Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Em quem devemos confiar?

quarta-feira, 24 de maio de 2017


Quando menos se espera a imprensa escrita e televisiva noticia sobre corrupção e desvio de dinheiro público. Têm certas notícias que gente se surpreende porque alguns desses políticos estiveram em nosso convívio e alguns, até pedimos votos pra eles. Que decepção! É tanta a decepção que a gente não sabe mais em quem confiar ou acreditar, e se for “ficha limpa”, vai continuar mantendo-a intacta depois de eleito? Há casos de políticos que estavam desaparecidos e de certo modo ficamos preocupados, mas vêm as eleições e eles aparecem na maior cara de pau. Pergunto: que devemos fazer? Deixar de votar? Diante de tanta corrupção fica difícil de escolher; fica difícil de esquecer as mazelas; fica difícil de esquecer o desrespeito ao erário público e da urucubaca política que eles fazem. Não está fácil mesmo! Entendo que neste momento crucial em que passa o Brasil não é momento para discutir sobre Partidos, pois todos estão no mesmo patamar, e não se deve transformar um corrupto de “estimação” em mártir. No momento o povo é que é vítima. Mas infelizmente muitos ainda ignoram as maracutaias, são partidários e continuam votando naqueles que surrupiam a Nação. Só pode ser compra de voto, estão recebendo “benesses” ou este eleitor é besta mesmo!

Viver essa política dessa forma e não confiar em ninguém hoje está mais difícil ainda e não há como negar. Há momentos que a gente procura desligar-se do mundo, no entanto, é preciso saber se desligar. Será que é fácil? Nem tanto. Há momentos que procuramos descobrir de como agir dentro do nosso tempo que é tarefa nobre, pois exige um grande conhecimento sobre a gente mesmo. Aí, acredito, talvez, seja mais fácil, no entanto, para quem conhece a si mesmo. Já pensei até em parar o relógio ou esquecer-se de colocá-lo no pulso ou na estante. De tanto tentar descobri que meu tempo está dentro de mim e cheguei conviver com o dito cujo ao pé do ouvido e ainda temos o danado do celular na mão que segundos e segundos recebem mensagens emitindo sons perturbadores. Evito agendar muitos números de telefones para que o mesmo não ocupe do meu tempo sem eu querer. Será que o tic-tac do relógio em cima da escrivaninha quer ficar no lugar do coração? Sei que são sons diferentes, todavia os regulo para que respeitem a minha hora e meu tempo porque pretendo desacelerar tudo, entretanto, pensei: mais do que aprender a correr, é preciso saber parar.

Não adianta manusear com perfeição o mouse, viver como se eu fosse um semiautomático diante do monitor, deixar de sorrir, tirar folga ou levar uma enorme culpa dentro de mim. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo, pois a inflação anda a galope. Aqui no meu recanto poético, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está nos livros, jornais ou revistas, mais dentro de cada um de nós. Entendeu o que eu disse? Se você não entendeu, quer tentar? Respire fundo, então. Desencane. Liberte-se do tempo que te rodeia e, sobretudo, perca seu tempo somente com você! É uma responsabilidade enorme desconectar-se, disso eu sei, mas a vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar, mas sempre com o cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil não é mesmo? Pode ser pra alguns, mas não para muitos malucos que brincam com a vida, fazendo dela um brinquedo. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. É uma aceitação suave dos próprios defeitos que temos ou um rir da gente mesmo, um desaprender contínuo ou um aprender sem fim sobre o que queremos da vida.

Caro leitor, não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara pra você. Esqueça e faça de conta que não tem ninguém à sua frente. Se esqueça. Você é capaz de decidir sobre e o seu futuro, de fazer boas escolhas, seja tratando ou não de período eleitoral. Costumo ler muito, analisar as ações nefastas de políticos e o meio escusos que eles usam para enganar o povo e a justiça, mas posso afirmar que ainda nada sei da vida, pois ela é um mistério, no entanto, uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito e muito! Eu acredito no que diz o silêncio na hora em que a minha massa cefálica se cala, pois ali está toda a engrenagem controladora de meus pensamentos, bons ou ruins. De outra parte, o meu silêncio que não tão é mudo assim, em compasso com a mente, vive dizendo com voz desafiante: confie em ti mesmo. Quebre a rigidez. Ouse mais. Vença mais obstáculos. Viva com mais leveza. Desligue-se, e se puder, adormeça nos braços do tempo, pois só assim você vai transformar a vida em letra e letra em vida. Tenha coragem e fôlego pra ser você mesmo, pois saberá que sob qualquer ângulo em que esteja situado no universo para considerar esta questão, chegar-se-á ao mesmo resultado execrável: a surpresa de ver vários políticos enrolados com a corrupção, pessoas defendendo-os arduamente por pertencerem ao seu Partido esquecendo que devemos defender é a nação brasileira. Essa minoria, porém, dizem os marxistas: compõe-se de operários manipulados por sindicatos, trabalhadores sem terra e sem teto, e estes vão às ruas em troca de pão com salame e uns trocados, enquanto seus chefões chegam de jatinho e almoçam em chiques restaurantes. Por outro lado, operários que se tornam governantes de um País ou representantes do povo no Congresso Nacional, deixam de ser operários e se põem a observar o mundo proletário de cima para baixo ou acima do Estado; não mais representando o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo usando meios fraudulentos e corrupção para se perpetuarem no poder. Quem duvida do que eu falo não conhece a natureza humana, por isso, ando desconfiado e desacreditado de tudo.



À espera de um novo crepúsculo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fito com os olhos o mundo que construí durante toda minha existência. Fito, mas às vezes canso quando vejo um amontoado de estrelas e a lua cheia, despretensiosas, cumprirem morosamente suas rotas. Deito-me sobre a relva e olho para o céu e pergunto ao silêncio que me rodeia: Que bom passasse um meteoro e ele desviasse de sua rota e caísse perto de mim? Fiquei ali quieto sem nenhuma luz a importunar-me, apenas recebendo o manto negro da noite, mas não me preocupei, pois, talvez, poderia ser contemplado com um meteorito antes do amanhecer. A relva estava úmida e ele me fez lembrar-se da tarde chuvosa que cobrira o céu escondendo o meu sol naquele lugar aprazível. Mas tudo passa, pois entendia que a leitura que fazia do meu mundo me enriquecia assim como o meu aprendizado sobre o ser humano e das minhas idas e vindas ao mundo da leitura que me tornaram mais experiente. Entendi que, olhando para o mundo que criei que não existe nada mais rico que o ritmo da vida e não importa o lugar em que a gente esteja. O meu momento de fazer diferente é hoje, é agora; portanto, acho que faço ou procuro fazer diferente.

A claridade no céu auxiliado pela lua e estrelas era visível, deslumbrante. Entre a noite e o nascer do sol ou entre seu ocaso e a noite havia certa dispersão da luz solar na atmosfera, mas era compreensível. A claridade que eu amparava com as mãos ofuscava meus olhos, mas de repente, vi uma mulher extremamente bela, quieta, cuja imagem aparecia detrás das folhas das árvores cortadas pela luminosidade lunar, e foi aí me detive, e meio atônito, comecei a examinar seu rosto sempre com atenção e o extremado carinho de quem fixa numa flor. Sobre a haste do colo fino senti-a trêmula, talvez fosse a leve brisa que passava sobre o verdejante serrado; talvez fosse o estremecimento do crepúsculo que estava por vir. Era tão linda que nem ouvia o canto nostálgico do Curiango no alto da serra. Perguntei novamente ao meu silêncio se já estávamos preparados, nós, um homem simples e o seu silêncio, para testemunhar o aparecimento daquela imagem e a nossa fugaz presença sobre a terra. Sabia que eram precisos milênios de luta contra a animalidade, milênios e milênios de sonho para entender esse momento delicado a que me expunha. Não era possível tocar em seu corpo esbelto, mas os meus olhos brilhantes repetiam em outro ritmo a exata melodia encenada pelas minhas mãos.

