Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Em buca do elo perdido, além de mais além

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


A gente sonha, imagina coisas interessantes, bonitas, misteriosas, reais até surreais, que achamos existirem num lugar qualquer, misterioso, e que podemos dizer que fica além de mais além, onde nossos olhos jamais podem alcançar e nem nossas mentes sabem discernir onde fica, Vivendo no mundo real, sem sonhos, nem notamos que o perigo que nos rodeia é iminente, então, percebe-se, de repente, a inexistência de futuro, de um amanhã incógnito, sabendo que ele é subseqüente e o único momento que temos para prosseguir na caminhada em busca do elo perdido. Nesta caminhada poderão acontecer desastres e serão extremamente reveladores, fazendo-nos desconhecer como será o amanhã. Sabemos que eles existem e não trazem nada de novo para o mundo, simplesmente fazem com que a gente fique consciente do mundo como ele é. Certos acontecimentos nos despertam para a vida, todavia, se você não entender isso, pode enlouquecer, mas se entender pode ser que você desperte e deixe de ir à busca de seu elo perdido, num mundo desconhecido, além de mais além.

Para procurar alguém ou alguma coisa real, palpável, realmente não devemos vacilar, mas como pessoas inteligentes que somos, deveremos fazer tudo corretamente e de forma ponderada, arriscar se for preciso e jamais vacilar, pois o dia seguinte pode não existir e aí será tarde demais! A pessoa pouco inteligente geralmente nunca vacila e nem hesita, e isso é fato. Então, por que nos preocuparmos com aquilo que pensamos existir além de mais além. Devemos viver o hoje com prazer, sem medo, sem culpa. Viver sem nenhum medo do inferno ou sem ansiar o céu. Devemos simplesmente viver.

Certa vez, uma jovem dizia estar com o coração partido e perambulava sozinha numa rua deserta, com pouca iluminação e quem passava por ela não podia ver o brilho dos seus olhos, nem o seu rosto, o modo de caminhar e seu anseio por uma vida nova, Perecia estar à procura de um elo que a ligasse alguma coisa real e ou mesmo surreal. Lágrimas desciam pelo sua face, me fazendo entender que procurava dar um fim em sua vida naquela rua deserta. Ao passar por ela jamais pensei que conseguiria achar o seu elo perdido: o amor próprio, e que existiria o tal conto de fadas, mas agora sei que ele existe porque eu a reencontrei noutro local bastante iluminado, não profano, com os olhos brilhando, pois ela se tornou mais forte que o tempo e atravessou a imensidão do espaço que transcendia os limites de sua existência.

Com o pensamento alhures olhou para o horizonte longínquo, agarrou nas mãos de sua fada madrinha que apareceu do nada, fazendo-a prosseguir na sua caminhada, cuja distância e nem o tempo podiam forçá-la a cometer outros erros. Ela sempre pensava que as amizades continuassem para sempre, mas hoje não tem mais tanta certeza disso. Cada pessoa amiga segue outros rumos e às vezes nem deixam pista, mas, talvez, até voltariam a se encontrar um dia quem sabe... A jovem Magali de quem falo acreditava que do lado delas encontraria os melhores momentos da sua vida, as melhores risadas, as melhores palhaçadas, as melhores brincadeiras sem se decepcionar.

Não precisamos ir à busca de elos perdidos ou nos deixarmos perder durante nossa existência, nem precisamos além de mais além, rumo ao desconhecido, pois durante a nossa caminhada conhecemos coisas insuperáveis e pessoas todos os dias, a maioria delas, talvez, por acaso, mas algumas acreditamos terem sido enviadas Deus. Estas se tornam pessoas especiais, que nos compreendem e que estão sempre conosco, seja na doença, na alegria ou na tristeza, cujo vínculo a gente não consegue explicar.



Carnaval: o luxo, a droga e o lixo.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


Debruçado sobre o vão da janela observava as árvores enfeitarem as ruas acinzentadas do cotidiano. Era fim do carnaval, mas, de repente, não sei como, apareceu alguma coisa, talvez extraterrestre, que me forçava a pensar e lembrar dos melancólicos despojos carnavalescos: as ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas que se tornavam simples esqueletos; oscilando no ar farrapos de ornamentos sem sentido, carrancas, máscaras, serpentinas, magos, amarelos e encarnados, batidos pelo vento; torres coloridas e desmesurados brinquedos que ainda se sustentavam de pé, intrusos, esquisitos, anômalos, esparramados na rua entre as árvores e postes. Era o fim mesmo! Via-se o luxo jogado no lixo! Acabou o artifício e muito dinheiro foi para o ralo; esvaíram-se as mágicas, tudo voltou à realidade. Foram-se as batucadas carnavalescas, mas, para a pessoa sensível, era possível ouvir comentários sobre educação precária, pessoas morrendo nos hospitais públicos e roncos de barrigas famintas vindos das esquinas e becos da cidade.

Antes e começar a escrever esta crônica agucei os olhos optando por usar apenas a janela da alma, e sob o toque do silêncio, sabia que ainda poderia enxergar alguns transeuntes fantasiados de palhaços, levando seus pedaços de ilusões outrora esquecidas sobre as mesas de bar, justamente  na quietude das horas mortas que às vezes, dominados pela bebida alcoólica nem  se lembra quem  foram. São tantas histórias perdidas nos labirintos da memória que sequer enxergam as flores que circundavam os jardins que enfeitavam cada passo no crepúsculo da madrugada e extasiadas, procuravam retornar ao lugar do qual nunca deveriam ter saído. Deixavam os bares e salões e com passos lentos e solitários, saiam cambaleantes pelas calçadas, enquanto o sol se despontava no horizonte clareando ruas e avenidas para que pudessem seguir em frente sem titubear. 

Á medida que ia contabilizando os metros percorridos por aquelas pessoas, entendi que cada passo poderia estar representando cada etapa de suas vidas, mas lembrando que à frente poderia existir um abismo, receber uma bala perdida e serem empurrados pela mão invisível do destino e só diante desta situação se lembraria Deus. Continuava observando os olhares vagos que, fixos na parede do universo, poderiam tornar-se translúcidos e só a mão mágica do destino poderiam transformá-los numa moldura estelar que pudesse enfeitar o céu antes do amanhecer. Ora, sabem que Deus é o arquiteto do universo e que procura comunicar e se fazer presente em cada momento de nossas vidas, numa demonstração de que somos amados, que vale a pena lutar por uma vida nova, ser possível deixar o vício e ser feliz. É possível mostrar para os dependentes químicos, para os viciados em drogas, internet e até em  televisão, o valor das coisas simples e da superação, porque Deus se revela na simplicidade e nos ensina como superar tudo o que acontece no nosso dia-a-dia. ELE se revela na beleza de uma flor, no cantar de um pássaro que voa amparado pelo vento; se revela através  de um  rio que desliza manso em seu leito levando as flores e folhas secas que se desprendem dos galhos ribeirinhos ou no abraço e palavras sinceras de amigas e amigos.

