Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

É hora de fechar os orifícios do ralo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Como integrante do movimento goiano de combate a corrupção não poderia  deixar de comentar sobre o texto de Macilene Rodrigues de Oliveira, publicado no Diário da Manhã, edição do dia 21 de dezembro findo. A preocupação daquela leitora quando intitulou seu texto como “Farra das Homenagens” quis apenas falar sobre as pseudo-autoridades homenageadas com decorações  pomposas e caras, (medalhas) pagas com o dinheiro público. Mas, no intuito de parabenizar essa leitora, vou mais além e digo que os administradores públicos,   Presidente de Assembléias Legislativas, Presidente de Câmaras Municipais, prefeitos e primeiras-damas continuam trombando com a lei, não só na compra de ricas medalhas, mas, praticando outros atos de malversação ou desvio de recursos públicos, que nada mais é do que sinônimo do mau uso do imposto pago pela população. Em várias partes do País detectam-se nas Casas de Leis comprovantes de gastos do dinheiro público com a compra de ternos caríssimos mediante o famigerado “auxílio paletó”; compras de medalhas, uísques, vinhos; quitação de multas de trânsito, gastos com telefones, despesas pessoais, dos quais o Tesouro Estadual ou Municipal nada tem a ver.

O povo trabalhador que recolhe seus impostos, taxas e afins exige resposta imediata do judiciário e do Tribunal de Contas de cada Estado e Município, pois esses valores gastos poderiam, além de outras  situações financeiras em que passa o País, ajudar a saúde pública do Brasil que está na UTI assim como  na construção de moradia para os sem teto ou aos moradores de rua, crianças e adultos, que estão passando fome.

Recentemente a Justiça paulista proibiu a Assembleia Legislativa e o Governo de São Paulo de pagar aos deputados estaduais o vergonhoso “auxílio paletó”, verba usada para a compra de sapatos, gravatas e paletós. O subsídio de cada deputado é de R$ 20 mil e a verba é depositada duas vezes por ano na conta dos parlamentares – no início e no encerramento de cada sessão legislativa –, totalizando R$ 40 mil por ano. Um absurdo!

A decisão, em caráter liminar, foi do juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal, da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital paulista, determinado a aquela Casa Legislativa que não mais pagasse aquela “ajuda de custo” aos Deputados, cuja decisão foi sustentada pelo Ministério Público que além de indevida era lesiva ao patrimônio Público e um atentado ao princípio da moralidade.

Na concessão da liminar, o juiz entendeu de maneira diferente. Para ele, a lei estadual excede os limites impostos pela Constituição Federal e Estadual, na medida em que acrescenta duas parcelas extras ao pagamento. “Não é difícil de perceber que a lei estadual, ao compor a remuneração dos deputados estaduais com os valores devidos no início e final de cada sessão legislativa, ordinária ou extraordinária, acresce duas parcelas de subsídios, pagas no começo e no final de cada ano”, afirmou o juiz.

De acordo com o magistrado, esta remuneração deve ser paga, na forma de subsídios, e em parcelas mensais únicas, sendo proibido qualquer acréscimo remuneratório. O juiz afastou qualquer justificativa para a duplicidade de parcelas no pagamento dos subsídios dos deputados paulistas.

Em Goiás, o pagamento de um 15º salário aos deputados goianos foi suspenso pela justiça. No dia 20 de dezembro findo a Assembleia Legislativa do Estado anunciou que os 41 parlamentares receberiam um adicional de R$ 20.077,00 até o encerramento dos trabalhos. Mas o gasto extra de R$ 820 mil para os cofres públicos foi considerado inconstitucional pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás. A Assembleia Legislativa pode recorrer.

Em entrevista a um canal da Capital goiana o presidente da OAB-GO, Henrique Tibúrcio, disse: “que o pagamento extra é ilegal porque os parlamentares só poderiam receber o subsídio mensal, ou seja, os salários, sendo vedada qualquer outra verba adicional. Para ele, seguindo esse entendimento o 14º ou 15º salários não deveriam existir, mesmo assim a Assembleia utiliza o regimento interno para conceder um benefício que contraria a Constituição Federal.”

O Ministério Público Estadual também se posicionou contra o pagamento e anunciou, por nota, que irá averiguar a legalidade dos salários adicionais. Em São Paulo, o MP conseguiu derrubar o benefício, por meio de liminar judicial. Esse benefício também é questionado no Estado de Pernambuco.

Ao todo serão dois salários extras, 14º e 15º, pagos em dezembro e também em fevereiro. Benefícios previstos que dizem conter no regimento interno da Assembleia que vão render, no total, R$ 40 mil para cada deputado. Urge, pois, que a justiça estadual, federal e Tribunal de Contas intervenham de maneira eficaz e determinem o fechamento em definitivo de todos os orifícios dos “ralos” existentes em Goiás e no Brasil e os órgãos públicos que jorravam o dinheiro através deles sejam impedidos judicialmente assim como os valores desviados, ressarcidos aos cofres públicos com juros e correção monetária com aplicação das  penalidades  da Lei.

Vanderlan Domingos deseja á você um Feliz Natal e Boas Festas!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

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São os votos de felicidades de Vanderlan Domingos!!!


Obrigada A todos Por lerem o Blog.....

Editora: Thálitha Miranda.

O hacker Rapina Robert rastreou a receita do Reino de Rudápolis e roubou o rico Rei Richard

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

No pequeno Reino de Rudápolis costumava-se dizer que para se proteger do inimigo, primeiro devia-se saber como é este inimigo. Esta tática era adotada pelo Rei Richard viciado em computador e tentava proteger o seu rico dinheiro adotando certas medidas segurança, todavia, um sistema do ponto de vista técnico meio arcaico e o seu computador mais parecia uma peça de museu, cujo   controle implantado não surtiu os efeitos desejados, pois não possuía também recursos técnicos e mão-de-obra qualificada tão necessários para garantir a almejada proteção.  O único que sabia manusear aquele computador arcaico era Robert formado em ciência da computação no Reino das Antúrias, mas nesta ajuda nem pensar. Ele era um hacker procurado pelo FBI e que naquele Reino era alcunhado de ”track young.” (jovem rastreador). O dinheiro que Richard possuía que era    surrupiado dos cofres públicos ele guardava sob um forte esquema de segurança e que só se abria mediante senha codificada. Para proteger o seu tesouro, pensava na sua maior ameaça: O famoso hacker Robert. Precisava saber qual era a maior ameaça além de Robert, e como ela poderia    surgir. E como os internautas sabem qualquer reino têm seus hackers e no Reino de Rudápolis não seria diferente o rei Richard se preparou achando que era impossível descobrir o seu segredo, a maneira de como operar e decifrar o sistema e senhas.
Ao me lembrar desta estória contada por um amigo internauta, originalmente, a pretensão de escrever este artigo era extrair de fatos reais tão corriqueiros hoje em todos os países e, com a    ajuda desse internauta experiente – que não é hacker, fiz questão de colocar em discussão metodologias e ferramentas compradas do Reino de Antúrias pelo rei Richard denominada de  protector máximus anti vírus e rastreamento.
Dizia Raul, meu amigo internauta, que Robert era exímio explorador de sistemas e sempre criava algum em seu próprio benefício, que nada mais é do que alguém procurando por um alvo fácil. Este alguém não procura por informações ou companhias específicas. O seu objetivo é obter     acesso à conta do administrador de uma máquina desprotegida da maneira mais fácil possível.  Assim, a técnica utilizada consiste em focalizar as ações em um pequeno número de falhas denominadas de exploits (explorar) e procurar pela Internet inteira, até conseguir encontrar uma máquina que seja vulnerável, o que acontece mais cedo ou mais tarde.
A seleção pretendida tornava a ferramenta protector máximus de extrema segurança, assim achava o Rei. Mas, cedo ou tarde, esses sistemas e as redes de Rudápolis seriam testados, e não havia como se esconder para evitar isto. Alguns controladores financeiros ficaram pasmos ao ver seus sistemas serem rastreados "escaneados", como ficou o do Rei Richard. Não havia nada de inacreditável nisso. As redes desses administradores de sistema financeiro, além do protector  máximus, já poderiam ter sido testadas por um script kiddie, talvez em outro bloco anterior, mas, quanto ao Rei, só após o rombo em “sua conta bancária fantasma” e dos cofres do Reino é que ele percebeu a esperteza de Robert. Era ele que tinha criado o programa current account transfer (transferência de conta corrente) que fazia parte do  protector máximus vendido ao Rei Richard, e aí, deu no que deu: o Rei Richard perdeu  o dinheiro, foi deposto, ridicularizado através da imprensa escrita, televisiva e teve seus bens indisponíveis. O Rei não deve ter observado se no sistema que implantara bloqueava ataques de rastreamento feito pelo hacker e a forma de como reagir contra ele. Não bloqueou dançou! O Hacker com a “transfer” do rico dinheiro de Rudápolis fugiu para o longínquo reino de Radamés.  O corrupto Rei  Richard foi  julgado e condenado. O Reino de Rudápolis em crise financeira teve a sua moeda desvalorizada e nem o FMI o socorreu. Moral da história: Mais uma vez o povo é que “pagou o pato”.  

