Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Insista, persista, não desista.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Jamais vou entender vontade de alguém quando fala em desistir, de não insistir, medo de voltar atrás, para algo que acha que acabou. Não se deixe desistir, insista, persista no seu intento e procure não esquecer o passado, se alegrar com o hoje e o dia seguinte. Só você pode lhe dar a oportunidade de experimentar no dia seguinte um café com leite, acompanhando de pão francês amanteigado, e num lugar qualquer...

Devemos insistir em coisas  certas e buscar respostas concretas, deixando as incertas vagar no mundo das incertezas, mas infelizmente podem não existir, entretanto, insista. Permita-se ao longo dos anos vividos ou aos que você falta cumprir aqui na terra, ser você mesmo e evitar magoar quem já se cansou de fazer isso com você.

As lacunas impostas pela vida podem ser preenchidas de várias formas, possibilidades, entre abraços e mãos estendidas… Mas o que define sua intensidade é a dosagem aliada à sua maneira de ver a vida. A gente pode até se enganar, achar que tudo foi esquecido, que a borracha do tempo apagou, mas nunca deixe de lembrar que jamais esquecerá. E se fazendo esse jogo de forma inversa às vezes chega-se a colocar a culpa nos outros das brincadeiras que nós mesmos aceitamos brincar… Se você não insistir, ou persistir naquilo que almeja, lembre-se que a sua desistência pode não ser passageira e quem pilota sua vida é você.

De fato são tantas as palavras talvez que a gente se pergunta: Será que talvez valha à pena insistir. Será que talvez dê certo ou talvez não. Tudo isso pode estar vindo de amor platônico que é normalmente utilizado para se referir às utopias ou algo praticamente impossível de se realizar e tornar-se o pior elemento da face da terra. Ele nos permite ter dúvidas cruéis sobre tudo que está relacionado ao nosso meio. Insistir num amor platônico talvez não seja somente um amor com ausência de relacionamento físico, mas também com a ausência de certeza que talvez você nunca venha obter, se desistir.

A gente começa a idealizar algo que não seja nosso, algo talvez irrelevante e que a outra parte não saiba ou nem a conheça. E discordar da idéia do filósofo Platão seria um equívoco. É só passar algumas pessoas na rua, mal vestidas ou com trejeitos estranhos, muita gente já as coloca num falso pedestal. De repente começa a caçoar delas, os pensamentos vão e voltam tão obsessivos que tudo que faz se tornam mesquinhos.

Talvez não seja nada disso! Novamente a palavra talvez volte a fazer parte desta crônica. Talvez possa ser que esse grande amor que você tem como ideal, ser uma pessoa que você deseja ser, possuidor de uma amizade pura, de um amor inconteste, tão forte o que sente por alguém que nunca verá e não insistirá em colocar os pensamentos e sentimentos com a mesma vibração. O grande problema é que ao invés de pensar em não desistir, a grande maioria só pensa negativo. A minha orientação é a gente é tirar e afastar qualquer pensamento negativo! Mandar embora todos os 'talvez' ou até o “se”, muito usado. É salutar trazer a certeza e a positividade pra dentro de si. Relaxe, pois acima de tudo possuímos diferentes fantasias na cabeça, e andamos com o pensamento alhures, perguntando a nós mesmos o porquê vem ocorrendo e ainda o lamentam por algo que ainda nem se sabe ao certo.

Será que a palavra talvez seja a minha ou a sua palavra? “Será um incentivo para a gente dizer “Eu vou lutar, insistir”; “Eu vou persistir naquilo que acho certo” "Eu não vou desistir de alcançar o meu objetivo" Mas, convenhamos, talvez, tudo dependa somente da gente! Talvez a culpa nem seja do talvez, mas sim, nossa.



A morte não vem a galope

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Certo dia um homem montado em sua égua Pestana passava por uma estrada deserta clareada apenas pela luminosidade da lua minguante que mais parecia um pedaço de queijo. Ao redor dela, estrelas que se perdiam de vista... A estrada era de chão batido, mas mesmo assim seguia apreensivo porque naquela região corriam boatos, não raros, de assaltos e crimes... Com o ouvido aguçado logo ouviu a poucos metros atrás o trotão de outro animal. Sentia que alguém o seguia. Olhou para trás e viu um vulto. Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Chicoteou a égua e saiu a galope. Correu... Enveredou-se por outro caminho. O vulto, também.

Apavorado e em desabalado galope enveredou-se por um caminho estreito. Sequer pensava olhar para trás e nem sentia os galhos de árvores ferirem o seu corpo, o coração disparar, a respiração ficar ofegante, mas logo se viu diante de um casebre pouco iluminado num local ermo daquele longínquo rincão goiano. Pensou em gritar, pedir ajuda, mas, antes, olhou mais uma vez para trás e a claridade do descampado lhe trouxe uma surpresa: O perseguidor era apenas um cavalo baio e a égua, na qual montava, estava no cio e devia estar exalando alguma substância que atraía ao acasalamento. Deu uma risada e mais calmo, desabafou: Meu Deus! O que o medo faz com a gente!

A história deste cavaleiro quer queira ou não, assemelha-se ao que ocorre em relação ao medo que a pessoa humana tem da morte.

A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que nos espera no mundo espiritual. O casebre à beira da estrada, iluminado por lamparinas, que fiz questão de citar nesta crônica foi apenas para afugentar os temores sem fundamentos e inibir os constrangimentos que nos perturbam dia a dia. De forma racional e sem querer interferir na sensibilidade de cada um, quis, com aquelas aparições, esclarecer acerca da sobrevivência da alma e a forma do descerramento da cortina que separa os dois mundos: vida e morte

Entendo ser extremamente importante, fundamental mesmo que percebam isso, já que tratamos de certezas e incertezas, colocando como parâmetro a existência humana num casebre iluminado que poderá ser a nossa salvação, e quiçá, a nossa luz. A estrada que procuramos seguir é e será uma oficina de trabalho para que desenvolvessem atividades edificantes e é através dela que buscamos a renovação espiritual que pretendemos aplicar em nossa existência. Nesse caminho poderá existir até uma prisão, ocorrer uma expiação dolorosa para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores. Esse caminho é uma escola para aqueles já compreendem que a vida não é simples um acidente biológico e nem a existência humana para uma simples jornada recreativa. E de certo modo não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde poderemos viver em plenitude, sem limitações impostas pelo corpo carnal. E de fato é compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, quando chegar a nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.

Então, não se apoquente monte no seu cavalo espiritual, não importa o trotão e qual cor dele, apenas siga em paz, sem medo de ser feliz, deixando sempre à frente o nosso Pai Celestial, pois ELE é que mostrará a estrada segura. O primeiro passo é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido, temível, sobrenatural que nela possa existir... Existem pessoas que simplesmente se recusam a conceber o falecimento de uma pessoa da família ou o seu próprio. Têm receio de discutir e transfere o assunto para o futuro incerto. Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação morte nada mais é do que o passaporte para a verdadeira vida eterna.

Caro leitor, é importante que reflitamos sobre tudo isso, não nos deixando dominar pelos bens aqui na terra dos quais somos apenas usufrutuários. Um dos motivos de sofrimento dos que ficam, é o fato de não terem se dedicado o quanto deviam àqueles dos quais se despediram. Por isso, convém que, enquanto estamos a caminho, façamos de modo cadenciado como aquela égua, o melhor que possamos em prol de nossos entes queridos, para que o remorso depois não dilacere a nossa alma.


