e nem ser humano, então, não sou passível de erros como vocês e não deixe que o seu amor-próprio se transforme em soberba. Dê valor aos seus sentimentos, veja a pureza que irradia no seu coração. Descubra os seus valores morais e espirituais, inclusive àqueles que você tem por si mesmo, mas que, talvez, desconhece. Quando você se olhar no espelho, observe que seus olhos verdes vão brilhar. Quando você vires alguém que te ama e a admira muito, como está brilhando agora, mesmo sendo o pescoçudo. Olhe pra mim e veja que estou com a flecha bastante afiada e a ponto de ser lançada. Indignada, olhou no espelho e nem percebeu que o seu amado, o vaqueiro girafa, acabava de chegar, o qual, vendo aquele sujeitinho voando inquieto pelo quarto, foi à cozinha, pegou um spray de inseticida, apertou o gatilho e vapt-vupt! O cupido tagarela ficou tonto e se esborrachou no chão. Moral da história: Tem certos momentos que, não importa qual tipo de pessoa que está em nosso convívio, e ou mesmo se tiver errado tanto, é bom que cada uma atire com sua própria flecha.

No entanto, a aparência de um cupido ou daquele moço desajeitado, mas querido por todos não podiam ser confrontadas, pois os dois estavam ali com as mesmas intenções e pensamentos dignos. Por outro lado, o jovem “girafa”, além de bom vaqueiro, era trabalhador e de certo modo, bem apessoado, mas naquele dia, talvez desconfiado, não entendeu porque aquele cupido estava naquele quarto falando com sua amada, dando a entender que torcia por ele, ou quiçá, pelos dois. O cupido o conhecia bem, tinha poder pra isso e sabia das boas intenções dele e das conquistas pessoais e profissionais conquistadas durante sua existência. Mas as ações do cupido em prol dos dois não eram diferentes das outras e nem foram em vão. Todavia, com o sentimento de não ter sido compreendido, o cupido partiu, mais deixou brotado no coração dos dois uma linda história de amor. Naquele momento difícil, ainda atordoado, levantou-se, pegou seu arco e flecha, olhou para os dois, acenou e deixou uma humilde e simples mensagem, ficando claro que a jovem merecia muito mais do que aquele garoto “girafa”, e assim, é desta forma que encerro esta simples crônica que procurei escrever de forma harmoniosa para agradecer e ter conhecido a história da bela Alice Nonato e do vaqueiro Chico Seridó, assim como, da existência naquela região do nobre cupido Caicó.

A Lua descia soberba no horizonte, cumpria sua rota e trazia o amanhecer e com ele um novo dia. O sol voltou a brilhar de modo diferente em Santana do Agreste. A vida nada mais era do que um caminho que ninguém sabia onde era o seu término, mas mesmo assim, a pessoa humana continua caminhando sem parar, talvez, à busca de um cupido qualquer. O homem embora tenha alma e consciência não sabe quando ele termina e nem se levará um grande tombo no final. O ser humano, com ou sem seu cupido, continua caminhando como se estivesse procurando a imortalidade, a vida eterna, mas tudo, infelizmente, é um mistério.

Comparando-me a história daquele cupido, acho que o meu sempre gostou de matemática, pois desde os tempos de adolescente só me traz problemas. O cupido aprontava comigo, mas eu não acreditava que ele existia. Certo dia, eu senti uma flechada no peito e olhando de soslaio vi uma garota encostada no banco de uma praça. Veio-me uma sensação estranha, uma atração instantânea... O olhar penetrante dela fulminou o meu coração, como a um raio cheio de ternura. O Cupido tinha aprontado mais uma vez comigo, mas aquele garoto sonhador, com alma de poeta, a travessura do cupido só podia lhe deixar cicatrizes. Mas como resistir à tentação, na realidade, eu até agradeci ao cupido. O tempo passou e voou como uma flecha que se cravou no coração do tempo, mas embora fugaz, a emoção naquele dia explodiu diferentemente em meu peito, trazendo-me o amor, o prazer, o sentimento que nem sabia existir, e, doravante, passei a entender que cupido não é mosquito, têm asas, mas somente voa para orientar às pessoas que não existem preconceitos, padrões pré-estabelecidos pela sociedade quando se há entre as partes o verdadeiro amor. Assim é necessário que voltemos a ser essa criança, nascer quantas vezes for preciso e espreguiçar entre os lençóis embebidos com nossos próprios sonhos, e, talvez, até fiquemos encantados com histórias que surgiam das esbranquiçadas caatingas.