A missão de cada um é restaurar vidas, temos uma grande responsabilidade, pois cada um que vem até nós nos foi confiado por Deus e aqueles que não foram que encontrem entre nós o apoio merecido, carinho e amizade verdadeira. Aqueles que são dominados pelo vício que procurem se desvencilhar desse mal e vivam intensamente. Aqueles que não forem que evitem situações e pessoas que possuem sinais do pecado. Valorizem seu corpo e prezem a saúde. Todos somos filhos de Deus. Somos livres e não nos  deixemos escravizar por tudo aquilo que é maléfico a nossa saúde, através de propaganda ou cenas picantes, apresentadas até de forma inconseqüente pela internet ou TV. 

Eu aprecio alguns programas de TV e a internet é importante para o mundo moderno, entretanto, é importante e salutar que saibamos discernir somente aquilo que venha acrescentar em nossas vidas e o que possa interessar a nossa formação intelectual. Cada dia, milênios de evolução são esquecidos em nome do fetiche tecnológico. Apetrechos fabricados ao menor custo e com baixa capacidade científica passam a influir e servir-se de psicologia barata para aliviar o desespero pós-moderno, cujas escolhas nos trazem um amargo na boca e caminhos que se bifurcam  num paraíso que fica cada vez mais distante, não obstante sendo importante lembrar que nós somos frutos de nossas escolhas. Deus quer que valorizemos nossas vidas e ainda dá-nos liberdade para fazermos nossas próprias escolhas.



A teia do destino

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Costumeiramente, vou à sacada para olhar o vazio da rua. Certo dia, de repente, eu me senti extasiado diante da grandeza do universo e dos enormes prédios que circundava o meu. Olhei para o infinito e observei milimetricamente cada detalhe que o compõe e notei que todos fazem parte da teia que rege o universo, cada um com seu destino e importância. Era tanta beleza que um sorriso brotou em meu rosto, meus olhos brilharam diante do ambiente místico e um charme especial foi trazido pelo vento que adentrou e se misturou como se ele fizesse parte de uma orquestra cheia de mistérios. E, toda vez que estou na sacada eu me mostro ao mundo da forma que sou e o mundo me mostra a forma que ele é, e aí me extasio diante do brilho do sol que também penetra trazendo sua quentura, mas o céu queria encantar-me mostrando todo o seu esplendor, o vento que fazia parte desse universo soprava suave trazendo fragmentos de amor que saiam das teias do destino em direção ao meu peito e tudo se transformava em sorrisos, entre eu e ele. O ambiente místico parecia desabar, mas boquiaberto e olhando para a teia do destino, declarava que amava tudo ao meu redor

Em certo momento vi a saudade chegar, sentar junto comigo numa pequena mesa exposta na sacada. Olho com certa tristeza para o infinito e emudeço, esperando, que ninguém chegasse a ouvir de meus lábios um grito de saudade mesmo que tivesse sobre a mesa uma bebida impregnada de sabor. Não tinha nada e nem bebia qualquer coisa continha álcool, pois traria mais saudade. Peguei uma folha de papel, uma caneta, comecei a rabiscar e notei que ninguém estava lá para me azucrinar. Dei uma pausa e naquele mesa pensei na tal saudade, depois, de cabeça baixa eu comecei a juntar os escritos, ou rabiscos, sei lá. Foram horas e horas para que eu pudesse definir sobre o porquê daquela saudade e porque ela estava ali diante de mim. Perguntei a mim mesmo: Será que é mania de poeta criar coisas assim para ter a satisfação de decifrar o que sente, pois à saudade vinha em forma de poesia. Era um final de tarde, nem fria ou chuvosa, mas deixava o meu coração triste e solitário. Submergido numa teia de pensamentos e reflexões, mas imbuído de ir à busca do impensável, de compreender e aceitar a realidade que me circundava quedei-me diante do meu desabafo interior na tentativa de afugentar tudo aquilo que vinha da teia universal que de certo modo controlava o meu destino e trazia muitas incertezas.

Com a caneta na mão e a poesia no coração, constatei que nem tudo era só saudade que se impregnava em mim, mas também a alegria. As magoas corroboravam na formatação de rimas que se espalhavam no quadriculado papel, versos sobre amor que já não valiam mais, mas sempre deixava algo para me machucar. Rabiscos e mais rabiscos enchiam a esbranquiçada folha, se misturavam, se convergiam, nascia mais um poema, mas o poeta e sua caneta, nem sabia se a dor era à toa, ou se era de verdade, se era poesia ou poema, se alguns versos podiam magoar alguém, Então a saudade e poeta juntos naquela sacada se tornaram partes de uma moeda de pouco valor comercial, a tinta incrustada na caneta pouco valia, somente o papel rabiscado e cheio de poemas tinha o seu valor. Valor que o poeta não contabiliza e nem soma a eles sua dor, pois faz parte do seu jeito de pensar e escrever.

Sempre existirá um mundo repleto de inocência quando se tratar do olhar infinito de uma criança, por isso, acredita-se que existe algo diferenciado quando se vê coisas originárias da teia do destino, ocorrendo um contraste de revelações pelo que podemos continuar sendo. É fato que o amor é inevitável quando tudo é frágil, mas, todavia, admiramos a fortaleza dos sentimentos que guiam os bons. Quando se trata de envelhecimento a juventude demonstra certo desequilíbrio, porque estão cercados de escolhas, pelas quais o mundo é confuso na sua lógica.  Ensiná-los cedo a distinguir o caminho e que o futuro é uma sombra de fatos, continuamente o que se faz a cada dia e, não importa se for no amanhecer, na noite, nas horas que mudamos o senso da virtude, tudo estará no lugar de espera. 

Olhando para a teia que cobre o infinito ou coordena o destino de cada um, esse limite do olhar ultrapassa o improvável e sempre rouba o nosso tempo e o pensar empobrece a certeza.  Essa teia esconde nossas dores e os segredos vagam por um mundo sem respostas, culpando o passado, como abrir um álbum de fotos repletos de rostos, talvez com semblantes de saudade e remorso, que nos intriga e instiga à realidade e a comparação da felicidade. O olhar fora do alcance, seja no espaço das ilusões, seja numa fila interminável, sem saber quem é o primeiro ou o último; uns e outros indo para lugares certos expressando sorrisos, imbuídos de esperança, e tudo aquilo que jamais traria o desassossego ou brincar com o que não se tem.

