Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

A hora e a vez de um escriba

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Há bastante tampo assisti a um filme brasileiro intitulado “A hora e a vez de Augusto Matraga” aí resolvi intitular esta crônica com um nome parecido, só que o personagem sou eu, este humilde escriba. Do meu pequeno escritório, no 13.º andar, pode-se ver o pôr do sol e o nascer da lua mesmo com as persianas semi-serradas. Na parede, à esquerda, diplomas de várias entidades culturais e Academias de Letras se destacam e eles são um incentivo para que eu possa continuar escrevendo. Nesta manhã de tempo nublado, sem esboçar qualquer reação, fui à sacada, debrucei sobre ela livrei-me dos pensamentos ineptos e a uso como um mirante para visualizar as ruas, prédios e o longínquo horizonte. Encho os olhos de paisagens e na retina, impregno os meus sonhos.

Do alto, vejo um cachorrinho preso a uma fina corda que, inocentemente, deposita os seus restos de lixo na calçada e uma senhora, que deve ser “mãezinha” dele, nem liga, pois a calçada não é a dela e nem mora perto. Eu tive que rir, ri muito daquela situação vexatória e do rosto ruborizado da mulher quando o danado do cãozinho defecou bem mole sobre a calçada. Como ela iria colocar no saquinho de plástico? Senti-me culpado, pois devia ter entrelaçado os dedos para prender o cocô no orifício do bichinho. Ao ver aquela cena meus pensamentos que estavam reclusos foram e voltaram na velocidade da luz trazendo o meu tempo de criancice. No que tange a aquele cachorrinho é claro que veio à minha mente cenas do passado: cachorros fazendo suas necessidades, e a gente, inocentemente, sem maldade, entrelaçavam os dedos indicadores e num repente, os excrementos do animal não fluíam mais, ficavam como que congelados entre o orifício e o espaço. Quanto à lembrança que tive de certo cachorrinho, infelizmente, não tive tempo de entrelaçar os dedos. Sorte dele, mas não da dona. Mas naquele tempo situação como esta aconteceu com uma senhora educada, de fino trato, que apenas ficou observando sorrateiramente o meu ato e nem se importou quando descruzei os dedos e juntos escutamos o gemido do canino e sair do orifício um excremento e “plaft”: o sólido foi atraído pela gravidade e se espatifou no chão.

Do alto, o sol veraneado de uma manhã desta segunda-feira me animava a tirar os óculos de grau para captar de modo natural, sem anteparos, o mundo que me rodeava. Esparsas nuvens se misturavam com raios de sol e um bando de pássaros brincavam de esconde-esconde entre as árvores em voos rasantes. Retornei ao meu recanto e para não esquentar a “moringa”, fui até a uma pia e joguei um pouco de água no meu couro cabeludo, depois liguei o ventilador, respirei fundo e disse: Ainda bem que não estava na calçada e não pisei em nenhum excremento de animal. No meu ambiente cercado por uma estante cheia de livros é que componho as minhas escrituras, converso com as pessoas amigas através da internet e escrevo minhas malfadadas crônicas. Sentado diante do computador massageando o teclado até formar um emaranhado de letras, às vezes recolho de meu pensamento que está bem distante algumas frases há tempo impregnadas em meu subconsciente, que me embaralham, mas teimoso, escrevo.

O espaço que me reserva o jornal Diário da Manhã é pequeno, mas à vezes, até abuso, como já fiz em outros textos. Então, o jeito é parar de escrever porque não gosto muito de lamúrias e nem vivo ancorado no passado, assim como, não me apoquento e nem me deixo ancorar nos fundos rochosos ou arenosos de minha massa cefálica, caso algum artigo ou crônicas minhas não sejam publicados. Amo escrever e às vezes pergunto a mim mesmo: Onde estão os amigos confrades, acadêmicos que quase não se comunicam entre si? Eu estou aqui dialogando com o mundo, um simples escriba ou aprendiz de poeta, nascido no interior de Goiás e crescido na periferia da Capital, que andou de pés descalços, camisa surrada, calças curtas, mas, hoje, dotado de uma curiosidade enorme, cheio de esperança e que continuo buscando sonhos ilimitados. Posso dizer que me tornei um homem moderno, ajustado, tolerante, sem preconceitos, todavia, diante da parafernália eletrônica, seja em tempo frio ou quente, este acadêmico ou confrade que ora escreve é, como dizem os argutos: sumidouro de memórias, ah, isso realmente sou... Então, caros amigos e amigas agora é hora e a vez deste escriba, cuidem-se!



Cárceres da insegurança no Reino da Podridão.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Presos andavam de um lado para outro num diminuto espaço, O meu olhar atento de missionário e pensamentos se misturavam naquele espaço sinistro que mal dava para escutar as conversas daqueles que escondiam o rosto com o capuz negro do silêncio. Num canto da cela, ao lado do gradil, um jovem franzino, com a fisionomia sofrida, rosto carcomido pelo tempo, manuseava silenciosamente a Bíblia e de vez em quando, olhava para o gradil quadriculado da janela por onde passava a luminosidade solar. Outros presos, amontoados dentro daquela cela fétida ficavam observando o silêncio compenetrado daquele jovem, sem verem sair dele nenhuma entonação de voz ou movimento labial para entenderem o que lia. Permaneciam mudos, mas, de certa forma, pareciam interessados em conhecer o conteúdo daquele livro sagrado. Todo o dia o jovem aquietava-se, manuseava aquelas páginas que lhe trazia conforto e percebia que aquele livro estava alcançando o coração de outros detentos. De repente, ouviram barulhos ensurdecedores e os presos de outra facção que ficava na ala ao lado estavam furando um buraco na parede de tijolos para invadir a ala onde ficava o jovem leitor,

Aquela invasão intencional e criminosa fez-me lembrar que a prisão é tão antiga como a memória do homem e continua sendo o principal remédio que a justiça tem para combater todos os males, males que poderiam ser amenizados com um simples remédio: a introdução da evangelização no meio prisional. Tempo idos, os remédios (prisões) eram mais fortes e em sua bula predominava a pena de morte que era descrita das mais variadas formas, fato que se podem constatar quando desobedeciam ao Código Hamurábi, Deuteronômio, Lei de Manu, das XII Tábuas e Alcorão. Na verdade, naquele tempo desconhecia-se a pena privativa de liberdade e o habeas corpus. As masmorras serviam para abrigarem presos provisoriamente, os quais, muitas vezes, eram esquecidos pelos seus algozes.

Naqueles tempos prendiam-se homens pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço usando correntes e tantas outras formas maldosas conforme a classificação do crime cometido ou seu ato perante aquela sociedade. Passado todo esse tempo, vemos que hoje o número de presos cresceu tanto que a sociedade não encontra alternativa se não em fechá-los detrás de prédios mal construídos, muros altíssimos, celas abarrotadas e com uma pequena escolta de agentes prisionais quase desarmados e despreparados para uma rebelião de grande porte. As celas, superlotadas de gente perversa e irrecuperável, eram pequenos quadriculados e uma janela com gradil onde eles amarram suas vestes e lençóis para mostrar a insegurança, o desconforto e a revolta, sempre aguardando um desfecho final: morte entre os presos, pois a lei da física é muito clara: “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.”.