A epopeia de Mário Dumont

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ele era muito jovem quando realizou aquela viagem, uma verdadeira epopéia, mas convicto de que ia a busca novos horizontes. E num ônibus provido de fartos desejos foi à procura de um amor há tempos não adormecia em seus braços, ou talvez. ele o considerasse pequenino em proezas, ou um piloto sem comando à procura de um mundo novo. Com seus óculos de grau sentia-se fartado ao avistar aquelas terras, e a cada minuto ia apagando as tempestades passadas, pois sabia que pisando nelas, fincaria também suas estacas, divisas, produziria em solo fértil e alcançaria aquilo que jamais imaginava. E sua imaginação a vagar podia até escutá-lo, mas, a terra lhe dizia numa frase que só ele podia decifrar: Tu poderás até ficar aqui, mas espero que se torne grande produtor e cuide também de mim.

E a história começou assim: Tempos idos, talvez não contabilizados por ele, pegou um ônibus e seguiu viagem, e este balançava na estrada de chão, cheia de buracos, arada provisoriamente para nela fosse construída outra pavimentada. Era uma região bastante produtiva e havia necessidade de se construir uma rodovia para atender aos apelos dos produtores rurais e indústrias locais, que cresciam vertiginosamente. Às margens da rodovia viam-se máquinas rasgando o chão poeirento acinzentando o céu escasso de nuvens. Do lado direito, viam-se também lindas pastagens e nela despontavam-se capins ressecados pelas intempéries do tempo. Com prenúncio de chuvas os produtores com seus tratores rasgavam a terra para o plantio de milho e soja. O ônibus trepidava sobre os cascalhos e veloz, deixava para trás cheiro de borracha queimada e uma nuvem de poeira que se impregnava nos vidros enquanto outras eram levadas pelo vento. Naquela época andar de ônibus nas estradas que se conectavam com várias regiões era uma aventura. Primeiro, porque a estrada era horrível, o que tornava a viagem um pouco nervosa e bastante demorada. Segundo, porque eram poucos os pontos de parada, o que gerava certa ansiedade. Terceiro, porque os ônibus eram antigos e/ou bastante detonados, o que representava um risco de a viagem simplesmente não terminar.

Pois bem. Apreensivo, ele estava no ônibus que mal permanecia em linha reta, deixando os passageiros inquietos em suas poltronas, os quais se ajeitavam como podiam. De soslaio o jovem Mário olhava as pessoas e via em cada semblante uma mistura de ódio, medo, felicidade, descontentamento e aflição. Tudo lhe fazia lembrar-se do mundo nefasto em que vivera. Na realidade, ele sentia uma tristeza infinita ao notar que em cada rosto podia se vislumbrar como a humanidade está doente. As alegrias eram tão poucas que ao fitá-los, elas encolhiam-se tímidas em suas poltronas como medo de serem abordadas.

Mário Dumont perdeu seu pai muito cedo, mas, antes de morrer, ele lhe ensinou três regras de vida: vá à busca de seu ideal, ame muito, lute mais ainda. Tendo crescido em uma família humilde, mas de homens trabalhadores, que gostavam de jogos e lutas, razão pela qual ele se tornou um cara durão. Corpo musculoso, tatuado, olhos castanhos claros, cabelos encaracolados, levou uma vida difícil até conhecer Jéssica Pascoal, uma mulher guerreira e de boas posses, não resistindo ao charme dela, sem saber que só assim o deixaria mais determinado a conquistá-la. Será que o grande Mário, o irresistível, foi derrotado por uma garota?

Que epopéia! Tinha que percorrer quase dois mil quilômetros para se chegar à cidade de Minuano. O ônibus pifou! Uma pane no motor. O motorista levou quase seis horas para consertá-lo. Seguiu viagem e logo veio a penumbra da noite que caiu sobre a estrada sem a mínima sinalização. Faltavam ainda quinhentos quilômetros, mas sabia que todo este esforço valia à pena, pois seria compensado ao encontrar com sua adorável Jéssica que já o esperava na estação rodoviária. A saudade era imensa, pois há mais de um ano não se viam. O pior, quiçá, ou melhor, é que o casamento deles estava marcado para o dia seguinte. Mário, exausto, mesmo chegando poucas horas antes, casou-se.

