Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Simplesmente cansei II

domingo, 18 de junho de 2017


Todos nós somos fortes o suficiente pra suportar a falta que alguém nos faz. No tocante a mim sempre procurei ser forte pra nunca voltar atrás e jamais me arrepender do que fiz e ou mesmo daquilo que deixei de fazer. No entanto, quando escrevia este texto comecei a pensar que não era tão forte assim, e queria apenas entender o que ainda me prendia aqui no meu recanto. Por que razão? Será assim tão forte? Eu procurava fazer de tudo do meu tudo, mas nada aliviava a falta que sentia talvez indecifrável, incompreensível para mim mesmo. Quem deveria se importar com meu tudo se desconhecia fatos e razões, mas isso não me importava, porque simplesmente estava me cansando de ser forte, todavia, sem me tornar totalmente fraco, pois a estrutura que adquiri durante minha existência não me deixou jogar fora a chance que dei e continuo dando a mim de me fazer feliz. Tudo, do meu tudo mesmo eu me abstinha de absorver em sua totalidade era para não sofrer diante de um acontecimento qualquer, inusitado. Hoje, entender o que acontece com a gente é o mais essencial para cada um de nós. Às vezes ignoramos o que nos transmite um olhar, um aceno, um afago, um sorriso, uma mensagem postada. Rimos e choramos, mas, possivelmente, expressando no rosto risos ou choros superficiais.

Cansei, mas não é de caminhar. O meu cansaço não é físico, é espiritual. Tão espiritual que não consigo me achar nos meandros de uma mansa correnteza, nem os meus devaneios imaginários que escrevia em folhas de papel, e de outra parte, recuperar os sonhos sonhados em noites primaveris ou aquietar-me diante de tantos pesadelos. Não obstante isso, cansado ou não, procuro sempre trazer um sorriso no rosto, mas acho que com o passar dos tempos estou me tornando uma imagem turva. Mas existe o tal do bem-querer que tenta deixar a gente forte, mas como ser humano que sou, fraquejo, e fraco, às vezes não consigo; não consigo nem sonhar com frio olhar de alguém que se esconde por detrás um muro intransponível.

Cansei de ser forte, porque ultimamente tem sido difícil manter tudo ao meu redor congelado. Esbarro nas pessoas como se fossem seres estranhos, mas sabendo que não são. Mas o mundo fez e continua fazendo grandes mudanças em nós e a gente tem dificuldade de aceitar alguém como uma pessoa comum, normal, que às vezes se destoa, não deixando bem o final de sua história. Torna-se ainda mais estranho é o jeito frio, jeito de não se importar muito com as coisas que se seguem até os dias de hoje, todavia, temos de acreditar que exista alguém, um Ser Supremo, com capacidade para mudar tudo isso.

Em busca de memórias boas e reflexivas para inserir neste texto, lembrei-me de muitas. Na verdade, mesmo cansado de tudo, eu nunca me esqueci de nada, apenas tirei do meu foco as mazelas e iniquidades que vem ocorrendo no mundo e em nosso País. Não foi tão foi difícil retirar isso e até me confortou, mesmo estando cansado disso e de tudo mais. É estranho quando alguém que estamos acostumados a dialogar discorda da gente, se contraria com qualquer coisa dita e escrita, e até some da nossa vida, mas deixam os rastros, gestos e palavras como lembranças. Acredito que foi através delas que encontrei forças para não deixar outras pessoas irem e dar valor às mais próximas, sem sentimento de culpa por ter sumido por um tempo de suas vidas. Só que hoje, de alguma forma, estou pagando por ter deixado algumas irem, e foi assim que descobri que ainda me restavam forças, que eu não sabia de onde tirava, mas certo de que elas chegavam para ocupar espaços que não eram meus, mas que eu amei ocupá-los.

E por mais que eu tentei enterrar o meu passado, acredito que sempre irá despertar reações estranhas em mim porque ele foi mais positivo que negativo. Tenho de convir que não seja somente eu, mas todo ser humano em geral precisará mais do que uma imagem para se satisfazer de seus anseios e vontade própria para consecução de seus sonhos e objetivos.

Até onde cheguei tive que ser ou mostrar-me forte, aliás, tive que aprender a ser forte e para isso passei por grandes tempestades, tive muitas decepções, engoli muita coisa, deixei de engolir outras e passei por cima de tantas e tantas outras sem ferir ninguém. Em determinados momentos me vi obrigado a construir a minha própria muralha. Se não bastasse, fui obrigado a andar sobre pedras pontiagudas, passar por barreiras quase intransponíveis que encurtavam o meu caminho e ainda, driblar todas as outras que foram aparecendo durante minha existência. Aprendi a ensinar meus ouvidos a ouvirem somente aquilo que me interessava e que fosse útil; aprendi a ensinar minha boca a falar somente o necessário e quando não ocorria me calava deixando apenas que o meu silêncio falasse por mim. Guardei segredos, ocultei palavras e às vezes as escondia em compartimento onde só eu e Deus tinha acesso. Por isso caro leito e leitora podem não gostar de meus textos que acredito serem às vezes sem nexo, mas não me julgue sem a devida sensatez, nem arremesse pedras ou palavras que me firam, pois poucos não viveram o que eu vivi, não passaram por tudo aquilo que eu passei, não sabe o quanto eu lutei para realizar um bom combate, chegar até onde cheguei e nem mesmo sentir na pele o que eu sentia. Eu posso dizer que já pensei até em parar de escrever e que cansei de tudo aquilo que passa ao meu redor, principalmente em relação à política rasteira e o dividido e conturbado judiciário brasileiro, mas é normal que todo mundo cansa, mesmo os esquerdistas e outros que se dizem contrários, mas antes que a gente fale um do outro, voltemos no tempo e caminhemos pela estrada da nossa vida, aquela que construímos durante toda nossa existência, pois só ela é capaz de repaginar a nossa história, e caminhando, teremos condições de dizer se praticamos o bem e alcançamos o sucesso e objetivos que tanto almejamos.


Voto de minerva e o de impedimento

quarta-feira, 14 de junho de 2017

No Reino da Fantasia chamado Brasil a voz das ruas não repercutiu nas discussões da Corte. Talvez aquele Poder Judiciário continue indiferente ao clamor popular, todavia, não se pode deixar que essa indiferença prejudique o clamor e nem contamine a independência judicial exclusivamente vinculada à obediência dos juízes à lei e ao Direito. Os juízes devem aplicar a Constituição e as leis e demitem-se de suas funções quando se submetem a outras “demandas” construídas sob fatos reais, provas cabais e notórias, de suma importância para o Reino e jamais serem decididas por um simples voto de minerva de uma votação empatada e ou mesmo de um voto de um Ministro impedido por Lei.

Assisti a tudo, perplexo. Perplexo porque eram tantas as provas apresentadas pelo nobre e competente relator, e tão convincentes que não me deixava dúvida quanto à cassação da chapa. Terminava a votação fiquei com "cara de tacho". Incrédulo! Aí perguntei a mim mesmo: Quem vai entender os petistas que clamam nas ruas ou nós, patriotas, que queriam também a saída de Temer: Nas manifestações de rua eles clamam, seja através de faixas ou grito: FORA TEMER! Mas como acreditar nesse pessoal, pois no TSE, um Ministro petista e ex-advogado de Dilma votou pela não cassação da chapa, mantendo-se assim, o Presidente Temer no poder. Realmente fiquei sem entender o posicionamento daquele Ministro diante de tantas provas acostadas no processo. Ademais por ser ele ex-advogado de Dilma em 2010, não importava qual ano, naquele processo tratava-se de julgamento de Dilma e Temer, no qual, entendia que ele devia alegar-se impedido, conforme preceitua a legislação pertinente à matéria, mas não o fez.