O interessante é que ao ver os lençóis e vestimentas penduradas nos gradis não enxerguei nenhuma peça que pertenciam aos criminosos de “colarinho branco”; nenhuma peça daqueles que praticavam e praticam o peculato de toda a espécie; que praticam a corrupção ativa e passiva, o desvio de verbas públicas ou a incorreta aplicação de recursos, fraudes em concorrências, as prevaricações; os desmandos administrativos, as nomeações ilegais, a concussão, o cerceamento à liberdade, os homicídios, estupro e corrupção de menores e tantas outras mazelas. Na realidade, a maior parte destes crimes não vem à tona e os que surgem são abafados pelos próprios mecanismos estatais ou por influência política, os quais ainda riem de nós, os bobos da corte e daqueles que fazem parte do Reino da Podridão.  Destarte, o banditismo manipulando armas de grosso calibre, metralhadoras, granadas explode caixas eletrônicos e muitas vezes eles matam pessoas somente para ouvir o gemido do seu desafeto; saem às ruas e deixa a população em polvorosa, intimidada e ela se tranca dentro de sua própria casa, não podendo sequer sair às ruas, enquanto a polícia persegue pessoas incautas que são jogadas nas prisões ao lado dos piores marginais. Tudo o que se vê é fruto de uma política criminal errada, injusta, implantada através de uma legislação esdrúxula, irresponsável e que precisa ser modificada urgentemente pelo Congresso Nacional. Mas como acreditar no Congresso Nacional se a maioria deles responde processo perante a justiça por crimes de corrupção ativa, passiva? E quanto ao Executivo rodeado de corruptos? Quando o Presidente nomeia um Ministro, o seu nome só é aprovado se ele for corrupto. Precisa ler na mesma cartilha. Não queria aqui citar nomes, todavia a última nomeação foi vergonhosa, então recordemos um caso recente, a Deputada Cristiane Brasil, filha do Presidente do PTB, Roberto Jéferson, nomeada para Ministra do Trabalho, tinha um processo trabalhista transitado em julgado no Tribunal Superior do Trabalho. Dizem que dinheiro que ela usou para pagar as parcelas de uma dívida trabalhista que tem com um ex-motorista, o dinheiro tem saído da conta bancária de uma funcionária lotada em seu gabinete na Câmara. Pode isso senhores membros do Judiciário, principalmente do STF? Por outro lado, o ministro mau caráter Carlos Marun da Secretaria de Governo Temer disse que o Planalto não vai recuar da nomeação da deputada por causa da condenação dela em uma ação trabalhista. Esqueceu o Ministro Marun que ela está indiciada também pelo Ministério Público Federal por corrupção numa delação premiada. Pegou boa grana da Odebrecht. Pois bem, além dela, são tantos outros políticos que nem dá para contabilizar, todavia, a imprensa escrita e televisiva, de forma cansativa, comenta diariamente e tenta alertar o povo brasileiro e o eleitor, sobre essas escabrosas corrupções e vexatórias nomeações. Acorde eleitor, você é o único capaz de mudar tudo isso! Eu continuo indignado e sozinho não posso fazer nada, pois sou apenas uma pequena célula para combater esse mal que domina o Reino da Podridão.

O juízo jurídico colocado em prática pelo legislador funciona como um juízo de valor, não se limita a comprovar a existência das causas, mas, valora-as, para fins de repressão, o que pode ocorrer, em muitos casos, em vez de extinguir ou reduzir o crime, venha estimular ou eliminar um e criar outro. Daí urge, para amenizar um pouco esta situação, além da instituição de uma cartilha ética para os congressistas e seus apaziguados lerem diuturnamente, também a prática da religiosidade entre os presos, um trabalho prisional intramuros, com incentivo especial à formação de mão de obra especializada, cursos profissionalizantes, em parcerias com escolas técnicas públicas e privadas e ainda, a construção de grandes presídios, mais humanizados, com o objetivo de desafogar a lotação excedente, cujo ambiente atual deteriora mais ainda a mente humana. Fazendo isso, acredito que trará mais socialização aos presos e segurança aos cárceres.  




Vamos continuar "catando gravetos" em 2018?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Quando adolescente, com os pés descalços, saia tatuando as ruas poeirentas de Goiânia, rindo de tudo que via pela frente, como se eu fosse um menino feliz, ou outro qualquer. Não sei por que, mas o carinho do vento que cortava as ruas amenizava o meu coração de menino e me deixava besta! Um ser vivente, livre como a um pássaro e eu me sentia voando em busca do imaginário e de sonhos, talvez impossíveis. Certo dia, cansado de catar gravetos para abastecer o fogão a lenha, de jogar bolinhas de gude, de jogar fincas e bolas feitas de meia que recheava de palhas de arroz e de empinar pipas em dias sem vento, fui a um parque de diversão e mordi uma maçã do amor, e aí, lambi os beiços e o seu sabor chegou ao coração. Achei que estava doente. Tão desacostumado com a alegria que chorei de felicidade. Lágrimas doces. Não é coisa de poeta, eram doces mesmo! Naquele dia até meu travesseiro chorou e molhou o lençol branco onde fiz questão de derramar junto com ele as minhas lágrimas e suores. Hoje, não lembro mais do rosto daquela menina, mas sei que tinha um rosto angelical, uma boca perfeita demais e tinha os dentes branquinhos como algodão.

Quando no preâmbulo falei que catava gravetos, eram gravetos mesmo! Hoje aquela ação pode ter um alcance maior, mais abrangente. E é possível isso. Sendo letrado, religioso ou não passamos a conhecer melhor alguns significados, principalmente, daquelas onde pessoas se esforçam para, pelo menos, achar uma brecha no endurecido coração para ficar a face a face com Deus. Existem pessoas que lutam e intercedem e que juntam lenha para que o fogo continue ardendo sobre o altar do Senhor. Ah! Como Deus anda procurando por esses “catadores de gravetos!” Certo dia, li um texto bíblico, o de Ezequiel (Ez 22.30), que procurava fazer entender esse significado: “Busquei dentre eles um homem que esteja na brecha perante mim por esta terra, para que eu não destruísse; mas a ninguém achei” Veja então que neste texto Deus procurou um só homem e não achou, e nós estamos vivendo estes mesmos dias de Ezequiel onde políticos fazem o que querem e a maioria dos administradores públicos é corrupta e a justiça confusa; a igreja tão sonhada por Jesus está dividida e muitos dos dirigentes falam mentiras e palavras que agradam ou interessam somente o ego das pessoas sob os seus comandos.

Mas, hoje, 02 de janeiro, véspera de Santos Reis, eu quero falar dos servos de Deus, homens e mulheres, pessoas diferentes que agem na dificuldade, que lutam e são verdadeiros “catadores de gravetos” se é que você me entende. Mas quais são as características, o que podemos entender da palavra “catadores de gravetos?”

Deus muitas vezes permite vir tempestades para que conheçamos quem ELE é realmente. Será que vivemos hoje numa “tempestade” de pensamentos e porque estamos aqui na Terra? E qual o propósito de tudo isso?  Você entende o mistério dessa palavra? Quando as “tempestades” se avolumam sobre a pessoa humana e nós esquivamos delas e até de uma pessoa que consideramos estranha sem lhe prestar ajuda. Não está dando abrigo na grande “arca” de Deus e nesse instante pergunto: Onde estão aqueles que têm capacidade para sair à busca dos servos “catadores de gravetos”. E quando a tempestade passar, os descrentes vão e voltam sem agradecer a Deus; porém os crentes voam e voltam, trazendo à luz o habitat daqueles que estão precisando de nossa ajuda. Voltam para agradecer como a um testemunho vivo como fez aquela folha de oliveira que foi arrancada, mas sobreviveu a muitas tempestades.