Amanheceu. O sol já se despontava no horizonte. O céu estava azulado e nenhuma nuvem a importuná-lo. Despediram-se dos familiares, ajeitaram as malas e partiram rumo à bela cidade de Santana do Agreste. Minuano foi ficando para trás. À frente enfrentariam a mesma estrada poenta, esburacada, mas certos de que levavam em seus corações esperanças em dias melhores e depois da lua de mel, voltariam para enfrentar as nuances imposta pelas terras que teriam que cuidar. Foram muitos os heróis anônimos, também conhecidos como motoristas, que trafegavam de ônibus nas piores estradas brasileiras. Lama, barro, terra, buracos, desvios, pontes perigosas, animais selvagens, chuvas torrenciais, os ingredientes de uma viagem deste tipo são muito marcantes. Uma análise feita por uma especialista mostra como é o dia a dia destes corajosos cidadãos brasileiros. O ônibus em que Mário viajava com Jéssica se desviava das ondulações feitas pelas máquinas gigantescas, enquanto o rosto dele se deleitava sobre o ombro dela. Enfim, chegaram a Santana do Agreste. Com o corpo e semblantes cansados, eles desceram do ônibus e seguiram rumo ao novo lar. Entraram na casa e de imediato abriram as portas, escancaram as janelas para tirar o mofo e facilitar a entrada de ar para purificar o ambiente abafado. Mário foi até a janela, olhou para o céu, suspirou e disse: nunca fiz da vida uma epopéia, mas se foi epopéia ou não, nada foi em vão, pois conheci a Jéssica, a mais bela de todas as mulheres...





Professor Otávio, meu eterno mestre.

domingo, 15 de outubro de 2017

Professor Otávio, meu eterno mestre.A diferença entre professor e mestre, é que o professor ensina o que a gente precisa, no caso, o básico, já o mestre testa até onde a nossa capacidade pode alcançar, nos fazendo crescer. Partindo desta pequena premissa quero falar do meu saudoso professor Otávio que há décadas está lecionando em outra dimensão. Ele era diferente, nunca me dizia o que fazer, o que estudar, o que aprender, deixava tudo por conta da minha sensatez, da minha vontade de crescer pessoal e  profissionalmente. Ele que hoje já se encontra em outra dimensão, deu-me oportunidades, descortinou meus horizontes, impregnou em minha mente uma vontade férrea de aprender, de como pesquisar, de como saber cada vez mais e mais... Transmitia um amor pelo conhecimento incontestável e pela verdade que tudo o que via pela frente parecia perder a importância; ele mostrava que, se a gente queria alcançar conhecimento, alcançar a verdade, um objetivo na vida, ou seja, lá o que for, a gente tinha que batalhar e lutar por eles, porque a verdade não é manifesta.

Quando a gente encontra um mestre assim, a vida nunca mais é a mesma e eu, entre outros mestres que passaram pela minha existência, tive a sorte de encontrar o mestre Otávio. O que ele e outros nos transmitiram não era dado, não era informação. Talvez seja conhecimento, mas é mais do que conhecimento: era o amor ao conhecimento; era mais do que a verdade; era o amor à verdade. Talvez esteja muito próximo de sabedoria. Quantos, para se chegar a "doutores", não precisaram de um mestre. Certa vez um professor que me abstenho de falar o nome, me disse que o último ano do ensino médio era para a gente se tornasse uma pessoa mais madura e deixássemos de viver de fantasias. Hoje, lembrando de suas palavras entendi que não era tão dirigida pra mim porque sou um aprendiz de escritor e de poeta, sei lá. Só sei que a fantasia, o real e o surreal andam lado a lado comigo, nos livros que leio nas poesias e crônicas que escrevo.

Hoje ao escrever este artigo, que será publicado na próxima quarta-feira, por questão de páginas cedidas pelo DM aos articulistas, comemora-se o dia dos professores, para alguns não há o que se comemorar... Mas eu acredito que temos muito a comemorar; embora ainda sejam muitos os desafios... Justamente pelas dificuldades e obstáculos que enfrentam a cada dia, por superar seus medos e limitações, por ainda acreditar em seus alunos, por ter responsabilidade com a profissão, de poder transmitir conhecimento, porque há sempre algum aluno que respeita o professor e que o enche de orgulho. E por acreditar no seu potencial e quiçá, no crescimento de cada um de deles e que vencerão obstáculos. Formado em direito e fora dos bancos escolares hoje o tempo tem sido meu professor, e sua principal lição é ter me ensinado a ter paciência necessária, me ensinado de como esperar, pois aquilo que queremos colher requer algum tempo.

Há aqueles que lutam para aprender e reter conhecimentos; há os que aprendem se dedicam e não medem esforços para ensinar. Não se trata apenas de amar a profissão, mas ter o sagrado dom de amor ao próximo. Hoje e todos os dias é tempo de aprender e de homenagear a quem ensina. Meu eterno agradecimento aos meus professores de infância, por terem lapidado e me ensinado a andar por caminhos até então desconhecidos. Por fim, termino com a frase do escritor, professor e pesquisador Augusto Cury: “Professores brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a vida”.



Será que a falta de visão pode aprisionar nossa mente?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sou do signo de Aquário e até concordo da forma de como os astrólogos o define. Dizem esses estudiosos que ele é um signo progressista, de vanguarda, pois é regido por Urano, planeta das mudanças súbitas, da inovação de pensamento. Dizem mais que o signo de aquário representa o futuro, as reformas sociais e tudo o que é alternativo. Aquarianos além de enxergar o infinito, vivem cem anos na frente, não se deixam aprisionar e valorizam a liberdade, a independência, a amizade e a fraternidade. São imprevisíveis, idealistas e criativos. Então, se é assim definido e fazendo parte daquelas pessoas que não têm a mente aprisionada por falta de visão, pareço que encaixo nas entrelinhas deste preâmbulo.