Nina e as gotas de orvalho

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sentado no mourão da porteira respirava ar puro e o meu corpo recepcionava uma chuva fina, mas intermitente. O sol timidamente voltava a aquecer as gotículas de orvalho que dançavam sobre as folhas e pétalas das flores que circundavam o moirão. Apenas uma lembrança, não, uma sensação percorria minhas entranhas e chegava ao coração. Talvez algo que não me incomodasse tanto, mas latejava o tempo todo que não me deixava esquecer aquela bela menina da cidade de Pontal.

Desci do mourão, mas o que fazer? Mobilizei-me rumo às flores e dirige-me ao campo tentando segurar a mim mesmo, pois um movimento interno aos poucos foi tomando forma, se firmando, até explodir como a um pensamento, como a uma verdade subconsciente impregnada na região recôndita do meu cérebro, interiorizada, que ia brotando aos poucos. E depois de tantas caminhadas por este mundão de meu Deus, de ver tantas portas se abrir e fechar, numa delas eu a encontrei, ela estava lá, de braços abertos como aquela gota de orvalho que tinha se impregnado naquela folha ao lado do mourão da porteira e que eu tanto apreciava. E, que prazer eu senti, que delicia ter ouvido sua voz. Fiquei estático como aquela pequena gota do orvalho junto ao mourão da porteira. As folhas que caíram com a brisa, tão frias, do primeiro sopro do dia foram levadas pelo vento. Pensativo e com o pensamento alhures, abri os olhos e os agucei rumo ao horizonte. O sol ainda não havia nascido, e tão belo era o horizonte avermelhado e as nuvens, pequenas e esparsas que coloriam a atmosfera com os primeiros raios de sol. Abri os braços e me perdi na imensidão do céu, senti o calor do sol tocando minha pele e o regozijo das arvores que dançavam ao sentir o vento delicado que vinha do sul, derrubando as únicas folhas secas que pareciam gritar em meu ouvido, “acorde, estamos já num novo dia!”.

Desci do mourão e adentrei-me ao casarão feito de assoalho de tábuas e paredes de puro adobe. Na sala me abracei no espelho. Voltei meus olhos rumo à janela e ainda vi sutis gotas de orvalho escorrer levemente sobre o portal. Fui até o quarto e dormi profundamente. Horas depois uma translúcida luz que vinha do céu passou pela vão da janela despertando-me de vez e o amanhecer ao longe surgia. Levantei e soltei um sorriso repleto de mim mesmo, daqueles autênticos vindos da alma, depois saí e massageie minha mente. Viajei no mundo da imaginação. Fui à busca daquilo que sempre sonhei e à busca de mim mesmo. Meus olhos brilhavam, o tempo passava lentamente, o dia tornou-se gigantesco e a noite sem pressa apareceu detrás dos montes. Pássaros em final de tarde cantavam sons tão suaves que tornava aquele rincão mais aprazível, trazendo a brisa mais refrescante e a noite mais amena. A natureza é assim mesmo, pois quando amamos a vida ela nos ama de volta, quando a gente faz bem, ela nos traz o bem, quando preenchemos o vazio, ela afasta a solidão. Por isso, em qualquer lugar que estiver ame-se. Seja dia frio ou chuvoso, ame-se. Sendo quente ou abafado, ame-se. Pois um dia de tanto se amar as pessoas também aprenderão a se amar, assim é a vida, viva o bem, pois como diz o ditado: que mal tem?

Quando se fala em amor pode passar dias, meses, anos e séculos e sua janela jamais estará vazia de gotas de orvalho que escorrerão sobre sua madeira e no fim verás um mar azul; sua mente voará sem asas prevendo o seu futuro e o trará entrelaçado entre seus dedos. Tudo isso é a sintonia do universo que pairará sobre sua essência e algo lhe dirá que um raio de sol se abrir timidamente trazendo-lhe do resplendor azul toda sua vida que talvez nem a viu passar, mas passou, assim como, todos seus suspiros que se ecoaram pelo universo afora, mas certo de que ele trará alguma “coisa” em forma de mulher, que timidamente, se aproximará de seu jeito acanhado, de seus medos e suas dores e aflições que se misturarão com a sensação tão bem captada pelo coração. Naquele rincão algo me dizia que Nina, aquela menina-moça passaria o resto dos seus dias comigo, mas não sabia se para sempre, mas mesmo que ela não esteja presente aqui na terra o meu mantra continuará viajando sobre constelações sempre a observá-la.

O tempo passou e pouco vou a aquele moirão da porteira. Hoje sou como aquelas gotas de orvalho que precisam da leveza do vento, da amena tempestade, da delicadeza do orvalho, da firmeza do sol, da pureza da chuva, da imensidão do rio, da calmaria humana e da sensibilidade da lágrima, enfim, sendo eu simples poeta, que dizem imortal, preciso muitas vezes ter a grandeza de um oceano que é capaz de alcançar horizontes onde todos produzem substâncias simples, mas potentes o bastante para transformar e se adequar as situações mais inusitadas.


Ao meu amigo Demóstenes Torres: "conversas telefônicas e o seu valor probante

terça-feira, 29 de agosto de 2017

“Conversas telefônicas e o seu valor probante”. Publiquei este artigo no jornal Diário da Manhã no dia 08 de maio de 2012, postei em meu BLOG e em outros meios de comunicação da Internet. Hoje com o coração em júbilo pelo reconhecimento da inocência de meu amigo Demóstenes Torres pelos Tribunais, não poderia deixar de reprisá-lo porque sempre acreditei na sua pessoa e em seu caráter, pois o conheci bem antes dele se tornar Promotor de Justiça. Tempos idos eu tinha um escritório de advocacia no Edifício Palácio do Comércio, Av. Anhanguera, cuja sala ficava ao lado da dele, sempre saímos em finais de tarde para um bate papo e aprendi muito com ele. Tempos depois, tive a satisfação de vê-lo no exercício de Promotor de Justiça. Eleito Senador da República também tive o prazer de visitá-lo no Senado Federal junto com outros amigos ambientalistas, Leandro Sena, na ONG +Ação; Antônio Souto, da GEO Ambiente (falecido) e Marcos Vinícius de Abadia, agente penitenciário (assassinado), que incentivados pelo Batista Custódio, Diretor Geral do Diário da Manhã, fomos até o ilustre Senador e recebemos dele irrestrito apoio, intercedendo junto a Ministra do Meio Ambiente, a qual, juntamente com ele e outras autoridades, sobrevoaram a região do Araguaia e com isso evitamos a construção de uma Usina hidrelétrica naquele rio.