Para os petistas de plantão bastava o voto dele para tirar Temer do Poder e salvar a nação dos corruptos já denunciados pela PGR, homologado pelo STF que circulam nos corredores palacianos, e quiçá, termos a sensação de novas eleições... O Ministro ao emitir seu voto procurou fugir das provas cabais e convincentes constantes dos autos. Fiquei perplexo porque senti que aqueles juízes do TSE que votaram contra a cassação pareciam que estavam articulados para frustrar as expectativas democráticas dos brasileiros. Decidiram fechar os olhos aos fatos, provas e evidências que levariam a chapa Dilma - Temer à cassação num tribunal decente. Se tivesse ocorrido dessa forma estariam ajudando a fazer história, colocando-se ao lado da nação, cujo povo vão às ruas para acabar com a impunidade dos crimes de colarinho branco. E ao confirmar aquele voto perguntei novamente a mim mesmo: Será que os petistas agora vão gritar: "fora Ministro Admar Gonzaga!" Será que o vídeo mostrado na delação da JBS não incriminava mesmo o outro Ministro que ficou nervozinho e quase deu um “xilique” durante a apresentação de seu voto?

Desde os bancos da Faculdade ouço falar a expressão "Voto de Minerva", sem entender às vezes sua origem ou a história que se escondia por trás dessa expressão. Ela tem sua origem em uma história pertencente à mitologia grega. Agamenon, o comandante da Guerra de Tróia, ofereceu a vida de uma filha em sacrifício aos deuses para conseguir a vitória do exército grego contra os troianos. Sua mulher, Clitemnestra, cega de ódio, o assassinou. Com esses crimes, o deus Apolo ordenou que o outro filho de Agamenon, Orestes, matasse a própria mãe para vingar o pai. Orestes obedeceu, mas seu crime também teria que ser vingado. Em vez de aplicar à pena, Apolo deu a Orestes o direito a um julgamento, o primeiro ocorrido no mundo. A decisão, tomada por 12 cidadãos, terminou empatada. Atena, a deusa da sabedoria, que presidia o julgamento proferiu seu voto, desempatando o feito e poupando a vida de Orestes. Neste momento, o voto de desempate passou a ser conhecido como “Voto de Minerva”. Triste não!

Mas por que Minerva se está falando da deusa Atena? Porque Minerva era a deusa romana das artes e da sabedoria, correspondente à deusa grega Atena. O direito romano, que influenciou todo o sistema jurídico ocidental, incorporou a deusa romana à expressão. Eis a razão da expressão Voto de Minerva, também conhecida como "voto de desempate" ou "voto de qualidade". Mas pergunto novamente: Quanto ao voto de desempate no TSE, foi de qualidade? Entendo que não e acompanhando através de jornais e TV vi que as maiorias dos comentaristas políticos estão indignadas com tal decisão. Para mim foi um voto mais político que judicial e explico em face das ligações do Ministro Gilmar Mendes com o Presidente Temer: Em janeiro, os jornais noticiaram que o Ministro viajou a Portugal e no mesmo avião seguia a comitiva presidencial para assistirem o funeral do ex-presidente português Mario Soares. Meses depois Temer e outros políticos participaram de jantar oferecido pelo Ministro em sua residência em Brasília, sempre negando que essa proximidade tivesse influência no julgamento e que as relações com o Palácio eram apenas institucionais, todavia, é sabido que ele é um dos Ministros do Supremo que mais expressam sobre política. Um fato relevante, que me deprime ao ver o seu voto de minerva é que durante do governo Dilma foi um duro crítico do PT, a quem acusou, em 2015, de ter “um plano perfeito” para se “eternizar no poder” – plano este “estragado” pela operação Lava Jato, da qual é publico e notório que o Ministro nutre uma antipatia descomunal. Por fim, cito aqui duas frases para reflexão: Elias Murad disse tudo em poucas palavras: “O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo.” E o saudoso Jânio quadros: "Aprendi no berço com minha mãe, que não há homem meio honesto e meio desonesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são."



Redemoinho, o filho do vento.

terça-feira, 6 de junho de 2017


Zé Bigorna andava meio triste lá pelas bandas da Vila Tamanduá quando certo dia um redemoinho passou pela rua poeirenta tangendo folhas secas, papéis, sacolas plásticas, espantando pássaros e levando toda a sujeira local. Zé nasceu na cidade de Cabribó no sertão da Paraíba e há tempos vinha tentando esquecer-se das terras secas nordestinas e morar de vez nas produtivas regiões do sudoeste goiano, onde sobreviveria plantando soja e milho. Ia até bem na vida, mas um dia tudo se foi por “água a baixo”, pois começou a dever pra muita gente e se enroscar com a justiça local, e o jeito foi fugir da Vila Tamanduá da próspera cidade de Mandruvá. Passou a viver de roça em roça, de cidade em cidade, mas certo dia quando vagava pelo centro da cidade de Mamoeiro, sem as suas inseparáveis peças, o famoso alforje que carregava sobre os ombros e uma algibeira, todos vazios, e ao seu lado, o cão Peralta e mais nada. Diante de um redemoinho que surgiu do nada, sentiu-se como se fosse uma simples folha papel. E sufocado por uma densa poeira, sentiu o seu corpo rodopiar-se e ser engolido junto com o de Peralta e outros incontáveis pedacinhos de papel. Tentou escapulir, mas de nada adiantou. Sucumbiu-se à força daquele vento e ao próprio desalento. Junto às sobras dos papéis recortados e sacolas voadoras levadas aos céus, Zé Bigorna desapareceu transformando-se apenas em mais que uma obra efêmera da natureza. Tão efêmero como aquele vento circulante que formava um redemoinho.

Nem bem longe dali vivia um tipo estranho e sempre usava um gorro na cabeça, jeito de quem dominava a natureza e caminhava em direção à rua poeirenta. Era matuto como Zé Bigorna, como aquelas pessoas que descambam para a cidade e para sobreviver faz de tudo um pouco. Estabelecera na cidade de Mamoeiro exercendo uma função também estranha e só se firmava quando os ventos eram bons e fortes, pois como dizia o povo: o danado era criador dos redemoinhos e chamado “filho do vento”. Com sua força sobrenatural viu a aristocracia, vestiu a fantasia e tornou-se um ser surreal naquela região, principalmente quando os ventos mudavam de rumo, pois ao invés continuar girando sobre si aquele ser estranho tornou-se um encantador em ruas e campos poeirentos. Diziam que lutou muito para escapulir do feitiço, mas não conseguiu safar-se e nem mudar a direção do vento, pois mesmo sendo feiticeiro, começou a entender que a vida destoa, voa, assim como ele, Redemoinho, o filho do vento.