Contemplei-a... Ela e o manto negro da noite me confundiam, mas, a sua bela silhueta e um leve movimento fez com que meus olhos voltassem a ter o brilho doce da adolescência. A forma que a via sabia que não se repetiria e talvez desaparecesse para sempre no crepúsculo que se aproximava. Fitava-a e sentia seu olhar triste, mas nada podia fazer, era apenas uma miragem. O desejo de tocá-la não se esvaía, mas sabia também que outras imagens apareceriam mesmo sob torvas chamas rubras, e viriam despojadas sem a eterna marcha banal. Deus fez e refez sem cessar e como quis as imagens humanas porque sabia de nossos erros e que a negligência dos homens entorpece. Mas neste momento, sobre a relva, sou menos uma pessoa que um sonho de luminosidade que passa entre as folhagens. Eu e ela, no tornamos apenas uma fantasia de luz entre lua e estrelas, e juntos, ficamos trêmulos, como se nossa existência fosse efêmera, mas que sabíamos que seríamos eternos. Mas o que dizer e porque despetalar palavras tolas que vêm sobre minha cabeça? Na verdade não sei o que dizer apenas aquietar-me sobre a relva, olhar, olhar para o céu, como quem reza, e depois, antes de montar meu cavalo Alazão e partir, restar-me esperar por um novo crepúsculo, mas com a mesma imagem e o brilho do seu olhar.


Os autênticos manifestantes e os baderneiros de plantão.

sábado, 6 de maio de 2017

No dia 28 de abril de 2017, um pequeno grupo de pessoas, dizendo-se que se tratava greve geral, foram às ruas manifestarem contra as reformas na Previdência Social e alterações de alguns pontos polêmicos da lei trabalhista em curso no Congresso Nacional. Há de se ressaltar uma diferença entre as manifestações do dia 28 de abril e as ocorridas em 1992. Em 1992 grandes protagonistas das lutas sociais do País e milhões de jovens brasileiros tomaram das ruas das Capitais com a cara pintada nas cores verde-amarelo e vestiam roupas negras, como luto contra a corrupção do governo do ex- presidente Fernando Collor, hoje Senador da República, incluído nas denúncias do MP. Naquele domingo o ato ficou conhecido como o “domingo negro” e aqueles grupos de jovens que, apesar de distantes, clamavam por justiça e pelo impeachment de Collor, mas de forma ordeira, saíram vitoriosos. Naquele período ficaram conhecidos como “Caras Pintadas”. O movimento estudantil dos Caras Pintadas teve sua primeira reunião em 29 de maio de 1992 e as manifestações públicas aconteceram entre agosto e setembro daquele ano.

Pois bem, recordemos mais um pouco e o que motivou o movimento naquele período nefasto. Um dos motivos considerados como estopim foi o famigerado confisco da poupança, que obrigaram todos os cidadãos brasileiros a emprestarem todas suas economias aplicadas em poupança que excedesse a Cr$50.000,00. O governo prometia que devolveria o dinheiro emprestado em um prazo mínimo, entretanto, isso não ocorreu. A situação ficou fora de controle quando Pedro Collor de Mello, irmão de Fernando Collor, apresentou diversos documentos que indicavam roubo de dinheiro público, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e corrupção. Lembro-me bem que numa entrevista concedida à revista Veja, Pedro Collor citou seu irmão e Paulo César Farias (PC Farias) como cabeças-chave do esquema. O circo  estava armado e as entidades civis do país se reuniram para iniciar o “Movimento pela Ética na Política”.
  
Ao participar de um protesto contra a corrupção, cujo ato foi realizado no dia 21 de abril de 2012, assisti emocionado, jovens de forma pacífica voltar às ruas com caras pintadas, expressando suas  revoltas contra a impunidade, a sonegação, a lavagem do dinheiro, a contravenção, a corrupção, a violência, os crimes de colarinho branco, os esquemas de poder paralelo e outros males endêmicos que acabaram por substituir o Estado e até confrontá-lo, como foi o caso do jogo do bicho e caça-níqueis que se tornaram  uma escandalosa  cumplicidade que precisava acabar mesmo sabendo que no Brasil nada se apurava de verdade e tudo acabava em pizza. A corrupção maior como se podia ver em jornais e na TV, tinha origem nas licitações e isso deixava o povo estupefato, indignado. Eram obras superfaturadas e bilhões de reais despejados nas contas de empresas que estavam atreladas aos governos. Era e continua sendo a famosa troca de favores entre governo e as empreiteiras. Ganham a licitação e depois devolvem em forma de “bônus” alguns milhões àqueles que as beneficiaram quando da “apresentação de propostas” para realização de obras ou serviços. Hoje posso dizer com certa satisfação: Cuidem-se senhores responsáveis pelas licitações que se beneficiam com a construção de obras de vulto como ocorreu com a construção de estádios, reformas de aeroportos e construção de rodovias!

Mas, voltemos ao manifesto contra a corrupção, ocorrido no dia 21 de abril de 2012. Quando participei daquele movimento de certa forma fiquei bastante decepcionado. Muitas entidades públicas, privadas e organizações não governamentais, participaram da caminhada apenas para fazer propaganda de suas próprias siglas, esquecendo do objetivo principal que era mostrar a corrupção que imperava em todos os Estados brasileiros. Faixas, cartazes e nomes das entidades e siglas sindicais eram divulgados durante a passeata e seus trabalhos alardeados através de um potente carro de som. O manifesto realizado Goiânia, foi para mim mais uma decepção. Durante a passeata pude observar pessoas pichando paredes, ateando fogo em carros, ônibus e bancas de revistas, agredindo policiais com pedradas que davam cobertura ao próprio evento; quebravam vidros de lojas, depredavam e viravam viaturas policiais em total desrespeito ao patrimônio público e tudo que viam pela frente; outras pessoas com microfones nas mãos, diziam palavras de baixo calão para caluniar e difamar o governo e aí pensei com meus botões: Este ato público por si só já está corrompido. Uma forma de protesto criado a nível nacional para combater a corrupção não poderia ocorrer dessa forma, mas em Goiânia ou em outras capitais, para muitas pessoas, não parecia ser o objetivo primordial, pois, no uso do microfone, algumas até tentavam disfarçar dizendo que a passeata era democrática, de nível nacional, todavia, ao retornar o microfone a outro participante, incentivava e demonstrava sua euforia detonando de forma injuriosa e grosseira a tudo e a todos.
  