E o pior, ou quero dizer, melhor, quando vemos a fonte secar, Deus ainda diz “levanta-te e vai”, e compadecido da situação encontra alguém como você, “catando os mesmos gravetos” para agasalhar com seu calor os mais carentes. E aí não haverá “tempestades”, não haverá escassez de alimentos, amor e fraternidade, porque os dois, com o mesmo desiderato, estão catando gravetos para acender no altar do Senhor Jesus. ELE, o onipotente, os conhece, sabe de suas lutas pela sobrevivência. E quantos procuram “catadores de gravetos” para ouvir uma palavra de ânimo e de esperança? Quantos estão priorizando Deus na tua vida? São Paulo Apóstolo foi catar gravetos, pois ele queria esquentar aqueles que estavam frios, (Atos 28.3) “E havendo Paulo ajuntado uma quantidade deles e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão”. Mas escute toda arma preparada contra ti não prosperará, o mesmo fogo que você alimenta com a tua lenha, vai consumir as víboras que se levantarem na tua vida. Deus sustenta de pé os “catadores de gravetos!” ”Muitas “pessoas” estão esperando ver você cair, mas acreditem Deus os irá surpreender, muitos vão mudar de opinião ao teu respeito, porque eles são sustentados pelo Senhor. Hoje, espiritualmente falando, passei a entender o porquê da alegria quando catava gravetos para acender o fogão a lenha de minha querida e saudosa mãe. Então, passei entender o valor de meu ato e o de cada graveto que catava. Com o passar dos anos, observei que a ação que eu praticava em prol de uma pessoa carente me transformava numa pessoa melhor, feliz, e tudo era aquecido pelas mãos de Deus através de uma fogueira alimentada por “pequenos gravetos” que não eram aqueles que eu catava quando adolescente. Deus procura pessoas simples da sociedade para se tornarem “catadores de gravetos”, abrindo-lhes as portas do céu, fazendo romper o Seu silêncio,





Reflexão para 2018

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O ano novo se aproxima. É hora de revermos nossas falhas, os caminhos tortuosos que trilhamos, e até aquela palavra mal empregada que pode ter ferido uma pessoa amiga, estragando um relacionamento que já duravam anos. Então, em 2.018, não nos preocupemos renovar o guarda-roupas ou comprar um veículo novo, mas sim, em renovar o nosso espírito e ampliar a nossa fé em Cristo; darmos uma faxina em nossas vidas, revermos tudo que aconteceu de ruim e anotarmos na agenda de nossa existência, as palavras amor, paz, fraternidade, solidariedade e justiça para que tudo possa acontecer ser diferente. 

É comum fazermos uma lista de tudo que planejamos para alcançar no ano vindouro, no entanto, é salutar que não deixemos de sonhar com coisas possíveis e até impossíveis, coisas que às vezes, não realizamos durante no ano que se finda. Finda-se o ano velho e logo começa o ano novo. Vem o mês de janeiro, depois fevereiro… e todos os feriados são catalogados no calendário, assim como, os compromissos de trabalho, a rotina dos dias que seguem sem que ninguém os possam impedir. E a lista do que planejamos e foi feita com tanto esmero que vai se amarelada no fundo da gaveta.

Será que se esqueceram da faxina? Quantas pessoas devem se esquecer daquilo que planejaram? Quantas vão tentar cumprir à risca aqueles sonhos guardados no fundo de uma gaveta? Quantas pessoas esperarão que venha mais um dezembro para repensar e refazer tudo de novo para o ano seguinte? Geralmente, todo final de ano, as pessoas costumam passar as promessas que não conseguiram cumprir para o ano seguinte, lamentando-se por não ter alcançado sua meta. Então, caro leitor, que tal fazermos diferente? Pelos menos obedecer a um pouco a orientação exposta nesta crônica. Neste ano, por exemplo, ao nos comunicarmos através de internet, sites e outros meios de comunicação aprenderam muitas coisas. Quantas mensagens bonitas, evangelizadoras, especialmente aquelas que nos fizeram chegar mais perto de Deus, como também os vídeos e outras postagens interessantes, que nos fizeram enxergar que a verdadeira paz não pode ser conquistada através da força ou arrogância. Mas, o ano de 2017 teve sua importância, pois deixará em nossa memória coisas altamente importante como a prisão de importantes políticos corruptos, a morte do grande conciliador e de ruim, a natureza em fúria por falta de preservação, pancadarias nos estádios, explosões em caixas eletrônicos, criminalidade aos montes, mortes em acidentes por uso de bebidas alcoólicas e drogas...

Durante muitos anos venho escrevendo artigos e crônicas com o objetivo de levar mensagens de otimismo, perseverança e fé. Coisas simples que bastam apenas uma atitude. Atitude que não devemos deixar para amanhã, e nesse caso, o amanhã não se fez hoje. Eu ainda não aprendi tocar instrumentos musicais, nem nadar, mas, felizmente, através da escrita, posso usar as asas de minha imaginação e aí, viajo para onde quero, vou até o infinito, mesmo sabendo não ter fim.  E no mundo da imaginação, nado, mergulho e chego às profundezas, dedilho instrumentos que sempre sonhei tocar, canto nos palcos da vida e sonho... Perdoem-me se avancei demais em algumas frases ou palavras, talvez, elas podem parecer sem nexo, mas, para este texto não, pois as usei para torná-lo mais leve e interessante.

É possível que nestes últimos anos tenham aprendido com as pessoas mais velhas que se houver prazer em viver, que se não fizerem bem, que se fizerem o bem e não olharem a quem, então, vale à pena ter vivido. Pensando bem, esta é a mais pura verdade. Temos que tentar acompanhar a velocidade do vento, pois o tempo escorre pelos campos, cidades, ruas a avenidas passam tão rápido que ninguém consegue detê-lo. Ele nos ensina que devemos aproveitar o hoje e que ele deve ser mesmo o melhor de todos os dias, totalmente pleno, intenso. Porque do amanhã pouco ou nada sabemos. Só Deus sabe! Podemos até programar este dia, mas, talvez, seja mais um compromisso que jamais poderemos cumprir.


Será que existe um vazio dentro de nós?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Certo dia eu perguntei a mim mesmo: Quem sou eu? Pensei um pouco e respondi: Acho que sou aqueles rastros que deixei sobre a areia esbranquiçada da praia que se perderam ou foi apagada pelas ondas, ou talvez, aquela concha oca abandonada em formato de caramujo, cujo bico estava cheio de terra molhada, mas que se estivesse limpo, talvez me levasse ao vazio do nada. Mas onde estavam meus rastros, pedaços de uma minha vida, e que, por onde caminhava, sem vê-los, mesmo assim, me lembrava com saudade de cada passo. As ondas que molhavam meus pés recuavam, mas deixavam sobre eles alguns sonhos que jamais se acabaram, Sabia que a cada passo ficava um vazio imenso, uma vontade férrea de parar e desistir de tudo, mas o oceano insistia em me enviar um conjunto de emoções negativas que talvez atuasse sobre mim e eu não sabia. Acho que todos possuem um vazio dentro de si mesmo, um período difícil em suas vidas, onde as horas se tornam minutos e os segundos sequer movem. Daí a gente não consegue progredir, vem à falta de vontade e motivação. A vida carece de sentido, vem uma sensação de desamparo e até falta de fé, de não acreditar na existência de Deus. Chegamo-nos a fechar a porta para tudo e para todos, como se nada importasse ou tivesse valor algum.