E por falar em redemoinho, não tão diferentemente do filho do vento, ele surge quando há aquecimento em determinado ponto, transferindo-se esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele, e, quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão, ganhando velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de “sujeira” se torne visível. Pois bem, o estranho de nome Redemoinho parecia conhecer de tudo isso e dizia as más línguas que ele era realmente o filho do vento. A população sabia que a grande euforia dele era quando surgia o vento que vinha do sul, seja para fazer o bem, ou para o mal. Todos tinham certeza de que o vento sul era o seu pai e que, com sua força descomunal, levantava poeira, sacudia mares, brincava com os oceanos e fazia surgir grandes ondas todas em redemoinho tudo como forma de homenagear o filho

Ouvindo essa história ou estória sei lá, como escritor e poeta, passei entender o fascínio que tenho pelo vento, até mesmo quando ele abate os galhos das árvores e faz planar as folhas secas caídas no chão. Sempre que o vejo soprando, seja forte, manso, ou em redemoinho, me vem o desejo de parar num campo aberto e arremessar o meu chapéu para o alto só para ver qual direção ele tomaria, mas sempre esperançoso de que o sopro do vento me levasse junto e me deixasse num lugar qualquer, e que a distância não apagasse a minha existência No fundo entendia que não era necessário compreender quando o vento sopra em nossa direção, mas saber que a razão é capaz de compreender o sucedido, pois as feridas no coração com o passar dos tempos já estão extremamente profundas. No entanto, para mim não me importava qual direção ou distância o vento nos levaria, só sabia que eu iria junto com meu chapéu. Sem volta.


Por que silenciaram os sinos?

terça-feira, 30 de maio de 2017


O melhor som é aquele que sai em silêncio de nossas mentes e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. Os badalos de um sino há tempos esquecidos, hoje diante da adversidade da vida eu acredito que só voltarão possivelmente, num entardecer, numa tarde mais vulnerável onde todas aquelas que se foram desvanecidas, jamais nos deixaram sucumbir ante as intempéries do tempo, da insensatez, da falta de honestidade, da ética e caráter do ser humano que nos faz adormecer sob escombros. É importante frisar que Deus ao criar o homem colocou em sua mente uma multiplicidade de sensações e emoções capazes de despertar sentimentos mais variados, desde o prazer proporcionado pela contemplação da beleza, da harmonia e equilíbrio naturais, até do terror e impotência gerados por pessoas com saúde precária, passando fome, outras sem a mínima condição de plantar para a sua própria sobrevivência. Por outro lado, é comum vermos meninos e meninas cheirando cola para enganar a fome, crianças e mulheres que se prostituem para sobreviverem; chacinas, roubos, corrupção, tudo isso me oprime, sem falar das catástrofes e fenômenos naturais que ocorrem no mundo, onde tudo parece irreal, mas é pura realidade e se alastra como se fosse uma coisa natural característica da própria espécie humana, que a tudo vê e assiste complacente através de jornais e imagens geradas pela TV.

Quando intitulei este artigo como “Por que silenciaram os sinos” o fiz com  o intuito de homenagear os missionários e a todos aqueles que lutam em prol de sua comunidade, que pratica o amor ao próximo, a solidariedade e a volta das riquezas e criatividades cristãs, que criteriosas, podem fecundar novas reflexões e ajudar a delinear e modelar novos conceitos de vida em face do processo atual, de forma que, cada pessoa se torne responsável pela sua própria história, pela sua própria libertação, transformando a sua realidade de forma que se efetive a justa liberdade e amor, ainda que de maneira rudimentar, todavia, mesmo diante da labuta diária desses abnegados vimos que silenciaram os sinos que antes badalavam por um simples motivo, todavia, corrupção se alastra e muitos graúdos se fazem de cegos, surdos ou mudos diante de toda essa situação, então, resto-nos ver nos bancos de hospitais pessoas morrendo à míngua sem a atenção do poder publico, e nas ruas, crianças, jovens e adultos viciados em drogas, totalmente abandonadas, sem rumo, e com a mente deturpada, perdem o raciocínio e ficam perdidas na escuridão de seu próprio ser.

Sem ouvir nenhum badalo e com o pensamento absorto, me vi rodando pelas ruas da cidade, sem passar sobre pedras ou bisbilhotar as belezas circundantes. Olhava o vaivém dos veículos e a falta de respeito às leis de trânsito e ao próprio ser humano. Cada carro que ultrapassava o meu, sentia uma dor no coração ao imaginar que a vida de cada uma daquelas criaturas sequer tinha tempo de pensar que existe vida além vida e que poderia ter que prestar contas do que faz neste mundo de expiação e provas. Sequer tinham tempo de observar os pedintes amontoados nas calçadas e uma criança esquelética sugando o seio da mulher que parecia doente. Um quadro que jamais apagarei da memória. Pouco mais à frente, um vento quente soprou manso e logo deparei com alguns jovens descontraídos que usavam colares, brincos, pircing, cabelos pintados em cores variadas, dando-se a impressão de estarmos vivendo em outro planeta. Fumavam e soltavam baforadas de fumaça que cheirava a “baseados” e nos refrigerantes, misturavam diminutas pedras de crack no afã de contemplar melhor a vida e de se “chegar às nuvens”, talvez numa nave criada pelas suas imaginações, sem destino e desvalida.

Ao quebrar os laços familiares, deixar de ajudar aos infortunados, aos doentes e àqueles que passam fome, o homem quebra também o elo da cadeia que o liga a harmonia, ao amor, a fraternidade, a fé e equilíbrio de forças assentes nas Escrituras, motivos relevantes que se não exercitados tornam implacáveis e difíceis a mantença da sobrevivência humana, e na forma em que está banalizada, indiferente e que nos leva  passividade, não pode continuar. Ao final, deverão estar fundamentadas precisamente no amor, na caridade, não ficar à deriva, sem referência, para no final, saber por quem os sinos voltaram a dobrar.

Hoje, o homem não mais cora de vergonha e muitas vezes nem vê  motivos para isso. Talvez a vergonha que não se aflora mais em seu rosto é que o fazem fazer tantas declarações de intenções, tantos compromissos político-sociais, tantas promessas de ajudar ao próximo, ajudar aos doentes, ao menos favorecidos; muitas vezes não realiza alegando falta de tempo ou faz-se de esquecido. Ao ouvir as palavras de um amigo missionário confesso que corei e sei que muitos coraram e vestiram a carapuça. Eu, às vezes, me sinto em débito com a minha comunidade, mas cheguei à conclusão também de que temos a oportunidade fazer alguma coisa boa em prol de nosso Planeta e se não o fizermos será por mero capricho. Podemos transformá-los num paraíso se agirmos com correção, termos amor ao próximo e sermos solidários um ao outro, ou num inferno, se sucumbirmos sob o peso do pecado e da falta desse amor A resposta a esse desafio está presa nos elos da imensa cadeia da vida, que se quebrados, deixarão todos em cárcere inseguro, e para saírem ilesos, difíceis serão as decisões que cada um terá de tomar. E é diante dos fatos narrados que cheguei à conclusão de que urgem as igrejas se manifestarem, não importa qual religião seja, saírem do seu silêncio, clamar, seja com o manuseio das mãos do homem ou a de Deus para servir como alerta a todos aqueles que há tempos corrompem, mente, roubam, esfacela o País e que depois de eleitos, jamais procuraram ajudar a carregar o cajado, talvez espinhoso, mas recheado de honestidade, respeito, ética e moral construído em prol de uma nação que hoje se angustia diante de tantas mazelas provocadas por gente corrupta que se alastra por todas as regiões do Brasil sob o olhar condescendente ou benevolência excessiva e morosa da justiça brasileira.