Faixas e cartazes carregados pelos manifestantes, como da primeira manifestação naquele ano, apareceram novamente, algumas de partidos que fazem oposição ao governo federal, o que me pareceu naquele momento tratar-se de um fato isolado, mas, era visível que muitos se infiltravam e aproveitavam do   movimento com o objetivo somente de tumultuar, queimar pneus, depredar tudo que via pela frente, esquecendo do seu próprio umbigo, ou seja, do direito de ir e vir do cidadão de bem e dos próprios trabalhadores, se é que aqueles manifestantes eram trabalhadores. Praticavam atos de vandalismo que prejudicava as ações democráticas dos autênticos manifestantes, mas os “cara-pintadas” não participaram do evento porque sabiam dos objetivos escuso dos sindicatos que o organizou. Não houve por parte dos Sindicatos a preocupação quanto ao direito de reivindicar, de respeitar os direitos do cidadão, do trabalhador, de respeitar a lei e o bom senso, de evitar a depredação do patrimônio  público e do justo respeito que deviam ter ao aparato policial que estavam lá para proteger, ajudar na organização e manutenção da ordem e da segurança dos manifestantes. Entendo mais que o ato grevista, bloqueio de ruas e avenidas, devia ser feito ao redor e frente ao Congresso Nacional, pois lá é que estão sendo votadas as matérias em discussão. Ademais, a Previdência Social se encontra nessa situação graças ao governo do PT e PMDB que há anos vem saqueando os cofres da nação brasileira e assim, diante disso e de tantas outras mazelas como acreditar que não existem esses manipulados baderneiros de plantão.

Por fim, torna-se também necessário usar deste espaço para falar um pouco das agressões sofridas por policiais. A imprensa brasileira deu destaque especial para o jovem que foi agredido por um policial em Goiânia. Então, permita-me caros leitores deixar aqui minha solidariedade a ele e à família, mas também sair em defesa dos policiais que vão às ruas para nos defender ou a qualquer cidadão de bem. A segurança de cada um ou da população em geral é feita por policiais, seja qual farda estiver usando. Eles são enviados às ruas para coibir a violência e evitar que o bem público e ou mesmo particular seja depredado, mas, não obstante isso, tais ações ocorreram em várias cidades brasileiras, e como o contingente militar era pequeno diante de tantos manifestantes esparramados por vários pontos da cidade, eles, claramente, não dariam conta de evitar que bancas de revistas fossem destruídas, agências bancárias depredadas, carros, caminhões e ônibus incendiados, tudo orquestrado por um grande grupo baderneiro, tirando a licitude da própria manifestação. Vi muitas faixas e cartazes sendo carregados pelos manifestantes, como aconteceu em outras manifestações, à maioria usava bandeiras vermelhas, nenhuma verde-amarela, parecendo que aquele grupo de pessoas não fosse brasileiro, tudo capitaneado por Sindicatos que há tempos vinham “mamando nas tetas” do Governo Lula e Dilma. Era visível a infiltração de pessoas encapuzadas que participavam do movimento nas capitais somente com o fito perturbar a ordem e prejudicar a ação daqueles que realmente protestavam dentro da legalidade e respeito à lei, à coisa pública, privada, aos direitos do cidadão, e de não prejudicar o direito de ir e vir do cidadão que precisava comparecer ao trabalho, todavia, os baderneiros desrespeitando a lei queimavam pneus, depredavam Agências Bancárias, Bancas de revistas, telefones públicos; atiçava fogo em ônibus, carros, caminhões, sacos de lixo, sem o mínimo bom senso e respeito à coisa pública e a você cidadão de bem. Será que esses baderneiros não tinham noção de que estavam prejudicando os próprios trabalhadores? Sejam usando bicicletas, motos, carros, caminhões, ônibus, cada um tinha seu destino: o trabalho.

Como frisei acima os policiais foram convocados por seus superiores para estarem nas ruas para evitar que o patrimônio público fosse depredado e desrespeitosamente esse “grupo” de encapuzados os afrontavam. Foram pra ruas com essa intenção. Será que fizeram aquilo “de graça”? Então, depois disso e de tantas outras mazelas como acreditar nesses movimentos? Assisti e acho que a maioria da população assistiu vários policiais sendo feridos com pedradas e outros objetos por defender os bens públicos e o próprio cidadão de bem. Por outro lado, há de se condoer com a situação do jovem agredido por um policial em Goiânia, pois nenhum ato voluntário ou involuntário está acima da lei, todavia, temos de convir que o cassetete naquele instante fosse o único meio de defesa, pois policial também sente medo, principalmente quando se está em menor número e diante de centenas manifestantes sem noção. Foi um fato isolado que repercutiu nacionalmente e que deve ser analisado pelas autoridades competentes. Não me arrependo de defender os policiais e dói quando imprensa destaca a agressão sofrida por um cidadão goiano e sequer mencionam o quantitativo de policiais militares que foram agredidos e feridos em todo o País por manifestantes encapuzados que usavam de pedras e até bombas incendiárias caseiras. Pode ter a certeza de que esse tipo de manifestante não foi à rua pra rezar. Por outro lado, quem se preza e tem bom senso não participa de manifestações usando capuz, pois quem o usa capuz, esconde o rosto, e logicamente, não carrega boa intenção numa manifestação. E não adianta dizer que é para proteger o nariz do gás lacrimogêneo. Numa manifestação pacífica policia jamais atira esse tipo de projétil. Como tudo na vida é incerto e tudo aquilo que se faz no Brasil é feito em terreno não sedimentado, podem ter a certeza caro leitor que mais coisas  virão à tona, portanto, além de ficarmos preparados para novas surpresas devemos construir nos quintais de nossa vida um poleiro cheio com varas resistentes para que elas possam sustentar os grossos excrementos que possivelmente virão do resultado da aprovação da reforma da Previdência Social e Trabalhista. Fugindo um pouco do texto, resta-me encerrar dizendo: Avante equipe da operação LAVA-JATO! Somente vocês serão capazes de eliminar de vez os corruptos e corruptores no Brasil!



Traição: Como defini-la em se tratando de um caso concreto?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Não queria entrar no mérito desta palavra que em termos mais amplo trata-se de ação de trair alguém; perda completa da lealdade que resulta de uma ação traiçoeira, como também se pode considerá-la como um crime que se configura pela ameaça à segurança da pátria ou de suas instituições, todavia, em relação à minha pessoa há anos essa palavra vem me corroendo a alma porque, infelizmente, vivemos num mundo onde existem muitas falsidades, tapetes para serem puxados para que ninguém cresça ou se sobressaia dentro da sociedade em que vive, seja qual ela for. Vamos supor que o trabalho que você faz cause inveja a um “amigo”, pois está se sobressaindo mais que ele em face do seu dinamismo peculiar, que veio do berço, que enxerga o mundo de uma forma diferente e procura sempre ciscar pra dentro e não pra fora. Ao tentar captar mais companheiros pra fazer parte da sociedade cultural da qual participa pode gerar ciúmes em relação a sua atuação e em face disso pode vir à famigerada traição. Passado alguns meses ou anos suponhamos que a pessoa que lhe causou esse dissabor esteja acometida por um arrependimento, amargando um tremendo remorso e se afogando num mar de culpa… aquele que traiu ou continua falseando ou traindo um companheiro de trabalho ainda tão comum hoje em dia, jamais terá a dimensão exata do buraco que cava no peito daquele que foi traído.

Quando nos sentimos traídos é como se a nossa confiança fosse roubada pelas costas. Nem temos nem tempo pra dizer: Até tu cara! É como se a nossa inteligência fosse também subestimada e a nossa autoestima picada em pedacinhos. Quando isso acontece cava-se um grande buraco no peito, principalmente quando a pessoa acreditava que aquela outra era realmente amiga. Vem à dor e ela dói muito. A dor da traição e da falsidade é geralmente complexa porque destroem no interior das pessoas traídas os alicerces que construíram em prol do desenvolvimento de uma entidade, dentro da qual nasceu a relação de amizade. Podemos afirmar com certeza que a intensidade da decepção é proporcional à amizade, ao afeto, ao amor e ao carinho que temos por quem nos proporcionou tal dor, assim como, dizer também, que quem engana um amigo verdadeiro trai a si próprio.

