O grito silencioso da mãe natureza.

sábado, 8 de novembro de 2014

Em qualquer lugar do planeta terra, sejam nas florestas, serrados, montanhas, vales, rios, mares ou oceanos, encontramos preciosas lições que dizem que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude. São muitos os acontecimentos que se dão em silêncio. Pois bem. Reparem que o sol nasce e se põe em profunda calma, penetra suavemente pela vidraça de uma janela, sem a quebrar, mas antes, acaricia as pétalas de uma rosa que se abre numa floreira, sem a ferir, depois, passa pelo vão quadriculado, beija a nossa face, sem nos acordar. Lá no infinito universo as estrelas e as galáxias giram em torno de suas órbitas com extraordinária velocidade pelas inexploradas vias do cosmo, mas, por incrível que pareça e até em respeito aos seres humanos e extraterrestres sei lá se existem, nunca dão sinal de sua presença pelo mais leve ruído. E veja o oxigênio que respiramos o poderoso mantenedor da vida, este penetra em nossos pulmões, circula discretamente pelo nosso corpo e nem lhe notamos a presença.

Hoje, ao ver os reservatórios de águas se esvaziando em face da escassez de chuvas, situação provocada pelo próprio homem em face do desmatamento, queimadas e descarga de resíduos poluentes nos rios, hão de convir que a maioria dos seres humanos ainda não aprenderam a ouvir o silêncio da natureza, o seu clamor, o seu pedido socorro e nem captar os sons interiores da sua alma. Aprender a ouvir; aprender a respeitar o seu eu, aprender a valorizá-la e voltar a ser verdadeiramente humano e não um animal irracional, um depredador; aprender a respeitar o templo em que vive – a terra, o seu próprio corpo e o santuário que é a vida; aprender com o silêncio da natureza a valorizar o seu dia; aprender a enxergar em você às qualidades que possui e descobrir as imperfeições, despertando a sua consciência ambientalista em prol de um mundo melhor e daquilo que precisa ser aprimorado em se tratando a proteção à natureza.

Estas e tantas outras são as razões para aprendermos com o seu silêncio, sabendo que ela produz o nosso alimento, nos dá vida e nós só precisamos fazer a nossa parte de modo racional, olhar o lado certo e não destruí-la como fazem muitas pessoas em tudo o mundo. Porque não procuramos ouvir e entender o seu silêncio, quando tenta nos mostrar que a falta de chuvas são ocasionadas em razão das áreas devastadas e que, sem vegetação, ficam completamente desprotegidas provocando erosões e outras catástrofes naturais. Toda a terra que se desgasta logicamente vai para as áreas mais baixas, como o leito dos rios, causando inundações. Sem falar da queda de barreiras nas estradas de onde se desprendem enormes pedras que caem sobre as rodovias, assim como de desmoronamentos de construções nas encostas que provocam tragédias fatais quando ocorrem chuvas torrenciais ou as finas ininterruptas.  
    
Outros exemplos de impactos ambientais são aqueles gerados pelas atividades industriais e veículos, que através das emissões gasosas de suas chaminés e canos de escapamento provocam a chuva ácida, que nada mais é que a queima do carvão e de combustíveis fósseis e os poluentes industriais lançam dióxido de enxofre (SO2) e de nitrogênio (NO2) na atmosfera. Esses gases parecem ter combinado à surdina com o hidrogênio presente na atmosfera sob a forma de vapor de água. O resultado são as chuvas ácidas: as águas de chuva, assim como a geada, neve e neblina ficam carregadas de ácido sulfúrico e/ou ácido nítrico. Ao caírem nas superfícies, alteram a composição química do solo e das águas, atingem as cadeias alimentares, destroem florestas, lavouras, atacam estruturas metálicas, monumentos e edificações.

Caro leitor, quando assisti através da televisão reservatórios e rios secando por falta de chuvas, lembre-se de que a culpa é do próprio ser humano que não a respeita e nunca procurou aprender a ouvi-la, mas se ela pudesse gritar sabe que de nada adiantaria e nem traria o respeito que ela merece. Ela quer apenas que a ouçamos e entendamos o porquê do seu silêncio. Se pudesse se manifestar coitado dos depredadores! Ela quer que aprendamos a aceitar o fato de que nós é que a estamos destruindo e nunca reparamos o mal que lhe causamos e nem valorizamos a beleza que ela nos oferece. Tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e vir, como os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, e ou mesmo como a Terra, que faz a volta completa sobre seu próprio eixo.

Mesmo sendo um ambientalista sinto-me impotente diante de tantas atrocidades e desrespeito com a natureza e às vezes, sou obrigado a ficar em silêncio como ela, mas em certos momentos, ainda tento compreender os desabafos do já silenciado monjolo, que se apodrece em barros fétidos, porque o rego de água também secou. Fico em silêncio para poder ouvir o cântico   enlutados dos pássaros  que se aglomeram nos galhos secos de uma árvore milenar. Fico em silêncio porque vejo a fauna, flora e florestas destruídas, rios secando, hidrovias paralisadas e alguém ainda querendo fazer transposição de um rio importante que há anos pede socorro. E como não se lembrar dos pilões que socavam  milhos, arroz, café e amendoim que se sucumbiram ao  tempo, marginalizados, esquecidos... E quantas famílias sobreviveram do trabalho gratuito do monjolo, dos moedores de cana que produziam aguardente e rapadura, que hoje perambulam pelos campos à mercê da fome, do frio e da doença, por mero descaso daqueles que, dotados de espírito corrupto, egoístas, desumanos e sede de poder, por ausência absoluta de Deus, continuam gerando e massacrando esse povo trabalhador, deixando-os amordaçados como aconteceu com os “monjolos da vida”...

Diante deste silêncio que paira na natureza, eu e você temos que continuar firmes sem renegarem a mais perfeita quietude e benevolência. Jesus demonstrou a Sua grandeza, permanecendo sempre em harmonia, sem perturbar-Se em momento algum. Então caro leitor, prossigamos, buscando sempre que possível, o colo, a paz espiritual e o recolhimento que a mãe natureza nos oferece, mas aprendendo a respeitá-la, escutá-la e defendê-la. Não somos donos do mundo e o que o homem faz com ela é inadmissível e se continuar a desrespeitá-la, estará cavando a sua própria sepultura.



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