Em quem devemos confiar?

quarta-feira, 24 de maio de 2017


Quando menos se espera a imprensa escrita e televisiva noticia sobre corrupção e desvio de dinheiro público. Têm certas notícias que gente se surpreende porque alguns desses políticos estiveram em nosso convívio e alguns, até pedimos votos pra eles. Que decepção! É tanta a decepção que a gente não sabe mais em quem confiar ou acreditar, e se for “ficha limpa”, vai continuar mantendo-a intacta depois de eleito? Há casos de políticos que estavam desaparecidos e de certo modo ficamos preocupados, mas vêm as eleições e eles aparecem na maior cara de pau. Pergunto: que devemos fazer? Deixar de votar? Diante de tanta corrupção fica difícil de escolher; fica difícil de esquecer as mazelas; fica difícil de esquecer o desrespeito ao erário público e da urucubaca política que eles fazem. Não está fácil mesmo! Entendo que neste momento crucial em que passa o Brasil não é momento para discutir sobre Partidos, pois todos estão no mesmo patamar, e não se deve transformar um corrupto de “estimação” em mártir. No momento o povo é que é vítima. Mas infelizmente muitos ainda ignoram as maracutaias, são partidários e continuam votando naqueles que surrupiam a Nação. Só pode ser compra de voto, estão recebendo “benesses” ou este eleitor é besta mesmo!

Viver essa política dessa forma e não confiar em ninguém hoje está mais difícil ainda e não há como negar. Há momentos que a gente procura desligar-se do mundo, no entanto, é preciso saber se desligar. Será que é fácil? Nem tanto. Há momentos que procuramos descobrir de como agir dentro do nosso tempo que é tarefa nobre, pois exige um grande conhecimento sobre a gente mesmo. Aí, acredito, talvez, seja mais fácil, no entanto, para quem conhece a si mesmo. Já pensei até em parar o relógio ou esquecer-se de colocá-lo no pulso ou na estante. De tanto tentar descobri que meu tempo está dentro de mim e cheguei conviver com o dito cujo ao pé do ouvido e ainda temos o danado do celular na mão que segundos e segundos recebem mensagens emitindo sons perturbadores. Evito agendar muitos números de telefones para que o mesmo não ocupe do meu tempo sem eu querer. Será que o tic-tac do relógio em cima da escrivaninha quer ficar no lugar do coração? Sei que são sons diferentes, todavia os regulo para que respeitem a minha hora e meu tempo porque pretendo desacelerar tudo, entretanto, pensei: mais do que aprender a correr, é preciso saber parar.

Não adianta manusear com perfeição o mouse, viver como se eu fosse um semiautomático diante do monitor, deixar de sorrir, tirar folga ou levar uma enorme culpa dentro de mim. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo, pois a inflação anda a galope. Aqui no meu recanto poético, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está nos livros, jornais ou revistas, mais dentro de cada um de nós. Entendeu o que eu disse? Se você não entendeu, quer tentar? Respire fundo, então. Desencane. Liberte-se do tempo que te rodeia e, sobretudo, perca seu tempo somente com você! É uma responsabilidade enorme desconectar-se, disso eu sei, mas a vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar, mas sempre com o cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil não é mesmo? Pode ser pra alguns, mas não para muitos malucos que brincam com a vida, fazendo dela um brinquedo. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. É uma aceitação suave dos próprios defeitos que temos ou um rir da gente mesmo, um desaprender contínuo ou um aprender sem fim sobre o que queremos da vida.

Caro leitor, não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara pra você. Esqueça e faça de conta que não tem ninguém à sua frente. Se esqueça. Você é capaz de decidir sobre e o seu futuro, de fazer boas escolhas, seja tratando ou não de período eleitoral. Costumo ler muito, analisar as ações nefastas de políticos e o meio escusos que eles usam para enganar o povo e a justiça, mas posso afirmar que ainda nada sei da vida, pois ela é um mistério, no entanto, uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito e muito! Eu acredito no que diz o silêncio na hora em que a minha massa cefálica se cala, pois ali está toda a engrenagem controladora de meus pensamentos, bons ou ruins. De outra parte, o meu silêncio que não tão é mudo assim, em compasso com a mente, vive dizendo com voz desafiante: confie em ti mesmo. Quebre a rigidez. Ouse mais. Vença mais obstáculos. Viva com mais leveza. Desligue-se, e se puder, adormeça nos braços do tempo, pois só assim você vai transformar a vida em letra e letra em vida. Tenha coragem e fôlego pra ser você mesmo, pois saberá que sob qualquer ângulo em que esteja situado no universo para considerar esta questão, chegar-se-á ao mesmo resultado execrável: a surpresa de ver vários políticos enrolados com a corrupção, pessoas defendendo-os arduamente por pertencerem ao seu Partido esquecendo que devemos defender é a nação brasileira. Essa minoria, porém, dizem os marxistas: compõe-se de operários manipulados por sindicatos, trabalhadores sem terra e sem teto, e estes vão às ruas em troca de pão com salame e uns trocados, enquanto seus chefões chegam de jatinho e almoçam em chiques restaurantes. Por outro lado, operários que se tornam governantes de um País ou representantes do povo no Congresso Nacional, deixam de ser operários e se põem a observar o mundo proletário de cima para baixo ou acima do Estado; não mais representando o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo usando meios fraudulentos e corrupção para se perpetuarem no poder. Quem duvida do que eu falo não conhece a natureza humana, por isso, ando desconfiado e desacreditado de tudo.



À espera de um novo crepúsculo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fito com os olhos o mundo que construí durante toda minha existência. Fito, mas às vezes canso quando vejo um amontoado de estrelas e a lua cheia, despretensiosas, cumprirem morosamente suas rotas. Deito-me sobre a relva e olho para o céu e pergunto ao silêncio que me rodeia: Que bom passasse um meteoro e ele desviasse de sua rota e caísse perto de mim? Fiquei ali quieto sem nenhuma luz a importunar-me, apenas recebendo o manto negro da noite, mas não me preocupei, pois, talvez, poderia ser contemplado com um meteorito antes do amanhecer. A relva estava úmida e ele me fez lembrar-se da tarde chuvosa que cobrira o céu escondendo o meu sol naquele lugar aprazível. Mas tudo passa, pois entendia que a leitura que fazia do meu mundo me enriquecia assim como o meu aprendizado sobre o ser humano e das minhas idas e vindas ao mundo da leitura que me tornaram mais experiente. Entendi que, olhando para o mundo que criei que não existe nada mais rico que o ritmo da vida e não importa o lugar em que a gente esteja. O meu momento de fazer diferente é hoje, é agora; portanto, acho que faço ou procuro fazer diferente.

A claridade no céu auxiliado pela lua e estrelas era visível, deslumbrante. Entre a noite e o nascer do sol ou entre seu ocaso e a noite havia certa dispersão da luz solar na atmosfera, mas era compreensível. A claridade que eu amparava com as mãos ofuscava meus olhos, mas de repente, vi uma mulher extremamente bela, quieta, cuja imagem aparecia detrás das folhas das árvores cortadas pela luminosidade lunar, e foi aí me detive, e meio atônito, comecei a examinar seu rosto sempre com atenção e o extremado carinho de quem fixa numa flor. Sobre a haste do colo fino senti-a trêmula, talvez fosse a leve brisa que passava sobre o verdejante serrado; talvez fosse o estremecimento do crepúsculo que estava por vir. Era tão linda que nem ouvia o canto nostálgico do Curiango no alto da serra. Perguntei novamente ao meu silêncio se já estávamos preparados, nós, um homem simples e o seu silêncio, para testemunhar o aparecimento daquela imagem e a nossa fugaz presença sobre a terra. Sabia que eram precisos milênios de luta contra a animalidade, milênios e milênios de sonho para entender esse momento delicado a que me expunha. Não era possível tocar em seu corpo esbelto, mas os meus olhos brilhantes repetiam em outro ritmo a exata melodia encenada pelas minhas mãos.