Quando se tem um projeto de crescimento, ao sermos enganados por alguém tudo altera a capacidade de interpretação dos próprios sentimentos, pois eles ficam frágeis, confusos e chegamos até a ter dificuldades em discernir o que é real e o porquê de um projeto não ser aceito, de um sonho destruído. Não raras vezes, aquele que é traído acaba buscando em seu comportamento, em suas atitudes a razão para saber a verdade, o real motivo sobre tudo o que aconteceu; sente-se até suspeito do mal feito causado pelo alheio. A traição dói principalmente em todos aqueles que têm objetivos e projetos salutares destinados ao crescimento da entidade da qual participa. Traição dói por tantas outras razões. Dói porque é desnecessário, dói porque diminui a importância da história partilhada que estava em pleno desenvolvimento, dói porque não há nada que justifique a quebra de confiança.

A traição é a mais covarde das escolhas, principalmente quando você é tomado de surpresa pela ação pretensiosa do “amigo” que simplesmente lhe comunica que seu cargo foi oferecido à outra pessoa para uma possível negociação e espertamente, prejudicar registro de outra chapa concorrente, e de certo modo, evitar também que a outra pessoa concorra ao pleito eleitoral com outra chapa. Isto está ocorrendo em todo meio social. É o poder pelo poder. É a opção do “amigo” pelo caminho mais fácil. É a forma encontrada por ele para retirar do seu caminho um possível adversário, o qual, no caso, deveria é ser honrado e mostrado o seu valor. Perdoar esse tipo de traição foge à nossa capacidade racional. E quando acaba acontecendo, muitas vezes é porque existe nessa atitude uma esperança em fazer cessar o sofrimento. Perdoar-se numa tentativa de retroagir ao acontecimento considerado traição, dificilmente será possível apagar os danos causados. Tal situação já ocorreu em relação a mim, mas sei que está acontecendo com outras pessoas de valor. No que me diz respeito ao caso em tela, a ferida não cicatrizará em razão da consideração, admiração e respeito que tinha pelo “amigo”. Mas sei também que o tempo, queira ou não, mostrará suas fissuras no relacionamento, trincas por onde emergirá ressentimentos, mágoas e culpas.

Afinal, por mais que pareça triste, o melhor que se pode fazer é cortar os laços mesmo. Manter-se em silêncio porque de alguma forma ou de outra ele falará por nós. Deixar que as feridas cicatrizassem em paz. Sigamos em frente e deixemos que o “amigo” descubra por si mesmo que havia outras escolhas, mas que ele por si só não foi capaz de discernir e fazê-las. E depois disso, de ter sido incapaz de escrever o fim de uma história, de colocar um definitivo ponto final, de projetar para si mesmo um modelo mais saudável de relação, na qual o compromisso fosse partilhado, assumido e respeitado por todos os membros da entidade cultural, ficou inerte, usou-se apenas das reticências. Por fim, pergunto: Porque eliminar do quadro diretivo parceiros de tantos anos, então, não se pode usar o linguajar popular: que foi uma decisão humana, sensata, justa. Persistir na substituição para que a pessoa não participe do novo quadro diretivo, comunicando-a tardiamente com o fito de impedi-la de montar uma chapa concorrente é errado, é falta de respeito próprio mesmo.

O "Dedo Duro."

segunda-feira, 24 de abril de 2017


Quando fazemos algumas anotações seja num caderno ou quando manuseamos o computador aprendemos que as mãos e dedos têm um papel relevante, pois são eles que nos habilitam a escrever e digitar mensagens aos amigos esparramados por esse mundão de meu Deus. Ao examinar os gestos notamos também que existem mãos agitadas, trêmulas, dedos em riste apontando para alguém, outros acenando com dedos abertos e fechados… tudo simbolizando alguma coisa e mostrando, talvez, a própria personalidade da pessoa. O que mais me incomoda é o dedo que aponta, acusa, discrimina, rotula, e de forma inevitável, é usado para intensificar “recados” maldosos. Eu, a bem da verdade, prefiro usá-las de outra forma para escrever o que sinto e penso… No entanto, existem sinais quando usamos os dedos e mãos ao mesmo tempo, demonstrando sentimentos de paz, de saudação, de positivismo, de vitória, de agradecimento, como também de agressividade.

O mundo perde em conceito e aqueles que se acham poderosos fazem sinais com as mãos ou usam o próprio punho para mostrar que são poderosos, subestimando-se aos demais. Urge a necessidade de resgatar os valores familiares, morais e éticos, pois, caso contrário, acabaremos em um mundo cruel, medonho, cheio de trevas. Há tempos tenho assistido realmente uma inversão de valores sem precedentes, chegando até mesmo à obscenidade por parte de autoridades que deveriam dar exemplo à sociedade de sua postura moral e ética. Eles sequer respeitam nem a si mesmos nem aos outros e debocham do povo diante das câmeras de TV, com sorrisos sarcásticos e seus atos são vistos como ladroagem, libertinagem, malversação do dinheiro público e corrupção generalizada que, para eles, funcionam como se fosse uma coisa natural, comum.

Temos em cada mão cinco dedos e todos pertencem à mesma mão e ao mesmo corpo. Basicamente eles têm a mesma função, ajudar a segurar objetos, apertar um gatilho de uma arma, jogar pedras, bombas, manusear um mouse, uma caneta ou lápis, etc. Sim, os dedos são todos iguais, mas não têm o mesmo tamanho ou função. Alguns, é preciso dizer, não são tão iguais. Pois bem, então vamos ao que interessa. Alguns desses dedos precisam se destacar, impor sobre os demais, mandar; alguns deles precisam dizer ao resto da corja como proceder. Então fica claro a quem deve caber esse papel, esse posto de comando, esse título. Então vejamos analisando individualmente de cada um. Comecemos pelo Polegar. Este não podia ter essa aspiração, pois pra começar, ele é pequeno, tão pequeno que até deu o nome a um personagem de livro infantil, “O Pequeno Polegar”. Além de pequeno, é humilde e não se importa em se sujar, pois é sempre o escolhido, primeiramente, para o registro da impressão digital, notadamente se o sujeito é analfabeto e precisa assinar um documento a rogo ou não, basta esfregá-lo numa almofada de carimbo e encostá-lo num papel e pronto! Ta lá a comprovação de sua existência em nosso mundo. E o tal do dedo Mindinho, este é pior ainda, fininho e delicado. No passado ele servia para indicar aristocracia; aquelas pessoas elegantes que tomavam chá com ele elevado no ar. Lembra dessa frescura? Isso passou, nem essa função ele tem mais, todavia não é tão inútil assim, pois como é tão pequeno, na falta de cotonetes, ele nos ajuda a coçar os ouvidos.