Durante o voo, aquelas autoridade públicas ficaram extasiadas diante de tanta beleza, e no vai e vem dos helicópteros, olhavam para baixo, meio abobalhadas, algumas sorrindo e outras, cabisbaixas, certamente não tinham sido atingidos pelo cerne da sensibilidade dos enternecidos, que entre os solavancos da bela máquina voadora, sequer se lembravam dos burburinhos e poluição da cidade grande. A imagem bucólica do Rio Araguaia surgia com toda a força sem interferência de ninguém, e nem poderia, evidentemente, mesmo se quisessem. Naquele domingo, o Rio Araguaia mesmo desconfiado com tanta pompa, mas ciente de que quem o sobrevoava naquela maquina voadora era a Ministra do Meio Ambiente, pessoa sensível, inteligente, que não se aquietou, olhou para o leito do rio que parecia sorrir, pois sentia que a Ministra ao vê-lo lá de cima ia protegê-lo da ação do homem.  Ladeado por matas ciliares, dos perfis da vegetação, das erosões em sua nascente, perto do Parque Nacional das Emas, a Ministra deve ter entendido que o Rio precisava ser   preservado, pois além de exuberante e belo, gera riqueza, alimentação e é de vital importância ao meio ambiente.

Não poderia além do preâmbulo acima deixar de citar estas frases: “Se o homem praticasse ouvir a voz de sua consciência, aprenderia que a voz da justiça é uma música que todos precisam tocar e cantar afinados”. “Os piores políticos são aqueles que praticam a tirania em cima do povo e fazem das leis e da justiça um álibi para suas ações”. Por fim, ao ler a notícia sobre o meu amigo Demóstenes Torres, restou-me reprisar abaixo o texto publicado em 08 de maio de 2012, porque aquilo que se escreve expressando a verdade fica registrado nos anais da história e torna-se uma prova cabal e indiscutível de que eu e tantas outras pessoas acreditávamos na sua inocência.

Pois bem, vamos ao texto. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi criada a Lei nº. 9.296, de 24 de julho de 1996, que regulamentou o inciso XII, parte final, do Art. 5.º da Constituição Federal, que preceitua sobre a interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, desde que seja observado o disposto da citada Lei, dependendo para sua consecução, de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.

Os princípios básicos de não admissão da interceptação acontecem quando ocorrer às hipóteses da não existência de indícios razoáveis da autoria, participação em infração penal, à prova puder ser feita por outros meios disponíveis ou o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção, todavia, em qualquer destas hipóteses, tudo deve ser esclarecido com clareza, com indicação dos meios a serem empregados, além da preservação do sigilo da diligência, gravações e transcrições respectivas.

Partindo desta premissa e no afã de enaltecer e reportar o excelente artigo do renomado jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum, resolvi escrever e fazer uma análise das conversações telefônicas no que tange a atuação da Polícia Federal em relação à Operação Monte Carlo. Se tivermos como base a Lei acima mencionada há de se chegar à conclusão que essas conversações não tiveram nenhum valor como prova, mas somente um meio de obtenção de provas. Ademais elas têm que ser materializadas e até o presente momento não foram como reportou o meu amigo Dr. Adel Feres através de seu Email. Diz ainda o nobre colega advogado, a seu ver, que o vazamento de escutas telefônicas segundo a mídia tinha a intenção de atingir a imprensa, especialmente a revista Veja e o Governador de Goiás. Concordei também quando ele disse que Lula, à época Presidente da República, apadrinhou a criação da CPI sem atentar para o fato de que o Ministério Público já investigava os personagens, mas ainda não dispunha de provas para indiciar qualquer ação criminal que seja, obrigando-o, destarte, a abrir o inquérito sem as provas necessárias e convincentes, baseando apenas em indícios.

O Lula, afoito como sempre foi, mais uma vez deu um tiro no pé e o sangue que esguichou respingará em seu próprio Partido, como respingou encharcando-o assim como a todos seus comandados, hoje presos por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Nas conversações até agora produzidas e divulgadas pela imprensa provam que a quadrilha não tinha acesso à revista Veja e que a influência sobre o Governador Marconi era exercida através do Senador Demóstenes, o que não deixa de ser natural por serem aliados, mas, como é de conhecimento público, anos atrás eram até adversários políticos.

Disse o nobre jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum em seu artigo intitulado “O valor de uma conversa telefônica”: “Para o direito, a espetacularização de uma operação policial não muda conceitos. Nesse sentido, a classificação do crime material, formal e de mera conduta se revela importante mecanismo de valoração da prova. Assim, por exemplo, uma conversa telefônica envolvendo cocaína não comprova o tráfico de drogas. Falta a materialidade do delito. A partir das conversas cabe à polícia diligenciar com o fito de apreender a droga. “O diálogo não é a prova, apenas um meio para a sua obtenção”. “A interceptação como meio de prova, serve apenas para nortear o trabalho policial, na mais que isso”, reafirma o jurista. Então se conclui que em relação à Operação Monte Carlo, as conversas captadas, quando fazem referência a uma terceira pessoa, nem de longe indicam o envolvimento desse terceiro, que fica injustamente ilhado, sem amparo em lastros investigativos, continuando no âmbito da lei exposta, sendo apenas uma conversa, nem mais nem menos. Destarte, nos crimes materiais, a consumação só ocorre com a verificação do evento natural, conforme acima explicitado. Os direitos fundamentais, como a presunção de inocência, a ampla defesa, o devido processo legal, são utilizados como estandarte, atrás do qual, se a lei não for respeitada, vigerão verdadeiros métodos de incrível injustiça, com tratamentos degradantes, desiguais e julgamentos sumários.

Por fim disse o ilustre Juiz que as escutas telefônicas, utilizadas parcimoniosamente, constituem instrumentos de extrema valia no processo de produção da prova, mas não podem ser transformadas em rótulos de culpa colados na testa dos interlocutores. Neste momento em que todos querem se tornar juízes e carrascos ao mesmo tempo, é importante, como alertou ao bom e mau ouvinte: “que é preciso não só reservar um dos ouvidos para ouvir o outro lado, como também é indispensável conhecer corretamente as provas dos autos, se é que elas existem”. Dr. Demóstenes siga em frente porque junto e atrás de você tem muita gente!



O fim do infinito

quarta-feira, 23 de agosto de 2017


Semana passada conversando com um amigo sobre religião ele me disse que não acreditava na existência de Deus. Fiquei pasmo! Jamais imaginava que ele era ateu. Depois olhando bem nos olhos dele perguntei: Amigo se você não acredita na existência de Deus ou de um Ser Supremo, como se explica a beleza do universo, pássaros voando, oceanos, mares, rios, a criatividade humana, o corpo funcionando com perfeição, uma máquina cheia de detalhes que nos faz pensar que alguém criou tudo isso? Pois bem, vou lhe fazer uma pergunta que já fiz a tantas outras pessoas que tinham o mesmo pensamento seu, poucas, mas por incrível que pareça, existem. Então, pergunto: Se tiver der o poder de voar ou possuir uma nave espacial, um disco voador, com combustível suficiente para você chegar até onde quiser alcançar, um lugar que sequer imagina o que me diz? Ele me olhou de soslaio, deu o sorriso maroto e disse: Bem, acho que devo chegar até um buraco negro e ou beirada do mundo. Buraco negro! Beirada do mundo! Resposta meio chula, mas tudo bem. Perguntei novamente: O que existirá do outro lado? O amigo ficou pensativo, coçou a cabeça e não conseguiu responder e foi aí que complementei: A existência de Deus não pode ser provada ou refutada. A Bíblia diz que devemos aceitar pela fé o fato de que Deus existe: "Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam" (Hebreus 11:6). Se Deus assim desejasse ou pudesse simplesmente aparecer e provar para o mundo inteiro que Ele existe não teria graça. Se fizesse isso, não haveria necessidade de fé. Numa parábola Jesus disse: ‘Porque me viu você creu? “Felizes os que não viram e creram’” (João 20:29). Por outro lado, é importante ressaltar que a natureza criada por ELE é poderosa, sobretudo, por sua capacidade auto-regenerativa. Seus ciclos naturais ocorrem e nada é desperdiçado aqui na terra. As frutas que caem no solo se tornam adubo para as plantas que ali florescem. As águas que caem das nuvens em forma de chuva evaporam, criando outras nuvens e estas jorram mais chuvas.