Contemplei-a... Ela e o manto negro da noite me confundiam, mas, a sua bela silhueta e um leve movimento fez com que meus olhos voltassem a ter o brilho doce da adolescência. A forma que a via sabia que não se repetiria e talvez desaparecesse para sempre no crepúsculo que se aproximava. Fitava-a e sentia seu olhar triste, mas nada podia fazer, era apenas uma miragem. O desejo de tocá-la não se esvaía, mas sabia também que outras imagens apareceriam mesmo sob torvas chamas rubras, e viriam despojadas sem a eterna marcha banal. Deus fez e refez sem cessar e como quis as imagens humanas porque sabia de nossos erros e que a negligência dos homens entorpece. Mas neste momento, sobre a relva, sou menos uma pessoa que um sonho de luminosidade que passa entre as folhagens. Eu e ela, no tornamos apenas uma fantasia de luz entre lua e estrelas, e juntos, ficamos trêmulos, como se nossa existência fosse efêmera, mas que sabíamos que seríamos eternos. Mas o que dizer e porque despetalar palavras tolas que vêm sobre minha cabeça? Na verdade não sei o que dizer apenas aquietar-me sobre a relva, olhar, olhar para o céu, como quem reza, e depois, antes de montar meu cavalo Alazão e partir, restar-me esperar por um novo crepúsculo, mas com a mesma imagem e o brilho do seu olhar.


Os autênticos manifestantes e os baderneiros de plantão.

sábado, 6 de maio de 2017

No dia 28 de abril de 2017, um pequeno grupo de pessoas, dizendo-se que se tratava greve geral, foram às ruas manifestarem contra as reformas na Previdência Social e alterações de alguns pontos polêmicos da lei trabalhista em curso no Congresso Nacional. Há de se ressaltar uma diferença entre as manifestações do dia 28 de abril e as ocorridas em 1992. Em 1992 grandes protagonistas das lutas sociais do País e milhões de jovens brasileiros tomaram das ruas das Capitais com a cara pintada nas cores verde-amarelo e vestiam roupas negras, como luto contra a corrupção do governo do ex- presidente Fernando Collor, hoje Senador da República, incluído nas denúncias do MP. Naquele domingo o ato ficou conhecido como o “domingo negro” e aqueles grupos de jovens que, apesar de distantes, clamavam por justiça e pelo impeachment de Collor, mas de forma ordeira, saíram vitoriosos. Naquele período ficaram conhecidos como “Caras Pintadas”. O movimento estudantil dos Caras Pintadas teve sua primeira reunião em 29 de maio de 1992 e as manifestações públicas aconteceram entre agosto e setembro daquele ano.

Pois bem, recordemos mais um pouco e o que motivou o movimento naquele período nefasto. Um dos motivos considerados como estopim foi o famigerado confisco da poupança, que obrigaram todos os cidadãos brasileiros a emprestarem todas suas economias aplicadas em poupança que excedesse a Cr$50.000,00. O governo prometia que devolveria o dinheiro emprestado em um prazo mínimo, entretanto, isso não ocorreu. A situação ficou fora de controle quando Pedro Collor de Mello, irmão de Fernando Collor, apresentou diversos documentos que indicavam roubo de dinheiro público, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e corrupção. Lembro-me bem que numa entrevista concedida à revista Veja, Pedro Collor citou seu irmão e Paulo César Farias (PC Farias) como cabeças-chave do esquema. O circo  estava armado e as entidades civis do país se reuniram para iniciar o “Movimento pela Ética na Política”.
  
Ao participar de um protesto contra a corrupção, cujo ato foi realizado no dia 21 de abril de 2012, assisti emocionado, jovens de forma pacífica voltar às ruas com caras pintadas, expressando suas  revoltas contra a impunidade, a sonegação, a lavagem do dinheiro, a contravenção, a corrupção, a violência, os crimes de colarinho branco, os esquemas de poder paralelo e outros males endêmicos que acabaram por substituir o Estado e até confrontá-lo, como foi o caso do jogo do bicho e caça-níqueis que se tornaram  uma escandalosa  cumplicidade que precisava acabar mesmo sabendo que no Brasil nada se apurava de verdade e tudo acabava em pizza. A corrupção maior como se podia ver em jornais e na TV, tinha origem nas licitações e isso deixava o povo estupefato, indignado. Eram obras superfaturadas e bilhões de reais despejados nas contas de empresas que estavam atreladas aos governos. Era e continua sendo a famosa troca de favores entre governo e as empreiteiras. Ganham a licitação e depois devolvem em forma de “bônus” alguns milhões àqueles que as beneficiaram quando da “apresentação de propostas” para realização de obras ou serviços. Hoje posso dizer com certa satisfação: Cuidem-se senhores responsáveis pelas licitações que se beneficiam com a construção de obras de vulto como ocorreu com a construção de estádios, reformas de aeroportos e construção de rodovias!

Mas, voltemos ao manifesto contra a corrupção, ocorrido no dia 21 de abril de 2012. Quando participei daquele movimento de certa forma fiquei bastante decepcionado. Muitas entidades públicas, privadas e organizações não governamentais, participaram da caminhada apenas para fazer propaganda de suas próprias siglas, esquecendo do objetivo principal que era mostrar a corrupção que imperava em todos os Estados brasileiros. Faixas, cartazes e nomes das entidades e siglas sindicais eram divulgados durante a passeata e seus trabalhos alardeados através de um potente carro de som. O manifesto realizado Goiânia, foi para mim mais uma decepção. Durante a passeata pude observar pessoas pichando paredes, ateando fogo em carros, ônibus e bancas de revistas, agredindo policiais com pedradas que davam cobertura ao próprio evento; quebravam vidros de lojas, depredavam e viravam viaturas policiais em total desrespeito ao patrimônio público e tudo que viam pela frente; outras pessoas com microfones nas mãos, diziam palavras de baixo calão para caluniar e difamar o governo e aí pensei com meus botões: Este ato público por si só já está corrompido. Uma forma de protesto criado a nível nacional para combater a corrupção não poderia ocorrer dessa forma, mas em Goiânia ou em outras capitais, para muitas pessoas, não parecia ser o objetivo primordial, pois, no uso do microfone, algumas até tentavam disfarçar dizendo que a passeata era democrática, de nível nacional, todavia, ao retornar o microfone a outro participante, incentivava e demonstrava sua euforia detonando de forma injuriosa e grosseira a tudo e a todos.
  
Faixas e cartazes carregados pelos manifestantes, como da primeira manifestação naquele ano, apareceram novamente, algumas de partidos que fazem oposição ao governo federal, o que me pareceu naquele momento tratar-se de um fato isolado, mas, era visível que muitos se infiltravam e aproveitavam do   movimento com o objetivo somente de tumultuar, queimar pneus, depredar tudo que via pela frente, esquecendo do seu próprio umbigo, ou seja, do direito de ir e vir do cidadão de bem e dos próprios trabalhadores, se é que aqueles manifestantes eram trabalhadores. Praticavam atos de vandalismo que prejudicava as ações democráticas dos autênticos manifestantes, mas os “cara-pintadas” não participaram do evento porque sabiam dos objetivos escuso dos sindicatos que o organizou. Não houve por parte dos Sindicatos a preocupação quanto ao direito de reivindicar, de respeitar os direitos do cidadão, do trabalhador, de respeitar a lei e o bom senso, de evitar a depredação do patrimônio  público e do justo respeito que deviam ter ao aparato policial que estavam lá para proteger, ajudar na organização e manutenção da ordem e da segurança dos manifestantes. Entendo mais que o ato grevista, bloqueio de ruas e avenidas, devia ser feito ao redor e frente ao Congresso Nacional, pois lá é que estão sendo votadas as matérias em discussão. Ademais, a Previdência Social se encontra nessa situação graças ao governo do PT e PMDB que há anos vem saqueando os cofres da nação brasileira e assim, diante disso e de tantas outras mazelas como acreditar que não existem esses manipulados baderneiros de plantão.

