Olhando o mundo. Só olhando e meditando...

sábado, 3 de maio de 2014


Tem dia que a gente levanta diferente, com vontade de ver o mundo de outra forma. Tem dia que a gente olha, olha... E nada se vê. Damos um, dois ou mais passos à frente, para tentar enxergar um mundo diferente para que possamos entrar nele sem atropelos, sem medo da própria pessoa humana, de poder achar um lugar onde a gente nunca esteve antes, um lugar diferente mesmo! E sem olharmos para trás, convencer-nos de que seria realmente melhor deixarmos os malogros, as decepções, as incertezas, as tristezas e tudo aquilo que nos foram maléficos, e sentir o prazer de levar os frutos de tudo aquilo que nos levaram à vitória e plantá-los nesse lugar, em terreno fértil, sagrado.

Mas como se esquecer dos crimes bárbaros, das pessoas que matam apenas para ouvir o gemido do desafeto? Como se esquecer dos estupros, dos crimes de pedofilias que se espalham por todo o País? Como se esquecer de pais matando filhos e filhos matando pais? Como se esquecer dos políticos corruptos e dos corruptores? Como se esquecer da impunidade que impera no Brasil? Como? Diga-me? Então, depois destes questionamentos resta-me meditar: Será que o nobre leitor vai entender porque resolvi ficar hoje observando o mundo e olhar somente com o fito de encontrar um tesouro escondido num ponto qualquer para saciar minha sede de viver que talvez nem exista?

Daqui a pouco devo sair para uma leve caminhada no calçadão, mas ainda sinto aquela sensação estranha que – não sei por que razão – me atacou hoje. Questiono-me: Serão apenas lembranças remotas e estranhas que me faz parar e ficar observando o mundo? É realmente estranho porque não tenho nenhum motivo para dizer: estou só. Paro, reflito e antes de sair, me acomodo diante do computador e começo a escrever esta crônica porque sei que do outro lado têm pessoas que se sentem do mesmo jeito, entretanto, só estou a pensar na melhor maneira de como transmitir-lhes esta mensagem, nada mais. Mas, preocupo-me porque têm pessoas sensíveis do outro lado, sofrendo em seu canto, magoadas, iludidas, desiludidas, chorando, jovens e adultos, que fazem de tudo para sobreviver neste mundo nosso que deveria ser de todos, ora expressando amor, ora ódio, algumas com sede de viver e outras não. E aí está o perigo! Há também as que sonham. Há as que se sentem incompreendidas, com vontade de gritar dentro de seu próprio mundo porque sequer são ouvidas e ninguém presta atenção. Elas se calam, mesmo sabendo que o seu silêncio muitas vezes tiraria a vontade de alguém ouvir uma palavra que, dependendo da situação do momento, poderia doer mais do que o seu próprio silêncio.

Do vão quadriculado da janela, com as mãos segurando óculos de grau, fico olhando o pôr-do-sol e constato, por mais belo que ele for não bastará para dar sentido às essas vidas, ou no caso, também à minha, porque mesmo escrevendo de forma pensada, não posso falar por elas ou em nome delas. Mas, confiando no que a janela de minha alma me mostra, viro o rosto e meus olhos miram o horizonte poente no intuito de me mostrar um caminho renovado, cheio de fé e esperança. E fico só olhando e nem vejo os transeuntes que passam na calçada e os arranha-céus que me cercam. Olho fixamente para ponto qualquer do universo, pois só olhando com os olhos da alma e meditando posso responder as expectativas, exigências e também às críticas que porventura venha receber de cidadãos que compartilham comigo o mesmo desiderato. O importante é quando meu olhar se depara diante dos deles e fixando o olhar, enxergo a esperança e paz, aí então, para mim já é gratificante.

Devemos parar de ficar só olhando o improvável, o impossível, o incerto. Devemos tentar chegar até nossos semelhantes com táticas mais eficazes, pois é muito difícil perceber o que fazer somente olhando, usando somente a janela da alma e não vislumbrar que vale a pena esperar um novo amanhã para que possamos interiorizar mais e mais profundamente em nossa alma e encontrarmos o que estamos procurando, e se acharmos, não ser apenas uma ilusão e dizermos: Estamos apenas olhando... Olhando para frente com o fito de unir o trilho de nossas vidas, sem incomodar ninguém.

Com relação à política brasileira, esta me incomoda também, no entanto - e não estou só neste sentimento - que os cidadãos do Brasil não tenham conseguido decidir sobre tão importante mudanças através de Lei ou não que pudessem mudar todos esses atos humanos animalescos e politicalhas que enojam a nação brasileira. Sei que não estou só neste momento, pois além dos bons e justos que felizmente ainda são muitos, o Pai Celestial está comigo. Então, mesmo sendo uma só pessoa olhando ou um milhão, resta-me continuar olhando, mesmo absortamente, para o fato de que nós podemos mudar o Brasil através de manifestações conscientes e sem exageros, repudiando tudo que vem ocorrendo de errado em nosso País. Como disse Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons”.

3 comentários:

  1. Lendo sua Crônica fiquei em silêncio para meditar um pouco...Não tem como falar ao contrário, você é um grande escritor, sabe como despertar, emocionar e motivar seus leitores com suas palavras...Parabéns amigo!!!

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    1. Obrigado. Suas palavras são um incentivo para mim.

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