Este ciclo o fim do infinito que intitulei neste texto está com os dias contados. A interferência abusiva do ser humano na natureza faz com que o final deste ciclo se aproxime cada vez mais rápido. E, como todos sabem a existência de algo que possui um fim não pode ser chamado de infinito. As pessoas que passam pelas nossas vidas deixam as suas marcas num ir e vir infinito... As que permanecem são finitas porque simplesmente doaram seus corações para entrar em sintonia com as nossas almas. As que se foram para outra dimensão deixaram seus legados e aprendizados. Nós jamais nos importamos com o tipo de atitude que tiveram, mas com elas aprendemos muito. Com as pessoas vaidosas e orgulhosas aprendemos a ser humildes. Com as carinhosas e atenciosas aprendemos a ser gratos. Com as duras de coração aprendemos a importância do perdão. Com as pessoas que passam pelas nossas vidas aprendemos também a amar, ter bom relacionamento, mantença da amizade, da dedicação, do carinho, da atenção...

Depois de uma pequena pousa na conversa finalizei dizendo ainda para amigo: Um dia você vai procurar o fim do infinito e verás apenas uma estrela dizendo que é impossível alcançá-lo. Pedirás a ela que lhe mostre o caminho, mas será inútil, pois o universo apagará as pegadas como apagará e não amenizará a sua descrença e dor. Um dia a sua descrença ferirá seu coração porque ela foi inútil na sua vida, ficando nele apenas um vazio. Certamente gritará o nome de Deus quando vir a sofrer um acidente ou estiver no leito da morte. Seus olhos impressivos chorarão lágrimas da descrença, mas talvez, um dia qualquer, busque na página da sua vida o pôr-do-sol, o despertar da lua, as estrelas reluzentes, e nelas encontrarás apenas o silêncio e perguntarás a ti mesmo: onde eu errei? Onde foi para a minha fé? Por que insisto na não existência de Deus? Amigo, respostas de imediato não terá, porque até mesmo a natureza se negará dizer.

Um dia quando os seus sonhos forem derrubados pela incompreensão, sentirá no peito a flecha do arrependimento por não ter amado quem muito te amou e ama: o nosso Pai Celestial. A verdade é que um dia sentirás falta Dele, mas espero que não seja tarde demais, pois as lágrimas de um incrédulo, se não curadas, não O trará pra perto de você, porém, Ele, o Onipotente, poderá fazer delas um rio que o fará navegar para bem longe do seu porto seguro e quiçá, encontrá-lo. Para os seus entes queridos deixará apenas a saudade para que possam te acompanhar e saber quanto sua presença lhes farão falta.

Há anos tenho aprendido que o tempo cura, que a mágoa passa, que o ódio e inveja se evaporem, que a decepção não mate e que o hoje é reflexo de ontem; que os verdadeiros amigos permanecem e que os falsos, graças a Deus, não mais existirão. Compreendi que as palavras bíblicas têm força, que o olhar não mente e que viver é aprender com os erros, e foi assim que aprendi que tudo depende da vontade e que o melhor é sermos nós mesmos.



Amizades com vígulas, sem ponto final.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quando se tem hábito de escrever, seja uma crônica, bilhete, carta ou uma mensagem através da internet, pergunta-se se deveria ou não acrescentar ou tirar alguma vírgula. Entendo que não, pois a importância da vírgula é tal que, se a colocarmos no lugar errado, o sentido do texto pode mudar e comprometer o entendimento do texto. Segundo o Houaiss, "vírgula é um sinal gráfico de pontuação, indicando uma pausa ligeira, usada para separar frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma frase". Analisando dessa maneira até parece fácil, mas não é, pois na hora de inseri-la no texto, não é tão simples assim. Então, no texto de hoje, vou usar a vírgula para falar da amizade. No meu ponto de vista entendo que a amizade pode até começar com um ponto, mas quando ela é verdadeira jamais se deve usar ponto final, apenas vírgulas, porque nunca termina. Normalmente ela deve ser especial, algo que damos como especial, assim como aquele orvalho que pousa sobre a folha, e o sol, em chamas, por amor evita evaporá-lo. É importante é entender isso e que saibamos quando não podemos mais caminhar juntos, mas que possamos enxergar nesse possível fim um novo começo ou recomeço sem se preocupar com o ponto final. Afinal a amizade pode ter sido transformada para melhor e a relação pode estar passando por um tipo de mutação. 

Sempre é saudável o começo de uma amizade, mas que aos longos dos anos de convivência, irá passar por uma metamorfose quase inevitável. Mas porque ocorre isso? Somos humanos e como ser humano tudo que ocorrer é imprevisível. Um possível desgaste poderá ocorrer também enquanto não houver respeito e pelos menos resquícios de amor no coração de cada um. Saudável também é o recomeço que nos permite desfrutar de uma amizade que foi duradoura, sem saudosismo crônico ou arrependimento pelo que poderia ter sido, infelizmente ou felizmente não foi.

Esmiuçar os fracassos e distribuir as culpas de uma amizade que se evaporou há décadas é perda de tempo. Cabe a cada um discernir o que aconteceu e se possível, ficar em silêncio, porque se tratava uma pessoa amiga que nunca traiu. É claro que haverá a saudade, talvez a lembrança do que ela significou pra gente um dia, mas haverá também o comum acordo, uma espécie de contrato imaginário em que ambas as partes concordam que o que tiveram foi sublime e importante demais para que continue. E, ademais, caso tenham também que ouvir falar mal um do outro depois de uma prazerosa convivência. E por ser tão sublime e único, neste caso, entendo que a amizade realmente merece um ponto final. E sabe por que devem colocar ponto final? Porque continuar com a amizade esmiuçada à boca miúda seria constranger o sentimento que a sustentou, seria assistir submissos à transição lenta e progressiva de algo que um dia deu certo para um ciclo de culpa, de cobranças, de raiva, de falta de admiração. E é sabido que quando se perde o respeito e a admiração, perde-se a essência e o propósito de uma eterna amizade.

Eu detesto ver um texto sem sua devida pontuação, principalmente do uso da vírgula. A vírgula faz muita diferença no sentido das frases. Não sou muito bom em língua portuguesa, mas me esforço muito para cometer menos erros. Quando escrevo errado é como me perder no universo mórbido e não retornar ao início de tudo, principalmente quando me sentir combalido e insuportável aos olhos de quem lê. Todavia, fico esperançoso de que as minhas mãos se soltem sobre o ombro da pessoa amiga e mesmo cansadas, possam acariciar e acalentá-la. Se eu conseguir finalizar o texto que ele chegue silencioso, que se instale e tome forma numa troca de mensagens ternas, reafirmando a cumplicidade latente: ambos saberão que realmente se chegou ao fim. Aceitarão o conteúdo. Encenarão um adeus, e aí sim, poderão colocar ponto final.