Antes que badalem os sinos

sábado, 17 de dezembro de 2011

A insatisfação e decepção sofrida com a proibição imposta ao padre Luiz Augusto em celebrar missas ainda me oprimem. Sei que o meu sentimento hoje habita no coração de milhares de pessoas, pois recebi emails de vários rincões de nossa pátria e do exterior, que incrédulos, leram o meu artigo  publicado no Diário da Manhã na edição do dia 02 de novembro findo, intitulado: “Padre Luiz, entre o amor, a inveja e a caneta”. Nestes dias, após a leitura de tantos emails, comecei a perceber porque tantas pessoas estão se distanciando da igreja católica;  porque muitos amigos e pessoas de    minha família viraram  evangélicos; porque muita gente está se distanciando de Deus e  outras sequer vão a igreja. O que está acontecendo afinal?  Reflito. Pausadamente vou digitando no computador, cujas letras vão se amontoando sobre a telinha ofuscada pela luminosidade solar que passa pelo vão da janela. A cada email lido procuro responder com a maior ênfase e as belas frases, afixo numa flecha imaginária impregnada de amor e as lanço na velocidade do vento para soltar flashes de cenas passadas e dos sonhos vividos pela comunidade Atos, sabendo que, ao final, ela se cravaria coração do tempo.
As palavras de carinho recebidas me fizeram fixar os olhos na telinha e a cada segundo iam surgindo outras sempre com o objetivo de mostrar o amor inconteste e respeito ao Padre Luiz; frases extraídas do coração, e muitas delas, comparando com a dificuldade de Jesus em pregar na terra da Palestina. Lia e refletia sobre cada frase. No final, todas me fizeram lembrar que Jesus também fora perseguido pela própria igreja; fez-me lembrar de cidades e templos construídos e depois destruídos pelas intempéries do tempo e até pela própria ação do homem. Ao ler as frases que iam surgindo tudo me fazia recordar    dessas cenas bíblicas e entender verdadeiramente o porquê do sonho de Jesus em construir a sua igreja. Lendo Êxodo 20;22-24, entendi que Deus, através parábola descrita nesse versículo quis dizer que  qualquer culto deve ser mantido em nível popular, sem luxo dos grandes templos.
O título deste artigo pode parecer simples, mas não é, porque ao escrever sei que toda a Comunidade Atos encontra-se alerta mesmo que seus fundadores não se posicionarão em defesa do Padre Luiz e de outros sacerdotes de forma concreta e com atitude antes que os sinos voltem a badalar anunciando outras injustiças. A nossa comunidade é formada por cristãos verdadeiros, fiéis, ligados pela mesma fé, e nunca abandonarão esse grande benfeitor espiritual que tirou muita gente da lama e que viviam no mundo profano.  Ele motivou pessoas já dominados pela descrença, socorreu jovens e adultos dominados pelo vício, ajudou pessoas  carentes, visitou enfermos, deu moradia aos sem teto,  protegeu e alimentou os moradores dos “lixões”; fez de gente como a gente se aproximar de Deus; fez de gente como a gente ...  São tantas as benesses recebidas que não cabem neste papel. O leitor, leigo ou não, pode ficar meio atônito quando ler este artigo e achar que se trata de uma definição pessoal, mas não é, pois desde os tempos idos a maneira de expressão e modo de agir do verdadeiro cristão era essa. Basta lerem sobre São Paulo Apóstolo. E quando somos evangelizados por um lídimo sacerdote em suas palavras cremos, pois ele como bom cristão, homem de fé e ungido por Deus nos inspira amor e  confiança e faz da Comunidade Atos ou de qualquer outra,  a verdadeira igreja tão sonhada por Jesus, e se essa comunidade  se reúne em nome de Jesus, aquele local logicamente,  se transformará num templo cristão e diante da situação em que se encontra o Padre Luiz Augusto, qualquer mandatário, menor ou maior, deve ouvir-nos antes de qualquer decisão que possa prejudicar num todo a igreja católica.
Aquele que lê a bíblia sabe muito bem distinguir o que está acontecendo hoje com o Padre Luiz, senão vejamos sob duas óticas: primeiro tiremos como análise a cidade de Jerusalém. Ela tinha seus problemas enquanto a outra igreja estava “sem problemas”, contudo aquele que lê a Bíblia sabe que Jerusalém era a igreja aprovada, enquanto a outra, rica e abastada era contrária aos preceitos do Senhor. Daí, conclui-se então que, Jerusalém tinha problemas porque era uma igreja ativa, dedicada que crescia aos olhos do Senhor. E, é bem possível que a ausência de problemas dela fosse uma conseqüência direta de sua falta de fervor e vitalidade. Então, presume-se que uma igreja que vive na inércia, que nada faz, pode ficar livre de dificuldades, mas uma igreja ativa com uma comunidade participativa, pode esperar certos   problemas mas consegue converter alcoólatras, viciados em drogas, pessoas doentes e abandonadas, pessoas perdidas na escuridão, sem rumo a seguir; pode também esperar muitos problemas, no entanto, não é a existência de problemas que determina a força de uma igreja, mas sim, a lida com as dificuldades, com  o desamor amor de uma pessoa pela outra, com o cuidado mútuo, com a humildade,  com o amor à verdade, com  a humildade de saber pregar e converter crianças e adultos e por fim,  a paciência  em cuidar dos alcoólatras, dos idosos,  dos viciados, dos descrentes assim como a determinação em fazer a vontade de Deus na mais profunda devoção.

Destarte, a maneira evangelizadora do padre Luiz pode até não impedir que problemas apareçam, mas sua tenacidade e carisma pode aumentar o  rebanho católico e colocar  homens e mulheres no caminho da luz e da retidão. Assim, com um sacerdote de valor a igreja fica capacitada de levar seus problemas à solução e resolvê-los. Analisando sob segunda ótica, entendo ser necessário que igreja tenha em suas fileiras sacerdotes abnegados, sem preguiça e que trabalhem para as comunidades carentes, levando conforto e orações; precisa de sacerdotes que acompanham a evolução dos tempos e possam ensinar dentro dos princípios Cristãos, unindo o povo em prol do bem comum, como o Padre Luiz faz. É necessário também que as autoridades eclesiásticas ouçam o povo, não tire dele o direito de ter o seu sacerdote pai, irmão e amigo; que não amordacem as bocas das comunidades proibindo-as de clamar por Jesus e orar com fervor; que não  tirem o direito de nossas crianças de serem felizes a aceitar Jesus em sua plenitude como acontece na Comunidade Atos. Esta é a igreja que tenho certeza todos católicos sonham, então, antes que badale os sinos anunciando outras injustiças, encerro externando a todos muita paz e amor em Cristo.

Amordaçaram o Paladino da fé.

Ao abrir o Facebook fui surpreendido por uma carta de esclarecimento postada pelo Colégio de Consultores da Arquidiocese de Goiânia onde tentavam  explicar  o inexplicável: a transferência do Padre Luiz Augusto da Sagrada Família para o Comunidade Atos. Alegavam de que lá ele se dedicaria somente ao acompanhamento espiritual dos membros efetivos da Comunidade “Luz da Vida e Atos”. Diziam naquela malfadada nota que “as comunidades trazem alegria e esperança a igreja, mas elas não têm o mesmo perfil espiritual que as paróquias possuem” e por esse motivo é que foi    solicitada a correção da postura pastoral do Padre Luiz, permanecendo membro do clero, com restrições previstas no Código de Direito Canônico. Li e reli a nota de esclarecimento, mas continuei sem resposta quanto à postura de proibi-lo celebrar missas. Reli. Observei ao final que o mesmo não fora subscrito, então só poderia tratar- se de documento apócrifo, porque ninguém em sã consciência não escreveria tamanho absurdo. O texto só poderia ter saído de mentes invejosas, arcaicas, retrógadas. De pessoas que não entendem o significado da Fé. Daquelas que não conseguem enxergar um culto maravilhoso, realizado em um local aprazível, em que você não tem vontade de sair e pede a Deus para que o mantenha. Refleti e foi mais uma vez que entendi que deveria haver realmente uma mudança de mente para que a igreja católica possa um dia alcançar novas conquistas.

Quantas coisas ao participarmos da celebração do Padre Luiz o Senhor Jesus tem feito em nossas vidas, glória a Deus, por isso. E as milhares crianças que sentem falta dos pãezinhos de Cristo, como ficam? E as pessoas que vinham de longe só para ouvir Padre Luiz e sentir a presença de Deus? Vendo todos estes acontecimentos podemos afirmar que estamos em um nível que nunca esperávamos viver. Vivemos um tempo de mudança de comportamentos e de mentes, e isto é visível quando se lê jornais e assistimos TV, mudanças que só as mentes arcaicas não percebem. Mas, a comunidade católica que hoje se rebela, que são mais de vinte e cinco mil fiéis, está adquirindo a mente de Cristo para lutar em prol da igreja que ELE sempre sonhou.

Procurei no dicionário o significado da palavra paladino, pois como defensor da justiça sempre vivi no mundo dos sonhos e admirava muitos heróis que deram suas vidas em prol da humanidade como fez Jesus que morreu na cruz para salvar nossos pecados. O nosso paladino é um moço honrado, um homem de fé, intrépido, sem preguiça, de caráter inquestionável que sempre seguiu o caminho da verdade,    possuidor de uma bondade incomum,  obediente à lei e ordem, mas sempre disposto a continuar protegendo os fracos, oprimidos e lutar por causas justas, sempre tendo Deus em primeiro lugar, mas hoje, infelizmente, graças a mentes arcaicas que não se evoluíram com o tempo foi amordaçado. Esse paladino cheio de fé e amor ao próximo de quem falo é o Padre Luiz Augusto.

Quando falamos sobre a mudança de mentalidade é realmente para que mude a nossa mente da mediocridade e passamos a viver uma mente do reino igual à Mente de Jesus. Uma mente sarada, uma mente capaz de conquistar sonhos e projetos no Senhor. Uma mente sadia igual à do Padre Luiz e de tantos outros abnegados sacerdotes que hoje se vêem amordaçados por imposição de mentes arcaicas que seguem um Código defasado que não acompanhou a evolução dos tempos. Estamos vivendo num mundo moderno e não é esta a igreja que Jesus sonhou para os dias de hoje! Acordem homens que se dizem representantes da igreja católica! Calcem as sandálias da humildade e ouçam o clamor do povo que ecoam pelas ruas! Sabemos amordaçaram o Padre Luiz, silenciando-o, mas, as mordaças jamais farão diminuir o nosso clamor e não calarão nossas vozes.

Deus abençoe a todos vocês!  Espero que em breve voltemos a Comunidade Atos ou outra, para receber as orações e bênçãos do Padre Luiz, o nosso paladino da fé.