Continuando com a história dos dedos, comenta-se por aí que o Anular é o símbolo da submissão. Como se diz no linguajar popular ele serve para portar o anel e mostrar que aquela pessoa é casada ou comprometida com alguém. Está aí a submissão: ele é moralista e retrógrado, tolhe a liberdade das pessoas, impede que possam viver grandes e excitantes aventuras. Nessa confusão em que passa a família e a crise financeira que nos oprime, o dedo Anular está com os dias contados, em primeiro lugar é porque muita gente não casa mais, e em segundo, porque ninguém mais quer usar aliança. Deixemos o Anular com ou sem suas argolas e vamos falar então do seu vizinho o Indicador. A este devemos certo respeito e reconhecimento, pois ele seria o único a postular alguma liderança. Porque será que ele tem uma função importante? Será porque aponta, indica um rumo ou serve para acusar alguém? Com diz meu personagem que intitulei nesta crônica, o grande chefe Manoel Tristão da cidade de Cabribó: O Indicador, em algumas situações é conhecido como Dedo-duro e isso, para ele, era uma distinção. No entanto, o Indicador é temido, e no nosso mundo de delações premiadas só sobrevive e recebe as benesses quem é realmente temido e sabe de tudo.

Mas no caso em tela, não tão temido que venha assustar o seu vizinho privilegiado, encontra-se o Dedo Médio ou Central. Para começar esse danado fica no meio da mão e é o maior dos dedos. É temido principalmente pelos homens que vão médico urologista para fazer o famigerado “toque” só para ver se eles têm câncer de próstata. Então se você tem alguma dúvida ainda em torno da liderança do dedo central, finja não conhecê-lo e de suas formas obscenas, ofensivas, insultantes, quando é usado em riste para a pessoa que o desagradou em alguma coisa. Independente da vontade dele às vezes a gente adianta-se à sua vontade e o levantamos, olhamos para a pessoa que não gostamos e o colocamos numa posição insultante, talvez defensiva. Para aqueles que carregam o ódio no coração até pode ser um momento de glória, pois apenas quer mostrar quem está por cima e colocar certas pessoas no seu devido lugar. O sinal que damos ao usar este dedo é uma linguagem que todo mundo entende, mas às vezes fere a sensibilidade de pessoas mais incautas, todavia, todos têm de entender os seus sinais e levá-los numa boa se quiserem viver neste mundo sem o tal afrontamento. È visível que todos os dedos se curvam diante do Dedo Central quando ele se levanta e aponta numa direção qualquer e diz: “Eu sou o maioral, eu sou o chefe desta mão, eu sou o rei de todos os dedos, mas não sou como o “dedo duro”, do tal Manoel Tristão da pequena cidade de Cabribó que anda dedurando todo mundo e nem igual ao Indicador, meu vizinho à esquerda da mão”

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No "Café da Manhã" de Ulisses Aesse.

quarta-feira, 19 de abril de 2017


Ulisses segundo o poeta Gabriel Nascente é um “cavaleiro da guerra da mais velha utopia: a poesia”. “Na matéria, alguns poemas do seu livro de estréia: “Jardim das Éguas” deixa-se prender aos seus afazeres para contemplar em segurança o que está para além do homem”. Para mim o jornalista Ulisses que traz em seu bojo o símbolo da inteligência goiana e sabe que é mediante o exercício da criatividade que pode se formar, aperfeiçoar e intensificar nossa crença na humanidade. Ele além de editor de reportagens do jornal “Diário da Manhã” é músico, jornalista, poeta, artista plástico, colecionador de antiguidades, um roqueiro apaixonado por motos e por “belas” gravatas. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), também é comentarista do programa “Canal Aberto”, da ’PUC TV’ e participa ainda como debatedor do programa ’Jornal Sucesso’, na rádio que leva o mesmo nome. Foi fundador do programa Rockaos, apresentado na antiga Rádio K do Brasil. É fundador da ONG ’caminhosway’ e já foi diretor da União Brasileira dos Escritores, seção Goiás, e da Associação dos Escritores Profissionais de Goiás. É Membro da Academia Goianiense de Letras, possui três livros publicados. Ulisses já atuou como membro do Comitê Pablo Neruda de Solidariedade ao Povo Chileno, cujo museu construído à beira do mar banhado pelo Oceano Pacífico, local que eu tive o prazer de conhecer em outubro de 2015.

Experimentar o seu “café da manhã” adoçado com sapiência é e sempre será uma forma de saborearmos notícias atuais e interessantes e nele dizer o que somos e podemos ser. Na sua página diária ancoramo-nos na segurança noticiosa que de tão precisa e que a gente menos o espera, lá está ele falando sobre nós e nosso trabalho literário. Imbuído de uma amabilidade própria ele é capaz de alçar voos distantes, enquanto no seu papel de jornalista e quiçá, de poeta da vida, também é capaz de nos encorajar e nos ensinar o como trilhar dentro da sociedade em que vivemos. Hoje já não basta aos pensadores como ele e outros que se encaixam na espontaneidade e na harmonia de uma geração de jornalistas que há tempos vêm dando novos rumos ao mundo, às vezes fazendo a função de investigadores, todavia, é através de suas escritas que sabemos de onde vêm seus eloqüentes textos e de como eles são compreendidos pelos seus leitores. Inaugura-se assim com sua maneira de ser a valorização do ser humano e a busca da verdade por si mesma, assim como, o início de uma perigosa ruptura entre conhecimento e ação. Em suma, trata-se da constatação de que, tomando-se certos cuidados, pessoas como Ulisses Aesse podem conduzir nossa vida pelo mundo da leitura a realizar grandes feitos de tal forma que isso não incorra no ciúme de amigos, dos deuses gregos e ou mesmo do seu xará Ulisses um dos mais ardilosos guerreiros de toda a epopéia grega.

Responsável pela coluna “Café da Manhã, do Diário da Manhã, Ulisses pra mim, além de amigo é um mito, pois ele destaca e valora a nossa gente de um modo geral com muita sobriedade impondo a necessidade de contenção do impulso humano que às vezes ultrapassam certos limites, mas nunca deixando de lado a integridade do ser humano e sua lídima participação na sociedade, o qual, muitas vezes se arrisca à ruína, numa narrativa onde se ressalta o seu desejo de voar mesmo sem usar as asas de sua imaginação, entregando à fruição do seu trabalho diário, o qual, na realidade, descreve com esmero sobre certa falta de um autocontrole social. Diferente do personagem de Ilíada e da Odisséia, de Homero, nosso Ulisses, também é um guerreiro, um herói das letras, e sabiamente, toma as devidas precauções para que seu impulso em relação ao ser humano seja experimentado de forma correta, não comprometendo a sua segurança e deixando intacto o impulso em si mesmo ou de permanecer o impulso de voar em busca de um improvável saber. Todavia, se os homens não podem contemplar diretamente deuses, demônios ou forças titânicas isso não se deve a uma radical heterogeneidade e incompatibilidade entre dois mundos, mas ao caráter limitado do poder do homem, que não pode expor-se diretamente ao excessivo poder dos deuses e de outros seres sem ser prontamente fulminado, exceto se o divino é abordado indiretamente, mediante suas metamorfoses, objetos cultuais ou estátuas antigas.