Além dos aspectos delineados, há que se ressaltar que a vírgula por si só mantém uma estreita relação com a intencionalidade discursiva, ou seja, sua existência ou não depende muitas vezes da intencionalidade do falante ou da pessoa que escreve. Eis aí o ponto fundamental que nos permitirá chegar ao ápice de uma discussão. Poder-se-ia dizer que a a
mizade deu certo. Deu tão certo que acabou da forma certa e no momento certo. Apesar de se usar muito o chavão, “que foi eterno enquanto durou”, mas por outro lado, procurando entender que a vida não finda ali, no puxar de uma simples mala, na batida de uma porta, no latido de um cão, no silêncio de um celular ou mudez na internet. Entender que o ponto final deu lugar a uma vírgula para evidenciar que não houve ruptura, e sim, para auxiliar numa passagem branda, num antes e depois que diferem apenas na ausência física do outro, mas que não anula os aprendizados e as vivências que ambos experimentaram enquanto foram amigos. Entender por fim que todo esse ato possa permitir aos amigos seguir a vida com outros planos e sentimentos, tendo o término dela como pano de fundo para outros quadros, com outras cores e perspectivas, enquanto seguimos captando novas amizades, procurando não usar ponto final, somente vírgulas, com intuito de manter a alma leve e consciência tranqüila.






Oficina Poética - Rastros de mim.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A ESCRITORA ELIZABETH ABREU CALDEIRA DE  BRITO, CRIADORA
E EDITORA DA PÁGINA "OFICINA POÉTICA" DO DIÁRIO DA MANHÃ, PUBLICOU ALGUNS VERSOS  MEUS, EXTRAÍDOS DO LIVRO "RASTROS DE MIM", DEIXANDO-ME BASTANTE SENSIBILIZADO.  CLIQUE SOBRE ESTE LINK PARA MELHOR VISUALIZAR 
"https://impresso.dm.com.br/edicao/20170813/pagina/24





Do jornalismo ao tatame

quarta-feira, 9 de agosto de 2017


No mundo de hoje é justamente no meio familiar que mais se briga, seja no ringue da sala, seja no tatame do quarto, seja entre as cordas invisíveis, ora esticadas na cozinha, ora no banheiro, ora nos corredores, e é em família que, com aparente paradoxo, mais se ama, pois a família é feita exatamente para se amar e o fervilhar, cheio sentimentos, e por sua própria força, pode explodir quando menos se espera. Sabemos que a grande paixão do brasileiro é o futebol, mas nos últimos anos outros esportes vêm ganhando muitos adeptos. O vôlei e a natação são grandes exemplos. Todavia, um esporte que vem crescendo de forma significativa é o Jiu-jítsu. Muito disso deve-se ao fato de termos grandes representantes em torneios de MMA. As academias de Jiu-jítsu estão abarrotadas de alunos que, além de querer se defender e praticar um esporte, eles acabam seguindo a moda.

Partindo desse preâmbulo quero aqui falar de uma pessoa que batalha pela vida: a jovem MMS, jornalista e lutadora de Muay-Thaiy. As iniciais é MMS e não MMA, pois esta segunda é arte marcial que incluem golpes de luta em pé e técnicas de luta no chão. A MMS de quem falo pratica além Muay Thaiy, o futevôlei, e se chama Meyrithania Michelly de Souza e é editora da página Opinião Pública. Não sei contabilizar quanto tempo, mas certo dia ao passar pela redação do Diário da Manhã eu a vi pela primeira vez. Manuseava com destreza o computador e foi fácil observar o seu dom jornalístico. Acho que desde pequena já sonhava tornar-se uma jornalista, ser um Batista Custódio, um Alexandre Garcia, um Armando Nogueira, um Paulo Francis, uma Mirian Leitão, uma Rachel Sheherarade, uma Ana Paula Padrão, uma Silvia Poppovic... Adentrei-me sorrateiramente à sua sala e fui recebido com muita atenção. Com um sorriso meigo, prontamente me atendeu, se importando comigo sem saber que há mais de 10 anos eu já escrevia para o Diário da Manhã. A sua fisionomia se transformou e soltou um sorriso meio maroto que tomou conta de seu rosto de menina, cheio de nuances e circunstâncias indescritíveis. Muito paciente, mas com dedos ágeis digitava alguma coisa, mas mesmo assim parou para me atender. Como editora da página Opinião Publica controlava via on-line todos os textos enviados por articulistas sem omitir opinião, e atentamente, os revisava, e foi aí que percebi que os escritos noticiosos se materializavam em seus pensamentos, lia e relia, captava as emoções dos autores e observei que ela se emocionava também. Era fácil perceber em seu semblante a sua vontade férrea de se tornar uma grande jornalista, pois há anos que venho percebendo a sua capacidade criativa, de captar mensagens e expressar seus pensamentos sobre o que lia, sabendo de antemão que nenhum texto poderia ser publicado antes de ser revisado, notadamente, sem alterar o seu conteúdo ou objetivo que o autor pretendia alcançar.

Descobrira que tinha gosto pela leitura, principalmente pela poesia e histórias onde se fala do romantismo, e até pensa em escrever um livro de romance que sabiamente passará para o papel. As suas publicações noticiosas e literárias eram e ainda são repletas de frases de efeito e quem lia e lê viaja junto com ela no mundo imaginário que cria. Daí começou realmente a paixão pelo jornalismo, cujo diploma recebeu há mais de quatro anos. Mas voltando ao seu recanto de trabalho naquele dia comecei a perceber também que quanto mais triste ficava, mais escrevia, e artigos publicados foram vários, mas acredito que não havia assim tanta tristeza na sua infância, e talvez, era a única pessoa que transformava a sua tristeza em um rico texto. Pelo visto ela lia, escrevia e digitava até dormir... E acredito que sonhava com o que escrevia.

Talvez ela tenha nascido com aquele sentimento jornalístico, pessoa que sofre com o sofrimento dos outros, que não aceita injustiças, e aí, logicamente, sentia-se um vazio imenso, a falta de algo que não sabia o que era. E com esses sentimentos à flor da pele escrevia... Só restava ler e escrever como forma de colocar pra fora suas angústias e lamentos e decepções. Não posso descrever aqui o que ela que pensa, mas acredito que escreve na esperança de que seu trabalho de levar notícias e ou mesmo como editora da página Opinião Pública, alcance, oriente e mexa com o coração do mais exigente leitor. Nos tatames da vida o jornalismo falou mais alto, pois ele deve ser o que mais se aproximou do seu desiderato. E é lá detrás daquela pequena mesa que toma para si as dores do mundo. Sofre pelos os famintos, pelos desabrigados, pelos torturados... O mundo não é um lugar seguro e precisa passar isso à sociedade. É detrás daquela mesa e manuseando o computador que se regozija de participar da trajetória de pessoas importantes, tão queridas, tão especiais, sejam governantes ou governados. O jornalismo agradece por sua agilidade, pela criação do site http://www.opiniaopublica.net.br/, que veio para estreitar contatos e disponibilizar ferramentas que possa produzir efeitos concretos e eficientes para publicação de artigos ou crônicas. Por fim, hoje ao vê-lo já vagando pela internet, sem pestanejar, parabenizo-a. O Site não foi criado para gerar problemas, mas para levar soluções e pensamentos aos leitores ávidos por novos conhecimentos.