A alegria que carrego comigo é fruto de uma vida cheia de oração, de comunhão com Deus, de treinamento e conquista pessoal e profissional. Entendo, no entanto, para se chegar a isso é uma virtude que precisei conquistar e exercitar, aprender, até que se firmasse como uma parte de minha personalidade. Todavia, entendo também que não importa qual signo, o que interessa é que todos possam se unir e semear somente ideias positivas, colher os frutos da sabedoria e da alegria de viver aqui na Terra.

Eu, você e as pessoas que nos cercam somos seres humanos, um ente social que precisa viver em sociedade, não importando qual tipo seja, pois cada uma apresenta culturas próprias, tradições, crenças, valores os quais são moldados pelo modo de pensar dominante que vai sendo incorporado em cada novo integrante da mesma. O indivíduo desde os tempos remotos são treinados para a autodefesa, a preservação desses valores e crenças, não obstante faltar em muitos os preceitos de honestidade, dignidade, amor e respeito. O que observamos ultimamente é que a humanidade está doente e coisas horripilantes vêm acontecendo diariamente, uma matança sem dó ou piedade mostrada peça TV, deixando-nos incrédulos e sem entender o porquê de tudo isso. Está faltando respeito ao semelhante e nem sabemos de onde vem o ódio; está faltando respeito, inclusive, aos integrantes mais frágeis da sociedade, como também aos animais e à natureza. E por falta dessa visão é que se nota que a mente humana não está sã, de alguma forma aprisionada, e é através dessa descoberta, por mais experientes que formos e se não haver justiça social nós jamais seremos capazes de curarmos dessa cegueira.

O grande perigo que nos cerca cotidianamente quando sentimos essa falta de visão é quando cai sobre nós uma sombra coletiva, a qual aprisiona nossa mente e se transforma numa sombra individual que pode ser incorporada ao nosso modo de pensar e que a gente aceita como verdade devido à ignorância e a falta de reflexão de cada, e assim, passamos a agir segundo sua orientação, e em razão disso, passaremos a sofrer todas as conseqüências decorrentes dela. Porém, entendo ser impossível abrir os olhos de quem quer continuar na escuridão da cegueira, limitando-se ver o mundo em sua volta a qual, na realidade, podemos dizer que a cegueira maior é quando não enxergamos sequer a beleza do mundo que existe dentro de nós.

Eu como tantos outros indivíduos sempre procuramos mudar a nossa rotina, mas, quanto aos nossos valores, muitos de tão arraigados, nem se cogita em refletir sobre eles, se estão corretos ou equivocados. A sociedade em que vivemos às vezes traz novos conceitos, novas ideias pra ela, e para isso, urge impor uma nova moral, novos modos de como agir e até criação de legislação específica. Quando não se sabe as implicações que o novo pode causar na vida, melhor é agirmos com prudência; não deixando que nada se aprisione a nossa mente e nem deixemos que nos force comprar “alguma coisa” sem antes analisá-la. O indivíduo deve sempre usar a inteligência e o discernimento para avaliar o que há por trás das ideias que surgem a cada instante no seu convívio. 

Habitamos na Terra e isso é fato, mas jamais podemos desconhecer que é uma dádiva divina, por isso e crendo, jamais deixemos que a falta de visão aprisione nossa mente, pois é a grande oportunidade que temos de iniciar a reparação de erros ocorridos no passado. Precisamos, com toda nossa força, com toda nossa vontade, com todo nosso empenho, aproveitar a oportunidade de estar habitando este planeta que logo pode nos dar a condição de termos um ambiente onde a tendência ao bem seja a tônica.

Por fim, reafirmo que a falta de visão realmente aprisiona nossa mente, então, devemos conscientizar-nos que ser fraternos e estender a mão ao mais humilde são simplesmente uma questão de escolha, e de alguma forma, está libertando sua mente que, talvez, se achava prisioneira. Essa cegueira mental está relacionada ao egoísmo, à ambição, ao ódio talvez criado sem motivo algum, à falta de generosidade e os interesses pessoais, que são muito mais importantes que os interesses de um grupo. Graças a Deus nós temos a dádiva de Tê-lo com a gente todos os dias, nos direcionando em busca do bem e para que possamos escolher o caminho da fraternidade e, com isso, merecermos ser habitantes da Terra em sua nova e breve etapa, e caso não consigamos esse intento nesta existência é porque estamos com a mente aprisionada, resignada, todavia, aquele que crê na existência de um Pai Celestial e não tem visão aprisionada, sempre existirá esperança.