Retrato da corrupção e o poder!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Na semana passada tentei retratar a corrupção de uma forma mais sintética, mesmo aparecendo diante de mim variadas formas de corrupção mostradas na tela de TV. Comecei a analisar cada uma delas e a cada instante ficava mais  apreensivo. Mulheres que antes não pareciam na mídia como corruptas hoje são levadas presas por desvio de dinheiro público. Anotei cada detalhe e cataloguei no papel várias formas de corrupção, sempre atento aos detalhes mostrados pelo noticiário televisivo.  Antes, na Praça Universitária, onde pensava encontrar um número expressivo de participantes, foi decepcionante. Lá, senti falta de caras-pintadas, símbolo de uma geração que mudou este País. Lá, senti falta de entidades sindicais, das associações de bairros, da UNE e de tantas outras entidades representativas de nossa sociedade organizada. Descrente, cheguei à minha casa e pincelei no retrato emoldurado na parede restos de esperança que ao longo do tempo estava sendo corroída pelas palavras suborno, extorsão,  fisiologismo, nepotismo, clientelismo, peculato, malversação do dinheiro público e no canto da tela, em letras garrafais, a própria palavra  corrupção, mãe de todas essas outras. Embora essa palavra possa facilitar negócios criminosos como o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e tráfico de seres humanos, não se restringe somente a essas atividades.

As atividades que constituem corrupção ilegal diferem por país ou jurisdição. Por exemplo, certas práticas de financiamento político que são legais em um lugar podem ser ilegais em outro. Em alguns casos, funcionários do governo ter poderes amplos ou mal definidos, o que torna difícil distinguir entre as ações legais e as ilegais. Em todo o mundo, calcula-se que a corrupção envolva milhões de dólares por ano. As pessoas que obtém poder político tendem a usá-lo em benefício próprio. Mesmo que as  pessoas e as normas da sociedade não permitam, há uma tendência a surgir à corrupção. O poder político, mesmo não sendo absoluto, tende a corromper. E em uma primeira acepção, o verbo "corromper" tem um sentido mais amplo que a prática pura e simples de corrupção política. 

Quando muitos doutrinadores falam do verbo “corromper” como se fosse uma transformação danosa para a sociedade, podemos afirmar que em relação ao poder sobre os outros, este necessita de uma            legitimação e essa legitimação é geralmente configurada por uma doutrina. Os preceitos jurídicos,    políticos, religiosos, de sentimento nacional, de sentimento de classe social e de partido político são os principais exemplos de critérios de uma denominada legitimação sobre a soberania da vontade das    outras pessoas da sociedade. Assim como o Estado, a  Igreja Católica, sob a égide de um código antigo (canônico) não reformulado para atender os dias atuais, se viu obrigada a manter certos poderes arcaicos deixando de lado, aquilo que Jesus sempre sonhou em termos de Igreja, senão vejamos: ver sacerdotes evangelizando não importando em qual comunidade; ver fiéis clamando o Teu nome com alegria; ver os sacerdotes abnegados, sem inércia ou amarras, saírem em busca das pessoas carentes; ver os sacerdotes dando teto a quem não tem; ver sacerdotes tirar das ruas os dependentes químicos; ver sacerdotes visitando enfermos em hospitais; ver sacerdotes proteger os idosos em abrigos dignos; ver sacerdotes levar aos moradores dos “lixões” o alimento para sua sobrevivência, carreados de amor, fé e esperança. E esperançoso de uma renovação insisto mais uma vez em afirmar que as regras que ainda imperam na igreja católica, muitas vezes, alimentadas por invejosos, é um retrocesso e isto faz com que milhares de fiéis se debandem para outras igrejas, como aconteceu e vem acontecendo com pessoas amigas, meus irmãos e irmãs. 

A santidade da função eclesiástica ou o poder do cargo político são incompatíveis com a fragilidade da natureza humana. Assim, tanto a Igreja quanto o Estado são instituições que somente podem sobreviver de maneira não corrupta e seus membros detentores do poder não podem agir como se fossem            moralmente perfeitos. Isto é, se fossem santos ou estadistas. No entanto, estas condições são ideais e não reais. No caso do homem político, a fraqueza de sua natureza humana tende a distorcer a personalidade do seu cargo de poder e o leva, enquanto autoridade em função pública, a apropriar-se privadamente dos poderes inerentes ao cargo e não à sua pessoa.

Retratos da Corrupção I

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Como participante do movimento goiano de combate a corrupção não poderia deixar de retratar esse mal que vem afligindo e denegrindo a imagem do Brasil em outros países.  Como o assunto é de grande relevância e este espaço não comportará tudo o que pretendo relatar, obrigou-me a dividi-lo em três tópicos para publicação às quartas-feiras neste jornal.  Lamentavelmente o que vemos nos dias atuais são escândalos e mais escândalos. Quando a gente menos espera aparece situações pitorescas envolvendo políticos renomados, tanto do alto como de baixos escalões do governo. Denúncias  estarrecedoras de repercussão nacional e mundial que deixam a sociedade brasileira estupefata, boquiaberta.

Na minha parca opinião entendo que esses administradores deveriam dar o exemplo de decência e respeito ao erário e a coisa pública e os políticos acomodados nas salas confortáveis e refrigeradas do Congresso Nacional, deveriam legislar a favor do bem comum ou pelo menos    tentarem desempenhar o seu papel de legislador, criando leis mais severas contra esses desmandos que vêm incomodando toda a nação brasileira. Por que não criam uma lei que possa enquadrar esses abusos (corrupções) como crimes hediondos? Se não criarem este antídoto de nada adiantará, pois ela está se generalizando, tornando-se incurável, contaminante, e os indivíduos, investidos na função pública, logicamente continuarão se apropriando de bens e desviando  verbas por meios ilegais sem o menor constrangimento e ainda tem o disparate de negar tudo nos noticiários de jornais e TV como se fossem anjos. Fazem da corrupção uma arte, seja por vontade própria, seja porque são corrompidos por outrem. E o pior, ainda existe aqueles que com a maior cara de pau dizem: “Não sei de nada, não escuto, nada vi, nada falo.”

Na sociedade não existe predisposição mais ou menos de praticar atos desonestos, há sim sistemas mais permissivos, mais corruptos investidos de leis que não alcançam seus objetivos. O que precisamos no momento é de um antídoto forte, de uma administração pública politicamente organizada, com leis severas e eficazes; de um poder de polícia que se imponha diante sociedade e instituições que a integram, particularmente no que se refere ao abuso do poder político e econômico; que se imponha diante do crime organizado e tantos outros males, que se combatidos, contribuiriam sobremaneira para reduzir a criminalidade, os padrões de desigualdade e da pobreza. Atuaria para erradicar o câncer da corrupção, ou pelo menos, mantê-lo sob austero   controle, aplicando severas punições. Assim, a política que é a vala comum da corrupção passaria a cumprir seus elevados fins, ou seja, governabilidade com sabedoria e ética.

Em meio a este triste cenário de corrupção, comum não apenas em nossa comunidade, mas em todo o País, o que nos deixa otimista, é saber que para a cura deste “mal”, já temos um bom antídoto: o voto, que sempre será o instrumento eficaz no combate a corrupção. Mas, não podemos dispor só disso. Devemos realizar um trabalho de parceria com o Ministério Publico  Federal e Estadual,  com as organizações não governamentais e entidades afins,  fiscalizando e denunciando quaisquer atos de improbidade administrativa e a malversação do dinheiro público. Assim fazendo, podemos ajudar na minimização desse mal que contamina toda a sociedade.  Hoje assistimos Ministro deixar o governo sob investigação e entra outro também passível de ser      investigado. Uma figurinha carimbada que elaborou o Código Florestal favorecendo aos ruralistas e ao assumir o Ministério dos Esportes, já se vê envolvido com doações recebidas de empresas  ligadas à CBF e de empreiteiras beneficiadas com a realização da Copa do Mundo. Tem Ministro denunciado que não sai nem à bala e ainda diz que ama a Presidente.

O cara de pau não resistiu à pressão, caiu! Outros fatos pitorescos são mulheres fiscais da receita federal e primeiras-damas desviando dinheiro público para comprar mansões, carros importados, vinhos, uísque, rações  para cachorro, compras em supermercado, lingerie e tantas outras mazelas. A corrupção generalizou-se.  Denigre-se a imagem das mulheres. Quanto à Goiânia só me resta alertar: não use a montanha-russa do Mutirama, pois quando você estiver lá em cima poderá respirar ar poluído infestado de vírus corruptos. É uma doença incurável!  E olha que essa sucata giratória foi       superestimada em milhões de reais! Um absurdo! E aí pergunto: quanto ao trem? Cuidado! Não entre nele, pois quando você passar pelo túnel poderá encontrar espectros humanos corruptos travestidos de sorrisos irônicos. Por fim, como comentei no preâmbulo, a matéria é imensa, por isso, neste primeiro retrato falado da corrupção só me resta pedir aos leitores e eleitores para que não sejam coniventes com aqueles que se perpetuam no poder, que já se oportunizaram e nada fizeram, a não ser usar o seu poder político para atender a seus próprios interesses.

Sentado, a beira da estrada da vida!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Adolescente, saía equilibrando sobre os trilhos da estrada de ferro, e algumas vezes, colocava o ouvido sobre eles na esperança de escutar os passos daquela linda menina que morava a poucos quilômetros dali, outras vezes, escutava o barulho do trem e o meu coração acelerava esperançoso de vê-la descer na estação. Num vagão abandonado desenhei um coração e dentro dele escrevi nossos nomes usando cores rubras que com o passar dos anos não resistiram às intempéries do tempo e se esvaíram como se esvaiu a dor e saudade de sua eterna ausência. Nunca mais a vi.  Eu era um adolescente que enxergava o amor nas mínimas coisas e anotava tudo no caderno repleto de frases poéticas, próprias de um sonhador.  À medida que ia andando sobre os trilhos,  abria o peito para receber o vento que me enchia os pulmões de perfumes vindos das matas e das flores que se esparramavam pela estrada afora. 