Ver a superação, a grandiosidade de algumas pessoas, fazer parte de suas histórias e poder contá-las em forma de crônica é uma honra, um privilégio pra mim. Apesar de saber que sofreu um gravíssimo acidente de carro, em 2004, no qual os médicos disseram que ela ficaria com seqüelas, por conta de uma fratura na bacia, todavia, guerreira como sempre, seis meses depois ela já estava a todo vapor nas atividades físicas e dentro do tatame.   Agradei-me escrever sobre ela assim como, para o DM, e é através dele que observo e vejo notícias sobre o universo da política. Antes enxergava tudo como se fosse uma mera reprodução das opiniões que chegavam até a gente, cheia de argumentos frágeis e de contradições mascaradas com radicalidade agressiva... Não admito ser contrariado, até mesmo dos meus absurdos! Felizmente, essa sensação incômoda que talvez ela possa sentir não seja suficiente para afastá-la de sua vocação.

Por outro lado, sua visão do mundo, os seus pensamentos, seus exemplos, foram perceptivos pela direção do jornal, seu ideal, e sua forma de lutar por um mundo melhor. Mesmo atuando também como pequena empresária do ramo de locação de vídeos e DVDs, e engatinhando no exercício do jornalismo ela vê muita miséria, criminalidade, corrupção, dor, velhinhos abandonados em asilos, crianças e adultos morrendo por falta de leito ou morrendo no próprio leito. Todavia, MMS jamais pensou ao fazer jornalismo que seria assolada pela maior de todas as misérias: a falta de amor ao próximo e respeito ao ser humano como vem ocorrendo no Brasil com a banalização da violência. Pessoas estão matando sem dó, e ás vezes, apenas para ouvir o gemido do desafeto. Mas, não é essa sua única batalha, quantas jornalistas como ela estão sendo amordaçadas, sofreram e estão sofrendo com tudo isso? Conheço tantas e tantos, e como articulista deste jornal, hei de voltar a comentar mais sobre isso, porque hoje, já sofri demais com tantas injustiças e notícias nefastas e injustas.

Na minha adolescência também dava as minhas pinceladas jornalísticas criando até um jornal na minha comunidade intitulado: Tribuna Comunitária. Entretanto, diferentemente dela, formei em advocacia. Mas, viciado em escrever, tornei-me também escritor e articulista do Diário da Manhã e aí, tento escrever e atender suas orientações. Debruçando sobre letras e brincando com elas, vou imaginando e quando menos se espera me sinto viajando pelo mundo da imaginação na ânsia de levar ao leitor o melhor, do jeito que o jornal quer e do modo que se faz. Procuro, às vezes, escrever de forma sutil, sensível, poética, romântica, sempre com o intuito de alcançar o coração das pessoas e afastar qualquer hipótese que indique qualquer inaptidão minha.



O mundo imaginário de um escriba

quarta-feira, 26 de julho de 2017

No caminho da imaginação ora vislumbramos estradas em linha reta, ora cheias de curvas e outras que se partem em duas. No final de uma reta ou curva sinuosa, usando as asas da imaginação, é possível ver a vida recomeçar, é possível chegar até a lua, beijá-la, e sem turbulências ou instabilidade alcançar o impossível: o fim do infinito. Quando ficamos diante de uma estrada partida em duas, com rumos diferentes, vem-nos a dúvida qual delas nós devemos seguir. Mas nossos olhos atentos, aguçados, talvez com a ajuda de óculos de grau são possíveis vê-los se comunicarem de forma sublime porque eles são a janela da alma e nos faz sentir próximos daquilo que perece intocável. O amor que gera a vida nos oferece sonhos, às vezes reais, às vezes surreais ou sequer imaginados, trazendo em seu bojo noites de insônia, que fazemos de tudo para serem levadas pelos mantos da noite e quiçá, molhadas pelas lágrimas que se deleitam no travesseiro impedindo que o ar que mantém nossa vida se extinga.

Quando escrevo nem fico perplexo da forma que uso a minha imaginação. Em certos momentos, nas entrelinhas do meu silêncio, posso até chegar ao cúmulo do absurdo, todavia, tenho grande facilidade em criar personagens, alguns, suficientemente sólidos, e neles, imagino em cenários e situações bastante estranhas, e até certo modo, esdrúxulas! Eis as palavras corretas. Numa imaginação fértil, basta uma frase solta ou um comentário de alguém para a gente comece a desenrolar o fio de uma narrativa... Mas, às vezes, isso também pode me irritar um pouco. De uma breve conversa com qualquer pessoa é possível tirar as mais esquisitas conclusões ou começar a divagar sobre sua vida e colher hipóteses impossíveis. Quanto e mim, procuro construir um mundo paralelo, onde tudo pode acontecer de acordo com o que já vi ou ouvi. Um mundo onde tudo é possível, onírico, e eu onisciente, divirto-me com todo esse jogo que só o mundo imaginário pode oferecer.

Interessante é que isso realmente me irrita um pouco quando não sou entendido: é apenas minha imaginação... E pensar que existem pessoas que não imaginam, mas agem dessa maneira! Agem como se todos fossem marionetes, manipulam quem está por perto e só pensam em tirar proveito de tudo. Então neste caso não vale a pena imaginar, viver o surreal. Devemos criar um mundo de fantasia só nosso, de forma despretensiosa, onde possamos ser um ser qualquer e onde quiser... Parece um tanto egoísta esta minha citação, mas, é humano. Agir assim, agir como um Deus, não é heresia, mas covardia. No mundo que eu imagino não há razão para esse tipo de confrontos e nem de medo. 

Faço todos os esforços para levar o leitor a um lugar imaginário, mas sempre com base num fato real, seja correto ou não, boa ou não, procuro sempre escrever de forma reflexiva. Todavia, será que tenho que agradar a todos? A minha consciência às vezes me deixa na dúvida, se é que exista razão para isso. Escolher a forma de escrever ninguém me controla, mas quando estou escrevendo paro, penso e reflito, pois é mais um texto que pode estar alcançando leitores com diferentes entendimentos, uns incautos, outros exigentes, críticos, pois todos estão ávidos por um por uma boa leitura. O procedimento da escrita jamais pode estar em processo deterioração e eu me importo com isso, com cada frase, aceito críticas, mas recuso a forma de como vão concluir o raciocínio, se dentro da lógica ou de uma interpretação correta. É lógico e correto a gente dizer: Por muito tempo acreditamos na existência de Papai Noel, no bicho papão, na mula sem cabeça, em vampiros, Saci-Pererê e tantas outras coisas oriundas do folclore brasileiro, e só com o passar dos anos é que a gente vê que tudo não passava de coisas criadas pelo mundo imaginário de nossos ancestrais.