Aquilo que pode ter mais do que um sentido ou significado, a nosso ver fundamental, nós articulistas e cronistas, temos como tendência civilizacional de levar pendularmente o nosso pensamento a interpretar o que ocorre no mundo, seja real ou aparente, necessária ou casual, como efeito ora da execução de um plano cósmico idealizado ou executado por um poder inteligente determinador ora como realização espontânea das múltiplas possibilidades de um irracional indeterminado. A vida em comento é do jornalista Ulisses, o qual já bisbilhotou obras antigas e contemporâneas, conhecendo a verdade, e qualquer pessoa que já tenha se deixado arrebatar pela beleza ou pelo medo sabe que a experiência de amarrar-se a qualquer estilo literário muda bastante a natureza da própria contemplação. E ainda que não tivesse conhecido essa realidade ele poderia nos falar sobre tudo e que, no fundo, talvez, ninguém queira realmente conhecer. O que Ulisses Aesse parece nos querer ensinar no dia a dia é tão somente que devemos inventar o nosso próprio jeito de escrever, de forma precisa, compreensível e que possamos encantar e atrair os leitores do Diário da Manhã. A sua coluna tornou porta voz de pessoas, algumas não muito conhecidas, assim como eu, mas notícias minhas estampadas naquela página me levaram aos confins do mundo, fazendo-me pressentir que lá na distante quimera reside uma esperança, um sonho, talvez possível de alcançar, uma fonte inesgotável de todo ser, pensamento, beleza e poder.



Projeto: A poesia na Escola

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sejam crônicas, contos ou poesias elas sempre estiveram presentes em minha vida. Para muitos a poesia vai se perdendo com o passar dos anos, no entanto, a crônica ainda resiste. Minha intenção, com este projeto, é permitir que o aluno, se apaixone pela leitura, através de atividades que permitam uma compreensão maior da linguagem poética e lhe dê condições para que ensaie seus próprios passos em poesia. O Projeto “Poesia na Escola” onde trabalharei com o meu recente livro “Rastros de Mim”, escrito de forma bem simples e compreensível, mas chamativo, trabalhará a fala, a leitura e a escrita por meio de poemas e atividades de pesquisas, análises, interpretações, exposição de ideias, composições, reescrita e reestruturação, onde o aluno poderá expor suas emoções através dos recursos tão expressivos da linguagem poética. Por serem as faixas etárias superiores de 12 anos, mesmo sendo curiosas e inteligentes essas crianças têm mais dificuldades de adaptação, então é necessário todo um trabalho, que a leve a perceber o real significado de estar na escola, gostar do ensino, dos professores e colegas, principalmente nos aspectos de: fazer novas amizades (socialização) e descobrir os diferentes espaços que a escola lhe pode oferecer, vivenciando neles brincadeiras e construção de conhecimentos.

O objetivo primordial do projeto é a aproximação com a linguagem poética, no sentido de familiarizar o aluno com a poesia, para que tenham prazer em ler e ouvir poemas e, sobretudo, para que se sinta motivado a expor suas emoções, dar liberdade de criar, brincar com as palavras, fluir sua imaginação. Por outro lado, especificamente, despertar o prazer pela leitura, não só de poemas, como também de crônicas e contos; despertar o interesse pela literatura de modo geral, apreender a recitar poesia explorando os recursos existentes; reconhecer os poemas em suas diversas formas; despertar a criança pelo gosto da leitura; tornar o processo de socialização mais rápido; despertar o interesse da criança pela literatura tendo como alvo a poesia no seu dia-a-dia na escola, facilitando o seu desenvolvimento em todos os aspectos: físico, emocional e intelectual, além de sua socialização com seus colegas, professores e meio familiar;

Dentro da metodologia a ser aplicada haverá a necessidade de levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos acerca do tema proposto; leitura de poesias e poemas e verificar as quais mais lhes agradaram; produção escrita, coletiva, e individual de poesias observando a estrutura textual; apresentação de vídeos instrutivos extraídos da internet para ser apresentados na sala de aula. Daí nasce às atividades, a interação entre alunos, quais sejam: Contar histórias, destacando a importância da escola; conversar sobre ela, estabelecendo comparações entre os alunos e a poesia; fazer a apresentação (cada criança fala seu nome, inclusive a professora) observando se há nomes iguais; criar uma brincadeira para ajudar as crianças a identificarem os amigos, principalmente os novos; fazer uma adaptação da brincadeira com o livro “Rastros de Mim”; conversarem sobre o porquê de estar na escola, à importância da escola e o principal elemento da escola “a criança”. Por fim, estabelecer comparações do livro onde o autor sonhou que foi engolido pelo dicionário e como tentou atravessar as páginas para salvar uma personagem e ou mesmo escapulir de dentro dele, assim como, saberem qual a razão do escritor escrever o livro

Acredito que ao final da apresentação desse projeto será possível perceber que as crianças estarão mais atentas, participativas e curiosas para ler mais livros. A turma ficará interessada, caprichosa e conseguirá realizar todas as atividades propostas. Elas terão a concepção de reconhecer a maioria dos conceitos trabalhados, ficarão mais comunicativas, e as arredias, que no início se recusarem a participar das atividades podem ter a certeza que demonstrarão, ao final, mais interesse e entusiasmo com a leitura diária e consequentemente, virá o gosto pela leitura, sejam poesias, contos, ou crônicas. Assim, nesse contexto, reafirmo que poesia será minha opção primeira de trabalho em sala de aula, não descartando, porém, a apresentação de crônicas que levem os alunos a viajarem no mundo da imaginação. Coube-me propiciar a leitura e escrita do gênero poético até porque é um sonho antigo que se realiza, no qual também acredito que será mediador do conhecimento no processo de autoaprendizagem.

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Vendaval

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Olhei pelo retrovisor e fiquei pasmo quando vi algo acenando pra mim. Era o meu passado não muito distante. O vento forte surgia acompanhado por um vendaval que me deixava atônito, à mercê da vida, sem conforto, de certo modo, incômodo. Aquele final de tarde era meu parceiro, e como forma de proteger-me tentava encobrir rostos fantasmagóricos, faces borradas e enevoadas que se agitavam no horizonte longínquo. Preocupado com as intempéries de tempo acelerei o carro, pois nem sobreviveria perante aquele vendaval que poderia, talvez, desmoronar o meu castelo com sua fúria, massacrando os jardins, destruindo flores, no entanto, como não o construí sobre a areia, restaram-me as pedras, pois sei que com elas o reconstruiria e das raízes sabia que sairiam novamente gramíneas verdes, novas flores, e formariam um novo jardim.

A cortina do passado se escancarava lá atrás e era possível ver pessoas amigas de escola que nunca foram minhas. O retrovisor me deva a liberdade de mirar com nitidez e entre elas amores impossíveis que tive, daqueles que nunca se estabeleceram. Fitava os fantasmas dos quais até dei carona e nem um mero agradecimento tive. Eram pessoas perdidas no passado, esquecidas em uma curva da estrada ou jogados ao limbo de uma parada qualquer. Quanto mais me distanciava daquele horizonte intempestivo, vinha a minha mente que a palavra amar era bobagem. Seria bobagem mesmo? Oh, Deus me penitencio! Quantas infindáveis vezes eu me apaixonei. Quantas metas que eu sonhava alcançar ficaram num canto por algum tempo, esquecidas, ocultas, ou quem sabe se foi com um simples sopro ou levado num suspiro, tal qual um fantasma que nos persegue e incomoda. Um fantasma sem rosto, sem forma e sem raízes. Mas o vento, que é incolor e frio, não combinava comigo porque por entre os meus poros penetrava um calor causticante, enquanto o sangue quente percorria minhas artérias e veias, deixando-me a mercê da vida, que às vezes trazia-me a dor, às vezes apenas mera rotina, às vezes a sobrevivência diante de um embate desigual. Eu, um simples escriba, carinhoso, mas carente, que a mercê da vida, ainda consegue se regar, de se tornar colheita, e “colhido”, sobrevive. Todavia, diante das adversidades da vida sinto que algumas vezes sou notado, mas outras vezes esquecido.