Olhando pela sacada rumo ao universo infinito como eu sempre faço, sem os insultos do silêncio de ontem, sei que diminuo o meu sofrer, todavia, a fragilidade de existir entre o que é eterno e mortal, às vezes posso ter trazido desde a infância até ao envelhecer. Sentir na pele as mudanças, sentir na mente os pensamentos as lembranças, sentir na atitude de escrever alguns arrependimentos; porque destes, somos de uma complexidade de corpo inspirado pela alma. Então, devemos remanejar a teia que controla nosso destino, deixá-la livre, assim como a nossa vida e as expressões que se tornaram ociosas. 


Amnésia Literária

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Sempre chega a nossa hora. Sempre chega o dia em que sofremos um frio danado na barriga e ficamos deveras nervosos. Ocorre uma pane cerebral. Às vezes pensamos em desistir, temos medo de não conseguir chegar até o fim daquilo que almejamos, pois não queremos fracassar. Certo dia me vi diante de uma enorme livro, comecei a suar muito, um suor de escorrer pelo rosto que limpava as células adormecidas para, depois, serem levadas pelo vento sem alcançarem o chão. Meu Deus! Foi apenas um cochilo. Se antes de começar a pensar sobre um assunto sério estava suando, imagine antes de adentrar ao livro! Tudo ocorreu num final de tarde, diferente, inusitada, parecia que o sol brincava comigo e não havia nenhuma nuvem a importuná-lo. Fazia um calor danado! Não sei por que aceitei escrever aquele texto, precisava de mais tempo para me preparar. Era muito esquecido e era tanto esquecimento que esquecia até de mim mesmo, e em razão disso, jaziam-se também as lembranças.

A tarde começou a cair e o sol precisava entregar a terra à lua. A obscuridade à minha volta começou a ser interrompida pela luz violácea dos relâmpagos que se enquadravam no vão da janela, mas paciente, ficava ali, inerte, velando no silêncio do meu quarto, dedilhando no teclado do computador, frases de amor que ia retirando do baú corroído pelas intempéries do tempo, para enviar a alguém, mas, por incrível que pareça não me lembrava quem. Passei as mãos no rosto imberbe e fiquei aguardando o momento certo para reiniciar. Reiniciar o quê? Tinha esquecido. Um pássaro passou e cantou freneticamente rente à janela e naquela fase de pensamento absorto, levei um susto, mas o bom é que ele me devolveu à realidade. Recuperado daquele transe os meus pensamentos começaram a voltar, mas bem devagar, em ritmo lento, pensando sempre no momento em que meu corpo voltasse a precisar de maior esforço. O suor continuava descendo, mesmo quando o sol já tinha se despedido da terra. Novamente pensei em desistir, mas tinha que continuar, não podia deixar de lado algo que era importante para mim e se não continuasse naquele momento poderia voltar a esquecer. No meio das folhagens que pendiam perto da janela, vi um rosto angelical de mulher, que logo desapareceu por detrás de uma pequena neblina. Comecei a sentir sede, precisava de água, vi um copo cheio de água à minha frente, não resisti e bebi. Nem sei quem o colocou ali. Depois olhei para as folhagens com certa ansiedade... A bela imagem não mais a vi. Da sacada ouvia-se uma música, romântica, lenta, mas naquele instante, eu precisava de algo mais estimulante. Na próxima vez pensarei nisso e preguiçosamente, debrucei sobre a escrivaninha. Cochile, mas depois dormi debruçado sobre ela.

Horas passaram. Fui novamente até a janela, olhei para os lados, procurando me distrair, observando sempre os movimentos, alguns rápidos, outros lentos. Uns transeuntes pareciam desajeitados, com pernas e braços balançando desconexos como se estivessem num circo. Eram tão cômicos que não agüentei e sorri. Ninguém ia me ouvir mesmo, estava na sacada. Aliás, dali não sei onde encontrei forças para rir tanto assim. Ria tanto que meus rins doíam, enquanto o suor tomava todo o meu corpo. Parei de rir, pois precisava chegar ao final tão almejado. Não podia desistir e nem esquecer o que planejava. Os meus leitores esperavam o melhor de mim. Parei de rir e passei às mãos onde ficam os rins e vi que tudo voltara ao normal, Olhei na minha mão direita e no dedo indicador um pequeno laço que eu tinha amarrado para me lembrar do que tinha que fazer. Faltava pouco para terminar e sabia que ia conseguir. Fiquei olhando para o laço e comecei a dar umas dedilhadas rápidas no teclado do computador e palavras foram se amontoando no monitor; senti que o final estava próximo, mas precisava de um título para fechar com “chave de ouro” o texto. Era mania minha e para não esquecer tinha fixado no botão da camisa um clipe com um pequeno papel e nele um nome. Ora, laço no dedo, clipe e outros apetrechos pendurados no corpo só para lembrar-se de alguma coisa, não acham demais? Coisa de maluco ou de quem está com amnésia. Eu simplesmente esqueci o que representava aqueles apetrechos. Mas enfim, com esquecimento ou não, o importante é que cheguei ao fim. Com os olhos e mente cansada, mas ainda com certo fôlego literário, quis explicar, de alguma forma, que às vezes é necessário a gente anotar o assunto e não se importando em que lugar se deve afixar a peça lembrança. Por outro lado, devemos abandonar o velho barco e a mesma rotina; devemos deixar de lado velhas roupas e esquecermo-nos daqueles caminhos que sempre nos levaram ao mesmo lugar ou a lugar algum. Eu só não queria levar a certeza de que nada sabia ou pouco sabia... Penso que cumprir a vida seja simplesmente ir marchando rumo certo, seguindo em frente, sabendo que todo mundo passou por ele, amou, chorou ou ainda chora quando passa por esse caminho. Cada um de nós compõe uma história e vida. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz, de girar em torno de si ou do universo como faz o planeta terra, e se não ousarmos fazer, nós ficaremos para trás, à margem de tudo e em certos momentos, começaremos a esquecer de nós mesmos. Você, caro leitor, sabe do que eu estou falando e sei que não esqueceu, ou sei lá, poderia até ter-se esquecido ou esquecido de esquecer.

Amnésia literária é a pior coisa que pode ocorrer com um escritor. Num passe de mágica, ele transborda de boas ideias, de história e estórias sedentas para serem contadas. Esse transbordo pode acontecer durante uma caminhada num bosque; num tumultuado trânsito; durante o deleite de uma sombra que o protege do sol; durante a noite quando o sono surge de repente e não dá tempo para enxergar o nascer da lua. Como num passe de mágica, esquece-se de tudo isso na companhia da caneta, frente ao computador, tão logo os dedos tocam o teclado. Certamente são situações que precisam ser estudadas antes que se dê um nó na memória do escritor, pois em dias de amnésia literária em que a gente esquece tudo, o caro leitor tem de concordar comigo, pois se torna necessário redobrar a cautela para evitar que o literato cause uma “guerra mundial” em razão de um simples esquecimento.