Acredito piamente que na vida há uma consciência de que alguma coisa nos levará onde não queremos; coisa que nos conduzirá a mudar nosso modo de ser de forma mais sutil, mas jamais na sua totalidade. A vida é cheia de armadilhas e elas são tantas que tentam nos esmorecer e nos tirar dos nossos focos, e assim sendo, cabe-nos alterar ou fugir dessas armadilhas pra não cairmos na velha e traiçoeira rotina. Acredito também que algumas coisas que acontecem na nossa vida são ilusões, devendo a gente deixar de alimentar nosso espírito pra não cair na loucura das incertezas que nos deixarão desnorteados e sem rumo. Quero crer ainda, e creio, pois se eu ficar margeando as cruezas da vida restar-me-á somente a dor, as incertezas e desilusões, por isso é que gosto de ler, escrever, e lendo e escrevendo, cotidianamente, acredito mais e mim e quiçá, no ser humano também, pois como escriba eu posso viajar no mundo da imaginação, me reconstruir pra sobreviver às mazelas da vida.



O cronista sob o olhar do sol

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu sempre pensei assim: Um cronista é como um rio, ora pode ser largo, ora estreito, pois cabe no seu leito apenas aquilo pode ser dirigido, orientado de modo a não colidir com outros objetos que porventura naveguem no mesmo espaço. No entanto, se uma simples canoa se encontrar à deriva e não tiver timoneiro, ela será arrastada pela corrente e será um perigo constante para os que no mesmo espaço navegam. No que tange ao cronista é nessa comparação que se vislumbra também certo perigo, fato que ele deve atentar-se, dirigindo a leitura de forma suave, agradável, concisa, inteligente, de forma que venha alcançar o coração e compreensão dos leitores.

Partindo deste pequeno preâmbulo posso dizer que sou apenas um rego d’água que durante seu percurso é abastecido por várias minas, para, finalmente, cair em cachoeira. Essa cachoeira é minha salvadora, pois é nela que deposito meu saber. Insuportável, no entanto, é saber que ele tem a permissão minha para ser juiz da minha existência. No seu leito deslizam águas que alimentam o meu espírito. Se for assim, então será que sua majestade o sol que ilumina meu caminho, poderia abrir meus olhos e mostrar quem sou e porque me tornei cronista aqui neste rincão? De certo modo há de se suportar a alegria daqueles que não conseguem deslizar sobre essas águas mansas, mas que, de alguma forma, se divertem, inconscientes do impacto que seus prazeres têm sobre a alma de um cronista. Sim, sob o olhar do sol escaldante eu me evaporaria de emoção... Ficaria feliz, imensamente feliz se cada uma de minhas escritas se evaporasse, e evaporada, tocassem, como suores ou mesmo como lágrimas, a sensibilidade de meus leitores.

Tomara que sob o olhar do sol mesmo em pleno inverno não ocorra apagões em nossa memória e não sejam capazes de encobrir por muito tempo o nosso real desiderato: o gosto pela escrita. Toda vez que o coração do cronista se resfriar, a respiração se fizer áspera demais e o momento da gente descobrir maneiras para se cuidar. Que lá no fundo, bem fundo mesmo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu bem azulzinho escancarando em nossa direção os olhos do sol. Tomara mesmo que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo de escrever para que possamos semear sobre o chão, letras e mais letras. Que a lembrança dos pés feridos, mas valentes, que usamos descalçar os sentimentos, não nos tire a coragem de voltar a ter confiança no futuro. Mas se doer muito que nossos pés e o corpo encontrem um lugar para descansar em paz na região mais calma da nossa mente. O medo existe, mas que não seja tão grande para ceifar o nosso amor pela escrita. Tomara que a gente não desista de ser quem somos, por nada, por nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer o nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades não sejam permanentes. Que friagem nenhuma nesta estação seja capaz de encabular-nos diante do olhar do sol que nos traz um calor gostoso e que, mesmo quando estiver queimando nosso rosto, não o percamos de vista, nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos pesares a gente continue sendo valente o suficiente para não abrir mão de sermos felizes.


Calou-se uma voz e um som de viola

quarta-feira, 12 de julho de 2017



Tempos idos ouvi a música “Grito de Amor”, cantada pela dupla sertaneja Felipe e Falcão. O som inebriante de suas vozes e viola aguçava meus ouvidos e me fazia ir além de mais além. No moirão da porteira olhava rumo ao horizonte em busca de lembranças, mas lembrar-me de quê se eu era apenas um jovem sonhador. Mas como a uma canoa invisível que desce rio abaixo, naquele dia me fiz invisível também e me acomodei sobre um tronco de madeira para continuar ouvindo outras canções deles através de um CD, e sempre fazia em todos os finais de tarde, depois de um dia exaustivo de trabalho na fazenda Pomares. Como era bom escutar o ponteado da viola, cujo som ao ser levado pelo vento parecia rasgar o céu que cobria aquele pedaço de chão. Apaixonado pela música sertaneja restava-me ficar ali sentado naquele tronco de madeira e apreciar cada nota musical. Era como se estivesse sonhando. Nunca em preocupei em saber o nome verdadeiro de Falcão, o apelido já bastava para mim e talvez, para as andorinhas, bem-te-vis e araras também, que enfileirados, passava ao meu redor em voos rasantes, contentes, como se aquela voz grave de Falcão confortasse a nossa alma. A cada canção  perecia remar com a gente a favor da correnteza da vida e nem sentíamos a existência de águas profundas, mas em certos momentos sentíamos aperreados em face do acúmulo de tantas coisas, talvez mal resolvidas deixadas prá trás, a maioria esquecidas, outras apagadas pela borracha do tempo. 

Dia 18 de setembro de 2017 completará seis anos de sua passagem por este mundo. Ao ouvir “Grito de Amor”, um dos maiores sucessos da dupla, veio à minha mente lembranças do meu conterrâneo Falcão que amou e sempre honrou a cidade de Morrinhos, então, procuro recebê-las igual a uma cachoeira que cai mansa sobre um poço profundo, todavia, memórias não se apagam, ficam gravadas em nosso subconsciente trazendo tudo de volta, sejam boas ou más, e chegam, de uma vez só, restando-me arquivá-las da região recôndita de meu cérebro como se fossem gotas de suor saídas da alma. Ah, que dom e voz tinham Felipe e Falcão! As vozes e o som da viola ecoavam por aquele rincão goiano e se misturava com o canto dos pássaros mexendo tanto com a gente que nem tinha vergonha de ser chamado de caipira. Quem nasceu na roça entende o que falo, então, quanta emoção, quanto sentimento se acoplava na minha retina, que nada mais eram que coisas indeléveis de um homem sonhador. Quantos nós sentia na minha garganta, que nem conseguia desatar, nem subir ou descer, numa mistura de tristeza e alegria que só a saudade é capaz de criar. Dava até para sentir o cheiro da terra, o tênue vento e o toque da textura do chão molhado sob meus pés descalços.