Nascer de novo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Se vocês tivessem que nascer de novo, acredito que a sua cegonha não repetiria o mesmo trajeto, pois, caso contrário, trariam com ela os mesmos erros. Voltariam a sair com a mesma chupeta, com a mesma mamadeira, sopinha e mingau; com o mesmo sapatinho, com o mesmo carrinho e outros componentes para usar aqui na Terra; voltariam crescidos ou não, a comer guloseimas que os abasteceriam do famigerado colesterol e não nadariam em rios da cidade por medo da poluição; voltariam com a mesma mania de perfeição e dificuldade para relaxar. E por mais que tentassem serem uns “sugismundos” da vida, talvez, retornariam mais higiênicos do que nunca, seguindo as melhores vibrações de seus signos, isto, se vocês nascessem novamente no mesmo período zodiacal. Não sei se isso acontece comigo, mas sinto renascer em mim aquela criança escondida, trazendo-me a tona o meu passado, mas de forma linda e feliz, Ao recordar essas nuances da vida tudo meche comigo, pois chegam do nada, inesperadamente bagunça minha cabeça e desorganiza meus sentimentos que há muito tempo demorei organizar. É tipo assim: um furacão que faz um estrago danado em mim. Diante de tudo isso, dou uma pausa, mas não chego à conclusão nenhuma e em razão disso é que insisto. Mas sei que gostaria de nascer de novo, mas se nascer dava um reboliço em minha vida, renasceria para trocar algumas lágrimas e dores sofridas no passado por belas gargalhadas, e a seriedade, por sorrisos e simpatia, não sei como, mas é isso é o meu desejo.

Se vocês quisessem viajar mais leve, não poderiam nunca voltar noutro signo, ainda mais se algum for oposição a ele, pois voltariam com a mesma tendência de viajar levando malas cheias de problemas e a dor de cabeça viria. Se vocês quisessem renascer com menos problemas imaginários, seria bom nascer numa hora diferente, de preferência longe do anoitecer, pois além de não encontrarem médicos de plantão, voltariam ligados ao mundo imaginário e isso é bom. Não seriam os profissionais ou escritores de renome neste século Não conseguiriam escrever obras de ficção ou outras que o imortalizariam, posto que, "ter problemas imaginários" é um pressuposto básico de um escritor que desenvolve obras de ficção. Eu procuro desenvolvê-las e se pudesse gostaria de nascer de novo, pois o meu prazer sempre foi à escrita: Se nascer de novo eu quero continuar encasular-me nas letras, transformá-las em palavras poéticas. Se eu nascer de novo eu quero continuar poeta, renascer na poesia, e usando as asas da imaginação voar como a uma borboleta e sonhar.... O que é escrever um livro de romance ou frases poéticas senão usarmos o imaginário, mas, certos de que demonstrariam como teriam sido em vão nossas vidas caminhando descalços, fazendo sombra ao sol, contemplando o amanhecer e entardecer.

Nascer e renascer todos os dias é maravilhoso, pois temos a oportunidade de escrever nossa história de forma magnífica, teremos muito que contar e escrever, por isso não devemos parar. Nossa vida é feita por capítulos e assim vai... Os especiais nós devemos mantê-los preservados, como um tesouro a serem lidos e relidos sempre, pois jamais cairão no esquecimento. É como no quadro negro da vida, ou como aquele pendurado na parede do colégio. A área negra do quadro é sempre muito superior à área branca, escrita a giz. Isso faz parte da sabedoria da popular, já que são os "maus momentos" que nos fazem avançar adiante. Estariam antes disso, exultantes por partir, não querendo nunca mais voltar ou nascer de novo. Ao idealizar uma situação contrária à que vivemos, estamos apenas elaborando um quadro negro imaginário para escrever e reforçar a história da nossa própria vida aqui na Terra