Observava o movimento dos pássaros, sentia o sol queimar o rosto e o meu peito nu, e ao entardecer, me deliciava quando o via o sol descer soberbo no horizonte emitindo raios alaranjados. Sentia uma sensação inigualável, inexplicável e algumas vezes, via o rosto angelical daquela menina-moça se refletir por entre as folhagens das árvores floridas retalhadas pelos raios solares naquelas encantadoras tardes de primavera. O seu sorriso era parte integrante do cenário, que de tão perfeito, parecia onírico. Mas, naquele tempo, ao caminhar pela “estrada da vida”, não soube escolher o caminho certo.Talvez, enxergava certas coisas de uma forma, não como hoje, que calejado em face da labuta cotidiana, passei a ver de outra, não porque tudo tenha mudado, mas sim porque a minha forma de interpretá-la mudou. 
A “estrada da vida” se esticou assim como o tempo que passou sobre os nossos rostos deixando-os  carcomidos.  A estrada que percorremos fez-nos deixar para trás muito choro sufocado e muita injustiça para ser vencida. Mas, seja qual for à estrada, se de chão ou de ferro, nem sabemos em que parte dela a dor deve ser curada, sabemos que ela nos conduzirá ao mesmo lugar e trafegar ou equilibrar sobre ela é o que se  questiona. Podemos até passar rapidamente ou devagar sobre ela, não importando a velocidade que imprimimos. Podemos causar impactos, sentimentos vários nas pessoas ou em nós mesmos. Podemosn encontrar durante nossa caminhada dias nebulosos, ventanias, sol extremamente quente, noites e dias frios, pedras, espinhos e até pessoas que passam por esta mesma estrada, umas com semblantes rancorosos, outras distraídas, venenosas, falsas, egoístas e outras cheias de amor, mas, todas sabendo, que no final da “estrada” todos terão o mesmo destino: rostos carcomidos pelas intempéries do tempo, para não dizer que chegaram à velhice e como final, a morte, para uns, o descanso eterno, para outros, é vida nova no paraíso, mas, para mim, é somente a certeza de ter conseguido chegar ao fim da estrada ileso e pagando menos pedágios.
Tem dia que sentamos na beira da estrada e sentimos o vento levar nossos pensamentos sem pedir licença. Tem dia que pegamos pétalas de rosas à sua beira e elas nada exalam. Tem dia que vemos passar por ela marés de incertezas e não reagimos. Tem dia que tentamos encontrar outra estrada e sonhar um sonho que almejamos sonhar, mas não conseguimos. Tem dia na estrada que a noite é pesada demais mesmo sem    termos pesadelos. Tem dia que nos lembramos do passado sem assombros, mas, tem dia que a vemos cheios de escombros. Tem dia que perdemos alguém na “estrada” que muitas vezes não dávamos o devido o valor. Tem dia... ah, se tem!

Sentado à beira e com o pensamento absorto, percebi que o nosso passado é a estrada que percorremos durante toda a nossa existência e este aspecto não devemos esquecer. Foi através desta caminhada longa, entre erros e acertos, com realização profissional ou não, que chegamos onde estamos ou encontramos a  felicidade de haver encontrado ao longo dessa “estrada da vida” o amor e realizar alguns sonhos, muitas  vezes com pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e nos dificulta  alcançar outros sonhos e objetivos antes de cheguemos ao seu final

Simplesmente Carolina

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Foram dias difíceis naquele hospital. Mas a vida é assim. Tem situações que parecem complicadas e custamos a entender. Pode ser incompreensível para muitos em se tratando de morte, não obstante sabermos que um dia ela virá com todo o seu mistério que jamais será desvendado porque só Deus sabe o momento de subirmos ou descer os degraus da vida, para no final, ELE abrir a porta e nos mostrar o caminho da luz. Cercada de virtuosidades mãe Carolina deixou esta terra depois de tanta luta pela sobrevivência e hoje, quando se completa sete dias de seu falecimento, senti-me tocado pela dor e saudade restando-me a  reflexão e lembrar do seu passado de muita luta e sabedoria.

Ainda menino, amparado pelos seus braços fortes, lembrei-me daquele pequeno ônibus onde a senhora, juntamente com meus oito irmãos, deixou a pequena cidade de Morrinhos, em busca de um novo lar, de uma vida melhor na Capital. Pela estrada de chão, esburacada, o ônibus seguia célere deixando para trás uma poeira fina que se esparramava com o auxílio do vento, apagando imagens de um passado como se nela tivesse impregnada a borracha do tempo e, lá dentro, sacudidos pela trepidação, outros passageiros também sonhavam com um mundo melhor, mas, receosos de não conseguirem alcançar o seu intento seguiam silenciosos. Pela fresta da janela passava o vento e em seu colo sentia a sua pureza de mãe, enquanto sua mente contabilizava os quilômetros emplacados estrada afora, e de forma sutil, seus olhos ainda tinham a sensibilidade de contemplar a natureza, cujos vales, serras e montes iam passando velozmente à medida que o veículo seguia rumo ao seu destino. O seu semblante jovem transpirava dor e saudade de nosso pai, ainda jovem, morto de forma trágica, no entanto, mesmo assim, soube manusear as rédeas do destino, frear e puxar  o cabresto que construiu usando cordas de ternura que acostava aos filhos, para, no momento certo, poder puxar, exigir ou se recusar, até de forma obstinada, qualquer coisa que lhe contrariasse ou entristecia seu coração.

Naquele ônibus, antes de afundar no seu mar de sonhos sabia que mais adiante, mesmo sem teto, não poderia se curvar diante das adversidades que surgiriam, pois teria que sustentar e agasalhar nove filhos,   talvez, fazendo faxinas em residências ou usando os carrinhos da vida para buscar peças de roupas em bairros distantes, lavá-las no tanque da integridade e pendurá-las no varal da vida sob um sol escaldante. Tempo em que talvez não tenha contabilizado; tempo que lhe consumiu o corpo e fez aparecer os     primeiros cabelos brancos protagonizados por este mesmo tempo.


Mãe, você viu os seus filhos crescerem imbuídos de responsabilidade, honestidade, dignidade e respeito ao ser humano. Mesmo doente se preocupava com tudo, cuidava de todos com esmero e carinho, servindo-se de modelo para seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos, fazendo-os entender que o amor faz gerar sorrisos e que amar significa querer mais e mais de uma pessoa. A senhora foi assim: sempre procurou ensinar corretamente, de forma que todos pudessem compreender os seus próprios sentimentos, quando na verdade, poucos compreendiam e, muitas vezes, lhe pedia aquilo que não podia dar.

Hoje, com quase noventa e dois anos de vida você nos deixou e partiu para outra dimensão, deixando para nós, pulverizados, muitos exemplos de amor e virtudes; foi com a senhora o seu sorriso angelical, o seu jeito simples de fazer crochê e tapetes montados com retalhos de tecidos multicoloridos; foi com a senhora a vontade férrea de viver; foi com a senhora a batuta que regeu, como um maestro, a vida de cada um de seus filhos, tudo embalado pela sinfonia de sua própria vida. Mãe, todos nós reconhecemos que você deixou um legado de carinho, amor ao próximo e virtuosidade, por isso é que todos a chamam simplesmente Carolina.  Mãe, você fez de mim um homem justo e me ensinou a defender os injustiçados. E como o Padre Luiz  disse num calendário: “Há muita dor que precisa ser curada, há muito choro   sufocado, há muita injustiça para ser vencida. Em tudo isso, a certeza de que só Deus é a resposta. Deus não explica a dor, mas, na cruz, ressuscita a esperança e o amor”

Padre Luíz, mais uma vez entre o amor, a inveja e a caneta

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

No último domingo ao passar pelo portão de entrada da Comunidade Atos deparei com uma jovem chorando. Achei meio estranho e segui rumo ao galpão preocupado e com o pensamento absorto. Logo mais à frente  percebi outras pessoas com lágrimas nos olhos e continuei sem entender o que estava acontecendo. Meus pensamentos iam voltavam ao passado como se fosse uma avalanche esmagando de minha memória cada momento de angustia vivido em face da perseguição promovida contra o Padre Luiz na Igreja Sagrada Família.

Ao adentrar no salão já sentindo o meu corpo    dormente em razão  de noites mal dormidas, pois minha mãe encontra-se internada na UTI onde o padre  Luiz esteve e com suas orações acalentou sua dor, inquietei-me. Inspirado no evangelho de São Marcos, capítulo 9, versículo 42, olhei para as cadeiras e observei que todos choravam e ai não resisti e perguntei a um membro da comunidade que disse; “O padre Luiz foi proibido mais uma vez de celebrar missa e o Arcebispo disse que ele vai ter que se reciclar” Reciclar? Como reciclar se ele é um verdadeiro evangelizador!

 Os outros padres é que tem que aprender a celebrar e a evangelizar como ele faz. Revoltado de vê-lo mais uma vez tolhido de forma tão injusta de exercer seu Ministério, o tempo naquele domingo ensolarado passou tão lento quanto a um trem que se   engasga em seus próprios trilhos enferrujados e que muitas vezes se rompem sem deixar vestígios, mas quanto a mim, embalado pelo descontentamento  de ver mais uma vez o Padre Luiz  ser proibido de fazer celebração, também quedei-me junto aos outros extremamente emocionado.                                                                                                                            

Vi os olhos de meus filhos e de minhas noras marejarem de lágrimas e se revoltarem. Meus   olhos cujas lágrimas já derramadas em face da doença incurável de minha mãe, ainda se direciona-ram ao altar com um novo celebrante já postado e lá fora, o sol encoberto por pequenas nuvens esparsas ainda conseguia enviar à terra pequenos retalhos de luz. De repente meus pensamentos  flutuaram na região recôndita de meu cérebro tentando me convencer da imposição da Arquidioce-se, mas, tenaz quanto a aquelas centenas de crianças que esperavam o teatrinho não acontecido e depois o pãozinho de Cristo não oferecido, tive vontade de voar e ouvir lá em cima fragmentos de relatos esquecidos pelo tempo onde se pode ouvir tudo e até vozes solitárias expondo a decepção de toda a comunidade em face da perseguição mais uma vez sofrida pelo Padre Luiz Augusto.