Sabemos que viver como ele viveu nos palcos da vida é somar mais vitórias que derrotas. É ficar inchado de coisas que nos deixam pelo caminho. Raramente, os que morrem assim, são os preferidos de Deus. Morrer assim é como a um ícone romântico que deixa hígida e festiva a imagem do morto, de toda sua vida e do que poderiam ter ocorrido durante sua existência, assim como, todos os sonhos e realizações dele. Na parede do casarão de puro adobe do vovô Torquato um retrato emoldurado de Falcão, de perfil simples, que teve sua vida voltada ao romantismo e era visível observar a mistura de um permanente sorriso celebrando a vida, a juventude e a velhice. Era contagiante ver o seu jeito alegre e a forma de como cantava e compunha suas músicas sertanejas, de como enfrentava o dia a dia, de como encarava as tardes sem o pôr do sol, ou de crepúsculos opacos, avermelhados ou cinzentos. Observei atentamente mais que tudo nas antigas capas de CDs, as defecções, as rugas, mechas de cabelos esbranquiçados, rosto imberbe e a crescente solidão de ver um vídeo noticiando sua morte, um funeral cheio de pessoas que o admirava, cantando o “Hino do Motociclista” de que tanto gostava. Dia 18 de setembro de 2009, depois de um infarto, num leito de hospital em Goiânia, poucos ouviram o último suspiro, calar uma voz, um som de viola e perdermos o último dos românticos da cidade de Pomares.
  
O tempo passou e parece ter sido tão veloz que me restou apenas imaginar se ainda existe aquele tronco de madeira frente ao casarão de meu Avô Torquato e encostado à beira do moirão da porteira. Voltei lá após seis anos e por incrível que pareça ele estava lá intacto. De repente veio o vento e trouxe algumas ondas imaginárias sem me pedir licença. Naquele recanto, imaginei pegar pétalas de rosas no quintal e ver se elas ainda exalavam. Imaginei ver passar por aquele local as marés de incertezas e não ter a mesma reação que tinha no passado. Imaginei encontrar outras estradas e sonhar um sonho que sempre almejei sonhar, mas sabia que não conseguiria sem aquelas canções inebriantes. Imaginei-me numa estrada deserta diante de uma noite pesada demais mesmo sem ter pesadelos. Imaginei lembrar o passado sem assombros. Imaginei, mas preocupei-me porque poderia encontrar essa estrada cheia de escombros. Imaginei perder mais alguém nessa “estrada da vida”, onde já perdi muitos. Imaginei Deus ressuscitando sonhos que perdi. Imaginei a não existência de paraíso nem de inferno. Imaginei não existir pessoas que não lutam por nada e se deixam levar pelo mundo profano. Imaginei alguém dizer: Eu sou um sonhador, porque imaginei estar vivendo num mundo sem ganância, sem fome, sem mortes, sem preconceitos, sem desamor. Imaginei vivendo em irmandade fazendo o bem sem olhar a quem.  Imaginei poder compartilhar tudo o que penso, sem ofender ninguém. Imaginei encontrar a  felicidade e de ter localizado ao longo dessa “estrada” o amor e realizar alguns sonhos, que às vezes, ressuscitados, vêm com pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e que nos dificulta alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao ponto final. Imaginei, ah, se imaginei!

Entre riscos e rabiscos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017


Tem certos momentos que a gente sequer vê o tempo escorrer entre as mãos e se perder no esquecimento, longe das fronteiras da vida que divide a nossa vontade de soletrar, de escrever, de ver o sol, a lua, de como escutar uma voz no deserto ou levantando um voo imaginário amparado pelo vento cruzando a linha do horizonte para só depois gravar nas telas do mundo meus riscos e rabiscos tudo que me vem da alma e da mente. Arrisco fazer alguns rabiscos poéticos, versos que não ditam regras nem rimas, personalizadas ou não vindas da emoção que sempre me fez sonhar e fluir minha inspiração. Escrevo pausadamente e nas entrelinhas do meu silêncio surgem o meu versar, sem censura e sem o devido controle, chego ao imponderável, e aí, paro penso, reflito, ouço o mundo que rodeia o meu céu e sem pestanejar bloqueio a razão, abro as comportas da emoção e deixo falar alto o coração.

Construo tudo em tempo real, seja no agora ou no amanhã, pois tenho que seguir os sinais que abrem caminhos. E quando estou diante de uma mansa quietude, entre meus riscos e rabiscos mergulho-me no manto negro de minhas solitárias madrugadas, sedentas de minha alma e é através desse mergulho surreal que construo, refaço, desconstruo, renasço, nasço, pois em fazendo assim passo a ter a certeza que minha existência jamais foi efêmera. Vou rabiscando, apago e rabisco de novo, escrevendo poesias com nexo e outras sem nexo, mas sempre inserindo nelas as falas do cotidiano. E assim vou levando a vida, algumas vezes estilhaçando a memória do tempo, esbarrando nas arestas da vida, entre sorrisos emudecidos, lágrimas e alegrias, e talvez advindas do meu jeito de poetizar é que surgem tantos e riscos e rabiscos que de alguma forma delineia o meu destino e o registra numa simples folha de papel.

De certo modo é controverso falar de gente que quebra as regras, que muda sonhos, que muda o seu jeito de ser e joga fora rabiscos antigos que fizeram parte de seu passado. É perigosa essa ação, todavia, eu gosto de gente que não tem medo, aliás, coragem pra tudo, que arrisca, ultrapassa os limites, corre riscos, que às vezes os chamamos de "loucos", mas às vezes, não procuramos entender que eles não encontram tempo pra nada, e a gente deixa de ser mais flexíveis com essas pessoas. Certo dia ao limpar umas gavetas eu encontrei textos diversos, folhas com simples riscos indecifráveis e outras com rabiscos compreensíveis, provas escolares, atividades exercidas, todas esquecidas, e nas entrelinhas dessas lembranças, percebi quanto tempo se passou e tanta coisa que já vivi e aprendi. É claro que mudei em alguns aspectos, mas permaneci com a mesma personalidade, com bastante transparência e gênio forte. Muitas pessoas já passaram pela minha vida, fui feliz com a maioria delas, mas todas, indistintamente, me fizeram aprender, crescer, tornar-me forte, vencedor. As que se foram para outra dimensão deixaram a saudade eterna. Mas com toda convicção posso dizer que meu hoje é melhor que o meu ontem e continuará sendo bom amanhã, e sempre com a mesma mente, o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma gratidão, a mesma cabeça pensante.

Pergunto a mim mesmo: Quantos textos eu escrevi e publiquei? Quantos livros eu escrevi? Será que era tudo isso que eu sonhava em realizar? Posso dizer que sou abençoado. O tempo passou rápido demais, mas procurei acompanhá-lo, pois ele jamais parou e foi deixando para trás deixando cicatrizes e o nosso corpo carcomido pelas intempéries desse mesmo tempo. O que dizer então? Olhar pra trás e acreditar que tudo aconteceu se tornou realidade? Sim, dizer sem entrelinhas simplesmente ou obrigado a todas as pessoas por fazer parte da minha própria história, mas dando a elas o gosto, o prazer, a reflexão, à vontade, o ponto e a vírgula de um jeito que só eu autor deste texto posso dar e receber para continuar a escrever minha história e principalmente depois de ler e dizer: Valeu a pena ter sonhado, ter chorado, ter caído, ter forças pra me reerguer. Valeu à pena confiar no meu Pai Celestial, ter a humildade e vontade de crescer. Valeu à pena escrever, correr riscos, riscar, rabiscar folhas, criar um blog, compartilhar, curtir e amar. Valeu mesmo!


 
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