Questiono-me novamente: Porque será que muitas coisas em que acredito chegam ao fim? Será que não acredito na felicidade eterna, em um novo sonho que possa surgir? Talvez cheguem de mansinho e sem pedir, vão abrindo os cadeados de meu coração. Mas ele está trancado e ao abri-lo, vem-me um enorme medo, medo do novo, medo da alma estar doente, medo de um sonho de não conseguir realizar sonho algum. Medo que me faz mexer com as emoções adormecidas, esquecidas, perdidas, mas possíveis de me trazê-las volta, de viver com intensidade e recomeçar tudo de novo. Este recomeçar nada mais é que dar uma nova chance a mim mesmo, renovar-me e por fim acreditar num mundo melhor. É nesta hora onde tudo ressurge é que devemos procurar entender que podemos avaliar melhor sobre a nossa vida, procurar entender como devemos transformar pequenos instantes em grandes momentos, eliminar tudo que atrapalha o desenvolvimento do corpo e do espírito, dando lugar somente ao que nos engrandece como seres humano e filhos de Deus. Hoje não sinto vazio dentro de mim e meus sonhos não estão nas nuvens e nem me preocupei porque estou no lugar certo construindo meu alicerce para ultrapassar as nuvens e me agasalhar no céu.

É certo que sentimos um vazio. Não aquele vazio sem coração, mas um vazio de alguém que se sente solitário sem saber por quê. Olhamos ao nosso redor e não conseguimos ver ninguém, apenas um espaço vazio. Reclamamos demais da vida, uma vida que Deus nos concedeu. Andamos ao lado de pessoas, onde não sentimos mais aquela liberdade de falar o que pensamos. Passamos a ter medo delas. Andamos em um mundo onde só nos existimos, só nós podemos nos sentir bem. Às vezes vem à vontade de querer ter coragem de contar tudo que nós pensamos e o livre-arbítrio para dizer o que pensamos, e o que nos decidimos. Difícil esta querência, pois estamos presos por dois cadeados, bem trancados.

Até ontem era apenas eu, e o meu pequeno escritório. Onde nele nem mais segurança tem, entram, bisbilhotam minha estante, fecham a porta na hora que quiserem, tirando-me a concentração, como se quisessem saber o que estou pensando ou mandassem em mim. Mas hoje, comecei a crer em algo, em alguém que eu tenho a plena certeza que não vai me decepcionar. Que vai estar comigo, que sabe amar, que sabe perdoar. Que tem fé, Que está comigo para o der e vier; que me entende e estende sua mão a todo o momento. Eu falo de Deus, pois Ele é o meu melhor amigo e seu também e que a tudo vê e jamais nos deixa na mão. Quando começo a sentir um vazio dentro de mim, talvez por faltar algo grandioso que eu sequer sei o que é então sinto que é preciso deter esse meu vicio de querer coisas que também não sei o que é. Essa é essa minha eterna busca por coisas imaginárias, surreais.

Sinto que é preciso mudar, crescer, amadurecer, mas nunca deixar ser criança. Tem certos momentos que nem eu me entendo, não sei o que quero ou que preciso. Parece que me encontro perdido sem ter a mínima ideia pra onde ir. A única coisa que eu sei é que não posso ficar parado. Sinto que preciso ser ágil e correr atrás dos sonhos talvez achasse perdidos. Preciso imediatamente de vida, tenho sede de vida, tenho fome de aventura, tenho desejo de ir, mas quando retornar, voltar de novo, renovado, até onde as minhas pernas ou veículos possam me levar. Sei que é preciso dessa mistura: que eu chore mais, que eu sorria mais, que eu sinta mais a vida, que deixe o estresse e venha entender melhor o que é a vida, o que se passa dentro de mim e de cada pessoa com quem convivo. Necessito entender certas coisas, entender mesmo, mas em seguida, esquecer tudo. Preciso de sei lá o que, mas preciso, todavia não sei o que é. Preciso viver além do que imagino e ir viver o surreal para além de mais além, onde eu jamais imaginei que iria. Quero viver cada aventura que o mundo possa me proporcionar, quero viver para ver o que o universo inteiro tem. Quero viver tudo em uma só vida, mas é claro, se Deus assim o permitir.

Não sei se é preciso para conviver com esse vazio, mas às vezes é necessário que algo morra dentro de mim para voltar a viver, talvez retornando por outra porta sem cadeados ou trancas, na esperança de encontrar alguém que me reconheça. Abrir a porta, parar e olhar se existe um vazio do outro lado para poder mostrar quem não é ou quem sou. Quanto a mim só sei que retornei ao meu mundo que pensava não existir, pois vi que ele tinha um significado. Não morri, mas tenho certeza que o meu vazio está escrito na lápide de um campo santo qualquer. Acho que nasci de novo e do lado de cá fico esperando que alguém me chame com calma, pois não sei se vou passar pela porta devagar ou rápido demais.





Joaquim Cordão, o caubói de Morrais City

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Morrinhos é uma bela cidade, mas bem que poderia ter sido chamada de Cidade dos Pomares, tanto era a sua riqueza no plantio e cultivo de árvores frutíferas. As lendas que ouvia, casos, causos e percalços da vida, uma delas vou contar nesta crônica. Então, com o pensamento alhures sento em minha poltrona giratória, desligo o celular, olho o monitor, dou uma pequena pausa e fico aguardando os flashes que guardei na região recôndita do meu cérebro e que há muito tempo não o exercito para essa finalidade, ainda mais pra falar de um caubói regional, excelente boiadeiro, domador de cavalos, bravo, destemido, temido, assim como, dos meus ídolos, ou personificação deles quando os via nas telas de cinema. À minha frente o computador. Ligo-o. Penso. Forço a memória e os flashes em preto e branco vão surgindo na velocidade da luz trazendo recordações de tempos idos.

Lembro-me bem de um caubói regional, lá pelos anos 60, de nome Joaquim Cordão, que sempre trajava uma calça de algodão, camisa xadrez, cinto grosso, de couro, chapéu Panamá preto, botas, esporas e não se amedrontava quando tinha que enfrentar adversidades que a vida lhe impunha e até de domar alguns cavalos de raça. Ele possuía uma exímia pontaria e isso por si só, já trazia certo respeito por onde passava. O seu jeitão de ser e o modo como fazia para transformar a sua própria vida numa grande aventura virou lenda. Talvez seja em razão disso que lá pelas bandas do Rio São Domingos dos Olhos D’água ele tenha sido apelidado pelos moradores de “cowboy de Morrais City”, uma brincadeira dos moradores mais afoitos e quiçá, por ter ele nascido em Morrinhos. Á época, todos o achavam igualzinho aos caubóis, principalmente aqueles que nos encantavam nas telas de cinema e que hoje não se vê mais, pois as cenas de hoje mostram o homem passando ano todo andando quilômetros e mais quilômetros por estradas afora, algumas solitárias, dirigindo uma caminhonete, um carro de passeio ou caminhão de carga correndo atrás de reconhecimento, seja sobre o pó, asfalto ou nas chuvas das arenas. Hoje vemos Cowboys e cowgirls apenas nos rodeios e festas de pecuária, eles, jogando charme às moças, elas, aos azes dos rodeios, um estilo de vida totalmente diferenciada dos caubóis antigos que causavam frisson quando apareciam nas telas de cinema.

Desde a adolescência Joaquim se achava um caubói, talvez influenciado por aqueles grandes ídolos e personagens, tais como, John Wayne, Terence Will, Kirk Douglas, Steve MacQueen, Burt Lancaster, Paul Newman, Gary Cooper, James Stewart, Clint Eastwood, John Ford, Lee Van Cleef, Billy the Kid, Kid Colt, Zorro e até por Gordon Scott (Tarzan), O sonho não era só dele, era meu também e todos os adolescentes tinham os seus ídolos. De alguma forma aqueles ídolos nos fortaleciam, ajudavam a gente vencer na vida, bater recordes, superar desafios e viver momentos de glória. As rápidas explosões de ação de cada personagem, o perigo que ocorria durante suas aventuras, a extraordinária perícia no manuseio do revólver e a versatilidade do cavalo quarto de milha, faziam sucesso junto com o personagem, bastava um assovio e o animal se aproximava. Isso fascinava a platéia.