Realmente cansei.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Quando comecei a escrever este artigo senti-me sem otimismo e não conseguia ver as coisas do modo que elas são por mais que tentasse. Senti-me cansado demais, exausto. Cansado de tudo, do mundo real, do palpável, do prático, do imaginário, do surreal. Cansei da visão fantasiosa sempre contrária ao mundo real. Cansei de escrever; cansei do trabalho maçante e de tudo aquilo que estressa; cansei de reclamar do errado e das coisas erradas; cansei daqueles que fazem denúncias vazias, caluniosas, difamatórias e não enxergam o seu próprio umbigo. Cansei até do elevador, onde às vezes cruzo com gente rancorosa, que me olham de soslaio, mas felizmente, a maioria delas é especial. Cansei de passar pelo mesmo trajeto onde passam os imprudentes, irresponsáveis, que fazem ziguezague com seus veículos nas ruas e avenidas da cidade. Cansei do bonito que a natureza mostra, mas sempre é desrespeitada; cansei das destruições mostradas pela TV; cansei da ilusão de beleza que se vê em cada rosto. Cansei, cansei mesmo, até de mim! Ah, se cansei! Cansei das notícias veiculadas repetidamente pelos jornais e televisão; cansei das novelas que levam exemplos ruins aos lares brasileiros. Cansei da leitura de páginas de jornal, das vozes de alguns radialistas e apresentadores que judiam de nossa língua pátria, as quais surfam nas ondas do rádio maltratando nossos ouvidos. Cansei das desgraças que são repetidas nessas parafernálias eletrônicas, onde uns copiam cenas de outros, e outros, querendo ser mais engenhosos, encenam o mesmo ato criminoso usando apenas outras posições, fazendo montagens inversas, destacando o choro em outros tons e destoa a comoção no verso e anverso de fitas gravadas. Cansei do julgamento onde se destaca um surpreendente julgamento que ao final sabe que poderá tornar-se uma pizza, recheada de votos “pensados”, extraídos do ódio ou inveja contra alguém que se sobressai, abusando de códigos defasados que são descritos na plácida sentença que se o povo tiver juízo não aceitará. Cansei da forma em que retratam a comoção de um povo, do falso novo, do falso velho e principalmente, do anverso dos dois porque quando colocados inversamente são definidos pelo Aurélio como falsos. Cansei do que os olhos são capazes de enxergar perto ou à longa distância. De perto, tenho que usar óculos de grau, e isto me cansa; de longe, enxergo coisas que não deveria enxergar; coisas que não presta e aí me constranjo, canso.

Dias atrás após assistir a um julgamento pelo STF, senti que queria algo verdadeiro, diferente, que vai além daquilo que penso. Quero o poder da premonição, de ver o futuro, sem desfazer do presente. No teatro da vida quero a inversão de papéis entre atores e atrizes, sem que haja a inversão de valores e o texto na tela interpretado não vire realidade e a realidade mostrada, não vire sonhos amorais ou imorais, e se virarem, que sejam distante de minha realidade. Entendo que devemos respirar novos ares, ter novos hábitos, ideias, emoções, desejos, pensamentos, isto é tudo que quero, e se puder, esconder dentro de mim. Quem sabe se isso vir a acontecer tudo possa ser diferente em relação ao que tenho hoje, se não puder ter, então serei obrigado a desejar que o hoje renasça novamente.

Mas, quão difícil é ser diferente e não cansar de tudo. Quando chego ao meu lar à primeira coisa que não quero ouvir é o zunido do elevador, o tic-tac do relógio, a torneira que mesmo fechada, insiste em soltar gotas fazendo barulho sobre um vasilhame, um som rouco: tum... tum..., nem paro para contabilizar os ruídos. É justo. Estou cansado. Nunca importei muito com o que acontecia ao meu redor, mas hoje paro, penso, observo e fico decepcionado com os políticos e a justiça, não dou atenção aos mínimos detalhes televisivos. É o cansaço. Quando sento à mesa e sirvo-me com um pouco de café adoçado com algumas gotas dietéticas e pão francês, então me acalmo. Ainda bem que a gota dietética é silenciosa.  Tomo o café e com um sorriso inacabado ligo a TV. Novamente aparecem as desgraças de ontem, hoje reprisadas. Mudo de canal e lá vêm outras notícias e digo: espera ai! Eram as mesmas cenas do outro canal, e então percebo que a minha mente poderia estar atabalhoada. Aquela reprise não era real. Desligo a maldita TV. Vou ao quarto e olho no espelho para ver se continuava apresentável, pois o trabalho desgastou-me. Mirei fundo nos meus próprios olhos que se arregalavam diante do espelho e me vi vítima da rotina que eu mesmo criei. Eles também estavam cansados. Tirei a gravata e aquiete-me. Pode ter sido só mais um dia ou poderá ser o último se eu pudesse prever o meu futuro, mas o que importa é que eu nada planejei.

Quando disse no preâmbulo que cansei do imaginário, não posso afirmar isso em relação aos amigos e amigas, sejam virtuais ou não, pois eles são como os sonhos: estão com a gente aonde quer que estejamos; aonde a gente quer estar, e ninguém pode podá-los ou impedi-los de existir, pois só nós o vemos e acreditamos neles. Os amigos que me acompanham pelas ruas solitárias da vida nunca me deixam no meio do caminho e me impedem de ficar sozinho, porque somos pessoas que correm atrás de um propósito, de um desiderato para continuar andando em busca de um caminho cheio de luz, não só os iluminados pelos raios do sol ou da lua, mas também, em busca daquela luz que brota dos lindos olhos de alguém que a gente preza muito, alguém que nos espera diariamente e nunca nos cansará. À bem da verdade, acreditar no improvável, no impossível e no imaginário sempre foi meu norte. É bom viver no mundo dos sonhos, mas hoje eu cansei.