A hora e a vez de um escriba

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Há bastante tampo assisti a um filme brasileiro intitulado “A hora e a vez de Augusto Matraga” aí resolvi intitular esta crônica com um nome parecido, só que o personagem sou eu, este humilde escriba. Do meu pequeno escritório, no 13.º andar, pode-se ver o pôr do sol e o nascer da lua mesmo com as persianas semi-serradas. Na parede, à esquerda, diplomas de várias entidades culturais e Academias de Letras se destacam e eles são um incentivo para que eu possa continuar escrevendo. Nesta manhã de tempo nublado, sem esboçar qualquer reação, fui à sacada, debrucei sobre ela livrei-me dos pensamentos ineptos e a uso como um mirante para visualizar as ruas, prédios e o longínquo horizonte. Encho os olhos de paisagens e na retina, impregno os meus sonhos.

Do alto, vejo um cachorrinho preso a uma fina corda que, inocentemente, deposita os seus restos de lixo na calçada e uma senhora, que deve ser “mãezinha” dele, nem liga, pois a calçada não é a dela e nem mora perto. Eu tive que rir, ri muito daquela situação vexatória e do rosto ruborizado da mulher quando o danado do cãozinho defecou bem mole sobre a calçada. Como ela iria colocar no saquinho de plástico? Senti-me culpado, pois devia ter entrelaçado os dedos para prender o cocô no orifício do bichinho. Ao ver aquela cena meus pensamentos que estavam reclusos foram e voltaram na velocidade da luz trazendo o meu tempo de criancice. No que tange a aquele cachorrinho é claro que veio à minha mente cenas do passado: cachorros fazendo suas necessidades, e a gente, inocentemente, sem maldade, entrelaçavam os dedos indicadores e num repente, os excrementos do animal não fluíam mais, ficavam como que congelados entre o orifício e o espaço. Quanto à lembrança que tive de certo cachorrinho, infelizmente, não tive tempo de entrelaçar os dedos. Sorte dele, mas não da dona. Mas naquele tempo situação como esta aconteceu com uma senhora educada, de fino trato, que apenas ficou observando sorrateiramente o meu ato e nem se importou quando descruzei os dedos e juntos escutamos o gemido do canino e sair do orifício um excremento e “plaft”: o sólido foi atraído pela gravidade e se espatifou no chão.

Do alto, o sol veraneado de uma manhã desta segunda-feira me animava a tirar os óculos de grau para captar de modo natural, sem anteparos, o mundo que me rodeava. Esparsas nuvens se misturavam com raios de sol e um bando de pássaros brincavam de esconde-esconde entre as árvores em voos rasantes. Retornei ao meu recanto e para não esquentar a “moringa”, fui até a uma pia e joguei um pouco de água no meu couro cabeludo, depois liguei o ventilador, respirei fundo e disse: Ainda bem que não estava na calçada e não pisei em nenhum excremento de animal. No meu ambiente cercado por uma estante cheia de livros é que componho as minhas escrituras, converso com as pessoas amigas através da internet e escrevo minhas malfadadas crônicas. Sentado diante do computador massageando o teclado até formar um emaranhado de letras, às vezes recolho de meu pensamento que está bem distante algumas frases há tempo impregnadas em meu subconsciente, que me embaralham, mas teimoso, escrevo.

O espaço que me reserva o jornal Diário da Manhã é pequeno, mas à vezes, até abuso, como já fiz em outros textos. Então, o jeito é parar de escrever porque não gosto muito de lamúrias e nem vivo ancorado no passado, assim como, não me apoquento e nem me deixo ancorar nos fundos rochosos ou arenosos de minha massa cefálica, caso algum artigo ou crônicas minhas não sejam publicados. Amo escrever e às vezes pergunto a mim mesmo: Onde estão os amigos confrades, acadêmicos que quase não se comunicam entre si? Eu estou aqui dialogando com o mundo, um simples escriba ou aprendiz de poeta, nascido no interior de Goiás e crescido na periferia da Capital, que andou de pés descalços, camisa surrada, calças curtas, mas, hoje, dotado de uma curiosidade enorme, cheio de esperança e que continuo buscando sonhos ilimitados. Posso dizer que me tornei um homem moderno, ajustado, tolerante, sem preconceitos, todavia, diante da parafernália eletrônica, seja em tempo frio ou quente, este acadêmico ou confrade que ora escreve é, como dizem os argutos: sumidouro de memórias, ah, isso realmente sou... Então, caros amigos e amigas agora é hora e a vez deste escriba, cuidem-se!



Cárceres da insegurança no Reino da Podridão.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Presos andavam de um lado para outro num diminuto espaço, O meu olhar atento de missionário e pensamentos se misturavam naquele espaço sinistro que mal dava para escutar as conversas daqueles que escondiam o rosto com o capuz negro do silêncio. Num canto da cela, ao lado do gradil, um jovem franzino, com a fisionomia sofrida, rosto carcomido pelo tempo, manuseava silenciosamente a Bíblia e de vez em quando, olhava para o gradil quadriculado da janela por onde passava a luminosidade solar. Outros presos, amontoados dentro daquela cela fétida ficavam observando o silêncio compenetrado daquele jovem, sem verem sair dele nenhuma entonação de voz ou movimento labial para entenderem o que lia. Permaneciam mudos, mas, de certa forma, pareciam interessados em conhecer o conteúdo daquele livro sagrado. Todo o dia o jovem aquietava-se, manuseava aquelas páginas que lhe trazia conforto e percebia que aquele livro estava alcançando o coração de outros detentos. De repente, ouviram barulhos ensurdecedores e os presos de outra facção que ficava na ala ao lado estavam furando um buraco na parede de tijolos para invadir a ala onde ficava o jovem leitor,

Aquela invasão intencional e criminosa fez-me lembrar que a prisão é tão antiga como a memória do homem e continua sendo o principal remédio que a justiça tem para combater todos os males, males que poderiam ser amenizados com um simples remédio: a introdução da evangelização no meio prisional. Tempo idos, os remédios (prisões) eram mais fortes e em sua bula predominava a pena de morte que era descrita das mais variadas formas, fato que se podem constatar quando desobedeciam ao Código Hamurábi, Deuteronômio, Lei de Manu, das XII Tábuas e Alcorão. Na verdade, naquele tempo desconhecia-se a pena privativa de liberdade e o habeas corpus. As masmorras serviam para abrigarem presos provisoriamente, os quais, muitas vezes, eram esquecidos pelos seus algozes.