Hoje, a tendência é vermos uma geração de crianças e adolescentes viciando-se em vídeo game, tablete, celular e outras parafernálias eletrônicas, sem falar no uso de drogas, que os tiram do foco, de um futuro mais promissor e jamais seriam nossos cowboys do futuro. Ademais os filmes de terror, a guerra, a violência explícita, o terrorismo, não só alcançam pessoas de maior idade, como também menores que saem atirando em colegas de escolas; filhos assassinando pais e vice-versa, tudo isso gerado pela TV. É assustador! Maléfico! Estas cenas estão trazendo distúrbios mentais para muitas crianças e jovens, que dominados por algumas delas saem matando sem uma explicação plausível, sem pena ou dó daqueles que encontram pela frente. Ser cowboy não é isso, Nos tempos do faroeste, os caubóis e a gente galopava sem medo de ser feliz, contra o tempo e corríamos mais rápido que o vento. Era como desafiar a lei da gravidade no lombo de um animal feroz.

Joaquim era assim. Hoje com seus oitenta anos passa o tempo sentado numa cadeira de balanço observando calmamente alguns jovens correndo pela rua, descamisados e com a calça caindo sobre a bunda. Não tem o estilo de caubói como ele e tantos outros que cortavam o sertão afora, usando no coldre um revólver e ao lado uma algibeira. Estava ali, inerte, recordando dos bons tempos, e depois me olhou de soslaio, pedindo-me para escrever algo sobre os caubóis que encenavam nos filmes de faroeste americano, que parecia irreal, mas tudo aos olhos de quem assistia se transformava numa coisa espetacular, até real, e eu sabia como era e como devia falar sobre tais personagens. Não menti porque quando adolescente também fazia parte daquele mundo cinematográfico surreal. O problema não era saber ou esquecer-se de um ídolo ou personagem, mas de alguma palavra que pudesse não significar nada sobre a vida, o sentimento meu e o de Joaquim Cordão.

Descobri que a palavra inglesa cowboy, no Brasil foi aportuguesada (caubói e cobói). Portanto, se acham que mencionei errado ao titular esta crônica, não é verdade, e não houve propriamente um equivoco e sim uma derivação da palavra. Ao observar as diferentes culturas da História da humanidade, nenhuma ficou cristalizada, pelo contrário, houve trocas e variações que formaram novas culturas. No Brasil, diversas línguas como o português, o castelhano, o francês e o inglês entre outras se misturaram e formaram um jeito “abrasileirado” de falar. A palavra cowboy oriunda do faroeste americano, no Brasil aportuguesou-se como caubói. Todavia, deve-se entender que no âmbito da linguagem e da cultura, nada é cristalizado. Ela se transformou com o passar dos tempos menos o Joaquim, o caubói de Morrais City.




Aprendendo a decifrar a própria alma.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Pessoas que leram algumas crônicas e poesias minhas comentam que não é fácil entender até onde quero chegar, mesmo sendo elas escritas de forma simples, mas são mistérios captados pela minha mente, que na verdade, não se pode perceber ou decifrar. Será que minhas crônicas, poesias ou livros de romance são enigmas das quais posso estar exigindo muito do escasso tempo das pessoas que leem e tentam decifrar os meus escritos, ou me decifrar. Se chegarem a alguma conclusão fática ou não, posso afirmar que eu e minha forma de escrever podemos nos tornar um pesadelo em noites de lua cheia ou serem atacadas por sósias nas ruas desertas que estão à procura da decifração de nossas próprias almas. Não contradito muito, mas contradito o suficiente e chego ser a revolta que se esconde dentro de mim mesmo. Admito que já vivi o bastante, mas quero viver mais, talvez o suficiente para entender-me com tudo aquilo que cerca. Diante do meu pequeno mundo acho que tenho brilho e quero manter esse brilho, mas de que vale tudo isso se a gente desperdiça o nosso tempo com pessoas inúteis, fingidas, despreparadas? Se existe algum detalhe extra a meu respeito, eu não sei explicar e nem explicar a mim mesmo. Jamais me privo de desejos que possam me arrancar um sorriso porque eu me previno de decepções.


Quando estiver lendo analise bem o que escrevo e antes de julgar-me olhará no espelho da vida e verá o seu próprio reflexo e a quem cujo texto realmente está julgando. No entanto, eu e você caro leitor somos também como a um enigma, cada um com o seu segredo a decifrar; têm gente que se apega por quem os trata mal, por quem se briga, todavia, eu sou o contrário de tudo isso, pois me apego por quem me trata bem, e se grita ou me trata mal me afasto e ignoro, pois o tempo encarregará de desfazer qualquer mal feito. Quando alguém dá “patadas” eu me recuo, sabendo que a “patada” ou jeito torto de agredir pode ter sido impensada e desculpando-se, me ganha de novo, recupera a amizade. Gosto de pessoas assim verdadeiras, sem falsetes, pois é nesse sentido que deve haver os sentimentos que temos sem fingir situações.

É lendo, dialogando, olhando nos olhos que enxergamos ser possível aprender a ver e decifrar a própria alma, que não é somente ver; que não é simplesmente perceber com os olhos. Ver é perceber com a alma, com o espírito; é deixar-se envolver-se; é deixar-se cativar. Muitos são os que olham e nada vêem, pois não se emocionam da maneira que as imagens representam. Uma visão fria sem um ponto de equilíbrio final. Não sabem, talvez, que é possível mudar a maneira de enxergar o que o mundo nos proporciona. Ou se sabem não se interessam por isso; estão tão acostumados com a frieza de seu próprio olhar que finge não ver o que está à sua frente, por mais bela que a imagem for, talvez, até desconheça a forma de como ela se apresenta diante deles, negando-se a ver a beleza nela contida. 

Eu aprendi a decifrar olhares e através deles pude observar que havia janelas e através delas, chegar até a alma. Aprendi a interpretar semblantes, entender silêncios, compreender, perdoar erros, prevenir quedas; aprendi a levantar-me, erguer cabeça e erguida, sempre mantendo o pensamento positivo; aprendi localizar de onde vêm as “tempestades” de palavras que magoam e constrangem; aprendi a manter-me calmo quando humilhado; compreendi que, quando se escreve um livro de poesia, de romance, um artigo ou crônica, alguns leitores não gostam de ler e nem dá a mínima a certos textos; mas aprendi a não me apoquentar com nada, pois procuro manter sempre a cabeça erguida, mas fico curioso para entender os porquês. Escrevendo diariamente aprendi alcançar corações de pessoas que sofrem e apequenar suas dores e secar suas lágrimas; aprendi a conhecer e conviver com pessoas tal como elas são; aprendi a compreender onde elas tens estado e onde estão seus lucros e fracassos; aprendi a celebrar com elas mesmas, seja virtualmente ou não, as suas alegrias e compartilhar suas dores e jamais julgá-las, pois todos somos sujeitos a erros. Aprendi a sentir saudades iguaiszinhas a você que lê esta crônica agora.

É público e notório que o olhar tem que ser treinado, pois geralmente uma mesma imagem pode ou não representar a mesma sensação. Cada olhar é um fenômeno diferente do outro, mesmo que se olhe para o mesmo objeto no mesmo lugar, repetidamente. É como aquela pessoa que antes havia entrado no mar. Observou-se posteriormente que nem o mar era o mesmo de quando ela havia entrado nele. Ele se modifica com o tempo ou o tempo o modifica.