Realmente cansei, até de mim mesmo. Parece que estou com uma grade em meus olhos. Uma grade embaçada que me impede de enxergar e de ver o óbvio. E assim sou obrigado a me manter parado, sem dar um passo à frente ou para trás, talvez por medo de cair num precipício que a própria vida constrói. Essa grade está repleta de memórias insolúveis, indecifráveis, uma grade que me isola do mundo, que impede meu coração de bater como antes batia. Tudo isso me fere, me cansa, me isola, e noto que o meu tanto faz também se cansou daquilo que tanto fiz. E neste lapso de tempo posso ter conhecido gente que implica por qualquer coisa, hipócritas, invejosas, sem caráter. Posso ter caminhado por estradas tortas e deitado sobre relvas sombreadas por galhos secos de árvores milenares, sem esperança de obter certezas e ouvir melodias tocadas e cantadas por alguém que não existia e que eu mesmo inventava. E olha que me preocupo com o vozerio de vozes e sons que vem das ruas, do zunido do elevador, de cada gota que cai da torneira, do chuveiro, do tic-tac do relógio ou dos noticiários dos jornais, rádios e TV, mas, tudo isto, não faz de mim um ser insensível, incapaz de enxergar o sorriso angelical de alguém ou as lágrimas que saem dos olhos da minha amada que dada a sua firmeza de espírito jamais as deixa cair ao chão. Leitor, não se deixe sangrar por essas palavras. Não se deixe sangrar mesmo, pois no fim a verdade sempre aparecerá, e as que tento expressar, pode ser apenas uma situação momentânea a mim postergada por alguma coisa surreal ou um ente estranho, que me cansou e fez com que eu criasse situações fantasiosas extraídas de um mundo que não se sabe se é ou não real. 



Insista, persista, não desista.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Jamais vou entender vontade de alguém quando fala em desistir, de não insistir, medo de voltar atrás, para algo que acha que acabou. Não se deixe desistir, insista, persista no seu intento e procure não esquecer o passado, se alegrar com o hoje e o dia seguinte. Só você pode lhe dar a oportunidade de experimentar no dia seguinte um café com leite, acompanhando de pão francês amanteigado, e num lugar qualquer...

Devemos insistir em coisas  certas e buscar respostas concretas, deixando as incertas vagar no mundo das incertezas, mas infelizmente podem não existir, entretanto, insista. Permita-se ao longo dos anos vividos ou aos que você falta cumprir aqui na terra, ser você mesmo e evitar magoar quem já se cansou de fazer isso com você.

As lacunas impostas pela vida podem ser preenchidas de várias formas, possibilidades, entre abraços e mãos estendidas… Mas o que define sua intensidade é a dosagem aliada à sua maneira de ver a vida. A gente pode até se enganar, achar que tudo foi esquecido, que a borracha do tempo apagou, mas nunca deixe de lembrar que jamais esquecerá. E se fazendo esse jogo de forma inversa às vezes chega-se a colocar a culpa nos outros das brincadeiras que nós mesmos aceitamos brincar… Se você não insistir, ou persistir naquilo que almeja, lembre-se que a sua desistência pode não ser passageira e quem pilota sua vida é você.

De fato são tantas as palavras talvez que a gente se pergunta: Será que talvez valha à pena insistir. Será que talvez dê certo ou talvez não. Tudo isso pode estar vindo de amor platônico que é normalmente utilizado para se referir às utopias ou algo praticamente impossível de se realizar e tornar-se o pior elemento da face da terra. Ele nos permite ter dúvidas cruéis sobre tudo que está relacionado ao nosso meio. Insistir num amor platônico talvez não seja somente um amor com ausência de relacionamento físico, mas também com a ausência de certeza que talvez você nunca venha obter, se desistir.

A gente começa a idealizar algo que não seja nosso, algo talvez irrelevante e que a outra parte não saiba ou nem a conheça. E discordar da idéia do filósofo Platão seria um equívoco. É só passar algumas pessoas na rua, mal vestidas ou com trejeitos estranhos, muita gente já as coloca num falso pedestal. De repente começa a caçoar delas, os pensamentos vão e voltam tão obsessivos que tudo que faz se tornam mesquinhos.