Por fim, torna-se também necessário usar deste espaço para falar um pouco das agressões sofridas por policiais. A imprensa brasileira deu destaque especial para o jovem que foi agredido por um policial em Goiânia. Então, permita-me caros leitores deixar aqui minha solidariedade a ele e à família, mas também sair em defesa dos policiais que vão às ruas para nos defender ou a qualquer cidadão de bem. A segurança de cada um ou da população em geral é feita por policiais, seja qual farda estiver usando. Eles são enviados às ruas para coibir a violência e evitar que o bem público e ou mesmo particular seja depredado, mas, não obstante isso, tais ações ocorreram em várias cidades brasileiras, e como o contingente militar era pequeno diante de tantos manifestantes esparramados por vários pontos da cidade, eles, claramente, não dariam conta de evitar que bancas de revistas fossem destruídas, agências bancárias depredadas, carros, caminhões e ônibus incendiados, tudo orquestrado por um grande grupo baderneiro, tirando a licitude da própria manifestação. Vi muitas faixas e cartazes sendo carregados pelos manifestantes, como aconteceu em outras manifestações, à maioria usava bandeiras vermelhas, nenhuma verde-amarela, parecendo que aquele grupo de pessoas não fosse brasileiro, tudo capitaneado por Sindicatos que há tempos vinham “mamando nas tetas” do Governo Lula e Dilma. Era visível a infiltração de pessoas encapuzadas que participavam do movimento nas capitais somente com o fito perturbar a ordem e prejudicar a ação daqueles que realmente protestavam dentro da legalidade e respeito à lei, à coisa pública, privada, aos direitos do cidadão, e de não prejudicar o direito de ir e vir do cidadão que precisava comparecer ao trabalho, todavia, os baderneiros desrespeitando a lei queimavam pneus, depredavam Agências Bancárias, Bancas de revistas, telefones públicos; atiçava fogo em ônibus, carros, caminhões, sacos de lixo, sem o mínimo bom senso e respeito à coisa pública e a você cidadão de bem. Será que esses baderneiros não tinham noção de que estavam prejudicando os próprios trabalhadores? Sejam usando bicicletas, motos, carros, caminhões, ônibus, cada um tinha seu destino: o trabalho.

Como frisei acima os policiais foram convocados por seus superiores para estarem nas ruas para evitar que o patrimônio público fosse depredado e desrespeitosamente esse “grupo” de encapuzados os afrontavam. Foram pra ruas com essa intenção. Será que fizeram aquilo “de graça”? Então, depois disso e de tantas outras mazelas como acreditar nesses movimentos? Assisti e acho que a maioria da população assistiu vários policiais sendo feridos com pedradas e outros objetos por defender os bens públicos e o próprio cidadão de bem. Por outro lado, há de se condoer com a situação do jovem agredido por um policial em Goiânia, pois nenhum ato voluntário ou involuntário está acima da lei, todavia, temos de convir que o cassetete naquele instante fosse o único meio de defesa, pois policial também sente medo, principalmente quando se está em menor número e diante de centenas manifestantes sem noção. Foi um fato isolado que repercutiu nacionalmente e que deve ser analisado pelas autoridades competentes. Não me arrependo de defender os policiais e dói quando imprensa destaca a agressão sofrida por um cidadão goiano e sequer mencionam o quantitativo de policiais militares que foram agredidos e feridos em todo o País por manifestantes encapuzados que usavam de pedras e até bombas incendiárias caseiras. Pode ter a certeza de que esse tipo de manifestante não foi à rua pra rezar. Por outro lado, quem se preza e tem bom senso não participa de manifestações usando capuz, pois quem o usa capuz, esconde o rosto, e logicamente, não carrega boa intenção numa manifestação. E não adianta dizer que é para proteger o nariz do gás lacrimogêneo. Numa manifestação pacífica policia jamais atira esse tipo de projétil. Como tudo na vida é incerto e tudo aquilo que se faz no Brasil é feito em terreno não sedimentado, podem ter a certeza caro leitor que mais coisas  virão à tona, portanto, além de ficarmos preparados para novas surpresas devemos construir nos quintais de nossa vida um poleiro cheio com varas resistentes para que elas possam sustentar os grossos excrementos que possivelmente virão do resultado da aprovação da reforma da Previdência Social e Trabalhista. Fugindo um pouco do texto, resta-me encerrar dizendo: Avante equipe da operação LAVA-JATO! Somente vocês serão capazes de eliminar de vez os corruptos e corruptores no Brasil!



Traição: Como defini-la em se tratando de um caso concreto?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Não queria entrar no mérito desta palavra que em termos mais amplo trata-se de ação de trair alguém; perda completa da lealdade que resulta de uma ação traiçoeira, como também se pode considerá-la como um crime que se configura pela ameaça à segurança da pátria ou de suas instituições, todavia, em relação à minha pessoa há anos essa palavra vem me corroendo a alma porque, infelizmente, vivemos num mundo onde existem muitas falsidades, tapetes para serem puxados para que ninguém cresça ou se sobressaia dentro da sociedade em que vive, seja qual ela for. Vamos supor que o trabalho que você faz cause inveja a um “amigo”, pois está se sobressaindo mais que ele em face do seu dinamismo peculiar, que veio do berço, que enxerga o mundo de uma forma diferente e procura sempre ciscar pra dentro e não pra fora. Ao tentar captar mais companheiros pra fazer parte da sociedade cultural da qual participa pode gerar ciúmes em relação a sua atuação e em face disso pode vir à famigerada traição. Passado alguns meses ou anos suponhamos que a pessoa que lhe causou esse dissabor esteja acometida por um arrependimento, amargando um tremendo remorso e se afogando num mar de culpa… aquele que traiu ou continua falseando ou traindo um companheiro de trabalho ainda tão comum hoje em dia, jamais terá a dimensão exata do buraco que cava no peito daquele que foi traído.

Quando nos sentimos traídos é como se a nossa confiança fosse roubada pelas costas. Nem temos nem tempo pra dizer: Até tu cara! É como se a nossa inteligência fosse também subestimada e a nossa autoestima picada em pedacinhos. Quando isso acontece cava-se um grande buraco no peito, principalmente quando a pessoa acreditava que aquela outra era realmente amiga. Vem à dor e ela dói muito. A dor da traição e da falsidade é geralmente complexa porque destroem no interior das pessoas traídas os alicerces que construíram em prol do desenvolvimento de uma entidade, dentro da qual nasceu a relação de amizade. Podemos afirmar com certeza que a intensidade da decepção é proporcional à amizade, ao afeto, ao amor e ao carinho que temos por quem nos proporcionou tal dor, assim como, dizer também, que quem engana um amigo verdadeiro trai a si próprio.