Breve como a um pássaro que foge de seu ninho em busca uma nova morada do outro lado do rio, restava-me olhar as belezas daquelas matas e com a idéia fixa de não admitir a idéia de recuar um passo face à hipocrisia reinante ante tantos esforços empreendidos por um sacerdote de valor e de seu sacrifício para manusear o sal que temperou o pão de cada dia e lhe conservou a têmpora de genuíno missionário, de um benfeitor espiritual, dedicado, sério, amoroso e que sempre teve como alicerce a vocação de bem servir os mais carentes com o lema: “EU VIM PARA SERVIR E NÃO PARA SER SERVIDO”              

Incrédulo mais uma vez diante de tanta insensatez, em certos momentos, mesmo sabendo que invejosos são muitos, naquele momento nem acreditei, mas mesmo assim me senti perdido detrás da sombra que cobria a região recôndita de meu cérebro.  Assisti à missa, pasmo, mas ansioso para   externar minha insatisfação. Mal conseguia orar. Como amar uma igreja que impede um padre de celebrar missa. Como amar uma igreja que não enxerga suas crianças, seus jovens, adultos e idosos que saem de longínquas regiões da Grande Goiânia para assistir aquela sagrada celebração e ao chegarem, derramaram-se em prantos: “Meus Deus que aconteceu, e agora?” Como estaria Jesus pensando ao ver aquela multidão chorando, pedindo simplesmente o direito de ter o seu pastor celebrando as missas? Como ficaria Jesus ao ver aquelas crianças chorarem e serem tolhidas do prazer de serem pequenas cristãs. Como!... Com o pensamento alhures, só me restaria acreditar na justiça Divina.

A acreditar que o Arcebispo pode continuar usando sua poderosa caneta, mas a  comunidade continuará navegando em águas mansas no afã de remontar o que os invejosos, falsos amigos e pessoas retrógadas tentam desfazer. O Arcebispo nunca procurou ouvir e nem se preocupa em saber o que é melhor para a comunidade católica. Nós servos da Comunidade Atos, não servimos para nada, somos tratados como entes nocivos pela Arquidiocese de Goiânia. A igreja católica não se modernizou, não vem acompanhando a evolução dos tempos e em razão disso está se esfacelando a cada dia. A caneta pode mudar tudo num simples papel digitado quando não se  ouve a outra parte ou se não tem amor no coração, mas os olhos espertos da comunidade Atos que são milhares, com papel ou sem papel, com voz branda ou rouca, com som ou sem som, teimarão em mostrar às  autoridades arquidiocesanas as cenas de tristeza ante as dificuldades encontradas ao  longo dos anos e as alegrias com as vitórias alcançadas por todos nós e por este jovem  honrado e abnegado sacerdote

O ultimo Pôr do Sol.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tem dia que vivo mais no mundo imaginário que no real. A minha mente atribulada arquiva sonhos perdidos e os prendem na região recôndita do cérebro impregnado de dor e saudade. Passo as manhãs primaveris pensando em coisas inimagináveis e a   mente é sacudida pelo tempo que jamais voltará, assim como as feridas que muitas vezes não  cicatrizam. Tempos idos chorava por amor, pensando que aquele seria meu último pôr do sol. Era uma dor intensa para um jovem simples e sonhador. O sol, sem importar com as minhas lamentações nascia soberbo no horizonte e o dia recomeçava e, sem perceber, a ferida que imaginava existir, cicatrizava. E naquela manhã de primavera o que era imensurável ficava pequeno e, depois de um tempo até virava motivo de reflexão.

Colocar a culpa em alguém de ter roubado os meus sonhos ou de tê-los acobertados detrás de sua sombra a esperança, não diminuirá as lágrimas desse alguém, como não diminuirão as minhas se eu estivesse no lugar dela, mas, lembrar das situações que já vivenciamos nos dá forças, porque sabemos que após o crepúsculo há a alvorada e com o nascer do sol, a esperança, que é concebida a aqueles que têm Deus no coração. Nada é   permanente neste mundo e isso é que torna emocionante a nossa vida na terra.

Um relacionamento entre casal seja qual for não é fácil. Todos têm um passado, e seja ele qual for, é  inevitável que ele venha junto. Tem gente que traz um final de casamento trágico, mal resolvido. Tem gente que ao casar já traz consigo uma tropa de filhos. Tem gente que tem uma ex-namorada ou ex-mulher que não saem da cola. Tem gente que tem filho que nem sabia de sua existência e poucos anos depois aparece. Tem gente que traz traumas de relacionamentos antigos. Tem gente que traz medos. Decepções.  Mágoas. Tem gente que acumula tudo isso para depois se internar numa clínica de tratamento psiquiátrico ou indo para o hospício.

O passado de cada uma deveria servir como aprendizado. Experiências positivas. Esperança. O passado não deveria ser uma roupa de marca que você coloca no cabide do guarda-roupa a vida inteira. Tudo que se vive é válido. Algumas vezes é lindo demais. Mas é passado. Serviu como experiência, mas passou. É passado e não devemos olhar para trás.  E seria muito bom que todos interagissem com alguém como se nenhuma das partes tivesse vivido experiências boas ou ruins. Como se fossem uma página virada. Infelizmente, não é assim que funciona. Todo mundo tem um monitor que são os olhos.

Todo mundo tem uma memória interna. Um HD onde são salvas as sabedorias, crendices, idiotices e muitas vezes, sem pestanejar, apagamos umas e outras por    descuido – ou por querer – para caber mais coisas novas em nossa cachola. É nessa grande massa cefálica, HD humano, que a gente guarda tudo, desde o nascimento. Para isso serve essa memória interna. Porque é lá onde as coisas que passaram devem permanecer. As lembranças e tudo mais. Quando o passado começa a brigar com o presente, quando não vemos os últimos resquícios do pôr do sol ou mesmo do amanhecer, é porque alguma coisa está errada. 

Algo estranho pode estar acontecendo. Um enfermo isolado numa UTI, outros que podem ter deixado este mundo e partido para outra dimensão; outras, menos incautas, podem estar invadindo o espaço de alguém sem compartilhar o seu próprio mundo. Elas pensam que o passado serão só delas e que o passado do outro é só do outro e nem se importam se ainda existem resquícios de luz sol ou da lua a serem consumidos detrás dos montes ou nas profundezas das águas oceânicas quando ensaiam suas subidas ou descidas triunfais. Não entendem que o sol é salutar à nossa sobrevivência e a lua é o refúgio de poetas e sonhadores. Observar estes últimos resquícios de luz, entre o céu azul e a mãe natureza, mesmo com rota alterada, sempre nos trarão recordações, sempre nos motivarão viver o presente e sonhar com um futuro melhor e mais humano.

Halo Solar, um sinal Apocalíptico.

Há pessoas quando acordam para ir ao trabalho precisam de tempo para recuperar o prazer de se sentirem vivas. Antes de levantar espreguiçam-se na cama estalando os ossos impregnados na carne e em nervos adormecidos, deixando ao relógio a tarefa de eliminar os resíduos de mau humor ocorridos no dia anterior. Todo o corpo está em dissonância, até a respiração fica ofegante, precisando resgatar mentalmente alguma situação agradável para que o ato de levantar não se transforme numa tortura. Algumas vezes sinto isso, principalmente quando nos sentimos massacrados pela volúpia trazida pelo tempo quente e seco. Nestes primeiros dias de primavera, ao abrir a janela e olhar o céu azul, não se consegue receber lufada de perfume antes trazido pelo vento, e ao aspirá-lo sentimos cheiro de fumaça oriundas dos veículos, chaminés e capim queimado, que dificultam transformar o meu humor azedo num sorriso, deixando-me em desconforto e sem vontade de experimentar o gosto de mais uma manhã de primavera.
 
Mas, naquele dia com disposição para acolher o melhor, treinei meus olhos para as delicadezas que o mundo nos oferece. Olhei no espelho e fiz um exame diário de meu semblante, na tentativa de encontrar cicatrizes, pés de galinhas e olheiras que muitas vezes nos impede de ficar bem com a gente mesmo em determinados momentos. De um constante observar-se, exercício que resulta na descoberta de falhas de comportamento que podem ser evitadas, procurava sempre reagir com lucidez. Essa reação diária de lucidez é fruto das meditações que faço na tentativa de não reagir à violência com violência, seja ela de ordem física ou psíquica. Sinto-me mal toda vez que entro em conflito com alguém. Tenho horror a qualquer embate onde a agressividade seja a nota que conduz a discussão.
 
Ninguém está imune à inveja, mas não jogo cartas com ela. Não me interessa desafiá-la. Apenas a encaro de frente, como um inimigo mais fraco do que eu. Já vi pessoas próximas sucumbirem, mesmo sendo ricas interiormente, porque acreditavam que outros não mereciam o que tinham. Ficavam paralisadas diante de um falso fulgor alheio. Não percebiam que estavam sentadas sobre uma mina de ouro. Invejar é uma maneira de vestir a vaidade de modéstia.  Por isso, acordar nesta primavera e sentir o gosto das manhãs sempre foi para mim salutar; saborear o mamão, beber leite com café e mastigar um amanteigado pãozinho francês com gergelim; saber olhar o mundo com humildade e reverenciá-lo; entender que um dia a mais é um dia a menos na contagem de tempo de nossa existência é essencial; entender que devemos aproveitar cada minuto como uma criança que se delicia com uma  balinha de hortelã em sua boca sem se importar com o passar do tempo. Precisamos voltar a ser essa criança, nascendo quantas vezes for preciso e espreguiçar entre os lençóis embebidos por carinhos de mãe mulher.