Urge então que a gente consiga decifrar a nossa própria alma; urge aprender a conhecer a nós mesmos, de onde vêm nossas raízes, e o nascedouro de nossos princípios. Hoje, de certa forma inquieto, achei por bem abrir as comportas do meu coração e as janelas de minha alma. Transformar a minha escrita, o meu olhar em algo substancial, nutritivo, pois eles que proverão minha alma de imagens a serem decodificadas.  Achei por bem também de transformar minha alma num núcleo formador de benevolência, para que possam me decifrar, e tudo que nela for incorporada por meio do olhar me deleite, me deixe embevecido, satisfeito. Assim me transformarei ainda mais numa pessoa melhor e poderei ajudar as pessoas com as quais convivo. Acredito que quanto mais pessoas estiverem pensando, enxergando e decifrando assim, melhor será a nossa sociedade.

Não sou bobo e nem meu ouvido é penico.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Faltam menos de doze meses para a eleição, e finalmente, vamos ter a oportunidade de dar um basta em tudo que vem acontecendo no Brasil. Hoje, dia 29 de novembro, depois de assistir tantas peraltices políticas e corrupção generalizada, você e eu, de certa forma, poderíamos estar desinteressados na eleição de outubro de 2018, agora, na verdade, sentimo-nos uma vontade férrea de votar porque o voto é única arma para que possamos mudar os destino do País e acabar com a roubalheira. Ainda é cedo para pensarmos em quem votar, todavia, temos ir bisbilhotando, analisando currículos para fazermos uma boa escolha senão tudo continuará do jeito que está. Temos que convencer os eleitores que continuam votando nesses crápulas a pensarem é melhor. Todos têm que votar usando a razão e não a emoção. É isso mesmo! O Brasil é grande demais e cheio de problemas para a gente entregá-lo nas mãos pessoas desonestas e inescrupulosas. Mas quando se fala em votar quão será difícil esquecer-se daqueles candidatos enganadores que passaram pelos programas televisivos quatro anos atrás – ou, melhor, nem queria pensar a respeito, mas sou obrigado pensar e escrever na esperança que alguns indecisos leiam. E logicamente para escrever esta porcaria de artigo tive que tirar um tempinho para rever um programa de um partido político no horário eleitoral gratuito. E que sofrimento! As mesmas baboseiras! Afinal a gente tem ou não a ver com isso, não é mesmo?... Não sou candidato e nem você, mas de certo modo fazemos o papel cabos eleitorais virtuais e temos opiniões diferentes, mas “aquilo” que a gente assiste deixa-nos estarrecidos. São tantos projetos absurdos, maltratam o português, fazem propostas mirabolantes sem nenhuma consistência. A mesma balela de sempre. Na minha modesta opinião os programas eleitorais não deviam ser gratuitos, porque se fossem pagos, ficaríamos livres de alguns candidatos, que além de não terem o mínimo preparo moral, são totalmente despreparados politicamente e alguns, por incrível que pareça, mal dão conta de ler o texto que passa no monitor controlado pelo cinegrafista.

Os partidos nem se dão ao respeito de pedir licença para entrar em nossos lares. Pensam que somos bobos e nosso ouvido é penico. Gente, quanta falta de criatividade! E a impostação de voz, ou de vozes dos representantes partidários? Cruz credo! Mais parecem piadas, que nem vale a pena ver ou ouvir de novo, e nem tem como, porque, felizmente, alguns só conseguem gravar poucas vezes. Ainda bem. Diante da tantas pessoas que se dizem candidatos, fica mesmo difícil escolher o pior. Se fizermos anotações das esdrúxulas frases e separar as vozes “taquaras rachadas” que aparecem, a maioria está eliminada. Por curiosidade procuro observar se o candidato inova. E vejo que não inova nada! São os mesmo chavões e depois vem e diz na maior “cara de pau” que vai trabalhar em prol da saúde, educação, segurança, transporte, habitação e combater a corrupção (claro que nem sempre nesta mesma ordem). Tem candidato que fala que vai trabalhar pela saúde e na sua boca falta dentes e tem pessoas de sua família na fila do SUS; tem candidato que fala sobre educação e sequer tem o primário; tem candidato que fala sobre habitação, mas vivem de aluguel, outros, nem moradia tem; tem candidato que diz: se eleito vou melhorar minha vida, de minha família e de meus amigos; tem candidato que está há mais de oito no poder e diz que vai fazer isso ou aquilo e até salvar o Brasil da crise. Crise que conviveu e convive como candidato reeleito por várias vezes. Uai! Porque não fez durante o tempo em que está no poder; tem candidato do Partido dos Trabalhadores que se diz na telinha ser honesto, ético, incorruptível, mas esquece que foi pego com dinheiro na cueca, outro guardava 52milhões num apartamento, sem falar nos que foram denunciados por corrupção ativa e passiva em relação à Petrobrás e outros órgãos públicos, tudo gravado e documentado; tem candidato que diz na maior cara de pau que o seu governo combate duramente a corrupção, sendo que é o inverso de tudo isso; tem candidato que começa o seu texto assim: Eu como candidato... (?) Será que come tanto candidato assim? Por que não diz se eleito for...

Com relação ao programa eleitoral sou crítico mesmo! Abstenho-me de dizer nomes neste artigo porque não quero fazer propaganda gratuita. Aqueles que acompanham a política há bastante tempo sabem que tem candidato que, antes de o ser, já criticava duramente todo mundo, dizendo que a maioria dos políticos comprava votos, mas ele, no seu primeiro mandato foi beneficiado por aprovar projeto do governo desfavorável e em detrimento do povo. Prometeu custear tratamento de saúde de pessoas que têm o mesmo problema seu. No Programa seguinte, foi suspenso pela Justiça Eleitoral. Bem feito! Ele não tinha proposta e parece que se candidatou para se beneficiar de emendas e na calada da noite receber propinas por um miserável voto. O eleitor quer apenas ouvir é proposta e não agressões verbais entre partidos e candidatos, pois a maioria é da mesma laia. Durante horário eleitoral gratuito em que me propus assistir para escrever este artigo, sei que foi um castigo que impus aos meus olhos, ouvidos e minha sensibilidade, e com a caneta em punho, fui anotando e selecionado alguns “chavões” até chegar à escolha do “faz-me rir”. Então vai: Vocês se lembram dos candidatos que diziam assim: Eu sou aquele cantor que assovia e depois, assoviava mesmo! Os outros, um berranteiro e um cantor sertanejo que mais parecia o Sinhozinho Malta. Eram tantas jóias nos dedos, punho e pescoço que fiquei com inveja. E quantas promessas vazias foram feitas por todos eles.

Para não tomar o tempo do caro leitor, faço aqui em tópicos separados um resumo das palavras “sábias” desses candidatos, alguns sem a mínima estrutura para fazer quaisquer tipos de promessas: 1) Eu sou a cara do povo; 2) Vou lutar contra a fome, a pobreza, a burocracia e corrupção; 3) Vou lutar pela redução da maioridade penal; 4) Sou um político de “cara nova”: 5) Sou vendedor de picolé; sou aquele do lanche, sou o do sacolão, sou o da vassoura... E pasmem! Todos eram candidatos a Deputado Federal. Não tenho nada contra a profissão de cada um, porque eu mesmo já fui engraxate, vendedor de pirulitos, cobrador, etcétera e tal, mas o Congresso Nacional precisa de gente honesta, de ilibada conduta moral, ético, incorruptível, com capacidade mais intelectiva, que tenha certa noção de administração pública e não se envolva com falcatruas, não dancem em Plenário depois de uma votação comprada e nem façam peripécias políticas no Congresso Nacional. Tal situação acontece porque partidos pequenos, mas conhecidos como “partidos de aluguel” captam essas humildes pessoas para completar seus quadros de candidatos, e alguns sequer conseguem ter mais de um. Vi o sofrimento de uma jovem pedindo voto (texto lido) várias vezes e ao que parece, o seu partido só tinha ela.