Quando se tem um projeto de crescimento, ao sermos enganados por alguém tudo altera a capacidade de interpretação dos próprios sentimentos, pois eles ficam frágeis, confusos e chegamos até a ter dificuldades em discernir o que é real e o porquê de um projeto não ser aceito, de um sonho destruído. Não raras vezes, aquele que é traído acaba buscando em seu comportamento, em suas atitudes a razão para saber a verdade, o real motivo sobre tudo o que aconteceu; sente-se até suspeito do mal feito causado pelo alheio. A traição dói principalmente em todos aqueles que têm objetivos e projetos salutares destinados ao crescimento da entidade da qual participa. Traição dói por tantas outras razões. Dói porque é desnecessário, dói porque diminui a importância da história partilhada que estava em pleno desenvolvimento, dói porque não há nada que justifique a quebra de confiança.

A traição é a mais covarde das escolhas, principalmente quando você é tomado de surpresa pela ação pretensiosa do “amigo” que simplesmente lhe comunica que seu cargo foi oferecido à outra pessoa para uma possível negociação e espertamente, prejudicar registro de outra chapa concorrente, e de certo modo, evitar também que a outra pessoa concorra ao pleito eleitoral com outra chapa. Isto está ocorrendo em todo meio social. É o poder pelo poder. É a opção do “amigo” pelo caminho mais fácil. É a forma encontrada por ele para retirar do seu caminho um possível adversário, o qual, no caso, deveria é ser honrado e mostrado o seu valor. Perdoar esse tipo de traição foge à nossa capacidade racional. E quando acaba acontecendo, muitas vezes é porque existe nessa atitude uma esperança em fazer cessar o sofrimento. Perdoar-se numa tentativa de retroagir ao acontecimento considerado traição, dificilmente será possível apagar os danos causados. Tal situação já ocorreu em relação a mim, mas sei que está acontecendo com outras pessoas de valor. No que me diz respeito ao caso em tela, a ferida não cicatrizará em razão da consideração, admiração e respeito que tinha pelo “amigo”. Mas sei também que o tempo, queira ou não, mostrará suas fissuras no relacionamento, trincas por onde emergirá ressentimentos, mágoas e culpas.

Afinal, por mais que pareça triste, o melhor que se pode fazer é cortar os laços mesmo. Manter-se em silêncio porque de alguma forma ou de outra ele falará por nós. Deixar que as feridas cicatrizassem em paz. Sigamos em frente e deixemos que o “amigo” descubra por si mesmo que havia outras escolhas, mas que ele por si só não foi capaz de discernir e fazê-las. E depois disso, de ter sido incapaz de escrever o fim de uma história, de colocar um definitivo ponto final, de projetar para si mesmo um modelo mais saudável de relação, na qual o compromisso fosse partilhado, assumido e respeitado por todos os membros da entidade cultural, ficou inerte, usou-se apenas das reticências. Por fim, pergunto: Porque eliminar do quadro diretivo parceiros de tantos anos, então, não se pode usar o linguajar popular: que foi uma decisão humana, sensata, justa. Persistir na substituição para que a pessoa não participe do novo quadro diretivo, comunicando-a tardiamente com o fito de impedi-la de montar uma chapa concorrente é errado, é falta de respeito próprio mesmo.

O "Dedo Duro."

segunda-feira, 24 de abril de 2017


Quando fazemos algumas anotações seja num caderno ou quando manuseamos o computador aprendemos que as mãos e dedos têm um papel relevante, pois são eles que nos habilitam a escrever e digitar mensagens aos amigos esparramados por esse mundão de meu Deus. Ao examinar os gestos notamos também que existem mãos agitadas, trêmulas, dedos em riste apontando para alguém, outros acenando com dedos abertos e fechados… tudo simbolizando alguma coisa e mostrando, talvez, a própria personalidade da pessoa. O que mais me incomoda é o dedo que aponta, acusa, discrimina, rotula, e de forma inevitável, é usado para intensificar “recados” maldosos. Eu, a bem da verdade, prefiro usá-las de outra forma para escrever o que sinto e penso… No entanto, existem sinais quando usamos os dedos e mãos ao mesmo tempo, demonstrando sentimentos de paz, de saudação, de positivismo, de vitória, de agradecimento, como também de agressividade.

O mundo perde em conceito e aqueles que se acham poderosos fazem sinais com as mãos ou usam o próprio punho para mostrar que são poderosos, subestimando-se aos demais. Urge a necessidade de resgatar os valores familiares, morais e éticos, pois, caso contrário, acabaremos em um mundo cruel, medonho, cheio de trevas. Há tempos tenho assistido realmente uma inversão de valores sem precedentes, chegando até mesmo à obscenidade por parte de autoridades que deveriam dar exemplo à sociedade de sua postura moral e ética. Eles sequer respeitam nem a si mesmos nem aos outros e debocham do povo diante das câmeras de TV, com sorrisos sarcásticos e seus atos são vistos como ladroagem, libertinagem, malversação do dinheiro público e corrupção generalizada que, para eles, funcionam como se fosse uma coisa natural, comum.

Temos em cada mão cinco dedos e todos pertencem à mesma mão e ao mesmo corpo. Basicamente eles têm a mesma função, ajudar a segurar objetos, apertar um gatilho de uma arma, jogar pedras, bombas, manusear um mouse, uma caneta ou lápis, etc. Sim, os dedos são todos iguais, mas não têm o mesmo tamanho ou função. Alguns, é preciso dizer, não são tão iguais. Pois bem, então vamos ao que interessa. Alguns desses dedos precisam se destacar, impor sobre os demais, mandar; alguns deles precisam dizer ao resto da corja como proceder. Então fica claro a quem deve caber esse papel, esse posto de comando, esse título. Então vejamos analisando individualmente de cada um. Comecemos pelo Polegar. Este não podia ter essa aspiração, pois pra começar, ele é pequeno, tão pequeno que até deu o nome a um personagem de livro infantil, “O Pequeno Polegar”. Além de pequeno, é humilde e não se importa em se sujar, pois é sempre o escolhido, primeiramente, para o registro da impressão digital, notadamente se o sujeito é analfabeto e precisa assinar um documento a rogo ou não, basta esfregá-lo numa almofada de carimbo e encostá-lo num papel e pronto! Ta lá a comprovação de sua existência em nosso mundo. E o tal do dedo Mindinho, este é pior ainda, fininho e delicado. No passado ele servia para indicar aristocracia; aquelas pessoas elegantes que tomavam chá com ele elevado no ar. Lembra dessa frescura? Isso passou, nem essa função ele tem mais, todavia não é tão inútil assim, pois como é tão pequeno, na falta de cotonetes, ele nos ajuda a coçar os ouvidos.

Continuando com a história dos dedos, comenta-se por aí que o Anular é o símbolo da submissão. Como se diz no linguajar popular ele serve para portar o anel e mostrar que aquela pessoa é casada ou comprometida com alguém. Está aí a submissão: ele é moralista e retrógrado, tolhe a liberdade das pessoas, impede que possam viver grandes e excitantes aventuras. Nessa confusão em que passa a família e a crise financeira que nos oprime, o dedo Anular está com os dias contados, em primeiro lugar é porque muita gente não casa mais, e em segundo, porque ninguém mais quer usar aliança. Deixemos o Anular com ou sem suas argolas e vamos falar então do seu vizinho o Indicador. A este devemos certo respeito e reconhecimento, pois ele seria o único a postular alguma liderança. Porque será que ele tem uma função importante? Será porque aponta, indica um rumo ou serve para acusar alguém? Com diz meu personagem que intitulei nesta crônica, o grande chefe Manoel Tristão da cidade de Cabribó: O Indicador, em algumas situações é conhecido como Dedo-duro e isso, para ele, era uma distinção. No entanto, o Indicador é temido, e no nosso mundo de delações premiadas só sobrevive e recebe as benesses quem é realmente temido e sabe de tudo.