Aquele dia parecia que seria diferente. Quando sai do elevador e pus os pés sobre a calçada senti um bafejo quente próprio de um planeta ameaçado. Nas calçadas pessoas estranhas cheias de dogmas se cruzavam, outras, paralisadas, como se fossem espectros humanos, estavam com os olhos voltados rumo ao céu. Com o pensamento alhures tinha que continuar, seguir o meu trajeto, com expectativas, é claro, de encontrar um mundo melhor e mais humano no dia seguinte ou, ser surpreendido por alguma coisa real ou surreal, um fenômeno qualquer, talvez vindo de outra dimensão ou do infinito universo de forma que pudesse servir de alerta aos seres humanos.

De soslaio, em pleno meio dia, também olhei para o céu coberto de nuvens enfumaçadas e foi difícil entender o segredo do universo. O sol, importunado com a refração de sua luminosidade em razão dos cristais de gelo em suspensão na atmosfera, tinha ao seu redor uma auréola colorida coberta por uma camada e ele parecia dizer: estou de olho nessa terra de desmandos! No dia seguinte pesquisei sobre o fenômeno. Constatei que há centenas de anos dizem tratar-se de um halo solar, cientificamente conside-rado como uma passagem do inverno para a primavera ocasionando por uma frente fria que atinge  grandes níveis, um fenômeno raro que deixou o povo boquiaberto, assustado e crente de que em face da poluição generalizada, tratava-se de mais um sinal apocalíptico.

O Araguaia parecia sorrir!

Passando sobre terrenos cheios de curvas o Rio Araguaia bocejava e parecia sorrir. Lânguido, recebia a luz do sol que esplendorosa formava sobre as águas cintilantes   reflexos estelares que recepcionavam as pétalas de flores e folhas secas que se desprendiam dos galhos ribeirinhos, para mais adiante cair em cachoeira. Ele seguia manso sobre o leito adornado por belas matas e praias. Olhava para o céu azul completamente embevecido e cheio daquela densa alegria a envolver-lhe os filamentos aquáticos nervosos e curvilíneos. Seguia célere por toda a extensão sem medo de ser feliz, para atingir generosamente suas ainda tenras margens e raízes que se deliciavam de suas águas. Em cada curva ou reta, deslizava sobre o leito no afã de mostrar aquela sensação gostosa de vida em explosão e o paulatino oxigênio jorrado ao ar tão necessário e salutar a vida humana.

Embora insensível e pesada, a mão do homem, com suas perversas armações contra a natureza, de sugar de seu leito areias e minérios, não logrou impedi-lo de tornar-se um ser majestoso. O pulsar da existência, garboso, invencível, que explode em intensidade, em querer ser apenas um rio. Conquanto um ser frágil ante a insensibilidade humana, o Rio Araguaia já nasceu ansioso para ver a luz e navegar por uma imensidão de terras furando o quase inexpugnável bloqueio arbóreo e margens arenosas - só Deus sabe como – mas ele continuava destemido em meio às asperezas e degradações ambientais.

Tudo certamente o que ele fez, faz e ouve se dá à surdina, ali no silêncio dos dias e das noites, calmamente, longe dos holofotes e olhares humanos, mas, certo dia, ficou sabendo de um projeto que estava sendo  preparado pelas autoridades públicas – a construção de uma usina hidrelétrica, não sendo necessário dar-lhe a conhecer os detalhes ou as minúcias do espetáculo que chamam de desenvolvimento regional. A diferença é que o inusitado projeto deixou sua marca e chamou a atenção de ambientalistas, do Governo de Goiás e da Ministra do Meio Ambiente, cujo rio e as belezas naturais que o rodeavam, foram bastante decantadas através da música, de trechos escritos por poetas e romancistas e até divulgado diariamente por uma novela global.
 
Semelhante a um estranho no ninho, tal qual o patinho feio, alguém, hoje exonerado, tinha autorizado a construção de uma usina que logicamente iria destruir o verde ostensivo das matas que o realça, a fauna e flora e tudo visto lá de cima, se degradado, mostraria um quadro bucólico, surreal, mas eis que, surpreendentemente, apareceu e exibiu seu belo charme em plena selva exalando gás carbônico aos helicópteros que passavam tresloucados, secundados por outros, menos desavisados, que pareciam se espantar e talvez, ainda não acreditava na salvação daquele rio. Indiferente às intempéries do tempo e dos ruídos dos motores e esbanjando aquele aspecto saudável de quem sobrepujou as dificuldades com impetuosidade, naquele de domingo ele se sentiu vitorioso.

Extasiados diante de tanta beleza, aquelas autoridade públicas no vai-e-vem dos helicópteros, olhavam para baixo, meio abobalhados, alguns sorrindo e outros, cabisbaixos, certamente não tinham sido atingidos pelo cerne da sensibilidade dos enternecidos, que entre os solavancos da bela máquina voadora, sequer se lembravam dos burburinhos e poluição da cidade grande. A imagem bucólica do Rio Araguaia surgia com toda a força sem interferência de ninguém, e nem poderia, evidente, mesmo que quisessem. Pois foi personagem de muitas lutas e agora vencedor ficará mais distante do alcance da ação humana e da degradação ambiental que doravante farão parte do silêncio cúmplice dos dias e das noites que se amoldaram nessa complexidade maravilhosa chamada vida, equilibrada, perfeita, cheia de vivacidade e harmonia.

Naquele domingo, mesmo desconfiado com tanta pompa, mas ciente de que quem o sobrevoava naquela maquina voadora era a Ministra do Meio Ambiente, pessoa sensível e inteligente, aquietou em seu leito e parecia sorrir, pois sentiu que Ministra ao vê-lo lá de cima,  as matas ciliares, os perfis da vegetação, as erosões em sua nascente, perto do Parque Nacional das Emas, deve ter entendido que o Rio Araguaia precisava ser   preservado, pois além de exuberante e belo, gera riqueza, alimentação e é de vital importância ao meio ambiente.

O Araguaia voltou a sorrir!

Livre do burburinho de uma suposta usina, dos ruídos das dragas, o rio, boquiaberto, balançava em seu dorso as folhas secas que se soltavam dos galhos ribeirinhos seguindo firme sua rota muitas vezes curvilínea, mesmo assim, ainda caia nas eivas profundas impregnadas em suas margens. O rio sob ameaça humana ainda tinha a difícil missão de cruzar a barreira da solidão imposta pelo ambiente selvagem e muitas vezes inóspito. Ao vê-lo lá fotografado via satélite, fotos estampadas no jornal, em alguns pontos, o rio parecia morto e em outros, naufragava em seu próprio leito. Isto poderia até ser obra da minha imaginação fértil, mas não é.

Hipérbole de sua própria nuança, depredado se  tornaria no futuro apenas a tumba sórdida dos esquecidos. Mas, se majestoso, certamente continuará servindo de palco, onde encenará, sem coadjuvantes, alguns atos adornados de areias brancas apinhadas de gente. Um rio magnífico que possui em suas águas grande quantidade e diversificados cardumes de peixes que saciam a fome da população ribeirinha. Rio que não chora mais, pois as lágrimas ressequidas foram levadas pelas pequeninas ondas que jazem sobre barrancos enraizados. Ele já não sente mais   pesadelos e nem a aflição do último veio que se esgotava no curso do seu próprio silêncio quando se encontrava à espera da construção de uma Usina Hidrelétrica, que se construída, lhe restaria para servir,  numa taça quase vazia a cicuta de quem aí irá beber na sequidão do vale, até a hora do cortejo fúnebre dos depredadores que hoje sentimos o prazer de vê-los derrotados por um simples veto do IBAMA.

A última tentativa de destruí-lo já se foi. E eu espero que sim, não obstante saber que ainda existem os homens “lodos”, sugadores de leitos para extração de areias, destruindo as margens ribeirinhas dando um fim as águas límpidas e ao homem o gosto salobro de uma tarde devorada pela mediocridade. Célere e constante o rio segue manso sobre o leito abraçando suas próprias asas caudalosas como um pássaro, que perdido na imensidão celeste, não sabe como se esconder na última curva sustentada por alabastros e ou raízes de árvores milenares. Parece um pêndulo esférico à procura de um abrigo, ou uma tora solta uma vez que ele não conseguirá manter-se indeciso entre continuar ali pairado, ou flanando alto até cair em cachoeira. 

Flutuando sobre o leito, sepulcro das águas paralíticas, tudo que lá jaz, parece se acomodar tão lentamente, quanto às palavras impuras contidas na muda história de uma gente ribeirinha. Mesmo que se bastem, as imagens vistas do alto precisam ser tocadas pelos nossos sentidos como aconteceu com a Ministra do Meio Ambiente. Mas o tempo foi passando e as águas também, protelando uma decisão ministerial que na última hora, mediante bom senso, decidiu-se definitivamente que no Rio Araguaia não se construirá Usina Hidrelétrica. Felizes com a decisão restarão aos amantes da natureza palavras poéticas cheias de perturbadoras imagens, tanto e quanto o sonho dele de se ver salvo pelo  homem que se materializou devagar, devagar, até que fosse hasteada a bandeira de sua vitória.

Semana passada, dia 21 de outubro, no jornal Diário da Manhã, juntamente com outros abnegados ambientalistas, fiquei feliz com o título “Vitória do Araguaia”, estampado na capa com letras garrafais, e com a maior serenidade possível, cheguei à conclusão de que o caminho em defesa desse rio não tem atalhos, e a metáfora do sonho pode ser a foz ou o abismo. Pelo abismo passarão só as imagens de entes nocivos e depredadores, sem palavras, mudos e as novas águas nem perceberão eles fazerem a travessia. Para quem das águas retira o sustento, os leitos sadios serão os caminhos naturais; para quem lá navegam sobre canoas verão que são os leitos que potencializam as riquezas nacionais. Mas, para que tanta pressa, se ninguém nos espera em lugar algum! 