Talvez não seja nada disso! Novamente a palavra talvez volte a fazer parte desta crônica. Talvez possa ser que esse grande amor que você tem como ideal, ser uma pessoa que você deseja ser, possuidor de uma amizade pura, de um amor inconteste, tão forte o que sente por alguém que nunca verá e não insistirá em colocar os pensamentos e sentimentos com a mesma vibração. O grande problema é que ao invés de pensar em não desistir, a grande maioria só pensa negativo. A minha orientação é a gente é tirar e afastar qualquer pensamento negativo! Mandar embora todos os 'talvez' ou até o “se”, muito usado. É salutar trazer a certeza e a positividade pra dentro de si. Relaxe, pois acima de tudo possuímos diferentes fantasias na cabeça, e andamos com o pensamento alhures, perguntando a nós mesmos o porquê vem ocorrendo e ainda o lamentam por algo que ainda nem se sabe ao certo.

Será que a palavra talvez seja a minha ou a sua palavra? “Será um incentivo para a gente dizer “Eu vou lutar, insistir”; “Eu vou persistir naquilo que acho certo” "Eu não vou desistir de alcançar o meu objetivo" Mas, convenhamos, talvez, tudo dependa somente da gente! Talvez a culpa nem seja do talvez, mas sim, nossa.



A morte não vem a galope

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Certo dia um homem montado em sua égua Pestana passava por uma estrada deserta clareada apenas pela luminosidade da lua minguante que mais parecia um pedaço de queijo. Ao redor dela, estrelas que se perdiam de vista... A estrada era de chão batido, mas mesmo assim seguia apreensivo porque naquela região corriam boatos, não raros, de assaltos e crimes... Com o ouvido aguçado logo ouviu a poucos metros atrás o trotão de outro animal. Sentia que alguém o seguia. Olhou para trás e viu um vulto. Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Chicoteou a égua e saiu a galope. Correu... Enveredou-se por outro caminho. O vulto, também.

Apavorado e em desabalado galope enveredou-se por um caminho estreito. Sequer pensava olhar para trás e nem sentia os galhos de árvores ferirem o seu corpo, o coração disparar, a respiração ficar ofegante, mas logo se viu diante de um casebre pouco iluminado num local ermo daquele longínquo rincão goiano. Pensou em gritar, pedir ajuda, mas, antes, olhou mais uma vez para trás e a claridade do descampado lhe trouxe uma surpresa: O perseguidor era apenas um cavalo baio e a égua, na qual montava, estava no cio e devia estar exalando alguma substância que atraía ao acasalamento. Deu uma risada e mais calmo, desabafou: Meu Deus! O que o medo faz com a gente!

A história deste cavaleiro quer queira ou não, assemelha-se ao que ocorre em relação ao medo que a pessoa humana tem da morte.

A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que nos espera no mundo espiritual. O casebre à beira da estrada, iluminado por lamparinas, que fiz questão de citar nesta crônica foi apenas para afugentar os temores sem fundamentos e inibir os constrangimentos que nos perturbam dia a dia. De forma racional e sem querer interferir na sensibilidade de cada um, quis, com aquelas aparições, esclarecer acerca da sobrevivência da alma e a forma do descerramento da cortina que separa os dois mundos: vida e morte

Entendo ser extremamente importante, fundamental mesmo que percebam isso, já que tratamos de certezas e incertezas, colocando como parâmetro a existência humana num casebre iluminado que poderá ser a nossa salvação, e quiçá, a nossa luz. A estrada que procuramos seguir é e será uma oficina de trabalho para que desenvolvessem atividades edificantes e é através dela que buscamos a renovação espiritual que pretendemos aplicar em nossa existência. Nesse caminho poderá existir até uma prisão, ocorrer uma expiação dolorosa para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores. Esse caminho é uma escola para aqueles já compreendem que a vida não é simples um acidente biológico e nem a existência humana para uma simples jornada recreativa. E de certo modo não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde poderemos viver em plenitude, sem limitações impostas pelo corpo carnal. E de fato é compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, quando chegar a nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.

Então, não se apoquente monte no seu cavalo espiritual, não importa o trotão e qual cor dele, apenas siga em paz, sem medo de ser feliz, deixando sempre à frente o nosso Pai Celestial, pois ELE é que mostrará a estrada segura. O primeiro passo é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido, temível, sobrenatural que nela possa existir... Existem pessoas que simplesmente se recusam a conceber o falecimento de uma pessoa da família ou o seu próprio. Têm receio de discutir e transfere o assunto para o futuro incerto. Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação morte nada mais é do que o passaporte para a verdadeira vida eterna.

Caro leitor, é importante que reflitamos sobre tudo isso, não nos deixando dominar pelos bens aqui na terra dos quais somos apenas usufrutuários. Um dos motivos de sofrimento dos que ficam, é o fato de não terem se dedicado o quanto deviam àqueles dos quais se despediram. Por isso, convém que, enquanto estamos a caminho, façamos de modo cadenciado como aquela égua, o melhor que possamos em prol de nossos entes queridos, para que o remorso depois não dilacere a nossa alma.


 
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