Naqueles tempos prendiam-se homens pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço usando correntes e tantas outras formas maldosas conforme a classificação do crime cometido ou seu ato perante aquela sociedade. Passado todo esse tempo, vemos que hoje o número de presos cresceu tanto que a sociedade não encontra alternativa se não em fechá-los detrás de prédios mal construídos, muros altíssimos, celas abarrotadas e com uma pequena escolta de agentes prisionais quase desarmados e despreparados para uma rebelião de grande porte. As celas, superlotadas de gente perversa e irrecuperável, eram pequenos quadriculados e uma janela com gradil onde eles amarram suas vestes e lençóis para mostrar a insegurança, o desconforto e a revolta, sempre aguardando um desfecho final: morte entre os presos, pois a lei da física é muito clara: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.”.

O interessante é que ao ver os lençóis e vestimentas penduradas nos gradis não enxerguei nenhuma peça que pertenciam aos criminosos de “colarinho branco”; nenhuma peça daqueles que praticavam e praticam o peculato de toda a espécie; que praticam a corrupção ativa e passiva, o desvio de verbas públicas ou a incorreta aplicação de recursos, fraudes em concorrências, as prevaricações; os desmandos administrativos, as nomeações ilegais, a concussão, o cerceamento à liberdade, os homicídios, estupro e corrupção de menores e tantas outras mazelas. Na realidade, a maior parte destes crimes não vem à tona e os que surgem são abafados pelos próprios mecanismos estatais ou por influência política, os quais ainda riem de nós, os bobos da corte e daqueles que fazem parte do Reino da Podridão.  Destarte, o banditismo manipulando armas de grosso calibre, metralhadoras, granadas explode caixas eletrônicos e muitas vezes eles matam pessoas somente para ouvir o gemido do seu desafeto; saem às ruas e deixa a população em polvorosa, intimidada e ela se tranca dentro de sua própria casa, não podendo sequer sair às ruas, enquanto a polícia persegue pessoas incautas que são jogadas nas prisões ao lado dos piores marginais. Tudo o que se vê é fruto de uma política criminal errada, injusta, implantada através de uma legislação esdrúxula, irresponsável e que precisa ser modificada urgentemente pelo Congresso Nacional. Mas como acreditar no Congresso Nacional se a maioria deles responde processo perante a justiça por crimes de corrupção ativa, passiva? E quanto ao Executivo rodeado de corruptos? Quando o Presidente nomeia um Ministro, o seu nome só é aprovado se ele for corrupto. Precisa ler na mesma cartilha. Não queria aqui citar nomes, todavia a última nomeação foi vergonhosa, então recordemos um caso recente, a Deputada Cristiane Brasil, filha do Presidente do PTB, Roberto Jéferson, nomeada para Ministra do Trabalho, tinha um processo trabalhista transitado em julgado no Tribunal Superior do Trabalho. Dizem que dinheiro que ela usou para pagar as parcelas de uma dívida trabalhista que tem com um ex-motorista, o dinheiro tem saído da conta bancária de uma funcionária lotada em seu gabinete na Câmara. Pode isso senhores membros do Judiciário, principalmente do STF? Por outro lado, o ministro mau caráter Carlos Marun da Secretaria de Governo Temer disse que o Planalto não vai recuar da nomeação da deputada por causa da condenação dela em uma ação trabalhista. Esqueceu o Ministro Marun que ela está indiciada também pelo Ministério Público Federal por corrupção numa delação premiada. Pegou boa grana da Odebrecht. Pois bem, além dela, são tantos outros políticos que nem dá para contabilizar, todavia, a imprensa escrita e televisiva, de forma cansativa, comenta diariamente e tenta alertar o povo brasileiro e o eleitor, sobre essas escabrosas corrupções e vexatórias nomeações. Acorde eleitor, você é o único capaz de mudar tudo isso! Eu continuo indignado e sozinho não posso fazer nada, pois sou apenas uma pequena célula para combater esse mal que domina o Reino da Podridão.

O juízo jurídico colocado em prática pelo legislador funciona como um juízo de valor, não se limita a comprovar a existência das causas, mas, valora-as, para fins de repressão, o que pode ocorrer, em muitos casos, em vez de extinguir ou reduzir o crime, venha estimular ou eliminar um e criar outro. Daí urge, para amenizar um pouco esta situação, além da instituição de uma cartilha ética para os congressistas e seus apaziguados lerem diuturnamente, também a prática da religiosidade entre os presos, um trabalho prisional intramuros, com incentivo especial à formação de mão de obra especializada, cursos profissionalizantes, em parcerias com escolas técnicas públicas e privadas e ainda, a construção de grandes presídios, mais humanizados, com o objetivo de desafogar a lotação excedente, cujo ambiente atual deteriora mais ainda a mente humana. Fazendo isso, acredito que trará mais socialização aos presos e segurança aos cárceres.  




Vamos continuar "catando gravetos" em 2018?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Quando adolescente, com os pés descalços, saia tatuando as ruas poeirentas de Goiânia, rindo de tudo que via pela frente, como se eu fosse um menino feliz, ou outro qualquer. Não sei por que, mas o carinho do vento que cortava as ruas amenizava o meu coração de menino e me deixava besta! Um ser vivente, livre como a um pássaro e eu me sentia voando em busca do imaginário e de sonhos, talvez impossíveis. Certo dia, cansado de catar gravetos para abastecer o fogão a lenha, de jogar bolinhas de gude, de jogar fincas e bolas feitas de meia que recheava de palhas de arroz e de empinar pipas em dias sem vento, fui a um parque de diversão e mordi uma maçã do amor, e aí, lambi os beiços e o seu sabor chegou ao coração. Achei que estava doente. Tão desacostumado com a alegria que chorei de felicidade. Lágrimas doces. Não é coisa de poeta, eram doces mesmo! Naquele dia até meu travesseiro chorou e molhou o lençol branco onde fiz questão de derramar junto com ele as minhas lágrimas e suores. Hoje, não lembro mais do rosto daquela menina, mas sei que tinha um rosto angelical, uma boca perfeita demais e tinha os dentes branquinhos como algodão.

Quando no preâmbulo falei que catava gravetos, eram gravetos mesmo! Hoje aquela ação pode ter um alcance maior, mais abrangente. E é possível isso. Sendo letrado, religioso ou não passamos a conhecer melhor alguns significados, principalmente, daquelas onde pessoas se esforçam para, pelo menos, achar uma brecha no endurecido coração para ficar a face a face com Deus. Existem pessoas que lutam e intercedem e que juntam lenha para que o fogo continue ardendo sobre o altar do Senhor. Ah! Como Deus anda procurando por esses “catadores de gravetos!” Certo dia, li um texto bíblico, o de Ezequiel (Ez 22.30), que procurava fazer entender esse significado: “Busquei dentre eles um homem que esteja na brecha perante mim por esta terra, para que eu não destruísse; mas a ninguém achei” Veja então que neste texto Deus procurou um só homem e não achou, e nós estamos vivendo estes mesmos dias de Ezequiel onde políticos fazem o que querem e a maioria dos administradores públicos é corrupta e a justiça confusa; a igreja tão sonhada por Jesus está dividida e muitos dos dirigentes falam mentiras e palavras que agradam ou interessam somente o ego das pessoas sob os seus comandos.