Até as toras milenares se não forem cuidadas pelo homem também apodrecerão nas próximas correntezas. Mas como poderemos ser coerentes se ao mesmo tempo somos algozes e vítimas da natureza, usuário das benesses do tempo e impávidos como o sol primaveril que despenca sobre nossas cabeças queimando nossa massa cefálica, ou os sensíveis   cavaleiros ambientalistas que iniciaram suas longas cavalgadas partindo da nascente, repetindo as   mesmas curvas e trajetos no afã de  proteger suas margens e fazê-lo voltar a sorrir com as boas novas. Mas, repito, para que tanta pressa se agora está livre e sabemos que ninguém o espera em lugar algum a não ser receber outras águas

As peripécias de João Capoeira

Aquele dia prenunciava uma noite quente de primavera. O sol descia rumo ao horizonte enquanto os pássaros circundavam os prédios fazendo as últimas curvas para descansarem naquele final de tarde. No topo das árvores deleitavam sobre os ninhos construídos de pequenos ramos e folhas secas, enquanto as flores de um ipê desabrochavam anunciando uma nova estação. Naquele dia, perto dali, um jovem que deveria ter mais ou menos 20 anos, cabelos compridos, estilo Roberto Carlos, nariz volumoso, olhos castanhos, preocupado com os arrombamentos constantes, acomodou-se na sua banca de revistas, rodeado de mariposas que eram atraídas pelas lâmpadas fluorescentes.

As abelhas bicavam as flores colhendo o néctar para a fabricação do mel, e volta e meia, passavam rente a  cabeça do jovem, que as espantavam usando uma revista pornô. Prestava atenção naquelas criaturas de ferrão fino e sorria das travessuras delas e das suas, quando ainda criança, e ao mesmo tempo zombava de seu irmão Luiz Mauro, que certo dia, ao dormir na banca, acordou assustado com um barulho e deu um tiro na lataria  acertando do lado de fora a bunda de um jovem que praticava ato libidinoso e carícias audazes com sua namorada. Que vexame! O irmão ao abrir a porta de aço sentiu-se como se fosse um palhaço de um circo   mambembe. O jovem do lado de fora, de tão assustado, broxou e fez xixi nas calças. Parecia mais um mico de circo vestido de fralda e com cara de bobo. A manceba, uma morena de olhos verdes, vestia roupa justa e espalhafatosa mostrando as coxas e pernas torneadas.  Os sapatos verdes, bico azulado, os cabelos cacheados tipo africano, camisa vermelha desbotada com os seios à mostra, mais parecia uma garota de programa.

O jovem com o rosto esmaecido continuou por algum momento de cabeça baixa, mas de repente, suspendeu a vista e perguntou: O que aconteceu?  Com o revólver ainda soltando fumaça pelo cano esfregou a mão nos  olhos cheios de remela, mirou bem o infeliz e disse: Cara! Esta banca de revista já foi arrombada várias vezes neste ano e você teve o azar de vir fazer sacanagem com sua namorada justamente aqui. Aí você viu no que deu, hein cara!  O barulho das bolinagens me assustou e por isso dei o tiro. Pensei que era num ladrão! E olhe cara! Já são mais de três horas da madrugada e aqui não é lugar para transar. João Capoeira ao ouvir a história no dia seguinte sentiu-se livre daquele vexame, pois dias antes dormira na banca. Ele, antes de cuidar da banca adquirida por seu pai viajava por várias cidades e passava por trilhas, ruas e entrava nas casas de pessoas desconhecidas montando armários de aço e madeira.

De tão azarado, chegou a ficar trancado dentro da loja em que trabalhava em BH. Não era medroso como o irmão. E é verdade, pois todos os aventureiros como ele desenraizam seus medos enfrentando o próprio medo, mas, certo dia, na pequenina cidade de Matozinhos, em Minas Gerais, não conseguiu impor seu jeito de play boy rude, pois ao cruzar com uma jovem de cabelos longos sentiu o coração disparar, respirou ofegante para depois quedar-se diante da beleza rústica e cativante de Elza. Teve vontade de conhecer Nadir, a cunhada, mas desistiu. Casou-se com Elza esquecendo-se de Rosa uma namoradinha do Setor Pedro Ludovico. Joãozinho como é chamado pelos mais íntimos, traz no seu sangue a “capoeira” coisas herdadas da labuta de seu avô paterno, o Antonio Capoeira, um exímio roçador de mato,  experiente na lida com plantio e que andava em sua carroça com rédeas soltas, tocando sanfona com as pernas soltas ao ar. Essa destreza de caráter herdado o fez tornar insuperável, às vezes bárbaro, às vezes meigo, às vezes caridoso, às vezes de dotado de um amor fraternal.

A verdade é que neste texto, por ser pequeno meu espaço, tento mostrar de forma resumida as proezas de alguém no exercício de comércio de revistas, de sua luta insana contra a fiscalização e muitas vezes contra os próprios lojistas; mostrar a sua ira quando viu sua banca ser abalroada por um veículo desgovernado, dirigido por uma motorista embriagada; mostrar sua destreza em enfrentar assaltantes em sua fazenda, que armados de facões, feriram-lhe o corpo e para não morrer, escondeu-se no banheiro ameaçando-os com uma velha carabina; falar também da  tentativa de assalto que sofrera no Setor Pedro Ludovico, onde os ladrões apenas conseguiram acertar alguns tiros no seu Fusca ainda é pouco.
Os contratempos e adversidades o fez crescer e hoje enxerga o mundo de outra maneira; acalenta-se das desventuras sofridas com o sabor da vitória, mas  sempre mantendo o zelo profissional. Considerado bom filho tornou-se bom pai e logicamente, um vencedor e pôde ajudar sua família. João Batista da Silva, “o capoeira”, pode se orgulhar, pois sacudiu a poeira e deu a volta por cima, então, torna-se desnecessário a este escriba elaborar mais tópicos engraçados ou pitorescos sobre sua vida no afã de fazê-los perder horas rindo dos "malabarismos" que fez para sobreviver, até porque hoje vive sossegado em sua Fazenda Capoeiras, no município de Hidrolândia, respirando o ar puro das matas e ouvindo o inebriante canto dos pássaros.

Um homem chamado Indio.

sábado, 3 de setembro de 2011

Na selva de pedra, pessoas e veículos se misturam nas ruas e quando elas     voltam os olhos para os lados, não vê nenhum sinal de pássaros, frutos silvestres e árvores para amenizar do calor emitido pelos raios solares que caem sobre o rosto já carcomido pelas intempéries do tempo. Só muros e gradis. Mas naquele galpão, diante de um amontoado de pessoas carentes que esperavam receber o ticket de leite, o jovem Nilson Candido Teixeira imaginava ter às mãos um tacape, um arco preso às costas e nele flechas pontiagudas para intimidar uma a uma, mas, para sua surpresa, no meio delas, apareceu uma bela cara pálida que o deixou extasiado. O coração abrandou-se e ficou feliz por aquele momento, pois viu abreviado um desejo que só Deus saberia qual o fim. Estupefato diante de tanta beleza, Nilson baixou seu arco imaginário, prosternou-se naquele salão e sentiu o coração disparar e ser perfurado pela flecha do destino que passou tão veloz quanto o vento, para no final, ainda meio atônito, ser amparado pelos braços ternos de Lucrécia.
Este jovem humilde, líder comunitário, ambientalista por natureza, porque em suas veias corre sangue indígena; brasileiro que tem fé no amanhã, que acredita nas pessoas e que, muitas vezes, no afã de protegê-las, é obrigado a agarrar-se num cipó imaginário, sem arco e flecha, voar com o auxílio do vento e célere, passar rente à selva de pedra que o rodeia e mais adiante, descer sereno sobre casas humildes de periferia com o desiderato de levar esperanças àquele povo sofrido. Momentos como este não se repetem facilmente nesta paisagem urbana bucólica e só mesmo usando o mundo da imaginação para conseguir o seu intento. Mas, ele, um destemido preservador da natureza, mesmo de cabelos grisalhos, ainda consegue mostrar ao homem branco o quão é importante zelar pelo planeta terra. Hoje, sem pés descalços, ainda sobe em árvores e colhe seus frutos ou simplesmente brinca com um pequeno mico num bosque qualquer da cidade.  Nos longínquos rincões, toma banho em cachoeira e explora trilhas desconhecidas e que só ele grande guerreiro consegue enxergar. Ao ver tudo que o ele realiza, às vezes, penso que a selva de pedra engoliu o que nós tínhamos de melhor: a nossa essência.

O que me apraz a escrever sobre ele é que já vivenciei e vivencio uma experiência como defensor da  natureza: Nela nunca me sinto só, mas numa cidade sinto-me como estivesse no deserto. Porque é assim que eu sinto a diferença entre o viver numa cidade ou embrenhado na natureza e o que assistimos numa cidade, é a intoxicação social e a perda de valores humanos. O que adianta viver rodeado de pessoas, se elas não utilizam a comunicação, para simplesmente dizer bom dia, boa tarde e boa noite. Hoje a nossa vivência é “robótica”. Fora da selva de Pedra percebemos uma magia de sons, cores, que provoca a quem  assiste, uma mística de pureza misturada com alegria e felicidade. Para aqueles que nunca tiveram como experiência esta “gratuita emoção”, certamente não irão saber distinguir o sentido da vida com a sua   própria realidade. Quando vislumbramos a natureza no topo de uma montanha, respiramos ar puro, ficamos maravilhados com a deslumbrante vista, os caudalosos rios, vales, planície, florestas e um enorme conjunto de tipos variados de árvores e plantas que se esparramam pelo cerrado.
A medalha de honra ao mérito é o reconhecimento a uma luta incessante, a uma tenacidade, a um trabalho desenvolvido em prol da comunidade carente, ou para alguém que luta contra os desmandos e a insensatez humana em destruir a natureza. Mas, Nilson Candido Teixeira teve seu dia especial. Vestindo a caráter como exige o figurino de solenidade, pegou novamente o seu cipó imaginário, voou e desceu na cidade de Goiás para receber a Medalha de Mérito Anhanguera pelos relevantes serviços prestados ao Governo de Goiás. Esta pessoa agraciada e merecedora todos chamam de Índio.
            