Infelizmente temos alguns eleitores que se assemelham, à minha visão quando o uso óculos de grau, àqueles caras estressados que trabalham na bolsa de valores correndo de um lado para outro. Muitos deles estão trocando seus votos por uma cesta básica, por uma casa própria, por um vale alimentação. Isso é fato e pesa em favor dos investidores. Resultado disso: no dia da eleição, já não existe mais a lembrança do valor do “negócio”, mas o “santinho” do candidato que segue enroladinho entre os calos da mão do eleitor, objeto da maior confiança dos candidatos que investiram nele. Esse é o nosso Brasil!


Indignado igual a um pinto

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O presidente Michel Temer (PMDB) foi denunciado meses atrás, precisamente no dia 26 de junho, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime corrupção passiva. O peemedebista se tornava o primeiro presidente brasileiro no exercício do mandato a ser denunciado por um crime comum. Em um jornal, escrito em letras garrafais, li o seguinte texto: “Caso a denúncia seja autorizada pela Câmara dos Deputados, por 342 votos dos 513 parlamentares, e aceita pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Temer será afastado do mandato por até 180 dias. E se for condenado, pode ficar de 2 a 12 anos preso. Na denúncia, o procurador ainda pediu que o Presidente Michel Temer pague uma multa de 10 milhões de reais, com reparação de danos coletivos. Temer cometeu uma série de crimes e entre eles, o de comprar o silêncio do ex-deputado federal e aliado do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o de pagar propina a membros do Ministério Público, do Judiciário e o de tentar influenciar no Governo por meio de representantes da gestão federal. Mesmo diante de tantos relatos, Temer nada fez. Apenas o ouviu e concordou com a possibilidade de calar Cunha e Funaro. Em pronunciamentos públicos, o presidente relatou que só queria se “livrar” de Joesley, a quem chamou de um "conhecido falastrão".

Aquele dia foi um dia de luto, dia de reflexão e quiçá, de buscar motivos para este questionamento que faço: Até que ponto vale a pena ser honesto? Até que ponto vale à pena lutar, ser brasileiro, ter esperanças? Hoje, sei que a maioria dos brasileiros está frustrada e outra, em minoria, festejando. Será que é assim que funciona a democracia? Políticos após votação dançam dentro do plenário da Câmara, e festejam, mas festejam o que? A vitória de o Presidente Temer que distribuindo benesses aos seus apaziguados safou-se de perder o cargo, com a ajuda dos comparsas do Congresso Nacional, e a de ser julgado pelo STF? Esses políticos abusam da nossa inteligência, das pessoas de baixo poder aquisitivo, a maioria desempregadas e mesmo as beneficiadas por uma bolsa estão sem as mínimas condições de mudar de vida, ter um trabalho digno ou demarcar um norte para suas vidas, pois o governo não tem interesse por questões óbvias e essa ajuda quando oferecida exige que o beneficiado se torne num cabresto eleitoral deles. A Bolsa deveria ser emergencial, jamais permanente. Ela mata a fome e escraviza! O governo usa a ignorância do povo e o prende numa armadilha desonesta. Mas, enfim, chegadas às eleições, não vamos deixar que haja uma polarização e que ela se transforme numa compra de votos descabida; vamos ficar na esperança de que não haja continuidade das zombarias de ambos os lados e ou mesmo boicote eleitoral. Ao lado perdedor cabe continuar fiscalizando, cobrando o que mais de funesto vem ocorrendo no Brasil: a corrupção generalizada e perda de valores éticos, morais e religiosos, tão visíveis durante a campanha eleitorais passada, como ocorreu com a apresentação do projeto pelo deputado Jean Wyllys, apoiado pela Ex-Presidente Dilma com intuito de profissionalização da prostituição, da liberação das drogas, ideologia de gênero, cirurgia de mudança de sexo para pré-adolescentes pelo SUS e descriminalização do aborto. Ele, além desse absurdo, foi árduo defensor da distribuição do "Kit Gay" nas escolas. Esse indivíduo é o mesmo que disse: “A bíblia é uma piada, quem crê nela é uma palhaço, e as igrejas são uns circos. Pronto falei!” Pasmem! E é esse crápula que o Lula disse numa reunião ser líder da juventude brasileira.

Amigos leitores, o Brasil continuará seguindo seu rumo seja leste, oeste, sul ou norte, mas sempre em frente, nunca dividido como quer o Presidente Temer. O importante mesmo é que façamos a nossa parte e como disse uma amiga, trabalhadora incansável, de ilibada conduta moral e profissional: “Agora é continuar levantando cedo e ir para o trabalho no afã de ajudar a melhorar este País, acabar com os corruptos e corruptores, sabendo que a maioria dos brasileiros já faz isso, enquanto um Geddel Vieira Lima tinha 52milhões de reais escondidos num apartamento, e a outra parte, esperava a bolsa família... Mas é bom eles saberem que de outro lado, oitenta por cento (80%) dos brasileiros estarão à espreita contra os atos de improbidade do Presidente que já está na mira da justiça, isto tenho absoluta certeza. Ainda bem que, depois da escolha de Temer tudo ficou claro não? Vieram à tona os atos de corrupção praticados por ele que vinha ocorrendo há bastante tempo. Ele e seus apoiadores de plantão, cuja maioria está indiciada pelo MPF, não esperavam o ajuizamento de ação contra Temer, assim como, a reação do povo brasileiro. Vão ter que repensar tudo, e se não fizerem serão cobrados na próxima eleição, e se não reeleitos, cada eleitor vai cobrar da justiça a aplicação da Lei contra eles, corruptos e corruptores, em face da malversação do dinheiro público praticado. Veja o que está acontecendo Rio de Janeiro, tanto o executivo, legislativo e até Tribunal de Contas, todos em conluio envergonhando o povo carioca. É necessário que acabemos com famigerada imunidade parlamentar e foro privilegiado.

Não importa qual rumo ou lado estamos ou tomamos. O importante é seguir em frente e fazer a nossa parte, trabalhando com foco. Imbuídos de desiderato de bem servir a Pátria, sermos honestos, defender nossas famílias, amar a Deus e procurar extrair desta terra varonil a alegria de viver. Qualquer governo, por mais que votemos usando a razão, pode ajudar ou atrapalhar, todavia, é importante sabermos que quem constrói o nosso futuro somos nós mesmos. E, para finalizar, restou-me então lembrar-lhes de finais de novelas globais dizendo-lhes: Emoções mais fortes ainda estão por vir no capítulo seguinte e uma delas será quando o povo ordeiro, que é o personagem principal, descobrir que viveu e continua vivendo uma jornada trilhada por corruptos e corruptores, tendo apenas o voto como alternativa de mudança ou ir às ruas para protestar, mas infelizmente ainda existem aqueles que votam em troca de benesses e favores, não se importando se o seu candidato é corrupto ou não. Em razão famigerada imunidade parlamentar que livra corrupto da prisão, da falta de honestidade e compostura que vem do próprio Poder Executivo, do legislativo e até do judiciário, pergunto: como pacificar as favelas, como combater o crime organizado, como acabar com os corruptos, como exterminar os ratos que infestam o Congresso Nacional e as Assembléias Legislativas, principalmente a do Rio de Janeiro? É triste dizer isso e fico estupefato ao ver diariamente na TV tanta corrupção, mas é a realidade brasileira. O que se deve fazer? Cobrar mais respeito de todos eles? Acabar com a imunidade dos políticos para que eles possam responder pelos seus atos perante justiça? O eleitor deve ter consciência na hora de votar? E se nada disso der certo, o povo deve pedir intervenção das forças armadas? É duro dizer isso, mas estou indignado igual a um pinto, que ao nascer, se vê sozinho diante de raposas e ele nada pode fazer para sobreviver.