Mas, hoje, 02 de janeiro, véspera de Santos Reis, eu quero falar dos servos de Deus, homens e mulheres, pessoas diferentes que agem na dificuldade, que lutam e são verdadeiros “catadores de gravetos” se é que você me entende. Mas quais são as características, o que podemos entender da palavra “catadores de gravetos?”

Deus muitas vezes permite vir tempestades para que conheçamos quem ELE é realmente. Será que vivemos hoje numa “tempestade” de pensamentos e porque estamos aqui na Terra? E qual o propósito de tudo isso?  Você entende o mistério dessa palavra? Quando as “tempestades” se avolumam sobre a pessoa humana e nós esquivamos delas e até de uma pessoa que consideramos estranha sem lhe prestar ajuda. Não está dando abrigo na grande “arca” de Deus e nesse instante pergunto: Onde estão aqueles que têm capacidade para sair à busca dos servos “catadores de gravetos”. E quando a tempestade passar, os descrentes vão e voltam sem agradecer a Deus; porém os crentes voam e voltam, trazendo à luz o habitat daqueles que estão precisando de nossa ajuda. Voltam para agradecer como a um testemunho vivo como fez aquela folha de oliveira que foi arrancada, mas sobreviveu a muitas tempestades.

E o pior, ou quero dizer, melhor, quando vemos a fonte secar, Deus ainda diz “levanta-te e vai”, e compadecido da situação encontra alguém como você, “catando os mesmos gravetos” para agasalhar com seu calor os mais carentes. E aí não haverá “tempestades”, não haverá escassez de alimentos, amor e fraternidade, porque os dois, com o mesmo desiderato, estão catando gravetos para acender no altar do Senhor Jesus. ELE, o onipotente, os conhece, sabe de suas lutas pela sobrevivência. E quantos procuram “catadores de gravetos” para ouvir uma palavra de ânimo e de esperança? Quantos estão priorizando Deus na tua vida? São Paulo Apóstolo foi catar gravetos, pois ele queria esquentar aqueles que estavam frios, (Atos 28.3) “E havendo Paulo ajuntado uma quantidade deles e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão”. Mas escute toda arma preparada contra ti não prosperará, o mesmo fogo que você alimenta com a tua lenha, vai consumir as víboras que se levantarem na tua vida. Deus sustenta de pé os “catadores de gravetos!” ”Muitas “pessoas” estão esperando ver você cair, mas acreditem Deus os irá surpreender, muitos vão mudar de opinião ao teu respeito, porque eles são sustentados pelo Senhor. Hoje, espiritualmente falando, passei a entender o porquê da alegria quando catava gravetos para acender o fogão a lenha de minha querida e saudosa mãe. Então, passei entender o valor de meu ato e o de cada graveto que catava. Com o passar dos anos, observei que a ação que eu praticava em prol de uma pessoa carente me transformava numa pessoa melhor, feliz, e tudo era aquecido pelas mãos de Deus através de uma fogueira alimentada por “pequenos gravetos” que não eram aqueles que eu catava quando adolescente. Deus procura pessoas simples da sociedade para se tornarem “catadores de gravetos”, abrindo-lhes as portas do céu, fazendo romper o Seu silêncio,





Reflexão para 2018

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O ano novo se aproxima. É hora de revermos nossas falhas, os caminhos tortuosos que trilhamos, e até aquela palavra mal empregada que pode ter ferido uma pessoa amiga, estragando um relacionamento que já duravam anos. Então, em 2.018, não nos preocupemos renovar o guarda-roupas ou comprar um veículo novo, mas sim, em renovar o nosso espírito e ampliar a nossa fé em Cristo; darmos uma faxina em nossas vidas, revermos tudo que aconteceu de ruim e anotarmos na agenda de nossa existência, as palavras amor, paz, fraternidade, solidariedade e justiça para que tudo possa acontecer ser diferente. 

É comum fazermos uma lista de tudo que planejamos para alcançar no ano vindouro, no entanto, é salutar que não deixemos de sonhar com coisas possíveis e até impossíveis, coisas que às vezes, não realizamos durante no ano que se finda. Finda-se o ano velho e logo começa o ano novo. Vem o mês de janeiro, depois fevereiro… e todos os feriados são catalogados no calendário, assim como, os compromissos de trabalho, a rotina dos dias que seguem sem que ninguém os possam impedir. E a lista do que planejamos e foi feita com tanto esmero que vai se amarelada no fundo da gaveta.

Será que se esqueceram da faxina? Quantas pessoas devem se esquecer daquilo que planejaram? Quantas vão tentar cumprir à risca aqueles sonhos guardados no fundo de uma gaveta? Quantas pessoas esperarão que venha mais um dezembro para repensar e refazer tudo de novo para o ano seguinte? Geralmente, todo final de ano, as pessoas costumam passar as promessas que não conseguiram cumprir para o ano seguinte, lamentando-se por não ter alcançado sua meta. Então, caro leitor, que tal fazermos diferente? Pelos menos obedecer a um pouco a orientação exposta nesta crônica. Neste ano, por exemplo, ao nos comunicarmos através de internet, sites e outros meios de comunicação aprenderam muitas coisas. Quantas mensagens bonitas, evangelizadoras, especialmente aquelas que nos fizeram chegar mais perto de Deus, como também os vídeos e outras postagens interessantes, que nos fizeram enxergar que a verdadeira paz não pode ser conquistada através da força ou arrogância. Mas, o ano de 2017 teve sua importância, pois deixará em nossa memória coisas altamente importante como a prisão de importantes políticos corruptos, a morte do grande conciliador e de ruim, a natureza em fúria por falta de preservação, pancadarias nos estádios, explosões em caixas eletrônicos, criminalidade aos montes, mortes em acidentes por uso de bebidas alcoólicas e drogas...

Durante muitos anos venho escrevendo artigos e crônicas com o objetivo de levar mensagens de otimismo, perseverança e fé. Coisas simples que bastam apenas uma atitude. Atitude que não devemos deixar para amanhã, e nesse caso, o amanhã não se fez hoje. Eu ainda não aprendi tocar instrumentos musicais, nem nadar, mas, felizmente, através da escrita, posso usar as asas de minha imaginação e aí, viajo para onde quero, vou até o infinito, mesmo sabendo não ter fim.  E no mundo da imaginação, nado, mergulho e chego às profundezas, dedilho instrumentos que sempre sonhei tocar, canto nos palcos da vida e sonho... Perdoem-me se avancei demais em algumas frases ou palavras, talvez, elas podem parecer sem nexo, mas, para este texto não, pois as usei para torná-lo mais leve e interessante.