As metas que tinha aos poucos foram trazidas pelo vento, provavelmente por estar pessimamente presa no varal da vida, num quintal qualquer, sem dono, que nem me lembro onde. Talvez porque, no fundo, certas pessoas não têm memória, e aquelas que falam muito não concluem o assunto de maneira razoável. Podemos dizer então que elas não têm passado desnecessário fixarem-se no retrovisor da vida. O que me sobra, afinal? O que fica? Se tenho alguma sobra ou como fico, o jeito é continuar olhando, com ou sem retrovisor, com o olho fixo no passado e, fixando-me nele, não vejo nada dele refletido no que sou. Nada além de um borrão produzido por uma tinta incolor. Incolor que não mancha e porque meu passado é limpo, as metas eu concluí, e quanto aos meus anseios, despreocupei-me há tempos. Tudo se foi, levados por um vendaval.

Se você ajeitar o seu retrovisor e nada ver é sinal que vai enfrentar problemas. Quando você não consegue visualizar alguma coisa no seu passado algo está errado, por certo, há de se pensar em prejuízo financeiro, pessoal e material. Claro, não é fácil para ninguém, com esta falta de empregos, com a inflação salgando a vida da gente, com os preços aumentando dia a dia no supermercado. Mais uma vez os pobres são os que mais padecem. É a vida nos dando lição. Nesta hora, confiando em nossos “retrovisores” devemos nos unir sempre que for necessário, enfrentarmos os vendavais da vida juntos. Tantos vendavais ou todos, não importam quantos. Para isso acredito que todos têm o melhor, um coração pronto para atender aos mais necessitados. Uma fé tão forte que nos dá esperança e força, uma união e solidariedade tão grande que nos fortalece. Hoje, ironicamente, usando o mesmo trajeto, olhei pelo retrovisor e novamente enxerguei o meu passado que não mais acenava, todavia, desta vez me precavi e segui viajem sem reclamar dos fantasmas que já adormeciam sobre as esbranquiçadas nuvens.


Torquato, o açougueiro.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Semana passada o Brasil sofreu mais uma reviravolta moral e ética. Torquato Neto detrás de um balcão cortava com maestria parte de um filé para atender um cliente, mas foi surpreendido quando ele lhe perguntou se a carne estava em boas condições para consumo. Sem entender a pergunta olhou de soslaio para o doutor e continuou cortando a carne fresca, tão fresquinha que sangrava. Eu disse carne fresca e não carne fraca. O doutor era cliente antigo do seu açougue e jamais reclamara. Todavia tal pergunta o preocupou, mas de repente, ouviu no seu radinho que ficava ao lado do caixa uma notícia constrangedora que falava da prisão de várias pessoas que estavam recebendo propinas para liberar carnes estragadas de grandes frigoríficos. Torquato então deu um sorriso largo e tranquilizou-se. Disse ao seu cliente que a carne que vendia nada tinha a ver com aqueles produtos citados pela Polícia Federal. O cliente conferiu a mercadoria e saiu satisfeito. Torquato ainda preocupado, pois a notícia poderia lhe trazer prejuízos financeiros, pensou e muito. Como se tratava de um ser político, sonhador, honesto, trabalhador e entendedor do processo de manuseio da carne ficou pensando e seu pensamento ia e voltava na velocidade da luz. E foi nesses segundos ao usar em demasia a força de seu pensamento que se viu vagando pelo espaço sideral e num vôo alado, esquisito, alcançou lugares distantes e inimagináveis para uma mente humana. Sustentado pela força da gravidade fotografou tudo que vira pela frente, e lá de cima, pode vislumbrar a amplitude do universo que nem sabia se tinha fim. Voava alto, bem alto e dava para ver que as nuvens nem mais se assustavam com sua presença e com aqueles pares de asas brancas encorpadas em seu corpo, todavia, entendeu que cada uma levava consigo uma mistura de fé, esperança, ilusão, desilusão, mágoa, ansiedade e, sobretudo, medo.

No seu vou imaginário Torquato sentiu que era difícil entender o que se passava nas mentes silenciosas de políticos corruptos e corruptores que perderam o prestígio e estão à beira da derrota. Será apenas medo de encará-la novamente ou de não poder revelar e não mais ser atendido nos acordos ou propinas palacianas? Tudo deve estar “grampeado” pela Polícia Federal e deve continuar... À noite após assistir noticiário televisivo, de ouvir falácias e mais falácias através de jornais e ler algumas más notícias para poder escrever este artigo foi tantas denúncias e controvérsias que eu não cheguei a nenhuma conclusão fática. Fiquei desnorteado, indignado igual ao Torquato e de imediato desliguei a TV. Passados alguns segundos me postei novamente diante do computador para descrever as cenas fragmentadas de reportagens sobre a ação da Polícia Federal denominada “operação Carne Fraca”, que se repetiram à exaustão, mostrando mais uma vez a PF prendendo gente graúda, que sem nenhum respeito ao povo brasileiro autorizavam mediante propina desembargos de produtos e a venda de carne estragada. 

“É comum usarmos a frase “a carne é fraca” para justificar nossas “quedas” sociais, justificativas ou se desculpar por um erro cometido. Mas no caso em tela não há desculpa, pois se trata de uma operação da Polícia Federal denominada de “carne fraca”, não aquela fraqueza acima mencionada, mas da fraqueza de caráter de alguns proprietários de frigoríficos de renome nacional ao autorizar a venda de produtos estragados com a aplicação neles de alguns ingredientes para tapear a população brasileira, tudo isso com a “complacência” da fiscalização do Ministério da Agricultura. Usaram até atores globais para divulgar o produto, então faço três perguntas: Se uma pessoa não fuma, pode fazer propaganda de cigarro? Se uma pessoa que não bebe pode fazer propaganda de pinga ou cerveja. Se uma pessoa é vegetariana pode fazer propaganda de carne? Tudo propaganda enganosa e enganaram mesmo, vendendo produtos de má qualidade e esses atores hoje é que estão “pagando o pato”. Meu Deus! Pensei: Para onde está indo o nosso País? Abri a telinha do computador e mais indignado fiquei quando apareceu uma lista (fotos) de pessoas que receberam propinas e de políticos que usufruíram delas para se reelegerem. Não suportando tanta safadagem voltei para o meu recanto sonhador e escrevi nas paredes do mundo, com letras garrafais, os motivos da minha decepção e revolta em relação à política brasileira e à corrupção que se alastra por todos os cantos. O País está à beira do colapso total e o dinheiro continua saindo pelos ralos. Abri o jornal que estava sobre a escrivaninha e fiquei observando os semblantes de alguns políticos que se beneficiaram dessa carne que nada mais é que “carnificina”, uma rota homicídios em larga escala onde as vítimas são os próprios consumidores. Aqueles que foram listados pela Odebrecht, Operação Lava-Jato, também são responsáveis, pois as propinas recebidas por eles também deixaram o Brasil num caos, cujos valores salvariam muita gente que estão morrendo em filas de hospitais, dinheiro que daria para alimentar e construir moradias para muitas pessoas famintas e desabrigadas; dinheiro que não deixaria a educação como está, esfacelada; dinheiro que evitaria o fechamento de lojas e fábricas; dinheiro que evitaria o desemprego de mais de 12 milhões de pessoas.

Quando vi a fotos e nomes senti-me ainda mais constrangido e decepcionado quando numa delas visualizei a de uma pessoa que conhecia e que achava ser de boa índole. Se a carne é fraca, analisando o termo bíblico de forma inversa, devemos entender assim: Esses corruptos deviam fortalecer com o bem seus espíritos, imbuírem-se de caráter e reconhecerem que seus atos maléficos trazem riscos à saúde da população, não só do Brasil como em todo o mundo.