Mas no caso em tela, não tão temido que venha assustar o seu vizinho privilegiado, encontra-se o Dedo Médio ou Central. Para começar esse danado fica no meio da mão e é o maior dos dedos. É temido principalmente pelos homens que vão médico urologista para fazer o famigerado “toque” só para ver se eles têm câncer de próstata. Então se você tem alguma dúvida ainda em torno da liderança do dedo central, finja não conhecê-lo e de suas formas obscenas, ofensivas, insultantes, quando é usado em riste para a pessoa que o desagradou em alguma coisa. Independente da vontade dele às vezes a gente adianta-se à sua vontade e o levantamos, olhamos para a pessoa que não gostamos e o colocamos numa posição insultante, talvez defensiva. Para aqueles que carregam o ódio no coração até pode ser um momento de glória, pois apenas quer mostrar quem está por cima e colocar certas pessoas no seu devido lugar. O sinal que damos ao usar este dedo é uma linguagem que todo mundo entende, mas às vezes fere a sensibilidade de pessoas mais incautas, todavia, todos têm de entender os seus sinais e levá-los numa boa se quiserem viver neste mundo sem o tal afrontamento. È visível que todos os dedos se curvam diante do Dedo Central quando ele se levanta e aponta numa direção qualquer e diz: “Eu sou o maioral, eu sou o chefe desta mão, eu sou o rei de todos os dedos, mas não sou como o “dedo duro”, do tal Manoel Tristão da pequena cidade de Cabribó que anda dedurando todo mundo e nem igual ao Indicador, meu vizinho à esquerda da mão”

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No "Café da Manhã" de Ulisses Aesse.

quarta-feira, 19 de abril de 2017


Ulisses segundo o poeta Gabriel Nascente é um “cavaleiro da guerra da mais velha utopia: a poesia”. “Na matéria, alguns poemas do seu livro de estréia: “Jardim das Éguas” deixa-se prender aos seus afazeres para contemplar em segurança o que está para além do homem”. Para mim o jornalista Ulisses que traz em seu bojo o símbolo da inteligência goiana e sabe que é mediante o exercício da criatividade que pode se formar, aperfeiçoar e intensificar nossa crença na humanidade. Ele além de editor de reportagens do jornal “Diário da Manhã” é músico, jornalista, poeta, artista plástico, colecionador de antiguidades, um roqueiro apaixonado por motos e por “belas” gravatas. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), também é comentarista do programa “Canal Aberto”, da ’PUC TV’ e participa ainda como debatedor do programa ’Jornal Sucesso’, na rádio que leva o mesmo nome. Foi fundador do programa Rockaos, apresentado na antiga Rádio K do Brasil. É fundador da ONG ’caminhosway’ e já foi diretor da União Brasileira dos Escritores, seção Goiás, e da Associação dos Escritores Profissionais de Goiás. É Membro da Academia Goianiense de Letras, possui três livros publicados. Ulisses já atuou como membro do Comitê Pablo Neruda de Solidariedade ao Povo Chileno, cujo museu construído à beira do mar banhado pelo Oceano Pacífico, local que eu tive o prazer de conhecer em outubro de 2015.

Experimentar o seu “café da manhã” adoçado com sapiência é e sempre será uma forma de saborearmos notícias atuais e interessantes e nele dizer o que somos e podemos ser. Na sua página diária ancoramo-nos na segurança noticiosa que de tão precisa e que a gente menos o espera, lá está ele falando sobre nós e nosso trabalho literário. Imbuído de uma amabilidade própria ele é capaz de alçar voos distantes, enquanto no seu papel de jornalista e quiçá, de poeta da vida, também é capaz de nos encorajar e nos ensinar o como trilhar dentro da sociedade em que vivemos. Hoje já não basta aos pensadores como ele e outros que se encaixam na espontaneidade e na harmonia de uma geração de jornalistas que há tempos vêm dando novos rumos ao mundo, às vezes fazendo a função de investigadores, todavia, é através de suas escritas que sabemos de onde vêm seus eloqüentes textos e de como eles são compreendidos pelos seus leitores. Inaugura-se assim com sua maneira de ser a valorização do ser humano e a busca da verdade por si mesma, assim como, o início de uma perigosa ruptura entre conhecimento e ação. Em suma, trata-se da constatação de que, tomando-se certos cuidados, pessoas como Ulisses Aesse podem conduzir nossa vida pelo mundo da leitura a realizar grandes feitos de tal forma que isso não incorra no ciúme de amigos, dos deuses gregos e ou mesmo do seu xará Ulisses um dos mais ardilosos guerreiros de toda a epopéia grega.

Responsável pela coluna “Café da Manhã, do Diário da Manhã, Ulisses pra mim, além de amigo é um mito, pois ele destaca e valora a nossa gente de um modo geral com muita sobriedade impondo a necessidade de contenção do impulso humano que às vezes ultrapassam certos limites, mas nunca deixando de lado a integridade do ser humano e sua lídima participação na sociedade, o qual, muitas vezes se arrisca à ruína, numa narrativa onde se ressalta o seu desejo de voar mesmo sem usar as asas de sua imaginação, entregando à fruição do seu trabalho diário, o qual, na realidade, descreve com esmero sobre certa falta de um autocontrole social. Diferente do personagem de Ilíada e da Odisséia, de Homero, nosso Ulisses, também é um guerreiro, um herói das letras, e sabiamente, toma as devidas precauções para que seu impulso em relação ao ser humano seja experimentado de forma correta, não comprometendo a sua segurança e deixando intacto o impulso em si mesmo ou de permanecer o impulso de voar em busca de um improvável saber. Todavia, se os homens não podem contemplar diretamente deuses, demônios ou forças titânicas isso não se deve a uma radical heterogeneidade e incompatibilidade entre dois mundos, mas ao caráter limitado do poder do homem, que não pode expor-se diretamente ao excessivo poder dos deuses e de outros seres sem ser prontamente fulminado, exceto se o divino é abordado indiretamente, mediante suas metamorfoses, objetos cultuais ou estátuas antigas.

Aquilo que pode ter mais do que um sentido ou significado, a nosso ver fundamental, nós articulistas e cronistas, temos como tendência civilizacional de levar pendularmente o nosso pensamento a interpretar o que ocorre no mundo, seja real ou aparente, necessária ou casual, como efeito ora da execução de um plano cósmico idealizado ou executado por um poder inteligente determinador ora como realização espontânea das múltiplas possibilidades de um irracional indeterminado. A vida em comento é do jornalista Ulisses, o qual já bisbilhotou obras antigas e contemporâneas, conhecendo a verdade, e qualquer pessoa que já tenha se deixado arrebatar pela beleza ou pelo medo sabe que a experiência de amarrar-se a qualquer estilo literário muda bastante a natureza da própria contemplação. E ainda que não tivesse conhecido essa realidade ele poderia nos falar sobre tudo e que, no fundo, talvez, ninguém queira realmente conhecer. O que Ulisses Aesse parece nos querer ensinar no dia a dia é tão somente que devemos inventar o nosso próprio jeito de escrever, de forma precisa, compreensível e que possamos encantar e atrair os leitores do Diário da Manhã. A sua coluna tornou porta voz de pessoas, algumas não muito conhecidas, assim como eu, mas notícias minhas estampadas naquela página me levaram aos confins do mundo, fazendo-me pressentir que lá na distante quimera reside uma esperança, um sonho, talvez possível de alcançar, uma fonte inesgotável de todo ser, pensamento, beleza e poder.



 
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