É possível que nestes últimos anos tenham aprendido com as pessoas mais velhas que se houver prazer em viver, que se não fizerem bem, que se fizerem o bem e não olharem a quem, então, vale à pena ter vivido. Pensando bem, esta é a mais pura verdade. Temos que tentar acompanhar a velocidade do vento, pois o tempo escorre pelos campos, cidades, ruas a avenidas passam tão rápido que ninguém consegue detê-lo. Ele nos ensina que devemos aproveitar o hoje e que ele deve ser mesmo o melhor de todos os dias, totalmente pleno, intenso. Porque do amanhã pouco ou nada sabemos. Só Deus sabe! Podemos até programar este dia, mas, talvez, seja mais um compromisso que jamais poderemos cumprir.


Será que existe um vazio dentro de nós?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Certo dia eu perguntei a mim mesmo: Quem sou eu? Pensei um pouco e respondi: Acho que sou aqueles rastros que deixei sobre a areia esbranquiçada da praia que se perderam ou foi apagada pelas ondas, ou talvez, aquela concha oca abandonada em formato de caramujo, cujo bico estava cheio de terra molhada, mas que se estivesse limpo, talvez me levasse ao vazio do nada. Mas onde estavam meus rastros, pedaços de uma minha vida, e que, por onde caminhava, sem vê-los, mesmo assim, me lembrava com saudade de cada passo. As ondas que molhavam meus pés recuavam, mas deixavam sobre eles alguns sonhos que jamais se acabaram, Sabia que a cada passo ficava um vazio imenso, uma vontade férrea de parar e desistir de tudo, mas o oceano insistia em me enviar um conjunto de emoções negativas que talvez atuasse sobre mim e eu não sabia. Acho que todos possuem um vazio dentro de si mesmo, um período difícil em suas vidas, onde as horas se tornam minutos e os segundos sequer movem. Daí a gente não consegue progredir, vem à falta de vontade e motivação. A vida carece de sentido, vem uma sensação de desamparo e até falta de fé, de não acreditar na existência de Deus. Chegamo-nos a fechar a porta para tudo e para todos, como se nada importasse ou tivesse valor algum.

Questiono-me novamente: Porque será que muitas coisas em que acredito chegam ao fim? Será que não acredito na felicidade eterna, em um novo sonho que possa surgir? Talvez cheguem de mansinho e sem pedir, vão abrindo os cadeados de meu coração. Mas ele está trancado e ao abri-lo, vem-me um enorme medo, medo do novo, medo da alma estar doente, medo de um sonho de não conseguir realizar sonho algum. Medo que me faz mexer com as emoções adormecidas, esquecidas, perdidas, mas possíveis de me trazê-las volta, de viver com intensidade e recomeçar tudo de novo. Este recomeçar nada mais é que dar uma nova chance a mim mesmo, renovar-me e por fim acreditar num mundo melhor. É nesta hora onde tudo ressurge é que devemos procurar entender que podemos avaliar melhor sobre a nossa vida, procurar entender como devemos transformar pequenos instantes em grandes momentos, eliminar tudo que atrapalha o desenvolvimento do corpo e do espírito, dando lugar somente ao que nos engrandece como seres humano e filhos de Deus. Hoje não sinto vazio dentro de mim e meus sonhos não estão nas nuvens e nem me preocupei porque estou no lugar certo construindo meu alicerce para ultrapassar as nuvens e me agasalhar no céu.

É certo que sentimos um vazio. Não aquele vazio sem coração, mas um vazio de alguém que se sente solitário sem saber por quê. Olhamos ao nosso redor e não conseguimos ver ninguém, apenas um espaço vazio. Reclamamos demais da vida, uma vida que Deus nos concedeu. Andamos ao lado de pessoas, onde não sentimos mais aquela liberdade de falar o que pensamos. Passamos a ter medo delas. Andamos em um mundo onde só nos existimos, só nós podemos nos sentir bem. Às vezes vem à vontade de querer ter coragem de contar tudo que nós pensamos e o livre-arbítrio para dizer o que pensamos, e o que nos decidimos. Difícil esta querência, pois estamos presos por dois cadeados, bem trancados.

Até ontem era apenas eu, e o meu pequeno escritório. Onde nele nem mais segurança tem, entram, bisbilhotam minha estante, fecham a porta na hora que quiserem, tirando-me a concentração, como se quisessem saber o que estou pensando ou mandassem em mim. Mas hoje, comecei a crer em algo, em alguém que eu tenho a plena certeza que não vai me decepcionar. Que vai estar comigo, que sabe amar, que sabe perdoar. Que tem fé, Que está comigo para o der e vier; que me entende e estende sua mão a todo o momento. Eu falo de Deus, pois Ele é o meu melhor amigo e seu também e que a tudo vê e jamais nos deixa na mão. Quando começo a sentir um vazio dentro de mim, talvez por faltar algo grandioso que eu sequer sei o que é então sinto que é preciso deter esse meu vicio de querer coisas que também não sei o que é. Essa é essa minha eterna busca por coisas imaginárias, surreais.

Sinto que é preciso mudar, crescer, amadurecer, mas nunca deixar ser criança. Tem certos momentos que nem eu me entendo, não sei o que quero ou que preciso. Parece que me encontro perdido sem ter a mínima ideia pra onde ir. A única coisa que eu sei é que não posso ficar parado. Sinto que preciso ser ágil e correr atrás dos sonhos talvez achasse perdidos. Preciso imediatamente de vida, tenho sede de vida, tenho fome de aventura, tenho desejo de ir, mas quando retornar, voltar de novo, renovado, até onde as minhas pernas ou veículos possam me levar. Sei que é preciso dessa mistura: que eu chore mais, que eu sorria mais, que eu sinta mais a vida, que deixe o estresse e venha entender melhor o que é a vida, o que se passa dentro de mim e de cada pessoa com quem convivo. Necessito entender certas coisas, entender mesmo, mas em seguida, esquecer tudo. Preciso de sei lá o que, mas preciso, todavia não sei o que é. Preciso viver além do que imagino e ir viver o surreal para além de mais além, onde eu jamais imaginei que iria. Quero viver cada aventura que o mundo possa me proporcionar, quero viver para ver o que o universo inteiro tem. Quero viver tudo em uma só vida, mas é claro, se Deus assim o permitir.