Torquato, um açougueiro, nascido no sertão, teve que usar as asas de sua imaginação como forma de entender o que passava com a humanidade, pois percorreu também a estrada da vida e durante o voo pode vislumbrar momentos de desespero em face dos desastres naturais provocados pelo próprio homem. Através dessa viajem imaginária, observou os erros e acertos em várias partes do mundo, mas, realmente, não chegou a nenhuma conclusão fática em relação à natureza do homem, todavia, imbuído do desiderato de bem informar aos seus clientes e de haver encontrado ao longo dessa “viajem” o respeito ao ser humano e visualizado alguns sonhos, preocupou-se é claro com a situação que ora passa o Brasil, pois tal assombro dificulta ao homem alcançar a sobreviver com dignidade, de almejar outros sonhos e objetivos antes de chegar à reta final mesmo se usar apenas as asas de sua imaginação.


O casulo e o amanhã.

domingo, 5 de março de 2017

Parece banal e nem é uma lenda o que vou dizer: sem o amanhã não haverá esperança e muito menos existiríamos. Se não existir o amanhã quedaríamos à beira da estrada da vida ou nos tornaríamos um desconhecido fóssil nas areias quentes do deserto. É importante saberem que o amanhã é que aquecerá o ontem, o hoje, e continuará aquecendo mostrando-nos como devemos fazer para sobreviver neste mundo, onde, comparativamente, continuaremos sendo apenas um grão de areia ou um casulo incrustado numa seca forquilha de árvore. Confesso que acho brega relacionar a palavra amanhã nos momentos de transformação com uma borboleta. Parece algo bobo e superficial. Mas ultimamente venho pensando sobre esse assunto. Não sei muito bem o motivo, mas venho. E o mais engraçado é que o que tem me chamado mais atenção nessa história toda de borboletas é algo, aparentemente, muito sem graça: o casulo. Todavia, é bom atentar que um dia nós também precisamos abandonar o casulo para alcançar com sobriedade o amanhãjamais devemos transformar o casulo numa prisão, pois acredito que no fundo todos querem voar e conhecer novos caminhos. E você? Suas asas um dia vão bater em busca de um novo amanhã?

A questão é a seguinte: Por que certos pássaros migram? Por que cardumes de baleias se emergem e imergem sobre as águas oceânicas? Por que as piracemas sobem cachoeiras procurando águas mansas e as nascentes do futuro? Aliás, algo que certamente quase ninguém consegue cogitar é a ideia de que existam peixes capazes de escalar paredões de rochas verticais sozinhos. Os animais, aves e insetos que vivem ao nosso redor nos dão lição de como se deve sobreviver. Os periquitos ou qualquer ave engaiolada, por exemplo, estão presas, mas continuam cantando de forma sublime como se nada tivesse acontecendo. Quando estou na fazenda noto que em todas as madrugadas eles cantam, e seja dormindo ou não, sinto-me como se estivesse num barco que segue sua rota à busca do inimaginável. Certo dia, visitei o Vale do Éden e lá, curioso que sou, observei alguns casulos e num deles, asas brotavam e uma borboleta saiu para sobrevoar aquele recanto aprazível ou, talvez, visitar outros ares, outros recantos, outros céus. Ao caminhar entre a densa mata às vezes tocava com as mãos aquelas formas vivas que se adormeciam nos galhos das árvores disfarçadas de vegetal. Imaginem o futuro daquelas células em formato de casulo. Imaginem-nas saindo, voando, pousando noutros arvoredos, flores e jardins. Mas tal imaginação não era privilégio só meu.

Na sacada do meu apartamento estão dependurados muitos vasos ornamentais, como: samambaia, trepadeiras, crisálidas, orquídeas, flores de maio e do deserto, onde fico pasmo a contemplar. Numa dessas raízes, um pequeno casulo, mas todas elas sabiam, mais que eu, a que momento ia se desabrochar e a que horas a mãe-borboleta e o beija-flor passariam por lá. A trepadeira que já esparramava seus braços sobre as tela de proteção avançava sobre os nós e nem contabilizei os centímetros de sua jornada, só sabia que fazia sombra na sacada, seguindo o fio de náilon do tempo, me ensinando a direção das coisas. O vento soprava pelas costas de suas pequenas folhas e elas balançavam verde sobre a tela como a uma caravela reinventando seu verdadeiro mar. Dizem “nas bocas pequenas” que foi um suicida que decretou a morte do amanhã, mas o idealista, ao contrário, é um viciado que toma o amanhã nas veias, aspira-o, e em círculos esfrega-o nos olhos para impregnar nas suas retinas outros amanhãs. No entanto, em relação ao ontem, ao hoje e ao amanhã, digo: a vida está difícil, dura, e se continuar assim, não são possíveis, pois esse País não tem mais jeito, muitos amaldiçoam Deus e o diabo, mas no dia seguinte, amarfanhados, caminham juntos à beira do lago, de um rio ou mar para saudar a aurora.

A natureza é sábia, basta olhar os lírios do campo: eles passam a vida tecendo e fiando o amanhã. E o jardineiro que parece um perverso podador no presente, rega, aduba, faz antecipar a floração da vida mesmo usando suas lâminas de dor. É sabido que indo a busca do amanhã as cobras perdem sua pele. Cães ladram pressentindo o perigo que os homens não percebem. Os lobos quando uivam para a lua estão à sua maneira saudando o cio das madrugadas. Entendo que não devia ter muros, telas, gradis, gaiolas, para encarar e prender as aves, borboletas e beija-flores do amanhã.

Hoje, mesmo me achando um grão de areia neste imenso universo eu saí em busca do amanhã, e como uma nave espacial passar por Marte e outros planetas, e se possível, pousar em Urano. Sai preocupado nessa viajem imaginária, pois numa Casa Legislativa, atabalhoada e corrupta, foi possível ver que os homens já estão legislando para desconstituir o amanhã. E se acabarem com ele outros seres menos ferozes de outras galáxias, mais humanas talvez nem nos receba. Voando no meu mundo imaginário lembrei-me de minha mãe artesã que tecia e destecia seu amor nos fios da madrugada esperando meu pai chegar e abrir a porteira. Era assim que meu pai lavrador - o mais otimista dos homens – roçava os matos para plantio usando uma enxada afiada que gemia nos terrenos férteis e inférteis. Hoje eles se encontram em outra dimensão, mas antes renasceram das próprias cinzas transfigurando suas ações em amor. O que fazem os amantes que ficam nos bares da vida e praias banhadas pelos mares revoltos? O que fazem os amantes debaixo das árvores de noturnas ruas e nos leitos secretos de motéis? Será que estão cumprindo o ritual de crença no amanhã? Não sei. Só sei que o ano mais uma vez terminou, só que agora passou a ser contado depois de findo carnaval. Vem à quarta-feira de cinzas e com ela o jejum, então, resta-me comer e beber as horas que faltam para alcançar um novo dia ou quiçá, o tão sonhado amanhã. Ah, somos apenas um grão de areia ou um casulo diante deste imenso universo, todavia, mesmo pequeninos, jamais devemos destruir os objetos, as memórias que ficaram para reinaugurarem o ano que se inicia. Oh, amanhã! os que vão alcançá-lo e vivê-lo com intensidade, te saúdam!



 
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