O garoto que não driblou a morte

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Diariamente vemos cenas chocantes na televisão. O apresentador, sem pedir licença, entre em nossos lares e vai mostrando cenas de criminalidade que infestam nossas cidades. Debaixo das marquises ou em bancos de praças pouco iluminadas, jovens esquálidos, maltrapilhos, sem rosto, deitam sobre as calçadas, parecendo espectros animalescos possuídos pelo demônio. São cenas horripilantes! Em becos, ou numa rua ou avenida, mais perecem protagonistas de filmes de ficção e nesse palco de horror, uns se arrastam ou cambaleiam pelas calçadas como se fossem répteis, e dominados pelo vício, não respeitam nada que vêem pela frente. Sob o uso da maconha destroem lares, famílias, roubam e até matam seus entes queridos para adquirir a maldita droga. Esses personagens que perambulam pelas calçadas, abandonados pelo setor público, e até pela própria família, não conseguem viver sem ela, perambulam pelas ruas sem rumo certo, como fossem esqueletos humanos, sujos, maltrapilhos e em seus rostos vemos movimentar apenas um infinito de esgares, como se a câmara do olhar estivesse fora de foco para mostrá-los nas tevês, como meros seres anônimos, mortos-vivos, pesos-mortos, e às vezes cobertos por míseros cobertores de lã, ficam encolhidos nos cimentos frios de uma calçada qualquer. As imagens focadas pela TV não mostram esses infelizes colocando um pedaço de pão ou um copo de leite na boca, mas, cachimbos infectos e até latinhas de refrigerantes que eles adaptam para “fumar” maconha. Essa maldita planta, que não cria, não dá, somente tira e mata!

Lembro-me de um garoto extremamente alegre, que mesmo nos campos de futebol de chão batido, fazia a bola rolar com maestria, cadenciava as jogadas para municiar os companheiros e possuía um chute desconcertante, certeiro. Era o artilheiro do time. Menino humilde e mesmo com os pés descalços, sonhava um dia calçar chuteiras coloridas e se tornar um Cristiano Ronaldo, um Lionel Messi, um Neymar... Empreitada difícil considerando esta comparação porque ele não teve berço e nem fora preparado pela sociedade como foram esses atletas e tantos outros; nunca lhe foi exigido assiduidade na escola ou mesmo recebido apoio da família e uma educação religiosa. Ninguém o acompanhava em suas perambulações pelos campinhos poeirentos que se espalhavam pelas periferias da cidade. Faltava-lha o amor, diálogo. Em muitas daquelas praças esportivas as drogas “rolavam” livres e nos becos e lotes baldios garotos e garotas se prostituíam e o pior, as drogas se espalhavam e junto com elas, as mais letais, mais baratas, piores que a naftalina das baratas cascudas, piores do que tomar água suja no leito das calçadas de via pública. Ela se multiplica e transformam esses incautos, não mais apenas pobres, mas todos somente em lixos urbanos, homens-descartáveis, não-recicláveis. Num País como o nosso, onde certas coisas parecem não ter qualquer importância: a dignidade é apenas uma delas. É um confronto difícil e violento sair todo dia às ruas, pior ainda quando se vive numa grande cidade, como a nossa, e pouco se pode fazer. Você dá de cara com crianças vivazes obrigadas a mendigar a pedido dos próprios pais alcoólatras ou viciados. Dá de cara com gente velha, com fome, doente, com feridas pelo corpo, alguns carregando faixas de publicidade no pescoço, outras mutiladas advindas de uma guerra quixotesca. Damos de cara com pais perversos, padrastos e madrastas, violentas e criminosas e quando não damos de frente com elas, a televisão mostra. Nas esquinas, nas pontes e postes, dentro de caixas, atrás de muros, junto com os ratos de esgoto, ficam ali jogados os pacotes de lixo-gente. Muitos deles aprendem e sobrevivem com seus vira-latas como se estivessem sendo empurrados pela mão invisível do destino.

Mas agora vamos voltar falar do crack ou quiçá, da maconha também. Essas drogas malditas que, por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central que gera, em razão disso, a aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental. Os efeitos psicológicos são a euforia, a sensação de poder e o aumento da auto-estima. E ela foi o grande mal daquele garoto craque de bola que passou a ser usuário de droga; que não conseguiu ver a vida florescer e retirar dela os galhos podres para poder, pelos menos, conseguir driblar a morte, mas infelizmente não conseguiu. Num entardecer foi visto agonizando num beco escuro sob o efeito da droga, só que, naquele dia, além de uma overdose, recebera um tiro no peito, porque simplesmente não conseguiu pagar uma dívida inerente a umas pequenas “pedras” de crack que comprara de um traficante. 

Ao ver aquela cena pela TV questionei: O que as autoridades constituídas têm que fazer? E sem pensar, respondia com ar de revolta: Em primeiro plano, a vontade política em resolver tal situação, não obstante constatemos que, enquanto existir no Congresso Nacional os conchavos, as negociatas que fazem surgir as famigeradas benesses de emprego para seus apaziguados, um dinheiro a mais no orçamento; faz surgir os corruptos e corruptores que se perpetuam com o auxílio poder Executivo e legislativo. Enquanto existir a política esperta e populista que está aumentando a preguiça da população carente oferecendo bolsas família, tudo isso em nome de um capitalismo barato, de fachada, que gasta milhões em propaganda para fazer você acreditar naquilo que não vê. Enquanto não existir uma base mínima de um trabalho coordenado, completo, que una saúde pública, assistência social, caridade, segurança e perspectiva, inclusive emocional, de nada adiantará o esforço daqueles que querem ver o Brasil sem crise. Em segundo plano, neste momento cruciante, todos precisam apoiar todos; todos por qualquer um. A liberdade individual, a possibilidade de escolha, existe, mas ambas têm, sim, limites.

Não adianta pegar esses infelizes e levá-los a abrigos, dar-lhes banho, lavar suas roupas, secá-las, botar para coar, enfiar comida em suas bocas, porque eles preferem as ruas. Dar entrevistas bombásticas, com o fito emocional, também de nada adiantará, pois em minutos depois, em abstinência, eles voltam. Não adianta a sociedade empurrá-los de lá para cá: agora estão cada vez mais perto de nós, onde são mais danosos que pode soar como um alerta: os traficantes estão chegando aos montões em qualquer parte do País e alimentando os usuários de crack e cocaína, principalmente em Goiânia. Vemos na televisão que esses usuários e traficantes estão transformando o Brasil num teatro de horror, cujos personagens parecem ter saído de filmes de terror protagonizando cenas inenarráveis, lotando de infelizes os gramados da vida mundana. Se a sociedade organizada não tomar providências urgentes; se os olhos por mais embaçados que forem, marejados ou míopes não verem, se seus ouvidos não escutar o clamor que vem das ruas; se todos os responsáveis continuarem empurrando com a barriga, poderá, de um lado, esta dependência química se proliferar de uma maneira assustadora, incontrolável e fazer fortunas para muitos, entretanto, do outro lado, destruir vidas, famílias e aumentar os “lixos” humanos.





 
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