Não sei se é preciso para conviver com esse vazio, mas às vezes é necessário que algo morra dentro de mim para voltar a viver, talvez retornando por outra porta sem cadeados ou trancas, na esperança de encontrar alguém que me reconheça. Abrir a porta, parar e olhar se existe um vazio do outro lado para poder mostrar quem não é ou quem sou. Quanto a mim só sei que retornei ao meu mundo que pensava não existir, pois vi que ele tinha um significado. Não morri, mas tenho certeza que o meu vazio está escrito na lápide de um campo santo qualquer. Acho que nasci de novo e do lado de cá fico esperando que alguém me chame com calma, pois não sei se vou passar pela porta devagar ou rápido demais.





Joaquim Cordão, o caubói de Morrais City

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Morrinhos é uma bela cidade, mas bem que poderia ter sido chamada de Cidade dos Pomares, tanto era a sua riqueza no plantio e cultivo de árvores frutíferas. As lendas que ouvia, casos, causos e percalços da vida, uma delas vou contar nesta crônica. Então, com o pensamento alhures sento em minha poltrona giratória, desligo o celular, olho o monitor, dou uma pequena pausa e fico aguardando os flashes que guardei na região recôndita do meu cérebro e que há muito tempo não o exercito para essa finalidade, ainda mais pra falar de um caubói regional, excelente boiadeiro, domador de cavalos, bravo, destemido, temido, assim como, dos meus ídolos, ou personificação deles quando os via nas telas de cinema. À minha frente o computador. Ligo-o. Penso. Forço a memória e os flashes em preto e branco vão surgindo na velocidade da luz trazendo recordações de tempos idos.

Lembro-me bem de um caubói regional, lá pelos anos 60, de nome Joaquim Cordão, que sempre trajava uma calça de algodão, camisa xadrez, cinto grosso, de couro, chapéu Panamá preto, botas, esporas e não se amedrontava quando tinha que enfrentar adversidades que a vida lhe impunha e até de domar alguns cavalos de raça. Ele possuía uma exímia pontaria e isso por si só, já trazia certo respeito por onde passava. O seu jeitão de ser e o modo como fazia para transformar a sua própria vida numa grande aventura virou lenda. Talvez seja em razão disso que lá pelas bandas do Rio São Domingos dos Olhos D’água ele tenha sido apelidado pelos moradores de “cowboy de Morrais City”, uma brincadeira dos moradores mais afoitos e quiçá, por ter ele nascido em Morrinhos. Á época, todos o achavam igualzinho aos caubóis, principalmente aqueles que nos encantavam nas telas de cinema e que hoje não se vê mais, pois as cenas de hoje mostram o homem passando ano todo andando quilômetros e mais quilômetros por estradas afora, algumas solitárias, dirigindo uma caminhonete, um carro de passeio ou caminhão de carga correndo atrás de reconhecimento, seja sobre o pó, asfalto ou nas chuvas das arenas. Hoje vemos Cowboys e cowgirls apenas nos rodeios e festas de pecuária, eles, jogando charme às moças, elas, aos azes dos rodeios, um estilo de vida totalmente diferenciada dos caubóis antigos que causavam frisson quando apareciam nas telas de cinema.

Desde a adolescência Joaquim se achava um caubói, talvez influenciado por aqueles grandes ídolos e personagens, tais como, John Wayne, Terence Will, Kirk Douglas, Steve MacQueen, Burt Lancaster, Paul Newman, Gary Cooper, James Stewart, Clint Eastwood, John Ford, Lee Van Cleef, Billy the Kid, Kid Colt, Zorro e até por Gordon Scott (Tarzan), O sonho não era só dele, era meu também e todos os adolescentes tinham os seus ídolos. De alguma forma aqueles ídolos nos fortaleciam, ajudavam a gente vencer na vida, bater recordes, superar desafios e viver momentos de glória. As rápidas explosões de ação de cada personagem, o perigo que ocorria durante suas aventuras, a extraordinária perícia no manuseio do revólver e a versatilidade do cavalo quarto de milha, faziam sucesso junto com o personagem, bastava um assovio e o animal se aproximava. Isso fascinava a platéia.

Hoje, a tendência é vermos uma geração de crianças e adolescentes viciando-se em vídeo game, tablete, celular e outras parafernálias eletrônicas, sem falar no uso de drogas, que os tiram do foco, de um futuro mais promissor e jamais seriam nossos cowboys do futuro. Ademais os filmes de terror, a guerra, a violência explícita, o terrorismo, não só alcançam pessoas de maior idade, como também menores que saem atirando em colegas de escolas; filhos assassinando pais e vice-versa, tudo isso gerado pela TV. É assustador! Maléfico! Estas cenas estão trazendo distúrbios mentais para muitas crianças e jovens, que dominados por algumas delas saem matando sem uma explicação plausível, sem pena ou dó daqueles que encontram pela frente. Ser cowboy não é isso, Nos tempos do faroeste, os caubóis e a gente galopava sem medo de ser feliz, contra o tempo e corríamos mais rápido que o vento. Era como desafiar a lei da gravidade no lombo de um animal feroz.

Joaquim era assim. Hoje com seus oitenta anos passa o tempo sentado numa cadeira de balanço observando calmamente alguns jovens correndo pela rua, descamisados e com a calça caindo sobre a bunda. Não tem o estilo de caubói como ele e tantos outros que cortavam o sertão afora, usando no coldre um revólver e ao lado uma algibeira. Estava ali, inerte, recordando dos bons tempos, e depois me olhou de soslaio, pedindo-me para escrever algo sobre os caubóis que encenavam nos filmes de faroeste americano, que parecia irreal, mas tudo aos olhos de quem assistia se transformava numa coisa espetacular, até real, e eu sabia como era e como devia falar sobre tais personagens. Não menti porque quando adolescente também fazia parte daquele mundo cinematográfico surreal. O problema não era saber ou esquecer-se de um ídolo ou personagem, mas de alguma palavra que pudesse não significar nada sobre a vida, o sentimento meu e o de Joaquim Cordão.

Descobri que a palavra inglesa cowboy, no Brasil foi aportuguesada (caubói e cobói). Portanto, se acham que mencionei errado ao titular esta crônica, não é verdade, e não houve propriamente um equivoco e sim uma derivação da palavra. Ao observar as diferentes culturas da História da humanidade, nenhuma ficou cristalizada, pelo contrário, houve trocas e variações que formaram novas culturas. No Brasil, diversas línguas como o português, o castelhano, o francês e o inglês entre outras se misturaram e formaram um jeito “abrasileirado” de falar. A palavra cowboy oriunda do faroeste americano, no Brasil aportuguesou-se como caubói. Todavia, deve-se entender que no âmbito da linguagem e da cultura, nada é cristalizado. Ela se transformou com o passar dos tempos menos o Joaquim, o caubói de Morrais City.




 
Vanderlan Domingos © 2012 | Designed by Bubble Shooter, in collaboration with Reseller Hosting , Forum Jual Beli and Business Solutions