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA é advogado, escritor, ambientalista. Presidente da ONG Visão Ambiental e diretor da UBE - União Brasileira dos Escritores. Escreve as quartas-feiras. Email: vdelon@hotmail.com e vanderlan.48@gmail.com.             

Torquato e a Pinguela

Torquato era um pequeno agricultor solteirão. Depois de meditar muito sobre a melhor maneira de atravessar o rio, já que a única ponte de madeira ficava a cinco quilômetros de sua casa, resolveu construir uma pinguela sobre ele.  Do lado de lá, de vez em quando, ele via passar uma linda mulher, corpo esbelto, pernas torneadas e cabelos castanhos caídos sobre os ombros. Um colírio para os seus olhos. Aqueles momentos mais pareciam um sonho e a construção da pinguela talvez o acordasse para a vida e o ensinasse a viver dias melhores.

Sabendo que a travessia era insegura e a sensação de não conseguir alcançar a outra margem poderia ser sentida a cada passo, mesmo assim não titubeou, cortou uma enorme árvore que ficava às margens do rio e a ponta cheia de galhos caiu do outro lado. Aparou os galhos e tirou as lascas como se fosse um escultor. Pronto! Estava construída a formosa pinguela. Ficou observando-a, chegou bem perto do barranco, olhou para baixo e sentiu-se como se estivesse num prédio de quatro andares e depois, lembrou-se que além do medo de altura sofria de labirintite. Entretanto, para quem sentia medo e não tendo alternativa, se viu obrigado a enfrentar a sensação da travessia, até porque precisava  encontrar aquela mulher.
Passados alguns anos visitei o Torquato e numa tarde quente de verão, enquanto o sol se escondia no horizonte, fiquei observando atentamente aquela pinguela e aí me veio à mente que a nossa vida está repleta de momentos semelhantes. Muitas vezes somos forçados a atravessar situações difíceis, sem  nenhuma    segurança e equilíbrio. Muitas vezes pensamos até em retroceder ou sentar a margem daquilo que achamos impossível construir. O impossível no mundo de hoje é sobreviver ou viver em linha reta, avançar e superar obstáculos. A menos que a opção seja por não amadurecer e não crescer, mas sabendo que ultrapassar obstáculos faz parte do itinerário de qualquer ser humano. Chegará o dia em que será necessário que levantemos nossos próprios voos e experimentemos novos ares, pois somente conseguem sucesso quem  avança, independentemente da situação em que se encontram como foi o caso de Torquato que enfrentou o seu medo e pode alcançar na outra margem o seu grande amor.
Vivemos num mundo de altos e baixos, mesmo para aqueles que se dizem seguros quando chegam ao ponto final.  Na estrada da vida muitas vezes somos quase que obrigados a passar por algumas “pinguelas” que balançam nossa estrutura interior. Damos alguns passos, chegamos a vacilar e muitas vezes nem damos    conta de que não há consistência quanto à direção a ser seguida, não obstante sabermos da necessidade de ir adiante mesmo não tendo toda a certeza e segurança necessárias para alcançar o que almejamos. Quando conseguimos passar pela pinguela da vida e pisar em solo firme é sinal que vencemos os obstáculos, superamos nossas limitações e sentimos mais leves e fortalecidos. A nossa vida é cheia de “pinguelas” e não adianta a gente querer se desviar delas, pois elas surgirão ao seu tempo e quando surgirem, nada de receio e ansiedade, pois, depois do esforço empreendido, vem a alegria de ter alcançado o lado de lá, como aconteceu com Torquato.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA Advogado, escritor e Diretor da UBE – União Brasileira de Escritores e articulista do Diário da Manhã. E-mail: vdelon@hotmail.com

Retalhos de luz no fim do tunel.

Naquele quarto frio, iluminado por uma pequena lamparina, parede construída de puro adobe, porta com tramelas, crianças desnutridas, amontoadas em pequenos colchões, vislumbra-se a figura angustiada de um homem trabalhador a espera de dias melhores e da realização de seu maior sonho: ter sua casa própria.

Anestesiado pela dor que pune as paredes estomacais pela falta ingestão de alimentos, aquele trabalhador possuído por uma impropriedade mundana corroída  pelas intempéries do tempo, ainda consegue assistir na sua pequena TV em preto em branco, os  sussurros, maledicências e descrições  metafóricas das sandices.  Assiste estupefato o ato onde um governador deixa o seu Estado em penúria, que mais    parece uma cena de filme de ficção, e em tom conspiratório, abandona o palácio pelas portas do fundo, mostrando uma desfaçatez absurda e curiosa que não se limitam a própria esfera de seu infortúnio político.
Não mais suportando estas decepções que a vida nos prega, tento corroborar a tentativa fajuta de escape de minha circunstância natural refutada pela aversão ontológica daqueles que escarnecem do eleitor, do trabalhador, do honrado, do honesto, do... Aqueles que se esbravejam diante das minhas minúcias; aqueles inescrupulosos desguarnecidos em seu próprio habitat, que fugidamente retroagem aos gêneses dos ritmos das marchas fúnebres. Tudo parece posar na personagem maculada dos observadores mais atentos, a figura de  um rosto-preguiça  sentado em poltronas de anos de maledicências, mostrando uma silhueta disposta ao ridículo.
Naquele rosto desguarnecido de qualquer compostura e respeito ao funcionário público estampado na primeira página do jornal, se vislumbra uma profunda abstração em forma de pintura de escárnio, tal como aquela dor que sobe por nosso estômago e que muitas vezes nos levam ao vômito.
Ainda bem que ele se foi. Hoje respiramos melhor a nossa dor e contraímos nossos músculos de moralidade e respeito à coisa pública. Retornamos a um novo tempo, tempo do trabalho, da recuperação do crédito    perdido, do pagamento em dia e  na certeza de que todos já se sentem felizes e capazes de visualizar retalhos de luz no fim do túnel antes mesmo que estas linhas sejam denotadas de melancolia e decepção.
 
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA
Advogado, escritor e Diretor da UBE – União Brasileira de Escritores.
E-mail: vdelon@hotmail.com

Prevaleceu a justiça, caiu a mordaça e a censura imposta no Diário da Manhã

A mordaça é um objeto que se tapa a boca de alguém para que não fale e não grite enquanto que a censura é formada por uma corporação incumbida do exame de   obras submetidas à censura, e sinteticamente, podemos dizer que é uma repreensão. Pois bem, na edição do dia 11 de agosto findo, fiquei estupefato com o título estampada na capa: LIMINAR TENTA IMPOR CENSURA AO DM. O pedido de liminar feito pelo Partido Comunista Brasileiro, que considerei estapafúrdio, ineficaz e sem consistência jurídica se esbarrou no  princípio constitucional do direito onde se deve reinar a democracia e a liberdade de expressão, liberdade essa há muito tempo implantada no Diário da anhã, o qual , jamais deixou de  publicar matérias ou dar  tratamento igualitário a candidatos ou partidos políticos, tendo inclusive aberto espaço para a população se manifestar através do quadro “Opiniões”, cujos textos são publicados na íntegra.

A infeliz iniciativa desse Partido político não ia prosperar senão vejamos: para o jornal publicar atéria da candidata era necessário que ela fizesse chegar à redação do Diário da Manhã a sua agenda ou quaisquer notícias sobre o seu trabalho de campanha na Capital ou interior. O jornal, por se tratar de uma empresa formadora de opinião pública não podia e não pode fabricar notícias só para agradar a candidata do PCB, Marta Jane, que por sinal, só sai na mídia quando os jornais publicam pesquisas eleitorais. A falta de divulgação alegada pela candidata apenas caracterizou falta de agendamento de visitas nos bairros da Capital e cidades do  interior, e data vênia, como advogado, escritor e líder comunitário não vejo nenhuma propaganda eleitoral dessa candidata nas ruas de Goiânia, e por sinal, só vim conhecê-la e saber de sua    candidatura a Governadora quando li alguns dias atrás, notícias sobre sua pessoa no próprio Diário da Manhã.  Por outro lado, não se podia alegar que o DM estava divulgando de forma escancarada os outros candidatos, uma vez que o volume de notícias se equivale ao próprio trabalho desenvolvido pelos candidatos, situação ao que parece não ser o caso da candidata Marta Jane, cujo questionamento nos fez entender que a sua candidatura era apenas para forçar a divulgação do seu nome na mídia, para se tornar conhecida e nas próximas eleições municipais sair candidata a vereadora. Isto é comum nos partidos nanicos.

A mordaça ou a censura podem atacar diretamente a essência da democracia e revesti-la da forma do vale tudo, em molde de ralho constante, não fundamentado, intrusivo, maledicente e por vezes constrange-dor. É essa forma de censura que alguns apelidam de liberdade de expressão que queriam  impor ao Diário da Manhã. Defendendo o meu direito à indignação em relação ao pedido feito pelo PCB, que tanto questionou sobre censura no Brasil, finalizo dizendo que ela e a mordaça, quando praticada pelo denunciante somente no  sentido de  “aparecer” perante a opinião publica, pode este ato impensado virar contra aos que se dizem  prejudicados, ou simplesmente, o feitiço virar contra o feiticeiro, e foi o que realmente aconteceu, pois prevaleceu a justiça com a derrubada da liminar e a mordaça imposta ao Diário da Manhã agora jaz  inócua e definitivamente arquivada no sistema virtual da justiça.

VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA. Advogado, escritor e Diretor do Dpto. Jurídico da UBE – União Brasileira de Escritores. E-mail: vdelon@hotmail.com

 
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